{"id":16297,"date":"2017-09-24T15:21:09","date_gmt":"2017-09-24T18:21:09","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=16297"},"modified":"2017-09-25T20:47:25","modified_gmt":"2017-09-25T23:47:25","slug":"o-capital-150-anos-de-atualidade-na-luta-de-classes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/16297","title":{"rendered":"O Capital &#8211; 150 anos de atualidade na luta de classes"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.odiario.info\/b2-img\/AUTORESPVELBLANCOCABRERA3.jpg\" alt=\"imagem\" \/><!--more-->P\u00e1vel Blanco Cabrera*<\/p>\n<p>Este texto comemora a data da 1\u00aa edi\u00e7\u00e3o de O Capital: 11 de setembro de 1867.<\/p>\n<p>O autor, P\u00e1vel Blanco Cabrera, mostra neste curto e brilhante texto, como \u00abMarx vai desmontando o modo de produ\u00e7\u00e3o capitalista e demonstra com clareza e evid\u00eancias de sobra que a transforma\u00e7\u00e3o de dinheiro em capital tem como base a explora\u00e7\u00e3o do trabalho\u00bb.<\/p>\n<p>Em 14 de setembro de 1867 foi publicada a primeira edi\u00e7\u00e3o de O Capital, obra a que Karl Marx dedicou a maior parte do seu esfor\u00e7o de investiga\u00e7\u00e3o e trabalho te\u00f3rico, ao ter-se convencido da import\u00e2ncia fundamental da economia, depois da leitura do artigo de Friederich Engels \u00abEsbo\u00e7o da cr\u00edtica da economia pol\u00edtica\u00bb, publicado nos Anais Franco-Alem\u00e3es em 1844.<\/p>\n<p>S\u00e3o conhecidos os esfor\u00e7os de Marx e da sua fam\u00edlia, as condi\u00e7\u00f5es dif\u00edceis da sua vida cotidiana para dedicar a maior parte das suas for\u00e7as, durante um quarto de s\u00e9culo, ao estudo da economia pol\u00edtica, da sua cr\u00edtica para explicar o capitalismo \u2013 o modo de produ\u00e7\u00e3o predominante atualmente na sociedade \u2013, as rela\u00e7\u00f5es sociais, as contradi\u00e7\u00f5es, os antagonismos irresol\u00faveis e os limites hist\u00f3ricos, demonstrando simultaneamente quem s\u00e3o os que podem p\u00f4r fim \u00e0 explora\u00e7\u00e3o, o papel revolucion\u00e1rio do proletariado e antecipando a sociedade futura, a do socialismo-comunismo.<\/p>\n<p>\u00c9 admir\u00e1vel como a ci\u00eancia revolucion\u00e1ria pode caminhar no meio da luta e da persegui\u00e7\u00e3o. Basta situarmo-nos na Europa de 1848, nas revolu\u00e7\u00f5es que rebentam e como o nascente partido comunista j\u00e1 vai ao combate, com Marx e Engels na primeira fila, na voragem dos acontecimentos que rodeiam a Nova Gazeta Renana, o seu ex\u00edlio em Bruxelas, Paris, Londres, a contrarrevolu\u00e7\u00e3o, os julgamentos, a intensa luta de classes, a constru\u00e7\u00e3o da Associa\u00e7\u00e3o Internacional de Trabalhadores, as pol\u00eamicas, e o intenso trabalho te\u00f3rico que entrega nesse per\u00edodo as principais obras do socialismo cient\u00edfico. E ao longo de tudo isto, as intensas horas de investiga\u00e7\u00e3o, o estudo, a tradu\u00e7\u00e3o, a sistematiza\u00e7\u00e3o, reflex\u00e3o e trabalho em v\u00e1rios rascunhos trocados com Engels \u2013 que com justi\u00e7a deve ser considerado coautor \u2013 e outros camaradas, at\u00e9 \u00e0 obten\u00e7\u00e3o do manuscrito final que veria a luz do dia numa editora de Hamburgo, a Otto Meiisnners Verlag, ainda existente. Esta obra cient\u00edfica veio ao mundo enfrentando uma conspira\u00e7\u00e3o de sil\u00eancio, como dizia Engels, e \u00e9 hoje, reconhecidamente, j\u00e1 na segunda d\u00e9cada do s\u00e9culo XXI, uma obra de grande procura, sobretudo depois do rebentar da crise de sobreprodu\u00e7\u00e3o e sobreacumula\u00e7\u00e3o do sistema capitalista em 2008. A an\u00e1lise de Marx, hoje, tem pleno cabimento.<\/p>\n<p>\u00c9 uma obra te\u00f3rica para a luta, para ir diretamente \u00e0 luta de classes, ao conflito capital-trabalho, uma arma para ser empunhada pela classe oper\u00e1ria, por todos os trabalhadores, sendo conhecido o empenho de Marx, que trabalhou em v\u00e1rias reda\u00e7\u00f5es at\u00e9 contar com uma dirigida ao proletariado. Para ele s\u00e3o absurdas algumas discuss\u00f5es sobre como enfrentar a sua leitura; por exemplo Althusser propunha se saltasse a Primeira Sec\u00e7\u00e3o, argumentando a sua obscuridade filos\u00f3fica, mas omitindo uma coisa essencial: Das Kapital compreende, al\u00e9m do que se refere \u00e0 exposi\u00e7\u00e3o da economia, da hist\u00f3ria e da pol\u00edtica, o desenvolvimento do m\u00e9todo dial\u00e9tico, a compreens\u00e3o da realidade e dos seus fen\u00f4menos em todo o seu tecido, na sua interdepend\u00eancia de rela\u00e7\u00f5es, uma revolu\u00e7\u00e3o na filosofia como com justeza defendeu Zdh\u00e1nov. E assim, vai-se da mercadoria ao valor de uso e ao valor de troca, e da teoria do valor \u00e0 circula\u00e7\u00e3o, \u00e0 troca, ao equivalente, ao dinheiro, \u00e0 f\u00f3rmula do capital, ao trabalho, ao trabalho assalariado, ao mais valor, e \u00e0 mais-valia, o \u00abs\u00f3rdido segredo da explora\u00e7\u00e3o capitalista; assim, passo a passo, Marx vai desmontando o modo de produ\u00e7\u00e3o capitalista e demonstra com clareza e evid\u00eancias de sobra que a transforma\u00e7\u00e3o de dinheiro em capital tem como base a explora\u00e7\u00e3o do trabalho.<\/p>\n<p>Em poucas palavras, \u00e9 enorme a sua vig\u00eancia apesar do imenso esfor\u00e7o para acantonar O Capital nas gavetas das faculdades de economia e de sisudos grupos de especialistas que, com exot\u00e9ricos rituais disfar\u00e7ados de douto estudo procuram afastar a obra marxista dos trabalhadores, e faz\u00ea-la circular apenas num grupo de int\u00e9rpretes e exegetas que n\u00e3o deixam de espantar pelo absurdo das suas reflex\u00f5es, alheias ao crit\u00e9rio de classe mas seguramente bem pagas nos circuitos acad\u00eamicos, o que lhes permite estar permanentemente presen\u00e7a nas listas de bolseiros. N\u00e3o, O Capital n\u00e3o \u00e9 para esses senhores, O Capital \u00e9 juntamente com toda a obra marxista-leninista uma arma para o proletariado na luta pela derrubada do capitalismo. Marx n\u00e3o escreveu para integrar a lista dos best-sellers, nem para receber subs\u00eddios de um qualquer instituto, universidade ou ONG, escreveu para fortalecer a luta pol\u00edtica da classe oper\u00e1ria pelo socialismo. No espa\u00e7o acad\u00eamico h\u00e1 nestes dias muitas comemora\u00e7\u00f5es, mas com prop\u00f3sitos claramente deformadores, destinados a construir uma muralha entre a obra de Marx e o proletariado, e inclusive, para al\u00e9m do estudo do Viejo Topo s\u00e3o v\u00e1rios os que fazem a reivindica\u00e7\u00e3o de Keynes, o que mostra o seu proselitismo e milit\u00e2ncia na social-democracia e pela gest\u00e3o do capitalismo. Marx e os seus estudos, a sua obra, a sua pol\u00edtica s\u00e3o para a classe oper\u00e1ria e para a sua organiza\u00e7\u00e3o de luta, o partido comunista.<\/p>\n<p>\u00c9 muito importante o que se deduz da compreens\u00e3o da quest\u00e3o do valor de uso e das rela\u00e7\u00f5es mercantis, o que j\u00e1 foi debatido como uma quest\u00e3o pr\u00e1tica no exerc\u00edcio do poder oper\u00e1rio durante a constru\u00e7\u00e3o socialista no s\u00e9culo XX, e que teve dram\u00e1ticas consequ\u00eancias na contrarrevolu\u00e7\u00e3o que derrubou temporariamente a constru\u00e7\u00e3o socialista na URSS. O poder oper\u00e1rio e a constru\u00e7\u00e3o socialista s\u00e3o incompat\u00edveis com as rela\u00e7\u00f5es mercantis, e esta quest\u00e3o est\u00e1 colocada como um dilema em pa\u00edses que se reivindicam do socialismo, e tamb\u00e9m para o pr\u00f3prio movimento comunista, onde alguns colocam uma renova\u00e7\u00e3o program\u00e1tica em que seriam poss\u00edveis misturas de socialismo e capitalismo. Podemos j\u00e1 avan\u00e7ar com o resultado: o prolongamento do capitalismo e do sofrimento da classe oper\u00e1ria com a explora\u00e7\u00e3o, bem como a incessante barb\u00e1rie que destr\u00f3i a natureza do planeta e a humanidade.<\/p>\n<p>Destaque-se tamb\u00e9m a pobreza ideol\u00f3gica da chamada esquerda mexicana, mesmo da que se reivindica do marxismo, visto que eludiu historicamente o estudo e a compreens\u00e3o desta obra cimeira de Marx, salvo para abrilhantar as suas estantes. O Partido Comunista do M\u00e9xico procura a sua recupera\u00e7\u00e3o com o estudo sistem\u00e1tico e permanente por parte dos seus militantes de toda a teoria marxista-leninista, incluindo os tr\u00eas livros de O Capital. Por isso, para comemorar o seu cent\u00e9simo quinquag\u00e9simo anivers\u00e1rio o nosso Comit\u00ea Central decidiu novamente propugnar o seu estudo.<\/p>\n<p>Sublinhamos tamb\u00e9m que refutamos a ideia de reduzir o marxismo a uma s\u00f3 obra; h\u00e1 os que atribuem toda a riqueza do marxismo ao Manifesto do Partido Comunista, outros a O Capital; o que \u00e9 correto \u00e9 que toda a obra de Marx e Engels, bem como o enriquecedor desenvolvimento de Lenin, s\u00e3o uma fonte de li\u00e7\u00f5es para a a\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria dos comunistas, pelo devemos esfor\u00e7ar-nos no seu estudo sistem\u00e1tico e cont\u00ednuo, aspirando \u00e0 sua qualifica\u00e7\u00e3o no terreno da teoria e da pr\u00e1tica.<\/p>\n<p>Que grande heran\u00e7a nos deixou Karl Marx, professor do proletariado mundial, e O Capital \u00e9 a sua demonstra\u00e7\u00e3o monumental.<\/p>\n<p>*Primeiro-Secret\u00e1rio do CC Partido Comunista do M\u00e9xico, P\u00e1vel Blanco \u00e9 amigo de odiario.info.<\/p>\n<p>Este texto foi publicado em: http:\/\/www.comunistas-mexicanos.org\/partido-comunista-de-mexico\/2159-sesquicentenario-de-das-kapital<\/p>\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o de Jos\u00e9 Paulo Gasc\u00e3o<\/p>\n<p>https:\/\/www.odiario.info\/o-capital-150-anos-de-actualidade\/<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/16297\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[37,50,33,90],"tags":[228],"class_list":["post-16297","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c42-comunistas","category-c61-cultura-revolucionaria","category-c34-marxismo","category-c103-mexico","tag-5b"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-4eR","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16297","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=16297"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16297\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=16297"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=16297"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=16297"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}