{"id":16581,"date":"2017-10-13T12:18:04","date_gmt":"2017-10-13T15:18:04","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=16581"},"modified":"2017-10-13T12:19:48","modified_gmt":"2017-10-13T15:19:48","slug":"por-uma-grande-rede-comunicacional-anti-imperialista","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/16581","title":{"rendered":"Por uma grande rede comunicacional anti-imperialista"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.resumenlatinoamericano.org\/wp-content\/uploads\/2017\/10\/16-3-620x400.jpg\" alt=\"Por uma grande rede comunicacional anti-imperialista\" \/><!--more-->por Carlos Azn\u00e1rez*<\/p>\n<p>Num marco t\u00e3o especial como foi o de recordar os 50 anos do assassinato de Ernesto \u201cChe\u201d Guevara, os participantes do II Encontro Latino-americano de Comunicadores e Comunicadoras Anti-imperialistas, reunidos em Vallegrande, Bol\u00edvia, n\u00e3o pudemos nos abster de estar imbu\u00eddos pelo pensamento e pela pr\u00e1tica que o Guevara comunicador e jornalista impregnou ao mesmo. N\u00e3o foram poucos os que recordaram esse guerrilheiro heroico que, al\u00e9m de preocupar-se com a log\u00edstica de seus sucessivos acampamentos, tanto em Sierra Maestra como na Bol\u00edvia, sempre procurou que nunca faltasse um mime\u00f3grafo e papel para escrever informes dirigidos \u00e0 popula\u00e7\u00e3o, onde se desencadeavam os porqu\u00eas da luta empreendida. Sobre o particular, falou no II Encontro, a antiga vice-ministra boliviana de Comunica\u00e7\u00e3o, Amanda D\u00e1vila, que depois de assinalar que n\u00e3o foram v\u00e3os (como sugerem porta-vozes da direita) os esfor\u00e7os libertadores de Che, passou a elogia-lo como um grande comunicador popular, desses que s\u00e3o imprescind\u00edveis para entender as lutas passadas e futuras.<\/p>\n<p>Outro integrante do painel, destacou a clareza do Che na hora de apresentar a Jorge Ricardo Masetti a necessidade de formar uma ag\u00eancia de not\u00edcias para enfrentar os ataques que resultariam do triunfo da Revolu\u00e7\u00e3o Cubana. E, assim, de sua m\u00e3o e da de Fidel, o autor de \u201cLos que luchan y los que lloran\u201d [Os que lutam e os que choram], colocou em marcha essa gigantesca fonte informativa que foi, \u00e9 e ser\u00e1 a Prensa Latina.<\/p>\n<p>Com estes incentivos e rodeados de um \u00e2mbito geogr\u00e1fico t\u00e3o particular como o de Vallegrande, Valle del Yuro e La Higuera, deliberamos durante tr\u00eas dias em torno de 200 comunicadores e comunicadoras chegados de in\u00fameros pa\u00edses do continente, da Europa e dos Estados Unidos. A caracteriza\u00e7\u00e3o de \u201canti-imperialista\u201d \u00e0 reuni\u00e3o que nos convocava servia para reafirmar um caminho iniciado um ano antes em La Paz, e levantar a aposta para que a partir dos debates, trocas e contribui\u00e7\u00f5es testemunhais de experi\u00eancias concretas possamos colocar em marcha projetos mais ambiciosos vinculados a nossa pr\u00e1tica jornal\u00edstica contra-informativa.<\/p>\n<p>Assim, pudemos escutar vozes urgentes e libert\u00e1rias como as da lutadora Mapuche, Mewlen Huancho, marcando a fogo as t\u00e1ticas repressivas da presidenta Bachelet e afirmando que em seu territ\u00f3rio existem presos pol\u00edticos mapuche se expondo para conseguir que sejam escutadas suas demandas de terra e rep\u00fadio \u00e0s transnacionais. Sua voz se converteu em ato de solidariedade internacionalista quando de sua boca e de todas as dos presentes saiu o nome de Santiago Maldonado, cuja imagem presidiu o Encontro, junto com bandeiras da Bol\u00edvia, da Wilphala de Abya Yala, Peru, Argentina, do Pa\u00eds Basco, Catalunha, M\u00e9xico, da Na\u00e7\u00e3o Mapuche e tantas outras, que abra\u00e7avam o Che e seu combate pela humanidade.<\/p>\n<p>Por sua vez, os jornalistas peruanos relataram as batalhas que vem travado para defender seus meios comunit\u00e1rios da voracidade de um governo pr\u00f3-estadunidense de A a Z, e advertiram que apesar do neoliberalismo imperante, o povo luta intensamente. Um delegado mexicano insistiu na necess\u00e1ria condena\u00e7\u00e3o do narco governo de Pe\u00f1a Nieto, n\u00e3o s\u00f3 pela impunidade pelo caso dos 43 de Atyozinapa e das in\u00fameras fossas comuns descobertas, mas porque esse pa\u00eds se converteu em um cemit\u00e9rio de jornalistas populares e corajosos. \u201cO mesmo ocorre em Honduras\u201d, apontou outro expositor. E n\u00e3o faltaram den\u00fancias sobre a situa\u00e7\u00e3o dos e das presas pol\u00edticas do Paraguai, ou a reitera\u00e7\u00e3o do que ocorre na Argentina sob o governo repressivo de Mauricio Macri, sendo os nomes de Maldonado, Milagro Sala, Agust\u00edn Santill\u00e1n e Facundo Jones Huala, os exponentes mais claros de uma pol\u00edtica que visa aniquilar os protestos.<\/p>\n<p>Foi important\u00edssimo escutar os colegas da RPO boliviana (R\u00e1dios dos Povos Origin\u00e1rios), que ap\u00f3s a refer\u00eancia de Eduardo Loayza, re\u00fanem mais de 100 emissoras comunit\u00e1rias ind\u00edgenas que est\u00e3o distribu\u00eddas ao longo do territ\u00f3rio, \u201ccontando nossos problemas com nossa pr\u00f3pria voz, sem intermedi\u00e1rios nem paternalismos\u201d.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m se destacou a companheira venezuelana Carla Camacho, Secret\u00e1ria da Vice-presid\u00eancia de Comunica\u00e7\u00e3o, Agita\u00e7\u00e3o e Propaganda do PSUV, que denunciou os cont\u00ednuos ataques do terrorismo midi\u00e1tico que sofre a Revolu\u00e7\u00e3o Bolivariana, e convocou a formar Brigadas Informativas em escala continental para fornecer \u201ca verdade sobre a Venezuela\u201d.<\/p>\n<p>Da Europa, chegou at\u00e9 o f\u00f3rum, o ex-deputado independentista basco e colunista do di\u00e1rio Gara, Floren Aoiz, que se referiu a tudo o que significou a luta e as ideias de Guevara para os jovens insurgentes de Euskal Herria dos anos 60-70, al\u00e9m de oferecer um panorama informativo sobre a situa\u00e7\u00e3o atual da Catalunha e suas consequ\u00eancias em outras na\u00e7\u00f5es europeias sem Estado, como a pr\u00f3pria Euskal Herria.<\/p>\n<p>Foi estimulante escutar o exemplo de jovens comunicadores colombianos do Coletivo Frente Patri\u00f3tica, que impulsionam entre outras atividades, a equipe de futebol \u201cEuskadi, los hijos de Bol\u00edvar\u201d [Euskadi, os filhos de Bol\u00edvar], em um bairro humilde de Bogot\u00e1, ou a informa\u00e7\u00e3o sobre o imp\u00e9rio e suas redes midi\u00e1ticas, contada por Andr\u00e9s Conteris, do Democracy Now, ou nos inteirarmos de experi\u00eancias comunicacionais como as dos e das integrantes da Cooperativa Argentina La Colmena, de Rosario e Entre R\u00edos. Ou o trabalho da web \u201cPulso de los Pueblos\u201d [Pulso dos Povos], tamb\u00e9m da Argentina.<\/p>\n<p>Nesse esp\u00edrito de aproxima\u00e7\u00e3o e colabora\u00e7\u00e3o entre iguais, que varios dos que incentivaram este II Encontro (entre outros, a Comunidade Comunicacional do Sul, o di\u00e1rio Prensa Rural, a Associa\u00e7\u00e3o de Rede de R\u00e1dios Comunit\u00e1rias (RRCB) e as POR, da Bol\u00edvia, Resumen Latinoamericano (imprensa gr\u00e1fica, radialista e televisiva) da Argentina, R\u00e1dio Estaci\u00f3n Chaska e o Sindicato Unit\u00e1rio de Trabalhadores do Jornalismo e da Comunica\u00e7\u00e3o Social (SUPTECOS), do Peru, a Vice-presid\u00eancia de Comunica\u00e7\u00f5es da Venezuela, junto a comunicadores e comunicadoras de 12 pa\u00edses, conseguimos sentar as bases para formar uma ampla Rede de Comunicadores e Comunicadoras Anti-imperialistas da Am\u00e9rica Latina e do Caribe (Rede CAL). Dali, inclusive sem renunciar em nenhum momento \u00e0s pr\u00f3prias identidades, se ir\u00e3o gestando campanhas comuns de contra-informa\u00e7\u00e3o que possam enfrentar as permanentes mentiras dos meios hegem\u00f4nicos.<\/p>\n<p>Outras duas iniciativas a serem colocadas em pr\u00e1tica s\u00e3o a cria\u00e7\u00e3o da Escola \u201cErnesto Che Guevara\u201d de forma\u00e7\u00e3o e comunica\u00e7\u00e3o anti-imperialista da Am\u00e9rica Latina e do Caribe, e a coloca\u00e7\u00e3o em marcha das Brigadas de Agita\u00e7\u00e3o, Propaganda e Comunica\u00e7\u00e3o (APC Internacional) para oferecer informa\u00e7\u00e3o veraz e oportuna em tempo real, sobre a Venezuela e os povos do mundo, frente \u00e0 censura imposta \u00e0 Venezuela e a outras na\u00e7\u00f5es atrav\u00e9s de uma descarada propaganda de guerra.<\/p>\n<p>Como conclus\u00e3o pr\u00e1tica de todo o discutido neste II Encontro, ou como parte de uma grande oficina de comunica\u00e7\u00e3o solid\u00e1ria, todos e todas as participantes geraram uma cobertura conjunta dos dois atos centrais das jornadas pelo Che, tanto o levado a cabo em La Higuera como o de Vallegrande, onde o presidente Evo Morales pronunciou um impactante e combativo discurso.<\/p>\n<p>Sem d\u00favida, o desafio de unir n\u00e3o \u00e9 simples, e de fato continua sendo um dos maiores d\u00e9ficits da esquerda latino-americana. Por\u00e9m, no que se refere ao comunicacional, trata-se de uma imposterg\u00e1vel estrat\u00e9gia para enfrentar o complexo momento que vive o continente. Informar para formar a fim de que os povos contem com elementos ideol\u00f3gicos que lhes permita exercer em boas condi\u00e7\u00f5es sua autodefesa do ponto de vista anti-imperialista, anticapitalista, antipatriarcal e pelo socialismo.<\/p>\n<p>*Resumen Latinoamericano.<\/p>\n<p>Fonte: http:\/\/www.<wbr \/>resumenlatinoamericano.org\/<wbr \/>2017\/10\/11\/hacia-una-gran-red-<wbr \/>comunicacional-<wbr \/>antiimperialista-por-carlos-<wbr \/>aznarez\/<\/p>\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o: Partido Comunista Brasileiro (PCB)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/16581\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[73],"tags":[219],"class_list":["post-16581","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c86-anti-imperialismo","tag-manchete"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-4jr","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16581","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=16581"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16581\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=16581"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=16581"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=16581"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}