{"id":16806,"date":"2017-10-29T17:10:37","date_gmt":"2017-10-29T20:10:37","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=16806"},"modified":"2017-10-30T11:56:42","modified_gmt":"2017-10-30T14:56:42","slug":"breve-historia-da-otan-de-1991-aos-dias-de-hoje","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/16806","title":{"rendered":"Breve hist\u00f3ria da OTAN de 1991 aos dias de hoje"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/lh3.googleusercontent.com\/q-JvB-gbciuW0KIBjwfT-wDV5u4F3QqBaq9AVAYGAd8V0TBttpAcgKhV2OLhl_C8P5TtqHgxe6UrHtraHosv2i0YQS-SBSvHe9lplDXbSZI49EhG2p6sXw0dSRhrhNEq80Jb0lC3dP7-adcWWrr-3ltFo__QEOfa1Nuo-fgZRNjrvDj5-RT0CKY6Z64CDhaFR9bYlby5CHf5QSBl5Q8gMj1XJB9_UECsSMTxDI-xdT9TDgCdDj9Y6hdRnmkRyhn-0O6tu3spl_ti69Nyq8hCY1heKTji73aWiIUsgvO2YBvDyZxSQ3JAFgfk9KOaueLAdZmrTIJxOMleZv_gaGCb5hq7arOIVeL4VpPVJ1sNi51sKC9EhsdsGG3uuiauTK5q6UuPDV8hWb0b9AYnJoR3mt5mdcC8nHD6Ct-ltqFr4WvGbd-dc45Uh892mUnGduVWpr4lCTm8XwNjDe7vmj8TkZ6WV4BJ--1qn7DiMWoYsOjLuQbq96gxBtP5xdBSqAlJDrMb42heyK1GENvfWkd4JWd3uVjLA8nIXkvBE4GfLG5arIDFRHrgFjuLtVEMhg6nmTm1PsSRz35cIG7DEvAABfd0xJGzX681_PP0Dn7UJZbiaHoZBTWeIBWiNpnth-DvfGXTzXcdiYxyB40Oml81wwE14kIstnl0xC2m=w439-h720-no\" alt=\"imagem\" \/><!--more-->ODIARIO.INFO &#8211; Manlio DINUCCI<\/p>\n<p>Manlio Dinucci vem publicando um conjunto de textos sobre a hist\u00f3ria da OTAN. \u00c9 desnecess\u00e1rio sublinhar o interesse e a qualidade que t\u00eam. Dada a sua extens\u00e3o e ainda n\u00e3o estar conclu\u00edda essa publica\u00e7\u00e3o, odiario.info ir\u00e1 reproduzi-los divididos em sec\u00e7\u00f5es de dois cap\u00edtulos cada.<\/p>\n<p>A OTAN, fundada em 4 de Abril de 1949, integra dezesseis pa\u00edses no decurso da guerra-fria: Estados Unidos, Canad\u00e1, B\u00e9lgica, Dinamarca, Fran\u00e7a, Rep\u00fablica Federal Alem\u00e3, Gr\u00e3-Bretanha, Gr\u00e9cia, Isl\u00e2ndia, It\u00e1lia, Luxemburgo, Noruega, Pa\u00edses Baixos, Espanha, Portugal, Turquia. Por meio desta alian\u00e7a, os EUA preservam o seu dom\u00ednio sobre os aliados europeus, utilizando a Europa como primeira linha de confronto, incluindo o nuclear, com o Pacto de Vars\u00f3via. Este, fundado em 14 de Maio de 1955 (seis anos depois da OTAN), integra Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica, Bulg\u00e1ria, Checoslov\u00e1quia, Pol\u00f3nia, Rep\u00fablica Democr\u00e1tica Alem\u00e3, Rom\u00e9nia, Hungria, Alb\u00e2nia (entre 1955 e 1968).<\/p>\n<p><b>DA GUERRA FRIA AO P\u00d3S-GUERRA FRIA<\/b><\/p>\n<p>Em 1989 ocorre a \u00abqueda do Muro de Berlim\u00bb: \u00e9 o in\u00edcio da reunifica\u00e7\u00e3o alem\u00e3 que se concretiza quando, em 1990, a Rep\u00fablica Democr\u00e1tica se dissolve aderindo \u00e0 RFA. Em 1991 o Pacto de Vars\u00f3via \u00e9 dissolvido: os pa\u00edses da Europa centro-oriental que o integravam abandonam a alian\u00e7a com a URSS. No mesmo ano a Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica \u00e9 dissolvida: formam-se quinze estados onde existia um \u00fanico.<\/p>\n<p>O desaparecimento da URSS e do seu bloco criam na regi\u00e3o europeia e centro-asi\u00e1tica uma situa\u00e7\u00e3o geopol\u00edtica inteiramente nova. Ao mesmo tempo, a desagrega\u00e7\u00e3o da URSS e a profunda crise pol\u00edtica e econ\u00f3mica que atinge a R\u00fassia marcam o fim do superpoder capaz de rivalizar com o dos EUA.<br \/>\nA guerra do Golfo de 1991 \u00e9 a primeira guerra, no per\u00edodo que se seguiu ao segundo conflito mundial, que Washington n\u00e3o justifica com a necessidade de conter o amea\u00e7ador avan\u00e7o do comunismo, justifica\u00e7\u00e3o que estivera na base de todas as interven\u00e7\u00f5es militares anteriores dos EUA no \u201cterceiro mundo\u201d, da guerra da Coreia \u00e0 do Vietnam, da invas\u00e3o de Granada \u00e0 opera\u00e7\u00e3o contra a Nicar\u00e1gua. Com esta guerra os EUA refor\u00e7am a sua presen\u00e7a militar e a sua influ\u00eancia pol\u00edtica na zona estrat\u00e9gica do Golfo Persa, onde se concentra uma grande parte das reservas petrol\u00edferas mundiais.<\/p>\n<p>Simultaneamente, Washington lan\u00e7a aos seus advers\u00e1rios, ex. advers\u00e1rios e aliados uma mensagem inequ\u00edvoca. Est\u00e1 contida na National Security Strategy of the United States (Estrat\u00e9gia de seguran\u00e7a nacional dos Estados-Unidos), documento no qual a Casa Branca enuncia, em Agosto de 1991, a sua nova estrat\u00e9gia.<\/p>\n<p><i>\u00abApesar da emerg\u00eancia de novos centros de poder \u2013 sublinha o documento subscrito pelo presidente \u2013 os EUA permanecem o \u00fanico Estado com uma for\u00e7a, um alcance e uma influ\u00eancia em todas as dimens\u00f5es \u2013 pol\u00edtica, econ\u00f3mica e militar \u2013 realmente mundiais. Nos anos 90, tal como em grande parte deste s\u00e9culo, n\u00e3o existe qualquer substituto para a lideran\u00e7a americana.\u00bb<\/i><\/p>\n<p>Seis meses ap\u00f3s a directiva presidencial, um documento proveniente do Pent\u00e1gono &#8211; <i>Defense Planning Guidance for the Fiscal Years <\/i>1994-1999 (Guia para a planifica\u00e7\u00e3o da Defesa para os anos fiscais 1994-1999) \u2013 filtrada pelo New York Times em Mar\u00e7o de 1992, clarifica aquilo que na directiva presidencial devia ficar necessariamente impl\u00edcito: o facto de que, para exercer a sua lideran\u00e7a mundial, os EUA deverem impedir outras pot\u00eancias, incluindo antigos e novos aliados, de poderem tornar-se seus concorrentes: \u00ab<i>O nosso primeiro objectivo \u00e9 o de impedir a reemerg\u00eancia de um outro rival, sobre o territ\u00f3rio da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica ou em outro lugar, que constitua uma amea\u00e7a da mesma ordem da anteriormente colocada pela URSS. Devemos impedir que qualquer outra pot\u00eancia hostil domine uma regi\u00e3o cujos recursos, se fossem estreitamente controlados, seriam suficientes para gerar uma pot\u00eancia mundial. Estas regi\u00f5es compreendem a Europa ocidental, a \u00c1sia oriental, o territ\u00f3rio da ex. Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica e a \u00c1sia sul-ocidental\u00bb.<\/i><br \/>\nNum tal quadro, sublinha o documento, <i>\u00ab\u00e9 de fundamental import\u00e2ncia preservar a OTAN como principal instrumento da defesa e da seguran\u00e7a ocidentais, bem como canal de influ\u00eancia e da participa\u00e7\u00e3o dos EUA nos assuntos da seguran\u00e7a europeia. Ao mesmo tempo que os EUA apoiam o objectivo da integra\u00e7\u00e3o europeia, devem procurar impedir a cria\u00e7\u00e3o de dispositivos de seguran\u00e7a unicamente europeus, que minariam a NATO, em particular a estrutura de comando da Alian\u00e7a\u00bb,<\/i> ou seja o seu comando pelos EUA.<\/p>\n<p><b>O NOVO CONCEITO ESTRAT\u00c9GICO DA OTAN<\/b><\/p>\n<p>Enquanto reorientam a sua pr\u00f3pria estrat\u00e9gia, os EUA pressionam a OTAN para que o fa\u00e7a tamb\u00e9m. Para eles \u00e9 de urgente prioridade que seja redefinida n\u00e3o s\u00f3 a estrat\u00e9gia mas o pr\u00f3prio papel da Alian\u00e7a atl\u00e2ntica. Com o fim da guerra-fria e a dissolu\u00e7\u00e3o do Pacto de Vars\u00f3via e da pr\u00f3pria Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica dissipa-se efectivamente a motiva\u00e7\u00e3o da \u201camea\u00e7a sovi\u00e9tica\u201d que at\u00e9 ent\u00e3o mantivera a coes\u00e3o da OTAN sob a lideran\u00e7a incontest\u00e1vel dos EUA: existe portanto o perigo de os aliados europeus fazerem op\u00e7\u00f5es divergentes ou at\u00e9 mesmo considerarem a OTAN in\u00fatil na nova situa\u00e7\u00e3o geopol\u00edtica criada na regi\u00e3o europeia.<\/p>\n<p>Em 7 de Novembro de 1991 (depois da primeira guerra do Golfo, na qual a OTAN n\u00e3o participou oficialmente enquanto tal, mas com as suas for\u00e7as e estruturas), os chefes de Estado e do governo dos dezesseis pa\u00edses da OTAN, reunidos em Roma no Conselho atl\u00e2ntico, lan\u00e7am o<i> \u00abnovo conceito estrat\u00e9gico da Alian\u00e7a\u00bb. \u00abAo contr\u00e1rio da amea\u00e7a predominante do passado \u2013 afirma o documento \u2013 os riscos que permanecem para a seguran\u00e7a da Alian\u00e7a s\u00e3o de natureza multiforme e multidireccional, o que os torna dif\u00edceis de prever e de avaliar. As tens\u00f5es poderiam conduzir a crises prejudiciais para a estabilidade europeia e at\u00e9 a conflitos armados, em que poderiam participar pot\u00eancias exteriores ou que poderiam alastrar para o interior dos pa\u00edses da OTAN\u00bb. Face a estes e outros riscos, \u00aba dimens\u00e3o militar da nossa Alian\u00e7a permanece um factor essencial, mas o facto novo \u00e9 que ela estar\u00e1 mais do que nunca ao servi\u00e7o de um amplo conceito de seguran\u00e7a\u00bb.<\/i><\/p>\n<p>Ao definir o conceito de seguran\u00e7a como algo que n\u00e3o est\u00e1 circunscrito \u00e0 zona norte-atl\u00e2ntica, come\u00e7a a delinear-se a \u00abGrande OTAN\u00bb.<\/p>\n<p>II<\/p>\n<p><b>A INTERVEN\u00c7\u00c3O DA OTAN NA CRISE DOS BALC\u00c3S<\/b><\/p>\n<p>O \u00abnovo conceito estrat\u00e9gico\u00bb da OTAN encontra-se posto em pr\u00e1tica nos Balc\u00e3s, onde a crise da Federa\u00e7\u00e3o Jugoslava, resultante das oposi\u00e7\u00f5es entre os grupos de poder e aos impulsos centr\u00edfugos das rep\u00fablicas, atingiu o ponto de ruptura.<\/p>\n<p>Em Novembro de 1990, o Congresso dos EUA aprova o financiamento directo de todas as novas forma\u00e7\u00f5es \u00abdemocr\u00e1ticas\u00bb da Jugosl\u00e1via, encorajando deste modo as tend\u00eancias secessionistas. Em Dezembro, o parlamento da Rep\u00fablica croata, controlado pelo partido de Franjo Tudjman, estabelece uma nova constitui\u00e7\u00e3o segundo a qual a Cro\u00e1cia \u00e9 \u00abp\u00e1tria dos Croatas\u00bb (e j\u00e1 n\u00e3o dos Croatas e S\u00e9rvios, povos integrantes da rep\u00fablica) e \u00e9 soberana sobre o seu territ\u00f3rio. Seis meses mais tarde, em Junho de 1991, para al\u00e9m da Cro\u00e1cia tamb\u00e9m a Eslov\u00e9nia proclama a sua pr\u00f3pria independ\u00eancia. Imediatamente a seguir, eclodem os confrontos entre o ex\u00e9rcito federal e os independentistas. Em Outubro, na Cro\u00e1cia, o governo de Tudjman expulsa mais de 25 mil s\u00e9rvios da Eslav\u00f3nia, enquanto as suas mil\u00edcias ocupam Vukovar. O ex\u00e9rcito federal responde, bombardeando e ocupando a cidade. A guerra civil come\u00e7a a alastrar, mas poderia ainda ser detida.<\/p>\n<p>Pelo contr\u00e1rio, o caminho que vem a ser tomado \u00e9 diametralmente oposto: a Alemanha, empenhada em ampliar a sua influ\u00eancia econ\u00f3mica e pol\u00edtica na regi\u00e3o dos Balc\u00e3s reconhece unilateralmente, em Dezembro de 1991, a Cro\u00e1cia e a Eslov\u00e9nia como estados independentes. Consequ\u00eancia: no dia seguinte os S\u00e9rvios da Cro\u00e1cia proclamam por sua vez a autodetermina\u00e7\u00e3o, constituindo a Rep\u00fablica s\u00e9rvia da Krajina. Em Janeiro de 1992 a Europa dos doze reconhece tamb\u00e9m, para al\u00e9m da Cro\u00e1cia, a Eslov\u00e9nia. A B\u00f3snia-Herzegovina incendeia-se de imediato o que representa, em miniatura, a gama completa dos n\u00f3s \u00e9tnicos e religiosos da Federa\u00e7\u00e3o Jugoslava.<\/p>\n<p>Os capacetes azuis da ONU, enviados para a B\u00f3snia como for\u00e7a de interposi\u00e7\u00e3o entre as fac\u00e7\u00f5es em luta, v\u00e3o ser deliberadamente mantidos em n\u00famero insuficiente, sem meios adequados e sem orienta\u00e7\u00f5es precisas, acabando por se tornar ref\u00e9ns no meio dos combates. Tudo concorre para demonstrar o \u00abfracasso da ONU\u00bb e a necessidade de que seja a OTAN a tomar conta da situa\u00e7\u00e3o. Em Julho de 1992 a OTAN lan\u00e7a a primeira opera\u00e7\u00e3o de \u00abresposta \u00e0 crise\u00bb, para impor o embargo \u00e0 Jugosl\u00e1via.<\/p>\n<p>Em Fevereiro de 1994, avi\u00f5es OTAN abatem avi\u00f5es servo-b\u00f3snios que violam o espa\u00e7o a\u00e9reo interdito sobre a B\u00f3snia. \u00c9 a primeira ac\u00e7\u00e3o de guerra desde a funda\u00e7\u00e3o da Alian\u00e7a. Com ela a OTAN viola o artigo 5\u00ba da sua pr\u00f3pria carta constitutiva, uma vez que a ac\u00e7\u00e3o de combate n\u00e3o \u00e9 motivada por ataque a um membro da Alian\u00e7a e \u00e9 efectuada fora da \u00e1rea geogr\u00e1fica que abrange.<\/p>\n<p><b>A GUERRA CONTRA A IUGOSL\u00c1VIA<\/b><\/p>\n<p>Tendo extinguido o inc\u00eandio na B\u00f3snia (onde o fogo permanece sob as cinzas da divis\u00e3o em estados \u00e9tnicos), os bombeiros da OTAN correm a lan\u00e7ar gasolina sobre a fogueira do Kosovo, onde desde h\u00e1 anos est\u00e1 em curso uma reivindica\u00e7\u00e3o de independ\u00eancia por parte da maioria albanesa. Atrav\u00e9s de vias subterr\u00e2neas em grande parte geridas pela CIA, um rio de armas e de financiamentos vai, entre o final de 1998 e o in\u00edcio de 1999, alimentar o UcK (Ex\u00e9rcito de liberta\u00e7\u00e3o do Kosovo), bra\u00e7o armado do movimento separatista kosovar-alban\u00eas. Agentes da CIA declarar\u00e3o depois ter entrado no Kosovo em 1998 e 1999 disfar\u00e7ados como observadores da OSCE encarregados de verificar o \u00abcessar-fogo\u00bb, fornecendo ao UcK manuais estado-unidenses de treino militar e telefones com liga\u00e7\u00e3o via sat\u00e9lite, a fim de os comandantes da guerrilha poderem estar em contacto com a OTAN e com Washington. O UcK pode assim desencadear uma ofensiva contra as tropas federais e os civis s\u00e9rvios, com centenas de atentados e de raptos. Quando os confrontos entre as for\u00e7as jugoslavas e as do UcK provocam v\u00edtimas em ambos os lados, uma poderosa campanha pol\u00edtico-medi\u00e1tica prepara a opini\u00e3o p\u00fablica internacional para a interven\u00e7\u00e3o da OTAN, apresentada como a \u00fanica forma de deter a \u00ablimpeza \u00e9tnica\u00bb s\u00e9rvia no Kosovo. O alvo priorit\u00e1rio \u00e9 o presidente da Jugosl\u00e1via, Slobodan Milosevic, acusado de \u00abcrimes contra a humanidade\u00bb em opera\u00e7\u00f5es de \u00ablimpeza \u00e9tnica\u00bb.<\/p>\n<p>A guerra, designada \u00abOpera\u00e7\u00e3o for\u00e7a aliada\u00bb, come\u00e7a em 24 de Mar\u00e7o de 1999. Enquanto os avi\u00f5es dos EUA e de outros pa\u00edses da OTAN lan\u00e7am as primeiras bombas sobre a S\u00e9rvia e o Kosovo, o presidente democrata Clinton anuncia: \u00abNo final do s\u00e9culo XX, depois de duas guerras mundiais e uma guerra-fria, n\u00f3s e os nossos aliados temos a possibilidade de legar aos nossos filhos uma Europa livre, pac\u00edfica e est\u00e1vel\u00bb. O governo italiano vai ter nesta guerra um papel determinante: o governo de D\u2019Alema coloca o territ\u00f3rio italianos, e em particular os seus aeroportos, \u00e0 total disposi\u00e7\u00e3o das for\u00e7as armadas dos EUA e de outros pa\u00edses para operarem aquilo que o Presidente do Conselho definiu como \u00abdireito de inger\u00eancia humanit\u00e1ria\u00bb.<\/p>\n<p>Durante 78 dias, descolando sobretudo de bases italianas, 1100 avi\u00f5es efectuam 38.000 sa\u00eddas, lan\u00e7ando 23.000 bombas e m\u00edsseis. 75% dos avi\u00f5es e 90% das bombas e m\u00edsseis s\u00e3o fornecidos pelos EUA. S\u00e3o tamb\u00e9m estado-unidenses a rede de comunica\u00e7\u00f5es, o comando, o controlo e a informa\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s dos quais s\u00e3o dirigidas as opera\u00e7\u00f5es: <i>\u00abDos 2.000 objectivos atingidos na S\u00e9rvia pelos avi\u00f5es da OTAN \u2013 documenta depois o Pent\u00e1gono \u2013 1999 foram escolhidos pelo servi\u00e7o de informa\u00e7\u00f5es dos EUA e apenas um pelos europeus\u00bb.<\/i><\/p>\n<p>Sistematicamente, os bombardeamentos desmantelam as estruturas e infra-estruturas da S\u00e9rvia, provocando sobretudo v\u00edtimas entre os civis. Os danos que da\u00ed resultam para a sa\u00fade e o ambiente s\u00e3o incalcul\u00e1veis. Da refinaria de Pancevo, nomeadamente, s\u00e3o libertas devido aos bombardeamentos milhares de toneladas de subst\u00e2ncias qu\u00edmicas altamente t\u00f3xicas (entre as quais dioxina e merc\u00fario). Outros danos s\u00e3o causados pelo emprego massivo por parte da OTAN, na S\u00e9rvia e no Kosovo, de proj\u00e9cteis de ur\u00e2nio empobrecido, j\u00e1 antes utilizados na guerra do Golfo.<\/p>\n<p>54 avi\u00f5es italianos participam tamb\u00e9m nos bombardeamentos, realizando 1378 sa\u00eddas, atacando objectivo indicados pelo comando estado-unidense. <i>\u00abNo que diz respeito ao n\u00famero de avi\u00f5es apenas fic\u00e1mos atr\u00e1s dos EUA. A It\u00e1lia \u00e9 um grande pa\u00eds e ningu\u00e9m deve ficar surpreendido pelo compromisso de que demos prova nesta guerra\u00bb, declarou o presidente do conselho D\u2019Alema durante a sua visita \u00e0 base da Amendola em 10 de Junho de 1999, sublinhando que, para os pilotos que nela participaram, foi \u00abuma grande experi\u00eancia humana e profissional\u00bb.<\/i><\/p>\n<p>Em 10 de Junho de 1999, as tropas da Federa\u00e7\u00e3o jugoslava come\u00e7am a retirar do Kosovo e a OTAN termina os bombardeamentos. A resolu\u00e7\u00e3o 1244 do Conselho de Seguran\u00e7a da ONU indica que a presen\u00e7a internacional deve ter uma \u00abparticipa\u00e7\u00e3o substancial da OTAN\u00bb e deve ser instalada \u00absob controlo e comando unificados\u00bb. A quem \u00e9 atribu\u00eddo o comando? O presidente Clinton explica-o sublinhando que o acordo sobre o Kosovo prev\u00ea <i>\u00aba instala\u00e7\u00e3o de uma for\u00e7a internacional de seguran\u00e7a tendo no seu cerne a OTAN, o que significa uma cadeia de comando unificada por parte da OTAN\u00bb. \u00abHoje a OTAN depara-se com a sua nova miss\u00e3o: a de governar\u00bb, comenta o Washington Post. <\/i><\/p>\n<p>Terminada a guerra, os EUA enviam para o Kosovo mais de 60 agentes do FBI, mas n\u00e3o ser\u00e3o encontrados quaisquer ind\u00edcios de massacres que pudessem sustentar a acusa\u00e7\u00e3o de \u00ablimpeza \u00e9tnica\u00bb lan\u00e7ada contra os s\u00e9rvios. Slobodan Milosevic, condenado a 40 anos de deten\u00e7\u00e3o pelo Tribunal Penal Internacional para a ex.- Iugosl\u00e1via, morre na pris\u00e3o cinco anos passados. Em 2016 o mesmo tribunal desculpa-o da acusa\u00e7\u00e3o de \u00ablimpeza \u00e9tnica\u00bb.<\/p>\n<p>O Kosovo, onde os EUA instalam uma grande base militar (Camp Bondsteel) torna-se uma esp\u00e9cie de protectorado da NATO. Ao mesmo tempo, a coberto da designa\u00e7\u00e3o de \u00abFor\u00e7a de paz\u00bb, o ex. UcK no poder aterroriza e expulsa mais de 250 mil s\u00e9rvios, ciganos, judeus e albaneses \u00abcolaboracionistas\u00bb. Em 2008, com a auto-proclama\u00e7\u00e3o do Kosovo como Estado independente, a demoli\u00e7\u00e3o da Federa\u00e7\u00e3o Iugoslava fica conclu\u00edda.<\/p>\n<p>(Continua)<\/p>\n<p>https:\/\/www.odiario.info\/breve-historia-da-nato-de-1991\/<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/16806\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[165,18,38],"tags":[226],"class_list":["post-16806","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-eua","category-s22-europa","category-c43-imperialismo","tag-4b"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-4n4","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16806","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=16806"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16806\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=16806"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=16806"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=16806"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}