{"id":16842,"date":"2017-11-01T14:08:42","date_gmt":"2017-11-01T17:08:42","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=16842"},"modified":"2017-11-05T16:01:56","modified_gmt":"2017-11-05T19:01:56","slug":"toda-mulher-negra-e-um-quilombo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/16842","title":{"rendered":"Toda Mulher Negra \u00e9 um Quilombo!"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/graph.facebook.com\/1108016632668569\/picture\" alt=\"imagem\" \/><!--more-->Por Larissa Gouveia*<\/p>\n<p>Iniciando o m\u00eas que tem um dia do ano &#8221;dedicado&#8221; \u00e0 Consci\u00eancia negra, relembramos algumas quest\u00f5es referentes \u00e0s novas amarras que carregamos ap\u00f3s a falsa aboli\u00e7\u00e3o, agora com a sociedade brasileira submetida ao trabalho assalariado.<\/p>\n<p>Mas, primeiro, indagamos reflex\u00f5es sobre o termo imputado na primeira frase deste texto: Quilombo. O que seria um quilombo e o que queremos dizer ao nos colocar como sujeitos que carregam uma historicidade perpassada por nossos ancestrais que lutaram e resistiram ao sistema de explora\u00e7\u00e3o e opress\u00e3o que coisificava e desumanizava um povo?<\/p>\n<p>Bem, primeiro trazemos a defini\u00e7\u00e3o do termo Quilombagem. Segundo Cl\u00f3vis Moura (1992), a Quilombagem foi um movimento de mudan\u00e7a social que provocou uma for\u00e7a significativa ao sistema escravista, abalando as suas bases em diversos n\u00edveis &#8211; econ\u00f4mico, social e militar. Foi um movimento de rebeldia permanente, organizado e dirigido pelos escravizados em todo o territ\u00f3rio nacional, de combate a uma forma de trabalho contra a qual se voltava o pr\u00f3prio sujeito que a sustentava. O Quilombo \u00e9 o seu centro organizacional de rebeldia, revolta, n\u00e3o-passividade e nega\u00e7\u00e3o desse sistema de explora\u00e7\u00e3o-opress\u00e3o por parte dos oprimidos. Ou seja, o quilombo era a unidade b\u00e1sica de resist\u00eancia do escravizado.<\/p>\n<p>O Quilombo n\u00e3o \u00e9 apenas um local de fuga. Ele tinha como proposta um outro tipo de sociedade com organiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, econ\u00f4mica, cultural, com direitos e costumes. O Quilombo \u00e9 a unidade b\u00e1sica da resist\u00eancia dos trabalhadores negros que foram escravizados &#8211; seja pelo absurdo de tornar o (a) trabalhador (a) uma propriedade em quase quatro s\u00e9culos no Brasil ou atualmente condenando grande parte deles (as) a ocupar cargos de trabalho socialmente subalternizados, bem como compondo o ex\u00e9rcito de reserva (desempregados).<\/p>\n<p>O Quilombo \u00e9 a resist\u00eancia da popula\u00e7\u00e3o que leva baculejo em revista policial, que \u00e9 seguida em lojas, que sofre ass\u00e9dio no local de trabalho, que enfrenta a precariza\u00e7\u00e3o da educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica e o sucateamento dos hospitais nos bairros. O Quilombo s\u00e3o as mulheres e homens que d\u00e3o o sangue e o suor para criar seus filhos e tentar salvar essa Juventude da &#8221;guerra \u00e0s drogas&#8221; e da viol\u00eancia do aparato militar, muitas vezes sem nem se dar conta que tudo faz parte do projeto eugenista de higieniza\u00e7\u00e3o social arquitetado pelas contradi\u00e7\u00f5es da sociedade dividida em classes.<\/p>\n<p>O Quilombo \u00e9 cada menina negra que passa por um processo de desintoxica\u00e7\u00e3o do que seria o belo e o puro, passando a se orgulhar e ver beleza em cada tra\u00e7o ancestral que carrega em si. O Quilombo \u00e9 cada mulher negra que chefia lares brasileiros, que carrega sozinha a dor de perder um filho assassinado pelos bra\u00e7os do Estado e que n\u00e3o tem chance nem de chorar seu luto, pois precisa sobreviver sendo respons\u00e1vel pelo resto da fam\u00edlia, os que ainda n\u00e3o foram alcan\u00e7ados fatalmente pelo genoc\u00eddio.<br \/>\nO Quilombo \u00e9 se sentir indiv\u00edduo e coletivo ao mesmo tempo, por perceber que mais da metade do pa\u00eds compartilha dessa infeliz realidade fruto do descaso sist\u00eamico. O Quilombo nasce em n\u00f3s e permanecer\u00e1 dentro de cada mulher e homem negro de nossa classe at\u00e9 a derrubada desse sistema que nos obriga a viver lutando.<\/p>\n<p>*Pedagoga, militante do Partido Comunista Brasileiro (PCB) e do Coletivo Feminista Classista Ana Montenegro.<\/p>\n<p>Fontes:<\/p>\n<p>MOURA, C. Quilombos: resist\u00eancia ao escravismo. S\u00e3o Paulo: Editora \u00c1tica, 1997.<br \/>\nMOURA, C. Hist\u00f3ria do negro brasileiro. S\u00e3o Paulo: S\u00e9rie Princ\u00edpios, 1992.<\/p>\n<p>https:\/\/www.facebook.com\/anamontenegrocsc\/<wbr \/>posts\/1108016632668569<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/16842\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[20,204],"tags":[233],"class_list":["post-16842","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c1-popular","category-quilombola","tag-6a"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-4nE","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16842","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=16842"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16842\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=16842"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=16842"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=16842"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}