{"id":17,"date":"2009-11-25T14:50:24","date_gmt":"2009-11-25T14:50:24","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=17"},"modified":"2009-11-25T14:50:24","modified_gmt":"2009-11-25T14:50:24","slug":"os-rumos-da-frente-de-esquerda","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/17","title":{"rendered":"Os Rumos da Frente de Esquerda"},"content":{"rendered":"\n<\/p>\n<p>1. Avaliando que o processo sucess\u00f3rio presidencial de 2010 ocorrer\u00e1 dentro de um quadro no qual o debate e a disputa eleitoral colocam frente \u00e0 frente o PT e o PSDB como as duas principais for\u00e7as que disputam hoje a dire\u00e7\u00e3o pol\u00edtica do bloco conservador, formado por um grande campo de consenso sobre os rumos centrais da economia brasileira e sobre a continuidade da macro-pol\u00edtica econ\u00f4mica at\u00e9 ent\u00e3o em vigor,<\/p>\n<p>2. Considerando ainda que o PT e o PSDB s\u00e3o antagonistas nos limites internos ao consenso burgu\u00eas na gest\u00e3o do capital e na manuten\u00e7\u00e3o da institucionalidade pol\u00edtica hegem\u00f4nica:<\/p>\n<p>3. Destacamos a necessidade de que as for\u00e7as de esquerda produzam uma agenda pol\u00edtica, social e econ\u00f4mica contra-hegem\u00f4nica ao consenso conservador, em fun\u00e7\u00e3o do que apresentamos, a seguir, um conjunto de reflex\u00f5es e proposi\u00e7\u00f5es para abrir o debate no sentido da elabora\u00e7\u00e3o de uma proposta alternativa que se diferencie essencialmente dos rumos hoje propostos.<\/p>\n<p>4. Inicialmente, n\u00e3o consideramos fundamental propor e debater nomes de pr\u00e9-candidatos \u00e0 sucess\u00e3o presidencial, sobretudo quando a discuss\u00e3o em torno destes pauta-se pelo crit\u00e9rio central ou mesmo \u00fanico da suposta &#8220;viabilidade eleitoral&#8221; de nomes. Discutir o processo pol\u00edtico pr\u00e9-eleitoral em torno de nomes configura a pr\u00e1tica comum dos partidos da ordem, que submetem a agenda pol\u00edtica a projetos de grupos restritos e rebaixam ou anulam o debate de propostas pol\u00edtico-sociais.<\/p>\n<p>5. Neste sentido, propusemos, desde o in\u00edcio deste ano, que retir\u00e1ssemos do centro da discuss\u00e3o os nomes colocados e inici\u00e1ssemos um amplo processo de debate program\u00e1tico que necessariamente envolvesse, al\u00e9m dos partidos que compuseram a Frente de Esquerda (PCB, PSOL e PSTU), as organiza\u00e7\u00f5es pol\u00edticas sem registro eleitoral, os movimentos sociais, o movimento sindical, a intelectualidade de esquerda e as organiza\u00e7\u00f5es de resist\u00eancia e luta dos trabalhadores. Isto seria feito com o fim de conformar eixos centrais em torno dos quais poder\u00edamos constituir uma alternativa pol\u00edtica, n\u00e3o apenas para participar do processo eleitoral, mas para contrapor ao projeto conservador uma alternativa socialista e popular.<\/p>\n<p>6. Ainda que tal proposta tenha encontrado uma receptividade, principalmente em parte significativa da intelectualidade de esquerda e entre os movimentos sociais que buscam diferenciar-se da l\u00f3gica de in\u00e9rcia e amoldamento hoje dominante nas dire\u00e7\u00f5es sindicais, estudantis e em outras entidades de massa, a din\u00e2mica interna e os compreens\u00edveis interesses imediatos, tanto do PSOL como do PSTU, acabaram por centrar o debate nas pr\u00e9-candidaturas. Assim fazendo, subestimaram e postergaram a discuss\u00e3o program\u00e1tica e a constru\u00e7\u00e3o pol\u00edtica junto aos trabalhadores e movimentos.<\/p>\n<p>7. Acreditamos que n\u00e3o se trata de uma mera escolha de nomes, mas fundamentalmente de envidar esfor\u00e7os para a constru\u00e7\u00e3o de uma necess\u00e1ria frente permanente de car\u00e1ter anticapitalista e antiimperialista, para al\u00e9m das elei\u00e7\u00f5es, frente esta que, em unidade na luta de massas, incorpore organiza\u00e7\u00f5es pol\u00edticas e sociais orientadas ao socialismo.<\/p>\n<p>8. O impasse no PSOL e a possibilidade real de apoio \u00e0 candidatura de Marina Silva inviabilizam qualquer possibilidade de uma frente pol\u00edtica que envolva o PCB. Em nenhum momento nosso Partido foi procurado para partilhar de qualquer avalia\u00e7\u00e3o sobre linhas program\u00e1ticas, t\u00e1tica eleitoral ou perfil de candidaturas que pudessem, ainda que remotamente, levar a esta alternativa, a nosso ver, descabida. Tampouco fomos procurados para dialogar sobre estes temas com os companheiros do PSTU, que j\u00e1 promovem o lan\u00e7amento da sua pr\u00e9-candidatura \u00e0 Presid\u00eancia da Rep\u00fablica.<\/p>\n<p>9. A posi\u00e7\u00e3o do PCB \u00e9 de reafirmar que a t\u00e1tica eleitoral n\u00e3o deva priorizar o racioc\u00ednio de &#8220;viabilidade eleitoral&#8221; em detrimento do car\u00e1ter pol\u00edtico de classe da disputa, eixo sobre o qual os trabalhadores devem formular seu programa contra-hegem\u00f4nico e construir formas e meios de ruptura face ao pacto pol\u00edtico-social das classes dominantes e seus aliados.<\/p>\n<p>10. O perfil pol\u00edtico de Marina Silva e, ainda mais nitidamente de sua legenda partid\u00e1ria, \u00e9 claramente formatado nos limites da ordem do capital e essencialmente subordinado a um m\u00e9todo pol\u00edtico que em nada se diferencia da tradicional forma manipulat\u00f3ria no debate de quest\u00f5es relevantes (no caso a ecol\u00f3gica), buscando atrair os trabalhadores para um projeto que, na ess\u00eancia, n\u00e3o corresponde aos seus interesses hist\u00f3ricos.<\/p>\n<p>11. Neste sentido, respeitando os partidos que se aliam na luta contra o governo Lula e o projeto conservador, revestido ou n\u00e3o de vernizes sociais ou eco-capitalistas, sempre reafirmamos a necessidade de m\u00e9todo e a\u00e7\u00e3o pol\u00edticos de mobiliza\u00e7\u00e3o para a constru\u00e7\u00e3o dos eixos program\u00e1ticos socialistas e populares, no sentido da cria\u00e7\u00e3o de uma nova e concreta alternativa de poder para os trabalhadores da cidade e do campo.<\/p>\n<p>12. Infelizmente, o adiamento da decis\u00e3o do PSOL para mar\u00e7o de 2010 e a quase un\u00e2nime aprova\u00e7\u00e3o, por sua dire\u00e7\u00e3o, da abertura de negocia\u00e7\u00f5es com o PV, al\u00e9m do lan\u00e7amento unilateral de candidaturas, praticamente inviabilizam a possibilidade de reedi\u00e7\u00e3o e, menos ainda, da amplia\u00e7\u00e3o da Frente de Esquerda.<\/p>\n<p>13. Face a este quadro, o PCB reafirma a necessidade de uma alternativa org\u00e2nica de esquerda, socialista, anticapitalista e antiimperialista, constitu\u00edda como elemento estrat\u00e9gico fundamental na luta dos trabalhadores pelo poder pol\u00edtico, para al\u00e9m dos marcos impostos pelo calend\u00e1rio pol\u00edtico-eleitoral.<\/p>\n<p>14. Neste sentido, resta-nos apelar para que essas for\u00e7as de esquerda assumam a responsabilidade diante da conjuntura pol\u00edtica e da hist\u00f3ria, deixando de submeter os objetivos estrat\u00e9gicos de constru\u00e7\u00e3o da alternativa de poder popular e socialista a uma t\u00e1tica despolitizada em torno de nomes e ao p\u00e2ntano das solu\u00e7\u00f5es institucionais imediatas.<\/p>\n<p>PCB &#8211; Partido Comunista Brasileiro &#8211; Comit\u00ea Central<\/p>\n<p>Novembro de 2009<\/p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"(Nota Pol\u00edtica do PCB)\nO Partido Comunista Brasileiro &#8211; PCB, diante da conjuntura pol\u00edtica e do posicionamento dos partidos que, em 2006, compuseram a Frente de Esquerda, apresenta sua posi\u00e7\u00e3o a respeito das perspectivas pol\u00edticas no processo que antecede as elei\u00e7\u00f5es de 2010.\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/17\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[26],"tags":[],"class_list":["post-17","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c25-notas-politicas-do-pcb"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-h","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=17"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=17"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=17"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=17"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}