{"id":1668,"date":"2011-07-15T17:14:40","date_gmt":"2011-07-15T20:14:40","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=1668"},"modified":"2017-08-25T01:06:54","modified_gmt":"2017-08-25T04:06:54","slug":"a-pressao-do-capital-sobre-os-trabalhadores-avulsos-portuarios","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/1668","title":{"rendered":"A press\u00e3o do Capital sobre os trabalhadores avulsos portu\u00e1rios"},"content":{"rendered":"<p>As categorias avulsas do porto de Santos mostram para a classe trabalhadora que o trabalhador n\u00e3o precisa de patr\u00e3o. As formas organizativas da categoria da estiva de Santos s\u00e3o um exemplo de que os trabalhadores podem se organizar de uma forma em que a escala de trabalho seja mais justa poss\u00edvel para todos da categoria. Com o sistema de rod\u00edzio de mando de mestria e rod\u00edzio no mando de fiscal, est\u00e3o mostrando \u00e0s outras classes que os trabalhadores podem se organizar e dividir o poder de barganha com todos da classe.<\/p>\n<p>O sistema econ\u00f4mico capitalista, que n\u00e3o prioriza os interesses da classe trabalhadora, mas dos patr\u00f5es, acaba gerando uma press\u00e3o violenta em cima dos trabalhadores e os trabalhadores avulsos da estiva do porto de Santos t\u00eam sentido na pele os ataques. As Autoridades Portu\u00e1rias (CAP) vem impondo aos estivadores uma s\u00e9rie de medidas que colocam em risco a manuten\u00e7\u00e3o da sobreviv\u00eancia, como a redu\u00e7\u00e3o das fainas de a\u00e7\u00facar.<\/p>\n<p>O Porto de Santos \u00e9 o maior da Am\u00e9rica Latina, onde transita grande parte produ\u00e7\u00e3o do Brasil, das exporta\u00e7\u00f5es e importa\u00e7\u00f5es, e o estado de S\u00e3o Paulo \u00e9 um dos maiores produtores de a\u00e7\u00facar do pa\u00eds. No ano de 2010, a safra de a\u00e7\u00facar foi umas das maiores dos \u00faltimos anos, aumentando muito a demanda de trabalho e, sendo assim, no porto de Santos a movimenta\u00e7\u00e3o foi grande. Os trabalhadores n\u00e3o preenchiam os ternos de trabalho nas fainas de a\u00e7\u00facar, muitas vezes por incompet\u00eancia do OGMO (\u00d3rg\u00e3o Gestor da M\u00e3o-de-Obra) que, sabendo que em alguns pontos de trabalho muitas vezes ficavam trabalhadores sem se empregar e, em outros, faltavam homens para preencher os ternos de trabalho, o que demonstra falta de organiza\u00e7\u00e3o e de administra\u00e7\u00e3o da empresa. Os mais prejudicados como sempre, foram os trabalhadores, que pagaram pela incompet\u00eancia da empresa gestora.<\/p>\n<p>Por conta da falta de m\u00e3o de obra, o OGMO do porto de Santos abriu um processo seletivo com 250 vagas de cadastro da estiva, para que no ano de 2011 n\u00e3o houvesse o mesmo problema do ano anterior. Contudo, chegada a \u00e9poca da safra de a\u00e7\u00facar, as autoridades portu\u00e1rias, de uma forma estranha, comunicaram que s\u00f3 v\u00e3o abrir um ber\u00e7o de atraca\u00e7\u00e3o de navio de fainas de a\u00e7\u00facar por motivo de n\u00e3o ter m\u00e3o de obra para completar os turnos de trabalho. Isso significa que houve uma redu\u00e7\u00e3o nos ber\u00e7os de atraca\u00e7\u00e3o, sendo que no ano passado eram de seis a oito navios para se trabalhar, neste ano ser\u00e1 apenas um navio.<\/p>\n<p>Esta situa\u00e7\u00e3o fez com que os outros navios fossem desviados para outros portos do Brasil, o que diminuiu as oportunidades de trabalho para Santos e regi\u00e3o. As fainas de a\u00e7\u00facar significam muito para os trabalhadores portu\u00e1rios, principalmente para os cadastros da estiva, os &#8220;Bagrinhos&#8221;, que tem sua fonte de renda aumentada, mantendo assim o seu sustento e fazendo reserva financeira at\u00e9 a safra do ano seguinte. A redu\u00e7\u00e3o dos navios de embarque de a\u00e7\u00facar significa praticamente o fim do trabalho no cais santista, e atinge o or\u00e7amento de muitos pais de fam\u00edlia, obrigando-os a pensar em procurar emprego em outra \u00e1rea ou o v\u00ednculo empregat\u00edcio com as ag\u00eancias portu\u00e1rias.<\/p>\n<p>Essa imposi\u00e7\u00e3o das autoridades portu\u00e1rias j\u00e1 est\u00e1 tendo um reflexo muito grande para a categoria, principalmente entre os cadastros (bagrinhos). A remunera\u00e7\u00e3o caiu, chegando a cerca de um quinto, se comparado ao ano passado. Por este motivo, os bagres realizaram uma manifesta\u00e7\u00e3o e conseguiram uma audi\u00eancia junto \u00e0s autoridades portu\u00e1rias. Nesta reuni\u00e3o, eles nos informaram que a medida por eles tomada foi a mais correta poss\u00edvel, diante da realidade da falta de m\u00e3o de obra para a demanda de trabalho. N\u00f3s questionamos o processo seletivo, que introduziu mais 250 trabalhadores no porto, pois as embarca\u00e7\u00f5es de a\u00e7\u00facar foram transferidas.<\/p>\n<p>Essa atitude da autoridade portu\u00e1ria est\u00e1 colocando os trabalhadores avulsos em uma situa\u00e7\u00e3o financeira muito complicada. O v\u00ednculo com o porto de Santos para muitos \u00e9 a \u00fanica fonte de renda, e nessa altura, \u00e9 a \u00fanica salva\u00e7\u00e3o para os cadastros terem condi\u00e7\u00f5es para sustentar suas fam\u00edlias. Essa atitude, que para eles foi a mais correta, deve ter sido muito bem analisada, pois significou a precariza\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es trabalhistas, o que nos leva a crer que foi uma decis\u00e3o tomada de caso pensado, para beneficiar as empresas e ag\u00eancias. Para desestabilizar e humilhar os trabalhadores, obrigando os avulsos do porto de Santos a optar pelo v\u00ednculo empregat\u00edcio.<\/p>\n<p>A \u00fanica sa\u00edda para esta situa\u00e7\u00e3o calamitosa \u00e9 a uni\u00e3o, pois historicamente, a classe trabalhadora provou que unida, \u00e9 capaz de alcan\u00e7ar seus objetivos.<\/p>\n<p>Sauda\u00e7\u00f5es Comunistas,<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n\n\nCr\u00e9dito: agenciat1\n\n\n\n\n\n\n\n\nL\u00eanin Braga\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/1668\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2},"jetpack_post_was_ever_published":false},"categories":[106],"tags":[],"class_list":["post-1668","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c119-olhovivo"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-qU","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1668","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1668"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1668\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1668"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1668"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1668"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}