{"id":16200,"date":"2017-09-18T17:09:32","date_gmt":"2017-09-18T20:09:32","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=16200"},"modified":"2017-09-18T17:09:32","modified_gmt":"2017-09-18T20:09:32","slug":"linguagem-e-ideologia-como-os-jornais-mentem-sobre-a-economia-do-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/16200","title":{"rendered":"Linguagem e ideologia: como os jornais mentem sobre a economia do Brasil"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/revistaopera.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/opera-21-218x150.jpg\" alt=\"imagem\" \/><!--more-->por Allefy Matheus | Revista Opera<\/p>\n<p>Por Gabriel Deslandes<\/p>\n<p>opera-21-696&#215;464.jpgAreflex\u00e3o sobre a linguagem \u2013 a forma dos discursos \u2013 n\u00e3o \u00e9 recente. J\u00e1 Marx e Engels, n\u2019A Ideologia Alem\u00e3, denotavam que \u201ca linguagem \u00e9 a consci\u00eancia pr\u00e1tica\u201d; no s\u00e9culo XX, explodiram os estudos que mostravam como a linguagem reflete e reproduz rela\u00e7\u00f5es de domina\u00e7\u00e3o e viol\u00eancia simb\u00f3lica.<\/p>\n<p>Aqui, quero \u2014 voltando a um campo mais pr\u00f3ximo de Marx \u2014 falar de como a linguagem do \u00e2mbito dos \u201cfatos econ\u00f4micos\u201d mistifica a realidade e legitima a reprodu\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es de domina\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>1 \u2013 Tomemos, como exemplo inicial, algo recente: as revis\u00f5es da meta fiscal (d\u00e9ficit prim\u00e1rio) para este ano e o seguinte; de 30 bilh\u00f5es em cada, se n\u00e3o me engano. Os jornais da Rede Globo falam em \u201crombo das contas p\u00fablicas\u201d, e muita gente da esquerda reproduz. Ora, um \u201crombo\u201d certamente \u00e9 algo indesej\u00e1vel. Um \u201crombo\u201d da magnitude de mais de 100 bilh\u00f5es de reais certamente desperta preocupa\u00e7\u00e3o; h\u00e1 que se tamp\u00e1-lo imediatamente, para o bem do pa\u00eds! Mas eis que a ocorr\u00eancia de um d\u00e9ficit prim\u00e1rio n\u00e3o \u00e9 \u201crombo\u201d algum; trata-se simplesmente do fato de que o governo criou mais poder de compra atrav\u00e9s de seus gastos prim\u00e1rios do que destruiu na forma de arrecada\u00e7\u00e3o tribut\u00e1ria; a causa disso sendo um leve aumento das despesas prim\u00e1rias do governo nos \u00faltimos 2 anos, paralelamente \u00e0 queda brutal do n\u00edvel de atividade econ\u00f4mica (PIB) do pa\u00eds, do qual depende fundamentalmente a arrecada\u00e7\u00e3o do governo. A causa deste d\u00e9ficit pode ser ruim; ele, em si, \u00e9 um \u201cfato neutro\u201d. Mesmo que seja da ordem de 100 bilh\u00f5es de reais ou mais.<\/p>\n<p>2- Vamos a outra express\u00e3o: os \u201ccofres p\u00fablicos\u201d. A impress\u00e3o imediata \u00e9 que o governo armazena o dinheiro que arrecada como impostos em gigantescos cofres, e o utiliza para realizar suas despesas. Deveria, portanto, gastar de uma maneira tal que, ap\u00f3s a realiza\u00e7\u00e3o de todos os gastos, o saldo nas contas fosse 0 ou ainda positivo (&gt; 0). Com este saldo positivo, poderia pagar as presta\u00e7\u00f5es de juros e amortiza\u00e7\u00e3o da d\u00edvida p\u00fablica.Na realidade, o governo federal gasta realizando um dep\u00f3sito na conta banc\u00e1ria de algu\u00e9m a partir da Conta \u00danica do Tesouro, e isso aparece como cria\u00e7\u00e3o de moeda; a tributa\u00e7\u00e3o \u2014 destrui\u00e7\u00e3o de poder de compra -, que \u00e9 posterior, serve para controlar a demanda (em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 capacidade de produ\u00e7\u00e3o) e para fazer com que o p\u00fablico (fam\u00edlias e empresas) continuem demandando a moeda estatal para pagar impostos. O Banco Central, por sua vez, emite t\u00edtulos n\u00e3o para financiar o gasto p\u00fablico, mas para fazer com que a taxa de juros \u201covernight\u201d n\u00e3o caia a zero com um excesso de reservas banc\u00e1rias ocasionado pelo gasto deficit\u00e1rio do governo, e assim manter essa taxa de juros pr\u00f3xima da meta do valor da SELiC.Em resumo, o Estado brasileiro, como outros que emitem suas pr\u00f3prias moedas, n\u00e3o precisa do dinheiro das fam\u00edlias e empresas (na forma de impostos arrecadados) para gastar \u2014 e por isso, ali\u00e1s, n\u00e3o pode quebrar numa d\u00edvida denominada nessa pr\u00f3pria moeda; as fam\u00edlias e empresas \u00e9 que s\u00f3 podem pagar impostos depois que o Estado gasta e p\u00f5e dinheiro em suas m\u00e3os.<\/p>\n<p>3 \u2013 Outra express\u00e3o: o \u201cagroneg\u00f3cio\u201d (para os mais colonizados, \u201cagrobusiness\u201d [sic]) exportador. Parece coisa moderna, uma inova\u00e7\u00e3o feita a partir da \u201cvoca\u00e7\u00e3o agr\u00edcola\u201d [sic] do Brasil. Na realidade, a agricultura \u00e9 o ramo de produ\u00e7\u00e3o onde os ganhos de escala s\u00e3o mais improv\u00e1veis; portanto, onde h\u00e1 menos chance de aumento da produtividade. O processamento dos produtos agr\u00e1rios, por sua vez, embora envolva atividade industrial e, portanto, possa ter maiores ganhos de escala e produtividade, \u00e9, quanto a isso, bastante inferior aos ramos de produ\u00e7\u00e3o de produtos tecnologicamente sofisticados, e tamb\u00e9m \u00e9 inferior quanto \u00e0 elasticidade-renda da demanda.Al\u00e9m disso, o \u201cagroneg\u00f3cio exportador\u201d, que se deveria chamar verdadeiramente de latif\u00fandio exportador, a) destr\u00f3i a natureza e expulsa popula\u00e7\u00f5es do campo, b) n\u00e3o prov\u00e9m altos sal\u00e1rios e c) ao causar uma redu\u00e7\u00e3o da oferta potencial de alimentos no mercado interno, aumenta o custo de vida urbano, transferindo poder de compra dos sal\u00e1rios para a renda da terra.<\/p>\n<p>Enfim, ainda poder\u00edamos falar, por exemplo, sobre os problemas com termos como \u201cdesigualdade (de renda)\u201d e \u201cexclus\u00e3o social\u201d, que disfar\u00e7am os fen\u00f4menos da explora\u00e7\u00e3o da for\u00e7a de trabalho e do ex\u00e9rcito industrial de reserva, s\u00f3 para citar os que me lembro agora. Mas isso fica pra depois.<\/p>\n<blockquote data-secret=\"INdImlJ6lm\" class=\"wp-embedded-content\"><p><a href=\"http:\/\/revistaopera.com.br\/2017\/09\/15\/linguagem-e-ideologia-como-os-jornais-mentem-sobre-a-economia-do-brasil\/\">Linguagem e ideologia: como os jornais mentem sobre a economia do Brasil<\/a><\/p><\/blockquote>\n<p><iframe loading=\"lazy\" class=\"wp-embedded-content\" sandbox=\"allow-scripts\" security=\"restricted\" style=\"position: absolute; clip: rect(1px, 1px, 1px, 1px);\" src=\"http:\/\/revistaopera.com.br\/2017\/09\/15\/linguagem-e-ideologia-como-os-jornais-mentem-sobre-a-economia-do-brasil\/embed\/#?secret=INdImlJ6lm\" data-secret=\"INdImlJ6lm\" width=\"600\" height=\"338\" title=\"&#8220;Linguagem e ideologia: como os jornais mentem sobre a economia do Brasil&#8221; &#8212; Revista Opera\" frameborder=\"0\" marginwidth=\"0\" marginheight=\"0\" scrolling=\"no\"><\/iframe><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/16200\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[7],"tags":[226],"class_list":["post-16200","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-s8-brasil","tag-4b"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-4di","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16200","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=16200"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16200\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=16200"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=16200"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=16200"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}