{"id":16886,"date":"2017-11-05T15:13:57","date_gmt":"2017-11-05T18:13:57","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=16886"},"modified":"2017-11-05T15:13:57","modified_gmt":"2017-11-05T18:13:57","slug":"a-ignorada-revolta-haitiana","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/16886","title":{"rendered":"A ignorada revolta haitiana"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.odiario.info\/b2-img\/Haiti_protesto_jpgmaxh332maxw504.jpg?w=747&#038;ssl=1\" alt=\"imagem\" \/><!--more-->Ant\u00f3nio Santos<\/p>\n<p>No Haiti, um dos mais pobres e desiguais pa\u00edses do mundo, levanta-se um movimento popular contra o corrupto regime de Jovenel Mo\u00efse, o lacaio do imperialismo de servi\u00e7o. Afrontando a repress\u00e3o, transformou-se em mobiliza\u00e7\u00e3o nacional contra a doutrina neoliberal, em clamor popular pela soberania, em exig\u00eancia de demiss\u00e3o do governo.<\/p>\n<p>A revolta do povo haitiano estalou h\u00e1 dois meses e na comunica\u00e7\u00e3o social da classe dominante nem uma not\u00edcia. Talvez o crit\u00e9rio editorial seja uma escala tanatol\u00f3gica de um para mil em que, para o Haiti ser not\u00edcia, \u00e9 necess\u00e1rio mil haitianos mortos por cada morto estado-unidense. Mas hoje n\u00e3o h\u00e1 terramotos no Haiti e os rodap\u00e9s dos telejornais voltar\u00e3o a desfilar fait divers sobre celebridades, futebol, curiosidades avulsas, a grande quest\u00e3o nacional Santana versus Rio e um restaurante em Manchester que d\u00e1 os restos aos pobres.<\/p>\n<p>Entretanto, por todo o Haiti, o povo desafia nas ruas a proibi\u00e7\u00e3o de manifesta\u00e7\u00f5es contra o regime cleptocrata de Jovenel Mo\u00efse. O movimento que come\u00e7ou, em Setembro, quando foi apresentado o Or\u00e7amento do Estado, como um protesto contra o aumento dos impostos e taxas sobre o trabalho, transformou-se em mobiliza\u00e7\u00e3o nacional contra a doutrina neoliberal, clamor pela soberania e exig\u00eancia de demiss\u00e3o do governo de Mo\u00efse.<\/p>\n<p>No poder h\u00e1 um ano, Jovenel Mo\u00efse, partido T\u00e8t Kale, \u00e9 apenas o \u00faltimo nome na longa lista de serventu\u00e1rios do imperialismo dos EUA que, desde o golpe de Estado com o selo CIA contra o governo democraticamente eleito de Jean-Bertrand Aristide, em 2011, se sucedem num ca\u00f3tico turbilh\u00e3o de viol\u00eancia, mis\u00e9ria e privatiza\u00e7\u00f5es. Mo\u00efse tomou o poder atrav\u00e9s de uma farsa democr\u00e1tica de um s\u00f3 ato eleitoral que, embora an\u00e9mico (menos de 30 por cento dos haitianos votaram), exigiu o brutal esmagamento do movimento de massas. Depois de decapitar as duas ag\u00eancias anticorrup\u00e7\u00e3o, Mo\u00efse deu o bra\u00e7o ao presidente do Banco de Desenvolvimento Interamericano, o guru neoliberal Luis Alberto Moreno e p\u00f4s em marcha a Caravana da Mudan\u00e7a, um bizarro circo que melhor pode ser descrito como um cruzamento entre um programa de austeridade, uma m\u00e1quina de lavagem de dinheiro e um com\u00edcio de demagogia itinerante.<\/p>\n<p><b>O pre\u00e7o da revolta<\/b><\/p>\n<p>As manifesta\u00e7\u00f5es de massas sucedem-se, em Porto Pr\u00edncipe, v\u00e1rias vezes por semana, apesar do Estado recorrer com crescente brutalidade \u00e0 repress\u00e3o. Na passada ter\u00e7a-feira, a t\u00edtulo de exemplo, homens armados dispararam 24 tiros contra uma manifesta\u00e7\u00e3o pac\u00edfica. As matr\u00edculas revelaram que os ve\u00edculos dos atiradores pertenciam ao Estado. Mas nem as dezenas de deten\u00e7\u00f5es, nem os disparos, nem as provoca\u00e7\u00f5es orquestradas pelo Estado est\u00e3o a conseguir deter a luta das massas. Quando, no passado dia 21 de Setembro, Mo\u00efse tentou fazer uma demonstra\u00e7\u00e3o de for\u00e7a, encabe\u00e7ando uma parada militar na principal avenida da capital, uma chuva de pedras e garrafas obrigou comitiva do presidente a fugir. No dia 2 de Outubro, uma greve geral marcou a nova fase da luta, contra o neoliberalismo e pela demiss\u00e3o do governo, consciente da sua pr\u00f3pria hist\u00f3ria.<br \/>\nMais de duzentos anos depois da primeira revolta colonial e anti-esclavagista das Am\u00e9ricas, o Haiti continua a pagar o pre\u00e7o do atrevimento. 60 por cento dos haitianos vivem na pobreza e 25 por cento passam fome; 40 por cento s\u00e3o analfabetos e os um por cento mais ricos det\u00eam tanta riqueza como os 45 por cento mais pobres; segundo a ONU, \u00e9 um dos pa\u00edses do mundo onde mais crian\u00e7as s\u00e3o abusadas sexualmente.<\/p>\n<p><strong>Este artigo foi publicado no \u201cAvante!\u201d n\u00ba 2292, 2.11.2017<\/strong><\/p>\n<p>https:\/\/www.odiario.info\/a-ignorada-revolta-haitiana\/<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/16886\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[55],"tags":[228],"class_list":["post-16886","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c66-haiti","tag-5b"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-4om","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16886","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=16886"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16886\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=16886"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=16886"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=16886"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}