{"id":1634,"date":"2011-07-04T22:13:15","date_gmt":"2011-07-04T22:13:15","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=1634"},"modified":"2011-07-04T22:13:15","modified_gmt":"2011-07-04T22:13:15","slug":"sempre-sera-possivel-construir-cenarios-de-negociacao-com-o-governo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/1634","title":{"rendered":"\u201cSempre ser\u00e1 poss\u00edvel construir cen\u00e1rios de negocia\u00e7\u00e3o com o Governo\u201d"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Alfonso Cano, comandante das For\u00e7as Armadas Revolucion\u00e1rias da Col\u00f4mbia (FARC), diz que a guerrilha ainda n\u00e3o est\u00e1 disposta a desmobilizar-se e deixar a luta armada.<\/em><\/p>\n<p><em>Alfonso Cano, cujo nome civil \u00e9 Guillermo Le\u00f3n S\u00e1enz Vargas (Bogot\u00e1, 1948), \u00e9 o comandante da guerrilha mais antiga do mundo. Nessa entrevista com P\u00fablico, a primeira que concede a um meio de comunica\u00e7\u00e3o em 19 meses, o l\u00edder intelectual da guerrilha analisa a \u00e9poca de \u00c1lvaro Uribe e considera que \u00e9 dif\u00edcil avan\u00e7ar no caminho para a resolu\u00e7\u00e3o da guerra civil que dura d\u00e9cadas, com o novo presidente Juan Manuel Santos. Cano respondeu as perguntas atrav\u00e9s de um question\u00e1rio que devolveu firmado em 21 de maio de 2011 nas \u201cmontanhas da Col\u00f4mbia\u201d.<\/em><\/p>\n<p>Quais s\u00e3o as raz\u00f5es pelas quais as FARC lutam?<\/p>\n<p>Nossos objetivos s\u00e3o a conviv\u00eancia democr\u00e1tica com justi\u00e7a social e exerc\u00edcio pleno da soberania nacional, como resultado de um processo de participa\u00e7\u00e3o cidad\u00e3 massivo que leve a Col\u00f4mbia ao socialismo.<\/p>\n<p>\u00c9 a guerrilha mais antiga do mundo. Seguem vigentes os motivos pelos quais iniciaram sua luta armada ou estes mudaram com o tempo?<\/p>\n<p>Nestes 47 anos, desatou-se uma vertiginosa transforma\u00e7\u00e3o na ci\u00eancia e na tecnologia, elevaram-se os \u00edndices de crescimento econ\u00f4mico em muitos pa\u00edses, colapsou o modelo sovi\u00e9tico de constru\u00e7\u00e3o socialista e irrompeu a Rep\u00fablica da China. No entanto, apesar de tudo isso e de muitas novidades transcendentes, a fome cresceu no planeta, as injusti\u00e7as, as brechas sociais e os conflitos persistiram e aumentaram enquanto que cerca de 10 mil indiv\u00edduos espantosamente endinheirados decidem a sorte de bilh\u00f5es de pessoas.<\/p>\n<p>As FARC nascemos resistindo \u00e0 viol\u00eancia olig\u00e1rquica que utiliza sistematicamente o crime pol\u00edtico para liquidar a oposi\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica e revolucion\u00e1ria; tamb\u00e9m como resposta camponesa e popular \u00e0 agress\u00e3o latifundi\u00e1ria e coronelista que inundou de sangue os campos colombianos, usurpando terras de camponeses e colonos; nascemos tamb\u00e9m como atitude digna e beligerante de recha\u00e7o \u00e0 inger\u00eancia do Governo dos EUA no confronto militar e na pol\u00edtica interna da nossa p\u00e1tria, tr\u00eas raz\u00f5es essenciais que gestaram as FARC tal como assinala o Programa Agr\u00e1rio de Marquetalia, elaborado e difundido em 1964. Uma breve mirada sobre a realidade colombiana de maio de 2011 nos mostra que, apesar do contexto internacional descrito, estes tr\u00eas fatores iniciais persistem e agravam-se atualmente.<\/p>\n<p>Cr\u00ea que \u00e9 poss\u00edvel abrir um processo de negocia\u00e7\u00e3o com o presidente Juan Manuel Santos?<\/p>\n<p>Com o esfor\u00e7o articulado de muitos setores progressistas e democr\u00e1ticos interessados numa solu\u00e7\u00e3o pac\u00edfica do conflito, sempre ser\u00e1 poss\u00edvel construir cen\u00e1rios e iniciar conversas diretas de horizontes corretos, com qualquer governo, incluindo o atual, considerando que este, iniciando seu mandato, reduziu as possibilidades ao impor uma lei que fecha as portas a di\u00e1logos dentro do pa\u00eds. Mas somos otimistas sobre a eventualidade de logr\u00e1-lo.<\/p>\n<p>Ante a negativa do governo de aceitar trocas de ref\u00e9ns por guerrilheiros presos, que planos h\u00e1 para os seq\u00fcestrados que seguem em poder das FARC?<\/p>\n<p>Entendo que voc\u00ea se refere aos prisioneiros de guerra que temos em nosso poder, pois em uma aproxima\u00e7\u00e3o desapaixonada, rigorosa e objetiva do tema, uma confronta\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, social e militar de cerca de 47 anos, em que se enfrentam dois advers\u00e1rios leva a prisioneiros de guerra que as partes capturam no desenrolar desse confronto, certo? A negativa atual do governo \u00e0 troca n\u00e3o tem porque desanimar a nossa aspira\u00e7\u00e3o de ter conosco livres os camaradas presos atualmente, e que tamb\u00e9m regressem a suas casas os prisioneiros, militares e policiais capturados em combate, que temos em nosso poder, a quem suas fam\u00edlias tamb\u00e9m aspiram a ter novamente em seu seio. Perseveramos sobre a indiferen\u00e7a do Estado sobre os pr\u00f3prios soldados. Sabe-se que enquanto perdure o confronto haver\u00e1 prisioneiros em poder das partes.<\/p>\n<p>O Comit\u00ea Internacional da Cruz Vermelha \u00e9 um organismo internacional neutro encarregado de velar pelo cumprimento do direito internacional humanit\u00e1rio. Em seu \u00faltimo informe indica que \u201cenquanto as partes em conflito mant\u00eam os enfrentamentos armados em zonas rurais, a popula\u00e7\u00e3o que habita essas \u00e1reas vive em permanente perigo e est\u00e1 exposta a viola\u00e7\u00f5es de direitos humanos internacionais (DHI) como: homic\u00eddios e\/ou ataques a pessoas protegidas pelo DIH; desaparecimentos for\u00e7ados; viol\u00eancia sexual; tomada de ref\u00e9ns; recrutamento for\u00e7ado; maus tratos f\u00edsicos e\/ou psicol\u00f3gicos; deslocamento for\u00e7ado. A falta de respeito ao principio de distin\u00e7\u00e3o entre combatentes e civis, as press\u00f5es para colaborar gerando repres\u00e1lias diretas contra civis, a ocupa\u00e7\u00e3o de bens civis privados ou p\u00fablicos e a contamina\u00e7\u00e3o por armas qu\u00edmicas s\u00e3o outros fatores agravantes que afetam a vida das comunidades\u201d.<\/p>\n<p>Qual dessas viola\u00e7\u00f5es as FARC cometem?<\/p>\n<p>Para ser rigorosos, dever\u00edamos referir um a um os casos informados pelo CICR e como este n\u00e3o \u00e9 o espa\u00e7o adequado, posso comentar que para n\u00f3s, o primeiro e mais importante de nossa luta \u00e9 a popula\u00e7\u00e3o, n\u00e3o somente por raz\u00f5es de princ\u00edpios pol\u00edticos e ideol\u00f3gicos, mas pr\u00e1ticos da guerra. Unicamente \u00e0 medida que respondemos \u00e0s necessidades objetivas da popula\u00e7\u00e3o em cada \u00e1rea podemos resistir, crescer e avan\u00e7ar. Do contr\u00e1rio \u00e9 imposs\u00edvel.<\/p>\n<p>H\u00e1 anos e dada a intensidade dos combates, difundimos normas de comportamento para que a popula\u00e7\u00e3o civil n\u00e3o permitisse sua utiliza\u00e7\u00e3o como escudo por parte da for\u00e7a p\u00fablica, que constr\u00f3i quart\u00e9is no meio de povoados, utiliza o transporte p\u00fablico para seus movimentos, entrecruza caravanas de ve\u00edculos militares em meio ao transporte civil para seus deslocamentos por rodovias, pernoita em escolas e col\u00e9gios, etc., pr\u00e1ticas que a for\u00e7a p\u00fablica utiliza, criando perigosos riscos \u00e0 popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Eventualmente unidades nossas podem violar as normas, mas como estamos regidos por Estatutos, Normas e Regulamentos de Regime Disciplinar estrito, cimentados numa concep\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria da vida, que harmonizam as rela\u00e7\u00f5es entre combatentes e tamb\u00e9m as nossas com a popula\u00e7\u00e3o civil, garantindo uma profunda, sincera, harm\u00f4nica e s\u00f3lida rela\u00e7\u00e3o, tomamos os corretivos que assinalam nossos documentos.<\/p>\n<p>Quanto ao DIH e seus Protocolos adicionais, mantemos algumas reservas porque, em ocasi\u00f5es, dificultam a aproxima\u00e7\u00e3o a certas situa\u00e7\u00f5es, dado que foi concebido e desenhado para conflitos entre na\u00e7\u00f5es e, considerando os protocolos adicionais, nem sempre proporciona o justo equil\u00edbrio. Por exemplo, qualificar como \u201cexecu\u00e7\u00f5es extrajudiciais\u201d a homicida, criminosa e sistem\u00e1tica pr\u00e1tica das For\u00e7as Armadas oficiais da Col\u00f4mbia durante os \u00faltimos 63 anos, de assassinar civis, vestir-lhes com roupa militar, e colocar armas em seus cad\u00e1veres para faz\u00ea-los passar como guerrilheiros \u201cdados de baixa\u201d em combate, em um pa\u00eds que se ufana de ser um Estado de Direito e cuja legisla\u00e7\u00e3o n\u00e3o contempla a pena de morte, possibilitou um trato benigno e celestial aos criminosos, que tem escamoteado uma condena\u00e7\u00e3o dr\u00e1stica, vertical, di\u00e1fana e oportuna ao terror desenvolvido pelo Estado colombiano h\u00e1 mais de 47 anos.<\/p>\n<p>A norma sobre o uso de armas n\u00e3o convencionais \u00e9 um regulamento para a guerra entre na\u00e7\u00f5es que n\u00e3o pode abarcar movimentos populares como o nosso, que se armou desde o come\u00e7o com fac\u00f5es e paus para defender-se de uma agress\u00e3o gestada e executada pelo Estado, com a contribui\u00e7\u00e3o militar, financeira e tecnol\u00f3gica da Casa Branca. Equivale a recriminar ao b\u00edblico Davi porque utilizou pedras para defender-se da agress\u00e3o do colosso Golias.<\/p>\n<p>Valeria a pena trabalhar em um cen\u00e1rio internacional para analisar, desde diferentes pontos de vista, essas situa\u00e7\u00f5es e outras do mesmo teor, e intercambiar conceitos sobre a \u201cneutralidade\u201d que, sobre qualquer considera\u00e7\u00e3o, deve manter quem reclama suas garantias.<\/p>\n<p>As FARC fazem uso de minas terrestres, entre outras coisas, contra opera\u00e7\u00f5es de erradica\u00e7\u00e3o manual de cultivos de folha de coca. Por que continuam usando uma arma proibida pelo direito humanit\u00e1rio e que todo o mundo acordou em 1998 erradicar no Tratado de Ottawa ou a Conven\u00e7\u00e3o sobre a proibi\u00e7\u00e3o de minas terrestres?<\/p>\n<p>Reitero que acerca do armamento utilizado pela guerrilha em sua luta de resist\u00eancia, na irregularidade de sua t\u00e1tica e como conseq\u00fc\u00eancia da assimetria que caracteriza um confronto como o colombiano, ser\u00e1 necess\u00e1rio que num cen\u00e1rio internacional amplamente representativo, com a presen\u00e7a da guerrilha revolucion\u00e1ria, com certeza, nos ocupemos de abordar este tema com objetividade, sem mentiras, buscando conclus\u00f5es realistas que todos possamos acatar rigorosamente, incluindo os governos. \u00c9 rid\u00edculo, por qualific\u00e1-lo de alguma maneira, que quando o Estado colombiano lan\u00e7a opera\u00e7\u00f5es contra insurgentes em uma propor\u00e7\u00e3o de 100 militares por cada guerrilheiro, com bombardeios executados com milh\u00f5es de toneladas de pentolita, realizados por uma avia\u00e7\u00e3o dotada de foguetes de todo tipo, ou quando metralha desde suas centenas de helic\u00f3pteros gringos e russos de ultima tecnologia, fogo de artilharia com morteiros de 120 mm, saiam dos altos mandos militares a queixar-se e a denunciar, porque muitas de suas unidades ca\u00edram em campos minados em t\u00e3o desigual teatro de opera\u00e7\u00f5es. Ou, como tamb\u00e9m acontece, \u00e9 criminoso for\u00e7ar civis a servir-lhes como guia em seus trabalhos de rastreamento e persegui\u00e7\u00e3o com conseq\u00fc\u00eancias muitas vezes lament\u00e1veis para quem foi obrigado. Ou, como acontece em outras ocasi\u00f5es, \u00e9 perversamente fariseu dar dinheiro a civis para que exer\u00e7am como alcag\u00fcetes, que buscando informa\u00e7\u00f5es, muitas vezes s\u00e3o vitimas do confronto.<\/p>\n<p>Sem d\u00favida, ningu\u00e9m pode limitar esfor\u00e7os para separar a popula\u00e7\u00e3o civil do conflito. Isso deve privilegiar-se em todos e cada um dos feitos que se cometem como parte do conflito, mas como entender isso no caso da Col\u00f4mbia, onde o governo nacional desatou uma intensa campanha para recrutar civis como informantes em troca de dinheiro, integrando-lhes a um aparelho chamado Rede de Cooperadores, se est\u00e3o indo contra as normas do DIH? Ou existe uma contradi\u00e7\u00e3o entre seu discurso manique\u00edsta frente \u00e0 normativa internacional e as pol\u00edticas que desenvolve? S\u00e3o muitos os temas que dever\u00e3o abarcar uma reuni\u00e3o de atualiza\u00e7\u00e3o do DIH, na qual seria vital a participa\u00e7\u00e3o dos Estados Unidos da Am\u00e9rica do Norte, para tamb\u00e9m analisar a racionalidade entre as exig\u00eancias que faz ao resto do mundo em rela\u00e7\u00e3o aos Direitos Humanos e sua pr\u00e1tica cotidiana e universal.<\/p>\n<p>As FARC t\u00eam futuro sem o narcotr\u00e1fico? Que rela\u00e7\u00f5es tem agora com o cultivo e trafico de drogas? \u00c9 hoje em dia sua principal fonte de financiamento? Quanto dinheiro ingressa ao ano por esse conceito?<\/p>\n<p>Nossa luta por permanecer \u00e0 margem do narcotr\u00e1fico n\u00e3o tem sido f\u00e1cil j\u00e1 que nos \u00faltimos 30 anos Col\u00f4mbia tem sido permeada e contaminada, dos p\u00e9s \u00e0 cabe\u00e7a, pelo dinheiro do narcotr\u00e1fico: as institui\u00e7\u00f5es do Estado sem exce\u00e7\u00e3o, a ind\u00fastria, os bancos, o com\u00e9rcio, a pol\u00edtica, o esporte, o campo, as festas, as for\u00e7as militares e de pol\u00edcia e em geral o conjunto do tecido social.<\/p>\n<p>A guerra contra as drogas decretada pela Casa Branca tem sido um fracasso, especialmente na Col\u00f4mbia, pois tem deixado um enorme rastro de sangue, desintegra\u00e7\u00e3o social e perda de valores \u00e9ticos e morais, enquanto a \u00e1rea plantada de coca oscila pendularmente entre os 90 mil e 180 mil hectares e o pa\u00eds continua encabe\u00e7ando o tr\u00e1fico mundial, segundo informes de diversos organismos internacionais.<\/p>\n<p>H\u00e1 algum tempo, temos manifestado nosso acordo com a legisla\u00e7\u00e3o ou com a despenaliza\u00e7\u00e3o que, desde a \u00e9poca do premio Nobel norte-americano Milton Friedman at\u00e9 hoje, incluindo 4 ex-presidentes latino-americanos e a grande quantidade de personalidades e organiza\u00e7\u00f5es do mundo inteiro, se promove como sa\u00edda realista para liquidar definitivamente os enormes lucros deste tr\u00e1fico, manejar seu crescente consumo como um problema de sa\u00fade p\u00fablica e desenvolver estrat\u00e9gias preventivas com a certeza de sua supera\u00e7\u00e3o definitiva.<\/p>\n<p>Na \u00e9poca das negocia\u00e7\u00f5es em Cagu\u00e1n, em sess\u00e3o especial diante de embaixadores e representantes de diversos pa\u00edses e organismos multilaterais, apresentamos um plano detalhado para experimentar em uma \u00e1rea delimitada uma estrat\u00e9gia de substitui\u00e7\u00e3o de cultivos que desestimularia aos camponeses cultivadores de coca e contribuiria na cria\u00e7\u00e3o de alternativas econ\u00f4micas certas. Muitos narcotraficantes e dirigentes pol\u00edticos dos partidos do governo foram contra a proposta e frustraram-na.<\/p>\n<p>O narcotr\u00e1fico n\u00e3o \u00e9 um problema das FARC. \u00c9 um fen\u00f4meno nacional, latino-americano e mundial, ao qual se deve fazer frente com uma estrat\u00e9gia nacional e convergente encabe\u00e7ada pelos respons\u00e1veis e tamb\u00e9m grandes v\u00edtimas deste c\u00e2ncer: os pa\u00edses desenvolvidos.<\/p>\n<p>Queria ser taxativo nisso: nenhuma unidade fariana, de acordo com os documentos e decis\u00f5es que nos regem, pode plantar, processar, comercializar, vender ou consumir alucin\u00f3genos ou subst\u00e2ncias psicotr\u00f3picas.<\/p>\n<p>Tudo demais que se diga \u00e9 propaganda.<\/p>\n<p>\u00c0 margem do narcotr\u00e1fico, como as FARC se financiam?<\/p>\n<p>As FARC-EP t\u00eam tr\u00eas fontes b\u00e1sicas de financiamento: aportes de amigos e simpatizantes que cr\u00eaem sinceramente no compromisso revolucion\u00e1rio das FARC e na causa pela qual lutamos; impostos que cobramos aos ricos atrav\u00e9s da lei 002 e rendas geradas em investimentos que mantemos.<\/p>\n<p>As FARC t\u00eam sofrido seus golpes mais duros durante o Governo de Uribe, como a Opera\u00e7\u00e3o Xeque, a Opera\u00e7\u00e3o F\u00eanix, a Opera\u00e7\u00e3o Camale\u00e3o. Em que situa\u00e7\u00e3o encontra-se a guerrilha? Quais s\u00e3o seus efetivos e que territ\u00f3rio controla?<\/p>\n<p>Para ser sinceros, o golpe mais s\u00e9rio recebemos ap\u00f3s a segunda confer\u00eancia guerrilheira realizada em 1966, no departamento de Quindio, onde perdemos grande quantidade de combatentes e 70% de suas armas. Somente at\u00e9 a quinta confer\u00eancia, depois de muitos anos, o comandante Marulanda p\u00f4de dizer: \u201cPor fim nos recuperamos do mal que quase nos liquida\u201d.<\/p>\n<p>Opera\u00e7\u00f5es como Xeque, desenvolvida a partir da trai\u00e7\u00e3o do chefe da unidade guerrilheira que vendeu os prisioneiros de guerra sob sua cust\u00f3dia, n\u00e3o t\u00eam as conota\u00e7\u00f5es promovidas pelo Governo. Inumer\u00e1veis vezes temos resgatado nossos presos dos c\u00e1rceres do Estado. S\u00e3o feitos de guerra que chamam as partes a tomar novas medidas de seguran\u00e7a. N\u00e3o modificam nem a concep\u00e7\u00e3o, nem os desenhos operacionais nem muito menos a estrat\u00e9gia da nossa for\u00e7a.<\/p>\n<p>Nos \u00faltimos 9 anos, e como conseq\u00fc\u00eancia da maior inger\u00eancia militar de Washington nos assuntos internos da Col\u00f4mbia, a guerra se intensificou. Temos sofrido golpes. As mortes de Raul, Jorge, Ivan Rios e de muitos camaradas, nos doem e nos geram essa dor revolucion\u00e1ria que desata, sem poder conter, maior compromisso com nossos ideais do socialismo. J\u00e1 as assimilamos. Com o legado e exemplo de nossos her\u00f3is e m\u00e1rtires, novos quadros tomam seu lugar e trincheira, novas promo\u00e7\u00f5es de revolucion\u00e1rios dispostos, como os mais antigos, a dar tudo, at\u00e9 a vida, pelos objetivos da Nova Col\u00f4mbia.<\/p>\n<p>Mas, sabe-se que em toda guerra h\u00e1 mortos, de ambos os lados, e a colombiana n\u00e3o \u00e9 exce\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m nesses 9 anos, temos demonstrado o tamanho e a qualidade do compromisso das FARC com nossos ideais de mudan\u00e7a e transforma\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria. Como \u00e9 evidente, tamb\u00e9m temos golpeado as for\u00e7as militares e paramilitares do estado, as institucionais e as para-institucionais, a todas, incluindo aquelas que jogam a pedra e escondem a m\u00e3o, que cinicamente dizem desconhecer a estrat\u00e9gia dos \u201cfalsos positivos\u201d, que negam ante os meios de comunica\u00e7\u00e3o sua alian\u00e7a com o narcoparamilitarismo, mas lhes abrem na escurid\u00e3o da noite as portas secretas dos seus pal\u00e1cios, mans\u00f5es e fazendas para conspirar contra a conviv\u00eancia, a democracia e contra o povo.<\/p>\n<p>As FARC mantemos nossa influ\u00eancia, s\u00f3lida influ\u00eancia, nas \u00e1reas onde existimos, por todos os rinc\u00f5es da geografia nacional, nascida e cimentada na justeza de nossos projetos pol\u00edticos, em nosso trabalho e ajuda permanente \u00e0s comunidades, respeito a todas elas, e por nossa autoridade surgida do compromisso sincero de que n\u00e3o pretende nada em troca de seu esfor\u00e7o, salvo a satisfa\u00e7\u00e3o de aportar esperan\u00e7a ao povo em sua pr\u00f3pria capacidade de mobiliza\u00e7\u00e3o, organiza\u00e7\u00e3o, luta e em seu futuro bem-estar.<\/p>\n<p>N\u00e3o posso comentar quantas unidades conformam as FARC-EP porque somos uma organiza\u00e7\u00e3o irregular. Mas, atuamos, trabalhamos e lutamos em todo o territ\u00f3rio nacional.<\/p>\n<p>O que h\u00e1 de certeza no suposto conte\u00fado do computador de Raul Reyes?<\/p>\n<p>Os elementos que poderiam haver continuado funcionando, logo do bombardeio sobre a humanidade do Camarada Raul e sua guarda, foram manipulados com a ast\u00facia do governo. Nem a pr\u00f3pria INTERPOL quis comprometer-se com as trucul\u00eancias de \u00c1lvaro Uribe e manifestou publicamente, logo de uma detalhada an\u00e1lise, que havia sido quebrada a Cadeia de Cust\u00f3dia, o que significa em bom romance, que ap\u00f3s a morte de Raul se manipularam os conte\u00fados do disco r\u00edgido \u201csobrevivente\u201d, se foi o que houve em seguida a semelhante inferno de explosivos. Tratava-se de inventar e distorcer os acontecimentos para chantagear as FARC e a muitos amigos da paz da Col\u00f4mbia, com esse estilo muito particular que caracteriza o senhor \u00c1lvaro Uribe e que imp\u00f4s a toda sua administra\u00e7\u00e3o. Essa semana que termina, a Corte Suprema de Justi\u00e7a declarou como ilegal qualquer prova levantada sobre os chamados computadores de Ra\u00fal Reyes, precisamente porque se manipularam os materiais supostamente encontrados e ademais se desvirtuaram os procedimentos judiciais.<\/p>\n<p>Curiosamente, n\u00e3o apareceram as informa\u00e7\u00f5es que chegavam at\u00e9 n\u00f3s e que o Comandante Raul deveria conservar, por exemplo, sobre os pagamentos a altos oficiais de pol\u00edcia, hoje generais, que fez o narcotraficante Wilber Varela e que comentou pessoal e detalhadamente a um de nossos comandantes no Valle del Cauca o coronel Danilo Gonz\u00e1lez, quem ainda em servi\u00e7o ativo, buscou as FARC pretendendo a libera\u00e7\u00e3o de uns suspeitos que hav\u00edamos detido; tampouco mencionaram-se informa\u00e7\u00f5es precisas sobre a utiliza\u00e7\u00e3o plena do DAS por parte do para-militarismo com a total anu\u00eancia do Presidente de ent\u00e3o, nem dos encontros, com whisky na m\u00e3o, em Bogot\u00e1, de chefes <em>paracos<\/em> (paramilitares) com \u201cprestativas\u201d personalidades ilustres para planificar as agress\u00f5es contra a esquerda, nem outras muitas informa\u00e7\u00f5es que fariam muito longa essa entrevista e que seguramente n\u00e3o inclu\u00edram nas c\u00f3pias que presenteavam a alguns dos seus governos amigos, \u00e0 CIA, o MI5 e o MI6 ingleses, ao MOSSAD israelense e a outros que continuam publicando inveross\u00edmeis hist\u00f3rias atrav\u00e9s de suas organiza\u00e7\u00f5es de bolso.<\/p>\n<p><strong>Voc\u00ea acredita que o processo de desmobiliza\u00e7\u00e3o de paramilitares impulsionado pela Lei de Justi\u00e7a e Paz foi um \u00eaxito? Qual \u00e9 sua opini\u00e3o sobre este processo?<\/strong><\/p>\n<p>Esse processo se planejou e se executou como uma farsa para tirar a limpo os verdadeiros chefes do paramilitarismo logo que \u00c1lvaro Uribe, um deles, ganhou as elei\u00e7\u00f5es presidenciais em 2002.<\/p>\n<p>Como cobertura, utilizaram narcotraficantes e sic\u00e1rios com t\u00edtulos de chefes contra-insurgentes, a quem prometeram status pol\u00edtico e respeito a suas incalcul\u00e1veis fortunas. Logo os jogaram no lixo, em uma hist\u00f3ria que se recicla, em que a aristocracia e alguns delinq\u00fcentes, buscando o poder e a riqueza, utilizam criminosos e bandidos, a quem logo condenam, aprisionam ou mandam assassinar num repetido espet\u00e1culo de esc\u00e1rnio p\u00fablico.<\/p>\n<p>O pa\u00eds sabe que o paramilitarismo \u00e9 uma estrat\u00e9gia do estado para assassinar sistematicamente os opositores, buscando ocultar o sangue que mancha at\u00e9 a medula as institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas, atr\u00e1s de grupos de sic\u00e1rios e delinq\u00fcentes de apar\u00eancia civil.<\/p>\n<p>A oligarquia colombiana, impotente em sua luta contra os avan\u00e7os da insurg\u00eancia revolucion\u00e1ria, se entregou \u00e0 pr\u00e1tica paramilitar que posteriormente, nas d\u00e9cadas de 70, articulou com o nascente narcotr\u00e1fico dando origem ao narcoparamilitarismo, temperado e consentido socialmente pelos poderosos durante longos anos, que agora lutam por safar-se do estigma e por lavar suas pr\u00f3prias porcarias.<\/p>\n<p>Aos <em>narcos<\/em> que acreditaram em suas palavras, os exibiram e promoveram como grande chefes contra-insurgentes e logo, os extraditaram aos Estados Unidos com o fim de silenci\u00e1-los. Tempos depois, quando desde l\u00e1 e pela press\u00e3o das v\u00edtimas procederam a confessar indec\u00eancias, a mencionar seus c\u00famplices, s\u00f3cios, contatos, mecenas pol\u00edticos e militares, a oligarquia utilizou seus meios para semear a d\u00favida: como acreditar em um criminoso e n\u00e3o em um aristocrata, um pol\u00edtico tradicional ou um prestigioso general das For\u00e7as Militares?<\/p>\n<p>A lei de justi\u00e7a e paz foi uma grande farsa, que passou pela venda de t\u00edtulos como \u201ccomandantes paramilitares\u201d a sic\u00e1rios narcotraficantes, passou tamb\u00e9m pelas fotos de grandes \u201cdesmobiliza\u00e7\u00f5es\u201d de desempregados e bandidos contratados para a ocasi\u00e3o com fuzis e armas compradas para a fotografia, e terminar\u00e1 com a absolvi\u00e7\u00e3o de \u00c1lvaro Uribe, na comiss\u00e3o de acusa\u00e7\u00f5es da C\u00e2mara de Representantes do Parlamento colombiano, salvo que os milh\u00f5es de afetados por esta criminosa estrat\u00e9gia imprimam uma maior din\u00e2mica a seus esfor\u00e7os e lutas e se receba maior solidariedade mundial. Somente assim na Col\u00f4mbia, como sucedeu com a Argentina e outros pa\u00edses, se poder\u00e1 condenar tamb\u00e9m aos representantes materiais e intelectuais das negras e sangrentas noites em que afundaram o pa\u00eds.<\/p>\n<p><strong>Por que tem sentido a luta armada para as FARC e n\u00e3o a defesa atrav\u00e9s de vias democr\u00e1ticas dos ideais pol\u00edticos e das transforma\u00e7\u00f5es socioecon\u00f4micas que consideram necess\u00e1rias?<\/strong><\/p>\n<p>Porque na Col\u00f4mbia a oposi\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica e revolucion\u00e1ria \u00e9 assassinada pela oligarquia. O massacre da Uni\u00e3o Patri\u00f3tica \u00e9 a maior mostra. A todo l\u00edder, a qualquer organiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o olig\u00e1rquica que ameace os poderes estabelecidos, o assassinam ou a massacram como parte de uma estrat\u00e9gia oficial de Seguran\u00e7a Nacional. Os poderosos a institu\u00edram como caracter\u00edstica da cultura pol\u00edtica e agora incrustaram a concep\u00e7\u00e3o do Estado.<\/p>\n<p>Extensas passagens da hist\u00f3ria nacional que datam desde setembro de 1828 quando as fac\u00e7\u00f5es pr\u00f3-gringas colombianas de ent\u00e3o atentaram contra o Libertador Simon Bol\u00edvar, at\u00e9 estes anos, passando pelo assassinato do Grande Marechal de Ayacucho, Antonio Jos\u00e9 de Sucre, do l\u00edder liberal Rafael Uribe Uribe, de Jorge Eli\u00e9cer Gait\u00e1n, de Jaime Pardo Leal, de Luiz Carlos Gal\u00e1n, de Bernardo Jaramillo Ossa, de Manuel Cepeda Vargas e de centenas de l\u00edderes mais, pareceriam ratificar um velho ditado popular: a oligarquia colombiana entende apenas a l\u00edngua dos tiros.<\/p>\n<p>Aqui nas FARC pensamos que apesar dessa hist\u00f3rica agress\u00e3o anti-popular que caracteriza a vida nacional, \u00e9 realista e insubstitu\u00edvel trabalhar na constru\u00e7\u00e3o de espa\u00e7os de converg\u00eancia, onde entre todos os colombianos construamos os acordos que cimentem a conviv\u00eancia democr\u00e1tica. O comandante Jacobo Arenas insistiu em que o destino da Col\u00f4mbia n\u00e3o podia ser a guerra civil, em conseq\u00fc\u00eancia lutamos, uma e outra vez, para encontrar com os distintos governos, a sa\u00edda pol\u00edtica ao conflito colombiano. N\u00e3o se p\u00f4de conseguir porque a oligarquia pensa em rendi\u00e7\u00f5es e n\u00f3s em mudan\u00e7as de fundo, democr\u00e1ticas, da vida institucional e das regras de conviv\u00eancia, mas n\u00e3o por isso deixaremos de lutar por uma solu\u00e7\u00e3o pac\u00edfica como ess\u00eancia da nossa concep\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria e sustento da Nova Col\u00f4mbia.<\/p>\n<p><strong>Que li\u00e7\u00f5es tiraram da cria\u00e7\u00e3o do partido Uni\u00e3o Patri\u00f3tica (UP)?<\/strong><\/p>\n<p>Foi uma experi\u00eancia t\u00e3o cheia de riqueza como dolorosa, que devemos analisar e referenciar permanentemente. Dentro de suas muitas li\u00e7\u00f5es poderia mencionar algumas como o dif\u00edcil que \u00e9 avan\u00e7ar em um processo de solu\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, quando a oligarquia colombiana mant\u00e9m suas estrat\u00e9gias de paz dos cemit\u00e9rios e Pax Romana, pois frente a este projeto mostrou sua mesquinhez e foi essencialmente sanguin\u00e1ria e cruel. Preferiu o assassinato de cerca de 5 mil dirigentes democr\u00e1ticos e revolucion\u00e1rios em massacre de corte hitleriano, que abrir espa\u00e7os a todas as vertentes da esquerda, que teria gerado uma nova din\u00e2mica na confronta\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e possibilitado a concretiza\u00e7\u00e3o dos Acordos de La Uribe, h\u00e1 mais de 25 anos.<\/p>\n<p>Com o exterm\u00ednio da UP n\u00e3o somente se perdeu uma gera\u00e7\u00e3o quase completa de dirigentes revolucion\u00e1rios, a maioria deles de grande dimens\u00e3o pol\u00edtica e imensos valores \u00e9ticos, cuja aus\u00eancia hoje \u00e9 not\u00e1vel tanto no cen\u00e1rio p\u00fablico da na\u00e7\u00e3o como do continente, tamb\u00e9m se frustrou por muitos anos a possibilidade de assinar uma acordo de conviv\u00eancia.<\/p>\n<p>A experi\u00eancia da UP nos ensinou que qualquer avan\u00e7o em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 paz que surja de acordos exige a transpar\u00eancia, que todo trope\u00e7o deve clarificar-se antes de empreender um novo degrau, pois os Acordos de La Uribe, origem da UP, foram sabotados pelo Alto Comando Militar desde o primeiro momento. Lutamos como Quixotes, para garantir a vig\u00eancia dos acordos. Mas foi imposs\u00edvel.<\/p>\n<p>Assim que os colombianos que empreendemos com grande otimismo e maior entusiasmo uma hist\u00f3rica jornada pela conviv\u00eancia, perdemos essa batalha frente aos \u201cinimigos da paz\u201d, que hoje j\u00e1 n\u00e3o se escondem tanto.<\/p>\n<p>Um processo de paz de \u00eaxito tem como premissa obrigat\u00f3ria o respaldo lento, decidido, transparente e ativo da maioria da popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>N\u00e3o tenho a menor d\u00favida que as novas gera\u00e7\u00f5es de colombianos, num futuro pr\u00f3ximo, render\u00e3o honras e reconhecer\u00e3o os m\u00e1rtires da Uni\u00e3o Patri\u00f3tica que \u201ca peito descoberto\u201d lutaram por um pa\u00eds melhor para seus filhos, por uma democracia e a conviv\u00eancia, com uma generosidade, um desprendimento e uma valentia exemplares.<\/p>\n<p><strong>Destacados l\u00edderes pol\u00edticos da esquerda colombiana disseram ao <\/strong><em><strong>P\u00fablico<\/strong><\/em><strong> que acreditam que a exist\u00eancia como guerrilha das FARC \u00e9 responsabilidade da \u201cdireitiza\u00e7\u00e3o extrema\u201d da sociedade colombiana, j\u00e1 que \u201cesquerda\u201d se associa a guerrilha. Est\u00e1 voc\u00ea de acordo?<\/strong><\/p>\n<p>Digamos genericamente, que se est\u00e1 \u00e0 esquerda caso se priorize o social, a democracia popular e as mudan\u00e7as revolucion\u00e1rias, em oposi\u00e7\u00e3o a quem privilegia o lucro econ\u00f4mico, o hegemonismo burgu\u00eas e a defesa do <em>status quo<\/em>. N\u00e3o se trata somente de estar ao lado esquerdo da direita, sen\u00e3o de defender integralmente os interesses das classes populares. Integralmente.<\/p>\n<p>Enfatizo para comentar que n\u00e3o escutei nenhum destacado dirigente, de esquerda, afirmar o que menciona em sua pergunta.<\/p>\n<p>Na Col\u00f4mbia existem militantes de esquerda, muito importantes e conseq\u00fcentes, que com enorme responsabilidade e altura discrepam da luta armada revolucion\u00e1ria, se afastam dela, mas entendendo suas circunst\u00e2ncias hist\u00f3ricas, trabalham para encontrar os caminhos da solu\u00e7\u00e3o pol\u00edtica respeitando o nosso compromisso, de quem combatemos desde a insurg\u00eancia e, priorizando seus debates contra a oligarquia e contra o novo colonialismo imperial, verdadeiros geradores da viol\u00eancia na Col\u00f4mbia.<\/p>\n<p>Existem os que militaram na esquerda e j\u00e1 n\u00e3o defendem suas posi\u00e7\u00f5es originais sen\u00e3o as do regime, como sucede em muitas partes do mundo. H\u00e1 que respeitar suas novas posturas, mas sem inscrev\u00ea-los como defensores dos interesses populares nem localiz\u00e1-los na esquerda no xadrez da pol\u00edtica.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m pode existir o caso dos que pretendem ocultar suas pr\u00f3prias falhas, por detr\u00e1s do esfor\u00e7o alheio.<\/p>\n<p>A luta nossa desde Marquetalia \u00e9 pela democracia, pela possibilidade de desenvolver uma a\u00e7\u00e3o de massas, aberta, pelas mudan\u00e7as revolucion\u00e1rias e para o socialismo. E esta op\u00e7\u00e3o \u00e9 a que tem sabotado com tiros a oligarquia colombiana.<\/p>\n<p>Assassinaram a Jorge Eli\u00e9cer Gait\u00e1n, legislaram com o anticomunismo como suporte durante a ditadura militar, criaram a Frente Nacional Bipartidista para excluir e perseguir aos revolucion\u00e1rios, e aprovaram uma Constitui\u00e7\u00e3o em 1991 com elementos positivos em seu desenho e textos, que deixou intacta a concep\u00e7\u00e3o da Seguran\u00e7a Nacional do inimigo interno que luta desde um pouco mais de 47 anos em nosso pa\u00eds. A mesma do paramilitarismo e dos falsos positivos.<\/p>\n<p>A direita, na Col\u00f4mbia e em todo o mundo, propagandeia e difunde seus pretextos para confundir, atacar e desvirtuar as lutas populares por bem-estar e progresso social. E utiliza variedade de formas para isso, incluindo a muitos que algum dia foram ativistas da esquerda.<\/p>\n<p>Nos tempos que correm, com o desenvolvimento dos meios de comunica\u00e7\u00e3o, n\u00e3o existe confus\u00e3o poss\u00edvel. Quem defenda a ordem existente, n\u00e3o o pode ocultar.<\/p>\n<p>A confronta\u00e7\u00e3o na Col\u00f4mbia se prolongou demais. Lutar e clamar pela paz \u00e9 express\u00e3o de uma sentimento profundamente popular e revolucion\u00e1rio.<\/p>\n<p>AS FARC assinaram um pacto de n\u00e3o agress\u00e3o com a guerrilha ELN em dezembro de 2009. Que obst\u00e1culos surgiram para sua implementa\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p>Tanto o Comando Central do ELN como o Secretariado do Estado Maior Central das FARC-EP, reconhecemos com sentido autocr\u00edtico, o erro que significou n\u00e3o deter dr\u00e1stica, enf\u00e1tica e oportunamente os choques que foram ocorrendo em diversas \u00e1reas do pa\u00eds, entre combatentes das duas for\u00e7as, desde um bom tempo.<\/p>\n<p>Agora, trabalhamos com enorme convic\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria em todas essas \u00e1reas para superar, definitivamente, as asperezas, os mal entendidos, as emula\u00e7\u00f5es mal feitas e os enfrentamentos. \u00c9 um processo complexo, tendo em conta a conjuntura atual, de intensa confronta\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e militar com o Estado. Mas vamos avan\u00e7ando com solidez.<\/p>\n<p>A autocr\u00edtica \u00e9 profunda e nisso estamos. Falta tempo, tem muito terreno para percorrer mas avan\u00e7amos firmemente fazendo consci\u00eancia, em todos os n\u00edveis de nossas organiza\u00e7\u00f5es, que somos parte do mesmo contingente de luta popular, revolucion\u00e1ria, antiimperialista, bolivariana e socialista. E que isso \u00e9 o que fundamenta a forma de nos relacionarmos, as converg\u00eancias que devemos trabalhar e lutar para elevar a novos n\u00edveis a necess\u00e1ria estrat\u00e9gia unit\u00e1ria dos revolucion\u00e1rios colombianos.<\/p>\n<p>Nos balizamos no legado do grande revolucion\u00e1rio, o sacerdote Camilo Torres Restrepo de enfatizar o que nos une. As diverg\u00eancias devemos tratar em mecanismos que estamos criando pra isso.<\/p>\n<p>Estamos obrigados a ser exemplo de unidade. E de maturidade. Assim tamb\u00e9m contribuiremos para a unidade popular dos colombianos, projetando nos feitos a prioridade do \u201cbem comum\u201d por cima de qualquer interesse particular.<\/p>\n<p>Nos falta um bom trecho, mas j\u00e1 o come\u00e7amos. E isso \u00e9 estrat\u00e9gico.<\/p>\n<p><strong>Segundo um documento da Audi\u00eancia Nacional, dois testemunhos de antigos membros das FARC implicam o Ex\u00e9rcito de Hugo Ch\u00e1vez em cursos de adestramento que a ETA deu aos guerrilheiros colombianos em solo venezuelano. Os relatos dos arrependidos formam parte de um informe da Delegacia Geral de Informa\u00e7\u00e3o da Pol\u00edcia. No documento dedicado aos \u201cfeitos\u201d se descreve como em agosto de 2007 dois membros do ETA realizaram na selva venezuelana dois cursos sobre a manejo de explosivos a guerrilheiros das FARC. As FARC tiveram no passado rela\u00e7\u00e3o com o grupo ETA? Mant\u00eam rela\u00e7\u00e3o na atualidade e, em caso afirmativo, em que consiste?<\/strong><\/p>\n<p>A experi\u00eancia das FARC em mat\u00e9ria de explosivos, tanto de sua fabrica\u00e7\u00e3o como de seu armazenamento e utiliza\u00e7\u00e3o \u00e9 longa e abundante, o que desde muito tempo nos permite auto-abastecermo-nos sem recorrer a nenhum tipo de ajuda, simplesmente porque n\u00e3o a necessitamos. Temos nossos pr\u00f3prios instrutores. Simples. Isto para recha\u00e7ar as afirma\u00e7\u00f5es sobre tais cursos com o pessoal estrangeiro que somente pretendem afetar o governo bolivariano da Venezuela.<\/p>\n<p>Na Col\u00f4mbia, a partir do oferecimento de dinheiro, viagens a Europa e redu\u00e7\u00e3o consider\u00e1vel de penas, alguns desertores se prestaram para testemunhar contra a nossa organiza\u00e7\u00e3o e favorecer as pol\u00edticas do governo de \u00c1lvaro Uribe. Mas como a mentira n\u00e3o dura, as montagens que fabricaram a partir dos milhares de falsos testemunhos est\u00e3o desmoronando. Todos cair\u00e3o como castelos de cartas.<\/p>\n<p>Por exemplo, atualmente cursam investiga\u00e7\u00f5es penais e administrativas, da Promotoria e tamb\u00e9m da Procuradoria Geral da Na\u00e7\u00e3o, contra altos funcion\u00e1rios do governo Uribe e contra altos mandos militares da \u00e9poca, pelas com\u00e9dias que montaram, farsas deser\u00e7\u00f5es cheias de infames afirma\u00e7\u00f5es como parte de sua ofensiva contra as FARC.<\/p>\n<p>O mundo se est\u00e1 informando de como no departamento de Tolima tamb\u00e9m se recrutaram bandidos e desocupados, com os quais \u201cformaram\u201d uma coluna guerrilheira, os vestiram com uniformes militares, os dotaram de alguns fuzis velhos e outros muitos de pau, chamaram os jornalistas, tiraram algumas fotos, deram algum dinheiro aos farsantes, difamaram sobre muitos cidad\u00e3os que logo prenderam e felizes ratificaram que o fim do fim estava pr\u00f3ximo, incluindo o presidente de ent\u00e3o.<\/p>\n<p>Essa foi a t\u00f4nica do governo colombiano anterior, buscando impor pol\u00edticas fascistas, levantou todo tipo de fronteiras morais, legais, \u00e9ticas para outorgar-se a licen\u00e7a de caluniar, difamar, mentir e inventar. Valeria a pena que a justi\u00e7a espanhola verificasse e confrontasse a fundo as informa\u00e7\u00f5es que lhe foram proporcionadas.<\/p>\n<p>Nossas rela\u00e7\u00f5es, que neste momento tem car\u00e1ter clandestino, com grande quantidade de organiza\u00e7\u00f5es democr\u00e1ticas e revolucion\u00e1rias do mundo, armadas e civis, est\u00e3o regidas pelas conclus\u00f5es da Confer\u00eancia Guerrilheira que, como j\u00e1 sinalizei, orientam sobre o n\u00e3o desenvolvimento de a\u00e7\u00f5es militares em outros pa\u00edses, respeitando a soberania de cada pa\u00eds e as lutas de cada povo.<\/p>\n<p><strong>\u00c9 certo que as FARC pediram apoio ao ETA para atentar contra v\u00e1rias pessoas, entre elas o presidente \u00c1lvaro Uribe, quando visitasse a Espanha ou a UE? <\/strong><\/p>\n<p>Essa \u00e9 a propaganda que o pr\u00f3prio Uribe fazia, na Col\u00f4mbia e no exterior, para projetar uma imagem de v\u00edtima.<\/p>\n<p><strong>As for\u00e7as espanholas detiveram Remedios Garcia Albert, que consideraram vinculada com as FARC. As FARC tem v\u00ednculos com Rem\u00e9dios Garc\u00eda Albert? Caso tenham, quais seriam estes v\u00ednculos?<\/strong><\/p>\n<p>N\u00e3o conhe\u00e7o v\u00ednculos de Rem\u00e9dios com as FARC. A refer\u00eancia dela foi apenas a cita\u00e7\u00e3o midi\u00e1tica das autoridades colombianas, durante o per\u00edodo de incontin\u00eancia propagand\u00edstica que viveu o governo em torno do suposto computador do Comandante Raul Reyes. Nunca antes nem depois escutei seu nome.<\/p>\n<p><strong>Que rela\u00e7\u00e3o mant\u00eam com os governos de Cuba, Venezuela e Equador?<\/strong><\/p>\n<p>Se voc\u00ea me permite, preferiria abster-me de uma resposta alusiva a nossas rela\u00e7\u00f5es com qualquer governo do mundo.<\/p>\n<p><strong>Acreditam que a Espanha pode ter algum papel na solu\u00e7\u00e3o do conflito colombiano? Qual?<\/strong><\/p>\n<p>Sempre percebemos positivamente a participa\u00e7\u00e3o da comunidade internacional na solu\u00e7\u00e3o pol\u00edtica do conflito. Mas, dadas as suas caracter\u00edsticas atuais e permanentes e agressivas declara\u00e7\u00f5es oficiais, \u00e9 necess\u00e1rio dar-se tempo ao tempo.<\/p>\n<p><strong>O que sabe sobre os falsos positivos? Porque as FARC n\u00e3o difundiram mais revela\u00e7\u00f5es sobre esse tema?<\/strong><\/p>\n<p>O assassinato sistem\u00e1tico de civis por parte de militares e policiais, e sua posterior apresenta\u00e7\u00e3o como guerrilheiros como baixa em combate, \u00e9 uma pr\u00e1tica institucional na Col\u00f4mbia desde o ano 1948.<\/p>\n<p>Faz parte de uma guerra suja desenvolvida pelo estado que tamb\u00e9m executa o assassinato seletivo de l\u00edderes pol\u00edticos da oposi\u00e7\u00e3o, de dirigentes sindicais comprometidos com os trabalhadores, a desapari\u00e7\u00e3o de ativistas revolucion\u00e1rios, as torturas, o terror e os massacres que intimidem e gerem medo, p\u00e2nico e deslocamentos.<\/p>\n<p>Tudo isso se denunciou e continua sendo denunciado. Existem centenas de livros, milhares de den\u00fancias, milhares de evid\u00eancias e provas que demonstram a responsabilidade do estado colombiano no desenvolvimento desta estrat\u00e9gia. S\u00f3 que, at\u00e9 agora, a comunidade internacional aceita a tese oficial que assinala como fatos isolados.<\/p>\n<p>S\u00e3o centenas de milhares as v\u00edtimas civis da guerra suja que o regime empreende, segundo afirma, em \u201cdefesa das institui\u00e7\u00f5es e do Estado de direito\u201d.<\/p>\n<p>A meados dos anos setenta, a estrat\u00e9gia olig\u00e1rquica de terror fundiu sua pr\u00e1tica paramilitar com o narcotr\u00e1fico, sob a dire\u00e7\u00e3o de poderosos empres\u00e1rios, destacadas personalidades da pol\u00edtica tradicional e altos mandos militares, com o objetivo de intensificar seus crimes e utilizar dinheiro proveniente do narcotr\u00e1fico, mas ocultando seus verdadeiros chefes e orientadores.<\/p>\n<p>Hoje, muitas evid\u00eancias come\u00e7am a aparecer, desde as farsas das pris\u00f5es de militares e pol\u00edticos respons\u00e1veis por crimes atrozes, passando pela usurpa\u00e7\u00e3o massiva de terras por parte de fazendeiros, militares, industriais e dirigentes dos partidos tradicionais, acordos pol\u00edticos ensopados de sangue, enriquecimentos desmesurados e inusitados de um setor reduzido vinculado aos distintos governos destes anos, institucionalidade permeada quase sem exce\u00e7\u00e3o por dinheiro mafioso, at\u00e9 os mais altos escal\u00f5es do governo com esta estrat\u00e9gia que agora visa a dois de seus iminentes cabe\u00e7as, o senhor Narv\u00e1ez e \u00c1lvaro Uribe V\u00e9lez.<\/p>\n<p><strong>Quando da morte de Jorge Brice\u00f1o, em um bombardeio dia 22 de setembro, o presidente Santos reiterou que agora se vislumbra o fim das FARC. Que opinas sobre isto?<\/strong><\/p>\n<p>Desde 1964 conhecemos essa declara\u00e7\u00e3o oficial da boca de diferentes presidentes e ministros militares, em ocasi\u00f5es fazendo amea\u00e7as, outras promessas, sempre com a pretens\u00e3o de ocultar as ra\u00edzes do conflito que fez necess\u00e1ria a exist\u00eancia das FARC.<\/p>\n<p>Assim, justificaram a viol\u00eancia do Estado. Assim, aumentaram ano ap\u00f3s ano o or\u00e7amento militar e policial, para a satisfa\u00e7\u00e3o dos generais e dos senhores da guerra.<\/p>\n<p>Assim, ocultaram h\u00e1 tempos sua pr\u00f3pria incapacidade, sua intransig\u00eancia e a profunda corrup\u00e7\u00e3o que corr\u00f3i as institui\u00e7\u00f5es oficiais.<\/p>\n<p>Assim, pretendem cobrir seu vergonhoso e humilhante ceder frente ao Pent\u00e1gono Norte-americano e \u00e0 Casa Branca.<\/p>\n<p>Enquanto n\u00e3o busquemos seriamente, entre todos, a busca de solu\u00e7\u00f5es aos problemas estruturais do pa\u00eds, o confronto ser\u00e1 inevit\u00e1vel. Umas vezes mais intenso, outras n\u00e3o tanto. Em alguns momentos com a iniciativa militar do estado, em outros, com a iniciativa popular, em uma tr\u00e1gico ciclo que devemos superar, inteligentemente, com grandeza hist\u00f3rica.<\/p>\n<p>Como prossegue o confronto, haver\u00e1 mais mortos. Dos dois lados. Mais trag\u00e9dias para o povo. E n\u00e3o chegar\u00e1 a paz e nem a conviv\u00eancia para a Col\u00f4mbia.<\/p>\n<p>N\u00e3o se trata da morte de um ou de outro comandante guerrilheiro. O conflito n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o simples. As circunst\u00e2ncias hist\u00f3ricas do pa\u00eds s\u00e3o muito particulares. A exist\u00eancia da guerra de guerrilhas revolucion\u00e1rias em Col\u00f4mbia n\u00e3o \u00e9 conseq\u00fc\u00eancia do voluntarismo de um punhado de valentes ou de aventureiros, ou de uns terroristas ou narco terroristas, esses adjetivos podemos deixar para uso da propaganda oficial. A insurg\u00eancia colombiana \u00e9 reflexo de uma s\u00e9rie de fatores estruturais que os diferentes governos n\u00e3o podem criminosa e obsessivamente desconhecer.<\/p>\n<p>A oligarquia colombiana conformou uma for\u00e7a p\u00fablica armada de mais de 500 mil homens, em um pa\u00eds de aproximadamente 45 milh\u00f5es de habitantes com enormes necessidades e car\u00eancias. Injusto! Em torno da quinta parte do or\u00e7amento nacional deste ano foi aprovado para gastos militares. Foram investidos quase 10 bilh\u00f5es de d\u00f3lares de ajuda norte americana no Plano Col\u00f4mbia, para uma guerra fracassada. Entretanto, o confronto prossegue.<\/p>\n<p>Quando bombardearam o acampamento do comandante Jorge Brice\u00f1o, com quase uma centena de aeronaves que deixaram cair milhares de milhares de toneladas de explosivos durante muitos dias, em um dantesco inferno. Instalaram na periferia do local do acampamento, barracas com espelhos e presentes, roupas novas, t\u00eanis Nike e Reebock, convidando os guerrilheiros \u00e0 trai\u00e7\u00e3o e \u00e0 deser\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Tudo o que obtiveram foi uma her\u00f3ica resposta militar da guerrilha, cheia de moral e de consci\u00eancia revolucion\u00e1ria, que produziu centenas de baixas na for\u00e7a de ocupa\u00e7\u00e3o oficial e no pedido massivo de ades\u00e3o de novos guerrilheiros na regi\u00e3o e em muitas outras zonas do pa\u00eds.<\/p>\n<p>A proximidade da paz democr\u00e1tica, da conviv\u00eancia e da justi\u00e7a social n\u00e3o se pode medir em litros de sangue. Disso est\u00e3o cientes o pa\u00eds e tamb\u00e9m o presidente Santos.<\/p>\n<p>Em seu \u00faltimo informe, a ONG Col\u00f4mbia Novo Arco \u00cdris, que segue o desenvolvimento do conflito militar cruzando informa\u00e7\u00f5es oficiais e de analistas, ainda que reconhe\u00e7am a supremacia a\u00e9rea do governo, dizem que os combates em terra lhe s\u00e3o notoriamente adversos.<\/p>\n<p><strong>Quais s\u00e3o os resultados reais deste longo confronto?<\/strong><\/p>\n<p>Gostaria de ressaltar que diariamente existem combates e feitos de guerra entre a guerrilha revolucion\u00e1ria e a for\u00e7a publica institucional e extra-institucional na maioria dos 32 estados do pa\u00eds, onde se obt\u00e9m vit\u00f3rias e em ocasi\u00f5es tamb\u00e9m se recebem golpes, em um confronto que se prolongou no tempo e na qual a iniciativa militar se altera, se modifica, transforma-se no tempo e nas diferentes \u00e1reas, mas n\u00e3o estrategicamente. As partes militares que chegam a p\u00fablico quantificam os efeitos da guerra em nosso advers\u00e1rio e em nossas pr\u00f3prias fileiras com cifras irrebat\u00edveis. Queria destacar que a atual ofensiva oficial com inicio h\u00e1 mais de 11 anos, a partir do chamado Plano Col\u00f4mbia, desenhado no Pent\u00e1gono norte americano, dirigido e financiado por eles e alimentado sem descanso por armamento de ultima gera\u00e7\u00e3o desde Washington, fracassou. \u00c9 a maior e prolongada opera\u00e7\u00e3o contra-insurgente levada a efeito no continente e \u00e9 tamb\u00e9m a maior demonstra\u00e7\u00e3o de que a solu\u00e7\u00e3o do conflito n\u00e3o passa pela Pax Romana.<\/p>\n<p><strong>Que condi\u00e7\u00f5es exigem voc\u00eas hoje para desmobilizar-se?<\/strong><\/p>\n<p>Desmobilizar-se \u00e9 sin\u00f4nimo de in\u00e9rcia, \u00e9 entrega covarde, \u00e9 rendi\u00e7\u00e3o e trai\u00e7\u00e3o com a causa popular e com o ide\u00e1rio revolucion\u00e1rio que cultivamos e lutamos pelas transforma\u00e7\u00f5es sociais, \u00e9 uma indignidade que leva impl\u00edcito uma mensagem de desesperan\u00e7a ao povo que confia em nosso compromisso e proposta bolivariana.<\/p>\n<p>N\u00e3o temos nenhuma duvida sobre nossa obriga\u00e7\u00e3o de lutar permanentemente e sem parar, com convic\u00e7\u00e3o e otimismo, por aproximarmos com certeza da solu\u00e7\u00e3o pol\u00edtica do conflito. N\u00f3s, os colombianos, com a contribui\u00e7\u00e3o dos pa\u00edses amigos, devemos construir um cen\u00e1rio de di\u00e1logo que resulte em um processo de acordos, cuja materializa\u00e7\u00e3o incida contundentemente e irreversivelmente na liquida\u00e7\u00e3o das causas que em seu momento originaram o conflito armado e que hoje nutrem abundantemente.<\/p>\n<p>Uma vez feito o cen\u00e1rio, em um processo que tamb\u00e9m deve ser trabalhada a reconstru\u00e7\u00e3o da confian\u00e7a entre as partes, teremos que conversar sobre os prisioneiros de guerra, militares, policiais e guerrilheiros em poder das partes, como um aspecto pol\u00edtico e humanit\u00e1rio que exige prioridade. E, em fun\u00e7\u00e3o de objetivos de longo prazo, contamos como ponto de partida com uma ferramenta excepcional, que \u00e9 a Agenda Comum pela Transforma\u00e7\u00e3o a uma Nova Col\u00f4mbia, assinada como acordo entre o Estado Colombiano e as FARC-EP, no EL Cagu\u00e1n.<\/p>\n<p>Claro que o importante \u00e9 construir o cen\u00e1rio, com vontade pol\u00edtica, pensando no pa\u00eds e em seu futuro, abstraindo as mentiras inventadas pela propaganda oficial que isola a solu\u00e7\u00e3o definitiva porque faz pensar no estabelecimento de seus pr\u00f3prios desejos. Nestes processos \u00e9 indispens\u00e1vel manter-se com os p\u00e9s no ch\u00e3o.<\/p>\n<p>As dolorosas tentativas frustradas que fizemos desde as negocia\u00e7\u00f5es de La Uribe, em 1984, para encontrar caminhos civilizados, s\u00e3o evid\u00eancia das enormes dificuldades que existem em encontrar o caminho correto sem que ele implique em resigna\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Col\u00f4mbia atravessa uma conjuntura cr\u00edtica porque rec\u00e9m terminou o per\u00edodo do governo mais violento e corrupto da hist\u00f3ria nacional encabe\u00e7ado por \u00c1lvaro Uribe. Dezenas de congressistas e dirigentes pol\u00edticos que fizeram campanha presidencial e participaram de sua gest\u00e3o est\u00e3o presos condenados como agentes do narcoparamilitarismo outros muitos enfrentam investiga\u00e7\u00e3o preliminar por parte da Corte Suprema da Justi\u00e7a, v\u00e1rios de seus ministros tamb\u00e9m est\u00e3o sendo investigados enquanto dezenas de mandat\u00e1rios m\u00e9dios desta administra\u00e7\u00e3o j\u00e1 est\u00e3o presos por corrup\u00e7\u00e3o e para militarismo.<\/p>\n<p>O v\u00e9u est\u00e1 por cair. A capa de teflon constru\u00edda pelos amigos de Uribe, possibilitando o enriquecimento desmedido deste c\u00edrculo mafioso como fruto de absurda corrup\u00e7\u00e3o administrativa, a complac\u00eancia de muitos com a estrat\u00e9gia e pr\u00e1tica paramilitar que j\u00e1 se conhecia e sua fascist\u00f3ide rejei\u00e7\u00e3o a uma solu\u00e7\u00e3o pol\u00edtica do conflito, todo este vergonhoso v\u00e9u est\u00e1 por cair, o que abrir\u00e1 novas perspectivas para a civiliza\u00e7\u00e3o e para uma democracia verdadeira.<\/p>\n<p>Quando o pa\u00eds, al\u00e9m da viol\u00eancia e da corrup\u00e7\u00e3o, sofre pelos fen\u00f4menos da natureza em forma de chuva inclemente, est\u00e1 reivindicando a seus dirigentes grandeza e estatura hist\u00f3rica para a dif\u00edcil conjuntura para projet\u00e1-lo com for\u00e7a para o futuro.<\/p>\n<p>A insist\u00eancia uribista na caracteriza\u00e7\u00e3o das FARC como terrorista n\u00e3o faz nem sombra \u00e0 contundente verdade sobre a exist\u00eancia do conflito armado na Col\u00f4mbia, se temos em conta que foi na tese mentirosa da inexist\u00eancia do conflito, que Uribe construiu seu fascismo.<\/p>\n<p>Como revolucion\u00e1rios que entregamos nossos ideais ao bem estar do povo, persistimos na solu\u00e7\u00e3o pol\u00edtica do conflito.<\/p>\n<p>Traduzido por Coletivo Paulo Petry, n\u00facleo do PCB\/UJC em Cuba.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n\n\nCr\u00e9dito: media.tumblr\n\n\n\n\n\n\n\n\nEntrevista a Alfonso Cano por P\u00fablico.\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/1634\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[34],"tags":[],"class_list":["post-1634","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c39-colombia"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-qm","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1634","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1634"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1634\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1634"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1634"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1634"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}