{"id":16426,"date":"2017-10-04T14:08:25","date_gmt":"2017-10-04T17:08:25","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=16426"},"modified":"2017-10-05T15:14:54","modified_gmt":"2017-10-05T18:14:54","slug":"leila-khaled-o-ocidente-considera-nossa-resistencia-como-um-ato-terrorista-quando-o-terrorismo-e-a-ocupacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/16426","title":{"rendered":"&#8216;Ocidente considera nossa resist\u00eancia como um ato terrorista, quando o terrorismo \u00e9 a ocupa\u00e7\u00e3o&#8217;"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.resumenlatinoamericano.org\/wp-content\/uploads\/2017\/10\/leila-Khaled-620x340.jpg\" alt=\"imagem\" \/><!--more--><strong>Leila Khaled: \u2018O Ocidente considera nossa resist\u00eancia como um ato terrorista, quando o terrorismo \u00e9 a ocupa\u00e7\u00e3o\u2019<\/strong><\/p>\n<p>Por Beatriz R\u00edos<\/p>\n<p>Resumen Medio Oriente\/P\u00fablico.es<\/p>\n<p>Entrevista com Leila Khaled, membro da Frente Popular pela Liberta\u00e7\u00e3o da Palestina, com motivo de sua visita ao Parlamento Europeu para participar de uma confer\u00eancia sobre o papel da mulher na luta do povo palestino.<\/p>\n<p>Em uma entrevista com Leila Khaled (Haif\u00e1, 1944), as primeiras perguntas s\u00e3o feitas por ela e at\u00e9 toma nota das respostas. Mant\u00e9m uma postura firme, como se suportasse em seus ombros todo o peso de uma responsabilidade invis\u00edvel. Uma kufiya cai de seus ombros e tem no olhar um misto de altivez e afabilidade desconcertantes. Fala em tom s\u00e9rio, pausado, arrastando as palavras em uma voz que \u00e9 quase um sussurro, e leva tempo para responder cada quest\u00e3o. N\u00e3o vacila, como se conhecesse apenas de mem\u00f3ria as respostas. Transmite a serenidade que cont\u00e9m a experi\u00eancia e o vigor de quem se deve a uma causa, a Palestina, pela qual vem lutando por toda sua vida. O encontro ocorreu em um lugar na sede do Parlamento Europeu em Bruxelas, em meio \u00e0 agita\u00e7\u00e3o de um dia qualquer na Euroc\u00e2mara. Khaled, membro da Frente Popular pela Liberta\u00e7\u00e3o da Palestina, assiste a uma confer\u00eancia sobre o papel da mulher na luta pela liberta\u00e7\u00e3o da Palestina, organizada pela Izquierda Unida.<\/p>\n<p>Em agosto de 1969, Leila Khaled sequestrou um avi\u00e3o. A aeronave fazia a rota que une Roma com Tel Aviv e foi desviada para Damasco. O fez, junto com outro companheiro, em nome da Frente Popular pela Liberta\u00e7\u00e3o da Palestina (FPLP). Ningu\u00e9m ficou ferido, as ordens eram n\u00e3o machucar ningu\u00e9m, ainda que tenham explodido o nariz do avi\u00e3o ap\u00f3s sa\u00edrem. Khaled, que tinha ent\u00e3o 25 anos, dos quais passou 21 como refugiada no L\u00edbano, se converteu em um s\u00edmbolo da resist\u00eancia do povo palestino. Sua imagem, a beleza racial de seus tra\u00e7os, sorrindo enquanto segurava uma AK-47, a converteu em um \u00edcone pop da luta armada, para alguns, uma \u2018Che Guevara palestina\u2019.<\/p>\n<p>Ainda que reconhe\u00e7a que n\u00e3o o faria hoje porque n\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio, Khaled defende o sequestro daquele avi\u00e3o h\u00e1 quase 50 anos. \u201cVimo-nos obrigados a faz\u00ea-lo porque ent\u00e3o n\u00e3o t\u00ednhamos forma alguma de fazer soar o alarme\u201d, explica. \u201cQuer\u00edamos que o mundo entendesse que n\u00e3o \u00e9ramos s\u00f3 refugiados, mas que t\u00ednhamos uma causa pol\u00edtica pela qual lutar\u201d.<\/p>\n<p>Tanto os Estados Unidos como a Uni\u00e3o Europeia catalogam a Frente Popular pela Liberta\u00e7\u00e3o da Palestina como organiza\u00e7\u00e3o terrorista. Leila Khaled n\u00e3o se define como tal. \u201cO Ocidente considera nossa resist\u00eancia como um ato terrorista, quando o terrorismo \u00e9 a ocupa\u00e7\u00e3o\u201d, assevera Khaled. Insiste em que a luta armada ser\u00e1 necess\u00e1ria enquanto durar a ocupa\u00e7\u00e3o e defende tamb\u00e9m que, tal e como consta na Carta Fundacional das Na\u00e7\u00f5es Unidas, \u201cqualquer povo oprimido tem direito a rebelar-se, inclusive mediante a luta armada\u201d e, portanto, sua batalha \u00e9 leg\u00edtima.<\/p>\n<p>\u201cNossa gente vive assustada porque cada dia ocorrem tiroteios, cada dia existem casas que s\u00e3o derrubadas\u201d, explica Khaled, que denuncia a pol\u00edtica de \u201catirar para matar\u201d de Israel nos territ\u00f3rios palestinos. \u201cEnfrentamos atos de brutalidade e terrorismo\u201d, insiste e relata uma lista de massacres cometidos pelo ex\u00e9rcito de Israel e grupos sionistas no \u00faltimo s\u00e9culo. E ainda que critique a posi\u00e7\u00e3o do Ocidente em rela\u00e7\u00e3o ao conflito, assegura que come\u00e7a a ver uma mudan\u00e7a. Foi ap\u00f3s a primeira Intifada, explica Khaled, quando o mundo viu pela primeira vez a pior face de Israel. \u201cAgora existem for\u00e7as progressistas no Ocidente, na Europa, na Am\u00e9rica inclusive, que est\u00e3o apoiando a luta de nossa gente por seus direitos\u201d, celebra.<\/p>\n<p>No entanto, tamb\u00e9m o contexto pol\u00edtico da regi\u00e3o piorou nos \u00faltimos anos e isto \u201cnos afeta negativamente\u201d, lamenta Leila Khaled, que considera que a guerra n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 contra a S\u00edria, \u201ccom a inten\u00e7\u00e3o de destruir o pa\u00eds\u201d, da mesma maneira como ocorreu antes no Iraque. Khaled critica com dureza a interven\u00e7\u00e3o estrangeira em ambos pa\u00edses. Na S\u00edria, \u201cporque acreditam terem o direito de decidir pelo povo\u201d sobre quem deve governar. No Iraque, porque \u201cvieram instaurar a democracia\u201d, relata com um sorriso sarc\u00e1stico. E para a membro do FPLP, o objetivo \u00faltimo era realidade \u201cdestruir a regi\u00e3o\u201d para \u201cgarantir a seguran\u00e7a de Israel\u201d e fortalecer o pa\u00eds. Por\u00e9m, Khaled, como o resto do mundo, se preocupa a mudan\u00e7a na Casa Branca. \u201cTrump n\u00e3o \u00e9 apenas uma amea\u00e7a para os palestinos, mas para todo o mundo\u201d, assegura com contund\u00eancia.<\/p>\n<p>A representante da Frente Popular pela Liberta\u00e7\u00e3o da Palestina reclama \u00e0 comunidade internacional que se posicione ante o conflito. Acusa o Ocidente de ser c\u00famplice dos crimes de Israel por levar cem anos ignorando-os e s\u00f3 espera \u201cque os governos possam entender mais sobre a natureza deste conflito e os perigos dos movimentos sionistas\u201d. \u00c0 guerra, Khaled soma o Apartheid no qual considera viverem atualmente os palestinos. E recorda que os governos europeus tomaram medidas contra o regime sul-africano em seu dia. \u201c\u00c9 o momento dos europeus, especialmente na UE\u201d, reclama, \u201cdecidirem cortar la\u00e7os com este apartheid\u201d que Israel imp\u00f5e sobre a Palestina.<\/p>\n<p>Para Leila Khaled, existe um processo, sim, \u201cpor\u00e9m n\u00e3o \u00e9 um processo de paz\u201d. E a paz na Palestina passa pela \u201csoberania em nosso territ\u00f3rio e o retorno dos palestinos\u201d refugiados em dezenas de pa\u00edses em torno do mundo. \u201cQualquer acordo que n\u00e3o se ocupe destas quest\u00f5es do conflito, n\u00e3o durar\u00e1\u201d, adverte Khaled e pede um mecanismo que assegure a volta dos refugiados palestinos para a casa. \u201cTemos direito \u00e0 autodetermina\u00e7\u00e3o e n\u00e3o podemos fazer uso dela sem estar em nosso pa\u00eds\u201d, explica a membro do FPLP, que \u00e9 refugiada desde que tinha apenas quatro anos.<\/p>\n<p>A mulher na luta palestina<\/p>\n<p>A presen\u00e7a de Leila Khaled naquele 29 de agosto de 1969, no voo TWA 840 com destino a Tel Aviv, n\u00e3o foi coincid\u00eancia. \u201cHomens e mulheres est\u00e3o juntos na luta\u201d, explica. Por\u00e9m, foi Khaled que tomou os comandos da aeronave naquele dia, desviando-a de seu destino e fazendo-a sobrevoar a Palestina antes de aterrissar em Damasco. Leila Khaled se converteu, assim, na primeira mulher a sequestrar um avi\u00e3o e em um s\u00edmbolo da luta do povo palestino.<\/p>\n<p>At\u00e9 1948, relata Khaled, as mulheres tiveram como principal trabalho cuidar da fam\u00edlia, particularmente nos campos de refugiados, e mant\u00ea-la unida. Uma vez estivessem instaladas, as mulheres come\u00e7aram a desempenhar um papel importante na cria\u00e7\u00e3o de redes de apoio aos encarcerados e \u00e0s fam\u00edlias dos \u201cm\u00e1rtires\u201d. \u201cNas d\u00e9cadas de 50 e 60 existiam diferentes partidos \u00e1rabes e as mulheres come\u00e7aram a participar\u201d mais ativamente na vida pol\u00edtica, explica, \u201cainda que a imagem no ocidente seja de que as mulheres s\u00e3o apenas incubadoras\u201d.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m na luta armada o papel das mulheres \u00e9 importante. \u201cNa Intifada se viu que as mulheres estavam na linha de frente, defendendo seus filhos\u201d, assegura Leila Khaled. \u201cNos temem porque somos as m\u00e3es de nossos filhos\u201d, insiste e, por isso, \u201cnos enviam \u00e0 pris\u00e3o\u201d. Entre as ativistas palestinas detidas \u2013 Khaled denuncia serem v\u00e1rias centenas \u2013, est\u00e1 Khalida Jarrar. Jarrar, que foi detida em v\u00e1rias ocasi\u00f5es por Israel e est\u00e1 na pris\u00e3o desde julho deste ano, \u00e9 outra importante figura da luta palestina. Feminista e defensora dos direitos humanos, Jarrar tamb\u00e9m constitui a Frente Popular de Liberta\u00e7\u00e3o da Palestina e \u00e9 membro eleito do Conselho Legislativo Palestino.<\/p>\n<p>Leila Khaled toma a palavra na confer\u00eancia sobre o papel da mulher na luta do povo palestino na Euroc\u00e2mara. O sil\u00eancio inunda uma sala abarrotada de ativistas e simpatizantes, e alguns eurodeputados da esquerda europeia. Um sil\u00eancio que apenas se rompe com aplausos que exortam o discurso apaixonado de Khaled. Ao concluir sua interven\u00e7\u00e3o, o p\u00fablico se coloca de p\u00e9 para dedicar uma ova\u00e7\u00e3o cerrada que se alonga no tempo, \u00e0quela que foi e \u00e9 s\u00edmbolo do empoderamento da mulher e da luta do povo palestino.<\/p>\n<p>Ilustra\u00e7\u00e3o: \u201cQuer\u00edamos que o mundo entendesse que n\u00e3o \u00e9ramos s\u00f3 refugiados, mas que t\u00ednhamos uma causa pol\u00edtica pela qual lutar\u201d. Leila Khaled. P\u00daBLICO<\/p>\n<p>Fonte: http:\/\/www.resumenlatinoamericano.org\/2017\/10\/02\/palestina-leila-khaled-occidente-considera-nuestra-resistencia-como-un-acto-terrorista-cuando-el-terrorismo-es-la-ocupacion\/<\/p>\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o: Partido Comunista Brasileiro (PCB)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/16426\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[78],"tags":[222],"class_list":["post-16426","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c91-solidariedade-a-palestina","tag-2b"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-4gW","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16426","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=16426"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16426\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=16426"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=16426"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=16426"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}