{"id":16888,"date":"2017-11-05T15:18:54","date_gmt":"2017-11-05T18:18:54","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=16888"},"modified":"2017-11-05T15:18:54","modified_gmt":"2017-11-05T18:18:54","slug":"noam-chomsky-faz-o-diagnostico-da-era-trump","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/16888","title":{"rendered":"Noam Chomsky faz o diagn\u00f3stico da era Trump"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/fee.org\/media\/20011\/trump-nuke.jpg?w=747&#038;ssl=1\" alt=\"imagem\" \/><!--more-->Noam Chomsky e David Barsamian<\/p>\n<p>\u00abH\u00e1 uma manobra de divers\u00e3o em curso, talvez como resultado natural das tend\u00eancias da figura na boca de cena e aqueles que trabalham nos bastidores. O que \u00e9 preciso \u00e9 que a aten\u00e7\u00e3o se desvie do que est\u00e1 a acontecer nos bastidores. A\u00ed, longe dos holofotes, a ala mais radical do Partido Republicano vai cuidadosamente avan\u00e7ando pol\u00edticas que t\u00eam como objectivo enriquecer o seu verdadeiro eleitorado.\u00bb<\/p>\n<p><em>Esta entrevista foi extra\u00edda do livro Global Discontents: Conversations on the Rising Threats to Democracy, o novo livro de Noam Chomsky e David Barsamian que ser\u00e1 publicado em Dezembro. <\/em><\/p>\n<p><b>David Barsamian: Falou da diferen\u00e7a entre as palha\u00e7adas de Trump, que t\u00eam uma permanente cobertura medi\u00e1tica, e as pol\u00edticas que procura na realidade levar por diante, que recebem menos aten\u00e7\u00e3o. Acha que ele tem uma agenda coerente do ponto de vista econ\u00f3mico ou de pol\u00edtica interna ou externa? O que \u00e9 que Trump conseguiu verdadeiramente alcan\u00e7ar nos seus primeiros meses como presidente?<\/b><\/p>\n<p><b>Noam Chomsky:<\/b> H\u00e1 uma manobra de divers\u00e3o em curso, talvez como resultado natural das tend\u00eancias da figura na boca de cena e aqueles que trabalham nos bastidores.<\/p>\n<p>Por um lado, as artimanhas de Trump garantem que a aten\u00e7\u00e3o se foca nele, pouco importa como. Quem \u00e9 que hoje sequer se lembra da acusa\u00e7\u00e3o de que milh\u00f5es de imigrantes ilegais haviam votado em Clinton negando \u00e0quela figura pat\u00e9tica uma vit\u00f3ria retumbante? Ou da acusa\u00e7\u00e3o de que Obama teve a Trump Tower sob escuta? Estas alega\u00e7\u00f5es, por si s\u00f3, nada importam. O que \u00e9 preciso \u00e9 que a aten\u00e7\u00e3o se desvie do que est\u00e1 a acontecer nos bastidores. A\u00ed, longe dos holofotes, a ala mais radical do Partido Republicano vai cuidadosamente avan\u00e7ando pol\u00edticas que t\u00eam como objectivo enriquecer o seu verdadeiro eleitorado: o eleitorado do poder privado e da riqueza, os \u201cdonos do mundo\u201d, para usarmos a express\u00e3o de Adam Smith.<\/p>\n<p>Estas pol\u00edticas ir\u00e3o prejudicar a popula\u00e7\u00e3o global, irrelevante para eles, e devastar gera\u00e7\u00f5es futuras, mas isso pouco preocupa os Republicanos. Eles t\u00eam tentado impor legisla\u00e7\u00e3o igualmente destrutiva desde h\u00e1 anos a esta parte. Paul Ryan, por exemplo, vem de h\u00e1 muito apregoando a sua ideia de praticamente eliminar o governo federal, excepto o servi\u00e7o prestado ao eleitorado \u2013 apesar de, no passado, ter embrulhado as suas propostas em folhas de c\u00e1lculo, de modo a parecerem sofisticadas aos comentadores. Agora, enquanto a aten\u00e7\u00e3o se foca nas \u00faltimas loucuras de Trump, o gangue de Ryan e o ramo executivo for\u00e7am legisla\u00e7\u00e3o e d\u00e3o ordens que amea\u00e7am os direitos dos trabalhadores, lesam a protec\u00e7\u00e3o aos consumidores e prejudicam seriamente as comunidades rurais. Procuram destruir programas de sa\u00fade, revogando os impostos que os pagam de modo a enriquecer o seu eleitorado, e eliminar o Acto Dodd-Frank, que imp\u00f4s alguns constrangimentos muito necess\u00e1rios no sistema financeiro predat\u00f3rio que cresceu durante o per\u00edodo neoliberal.<\/p>\n<p>Isto \u00e9 apenas uma amostra de como a destrui\u00e7\u00e3o est\u00e1 a ser conduzida pelo Partido Republicano com o seu novo poder. De facto, este j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 um partido pol\u00edtico no sentido tradicional. Os analistas pol\u00edticos conservadores Thomas Mann e Norman Ornstein descreveram-no como uma \u201cinsurg\u00eancia radical\u201d, que abandonou a pol\u00edtica parlamentar convencional.<\/p>\n<p>Muito disto tem sido levado a cabo \u00e0s escondidas, em reuni\u00f5es privadas, t\u00e3o longe do conhecimento do p\u00fablico quanto poss\u00edvel. Outras pol\u00edticas republicanas s\u00e3o mais conhecidas, como a retirada do Acordo de Paris, que isolou os EUA como um estado \u00e0 parte, que recusa participar nos esfor\u00e7os internacionais para confrontar a amea\u00e7a de desastre ambiental. Pior ainda, t\u00eam a inten\u00e7\u00e3o de maximizar o uso de combust\u00edveis f\u00f3sseis, incluindo os mais perigosos; desmantelar as regula\u00e7\u00f5es; e cortar radicalmente o investimento na pesquisa e desenvolvimento das fontes de energia alternativa, que dentro de pouco tempo ser\u00e3o necess\u00e1rios a uma sobreviv\u00eancia digna.<\/p>\n<p>As raz\u00f5es por detr\u00e1s destas pol\u00edticas s\u00e3o diversas. Algumas s\u00e3o simplesmente servi\u00e7o ao eleitorado. Outras preocupam pouco os \u201cdonos do mundo\u201d, mas s\u00e3o concebidas para agarrar segmentos do eleitorado que os Republicanos t\u00eam conseguido manter, j\u00e1 que as pol\u00edticas republicanas se t\u00eam desviado tanto para a direita que as suas propostas n\u00e3o atraem eleitores. Por exemplo, acabar com o apoio ao planeamento familiar n\u00e3o \u00e9 servi\u00e7o ao eleitorado. De facto, esse grupo pode na sua maioria prover o planeamento familiar. Mas esses cortes apelam \u00e0 sua base de apoio entre os Crist\u00e3os Evang\u00e9licos \u2013 eleitores que fecham os olhos ao facto de estarem na realidade a apoiar um maior n\u00famero de gravidezes indesejadas e, portanto, aumentando a frequ\u00eancia do recurso ao aborto em condi\u00e7\u00f5es prejudiciais e at\u00e9 mesmo letais.<\/p>\n<p>Nem todos os estragos poder\u00e3o ser imputados ao charlat\u00e3o que nominalmente est\u00e1 ao comando das opera\u00e7\u00f5es, \u00e0 sua agenda extravagante ou \u00e0s for\u00e7as do congresso que desencadeou. Alguns dos mais perigosos desenvolvimentos que se t\u00eam verificado com Trump t\u00eam ra\u00edzes em iniciativas de Obama \u2013 iniciativas aprovadas, certamente, sob press\u00e3o do Congresso Republicano.<\/p>\n<p>A mais perigosa quase n\u00e3o foi reportada. Um estudo muito importante no Bulletin of Atomic Scientists, publicado em Mar\u00e7o de 2017, revela que o programa de moderniza\u00e7\u00e3o das armas nucleares de Obama aumentou \u201co poder destruidor das for\u00e7as de m\u00edsseis bal\u00edsticos existentes nos EUA num factor de aproximadamente 3 \u2013 e cria exactamente o que esperar\u00edamos ver, se um estado com armas nucleares planeasse ter o poder de travar e vencer uma guerra nuclear desarmando os inimigos com um primeiro ataque-surpresa.\u201d Como apontam os analistas, este novo poder amea\u00e7a a estabilidade estrat\u00e9gica de que depende a sobreviv\u00eancia da esp\u00e9cie humana. E o registo arrepiante de momentos pr\u00f3ximos da cat\u00e1strofe e de comportamentos irrespons\u00e1veis por parte de l\u00edderes em anos passados demonstra qu\u00e3o fr\u00e1gil \u00e9 a nossa sobreviv\u00eancia. Neste momento, este programa est\u00e1 a ser levado avante sob o comando de Trump. Estes desenvolvimentos, em conjunto com a amea\u00e7a de desastre ambiental, ensombram todo o resto; e pouco se discutem, enquanto a aten\u00e7\u00e3o se dirige \u00e0s performances do artista na boca de cena.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 claro que Trump tenha no\u00e7\u00e3o do que ele e os seus ac\u00f3litos est\u00e3o a preparar. Talvez ele seja aut\u00eantico: um megaloman\u00edaco ignorante cuja \u00fanica ideologia \u00e9 ele mesmo. Mas o que est\u00e1 a acontecer sob o comando da ala extrema da organiza\u00e7\u00e3o Republicana \u00e9 muito claro.<\/p>\n<p><b>DB: V\u00ea alguma actividade encorajadora no lado dos Democratas? Ou \u00e9 tempo de come\u00e7ar a pensar num terceiro partido? <\/b><\/p>\n<p><b>NC<\/b>: H\u00e1 muito que considerar. A caracter\u00edstica mais not\u00e1vel da elei\u00e7\u00e3o de 2016 foi a campanha de Bernie Sanders, que mudou o padr\u00e3o estabelecido por mais de um s\u00e9culo de hist\u00f3ria pol\u00edtica dos EUA. Um corpo substancial de investiga\u00e7\u00e3o em ci\u00eancia pol\u00edtica atesta de forma convincente que as elei\u00e7\u00f5es s\u00e3o sem d\u00favida compradas; o financiamento das campanhas \u00e9 s\u00f3 por si um factor de previsibilidade eficaz no que toca \u00e0 elegibilidade, quer para o Congresso, quer para a Presid\u00eancia. Tamb\u00e9m permite prever as decis\u00f5es das entidades oficiais eleitas. Do mesmo modo, uma maioria consider\u00e1vel do eleitorado (os mais baixos na escala de rendimentos) est\u00e3o de facto marginalizados, na medida em que os seus representantes ignoram as suas prefer\u00eancias. Nesta perspectiva, \u00e9 pouco surpreendente a vit\u00f3ria dum bilion\u00e1rio estrela de TV, com apoio substancial dos m\u00e9dia: apoio directo do principal canal de cabo, a Fox, de Rupert Murdoch, e de programas de r\u00e1dio muito influentes de direita; apoio indirecto mas generoso por perto do resto dos maiores meios de comunica\u00e7\u00e3o, seduzidos pelas artimanhas de Trump e as receitas de publicidade que entraram.<\/p>\n<p>A campanha de Sanders, por outro lado, cortou radicalmente com o modelo dominante. Sanders era pouco conhecido. Quase n\u00e3o tinha apoios nos principais meios de financiamento, foi ignorado ou achincalhado pelos m\u00e9dia e identificou-se com a assustadora palavra \u201csocialista\u201d. Ele \u00e9 agora a mais popular figura pol\u00edtica no pa\u00eds por uma larga margem.<\/p>\n<p>No m\u00ednimo, o sucesso da campanha de Sanders mostra que se podem fazer muitas op\u00e7\u00f5es mesmo dentro do quadro redutor dos dois partidos, com todas as barreiras institucionais que impedem que nos libertemos dele. Durante a Administra\u00e7\u00e3o Obama, o Partido Democr\u00e1tico desintegrou-se ao n\u00edvel local e estatal. O Partido j\u00e1 tinha abandonado a classe trabalhadora anos antes, ainda mais com as pol\u00edticas comerciais e fiscais de Clinton, que minaram a produ\u00e7\u00e3o dos EUA e o emprego est\u00e1vel que esta proporcionava.<\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 falta de propostas pol\u00edticas progressistas. O programa desenvolvido por Robert Polli no seu livro Greening the Global Economy constitui uma abordagem muito promissora. O trabalho de Gar Alperovitz sobre a constru\u00e7\u00e3o de uma democracia aut\u00eantica baseada na autogest\u00e3o dos trabalhadores \u00e9 outra. A implementa\u00e7\u00e3o pr\u00e1tica destas abordagens e ideias relacionadas est\u00e1 a tomar forma de muitas maneiras diferentes. Organiza\u00e7\u00f5es populares, algumas delas resultado da Campanha de Sanders, est\u00e3o activamente envolvidas em aproveitarem as muitas oportunidades que se apresentam.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo, o quadro estabelecido de dois partidos, apesar de respeit\u00e1vel, n\u00e3o est\u00e1 de modo algum gravado na rocha. N\u00e3o \u00e9 segredo que, em anos recentes, as institui\u00e7\u00f5es pol\u00edticas tradicionais t\u00eam estado em decl\u00ednio nas democracias industriais, sob o impacto do que \u00e9 designado \u201cpopulismo\u201d. O termo \u00e9 usado muito livremente para referir a onda de descontentamento, raiva e desprezo pelas institui\u00e7\u00f5es que tem acompanhado o assalto neoliberal da \u00faltima gera\u00e7\u00e3o, que conduziu \u00e0 estagna\u00e7\u00e3o para a maioria e, ao mesmo tempo, uma concentra\u00e7\u00e3o de riqueza nas m\u00e3os de uns poucos.<\/p>\n<p>A democracia funcional vai-se desgastando como efeito natural da concentra\u00e7\u00e3o do poder econ\u00f3mico que se traduz rapidamente em poder pol\u00edtico por meios que conhecemos, mas tamb\u00e9m por raz\u00f5es mais profundas e fundamentais. A pretens\u00e3o da doutrina \u00e9 que a transfer\u00eancia do poder de decis\u00e3o do sector p\u00fablico para o \u201cmercado\u201d contribui para a liberdade individual, mas a realidade \u00e9 diferente. A transfer\u00eancia ocorre das institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas, nas quais os eleitores t\u00eam uma palavra, tanto quanto a democracia funcionar, para as tiranias privadas (as corpora\u00e7\u00f5es que dominam a economia), nas quais os eleitores n\u00e3o t\u00eam qualquer palavra a dizer. Na Europa, h\u00e1 um m\u00e9todo ainda mais directo de amea\u00e7ar a democracia: colocar decis\u00f5es cruciais nas m\u00e3os duma troika n\u00e3o eleita (o FMI, o BCE, a Comiss\u00e3o Europeia), que ajuda os bancos da Europa do Norte e os credores, n\u00e3o o eleitorado.<\/p>\n<p>Estas pol\u00edticas t\u00eam como objectivo fazer com que a sociedade deixe de existir, a famosa descri\u00e7\u00e3o que Margaret Thatcher fez do mundo tal como o percepcionava \u2013 ou, mais exactamente, como esperava cri\u00e1-lo: um mundo onde n\u00e3o existe sociedade, apenas indiv\u00edduos. Esta foi uma par\u00e1frase involunt\u00e1ria de Marx e da sua amarga condena\u00e7\u00e3o da repress\u00e3o em Fran\u00e7a, que deixou a sociedade como um \u201csaco de batatas\u201d, uma massa amorfa, que n\u00e3o funciona. No caso em quest\u00e3o, o tirano n\u00e3o \u00e9 um l\u00edder autocr\u00e1tico (no Ocidente, pelo menos), mas concentra\u00e7\u00f5es de poder privado.<\/p>\n<p>O colapso de institui\u00e7\u00f5es centristas de governo foi evidente em elei\u00e7\u00f5es: em Fran\u00e7a em meados deste ano, e nos EUA, alguns meses antes, onde os dois candidatos que mobilizaram as for\u00e7as populares foram Sanders e Trump \u2013 embora Trump n\u00e3o tenha perdido tempo para demonstrar a fraudul\u00eancia do seu \u201cpopulismo\u201d garantindo rapidamente que os elementos mais severos do velho establishment estariam firmemente acomodados no poder no \u201cp\u00e2ntano\u201d luxuriante.<\/p>\n<p>Estes processos podem levar \u00e0 quebra do r\u00edgido esquema norte-americano de ter uma regra de um partido com duas frac\u00e7\u00f5es a competir entre si, com blocos de eleitorado que v\u00e3o variando com o tempo. Pode ser uma oportunidade para a emerg\u00eancia de um verdadeiro \u201cpartido do povo\u201d, um partido cujo eleitorado sejam de facto as pessoas, cujos valores mere\u00e7am respeito.<\/p>\n<p><b>DB: A primeira visita de Trump ao estrangeiro foi \u00e0 Ar\u00e1bia Saudita. Que significado v\u00ea nisso e o que significa para a pol\u00edtica no M\u00e9dio Oriente num sentido lato? E o que pensa do estado de esp\u00edrito de Trump em rela\u00e7\u00e3o ao Ir\u00e3o? <\/b><\/p>\n<p><b>NC: <\/b> A Ar\u00e1bia Saudita \u00e9 o g\u00e9nero de lugar onde Trump se sente em casa: uma ditadura brutal, miseravelmente repressiva (notoriamente no caso dos direitos das mulheres, mas tamb\u00e9m em muitas outras \u00e1reas), o principal produtor de petr\u00f3leo (agora a ser ultrapassado pelos EUA) e com muito dinheiro. A viagem resultou em promessas de vendas massivas de armamento, animando o seu c\u00edrculo pr\u00f3ximo, e vagamente insinuando outras ofertas sauditas. Uma das consequ\u00eancias foi que os amigos sauditas de Trump receberam luz verde para aumentar as suas horr\u00edveis atrocidades no I\u00e9men e para disciplinar o Qatar, que se tem revelado demasiado independente dos senhores sauditas. O Ir\u00e3o tamb\u00e9m \u00e9 um factor nesta quest\u00e3o. O Qatar partilha um campo de g\u00e1s natural com o Ir\u00e3o e tem rela\u00e7\u00f5es comerciais e culturais com ele, de que os sauditas e os seus associados, profundamente reaccion\u00e1rios, n\u00e3o gostam.<\/p>\n<p>O Ir\u00e3o \u00e9 de h\u00e1 muito visto pelos l\u00edderes dos EUA e pelos comentadores norte-americanos como extraordinariamente perigoso, talvez o pa\u00eds mais perigoso do planeta. Isto \u00e9 muito anterior a Trump. De acordo com a doutrina do sistema, o Ir\u00e3o representa uma dupla amea\u00e7a: \u00e9 o principal apoio do terrorismo e os seus programas nucleares representam uma amea\u00e7a de exist\u00eancia para Israel, se n\u00e3o mesmo para todo o mundo. \u00c9 t\u00e3o perigoso que Obama teve de instalar um avan\u00e7ado sistema de defesa a\u00e9rea perto da fronteira com a R\u00fassia para proteger a Europa das armas nucleares do Ir\u00e3o \u2013 que n\u00e3o existem e, em todo o caso, os l\u00edderes iranianos apenas usariam se estivessem possu\u00eddos por um desejo de serem imediatamente incinerados em resposta.<\/p>\n<p>Esta \u00e9 a doutrina do sistema. No mundo real, o apoio do Ir\u00e3o ao terrorismo traduz-se no apoio ao Hezbollah, cujo grande crime \u00e9 ser a \u00fanica for\u00e7a que impede outra invas\u00e3o israelita do L\u00edbano e, para o Hamas, que ganhou uma elei\u00e7\u00e3o livre na Faixa de Gaza \u2013 um crime que instantaneamente suscitou pesadas san\u00e7\u00f5es e levou o governo dos EUA a preparar um golpe militar. Ambas as organiza\u00e7\u00f5es, \u00e9 verdade, podem ser acusadas de actos terroristas, embora estejam longe do terrorismo que adv\u00e9m do envolvimento da Ar\u00e1bia Saudita ma forma\u00e7\u00e3o e ac\u00e7\u00f5es das redes de jiadistas.<\/p>\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o aos programas de armas nucleares do Ir\u00e3o, os servi\u00e7os de informa\u00e7\u00e3o dos EUA confirmam o que qualquer pessoa pode perceber por si mesma: se eles existem, fazem tamb\u00e9m parte da estrat\u00e9gia de dissuas\u00e3o do Ir\u00e3o. Tamb\u00e9m h\u00e1 o facto, nunca mencionado, de que qualquer preocupa\u00e7\u00e3o com as armas de destrui\u00e7\u00e3o massiva iranianas (ADM) poderia ser resolvida simplesmente acatando o apelo do Ir\u00e3o para criar uma zona livre de ADM no M\u00e9dio Oriente. Tal zona \u00e9 fortemente apoiada pelos estados \u00e1rabes e a maioria do resto do mundo, e \u00e9 bloqueada em primeiro lugar pelos EUA, que pretendem proteger o poder de Israel no que diz respeito a ADM.<\/p>\n<p>Uma vez que o sistema vigente n\u00e3o \u00e9 inspeccionado, resta-nos a tarefa de encontrar as verdadeiras raz\u00f5es para a atitude dos EUA face ao Ir\u00e3o. Rapidamente surgem poss\u00edveis raz\u00f5es. Os EUA e Israel n\u00e3o toleram uma for\u00e7a independente numa regi\u00e3o que consideram ser deles por direito. Um Ir\u00e3o com uma capacidade nuclear dissuasora, para estados desonestos que querem agitar o M\u00e9dio Oriente a seu bel-prazer. Mas h\u00e1 mais. O Ir\u00e3o n\u00e3o pode ser perdoado pelo derrube do ditador instalado por Washington num golpe militar em 1953, golpe que destruiu o regime parlamentar do Ir\u00e3o, com a sua cren\u00e7a inconceb\u00edvel de que o Ir\u00e3o poder\u00e1 ter algum direito sobre os seus pr\u00f3prios recursos naturais. O mundo \u00e9 demasiado complexo para qualquer descri\u00e7\u00e3o simples, mas parece-me ser este o essencial da hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m \u00e9 bom lembrar que, nas \u00faltimas seis d\u00e9cadas, Washington esteve quase sempre a atormentar o Ir\u00e3o. Depois do golpe militar de 1953, veio o apoio norte-americano a um ditador descrito pela Amnistia Internacional como um dos maiores infractores dos direitos humanos essenciais. Logo a seguir ao seu derrube, veio a invas\u00e3o do Ir\u00e3o por Saddam Hussein, apoiada pelos EUA, o que n\u00e3o foi coisa de pouca monta. Centenas de milhares de iranianos foram mortos, muitos por armas qu\u00edmicas. O apoio de Reagan ao seu amigo Saddam foi t\u00e3o extremo que, quando o Iraque atacou um navio dos EUA, o USS Stark, matando 37 marinheiros norte-americanos, recebeu apenas uma ligeira repreens\u00e3o como resposta. Reagan tamb\u00e9m procurou culpar o Ir\u00e3o pelos horr\u00edveis ataques com armas qu\u00edmicas aos curdos iraquianos.<\/p>\n<p>Os EUA acabariam por intervir directamente na Guerra Ir\u00e3o-Iraque, levando \u00e0 capitula\u00e7\u00e3o amarga do Ir\u00e3o. Depois disso, George H.W. Bush convidou engenheiros nucleares iranianos para irem aos EUA para terem treino avan\u00e7ado na produ\u00e7\u00e3o de armas nucleares \u2013 uma extraordin\u00e1ria amea\u00e7a ao Ir\u00e3o, muito diferente das suas outras implica\u00e7\u00f5es. E claro, Washington tem sido a pot\u00eancia dominante por tr\u00e1s das duras san\u00e7\u00f5es contra o Ir\u00e3o que continuam at\u00e9 ao presente.<\/p>\n<p>Trump, por seu turno, juntou-se aos mais duros e repressivos ditadores que gritam impreca\u00e7\u00f5es ao Ir\u00e3o. Aconteceu que houve elei\u00e7\u00f5es no Ir\u00e3o durante a viagem extravagante de Trump ao M\u00e9dio Oriente. Uma elei\u00e7\u00e3o que, com todos os seus defeitos, seria impens\u00e1vel no pa\u00eds dos seus anfitri\u00f5es sauditas, que s\u00e3o a fonte do islamismo radical que inquina a regi\u00e3o. Mas a animosidade dos EUA contra o Ir\u00e3o vai para al\u00e9m do pr\u00f3prio Trump. Inclui aqueles que s\u00e3o vistos como os \u201cadultos\u201d na Administra\u00e7\u00e3o Trump, como James \u201cMad Dog\u201d Mattis, o Secret\u00e1rio da Defesa. E recua muito no passado.<\/p>\n<p><b>DB: Quais s\u00e3o os problemas estrat\u00e9gicos no que concerne a Coreia do Norte? Pode fazer-se alguma coisa para aliviar o conflito crescente? <\/b><\/p>\n<p><b>NC<\/b>: A Coreia do Norte tem sido um problema doloroso desde o fim da II Guerra Mundial, quando a esperan\u00e7a dos coreanos pela unifica\u00e7\u00e3o da pen\u00ednsula foi bloqueada pela interven\u00e7\u00e3o das grandes pot\u00eancias, sendo os EUA os principais respons\u00e1veis.<\/p>\n<p>A ditadura norte-coreana pode ganhar o pr\u00e9mio para a brutalidade e repress\u00e3o, mas procura e, at\u00e9 certo ponto, consegue desenvolvimento econ\u00f3mico, apesar do enorme fardo de um sistema militar imenso. Esse sistema inclui, claro, um arsenal em expans\u00e3o de armas nucleares e m\u00edsseis, que colocam a regi\u00e3o sob amea\u00e7a e, a longo prazo, a outros pa\u00edses \u2013 mas a sua fun\u00e7\u00e3o \u00e9 ser um entrave, fun\u00e7\u00e3o que o regime norte-coreano n\u00e3o dever\u00e1 abandonar enquanto se mantiver sob amea\u00e7a de destrui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Hoje, \u00e9-nos dito que o grande desafio que o mundo encara \u00e9 como obrigar a Coreia do Norte a congelar estes programas nucleares e de m\u00edsseis. Talvez dev\u00eassemos recorrer a mais san\u00e7\u00f5es, guerra cibern\u00e9tica, intimida\u00e7\u00e3o; \u00e0 instala\u00e7\u00e3o do sistema antim\u00edsseis Terminal High Altitude Area Defense (THAAD) [1], que a China considera como uma s\u00e9ria amea\u00e7a aos seus pr\u00f3prios interesses; talvez dev\u00eassemos mesmo recorrer ao ataque directo \u00e0 Coreia do Norte, que, naturalmente, provocaria retalia\u00e7\u00e3o de artilharia em massa, devastando Seul, e grande parte da Coreia do Sul, mesmo sem o uso de armas nucleares.<\/p>\n<p>Mas h\u00e1 outra op\u00e7\u00e3o, que parece ser ignorada: poder\u00edamos simplesmente aceitar a oferta da Coreia do Norte para fazer o que estamos a exigir. A China e a Coreia do Norte j\u00e1 propuseram que a Coreia do Norte congelasse os seus programas nucleares e de m\u00edsseis. A proposta foi, no entanto, rejeitada de imediato por Washington, tal como fora dois anos antes, porque inclui um quid pro quo: apela aos EUA para que parem os seus amea\u00e7adores exerc\u00edcios militares nas fronteiras da Coreia do Norte, incluindo as simula\u00e7\u00f5es de ataques nucleares por B-52.<\/p>\n<p>A proposta chinesa-norte coreana \u00e9 razo\u00e1vel. Os norte-coreanos lembram-se bem de que o seu pa\u00eds foi literalmente terraplanado pelos bombardeamentos norte-americanos, e muitos poder\u00e3o lembrar o modo como as for\u00e7as dos EUA bombardearam grandes barragens quando n\u00e3o havia outros alvos. Houve relatos entusi\u00e1sticos, em publica\u00e7\u00f5es militares norte-americanas, sobre o excitante espect\u00e1culo de uma enorme inunda\u00e7\u00e3o a varrer os campos de arroz de que \u201cos asi\u00e1ticos\u201d dependem para sobreviver. Vale muito a pena l\u00ea-los, s\u00e3o uma parte \u00fatil da mem\u00f3ria hist\u00f3rica.<\/p>\n<p>A oferta para congelar os programas nucleares e de m\u00edsseis da Coreia do Norte em troca pelo fim das ac\u00e7\u00f5es altamente provocadoras na fronteira da Coreia do Norte poderiam ser a base para negocia\u00e7\u00f5es mais ambiciosas, que poderiam reduzir radicalmente a amea\u00e7a nuclear e talvez mesmo p\u00f4r termo \u00e0 crise da Coreia do Norte. Ao contr\u00e1rio de muitos coment\u00e1rios inflamados, h\u00e1 boas raz\u00f5es para pensar que tais negocia\u00e7\u00f5es poderiam ter sucesso. E, no entanto, apesar de que os programas norte coreanos s\u00e3o constantemente descritos com sendo talvez a maior amea\u00e7a que enfrentamos, a proposta chinesa-norte coreana \u00e9 inaceit\u00e1vel para Washington, e \u00e9 rejeitada pelos comentadores dos EUA com impressionante unanimidade. Esta \u00e9 outra entrada no vergonhoso e deprimente registo de op\u00e7\u00e3o consciente pela for\u00e7a quando op\u00e7\u00f5es pac\u00edficas poder\u00e3o estar dispon\u00edveis.<\/p>\n<p>As elei\u00e7\u00f5es de 2017 na Coreia do Sul podem oferecer um raio de esperan\u00e7a. O rec\u00e9m-eleito presidente Moon Jae-in parece ter a inten\u00e7\u00e3o de reverter as duras pol\u00edticas de confronto do seu antecessor. Ele apelou a op\u00e7\u00f5es diplom\u00e1ticas e a que se se d\u00eaem passos para a reconcilia\u00e7\u00e3o, o que ser\u00e1 sem d\u00favida uma melhoria em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 atitude belicista que poder\u00e1 levar a um verdadeiro desastre.<\/p>\n<p><b>DB: No passado, expressou preocupa\u00e7\u00e3o acerca da Uni\u00e3o Europeia. O que acha que acontecer\u00e1 \u00e0 medida que a Europa se tornar menos ligada aos EUA e ao Reino Unido? <\/b><\/p>\n<p><b>NC: <\/b> A Uni\u00e3o Europeia tem problemas fundamentais, nomeadamente a moeda \u00fanica sem uni\u00e3o pol\u00edtica. Tamb\u00e9m tem muitas caracter\u00edsticas positivas. H\u00e1 ideias razo\u00e1veis que t\u00eam como objectivo salvaguardar o que \u00e9 bom e melhorar o que \u00e9 prejudicial. A iniciativa DiEM25 de Yanis Varoufakis para uma Europa Democr\u00e1tica \u00e9 uma abordagem promissora.<\/p>\n<p>O Reino Unido tem sido um substituto dos EUA na pol\u00edtica europeia. O Brexit poder\u00e1 encorajar a Europa a tomar um papel mais independente nas quest\u00f5es globais, um curso que pode ser acelerado pelas pol\u00edticas de Trump que cada vez mais nos isolam do mundo. Enquanto ele grita e agita um enorme bast\u00e3o, a China poder\u00e1 tomar a lideran\u00e7a nas pol\u00edticas en\u00e9rgicas globais enquanto expande a sua influ\u00eancia para o Ocidente e, em \u00faltima inst\u00e2ncia, para a Europa, com base na Organiza\u00e7\u00e3o para a Coopera\u00e7\u00e3o de Xangai e a Nova Rota da Seda.<\/p>\n<p>Que a Europa se possa tornar uma \u201cterceira for\u00e7a\u201d independente tem constitu\u00eddo mat\u00e9ria de preocupa\u00e7\u00e3o para respons\u00e1veis nos EUA desde a Segunda Guerra Mundial. Tem havido discuss\u00f5es de qualquer coisa como uma concep\u00e7\u00e3o gaulista da Europa desde o Atl\u00e2ntico at\u00e9 aos Urais ou, em anos recentes, a vis\u00e3o de Gorbachev duma Europa comum, de Bruxelas a Vladivostok.<\/p>\n<p>O que quer que aconte\u00e7a, a Alemanha dever\u00e1 reter um papel dominante nos assuntos europeus. \u00c9 bastante surpreendente ouvir uma chanceler alem\u00e3 conservadora, Angela Merkel, a dar li\u00e7\u00f5es ao seu hom\u00f3logo norte-americano sobre direitos humanos e tomar a dianteira, pelo menos por algum tempo, para confrontar o problema dos refugiados, a profunda crise moral da Europa. Por outro lado, a insist\u00eancia alem\u00e3 na austeridade e a paran\u00f3ia sobre a infla\u00e7\u00e3o e a sua pol\u00edtica de promover exporta\u00e7\u00f5es limitando o consumo dom\u00e9stico n\u00e3o t\u00eam qualquer responsabilidade pelos problemas da economia europeia, em particular a situa\u00e7\u00e3o apertada das economias perif\u00e9ricas. Na melhor das hip\u00f3teses, contudo, e n\u00e3o est\u00e1 fora de quest\u00e3o, a Alemanha poderia influenciar a Europa para se tornar uma for\u00e7a positiva em quest\u00f5es globais.<\/p>\n<p><b>DB: O que acha do conflito entre a Administra\u00e7\u00e3o Trump e as comunidades de informa\u00e7\u00e3o dos EUA. Acredita no \u201cEstado Profundo\u201d? <\/b><\/p>\n<p><b>NC<\/b>: H\u00e1 uma burocracia da seguran\u00e7a nacional que persiste desde a Segunda Guerra Mundial. E os analistas da seguran\u00e7a nacional, dentro e fora do governo, t\u00eam-se mostrado estarrecidos com muitos dos ataques violentos de Trump. As suas preocupa\u00e7\u00f5es s\u00e3o partilhadas pelos peritos, bastante cred\u00edveis, que adiantaram o rel\u00f3gio do Ju\u00edzo Final para dois minutos e meio antes da meia-noite, mal Trump entrou em fun\u00e7\u00f5es \u2013 mais perto do que alguma vez esteve do desastre terminal desde 1953, quando os EUA e a URSS fizeram explodir armas termonucleares. Mas n\u00e3o vejo muitos sinais, para al\u00e9m disso, de que haja uma conspira\u00e7\u00e3o do \u201cEstado Profundo\u201d.<\/p>\n<p><b>DB: Para concluir, \u00e0 medida que se aproxima o seu 89\u00ba anivers\u00e1rio, pergunto: tem uma teoria da longevidade? <\/b><\/p>\n<p><b>NC: <\/b> Sim, na realidade \u00e9 simples: se estiver a andar de bicicleta e n\u00e3o quiser cair, tem que continuar a andar, e r\u00e1pido.<\/p>\n<p>[1] O Terminal High Altitude Area Defense (THAAD), anteriormente chamado de Theater High Altitude Area Defense, \u00e9 um sistema de m\u00edsseis antibal\u00edsticos do Ex\u00e9rcito dos Estados Unidos projectado para abater m\u00edsseis bal\u00edsticos de alcance curto, m\u00e9dio e interm\u00e9dio [Nota da tradu\u00e7\u00e3o].<\/p>\n<p>&#8211; <b>Noam Chomsky<\/b> \u00e9 Professor Em\u00e9rito no MIT, publicou v\u00e1rios livros e artigos sobre assuntos internacionais, em particular sobre Israel e a Palestina. O seu \u00faltimo livro, Global Discontents: Conversations on the Rising Threats to Democracy, ser\u00e1 publicado em Dezembro de 2017.<\/p>\n<p>&#8211; <b>David Barsamian<\/b> \u00e9 o Director da Alternative Radio em Boulder, no Colorado. (www.alternative <a href=\"http:\/\/radio.org\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">radio.org<\/a>).<\/p>\n<p><b>*Nota do Editor: Este artigo foi originalmente publicado em TomDispatch.com <\/b><\/p>\n<p><b>Tradu\u00e7\u00e3o de Andr\u00e9 Rodrigues P. Silva<\/b><\/p>\n<p>https:\/\/www.odiario.info\/noam-chomsky-faz-o-diagnostico-da\/<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/16888\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[165,38],"tags":[225],"class_list":["post-16888","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-eua","category-c43-imperialismo","tag-4a"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-4oo","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16888","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=16888"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16888\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=16888"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=16888"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=16888"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}