{"id":16934,"date":"2017-11-07T14:48:29","date_gmt":"2017-11-07T17:48:29","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=16934"},"modified":"2018-02-06T07:47:21","modified_gmt":"2018-02-06T10:47:21","slug":"presenca-militar-estadunidense-na-amazonia-brasileira-e-crime-de-alta-traicao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/16934","title":{"rendered":"Presen\u00e7a militar estadunidense na amaz\u00f4nia brasileira \u00e9 crime de alta trai\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"Presen\u00e7a militar estadunidense na amaz\u00f4nia brasileira \u00e9 crime de alta trai\u00e7\u00e3o\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/static.wixstatic.com\/media\/ecbbf4_68a038c959c94d1a91f177ac8712cb72~mv2.png?w=747&#038;ssl=1\" alt=\"Presen\u00e7a militar estadunidense na amaz\u00f4nia brasileira \u00e9 crime de alta trai\u00e7\u00e3o\" \/><!--more-->por Vasconcelos*<\/p>\n<p>A segunda semana de novembro traz com ela o in\u00edcio de um dos maiores golpes na soberania nacional da hist\u00f3ria do nosso pa\u00eds, o exerc\u00edcio Amazonlog 2017. A convite do ex\u00e9rcito brasileiro, tropas militares estadunidenses estar\u00e3o presentes para manobras na nossa por\u00e7\u00e3o da floresta amaz\u00f4nica, na cidade de Tabatinga (AM), lado a lado com tropas de pa\u00edses como o Peru e a Col\u00f4mbia, Estados que no momento n\u00e3o passam de fantoches de Washington, inclusive com bases militares estadunidenses em seus territ\u00f3rios (coisa da qual estivemos salvos at\u00e9 o momento). Sob roupagem humanit\u00e1ria, o exerc\u00edcio finalizar\u00e1 com a instala\u00e7\u00e3o de uma base log\u00edstica \u2018\u2019multinacional\u2019\u2019. Ora, qualquer um com duas doses de experi\u00eancia em pol\u00edtica sabe que em um grupo se sobressai o mais forte. Numa base \u2018\u2019multinacional\u2019, quem dar\u00e1 a ordem?<\/p>\n<p>Na Am\u00e9rica do Sul a situa\u00e7\u00e3o \u00e9 cr\u00edtica. Essa por\u00e7\u00e3o do continente carrega consigo a chaga de 13 bases estadunidenses. Das 13, 10 s\u00e3o em pa\u00edses com alguma fatia da floresta amaz\u00f4nica. Algumas delas dentro da pr\u00f3pria floresta. O s\u00e9culo XXI n\u00e3o completou seu primeiro quarto de exist\u00eancia mas j\u00e1 traz consigo a dura realidade de um mundo unipolar no p\u00f3s-guerra-fria e queda da URSS. Sozinho em sua domina\u00e7\u00e3o, o imperialismo estadunidense se viu livre para estender sua domina\u00e7\u00e3o militar, econ\u00f4mica e cultural aos quatro cantos do globo, com pontuais exce\u00e7\u00f5es. O unilateralismo que deu base para a\u00e7\u00f5es b\u00e1rbaras encontra na guerra contra o Iraque seu exemplo mais personificado, uma vez que o Oriente M\u00e9dio \u00e9 a regi\u00e3o mais atingida no momento pelo horror do complexo industrial-militar estadunidense. A relativa paz que reinou no nosso continente nos \u00faltimos anos, a paz que n\u00e3o nos beneficia, a aus\u00eancia de conflito que longe de significar desenvolvimento significa a ordem e a paz para que os exploradores sigam explorando n\u00e3o durar\u00e1 por muito tempo.<\/p>\n<p>Na campanha presidencial estadunidense, Trump e Clinton foram parceiros em pontos-chave, os pontos que realmente importam. O principal deles \u00e9 tornar os EUA cada vez mais independente do petr\u00f3leo do Oriente M\u00e9dio. S\u00f3 h\u00e1 uma regi\u00e3o no planeta que \u00e9 t\u00e3o rica em ouro negro: a Nossa Am\u00e9rica. Curiosamente, o pa\u00eds com as maiores reservas de petr\u00f3leo no globo tamb\u00e9m \u00e9 nosso: a Venezuela.<\/p>\n<p><b>A \u2018\u2019crise na Venezuela\u2019\u2019 e uma invas\u00e3o anunciada<\/b><\/p>\n<p>O ano que se encerra foi palco de momentos tensos no cen\u00e1rio pol\u00edtico internacional. A escalada da quest\u00e3o venezuelana nos d\u00e1 a oportunidade de observar no presente o <i>modus operandi<\/i> estadunidense para a Am\u00e9rica Latina, <i>modus operandi<\/i> esse que recheia as p\u00e1ginas da hist\u00f3ria da Am\u00e9rica Latina, a P\u00e1tria Grande.<\/p>\n<p>O \u00e1pice das tens\u00f5es na Venezuela d\u00e1 a impress\u00e3o de ter ficado para tr\u00e1s, mas \u00e9 preciso ter cuidado. Posto em pr\u00e1tica um projeto radical anti-imperialista e popular de soberania nacional, chamado bolivarianismo, o governo venezuelano encontrou na sua burguesia o maior entrave para o a eleva\u00e7\u00e3o do pa\u00eds em pot\u00eancia, deixando em evid\u00eancia uma caracter\u00edstica do nosso continente que ainda engana os ing\u00eanuos: a classe dominante dos pa\u00edses subdesenvolvidos (e aqui insere-se a Am\u00e9rica Latina) n\u00e3o possui nenhum interesse no desenvolvimento nacional. Forjada em 300 anos de colonialismo e 200 de escravid\u00e3o negra e outros tantos de escravid\u00e3o ind\u00edgena, a burguesia brasileira, venezuelana e latino-americana tem o seu pensamento e suas bases de sustenta\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica voltados para al\u00e9m das nossas fronteiras, para o hemisf\u00e9rio norte do nosso planeta. Para os grandes empres\u00e1rios dos nossos pa\u00edses, lucro significa espolia\u00e7\u00e3o de nossas riquezas e explora\u00e7\u00e3o da for\u00e7a de trabalho da imensa massa populacional latino-americana.<\/p>\n<p>Na Venezuela, esse desprezo por um projeto nacionalista se materializa em constantes ataques contra os representantes bolivarianos, atos de sabotagem contra o governo, como o estocamento de alimentos e outros produtos com a \u00fanica inten\u00e7\u00e3o de privar a popula\u00e7\u00e3o de abastecimento e gerar insatisfa\u00e7\u00f5es contra bolivarianismo, al\u00e9m de conspira\u00e7\u00f5es e tentativas de golpe de estado para colocar o pa\u00eds outra vez na rota do entreguismo e da subservi\u00eancia, como o golpe de 2002 quando o comandante Ch\u00e1vez foi sequestrado e teria sido assassinado, n\u00e3o fosse o gigantesco movimento popular que, aliado aos militares nacionalistas, reconquistaram o poder e reconduziram Ch\u00e1vez ao posto para o qual havia sido eleito.<\/p>\n<p>A plena certeza de que a burguesia dos nossos pa\u00edses n\u00e3o se interessa pelo bem-estar da na\u00e7\u00e3o nos d\u00e1 outra certeza, ainda maior: n\u00e3o existe outra maneira de atingirmos a soberania nacional que n\u00e3o seja um projeto pol\u00edtico apoiado no movimento de massas, conduzido pelos trabalhadores e socialista. Qualquer outra tentativa n\u00e3o passa de ingenuidade ou m\u00e1-f\u00e9.<\/p>\n<p>Os \u00faltimos meses na Venezuela foram marcados por protestos violentos organizados pela oposi\u00e7\u00e3o, protestos esses pintados pela m\u00eddia tradicional como movimentos por \u2018\u2019liberdade\u2019\u2019 e \u2018\u2019democracia\u2019\u2019. Essa mesma m\u00eddia ocultou atos como o inc\u00eandio de creches, assassinato de l\u00edderes pol\u00edticos chavistas e ataques a instala\u00e7\u00f5es militares que, longe de serem epis\u00f3dios isolados, dizem respeito a t\u00e1tica de infligir terror e medo ao movimento popular. Esse \u00e9 o primeiro passo do <i>modus operandi<\/i> estadunidense: o apoio e financiamento da \u2018\u2019oposi\u00e7\u00e3o interna\u2019\u2019 nos pa\u00edses que buscam, de uma forma de outra, se libertar das correntes ianques. Se resta alguma vacila\u00e7\u00e3o aos que ainda n\u00e3o compreendem o que se passa na Venezuela, busquem ver quais figuras no cen\u00e1rio pol\u00edtico brasileiro partem para discursos inflamados contra o bolivarianismo e Maduro. Figuras podres como A\u00e9cio Neves, Aloysio Nunes, Jos\u00e9 Serra, Michel Temer e toda a corja de bandidos que cumpre muito bem o papel de assaltar o pa\u00eds e se horrorizam ao ver que os seus parceiros venezuelanos n\u00e3o tem a oportunidade de fazer o mesmo.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, o desenrolar dos acontecimentos recentes gerou um resultado n\u00e3o muito agrad\u00e1vel aos interesses do nosso irm\u00e3o traidor do norte: a oposi\u00e7\u00e3o venezuelana se dividiu e se enfraqueceu. Os ratos brigam entre si pela oportunidade de ganhar todo o peda\u00e7o de queijo. Fraca e dividida, recebeu ainda uma derrota nas elei\u00e7\u00f5es estaduais que lhes privou de estados estrat\u00e9gicos para lhes dar for\u00e7a. Esse novo cen\u00e1rio elimina, ao menos por um tempo, a op\u00e7\u00e3o de conseguir derrubar o governo maduro internamente. Antes de passarmos para a \u2018\u2019segunda op\u00e7\u00e3o\u2019\u2019, precisamos entender que o imperialismo joga com diversas pe\u00e7as simultaneamente. Alimentar a oposi\u00e7\u00e3o interna n\u00e3o significa que os Estados Unidos fecharam os olhos para outras possibilidades, mas apenas que conduzir seus interesses internamente custa pouco e desgasta menos a sua imagem no cen\u00e1rio internacional.<\/p>\n<p>O segundo principal eixo de atua\u00e7\u00e3o estadunidense para a Am\u00e9rica do Sul \u00e9 uma coaliz\u00e3o de pa\u00edses fantoches em uma opera\u00e7\u00e3o militar de invas\u00e3o da Venezuela, derrubada do governo Maduro e total aniquilamento do projeto bolivariano de soberania nacional, o que n\u00e3o acontecer\u00e1 sem um derramamento de sangue sem precedentes no solo da nossa P\u00e1tria Grande. Fa\u00e7a-se a conta: o pa\u00eds com as maiores reservas de petr\u00f3leo no mundo, pondo em pr\u00e1tica um projeto pol\u00edtico anti-imperialista, nacional e popular, cercado n\u00e3o s\u00f3 de Estados subservientes, mas de Estados subservientes sob a ocupa\u00e7\u00e3o militar da maior pot\u00eancia global, indiscutivelmente mais forte, com um hist\u00f3rico invej\u00e1vel de interven\u00e7\u00f5es em nome de nada al\u00e9m que seus interesses pr\u00f3prios. Qual o resultado? As pe\u00e7as j\u00e1 se posicionam muito bem, vejamos.<\/p>\n<p>Sob o pretexto de guerra \u00e0s drogas, a Col\u00f4mbia se converteu no mais forte bra\u00e7o dos EUA na Am\u00e9rica Latina. Gera\u00e7\u00f5es de militares formados nos Estados Unidos cumprem bem o papel de conduzir For\u00e7as Armadas que seguem a cartilha do imperialismo, que v\u00ea nas drogas apenas a justificativa para sua presen\u00e7a. Al\u00e9m disso, consultores ianques d\u00e3o a linha em setores chave do pa\u00eds, como a intelig\u00eancia, a pol\u00edcia e, j\u00e1 dito, For\u00e7as Armadas. N\u00e3o bastasse, a Col\u00f4mbia possui 6 bases militares dos Estados Unidos em seu territ\u00f3rio, ou seja: a fronteira oeste da Venezuela est\u00e1 ocupada militarmente pelo inimigo. No leste, 1 base mancha o territ\u00f3rio da Guiana. Ainda falando sobre bases, o Brasil (que faz fronteira com o sul da Venezuela) era um dos \u00fanicos pa\u00edses a recha\u00e7ar a presen\u00e7a militar estadunidense. Era. O Amazonlog 2017 veio para mudar esse cen\u00e1rio. Percebem como n\u00e3o se trata apenas de violar a nossa soberania? A instala\u00e7\u00e3o da base militar inimiga na amaz\u00f4nia brasileira \u00e9 a prepara\u00e7\u00e3o para o cen\u00e1rio da guerra contra a nossa vizinha e irm\u00e3 Venezuela. \u00c9 o \u00ednicio de uma onda de instabilidade que varrer\u00e1 o continente, assim como varreu o Oriente M\u00e9dio, transformando a regi\u00e3o na colcha de retalhos ensopada de sangue que \u00e9 hoje. Al\u00e9m dos j\u00e1 citados, pa\u00edses como o Peru (presente no Amazonlog), Paraguai e Argentina tamb\u00e9m carregam em si a presen\u00e7a militar estrangeira.<\/p>\n<p>Embora eu creia que seja este \u00faltimo o eixo de a\u00e7\u00e3o o mais prov\u00e1vel de ser levado a cabo contra a Venezuela, n\u00e3o podemos descartar a op\u00e7\u00e3o pela agress\u00e3o direta dos Estados Unidos. Depois de declara\u00e7\u00f5es do diretor da CIA sobre estarem trabalhando por uma \u2018\u2019mudan\u00e7a de regime\u2019\u2019 e do presidente Trump sobre considerarem uma \u2018\u2019op\u00e7\u00e3o militar\u2019\u2019, qualquer tentativa de ignorar a interven\u00e7\u00e3o estadunidense na regi\u00e3o \u00e9 uma tentativa de enganar o povo sobre o perigo que espreita. A ocupa\u00e7\u00e3o militar em tempos de paz \u00e9 o preparo do terreno para a guerra que certamente vir\u00e1, seja o inimigo real ou n\u00e3o. Caso n\u00e3o seja, inventa-se. Doutrina das guerras sem fim: levemos a desgra\u00e7a ao mundo, sem ela n\u00e3o nos mantemos. Assim \u00e9 conduzida a pol\u00edtica militar estadunidense. Consegue lembrar o \u00faltimo per\u00edodo em que os Estados Unidos da Am\u00e9rica n\u00e3o esteve em uma guerra? Fa\u00e7a um esfor\u00e7o maior: me diga qual a \u00faltima guerra que foi travada em territ\u00f3rio estadunidense.<\/p>\n<p><b>Os militares brasileiros e a soberania nacional nos dias de hoje <\/b><\/p>\n<p>As For\u00e7as Armadas nunca possu\u00edram um pensamento uniforme. A contradi\u00e7\u00e3o inerente \u00e0 domina\u00e7\u00e3o burguesa permite que seu bra\u00e7o armado seja muitas vezes vanguarda de reivindica\u00e7\u00f5es das mais variadas. Assim foi, por exemplo, quando o Ex\u00e9rcito brasileiro lentamente passou a se manifestar contra a fun\u00e7\u00e3o que lhe era delegada de ca\u00e7ar os escravos que fugiam e lev\u00e1-los de volta aos seus senhores. Outro exemplo: o epis\u00f3dio vergonhoso e lament\u00e1vel que foi a guerra do Paraguai moldou a nossa for\u00e7a terreste e deu a ela um car\u00e1ter popular fort\u00edssimo. Milhares de escravos, libertos, \u00edndios e brancos pobres foram incorporados para lutar nas linhas de frente. Terminada a guerra, nosso ex\u00e9rcito manteve esse car\u00e1ter de recrutamento e hoje em dia as tr\u00eas for\u00e7as s\u00e3o compostas de filhos e filhas da classe trabalhadora, principalmente nos postos mais baixos, os soldados, cabos e sargentos. Tamb\u00e9m \u00e9 verdade que na maioria das vezes essa massa de soldados \u00e9 conduzida a defender os interesses do Estado burgu\u00eas e seria ingenuidade nossa achar que pertencer a uma classe \u00e9 o \u00fanico requisito para defender seus interesses, quando n\u00e3o \u00e9.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, a nossa oficialidade tamb\u00e9m foi protagonista de movimentos de car\u00e1ter popular, como o movimento tenentista e as revoltas de 1935 que conseguiram a tomada do poder em Recife, Natal e Rio de Janeiro por um curto espa\u00e7o de tempo. Se aproximando na linha temporal, o Clube Militar entre as d\u00e9cadas de 40 e 60 foi um espa\u00e7o important\u00edssimo de disputa entre correntes as duas principais correntes de pensamento e atua\u00e7\u00e3o pol\u00edtica dos militares: os nacionalistas, defensores dos interesses nacionais e de um Brasil soberano e os entreguistas, defensores da predomin\u00e2ncia de capital estrangeiro no pa\u00eds e da alian\u00e7a submissa ao imperialismo estadunidense. O Clube Militar tamb\u00e9m foi palco de campanhas contra a participa\u00e7\u00e3o brasileira na guerra contra a Coreia e pela completa nacionaliza\u00e7\u00e3o do petr\u00f3leo brasileiro (ambas as campanhas lideradas pela corrente nacionalista das For\u00e7as Armadas).<\/p>\n<p>Por\u00e9m, a tradi\u00e7\u00e3o popular e nacionalista das For\u00e7as Armadas brasileiras foi exterminada nos anos do regime instalado pelos golpistas do 1\u00ba de abril de 1964. A corrente entreguista dos militares conspirava um golpe antinacional desde pelo menos o segundo governo Vargas, mas passou para a defensiva quando o presidente se suicidou. A inesperada rea\u00e7\u00e3o popular nas ruas do Brasil obrigou os golpistas precisaram recuar por medo. A segunda investida de maior for\u00e7a foi em 1961, quando J\u00e2nio Quadros renunciou e a ala golpista tentou impedir que o ent\u00e3o vice-presidente Jo\u00e3o Goulart assumisse a presid\u00eancia. Outra vez foram derrotados, quando o epis\u00f3dio conhecido como Campanha da Legalidade, liderado por Leonel Brizola em conjunto com a ala de militares nacionalistas em defesa da manuten\u00e7\u00e3o da ordem constitucional domaram os golpistas e conduziram Jo\u00e3o Goulart ao cargo de presidente.<\/p>\n<p>Em 64, acertaram o golpe. Os 21 anos que se seguiram, no que diz respeito \u00e0 pol\u00edtica militar, seguiram uma linha central: excluir das nossas For\u00e7as Armadas todos aqueles que lutavam pela soberania nacional e pelos interesses populares. Os diversos expurgos cumpriram seu papel e in\u00fameros militares foram torturados, assassinados, exonerados ou postos para fora do pa\u00eds para deixar o caminho livre aos golpistas. Eliminados todos aqueles que poderiam resistir internamente ao golpe, s\u00f3 restaram dois tipos de militares: os entreguistas, organizadores do golpe e defensores de um pa\u00eds submisso aos Estados Unidos e os indiferentes, que se dividem entre os ing\u00eanuos que creem que militares n\u00e3o se envolvem em pol\u00edtica e os que aceitam com pouco ou nenhum inc\u00f4modo a hegemonia de traidores.<\/p>\n<p>Esse panorama hist\u00f3rico \u00e9 necess\u00e1rio para entender como se configuram os militares hoje em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 soberania do pa\u00eds. Moldados em 21 anos de ditadura, os fardados da nossa gera\u00e7\u00e3o s\u00e3o fruto do pensamento, ainda operante em nossas academias militares, de que nacionalismo significa cantar o hino nacional, saudar a bandeira, amar verde e amarelo e ignorar a forma\u00e7\u00e3o social, pol\u00edtica e econ\u00f4mica brasileira. Ignorar que a nossa desgra\u00e7a \u00e9 fruto do sucesso de outros. Ignorar tudo isso e aceitar ordens que vem dos \u2018\u2019de cima\u2019\u2019, ordem dos militares de alto escal\u00e3o que, sob a manta do nacionalismo fajuto, defendem a entrega do nosso pa\u00eds para interesses estrangeiros. Essa \u00e9 a gera\u00e7\u00e3o de militares existente hoje, quando um general da ativa defende em p\u00fablico a venda de territ\u00f3rios fronteiri\u00e7os, quando um parlamentar burgu\u00eas, um pat\u00e9tico pol\u00edtico tradicional e ex-militar presta contin\u00eancia \u00e0 bandeira estadunidense. Tempos sombrios onde as For\u00e7as Armadas brasileiras chamam o inimigo para aprender a combater em nossas terras e para construir uma base em uma regi\u00e3o estrat\u00e9gica como a Amaz\u00f4nia. Tempos que caminham para a destrui\u00e7\u00e3o do Brasil.<\/p>\n<p>Para que n\u00e3o reste nenhuma d\u00favida, tenhamos a certeza de que ser nacionalista \u00e9 defender as riquezas nacionais e o bem-estar do nosso povo. Ser nacionalista \u00e9 lutar pelo desenvolvimento do nosso pa\u00eds e pela sua plena soberania. Ora, se temos a certeza de que a nossa classe dominante n\u00e3o se interessa por nada al\u00e9m da busca sem limites por uma riqueza oriunda da explora\u00e7\u00e3o do povo, se temos a certeza de que nossa burguesia n\u00e3o se importa com o pa\u00eds e com as condi\u00e7\u00f5es de vida daqueles que tem a sua for\u00e7a de trabalho roubada, temos tamb\u00e9m a certeza de que o desenvolvimento nacional e a soberania popular s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel se lutarmos contra a burguesia em nosso pa\u00eds. Uma luta contra a burguesia pela soberania do nosso pa\u00eds s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel numa perspectiva socialista, que emancipe os trabalhadores e lhes d\u00ea o poder pol\u00edtico.<\/p>\n<p>Dentro do projeto antinacional e antipopular acirrado a partir da ascens\u00e3o da quadrilha liderada por Michel Temer h\u00e1 espa\u00e7o para qualquer resqu\u00edcio de soberania? Em tempos onde o pr\u00e9-sal \u00e9 entregue e nenhum general da ativa se pronuncia, quem defende a soberania nacional? A farda hoje veste quem entrega do pa\u00eds.<\/p>\n<p>As For\u00e7as Armadas brasileiras s\u00e3o parte integrante desse projeto de subservi\u00eancia. A nossa tradi\u00e7\u00e3o de militares nacionalistas se encerrou quando os golpistas de 64 consolidaram sua corrente com base na for\u00e7a, convertendo-a em antro do entreguismo e dobrando definitivamente os joelhos ao imp\u00e9rio, com um agravante: possuem o monop\u00f3lio do uso da for\u00e7a. Pior: essa for\u00e7a n\u00e3o se dirige para o inimigo externo, que em todo momento hist\u00f3rico \u00e9 aquele que espalha seus tent\u00e1culos entre as na\u00e7\u00f5es mais fracas. Essa for\u00e7a se dirige para dentro. A pol\u00edtica militar latino-americana, com pontuais exce\u00e7\u00f5es, \u00e9, como j\u00e1 disse, a reprodu\u00e7\u00e3o da cartilha estadunidense de sufocar qualquer movimento pol\u00edtico popular de reivindica\u00e7\u00f5es que entrem em conflito com os interesses do imp\u00e9rio, basta lembrar que no governo da ex-presidente Dilma o Ex\u00e9rcito foi usado para reprimir manifestantes contr\u00e1rios ao leil\u00e3o do pr\u00e9-sal, j\u00e1 iniciado.<\/p>\n<p><b>A necessidade de um novo pensamento militar <\/b><\/p>\n<p>O cen\u00e1rio aqui exposto significa que os comunistas devem ignorar os militares? A resposta \u00e9 firme: n\u00e3o. Necess\u00e1ria \u00e9 a edifica\u00e7\u00e3o de um novo pensamento militar, voltado radicalmente para o povo, a soberania nacional e o anti-imperialismo. Um nacionalismo popular e revolucion\u00e1rio. Para isso, declaremos imediatamente uma guerra em todas as frentes contra aqueles que fazem das For\u00e7as Armadas uma ferramenta de agress\u00e3o contra o pr\u00f3prio povo e povos irm\u00e3os em nome dos interesses do imp\u00e9rio, que hoje toma a forma dos Estados Unidos da Am\u00e9rica.<\/p>\n<p>Esse movimento nacional-popular n\u00e3o se iniciar\u00e1 nos quart\u00e9is. N\u00e3o pretendemos uma quartelada ou um golpe de Estado, mas uma revolu\u00e7\u00e3o. A revolu\u00e7\u00e3o brasileira n\u00e3o ser\u00e1 obra dos militares, mas ter\u00e1 militares em seu seio, aqueles que compartilhem do pensamento de Bol\u00edvar de que maldito \u00e9 o soldado que aponta suas armas contra seu pr\u00f3prio povo. A revolu\u00e7\u00e3o brasileira, nacional, anti-imperialista e socialista, ser\u00e1 obra da classe trabalhadora em seu conjunto, pois s\u00f3 essa classe \u00e9 capaz de construir um novo Brasil, uma vez que a nossa burguesia n\u00e3o se interessa pelo pa\u00eds.<\/p>\n<p>Em momentos em que o horizonte parece sumir, onde os ataques surgem a perder de vista, ter um projeto de pa\u00eds e se organizar por isso \u00e9 a nossa maior arma. Sejamos TOTALMENTE contra a presen\u00e7a militar estadunidense na nossa amaz\u00f4nia. Sejamos TOTALMENTE contra a instala\u00e7\u00e3o de uma base militar nesse territ\u00f3rio. Sejamos TOTALMENTE contra qualquer investida contra a Venezuela porque um ataque a esse pa\u00eds \u00e9 um ataque a qualquer tentativa de soberania no nosso continente. Sejamos TOTALMENTE contr\u00e1rios ao projeto neocolonial que est\u00e1 em curso a passos largos.<\/p>\n<p>A defesa do continente \u00e9 importante demais para ser deixada nas m\u00e3os do Estado burgu\u00eas e seu bra\u00e7o armado. O poder pol\u00edtico dos trabalhadores passa necessariamente pela edifica\u00e7\u00e3o de militares de car\u00e1ter popular, revolucion\u00e1rio e anti-imperialista para que assim, e s\u00f3 assim, o verdadeiro nacionalismo seja constru\u00eddo visando o horizonte comunista. \u00c9 a \u00fanica maneira, sem ilus\u00f5es medianas, de atingirmos For\u00e7as Armadas soberanas, dispostas e preparadas para defender as riquezas nacionais e o povo brasileiro contra a ambi\u00e7\u00e3o violenta do imperialismo.<\/p>\n<p>Charge de V\u00edtor Teixeira (incompleta). 2016.<\/p>\n<p>*\u00c9 militante da UJC.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/16934\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[8,165,190,38],"tags":[226],"class_list":["post-16934","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-america-latina","category-eua","category-fora-temer","category-c43-imperialismo","tag-4b"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-4p8","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16934","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=16934"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16934\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=16934"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=16934"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=16934"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}