{"id":16387,"date":"2017-10-02T14:54:20","date_gmt":"2017-10-02T17:54:20","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=16387"},"modified":"2017-10-02T15:11:55","modified_gmt":"2017-10-02T18:11:55","slug":"o-poder-operario-nao-precisa-dos-monopolios","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/16387","title":{"rendered":"O poder oper\u00e1rio n\u00e3o precisa dos monop\u00f3lios"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.odiario.info\/b2-img\/MXICOOPERAESDESALVAMENTO.jpg?w=747&#038;ssl=1\" alt=\"imagem\" \/><!--more-->Enrique Cedillo y \u00c1ngel Chavez*<\/p>\n<p>Este texto de dois militantes comunistas mexicanos a partir da resposta auto-organizada dos trabalhadores mexicanos ao recente sismo que abalou o M\u00e9xico, mostra-nos a face real do Estado burgu\u00eas e como o capital apenas procura o lucro. Em todas as circunst\u00e2ncias, mesmo nas opera\u00e7\u00f5es de resgate.<\/p>\n<p>Na Cidade de M\u00e9xico o povo trabalhador deu uma resposta exemplar ao sismo de se 7,1 na escala de Richeter que a abalou, organizando de imediato as brigadas de resgate, em que se destacou a capacidade dos oper\u00e1rios da constru\u00e7\u00e3o, que n\u00e3o contava com a a\u00e7\u00e3o policial nenhuma. Inclusive o trabalho de prote\u00e7\u00e3o civil foi executado por grupos de engenheiros, arquitetos e resgatadores experimentados que, desinteressadamente, sem receber qualquer sal\u00e1rio, doaram o seu trabalho e conhecimentos \u00e0s v\u00edtimas.<\/p>\n<p>Enquanto o governo burgu\u00eas e os partidos pol\u00edticos do regime regateavam os fundos para o desastre e diversas doa\u00e7\u00f5es, teve que ser a iniciativa de homens e mulheres trabalhadores que instauraram pontos de dire\u00e7\u00e3o das brigadas de trabalho, auxiliados por trabalhadores de transportes levavam os v\u00edveres onde eles fossem mais necess\u00e1rios. Juntamente com estes centros surgiram brigadas de enfermeiros e m\u00e9dicos que trabalharam nas zonas de desmoronamentos, gratuita e voluntariamente, desde muito antes que o governo federal declarasse a emerg\u00eancia, portante tornasse obrigat\u00f3rio atendimento obrigat\u00f3rio nas institui\u00e7\u00f5es de sa\u00fade.<\/p>\n<p>Ao contr\u00e1rio da resposta do povo, houve empres\u00e1rios que aproveitaram, dentro da l\u00f3gica do capital, para lucrar com a trag\u00e9dia. Mas apesar de em alguns lugares as empresas terem especulado subindo os pre\u00e7os at\u00e9 50%, o povo trabalhador, tal como alguns pequenos comerciantes, compraram e contribu\u00edram com medicamentos, p\u00e1s, picaretas, capacetes e outras ferramentas necess\u00e1rias, dando mostras de uma exemplar solidariedade de classe.<\/p>\n<p>Os governos locais distinguiram-se pela rapina. O governo de Morelos para desviar recursos confiscou carregamentos inteiros de v\u00edveres destinados \u00e0s v\u00edtimas do terremoto e preparava-se para os distribuir como se fossem contribui\u00e7\u00e3o sua. Durou pouco a manobra. A solidariedade oper\u00e1ria conseguiu recuperar o controle popular do abastecimento.<\/p>\n<p>Mesmo assim, foi evidente a forte presen\u00e7a militar nas zonas atingidas, cuja tarefa n\u00e3o podia ser outra que a de conter o poder popular que se fortalece a cada instante. Por esse motivo montaram guarda nos centros comerciais e outros estabelecimentos dos grandes monop\u00f3lios, n\u00e3o fosse o povo trabalhador decidir tomar nas suas m\u00e3os o que produziram e lhes era \u00fatil para salvar as vidas de trabalhadores enterrados nos escombros.<\/p>\n<p>A desmobiliza\u00e7\u00e3o do povo \u00e9 o objetivo pol\u00edtico do ex\u00e9rcito. Impediram o acesso aos brigadistas volunt\u00e1rios em que esperavam resgatadores internacionais, arriscando a vida de pessoas soterradas. Mesmo assim confiscaram centros de brigadas de trabalho nos bairros, parques e escolas.<\/p>\n<p>Apesar de todos os esfor\u00e7os em contr\u00e1rio do regime, as pessoas testemunharam uma pequena amostra do alcance do poder do povo trabalhador organizado pelos seus pr\u00f3prios interesses, a solidariedade de classe, a desnecess\u00e1ria exist\u00eancia de corpora\u00e7\u00f5es e de um Estado a servi\u00e7o destas. Os poderes constitu\u00eddos demoraram a deslocarem-se para as zonas de desastre, e quando o fizeram foi em muitas ocasi\u00f5es, apenas, para empecilhar os trabalhos de busca.<\/p>\n<p>A li\u00e7\u00e3o \u00e9 \u00f3bvia. Das grandes empresas e do estado que administra os seus interesses nada se pode esperar. S\u00f3 os trabalhadores h\u00e3o de auxiliar os seus irm\u00e3os trabalhadores. A solidariedade de classe deve continuar a impor a sua presen\u00e7a, e \u00e9 urgente que dentro dessa l\u00f3gica continuem as a\u00e7\u00f5es de recupera\u00e7\u00e3o de v\u00edveres, medicamentos, instrumentos de trabalho e tudo o que requeira neste momento imediato e at\u00e9 que ser resolva satisfatoriamente a situa\u00e7\u00e3o material dos afetados.<\/p>\n<p>S\u00f3 um Estado Socialista firmemente alicer\u00e7ado ter\u00e1 capacidade de resposta cada vez maior que a desenvolvida espontaneamente pelos trabalhadores. \u00c9 fundamental entender que n\u00e3o podemos continuar sustentando o Estado burgu\u00eas que permitiu esta desgra\u00e7a. S\u00f3 um Estado oper\u00e1rio e popular pode oferecer solu\u00e7\u00f5es s\u00f3lidas a longo prazo, e assegurar que isto n\u00e3o volte a repetir-se.<\/p>\n<p>* Membros do CC do PCM.<\/p>\n<p>Este texto foi publicado em El Comunista n\u00ba 63 (extra), de 26 de setembro de 2017:<\/p>\n<p>http:\/\/www.comunistas-mexicanos.org\/partido-comunista-de-mexico\/2161-edicion-extraordinaria-de-el-comunista<\/p>\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o de Jos\u00e9 Paulo Gasc\u00e3o<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/16387\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[9],"tags":[226],"class_list":["post-16387","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-s10-internacional","tag-4b"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-4gj","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16387","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=16387"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16387\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=16387"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=16387"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=16387"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}