{"id":163,"date":"2007-11-29T07:32:35","date_gmt":"2007-11-29T10:32:35","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=163"},"modified":"2017-11-09T17:32:21","modified_gmt":"2017-11-09T20:32:21","slug":"intervencao-do-partido-comunista-brasileiro-pcb","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/163","title":{"rendered":"Interven\u00e7\u00e3o do Partido Comunista Brasileiro &#8211; PCB"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/lh3.googleusercontent.com\/j3FGTtJ-3PH2J9NwjjVmleS9HbZaRY1555as9Hgh_6Y_p3IM9GN0TN66vKljViTrMG_twCOWGUWnuUHtRP3_96ErDB3YMuxL89cJijreggDjazyi2vpe1PpecwLW3UMimeihwFtupVGAT5Mn37eVsD7oz7PL2Vytha5YvMDRdXbl9xBXMPZ1Szdj3UsC3eDAE4LLPPllon89OJ9k-hOtgLl2QGrGrSf8uDlc0fsJ4a8hPw-hVAFJl6-LsqJ3nIxIRAF8ATYXcVbwOWq4adDfLAYlpXeylYOLuOnHqrcVbVCMTta1xGbHiguuqxCWU_0nBYC1GIH6F0X4hX4uGIqPWdlIGpwPwVMsvkok1fIgkn2ynqAAWO9aVQjKOd8dyxGWrpkCJvvLXk5QHvwsjToAoAVbWu0c18Njpfqv8xa3tZadK32tmZo7Z4XAR3Ow-1mqimo1L867YDIjmdH6m2DGdXeuJobcrBXRKswQAUKtB37fKd3QEGSptpkWBRjo2HAaesaJxb6FbBPIpPTH-YsTGx9es6NjvfPsGu9SL386B9trpxiusj1MOdFdpBxulrZs578rklXUsFVmZLHUPT3lHw7ixg30foriWT4_coi6p-lkrcdAuantl6FTDazfTHCzcqlDQbIRes70hjM-zZtp6KnO1UPpIgGLnk1n=w800-h334-no\" alt=\"imagem\" \/><!--more--><strong>Interven\u00e7\u00e3o de Edmilson Costa do PCB<\/strong><\/p>\n<p><em>Sexta, 10 Novembro 2006 <\/em><\/p>\n<p>A globaliza\u00e7\u00e3o em curso em praticamente todas as regi\u00f5es do planeta \u00e9 um dado concreto da realidade e vem produzindo um conjunto de muta\u00e7\u00f5es em todos os setores da vida social da humanidade. Trata-se, portanto, de mudan\u00e7as que est\u00e3o impactando fortemente a pol\u00edtica mundial, a economia, o mundo do trabalho e as tradi\u00e7\u00f5es culturais em todas as partes do planeta, quer influenciadas pelos meios de comunica\u00e7\u00e3o, quer pelo poder econ\u00f4mico-financeiro das grandes corpora\u00e7\u00f5es transnacionais financeiras e produtivas. Concordemos ou n\u00e3o, gostemos ou n\u00e3o, a globaliza\u00e7\u00e3o \u00e9 um fato cotidiano que permeia a nossa realidade, desde o creme dental que usamos, a roupa que vestimos, o t\u00eanis que cal\u00e7amos, o alimento enlatado que comemos, o programa de TV que assistimos, o jornal que lemos, o computador que utilizamos, o banco que recebemos o sal\u00e1rio ou realizamos neg\u00f3cios, a internet que navegamos, entre outros milhares de aspectos do nosso dia a dia. Portanto, a globaliza\u00e7\u00e3o \u00e9 um fen\u00f4meno t\u00edpico do capitalismo contempor\u00e2neo. Diferencia-se do mercantilismo, da revolu\u00e7\u00e3o industrial e do per\u00edodo dos monop\u00f3lios, pelo conjunto de fen\u00f4menos novos que traz consigo.<\/p>\n<p>Pelas transforma\u00e7\u00f5es que vem operando no sistema capitalista, a globaliza\u00e7\u00e3o pode ser considerada um est\u00e1gio qualitativamente novo no modo de produ\u00e7\u00e3o capitalista, uma fase em que o capitalismo completou seu amadurecimento hist\u00f3rico, com a internacionaliza\u00e7\u00e3o produtiva e financeira, um per\u00edodo em que a burguesia dos pa\u00edses centrais passou a extrair generalizadamente o valor fora de suas fronteiras nacionais e um momento no qual o capitalismo unificou mundialmente o ciclo do capital. A partir da globaliza\u00e7\u00e3o, as crises econ\u00f4micas, que antes eram assim\u00e9tricas entre os pa\u00edses, passam a ser crises internacionais sim\u00e9tricas do conjunto do capital.<\/p>\n<p><strong>Globaliza\u00e7\u00e3o produtiva<\/strong><\/p>\n<p>A internacionaliza\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o da segunda metade da d\u00e9cada de 50 foi o ponto de partida para a mundializa\u00e7\u00e3o da economia. Ao produzir internacionalmente, de maneira padronizada, em todas as partes do mundo, o grande capital passou a ter a possibilidade de se utilizar das melhores disponibilidades dos pa\u00edses, quer em termos de mat\u00e9rias-primas, m\u00e3o de obra barata, no caso dos pa\u00edses perif\u00e9ricos, facilidade credit\u00edcias, entre outros pontos, o que lhe permitiu recuperar suas taxas de lucro e reconfigurar o sistema produtivo mundial. Com a globaliza\u00e7\u00e3o produtiva emergem novos ramos de produ\u00e7\u00e3o, tais como as tecnologias da informa\u00e7\u00e3o e a internet, a microeletr\u00f4nica, a rob\u00f3tica, a engenharia gen\u00e9tica, a biotecnologia, os novos materiais, elementos de intelig\u00eancia artificial, a nanotecnologia, cujas caracter\u00edsticas representam uma terceira revolu\u00e7\u00e3o industrial. Enquanto essa nova ind\u00fastria estrutura seu desenvolvimento, os velhos ramos de produ\u00e7\u00e3o t\u00edpicos da segunda revolu\u00e7\u00e3o industrial, como o metal-mec\u00e2nica, o qu\u00edmico, o pl\u00e1stico, etc., v\u00e3o perdendo import\u00e2ncia diante da globaliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A globaliza\u00e7\u00e3o produtiva \u00e9 comandada pelas empresas transnacionais. Pelo poder econ\u00f4mico e pela influ\u00eancia que exercem junto aos pa\u00edses e governos, as transnacionais funcionam como destacamentos avan\u00e7ados do grande capital, organizando seus interesses e sua a\u00e7\u00e3o global. O peso dessas grandes corpora\u00e7\u00f5es \u00e9 t\u00e3o grande que muitas delas possuem volume de neg\u00f3cios maior que o Produto Interno Bruto de v\u00e1rias na\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Por exemplo, as sete maiores empresas transnacionais t\u00eam um movimento de vendas maior que o PIB da China, o pa\u00eds mais populoso do planeta; a General Motors realiza um volume de neg\u00f3cios maior que os 48 pa\u00edses menos desenvolvidos do mundo (Tussaint, 2001). Essas empresas controlam ainda a maioria absoluta da inova\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica (95% de pesquisa e desenvolvimento no mundo \u00e9 realizada nos pa\u00edses da OCDE) e somente o com\u00e9rcio entre filiais e matrizes representa cerca de 40% do com\u00e9rcio mundial (UNCTAD, 2000).<\/p>\n<p><strong>Globaliza\u00e7\u00e3o financeira<\/strong><br \/>\nSe as modifica\u00e7\u00f5es na \u00e1rea produtiva podem ser consideradas extraordin\u00e1rias, \u00e9 na \u00e1rea financeira que a globaliza\u00e7\u00e3o est\u00e1 mais desenvolvida. O capital fict\u00edcio seguiu o caminho das corpora\u00e7\u00f5es transnacionais e tamb\u00e9m buscou internacionalizar os seus neg\u00f3cios. Burlou as legisla\u00e7\u00f5es nacionais, estruturou um mercado mundial de moedas (eurod\u00f3lares) nas d\u00e9cadas de 60 e 70, criou filiais pelo mundo afora e passou a operar em escala global, num processo que significou a privatiza\u00e7\u00e3o da liquidez internacional. No entanto, a globaliza\u00e7\u00e3o financeira atual s\u00f3 ganhou seus contornos mais definidos com a desregulamenta\u00e7\u00e3o das atividades banc\u00e1rias, a libera\u00e7\u00e3o do movimento dos capitais e a emerg\u00eancia das altas taxas de juros como reguladoras da economia mundial, no per\u00edodo dos governos Reagan, nos Estados Unidos, e Tatcher, na Inglaterra.<\/p>\n<p>Com essa nova conjuntura o capital fict\u00edcio passou a ter inteira liberdade para se desenvolver, especialmente porque novos agentes econ\u00f4micos \u2013 fundos de pens\u00e3o, fundos m\u00fatuos, seguradoras e corretoras em geral \u2013 entraram agressivamente no mercado, inclusive retirando dos bancos tradicionais a lideran\u00e7a nas opera\u00e7\u00f5es financeiras. Num ambiente inteiramente desregulamentado, os agentes econ\u00f4micos criaram uma variedade impressionante de novos \u201cprodutos\u201d financeiros, especialmente os chamados derivativos, opera\u00e7\u00f5es derivadas a partir de uma opera\u00e7\u00e3o com ativo real ou financeiro, cujos neg\u00f3cios hoje representam cerca de dois ter\u00e7os das aplica\u00e7\u00f5es especulativas. Quanto mais crescem os neg\u00f3cios na \u00f3rbita financeira, mais os agentes econ\u00f4micos incrementam a flexibilidade e a criatividade especulativa, num frenesi que transformou a esfera financeira no l\u00f3cus privilegiado da din\u00e2mica da economia capitalista atual.<\/p>\n<p>Ancorado pelas tecnologias da informa\u00e7\u00e3o, o mercado financeiro passou a ter a possibilidade de \u201cvalorizar\u201d o dinheiro 24 horas por dia, bastando para tanto ajustar suas aplica\u00e7\u00f5es aos fusos hor\u00e1rios dos diversos pa\u00edses. Qualquer investidor pode hoje negociar pela manh\u00e3 na Bolsa de Chicago, \u00e0 tarde no Brasil e \u00e0 noite Hong Kong. Ou seja, o capital fict\u00edcio rompeu a barreira do espa\u00e7o e do tempo ao se auto-acrescentar continuamente e passou a ter um grau de autodetermina\u00e7\u00e3o nunca vista na hist\u00f3ria do capitalismo. Para se ter uma id\u00e9ia da dimens\u00e3o dos neg\u00f3cios na arena financeira, basta dizer que diariamente s\u00e3o transacionados US$ 1,8 trilh\u00e3o, quantia muito maior que todos os neg\u00f3cios na \u00f3rbita produtiva no mesmo per\u00edodo. E c\u00e1lculos de especialistas (Richard, 2000) indicam que, em 1997, j\u00e1 estavam circulando na esfera financeira US$ 53 trilh\u00f5es, cerca de duas vezes o PIB mundial.<\/p>\n<p>Essa imensa massa de recursos se comporta hoje, como assinalou o Financial Times (Chesnais, 1986), como pol\u00edtica, j\u00fari e juiz das atividades econ\u00f4micas mundiais. Tem a capacidade de reverter pol\u00edticas governamentais, decis\u00f5es dos Bancos Centrais e mesmo o destino do mercado de trabalho mundial. Isso porque a globaliza\u00e7\u00e3o das finan\u00e7as imp\u00f4s sua l\u00f3gica para o conjunto dos neg\u00f3cios e aprisionou um a um todos os agentes econ\u00f4micos, especialmente as empresas produtivas, o Estado e seu or\u00e7amento. Atualmente, grande parte dos lucros das empresas produtivas s\u00e3o oriundos da especula\u00e7\u00e3o, enquanto parcelas cada vez mais significativas do or\u00e7amento dos Estados s\u00e3o destinadas ao pagamento dos juros da d\u00edvida p\u00fablica interna, um dos principais instrumentos alimentadores da especula\u00e7\u00e3o mundial.<\/p>\n<p><strong>Neoliberalismo<\/strong><\/p>\n<p>Entretanto, o conjunto das mudan\u00e7as de fundo operadas na sociedade s\u00f3 foram poss\u00edveis porque ocorreu, a partir do final da d\u00e9cada de 70, e posteriormente com a elei\u00e7\u00e3o de Reagan e Tatcher, respectivamente nos Estados Unidos e na Inglaterra, uma mudan\u00e7a qualitativa na composi\u00e7\u00e3o das classes dominantes dos pa\u00edses centrais. A velha elite ligada ao antigo Capitalismo Monopolista de Estado, cujo poder se consolidou a partir dos anos 30 e, especialmente ap\u00f3s a Segunda Guerra Mundial, foi substitu\u00edda no centro de poder da Tr\u00edade Imperial por um novo bloco de for\u00e7as sociais mais agressivas e mais reacion\u00e1rias.<\/p>\n<p>Estas for\u00e7as subordinaram pol\u00edtica e economicamente todos os outros setores da burguesia e impuseram a nova ordem mundial, baseada no neoliberalismo, como forma de organiza\u00e7\u00e3o s\u00f3cio-econ\u00f4mica da sociedade e o rentismo como instrumento particular de acumula\u00e7\u00e3o. Este novo bloco dominante comanda o processo de globaliza\u00e7\u00e3o e est\u00e1 hoje no centro do poder mundial, buscando configurar o mundo \u00e0 sua imagem e aplicando uma esp\u00e9cie de vingan\u00e7a hist\u00f3rica de classe contra os trabalhadores.<\/p>\n<p><strong>Uma nova fase do imperialismo<\/strong><\/p>\n<p>Dessa forma, a globaliza\u00e7\u00e3o representa uma fase nova do capitalismo, per\u00edodo em que este modo de produ\u00e7\u00e3o atingiu plenamente seu amadurecimento e se transformou num sistema mundial completo. At\u00e9 o per\u00edodo anterior \u00e0 globaliza\u00e7\u00e3o, o capitalismo era completo apenas em rela\u00e7\u00e3o a duas vari\u00e1veis da \u00f3rbita da circula\u00e7\u00e3o \u2013 o com\u00e9rcio mundial e a exporta\u00e7\u00e3o de capitais. Mas, ao expandir a mundializa\u00e7\u00e3o para as esferas produtiva e financeira, bem como para os outros setores da vida social, o sistema unificou globalmente o ciclo do capital, fechando assim um processo iniciado com a revolu\u00e7\u00e3o inglesa de 1640 (Costa, 2002).<\/p>\n<p>Em termos hist\u00f3ricos, a globaliza\u00e7\u00e3o \u00e9 um fen\u00f4meno do nosso tempo, uma singularidade origin\u00e1ria do capitalismo constru\u00eddo a partir da segunda metade do s\u00e9culo XX. Diferencia-se da primeira e da segunda revolu\u00e7\u00e3o industrial, porque j\u00e1 nasce sem a possibilidade de desenvolver todo o potencial das for\u00e7as produtivas e se viabilizar plenamente, em fun\u00e7\u00e3o das limita\u00e7\u00f5es estruturais do capitalismo nesta etapa da hist\u00f3ria. A globaliza\u00e7\u00e3o incorporou inova\u00e7\u00f5es tecnol\u00f3gicas radicais que proporcionaram \u00e0s for\u00e7as produtivas um enorme desenvolvimento, mas o sistema global de produ\u00e7\u00e3o n\u00e3o possui condi\u00e7\u00f5es de se desenvolver plenamente em fun\u00e7\u00e3o de suas pr\u00f3prias contradi\u00e7\u00f5es e, especialmente, da insufici\u00eancia mundial de demanda agregada.<\/p>\n<p>No momento em que o capitalismo tem as melhores condi\u00e7\u00f5es potenciais para desenvolver suas for\u00e7as produtivas, \u00e9 exatamente neste momento em que est\u00e1 limitado pela demanda agregada global. As novas tecnologias, a reestrutura\u00e7\u00e3o produtiva e gerencial encilharam o sistema num emaranhado de contradi\u00e7\u00f5es que se expressam mais claramente no fato de que cada unidade de trabalho vivo poupada representa um potencial de dificuldades econ\u00f4micas e pol\u00edticas, com o agravante de que, enquanto na primeira e segunda revolu\u00e7\u00e3o industrial buscou-se revolver o problema da demanda agregada, respectivamente, mediante a redu\u00e7\u00e3o da jornada de trabalho e amplia\u00e7\u00e3o do setor de servi\u00e7os, a globaliza\u00e7\u00e3o emerge no momento em que n\u00e3o h\u00e1 mais setores a ocupar nem os capitalistas est\u00e3o dispostos a reduzir a jornada de trabalho. Retoma-se assim, de maneira completa, a contradi\u00e7\u00e3o original do sistema, que se expressa entre o car\u00e1ter social da produ\u00e7\u00e3o e a apropria\u00e7\u00e3o privada dos seus resultados.<\/p>\n<p>Ressalte-se que te\u00f3ricos do imperialismo escreveram que esta fase do capitalismo seria uma esp\u00e9cie de ante-sala do socialismo. Parece que houve certo otimismo nesta previs\u00e3o, uma vez que naquela \u00e9poca o capitalismo monopolizado estava apenas iniciando o seu processo de amadurecimento internacional, n\u00e3o estando, portanto, em condi\u00e7\u00f5es plenas para as transforma\u00e7\u00f5es dial\u00e9ticas. Somente agora, com a globaliza\u00e7\u00e3o, o capitalismo fecha o ciclo do seu desenvolvimento hist\u00f3rico. Nessa perspectiva, pode-se dizer que agora estamos muito mais pr\u00f3ximos de uma transforma\u00e7\u00e3o radical do modo de produ\u00e7\u00e3o capitalista do que no in\u00edcio do s\u00e9culo XX.<\/p>\n<p>Como tudo na natureza segue a lei da dial\u00e9tica, podemos afirmar que o sistema capitalista teve seu desenvolvimento efetivo com a revolu\u00e7\u00e3o industrial, passou para uma fase superior com a emerg\u00eancia dos monop\u00f3lios e amadureceu completamente com a globaliza\u00e7\u00e3o contempor\u00e2nea. Portanto, agora que j\u00e1 cumpriu o papel hist\u00f3rico de desenvolver internacionalmente as for\u00e7as produtivas e a \u00f3rbita da circula\u00e7\u00e3o, tende a sofrer transforma\u00e7\u00f5es profundas que mudar\u00e3o a sua qualidade enquanto modo de produ\u00e7\u00e3o, a exemplo do que ocorreu com as outras forma\u00e7\u00f5es s\u00f3cio-econ\u00f4micas anteriores.<\/p>\n<p>Seu aparente esplendor globalizado esconde um conjunto de contradi\u00e7\u00f5es originais que se reproduzem agora em bases ampliadas com a globaliza\u00e7\u00e3o. Portanto, para compreender o fen\u00f4meno da globaliza\u00e7\u00e3o e as poss\u00edveis transforma\u00e7\u00f5es de um sistema agora completo deve-se tamb\u00e9m atentar para o fato de que uma transforma\u00e7\u00e3o qualitativamente nova s\u00f3 poder\u00e1 ser efetiva se for viabilizada a partir do cora\u00e7\u00e3o do sistema, onde potencialmente a luta de classes tem condi\u00e7\u00f5es de pulsar mais intensamente.<\/p>\n<p>\u00c9 bem verdade que os elos d\u00e9beis continuar\u00e3o cumprindo um papel essencial para o enfraquecimento geral do capital, enquanto forma global de domina\u00e7\u00e3o. Mas a sua crise profunda s\u00f3 poder\u00e1 configurar um estatuto terminal quando atingir o n\u00facleo do poder, o cora\u00e7\u00e3o da Tr\u00edade Imperial. Em outras palavras: a crise geral do capitalismo s\u00f3 estar\u00e1 madura quando atingir os Estados Unidos, a Uni\u00e3o Europ\u00e9ia e o Jap\u00e3o (Costa 2000).<\/p>\n<p>Com a globaliza\u00e7\u00e3o, pode-se dizer que o sistema se aproxima de um limite de reprodu\u00e7\u00e3o material, tendo em vista que se o capitalismo desenvolvesse plenamente seu potencial produtivo, haveria uma crise global de superprodu\u00e7\u00e3o. Esta contradi\u00e7\u00e3o explica o fen\u00f4meno da financeiriza\u00e7\u00e3o da riqueza, que se apresenta atualmente como o contraponto funcional da incapacidade do sistema desenvolver suas for\u00e7as produtivas. Ou seja, os capitais excedentes, impedidos de se reproduzirem na esfera produtiva, buscam agora uma fuga para frente na \u00f3rbita das finan\u00e7as, como se isso os liberasse do ajuste de contas com a realidade da lei do valor.<\/p>\n<p>\u201cNessa nova aventura desesperada, o capital especulativo carrega consigo todos os outros setores do capital para a l\u00f3gica da especula\u00e7\u00e3o e, com isso, aprofunda a crise geral do capitalismo, posto que, no longo prazo, \u00e9 imposs\u00edvel a reprodu\u00e7\u00e3o do capital sem obedecer a lei do valor. A cria\u00e7\u00e3o da riqueza na \u00f3rbita financeira \u00e9 uma aventura sem futuro, uma miragem capaz de levar momentaneamente parte dos capitalistas ao del\u00edrio, ofuscando sua vis\u00e3o global do futuro. No entanto, quanto mais aprofundam esse modelo, mais ampliam a possibilidade de uma crise geral do sistema\u201d (Costa, 2000).<\/p>\n<p>Do ponto de vista pol\u00edtico, apesar da derrota da primeira experi\u00eancia do socialismo, o sistema capitalista n\u00e3o se transformou num referencial para a humanidade, nem destruiu a perspectiva de constru\u00e7\u00e3o de uma sociedade sem classes. H\u00e1 a possibilidade real de que a crise oriunda do fracasso do neoliberalismo abra uma nova e prodigiosa situa\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria mundial, onde a quest\u00e3o do socialismo reapare\u00e7a como uma vitalidade bem maior do que a que ocorreu com o aparecimento dos monop\u00f3lios no in\u00edcio do s\u00e9culo XX, s\u00f3 que agora as for\u00e7as socialistas estar\u00e3o livres das deforma\u00e7\u00f5es e dos desvios que ocorreram no recente passado socialista.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, por mais paradoxal que pare\u00e7a, a globaliza\u00e7\u00e3o est\u00e1 construindo as bases para uma sociedade da abund\u00e2ncia, uma vez que o desenvolvimento das for\u00e7as produtivas incrementar\u00e1 de maneira extraordin\u00e1ria a produtividade do trabalho. No entanto, como todos sabemos, o sistema capitalista n\u00e3o tem nenhum compromisso com o progresso social e, portanto, n\u00e3o ser\u00e1 capaz de satisfazer as necessidades materiais da popula\u00e7\u00e3o. Mesmo assim, essas for\u00e7as produtivas sofisticadas proporcionam os elementos objetivos para a sociedade da abund\u00e2ncia de bens e servi\u00e7os. Caso se conquiste as transforma\u00e7\u00f5es estruturais do capitalismo no decorrer de uma crise mundial do sistema, j\u00e1 se tem as bases materiais para a constru\u00e7\u00e3o da sociedade comunista.<\/p>\n<p>ENCONTRO INTERNACIONAL DE PARTIDOS COMUNISTAS E OPER\u00c1RIOS<\/p>\n<p>Edmilson Costa \u00e9 doutor em Economia pela Unicamp, com p\u00f3s-doutorado no Instituto de Filosofia e Ci\u00eancias Humanas. Autor de Imperialismo (1986), A Pol\u00edtica Salarial no Brasil (1997) Um Projeto para o Brasil (1998). Membro do Comit\u00ea Central e da Comiss\u00e3o Pol\u00edtica Nacional do PCB.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n\nInterven\u00e7\u00e3o de Edmilson Costa do PCB\nSexta, 10 Novembro 2006 \nA globaliza\u00e7\u00e3o em curso em praticamente todas as regi\u00f5es do planeta \u00e9 um dado concreto da realidade e vem produzindo um conjunto de muta\u00e7\u00f5es em todos os setores da vida social da humanidade. Trata-se, portanto, de mudan\u00e7as que est\u00e3o impactando fortemente a pol\u00edtica mundial, a economia, o mundo do trabalho e as tradi\u00e7\u00f5es culturais em todas as partes do planeta, quer influenciadas pelos meios de comunica\u00e7\u00e3o, quer pelo poder econ\u00f4mico-financeiro das grandes corpora\u00e7\u00f5es transnacionais financeiras e produtivas. Concordemos ou n\u00e3o, gostemos ou n\u00e3o, a globaliza\u00e7\u00e3o \u00e9 um fato cotidiano que permeia a nossa realidade, desde o creme dental que usamos, a roupa que vestimos, o t\u00eanis que cal\u00e7amos, o alimento enlatado que comemos, o programa de TV que assistimos, o jornal que lemos, o computador que utilizamos, o banco que recebemos o sal\u00e1rio ou realizamos neg\u00f3cios, a internet que navegamos, entre outros milhares de aspectos do nosso dia a dia. Portanto, a globaliza\u00e7\u00e3o \u00e9 um fen\u00f4meno t\u00edpico do capitalismo contempor\u00e2neo. Diferencia-se do mercantilismo, da revolu\u00e7\u00e3o industrial e do per\u00edodo dos monop\u00f3lios, pelo conjunto de fen\u00f4menos novos que traz consigo.\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/163\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[242],"tags":[],"class_list":["post-163","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-eipco"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-2D","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/163","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=163"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/163\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=163"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=163"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=163"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}