{"id":16479,"date":"2017-10-07T09:16:54","date_gmt":"2017-10-07T12:16:54","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=16479"},"modified":"2017-10-07T01:20:20","modified_gmt":"2017-10-07T04:20:20","slug":"reorganizar-a-classe-para-defender-direitos-e-construir-o-novo-ciclo-de-lutas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/16479","title":{"rendered":"Reorganizar a classe para defender direitos e construir o novo ciclo de lutas"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/unidadeclassista.org.br\/uc1\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/cropped-unidade-classista.jpg\" alt=\"imagem\" \/><!--more--><strong>Resolu\u00e7\u00e3o Pol\u00edtica da I Plen\u00e1ria Nacional da Unidade Classista<\/strong><\/p>\n<p>Rio de Janeiro, 10 de setembro de 2017<\/p>\n<p>1) A Plen\u00e1ria Nacional da Unidade Classista se realiza em um momento em que est\u00e1 em curso mais uma crise sist\u00eamica mundial do capitalismo, uma das mais graves crises de sua hist\u00f3ria, que vem provocando a retra\u00e7\u00e3o da economia em v\u00e1rios pa\u00edses. Para preservar suas taxas de lucro, a classe burguesa em diversos pa\u00edses tem implementado as chamadas medidas de austeridade. Ou seja, de um lado, retirada de direitos dos trabalhadores, intensifica\u00e7\u00e3o da explora\u00e7\u00e3o e sucateamento das pol\u00edticas p\u00fablicas e servi\u00e7os sociais. Do outro, garantia de verbas p\u00fablicas para alimentar o rentismo, privil\u00e9gios fiscais a grande empresas e transfer\u00eancias do patrim\u00f4nio p\u00fablico (empresas estatais, jazidas, reservas de biodiversidade etc.) ao capital privado.<\/p>\n<p>2) Nesse sentido, observa-se tamb\u00e9m o recrudescimento da agressividade imperialista. A gravidade da crise econ\u00f4mica, as redefini\u00e7\u00f5es do equil\u00edbrio geopol\u00edtico e a correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as internacional desfavor\u00e1vel ao proletariado contribuem para a radicaliza\u00e7\u00e3o de determinadas fra\u00e7\u00f5es da burguesia. Quaisquer experi\u00eancias contra hegem\u00f4nicas que, de formas mais ou menos radicais, ousam resistir \u00e0 l\u00f3gica dominante vem sendo alvos de amea\u00e7as, como expressam as a\u00e7\u00f5es de Donald Trump contra a Venezuela e a Coreia do Norte, por exemplo.<\/p>\n<p>3) Contudo, as movimenta\u00e7\u00f5es imperialistas n\u00e3o se restringem aos conflitos p\u00fablicos. A atua\u00e7\u00e3o das grandes corpora\u00e7\u00f5es nos bastidores do poder vem contribuindo sistematicamente para o controle cada vez mais direto da pol\u00edtica econ\u00f4mica em in\u00fameros pa\u00edses \u2013 em vista dos famigerados ajustes fiscais \u2013 e para a desestabiliza\u00e7\u00e3o de governos que contrariam ou simplesmente n\u00e3o servem mais aos seus interesses.<\/p>\n<p>4) No Brasil, sofremos com a intensifica\u00e7\u00e3o dos ataques da burguesia aos direitos sociais e trabalhistas atrav\u00e9s do nefasto papel dos tr\u00eas poderes e da m\u00eddia. Desde o \u00faltimo per\u00edodo ditatorial n\u00e3o nos depar\u00e1vamos com medidas t\u00e3o reacion\u00e1rias e, como se isso n\u00e3o bastasse, vivemos um momento de imensa desorganiza\u00e7\u00e3o da classe trabalhadora.<\/p>\n<p>5) Ao contar com uma correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as t\u00e3o favor\u00e1vel, a burguesia busca implementar, e vem conseguindo, uma profunda contrarreforma do Estado brasileiro, visando a intensifica\u00e7\u00e3o da explora\u00e7\u00e3o e da opress\u00e3o aos trabalhadores. S\u00e3o exemplos destes ataques: o assalto ao fundo p\u00fablico para a garantia de recupera\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica e lucratividade do empresariado, que se deu com a aprova\u00e7\u00e3o da chamada PEC DA MORTE (atual PEC 95), reduzindo drasticamente os investimentos em sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o, previd\u00eancia social, mobilidade urbana e demais servi\u00e7os p\u00fablicos pelos pr\u00f3ximos 20 anos; a regulamenta\u00e7\u00e3o da terceiriza\u00e7\u00e3o irrestrita, que proporcionar\u00e1 a demiss\u00e3o e a redu\u00e7\u00e3o salarial de milh\u00f5es de trabalhadores, al\u00e9m da deteriora\u00e7\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es de trabalho e das rela\u00e7\u00f5es trabalhistas; com a aprova\u00e7\u00e3o da contrarreforma trabalhista, direitos conquistados atrav\u00e9s de muita luta foram retirados, precarizando as rela\u00e7\u00f5es de trabalho e dificultando a organiza\u00e7\u00e3o sindical; e, para complementar o rol, temos a grande possibilidade de sofrermos ainda mais com a aprova\u00e7\u00e3o da contrarreforma da previd\u00eancia (PEC 287\/16), que desmontar\u00e1 o sistema de seguridade social vigente e inviabilizar\u00e1 o direito \u00e0 aposentadoria e a benef\u00edcios sociais para a maioria dos trabalhadores. Tal contrarreforma se baseia no discurso falacioso de que existe um rombo na previd\u00eancia<\/p>\n<p>6) Por outro lado, as lutas de resist\u00eancia para enfrentar tais ataques t\u00eam sido constru\u00eddas, no campo e na cidade, com enorme dificuldade de mobiliza\u00e7\u00e3o. A classe trabalhadora n\u00e3o tem conseguido realizar a\u00e7\u00f5es de enfrentamento nos patamares necess\u00e1rios para barrar as contrarreformas.<\/p>\n<p>7) Em 2016, a partir da press\u00e3o das bases de algumas categorias sobre as burocracias sindicais, foi constitu\u00eddo o F\u00d3RUM DAS CENTRAIS, que reuniu as dire\u00e7\u00f5es de todas as centrais sindicais brasileiras, em tese, com o intuito de planejar e organizar as lutas de resist\u00eancia. Mesmo com muitas diverg\u00eancias, foram convocadas a partir deste F\u00f3rum as mobiliza\u00e7\u00f5es do 8 de mar\u00e7o, a paraliza\u00e7\u00e3o de 15\/03, o Ocupa Bras\u00edlia, duas greves gerais em 2017, al\u00e9m de um conjunto de manifesta\u00e7\u00f5es que, apesar de significativas, estiveram aqu\u00e9m da longa e radical jornada de lutas necess\u00e1ria.<\/p>\n<p>8) A primeira convoca\u00e7\u00e3o para greve geral foi realizada com relativo sucesso em 28 de abril. Naquela oportunidade, conseguimos paralisar boa parte do setor produtivo, do com\u00e9rcio e dos servi\u00e7os p\u00fablicos em todo o pa\u00eds, impulsionados principalmente pela paralisa\u00e7\u00e3o dos transportes e por bloqueios de rodovias.<\/p>\n<p>9) A segunda convoca\u00e7\u00e3o, para 30 de junho, enfrentou muitas dificuldades de constru\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. As dire\u00e7\u00f5es pelegas da maioria das centrais n\u00e3o apenas desmobilizaram como promoveram confus\u00f5es no processo de divulga\u00e7\u00e3o, criando um clima de incerteza quanto \u00e0 greve duas semanas antes da mesma. A data tornou-se uma derrota pol\u00edtica, na medida em que n\u00e3o conseguiu mobilizar os trabalhadores para efetivamente atingir a produ\u00e7\u00e3o e a circula\u00e7\u00e3o de mercadorias e evidenciou para a burguesia que o movimento da classe n\u00e3o teria f\u00f4lego para barrar a contrarreforma trabalhista. Simultaneamente, a crise do capital assola os trabalhadores criando mais de 14 milh\u00f5es de desempregados (oficialmente) e quase 32 milh\u00f5es de subempregados e de trabalhadores informais, novamente sem a organiza\u00e7\u00e3o defensiva necess\u00e1ria.<\/p>\n<p>10) A fragmenta\u00e7\u00e3o dos setores classistas desde o rompimento com a CUT, a coopta\u00e7\u00e3o, seja direta ou derivada da estrutura sindical brasileira, o processo de degenera\u00e7\u00e3o da CUT antes mesmo dos governos petistas e o apassivamento proporcionado por anos de concilia\u00e7\u00e3o de classe impulsionados pela dire\u00e7\u00e3o pol\u00edtica petista\/cutista s\u00e3o elementos centrais para compreendermos a atual desorganiza\u00e7\u00e3o da classe e as recentes derrotas. Tamb\u00e9m colaboraram para a fragmenta\u00e7\u00e3o dos setores classistas as mudan\u00e7as objetivas no campo da produ\u00e7\u00e3o. A pulveriza\u00e7\u00e3o das unidades produtivas e a migra\u00e7\u00e3o das ind\u00fastrias para outras \u00e1reas geogr\u00e1ficas tamb\u00e9m influenciaram de maneira relevante n\u00e3o apenas a organiza\u00e7\u00e3o da classe como sua subjetividade.<\/p>\n<p>11) Dentro deste contexto e mesmo com toda a dificuldade, \u00e9 fundamental que intensifiquemos o trabalho de mobiliza\u00e7\u00e3o para as lutas de resist\u00eancia, para barrar a contrarreforma da previd\u00eancia, de modo que a classe n\u00e3o seja v\u00edtima de um novo rev\u00e9s. Com a crise do ciclo Petista\/Cutista abre-se a possibilidade para a constru\u00e7\u00e3o de um novo ciclo de lutas que dever\u00e1 apontar para o movimento sindical a necessidade de ruptura com o capitalismo, potencializando o trabalho de base e radicalizando as lutas sociais. Para isso devemos utilizar como elemento de media\u00e7\u00e3o na aproxima\u00e7\u00e3o com a classe trabalhadora a manifesta\u00e7\u00e3o das contradi\u00e7\u00f5es de classes no seu cotidiano, conectando suas lutas di\u00e1rias \u00e0 luta de classes.<\/p>\n<p>12) Nesse sentido, nossa inser\u00e7\u00e3o em categorias estrat\u00e9gicas e as disputas de elei\u00e7\u00f5es sindicais devem estar adequadas \u00e0 nossa pol\u00edtica geral, mas n\u00e3o podem ser um momento alheio \u00e0 constru\u00e7\u00e3o da luta cotidiana. Nossos aliados principais s\u00e3o as organiza\u00e7\u00f5es com as quais compartilhamos o dia a dia das lutas. Nossas alian\u00e7as priorit\u00e1rias devem realizar-se com o campo classista, composto pelas duas Intersindicais, pela CSP-Conlutas e correntes sindicais combativas. Alem disso, \u00e9 tarefa urgente realizarmos um esfor\u00e7o nacional no sentido de construir pol\u00edticas para trabalhadores desempregados e sub-empregados.<\/p>\n<p>13) Apesar das sistem\u00e1ticas derrotas do ponto de vista econ\u00f4mico, a classe trabalhadora tem tido saldos pol\u00edticos significativos. Em especial nas bases de trabalhadores que se insurgem contra as dire\u00e7\u00f5es sindicais recuadas e burocratizadas para levar a cabo a democracia dos trabalhadores e organizar lutas mais radicalizadas. Assim, cabe \u00e0 Unidade Classista fortalecer os movimentos de base, organizando e participando de oposi\u00e7\u00f5es sindicais. Precisamos recuperar as estruturas sindicais para a luta.<\/p>\n<p>14) Contudo, nessa conjuntura de ataques e retiradas de direitos, n\u00e3o podemos desassociar as lutas pela recupera\u00e7\u00e3o dos sindicatos para o caminho do enfrentamento da necessidade de tamb\u00e9m construirmos frentes amplas para resistir \u00e0s reformas vindas do governo e aos ataques do grande capital. Essa unidade de a\u00e7\u00e3o na defesa dos interesses dos trabalhadores tende a se fortalecer no mesmo passo do fortalecimento de um campo classista, nos sindicatos e nas oposi\u00e7\u00f5es sindicais, fortalecendo um polo combativo que pressionar\u00e1 esta frente ampla a uma postura mais firme em defesa dos direitos da classe trabalhadora.<\/p>\n<p>15) O ENCLAT \u2013 Encontro Nacional da Classe Trabalhadora, proposto pela Unidade Classista desde o seu I Encontro Nacional, permanece na ordem do dia como instrumento importante para a reorganiza\u00e7\u00e3o da classe. Por\u00e9m, sua constru\u00e7\u00e3o somente ser\u00e1 poss\u00edvel ap\u00f3s intenso trabalho de base e a partir de f\u00f3runs, frentes e blocos regionais de luta sindical e popular, que visem \u00e0 unifica\u00e7\u00e3o das centrais e demais agrupamentos sindicais do campo da independ\u00eancia de classe e da luta anticapitalista em um bloco comum de lutas. Para a constru\u00e7\u00e3o do ENCLAT devemos aproveitar espa\u00e7os formados no processo concreto de lutas, tais como comando de greve, frentes de mobiliza\u00e7\u00f5es e f\u00f3runs.<\/p>\n<p>16) No sentido de fortalecer essa possibilidade, devemos ampliar nossa organiza\u00e7\u00e3o e inser\u00e7\u00e3o em categorias estrat\u00e9gicas e estreitar rela\u00e7\u00f5es com sindicatos independentes do campo classista, combatendo o peleguismo e construindo, onde for poss\u00edvel, a unidade nas lutas!<\/p>\n<p><strong>Viva a luta dos trabalhadores!<\/strong><\/p>\n<p><strong>Unidade Classista, futuro socialista!<\/strong><\/p>\n<blockquote class=\"wp-embedded-content\" data-secret=\"QvtXA3zU3p\"><p><a href=\"http:\/\/unidadeclassista.org.br\/uc1\/3067\">Unidade Classista realiza Plen\u00e1ria Nacional no Rio de Janeiro<\/a><\/p><\/blockquote>\n<p><iframe loading=\"lazy\" class=\"wp-embedded-content\" sandbox=\"allow-scripts\" security=\"restricted\" style=\"position: absolute; clip: rect(1px, 1px, 1px, 1px);\" src=\"http:\/\/unidadeclassista.org.br\/uc1\/3067\/embed#?secret=QvtXA3zU3p\" data-secret=\"QvtXA3zU3p\" width=\"600\" height=\"338\" title=\"&#8220;Unidade Classista realiza Plen\u00e1ria Nacional no Rio de Janeiro&#8221; &#8212; Unidade Classista\" frameborder=\"0\" marginwidth=\"0\" marginheight=\"0\" scrolling=\"no\"><\/iframe><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/16479\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[31],"tags":[219],"class_list":["post-16479","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c31-unidade-classista","tag-manchete"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-4hN","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16479","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=16479"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16479\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=16479"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=16479"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=16479"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}