{"id":16473,"date":"2017-10-07T09:04:36","date_gmt":"2017-10-07T12:04:36","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=16473"},"modified":"2017-10-09T06:09:44","modified_gmt":"2017-10-09T09:09:44","slug":"fraudes-nas-cotas-raciais-na-ufmg","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/16473","title":{"rendered":"Fraudes nas cotas raciais na UFMG"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/graph.facebook.com\/1405859429531238\/picture\" alt=\"imagem\" \/><!--more-->Nota da UJC-UFMG<\/p>\n<p>A desigualdade racial no Brasil tem servido historicamente ao modo de produ\u00e7\u00e3o capitalista, mantendo negras e negros da classe trabalhadora em p\u00e9ssimas condi\u00e7\u00f5es de vida, compondo uma grande massa de trabalhadores precarizados e desempregados. Os n\u00fameros demonstram isso: no fim de 2016, o desemprego no Brasil entre a popula\u00e7\u00e3o branca era de 9,5%, em contraste com os 14,4% referentes \u00e0 popula\u00e7\u00e3o negra; al\u00e9m dos \u00edndices de diferen\u00e7a salarial &#8211; o sal\u00e1rio de uma pessoa negra equivale a 59% do sal\u00e1rio de uma pessoa branca &#8211; e de popula\u00e7\u00e3o encarcerada: quase 70% s\u00e3o negros!<\/p>\n<p>O advento da Lei n\u00b0 12.711\/12 (Lei de Cotas) no ensino superior brasileiro, marcado pela sistem\u00e1tica exclus\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o negra e pobre, \u00e9 uma medida paliativa diante do racismo que, ainda hoje, compromete drasticamente a popula\u00e7\u00e3o negra na ordem socioecon\u00f4mica. As cotas t\u00eam proporcionado avan\u00e7os na inser\u00e7\u00e3o da juventude negra nas universidades, mas ainda se mostram insuficientes na supera\u00e7\u00e3o estrutural do problema.<\/p>\n<p>Na \u00faltima semana, os casos de fraudes nas cotas raciais da Faculdade de Medicina da UFMG foram amplamente divulgados nos grandes ve\u00edculos de comunica\u00e7\u00e3o. Tais fraudes j\u00e1 v\u00eam sendo denunciadas h\u00e1 algum tempo pelos estudantes da universidade, e colocam o problema da auto-declara\u00e7\u00e3o no centro do debate da pol\u00edtica de cotas, evidenciando o desafio de construir mecanismos que garantam o ingresso efetivamente ao p\u00fablico socialmente lesado e exclu\u00eddo do espa\u00e7o universit\u00e1rio. Diante disso, n\u00f3s da Uni\u00e3o da Juventude Comunista &#8211; UFMG compreendemos que uma sa\u00edda frente ao problema s\u00f3 ser\u00e1 poss\u00edvel a partir de um debate pelo conjunto dos estudantes, sem, contudo, individualizar um problema social, profundamente estrutural e que consequentemente, exige um debate profundo e cr\u00edtico em torno da insufici\u00eancia das cotas em garantir a perman\u00eancia desses estudantes na universidade.<\/p>\n<p>Nesse sentido, entendemos que esse debate caminha lado a lado com a proposi\u00e7\u00e3o de um novo modelo de universidade: uma Universidade Popular. Isso porque a universidade n\u00e3o \u00e9 uma ilha, sendo incapaz de se desvincular do car\u00e1ter desigual, elitista, dependente e racista da forma\u00e7\u00e3o social brasileira como um todo, o que se agrava na conjuntura de cortes e ataques \u00e0 Educa\u00e7\u00e3o como a que estamos vivendo. A solu\u00e7\u00e3o para os problemas passa, assim, necessariamente pela cria\u00e7\u00e3o de um novo projeto de educa\u00e7\u00e3o, que caminhe em sentido oposto aos interesses da classe dominante, por meio de uma universidade que entenda como priorit\u00e1rios o acesso livre e universal de estudantes, a garantia de uma assist\u00eancia estudantil que permita a perman\u00eancia dos estudantes e a produ\u00e7\u00e3o do conhecimento pela e para a classe trabalhadora, para al\u00e9m da depend\u00eancia econ\u00f4mica e as desigualdades sociais e raciais, postas como ordem no sistema capitalista.<\/p>\n<p>Por esse motivo a UJC constr\u00f3i o Movimento por uma Universidade Popular (MUP), defendendo a amplia\u00e7\u00e3o do sistema de cotas em espa\u00e7os como a p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o, apontando para o fim dos vestibulares enquanto horizonte. Nos interessa a proposi\u00e7\u00e3o de um projeto estrat\u00e9gico, o qual, al\u00e9m de defender o car\u00e1ter p\u00fablico, gratuito e de qualidade na educa\u00e7\u00e3o, paute tamb\u00e9m a produ\u00e7\u00e3o de ci\u00eancia e tecnologia de acordo com as demandas do povo brasileiro, um real di\u00e1logo com a comunidade e com os movimentos populares, o aprofundamento da democracia no interior das institui\u00e7\u00f5es, dentre outros. Assim, \u00e9 necess\u00e1rio que a luta em defesa das cotas se d\u00ea a partir de uma luta maior, antirracista e anticapitalista. S\u00f3 por meio da massifica\u00e7\u00e3o e organiza\u00e7\u00e3o dos processos de resist\u00eancia \u00e9 que fortaleceremos o projeto de Educa\u00e7\u00e3o Popular, de forma que este polarize com o atual modelo vigente, que n\u00e3o nos contempla enquanto mulheres, negros, quilombolas, ind\u00edgenas e LGBTs, filhas e filhos da classe trabalhadora.<\/p>\n<p>Fontes:<br \/>\nhttps:\/\/economia.uol.com.br\/empregos-e-carreiras\/noticias\/redacao\/2016\/01\/28\/diferenca-cai-em-2015-mas-negro-ganha-cerca-de-59-do-salario-do-branco.htm<br \/>\nhttp:\/\/epocanegocios.globo.com\/Economia\/noticia\/2017\/02\/epoca-negocios-ibge-desemprego-e-de-144-entre-negros-141-entre-pardos-95-entre-brancos.html<br \/>\nhttps:\/\/www.nexojornal.com.br\/grafico\/2017\/01\/18\/Qual-o-perfil-da-popula\u00e7\u00e3o-carcer\u00e1ria-brasileira<br \/>\nhttps:\/\/www.facebook.com\/pg\/ufmgbr<\/p>\n<p>https:\/\/www.facebook.com\/ujcbr\/<wbr \/>posts\/1405860119531169<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/16473\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[27],"tags":[223],"class_list":["post-16473","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c27-ujc","tag-3a"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-4hH","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16473","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=16473"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16473\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=16473"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=16473"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=16473"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}