{"id":16252,"date":"2017-09-21T14:10:45","date_gmt":"2017-09-21T17:10:45","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=16252"},"modified":"2017-09-21T14:10:45","modified_gmt":"2017-09-21T17:10:45","slug":"por-que-a-coreia-popular-ameaca-o-japao-e-o-mundo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/16252","title":{"rendered":"Por que a Coreia Popular &#8220;amea\u00e7a&#8221; o Jap\u00e3o e o &#8220;mundo&#8221;?"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.38north.org\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/1_Ryomyong-Street_CNN-17-0412.jpg\" alt=\"imagem\" \/><!--more-->por Giovani Leninster<\/p>\n<p>A Rep\u00fablica Popular Democr\u00e1tica da Coreia (RPDC) \u00e9 tamb\u00e9m conhecida como Coreia Popular ou segundo a ideologia ocidental pr\u00f3-imperialista como Coreia do Norte. Neste artigo buscaremos a chave pra uma inc\u00f3gnita que tem abalado cora\u00e7\u00f5es por todo o globo: a \u201camea\u00e7a vermelha\u201d advinda da \u201cCoreia do Norte\u201d. Ontem, em confer\u00eancia com o Embaixador Plenipotenci\u00e1rio da Coreia Popular Kim Chol Hak, foi levantado o questionamento: por que a \u201cCoreia do Norte\u201d amea\u00e7a o Jap\u00e3o e Coreia do Sul se estes s\u00e3o estados pac\u00edficos, sendo o Jap\u00e3o um Estado sem ex\u00e9rcitos desde 1945? Exatamente a este questionamento traremos nossas respostas.<\/p>\n<p>Comecemos por uma breve incurs\u00e3o no hist\u00f3rico da forma\u00e7\u00e3o social Coreana no s\u00e9culo XX. A Coreia, em princ\u00edpio do s\u00e9culo passado, era marcada como um estado com predom\u00ednio de rela\u00e7\u00f5es feudais de produ\u00e7\u00e3o, tendo essa estrutura societ\u00e1ria estamental (hier\u00e1rquica) sido adequada a um processo de coloniza\u00e7\u00e3o tardio promovido pela Inglaterra e Jap\u00e3o. A Coreia torna-se ent\u00e3o um Estado semi-colonial de modo an\u00e1logo ao acontecido na China, de modo que a maior parte de sua popula\u00e7\u00e3o fora submetida \u00e0 explora\u00e7\u00e3o interna e externa, tendo suas condi\u00e7\u00f5es de sobreviv\u00eancia duramente dificultadas.<\/p>\n<p>Os processos revolucion\u00e1rios no s\u00e9culo XX que tiveram in\u00edcio no leste europeu dando origem \u00e0 URSS, incentivam fortemente o avan\u00e7o dos processos revolucion\u00e1rios na \u00c1sia, tendo a China triunfado em sua revolu\u00e7\u00e3o ap\u00f3s quase trinta anos de luta armada contra as fra\u00e7\u00f5es do capital interno, e os ex\u00e9rcitos e agentes do capital imperialista (em especial Ingl\u00eas, Japon\u00eas e Americano). A Coreia seguiu um rumo parecido e, no ano de 1950, com o avan\u00e7o do processo revolucion\u00e1rio coreano, foi declarada guerra \u00e0 Coreia pelos agentes do imperialismo americano.<\/p>\n<p>A Guerra que durou de 1950 a 1953 ficou internacionalmente conhecida como Guerra \u201cdas Coreias\u201d, por\u00e9m, um olhar historiogr\u00e1fico e geopol\u00edtico atento nos revelar\u00e1 que o processo de Guerra n\u00e3o se deu entre diferentes Coreias, mas sim entre a revolu\u00e7\u00e3o Coreana liderada por Kim il Sung contra os ex\u00e9rcitos imperialistas do Jap\u00e3o Fascista e posteriormente Estados Unidos (Manoel, 2017). Portanto, a ideia de uma guerra entre \u201cas Coreias\u201d \u00e9 totalmente forjada pela ideologia pr\u00f3-imperial. A Coreia revolucion\u00e1ria teve parte de seu territ\u00f3rio ocupado (especialmente o sul), e a regi\u00e3o norte, onde a revolu\u00e7\u00e3o estava melhor estruturada, foi sistematicamente bombardeada e teve a maior parte de suas cidades e infraestruturas destru\u00eddas. O real cen\u00e1rio, portanto, foi o sul sendo ocupado e o norte prosseguindo firme, apesar da agress\u00e3o imperialista.<\/p>\n<p>A ocupa\u00e7\u00e3o militar dos EUA na parte sul da pen\u00ednsula coreana perdura at\u00e9 hoje, as instala\u00e7\u00f5es militares da \u201cCoreia do Sul\u201d s\u00e3o operacionalizadas por tropas americanas, todos sistemas de defesa e ataque s\u00e3o meticulosamente desenvolvidos e controlados por tropas americanas (sob a escusa de serem da OTAN). O sistema pol\u00edtico \u201cdemocr\u00e1tico\u201d instaurado no Sul garantiu uma suposta democracia, onde o poder pol\u00edtico e econ\u00f4mico \u00e9 dominado pelos Estados Unidos, tendo formado uma col\u00f4nia de alto grau tecnol\u00f3gico e colossais \u00edndices de explora\u00e7\u00e3o da classe trabalhadora. \u00c9 um dos pa\u00edses com maiores \u00edndices de suic\u00eddio em decorr\u00eancia do excesso de trabalho, bem como o pa\u00eds com maiores \u00edndices de explora\u00e7\u00e3o sexual na terceira idade (Segundo a BBC &#8211; insuspeita de simpatia \u00e0 RPDC, assim como as demais fontes jornalisticas que utilizaremos). Ambas explora\u00e7\u00e3o sexual e explora\u00e7\u00e3o do trabalho s\u00e3o fruto de uma verdadeira ditadura do capital, que destr\u00f3i direitos trabalhistas e aposentadoria.<\/p>\n<p>Apesar da invas\u00e3o do Sul e da sangrenta guerra para garantir a independ\u00eancia da Coreia <em>no<\/em> Norte, a revolu\u00e7\u00e3o coreana prossegue firme sob a doutrina Juche e inicia a constru\u00e7\u00e3o do socialismo na via coreana, com um grande enfoque no poder popular, na independ\u00eancia de suas for\u00e7as produtivas, independ\u00eancia energ\u00e9tica e pol\u00edtica, por\u00e9m, seguindo firme no esp\u00edrito internacionalista. Segundo informa\u00e7\u00f5es do embaixador Kim Chol Hak, a independ\u00eancia energ\u00e9tica deu in\u00edcio \u00e0s pesquisas nucleares na Coreia Popular, tendo essas sido duramente criticadas e dificultadas desde seu in\u00edcio por press\u00e3o dos EUA via ONU. Na d\u00e9cada de 1990, a Coreia buscava iniciar suas primeiras plantas de energia termonuclear, por\u00e9m, ap\u00f3s press\u00e3o da ONU, decide aceitar um acordo de uma constru\u00e7\u00e3o de uma hidrel\u00e9trica de grande porte, por parte dos EUA via ONU com capitais internacionais. Essa constru\u00e7\u00e3o deveria ocorrer em dois anos e nunca tomou corpo, tendo levado a Coreia Popular a retomar suas plantas termonucleares.<\/p>\n<p>A necessidade energ\u00e9tica foi somada \u00e0 press\u00e3o pol\u00edtica, econ\u00f4mica e militar que cercam a RPDC desde a d\u00e9cada de 50, sendo assim iniciado um programa de enriquecimento de ur\u00e2nio com fins armamentistas, e prop\u00f3sitos de defesa da soberania nacional. Assim surgia a doutrina nuclear da RPDC.<\/p>\n<p><strong>A Doutrina Nuclear da RPDC<\/strong><\/p>\n<p>Nos monop\u00f3lios de m\u00eddia ocidentais n\u00e3o passa um dia sem que sejam propagandeadas not\u00edcias hist\u00e9ricas a respeito da amea\u00e7a nuclear \u201cnorte coreana\u201d. Se nos recordarmos da pergunta inicial que tomamos como linha direcional, perceberemos a falsa no\u00e7\u00e3o de que a RPDC \u00e9 uma clara amea\u00e7a \u00e0 paz mundial, em especial aos seus \u201cpac\u00edficos\u201d vizinhos Coreia do Sul e Jap\u00e3o. Busquemos agora entender como se deu a doutrina nuclear da RPDC e qual o papel do Jap\u00e3o, Coreia do Sul e demais agentes imperiais neste processo.<\/p>\n<p>Como previamente exposto, a Doutrina Nuclear da RPDC tem in\u00edcio nos anos 90 e se inicia com a constru\u00e7\u00e3o de bombas at\u00f4micas convencionais, projeto que caminha de forma concomitante com os projetos de desenvolvimento de tecnologia aeroespacial, visando tanto a constru\u00e7\u00e3o de sat\u00e9lites quanto foguetes e lan\u00e7adores. A necessidade de constru\u00e7\u00e3o da bomba at\u00f4mica \u00e9 colocada desde o in\u00edcio como um elemento garantidor da soberania nacional da RPDC, amea\u00e7ada a todo instante por for\u00e7as externas.<\/p>\n<p>A Guerra na Coreia, e n\u00e3o da Coreia termina em 1953, por\u00e9m, a amea\u00e7a imperialista nunca saiu da fronteira da RPDC e nunca cessaram as hostilidades, tentativas de assassinato das lideran\u00e7as da RPDC, bem como embargos econ\u00f4micos criminosos e hostilidades de diversas naturezas. O Imperialismo nunca se deu por vencido, tendo impedido at\u00e9 os dias atuais a reunifica\u00e7\u00e3o da Coreia, al\u00e9m de buscar h\u00e1 d\u00e9cadas sufocar o regime popular da RPDC. Os estados Japon\u00eas e Sulcoreano t\u00eam papel fundamental na ofensiva imperialista contra a soberania da RPDC. Jap\u00e3o e Coreia do Sul, n\u00e3o apenas funcionam como bases militares dos EUA, mas tamb\u00e9m como centros de pesquisas militares, al\u00e9m de centros de poder econ\u00f4mico e pol\u00edtico e ideol\u00f3gico que atuam a todo momento para desestabilizar a RPDC. Sendo assim, foi constru\u00eddo um cerco militar, econ\u00f4mico e ideol\u00f3gico, aos quais nos deteremos um pouco mais.<\/p>\n<p>A press\u00e3o militar \u00e0 RPDC se d\u00e1, portanto, via instala\u00e7\u00f5es de bases, sistemas de \u201cdefesa\u201d e tecnologias b\u00e9licas de diversos tipos estacionados na regi\u00e3o especial no Jap\u00e3o e Coreia do Sul, al\u00e9m da ilha de Guam situada ao sul da pen\u00ednsula Coreana, que foi ocupada pelos EUA e se tornou uma base militar. As ofensivas militares contam com constantes exerc\u00edcios militares: com r\u00e1pidas pesquisas \u00e9 poss\u00edvel encontrar diversas fontes que mostram os diversos exerc\u00edcios militares entre EUA-Jap\u00e3o-Coreia-do-Sul. Segundo a Daily Mail do Reino Unido, neste ano foram realizados exerc\u00edcios militares entre Jap\u00e3o e EUA que duraram 18 dias seguidos, al\u00e9m de diversos outros exerc\u00edcios. Somada a estas press\u00f5es militares est\u00e1 a instala\u00e7\u00e3o do sistema de \u201cantim\u00edsseis\u201d Terminal High Altitude Area Defense (THAAD). Especialistas militares de diversos pa\u00edses apontam esta como uma das principais amea\u00e7as \u00e0 paz no sudeste asi\u00e1tico, amea\u00e7ando n\u00e3o apenas a RPDC mas tamb\u00e9m a R\u00fassia e China. A instala\u00e7\u00e3o do THAAD provocou protestos duramente reprimidos na Coreia do Sul (segundo Sputnik), al\u00e9m de duros protestos dos governos chin\u00eas e russo (segundo Reuters). A instala\u00e7\u00e3o do THAAD, somada aos frequentes exerc\u00edcios militares e diversos equipamentos militares estacionados nas fronteiras da RPDC, s\u00e3o constantes amea\u00e7as \u00e0 sua soberania, sendo assim a Doutrina militar a resposta encontrada para resistir a qualquer poss\u00edvel agress\u00e3o.<\/p>\n<p>O desenvolvimento at\u00f4mico da Coreia Popular atingiu dois pontos de extrema import\u00e2ncia neste ano: o desenvolvimento de seu primeiro m\u00edssil bal\u00edstico inter continental (ICBM) e de sua primeira bomba de hidrog\u00eanio (segundo informa\u00e7\u00f5es do The Guardian). Com estes novos desenvolvimentos, o potencial de defesa da Coreia obteve tanto tecnologia de lan\u00e7amento para i\u00e7ar misseis at\u00e9 o continente americano (podendo atingir a por\u00e7\u00e3o continental dos EUA) bem como um potencial destrutivo de maior magnitude com a bomba de fus\u00e3o nuclear (H-Bomb). Este r\u00e1pido desenvolvimento vem em enorme contradi\u00e7\u00e3o com as frequentes not\u00edcias em nossos monop\u00f3lios de m\u00eddias ocidentais, que bradam sobre o atraso tecnol\u00f3gico da Coreia sob a \u201cditadura socialista dos Kim\u201d. Mais informa\u00e7\u00f5es sobre os avan\u00e7os tecnol\u00f3gicos est\u00e3o dispostas em artigo divulgado pelo PCB, al\u00e9m de portais de m\u00eddias coreanas e observadores internacionais.<\/p>\n<p>O desenvolvimento nuclear da RPDC segue, portanto, uma linha de desenvolvimento de seu potencial de ataque para um alcance que inclua todos seus inimigos (n\u00e3o potenciais, mas sim reais, como EUA, Jap\u00e3o e Coreia do Sul). Por\u00e9m, est\u00e1 mais que claro h\u00e1 d\u00e9cadas, que o princ\u00edpio que guia a RPDC \u00e9 o de soberania, autossufici\u00eancia e sobreviv\u00eancia. Qualquer ataque por parte da RPDC, por maior que fosse seu potencial destrutivo, seria retaliado com uma invas\u00e3o e destrui\u00e7\u00e3o (&#8220;Fogo e F\u00faria&#8221;, como pontuou Donald Trump em discurso recente) que destruiria integralmente a Coreia, sendo \u00f3bvio que n\u00e3o h\u00e1 um princ\u00edpio suicida generalizado na RPDC. O potencial at\u00f4mico subsiste como \u201cDeterrence\u201d, ou seja, potencial de deten\u00e7\u00e3o de amea\u00e7as externas, a partir de for\u00e7a militar capaz de infligir danos incomensur\u00e1veis nos inimigos imperiais. Vide as teorias do MAD (Mutual Assured Destruction) do per\u00edodo da Guerra Fria entre EUA e URSS. A Coreia pretende, portanto, unicamente garantir seu direito de exist\u00eancia, utilizando seu direito de possuir armamentos para se defender e guardar suas fronteiras.<\/p>\n<p>Sobre as press\u00f5es econ\u00f4micas, estas t\u00eam alcan\u00e7ados patamares ainda mais criminosos que os embargos impostos a Cuba: os EUA, Jap\u00e3o e Coreia do Sul, atrav\u00e9s da ONU, t\u00eam passado diversas san\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas \u00e0 RPDC, que minam sua capacidade de importar ou exportar at\u00e9 mesmo os bens mais fundamentais. \u00c9 n\u00edtido que, devido ao seu diminuto territ\u00f3rio e popula\u00e7\u00e3o, a RPDC n\u00e3o tem possibilidades materiais de ser autossuficiente em todos os bens necess\u00e1rios para seu desenvolvimento e sobreviv\u00eancia. Assim, os embargos (san\u00e7\u00f5es) t\u00eam sido aumentados de forma criminosa (segundo o Telegraph, apenas neste m\u00eas j\u00e1 passam de duas rodadas novas de san\u00e7\u00f5es).<\/p>\n<p>A press\u00e3o ideol\u00f3gica contra a Coreia Popular \u00e9 n\u00e3o menos importante e emblem\u00e1tica. A ofensiva imperialista, al\u00e9m de combater seus inimigos por vias econ\u00f4micas e militares, cria atrav\u00e9s de seus monop\u00f3lios de m\u00eddias seus \u201cmonstros\u201d, seus inimigos mortais, n\u00e3o \u00e0 toa a RPDC \u00e9 conhecida nos EUA e referida por diversos ve\u00edculos de informa\u00e7\u00e3o como Rogue State (Estado Vil\u00e3o). Os monop\u00f3lios de m\u00eddia constroem diuturnamente a imagem de um pa\u00eds governado por um \u201cadolescente louco\u201d, um ditador sanguin\u00e1rio, colocando o l\u00edder da Coreia Popular Kim Jong Um no papel de um assass\u00edno louco que obriga a todos a se comportar como rob\u00f4s e seguir seus comandos ensandecidos. O absurdo chega a tal ponto que as not\u00edcias (boa parte divulgadas sem fontes pela Coreia do Sul) frequentemente \u201cmatam\u201d funcion\u00e1rios do Governo que teriam desobedecido Kim Jong Um e, na semana seguinte, estes aparecem vivos em pronunciamentos, ao vivo na televis\u00e3o estatal norte coreana.<\/p>\n<p>Outros mitos s\u00e3o criados para refor\u00e7ar a imagem de um pa\u00eds governado por uma crian\u00e7a louca: um document\u00e1rio bem humorado, em que jornalistas americanos apontam, como uma not\u00edcia bizarra, que Kim Jong Um obrigaria toda a popula\u00e7\u00e3o da RPDC a ter um corte de cabelo igual ao seu, tem uma credibilidade enorme nos EUA. A pesquisa mostrou que a maior parte parte dos jovens estadunidenses acreditam nesta noticia, o que os levou a visitarem a Coreia Popular e filmar um document\u00e1rio que mostra a diversidade cultural existente no pa\u00eds (The Haircut). Portanto, nunca \u00e9 demais lembrar a premissa marxista de que as ideias dominantes s\u00e3o em todas as \u00e9pocas as ideias da classe dominante (Marx e Engels, 2007). O que nos explica como a ideologia dominante convence a massa da popula\u00e7\u00e3o de que a RPDC seria sim sua inimiga mortal. A constru\u00e7\u00e3o do consenso nas sociedades capitalistas avan\u00e7adas implica na cria\u00e7\u00e3o de inimigos externos, que devem n\u00e3o apenas ser subjugados economicamente, militarmente quanto ideologicamente, a fim de que sua sociedade mantenha sua coes\u00e3o \u201cnacional\u201d frente a amea\u00e7as externas sempre onipresentes (como apontado por Marx e Engels, 2007 e Lenin, 2012).<\/p>\n<p><strong>Um Jap\u00e3o e uma Coreia do Sul n\u00e3o t\u00e3o pac\u00edficos assim, e um EUA n\u00e3o t\u00e3o distante assim<\/strong><\/p>\n<p>A pergunta que foi fio condutora neste debate e que motivou este artigo foi proferida por uma professora de Direito Internacional em confer\u00eancia com o embaixador da RPDC. A pergunta (afirmativa) colocava que era um absurdo a RPDC amea\u00e7ar, com o poder das armas, seus vizinhos que h\u00e1 d\u00e9cadas teriam comportamentos pac\u00edficos. Sua principal explana\u00e7\u00e3o fora sobre as leis \u201cpacifistas\u201d que impediriam o Jap\u00e3o de ter ex\u00e9rcitos desde o final da Segunda Guerra Mundial. Pois bem, vejamos na sequ\u00eancia como se d\u00e1 o potencial militar japon\u00eas.<\/p>\n<p>Segundo um portal bem qualificado que avalia os potenciais b\u00e9licos pelo mundo (Global Fire Power), o Jap\u00e3o \u201cpac\u00edfico\u201d seria a s\u00e9tima pot\u00eancia b\u00e9lica mundial <em>hoje <\/em>em pleno 2017. Novamente, n\u00e3o falamos de um Jap\u00e3o Fascista de 1935, mas sim do Jap\u00e3o de hoje. Conta com um pessoal militar ativo de 250.000 pessoas. Segundo o mesmo observador, o Brasil ocupa a 17\u00aa posi\u00e7\u00e3o, com um pessoal ativo de 334.500 pessoas, n\u00famero superior ao do Jap\u00e3o, por\u00e9m, observando as diveren\u00e7as demogr\u00e1ficas, vemos que o Jap\u00e3o tem um pessoal militar ativo maior que o Brasil, e um potencial tecnol\u00f3gico incompar\u00e1vel. Ainda segundo este observador, a RPDC ocuparia apenas o 23\u00b0 lugar. A isso somemos o fato de que o Jap\u00e3o \u00e9 membro da OTAN e tem sob sua \u201ctutela\u201d porta-avi\u00f5es norte-americanos da mais avan\u00e7ada tecnologia dispon\u00edvel, al\u00e9m de armamentos at\u00f4micos anexados aos mesmos navios. Portanto, o mito de um Jap\u00e3o pacifista \u00e9 muito fr\u00e1gil.<\/p>\n<p>A legisla\u00e7\u00e3o japonesa que garantia a presen\u00e7a dos ex\u00e9rcitos nacionais apenas no territ\u00f3rio do Jap\u00e3o foi fortemente modificada em 2015. Houve mudan\u00e7as anteriores, por\u00e9m, em 2015 foi liberada \u00e0 Marinha japonesa atua\u00e7\u00e3o para al\u00e9m das fronteiras nacionais (segundo fontes como BBC e Japan Times), o que provocou fortes protestos na China, R\u00fassia e RPDC (como apontado em noticias da Diplomat, Sputnik e diversas outras). Assim aumentaram as ten\u00e7\u00f5es no mar do sul da China, sobre ilhas disputadas, colocando tens\u00f5es entre Jap\u00e3o e China, que fizeram exerc\u00edcios militares como forma de intimida\u00e7\u00e3o m\u00fatua (segundo informa\u00e7\u00f5es do Sputnik).<\/p>\n<p>A defini\u00e7\u00e3o do Jap\u00e3o como um estado pacifista, assim como a Coreia do Sul, como visto n\u00e3o passa de uma simples ret\u00f3rica imperialista, que pretende com estas afirma\u00e7\u00f5es refor\u00e7ar um papel de ofensiva unilateral da Coreia Popular, colocando-a novamente no papel de vil\u00e3 e de amea\u00e7a \u00e0 paz mundial. A pr\u00f3pria soberania de Jap\u00e3o e da Coreia do Sul, como discutido aqui, \u00e9 meramente um disfarce, em que, na verdade, existem dois Estados dominados, politica, econ\u00f4mica, militar e ideologicamente pelo centro do Imperialismo mundial: os Estados Unidos da America.<\/p>\n<p>O papel dos EUA \u00e9 chave em todo este conflito e n\u00e3o \u00e0 toa estes assumem uma posi\u00e7\u00e3o cada vez mais agressiva frente \u00e0 Coreia Popular, o que exige desta tamb\u00e9m uma ret\u00f3rica mais ofensiva. Portanto, as \u201camea\u00e7as\u201d da RPDC aos EUA e seus consortes n\u00e3o passam de proclama\u00e7\u00f5es de direito de sobrevida e pequena mostra de poder, para dirimir as pretens\u00f5es imperialistas de invas\u00e3o e derrubada do governo de Pyongyang.<\/p>\n<p><strong>Rumos da Coreia Popular<\/strong><\/p>\n<p>Como visto at\u00e9 aqui, arguimos que a Coreia Popular busca apenas garantir o seu direito de sobreviv\u00eancia, o direito de autodetermina\u00e7\u00e3o de sua popula\u00e7\u00e3o e, para tal, necessita de uma forte doutrina militar, frente \u00e0s agress\u00f5es que j\u00e1 duram mais de meio s\u00e9culo. Segundo informa\u00e7\u00f5es do Embaixador da Coreia Popular, o objetivo da RPDC hoje \u00e9 o de atingir um potencial b\u00e9lico que a coloque em p\u00e9s de igualdade com EUA e demais pot\u00eancias imperialistas. As pr\u00f3prias rela\u00e7\u00f5es diplom\u00e1ticas com a China foram fortemente modificadas ap\u00f3s a independ\u00eancia militar alcan\u00e7ada pela RPDC, que possibilitou a esta uma melhor posi\u00e7\u00e3o para dialogar e negociar com a China, que embora sua aliada, por vezes demonstra interesses conflitantes. Assim, o principio da igualdade est\u00e1 colocado como objetivo para a RPDC.<\/p>\n<p>Por fim \u00e9 f\u00e1cil entender que os princ\u00edpios de Juche, que orientam o socialismo da RPDC, que colocam a classe trabalhadora, a soberania nacional e a autossufici\u00eancia como pilares do seu movimento, est\u00e3o postos a pleno vapor. A democracia sociaista da RPDC, orientada pelos princ\u00edpios de Juche, se mant\u00e9m viva, a despeito de todas amea\u00e7as e interfer\u00eancias externas. A RPDC segue firmemente na perspectiva socialista e internacionalista. Ademais, \u00e9 not\u00f3rio que um dos pilares ideol\u00f3gicos de Juche \u00e9 a educa\u00e7\u00e3o das massas para uma consci\u00eancia revolucion\u00e1ria. Como em Cuba, o que mant\u00e9m a perspectiva revolucion\u00e1ria viva \u00e9 o povo, seu ex\u00e9rcito civil militar, que tem sim sua lideran\u00e7a, mas sendo esta de fato uma representa\u00e7\u00e3o dos interesses da popula\u00e7\u00e3o, que a qualquer sinal de hesita\u00e7\u00e3o n\u00e3o pensaria duas vezes antes de derrubar qualquer perspectiva contrarrevolucion\u00e1ria.<\/p>\n<p>Fechamos este artigo com uma \u00faltima reflex\u00e3o: segundo informa\u00e7\u00f5es trazidas pelo Embaixador Kim Chol Hak, na guerra na Coreia, em 1950, a popula\u00e7\u00e3o de Pyongyang era de 400.000 habitantes e, neste mesmo conflito, foram lan\u00e7adas aproximadamente 400.000 bombas norte-americanas em Pyongyang (uma bomba per capita) fato que provavelmente n\u00e3o tem nenhum paralelo hist\u00f3rico. Este por si s\u00f3 nos indica o seguinte: a popula\u00e7\u00e3o da RPDC se lembra de seu passado e por se lembrar ela segue firme na constru\u00e7\u00e3o de sua identidade nacional, sua luta pela soberania, pelo socialismo e contra as agress\u00f5es imperialistas.<\/p>\n<p>Brasil, 2017<\/p>\n<p>Ilustr\u00e7\u00e3o: Ryomyong Street, 12 de April de 2017 (Foto: CNN).<\/p>\n<p><strong>Refer\u00eancias:<\/strong><\/p>\n<hr \/>\n<p><strong>BBC:<\/strong><br \/>\nhttp:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/<wbr \/>noticias\/2014\/06\/140610_vovo_<wbr \/>sexo_coreia_mv<br \/>\nhttp:\/\/www.bbc.com\/news\/world-<wbr \/>asia-34101222<\/p>\n<p><strong>Daily Mail:<\/strong><br \/>\nhttp:\/\/www.dailymail.co.uk\/<wbr \/>news\/article-4788642\/US-<wbr \/>Japanese-troops-conduct-live-<wbr \/>fire-military-drills.html<\/p>\n<p><strong>Diplomat:<\/strong><br \/>\nhttp:\/\/thediplomat.com\/tag\/<wbr \/>south-china-sea-disputes\/<\/p>\n<p>Global Fire Power:<br \/>\nhttps:\/\/www.globalfirepower.<wbr \/>com\/country-military-strength-<wbr \/>detail.asp?country_id=brazil<br \/>\nhttps:\/\/www.globalfirepower.<wbr \/>com\/country-military-strength-<wbr \/>detail.asp?country_id=north-<wbr \/>korea<br \/>\nhttps:\/\/www.globalfirepower.<wbr \/>com\/country-military-strength-<wbr \/>detail.asp?country_id=japan<\/p>\n<p><strong>Japan Times:<\/strong><br \/>\nhttps:\/\/www.japantimes.co.jp\/<wbr \/>opinion\/2016\/03\/29\/editorials\/<wbr \/>security-legislation-takes-<wbr \/>effect\/<\/p>\n<p><strong>KCNA Watch:<\/strong><\/p>\n<blockquote class=\"wp-embedded-content\" data-secret=\"iu8EwiBSdI\"><p><a href=\"https:\/\/kcnawatch.co\/\">Latest articles from North Korea<\/a><\/p><\/blockquote>\n<p><iframe loading=\"lazy\" class=\"wp-embedded-content\" sandbox=\"allow-scripts\" security=\"restricted\" style=\"position: absolute; clip: rect(1px, 1px, 1px, 1px);\" src=\"https:\/\/kcnawatch.co\/embed\/#?secret=iu8EwiBSdI\" data-secret=\"iu8EwiBSdI\" width=\"600\" height=\"338\" title=\"&#8220;Latest articles from North Korea&#8221; &#8212; KCNA Watch\" frameborder=\"0\" marginwidth=\"0\" marginheight=\"0\" scrolling=\"no\"><\/iframe><\/p>\n<p>Lenin, Vladimir Ilitch. Imperialismo, Est\u00e1gio Superior do Capitalismo. Express\u00e3o Popular, 2012<\/p>\n<p><strong>Makaveli Teorizando:<\/strong><br \/>\nhttp:\/\/makaveliteorizando.<wbr \/>blogspot.com.br\/2017\/04\/a-<wbr \/>coreia-do-norte-e-uma-ameaca-<wbr \/>paz-no.html<\/p>\n<p><strong>Marx, Karl e Engels, Friedrich. A Ideologia Alem\u00e3. Boitempo, 2007<\/strong><\/p>\n<p><strong>Partido Comunista Brasileiro (PCB):<\/strong><br \/>\nhttps:\/\/pcb.org.br\/portal2\/<wbr \/>15014<\/p>\n<p><strong>Reuters:<\/strong><br \/>\nhttps:\/\/www.reuters.com\/<wbr \/>article\/us-china-thaad-russia\/<wbr \/>china-russia-share-opposition-<wbr \/>to-u-s-thaad-in-south-korea-<wbr \/>xi-idUSKBN19O0N8<\/p>\n<p><strong>Sputniknews:<\/strong><br \/>\nhttps:\/\/br.sputniknews.com\/<wbr \/>asia_oceania\/201709069288564-<wbr \/>coreia-sul-protesto-thaad-<wbr \/>confronto\/<br \/>\nhttps:\/\/sputniknews.com\/<wbr \/>military\/201709181057498326-<wbr \/>russia-china-drills-expert-<wbr \/>analysis\/<\/p>\n<p><strong>Telegraph:<\/strong><br \/>\nhttp:\/\/www.telegraph.co.uk\/<wbr \/>news\/2017\/09\/11\/un-security-<wbr \/>council-steps-sanctions-<wbr \/>against-north-korea-nuclear\/<\/p>\n<p><strong>The Guardian:<\/strong><br \/>\nhttps:\/\/www.theguardian.com\/<wbr \/>world\/2017\/sep\/03\/did-north-<wbr \/>korea-just-test-a-hydrogen-<wbr \/>bomb<\/p>\n<p><strong>The Haircut (Document\u00e1rio)<\/strong><br \/>\nhttps:\/\/www.youtube.com\/watch?<wbr \/>v=2BO83Ig-E8E<\/p>\n<hr \/>\n<p>Fonte: \u200bhttp:\/\/leninster.blogspot.com.br\/2017\/09\/por-que-coreia-popular-ameaca-o-japao-e.html<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/16252\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[73],"tags":[225],"class_list":["post-16252","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c86-anti-imperialismo","tag-4a"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-4e8","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16252","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=16252"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16252\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=16252"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=16252"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=16252"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}