{"id":17078,"date":"2017-11-09T17:51:41","date_gmt":"2017-11-09T20:51:41","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=17078"},"modified":"2017-11-09T17:51:41","modified_gmt":"2017-11-09T20:51:41","slug":"a-revolucao-de-outubro-foi-o-maior-acontecimento-libertador-da-historia-da-humanidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/17078","title":{"rendered":"A Revolu\u00e7\u00e3o de Outubro foi o maior acontecimento libertador da hist\u00f3ria da humanidade"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.cartacapital.com.br\/revista\/944\/revolucao-russa-o-dia-da-caca\/dia-da-mulher\/%40%40images\/ecb5d180-20ac-4c20-9236-a495f6b90f0f.jpeg?w=747&#038;ssl=1\" alt=\"imagem\" \/><!--more-->Miguel Marujo<\/p>\n<p><strong>Entrevista com <\/strong><strong>o militante comunista portugu\u00eas Albano Nunes<\/strong><\/p>\n<p>A classe dominante quer apagar da consci\u00eancia dos trabalhadores a import\u00e2ncia desta data hist\u00f3rica e a grande revolu\u00e7\u00e3o que se celebra, para dificultar a sua organiza\u00e7\u00e3o e a sua luta por uma sociedade nova. E em particular a sua luta pelo derrube do capitalismo e a constru\u00e7\u00e3o de uma sociedade socialista.<\/p>\n<p>O PCP celebra o centen\u00e1rio da revolu\u00e7\u00e3o de Outubro (que teve lugar a 7 de Novembro, no nosso calend\u00e1rio). Numa conversa com o DN &#8211; aqui disponibilizada numa vers\u00e3o mais longa -, o militante comunista Albano Nunes, durante anos respons\u00e1vel da se\u00e7\u00e3o internacional do partido, falou sobre a import\u00e2ncia destes 100 anos, n\u00e3o fugindo ao que chamou de \u201cerros\u201d e \u201cdeforma\u00e7\u00f5es\u201d mas tamb\u00e9m exaltando as conquistas da revolu\u00e7\u00e3o e do que foi a Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica. Uma primeira tentativa para chegar ao comunismo.<\/p>\n<p><strong>H\u00e1 100 anos come\u00e7ou de fato \u201cuma nova era para a humanidade\u201d?<\/strong><\/p>\n<p>Estamos profundamente convencidos que sim, que come\u00e7ou uma nova era, que n\u00f3s consideramos ser a \u00e9poca da passagem do capitalismo para o socialismo.<\/p>\n<p>E essa \u201cnova era\u201d como \u00e9 que se traduziu? Como \u00e9 que traduziria para as gera\u00e7\u00f5es mais novas aquilo que h\u00e1 100 anos aconteceu?<\/p>\n<p>O que aconteceu h\u00e1 100 anos foi que na primeira vez na hist\u00f3ria da humanidade se deu uma revolu\u00e7\u00e3o, n\u00e3o apenas pol\u00edtica mas social profunda em que, ao contr\u00e1rio de revolu\u00e7\u00f5es anteriores, incluindo revolu\u00e7\u00f5es profundas como a revolu\u00e7\u00e3o francesa de 1879, pela primeira vez uma classe exploradora n\u00e3o \u00e9 substitu\u00edda por outra classe exploradora. Pela primeira vez foram os trabalhadores que acederam ao poder com um objectivo que concretizaram de criar uma nova sociedade sem exploradores nem explorados. Foi a primeira vez na hist\u00f3ria que isto aconteceu.<\/p>\n<p><strong>E acha que essa sociedade foi criada?<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 uma pergunta que coloca quest\u00f5es de fundo. A primeira \u00e9 o tempo hist\u00f3rico que diz-nos que o capitalismo, para chegar onde chegou, precisou de v\u00e1rios s\u00e9culos e o socialismo iniciou-se apenas h\u00e1 100 anos numa primeira tentativa que teve \u00eaxito em aspectos fundamentais, mas que acabou por fracassar na viragem dos anos 80 para os anos 90, na Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica e noutros pa\u00edses de leste da Europa. A nosso ver n\u00e3o p\u00f5e em causa nem que tenham sido realizadas profundas transforma\u00e7\u00f5es, nem o significado hist\u00f3rico universal da Revolu\u00e7\u00e3o de Outubro. Lenine sempre considerou que a edifica\u00e7\u00e3o de uma nova sociedade completamente livre da explora\u00e7\u00e3o do homem pelo homem e da opress\u00e3o de uma classe por outra classe exigiria v\u00e1rias tentativas. O que aconteceu ao longo destes anos \u00e9 que os sucessos em determinados aspectos foram t\u00e3o grandes, nomeadamente na sequ\u00eancia da II Guerra Mundial, que no movimento comunista e no nosso pr\u00f3prio partido se criou a ideia de que a evolu\u00e7\u00e3o para o socialismo seria mais f\u00e1cil, mais r\u00e1pida do que aquela que efectivamente se veio a verificar. O facto de ter so\u00e7obrado a primeira tentativa n\u00e3o p\u00f5e a nosso ver em causa a dimens\u00e3o hist\u00f3rica desta primeira revolu\u00e7\u00e3o, desta primeira conquista do poder pelos trabalhadores.<\/p>\n<p><strong>Que \u00eaxitos se verificaram?<\/strong><\/p>\n<p>Em tudo quanto se tem escrito e dito na comunica\u00e7\u00e3o social, sobre a Revolu\u00e7\u00e3o de Outubro e sobre o empreendimento socialista a que deu lugar a Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica, omitem-se realiza\u00e7\u00f5es e conquistas. Esta revolu\u00e7\u00e3o deu-se num pa\u00eds que era uma ditadura, a mais reacion\u00e1ria da Europa, que era considerada a pris\u00e3o dos povos, na medida em que era um imp\u00e9rio que oprimia um conjunto grande de nacionalidades, algumas das quais nem alfabeto tinham e esta revolu\u00e7\u00e3o o que conseguiu fazer, para al\u00e9m da liberdade, das quest\u00f5es fundamentais, foi resolver os problemas essenciais do desemprego, analfabetismo, num tempo hist\u00f3rico particularmente curto, foi dotar a sociedade sovi\u00e9tica de direitos, regalias sociais de nova gera\u00e7\u00e3o, as oito horas [de trabalho], a seguran\u00e7a social; foi resolver o problema nacional numa escala extraordinariamente profunda; foi transformar um pa\u00eds atrasado numa grande pot\u00eancia industrial dotada de conquistas na ci\u00eancia e na t\u00e9cnica de primeiro plano que s\u00e3o reconhecidas, como a primeira central at\u00f3mica para fins pac\u00edficos e o primeiro homem no espa\u00e7o. A Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica conseguiu \u00eaxitos extraordin\u00e1rios. H\u00e1 um, para terminar, que deve ser sublinhado, foi ter conseguido defender o poder digamos de uma hostilidade imensa desde o primeiro momento em que se realizou a revolu\u00e7\u00e3o. Churchill dizia que era necess\u00e1rio matar o menino comunista no ber\u00e7o. Houve uma invas\u00e3o de 14 pot\u00eancias, houve uma guerra civil tremenda e destruidora mas no meio de isto tudo a Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica conseguiu \u00eaxitos extraordin\u00e1rios e deu uma contribui\u00e7\u00e3o decisiva para libertar a humanidade do flagelo do nazismo-fascismo. Uma guerra que s\u00f3 foi poss\u00edvel ser vencida porque efetivamente houve uma grande identifica\u00e7\u00e3o do povo sovi\u00e9tico em tempos extremamente dif\u00edceis com o seu governo e o seu partido dirigente.<\/p>\n<p><strong>Nestes 100 anos podemos falar em mais avan\u00e7os do que recuos?<\/strong><\/p>\n<p>Eu s\u00f3 vejo avan\u00e7os. E vejo caminhos que levaram a recuos, em certa medida insucessos, na sequ\u00eancia de um bra\u00e7o de ferro terr\u00edvel que foi a guerra fria. Com a corrida aos armamentos, obrigando a Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica a despesas colossais, que foram desviadas do seu desenvolvimento, enquanto o capitalismo precisa da guerra para se desenvolver, para alimentar o seu complexo militar e industrial como est\u00e1 a acontecer agora de uma maneira terr\u00edvel. Acontece que neste contexto a Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica acabou por perder este bra\u00e7o de ferro da guerra fria, cometendo atrasos, cometendo erros, havendo deforma\u00e7\u00f5es estranhas ao ideal comunista. Globalmente n\u00f3s consideramos e pomos o acento nas potencialidades e nas realiza\u00e7\u00f5es do socialismo neste per\u00edodo.<\/p>\n<p><strong>Entre esses erros, entre essas deforma\u00e7\u00f5es, imagino que o PCP tamb\u00e9m reconhe\u00e7a os desvios autorit\u00e1rios do regime sovi\u00e9tico e os muitos mortos que pereceram sob a ac\u00e7\u00e3o do regime?<\/strong><\/p>\n<p>A primeira coisa que queria dizer \u00e9 que isto tem que ser visto no contexto de uma terr\u00edvel e agud\u00edssima luta de classes. O novo n\u00e3o nasce sem grandes lutas e grandes conflitos: pensemos no que aconteceu aos escravos da velha Roma quando tentaram revoltar-se, foram milhares os crucificados na Via \u00c1pia; lembremos o que aconteceu com a Comuna de Paris que acabou num dos mais terr\u00edveis banhos de sangue; em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica a hostilidade foi permanente desde o primeiro momento. Este contexto tem de ser levado em considera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Acha que o \u201cinimigo externo\u201d justificou esse autoritarismo interno?<\/strong><\/p>\n<p>N\u00e3o, o que digo \u00e9 que o desenvolvimento de fen\u00f4menos negativos na Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica e noutros pa\u00edses socialistas, o desenvolvimento de fen\u00f4menos de degeneresc\u00eancia, certos erros muito graves, o afrontamento mesmo da pr\u00f3pria legalidade do partido e da pr\u00f3pria legalidade socialista, e mesmo crimes que existiram, t\u00eam que ser vistos neste contexto, n\u00e3o para os justificar, mas para os compreender. H\u00e1 muito isto de escrever a hist\u00f3ria da Revolu\u00e7\u00e3o de Outubro e da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica como uma sucess\u00e3o de erros, de faltas, de fracassos e de crimes. Existiram sem d\u00favida, n\u00f3s n\u00e3o discutimos, n\u00e3o nos pomos a discutir se foram dois milh\u00f5es se foram dez, se foram 20. N\u00e3o nos pomos a discutir no detalhe o que aconteceu efetivamente: o que foram na Sib\u00e9ria pris\u00f5es efetivas de delito comum, o que foram campos de trabalho e o que foram pris\u00f5es onde sofreram inclusive comunistas dedicados. N\u00f3s n\u00e3o entramos na discuss\u00e3o desses n\u00fameros, isso \u00e9 para os nosso advers\u00e1rios.<\/p>\n<p><strong>N\u00e3o \u00e9 importante para a Hist\u00f3ria?<\/strong><\/p>\n<p>Sem d\u00favida que \u00e9 importante para a Hist\u00f3ria, mas a Hist\u00f3ria tem que ser escrita em todos os seus aspectos. Stalin &#8211; a quem s\u00e3o atribu\u00eddos com raz\u00e3o erros, elementos de culto da personalidade e abusos em rela\u00e7\u00e3o ao poder, infra\u00e7\u00f5es \u00e0 legalidade socialista &#8211; n\u00e3o tem s\u00f3 aspectos negativos, tem aspectos positivos: leia-se o que disseram os dirigentes, mesmo dos pa\u00edses capitalistas da altura. N\u00f3s reconhecemos este problema, n\u00f3s n\u00e3o nos alegramos com isso e reconhecemos particularmente na viragem dos anos 80 quando fizemos o nosso XIII congresso extraordin\u00e1rio [em maio de 1990] e depois no XIV e no XVIII reconhecemos que efetivamente houve no desenvolvimento da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica o afastamento dos ideais e dos valores do socialismo em aspectos fundamentais, no plano pol\u00edtico, econ\u00f4mico, ideol\u00f3gico, no pr\u00f3prio funcionamento do Estado. Houve um afastamento das massas populares que p\u00f4s em causa todo o processo porque foi essa profunda liga\u00e7\u00e3o \u00e0s massas populares, \u00e0 classe oper\u00e1ria, que permitiu justamente a Lenin e ao partido bolchevique dirigir em condi\u00e7\u00f5es extremamente dif\u00edceis todo o processo revolucion\u00e1rio da velha R\u00fassia e esse \u00e9 o alfa e \u00f4mega da pol\u00edtica dos comunistas.<\/p>\n<p><strong>Hoje o mundo parece muito pouco dispon\u00edvel para celebrar a revolu\u00e7\u00e3o 100 anos depois?<\/strong><\/p>\n<p>A maneira como a Revolu\u00e7\u00e3o de Outubro est\u00e1 sendo predominantemente retratada\u2026 Eu queria abrir um par\u00eantesis para dizer que, mesmo no nosso pa\u00eds, neste centen\u00e1rio tem havido muitas iniciativas n\u00e3o s\u00f3 do nosso partido, de outras estruturas, da associa\u00e7\u00e3o I\u00fari Gag\u00e1rin, debates em escolas, exposi\u00e7\u00f5es, etc. A posi\u00e7\u00e3o dominante \u00e9 uma posi\u00e7\u00e3o de cr\u00edtica, de hostilidade e de \u00f3dio \u00e0 Revolu\u00e7\u00e3o de Outubro, do que ela efetivamente significou e isso resulta de qu\u00ea? Resulta de uma situa\u00e7\u00e3o original que foi como disse, desde o ber\u00e7o da revolu\u00e7\u00e3o, \u00e9 o fato de a R\u00fassia ter sido derrotada e a hist\u00f3ria est\u00e1 sendo escrita em larga medida pela classe dominante, \u00e0 medida do interesse da classe dominante. Portanto que naturalmente quer apagar da consci\u00eancia dos trabalhadores a import\u00e2ncia desta data hist\u00f3rica para dificultar a sua organiza\u00e7\u00e3o e a sua luta por uma sociedade nova, particularmente derrubando o capitalismo e construindo uma sociedade socialista. O objetivo \u00e9 esse. N\u00f3s lutaremos incansavelmente, com todas as nossas for\u00e7as para que isso aconte\u00e7a.<\/p>\n<p><strong>Pode ser-se comunista assumindo os erros do comunismo.<\/strong><\/p>\n<p>Mas n\u00f3s assumimos! Houve atrasos, erros, deforma\u00e7\u00f5es, aspectos em que se entrou mesmo em contradi\u00e7\u00e3o com caracter\u00edsticas fundamentais de uma sociedade socialista, reconhecemos tudo isso. Reconhecemos que nesta primeira tentativa de edifica\u00e7\u00e3o desta nova sociedade isto se verificou mas temos de reconhecer toda a outra realidade, que \u00e9 caracterizada essencialmente por realiza\u00e7\u00f5es, por \u00eaxitos, por conquistas. A Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica, e n\u00e3o falo apenas da vit\u00f3ria na II Guerra Mundial, teve um papel determinante em toda a evolu\u00e7\u00e3o do s\u00e9culo XX, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel desconhecer isso. Mesmo em rela\u00e7\u00e3o ao nosso pr\u00f3prio partido que para al\u00e9m da sua cria\u00e7\u00e3o estar ligada tamb\u00e9m \u00e0 revolu\u00e7\u00e3o de Outubro, \u00e9 uma cria\u00e7\u00e3o da classe oper\u00e1ria portuguesa \u00e0 nossa revolu\u00e7\u00e3o de Abril. A nossa revolu\u00e7\u00e3o de Abril \u00e9 fruto da luta do nosso povo. Os comunistas t\u00eam uma parte que toda gente reconhece como decisiva, \u00e9 resultado da crise que se criou no pr\u00f3prio regime, \u00e9 resultado da guerra colonial e da alian\u00e7a do povo portugu\u00eas com os povos coloniais irm\u00e3os. Sem essa guerra e sem essa alian\u00e7a certamente tinha sido mais dif\u00edcil derrubar o fascismo, mas no enquadramento internacional da nossa revolu\u00e7\u00e3o \u00e9 um elemento fundamental explicar o isolamento internacional do fascismo e as raz\u00f5es porque o imperialismo norte-americano e a OTAN n\u00e3o tiveram nenhumas condi\u00e7\u00f5es para intervir em Portugal, para abafar e liquidar na raiz a revolu\u00e7\u00e3o portuguesa. Intervieram de mil e uma maneiras atrav\u00e9s da Europa. O ver\u00e3o quente \u00e9 um momento particular mas n\u00e3o tiveram condi\u00e7\u00f5es para desembarcar for\u00e7as e liquidar a revolu\u00e7\u00e3o portuguesa. Por qu\u00ea? Porque a Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica praticava uma linha de paz, de desanuviamento, de coexist\u00eancia pac\u00edfica e nessa altura, \u00e9 bom recordar, vivia-se o clima da Ata Final de Helsinque, confer\u00eancia que teve lugar em 75, na qual participou o marechal Costa Gomes que dificultava a ac\u00e7\u00e3o do pr\u00f3prio imperialismo. N\u00f3s nunca esqueceremos isto, como nunca esqueceremos a solidariedade da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica e do Partido Comunista da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica com os antifascistas portugueses, conosco em particular acolhendo doentes, filhos de funcion\u00e1rios do partido, propiciando descanso e tudo aquilo que sabemos, para n\u00e3o falar da contribui\u00e7\u00e3o que deu para o reconhecimento da revolu\u00e7\u00e3o de Abril e com a ajuda que deu nomeadamente na reforma agr\u00e1ria.<\/p>\n<p><strong>Quarenta anos depois, o PCP tamb\u00e9m olha para tr\u00e1s e fala em perdas daquilo que foram as conquistas de Abril para usar uma express\u00e3o vossa.<\/strong><\/p>\n<p>Sim, naturalmente. H\u00e1 revolu\u00e7\u00f5es e h\u00e1 contrarrevolu\u00e7\u00f5es. Isto n\u00e3o significa que a hist\u00f3ria n\u00e3o avance numa determinada dire\u00e7\u00e3o, veja-se desde o escravismo at\u00e9 hoje os avan\u00e7os que se deram e esses avan\u00e7os deram-se com revolu\u00e7\u00f5es e contrarrevolu\u00e7\u00f5es. N\u00f3s podemos falar na chamada primavera dos povos, nas revolu\u00e7\u00f5es na Europa de 48-49, nos massacres que se verificaram por exemplo em Paris em Junho quando a classe oper\u00e1ria e os trabalhadores procuraram reagir \u00e0s tend\u00eancias negativas que se verificavam desde Fevereiro e conquistar o poder. J\u00e1 lhe falei dos escravos crucificados na Via \u00c1pia, j\u00e1 lhe falei na Comuna de Paris, mas isso n\u00e3o impediu que a hist\u00f3ria avan\u00e7asse e que o marxismo e as teorias de Marx, o socialismo cient\u00edfico, fosse constru\u00eddo na assimila\u00e7\u00e3o dessas experi\u00eancias revolucion\u00e1rias e contrarrevolucion\u00e1rias.<\/p>\n<p>Em Portugal deu-se uma revolu\u00e7\u00e3o, n\u00e3o tivemos no nosso povo a for\u00e7a suficiente para consolidar essa revolu\u00e7\u00e3o e uma das raz\u00f5es, tr\u00eas dessas raz\u00f5es, mas falemos de duas que s\u00e3o muito claras, n\u00e3o se conseguiu construir um estado digamos democr\u00e1tico dirigido por for\u00e7as revolucion\u00e1rias, o poder foi sempre repartido com a direita, sempre e n\u00e3o se conseguiu libertar o nosso pa\u00eds da influ\u00eancia do imperialismo, influ\u00eancia que se agravou particularmente a partir de 85 com a entrada de Portugal na CEE e mais tarde na moeda \u00fanica, situa\u00e7\u00e3o grav\u00edssima que hoje estamos a viver e que est\u00e1 a impedir que o nosso pa\u00eds possa resolver os seus problemas econ\u00f4micos fundamentais.<\/p>\n<p><strong>E essa \u00e9 a segunda raz\u00e3o? A entrada na Uni\u00e3o Europeia?<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 um elemento fundamental, a entrada na Uni\u00e3o Europeia foi conseguida, n\u00e3o apenas como a solu\u00e7\u00e3o para problemas econ\u00f4micos numa perspectiva da direita e da social-democracia, mas como um instrumento visando influenciar e condicionar o processo de desenvolvimento da revolu\u00e7\u00e3o portuguesa, que estava ainda numa fase de grande resist\u00eancia e onde muitas das conquistas ainda n\u00e3o estavam destru\u00eddas. Hoje, muitas delas est\u00e3o destru\u00eddas, outras est\u00e3o feridas, mas n\u00f3s dizemos que a revolu\u00e7\u00e3o de Abril sendo uma revolu\u00e7\u00e3o inacabada n\u00e3o foi uma revolu\u00e7\u00e3o destru\u00edda e derrotada e que os seus valores vivem, as sua experi\u00eancias e ainda as suas realiza\u00e7\u00f5es. A liberdade, o fim das guerras coloniais e muitas outras coisas s\u00e3o realiza\u00e7\u00f5es que j\u00e1 n\u00e3o voltam para tr\u00e1s.<\/p>\n<p><strong>E apesar de tudo o desenvolvimento do pa\u00eds\u2026<\/strong><\/p>\n<p>E apesar de tudo o desenvolvimento do pa\u00eds, naturalmente com a reconstitui\u00e7\u00e3o dos monop\u00f3lios, com a reconstitui\u00e7\u00e3o do latif\u00fandio, com profundas injusti\u00e7as e desigualdades sociais, mas sim, estamos numa situa\u00e7\u00e3o que certamente n\u00e3o \u00e9 pior do que era no tempo negro do fascismo. Mas n\u00e3o se ligue \u00e0 participa\u00e7\u00e3o de Portugal na Uni\u00e3o Europeia, na divis\u00e3o internacional de trabalho capitalista, n\u00e3o se ligue aquilo que h\u00e1 de positivo a essa integra\u00e7\u00e3o, pelo contr\u00e1rio, isso tem sido um obst\u00e1culo.<\/p>\n<p><strong>\u00c9 poss\u00edvel imaginar o caminho para uma sociedade socialista no atual quadro portugu\u00eas?<\/strong><\/p>\n<p>Naturalmente &#8211; no portugu\u00eas, europeu e mundial. Enquanto existir a explora\u00e7\u00e3o capitalista, enquanto existirem t\u00e3o profundas injusti\u00e7as e desigualdades sociais, tanta opress\u00e3o, tanta degrada\u00e7\u00e3o moral, tanto militarismo, tanta guerra, tanta invas\u00e3o e agress\u00e3o a estados e a pa\u00edses soberanos ser\u00e1 necess\u00e1rio encontrar solu\u00e7\u00f5es. Os povos v\u00e3o necessariamente encontr\u00e1-las.<\/p>\n<p>Repare que o capitalismo vive uma crise estrutural profunda, que n\u00e3o h\u00e1 hoje ningu\u00e9m mesmo na classe dirigente que esteja contente com a situa\u00e7\u00e3o que se vive no mundo capitalista e que n\u00e3o esteja preocupado. Podemos falar da Uni\u00e3o Europeia e do quadro em que se encontra e n\u00e3o \u00e9 apenas do Brexit, n\u00e3o \u00e9 apenas do avan\u00e7o da direita e da extrema-direita. Os problemas e as contradi\u00e7\u00f5es agudizam-se e precisam de uma solu\u00e7\u00e3o. Ela pode tardar mais ou menos, as for\u00e7as comunistas e revolucion\u00e1rias em geral enfraqueceram sem d\u00favida nos \u00faltimos anos. A vida mostra que o avan\u00e7o se faz de uma maneira muito irregular com avan\u00e7os, com recuos.<\/p>\n<p>Enquanto existir explora\u00e7\u00e3o, a necessidade de acabar com a explora\u00e7\u00e3o e de acabar com estas taras e contradi\u00e7\u00f5es do capitalismo \u00e9 indispens\u00e1vel tamb\u00e9m por uma raz\u00e3o fundamental que \u00e9 salvaguardar a vida na terra, salvaguardar a humanidade: n\u00f3s estamos \u00e0 beira, perante o perigo efetivo de guerras de catastr\u00f3ficas dimens\u00f5es, nem falo sequer j\u00e1 da quest\u00e3o ambiental, estou a falar da quest\u00e3o militar que est\u00e1 em desenvolvimento de uma maneira terrivelmente acelerada com amea\u00e7as reais de uso da pr\u00f3pria arma nuclear.<\/p>\n<p>N\u00f3s temos de olhar para isto como qualquer coisa que cria grandes responsabilidades aos comunistas e a todas as for\u00e7as do progresso social e amantes da paz, n\u00e3o tenhamos d\u00favidas que as grandes alian\u00e7as e as grandes coliga\u00e7\u00f5es para defender a paz, para conseguir o desarmamento, para salvar a vida humana sobre a terra v\u00e3o aparecer e se v\u00e3o realizar, n\u00f3s n\u00e3o desistimos, nunca desistimos. H\u00e1 aquela can\u00e7\u00e3o que diz que mesmo nas noites mais tristes, em tempos de escurid\u00e3o, de solid\u00e3o h\u00e1 sempre uma voz que resiste, h\u00e1 sempre algu\u00e9m que diz n\u00e3o. N\u00f3s dizemos n\u00e3o ao capitalismo e dizemo-lo n\u00e3o apenas em termos de uma resist\u00eancia, em termos de confian\u00e7a da possibilidade de avan\u00e7o reais que a classe dirigente teme e \u00e9 por isso que est\u00e1 a refor\u00e7ar as medidas de seguran\u00e7a e est\u00e1 a limitar liberdades e direitos fundamentais, incluindo na Fran\u00e7a das liberdades\u2026 \u00c9 por isso que est\u00e1 a generalizar a coordena\u00e7\u00e3o das pol\u00edcias, que est\u00e1 a erguer barreiras de todo tipo quando digamos gritavam pela liberdade de viagem, quando se tratou de derrotar os pa\u00edses da Europa de Leste, e \u00e9 por isso que o imperialismo se est\u00e1 a armar at\u00e9 aos dentes com as decis\u00f5es dos Estados Unidos, o maior or\u00e7amento militar da sua hist\u00f3ria, com o aumento de 2% assumido pela Uni\u00e3o europeia no quadro da OTAN, com as decis\u00f5es do Jap\u00e3o a pretexto dos acontecimentos na Coreia de acabar com a sua constitui\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica e pacifista para poder intervir militarmente fora do seu pr\u00f3prio territ\u00f3rio- \u00e9 este o quadro que temos, n\u00e3o nos enganemos sobre isso.<\/p>\n<p><strong>Na Europa temos partidos comunistas que perderam a express\u00e3o relevante que tinham, como em It\u00e1lia, Espanha, Fran\u00e7a. Como \u00e9 que olha, como \u00e9 que interpreta essa perda?<\/strong><\/p>\n<p>Com tristeza.<\/p>\n<p><strong>Acha que \u00e9 uma incapacidade de os partidos comunistas nesses pa\u00edses de fazerem passar a mensagem ou foi a tentativa de refundarem a sua linguagem e a sua forma de estar? O que \u00e9 que falhou?<\/strong><\/p>\n<p>Ao contr\u00e1rio da generalidade dos partidos comunistas, compreendemos que o que estava em causa na viragem dos anos 80 era de uma gravidade tal que exigia que se efetuasse uma discuss\u00e3o profunda sobre as causas dessa situa\u00e7\u00e3o, sobre as suas consequ\u00eancias e definir com rigor a posi\u00e7\u00e3o do pr\u00f3prio partido. N\u00f3s n\u00e3o jogamos no lixo a nossa hist\u00f3ria, n\u00e3o renegamos a hist\u00f3ria do movimento comunista internacional com os seus imensos m\u00e9ritos e tamb\u00e9m com as suas sombras e os seus erros. Fomos dos poucos partidos que o fizeram. Outros partidos embrulharam-se em grandes discuss\u00f5es, abandonaram a sua ideologia e uma posi\u00e7\u00e3o solid\u00e1ria internacionalista, social-democratizaram-se. Naturalmente que h\u00e1 partidos com influ\u00eancia, h\u00e1 partidos que est\u00e3o no governo em v\u00e1rios pa\u00edses, que governam estados inteiros na \u00cdndia, na \u00c1frica do Sul e outros pa\u00edses. H\u00e1 partidos comunistas no poder, processos que t\u00eam uma grande import\u00e2ncia, mas pensemos na China, no papel que tem na vida internacional. Podem dizer que o desenvolvimento e o papel que tem est\u00e1 ligado a certas medidas de car\u00e1ter mais capitalista do que socialista mas a reflex\u00e3o tem que ir muito mais longe. Vejam-se as afirma\u00e7\u00f5es e as defini\u00e7\u00f5es ideol\u00f3gicas do \u00faltimo congresso do Partido Comunista da China, mas eu n\u00e3o quero antecipar an\u00e1lises que o meu partido ainda n\u00e3o fez.<\/p>\n<p><strong>\u00c9 poss\u00edvel olhar para esses pa\u00edses como olha o PCP nas suas Teses, dizendo que ao seu modo s\u00e3o \u201cresistentes\u201d aquilo que \u00e9 a \u201cordem dominante\u201d?<\/strong><\/p>\n<p>Sim, essa \u00e9 a maior convic\u00e7\u00e3o que temos. Podemos ter d\u00favidas sobre tais ou tais medidas que tomam no seu processo interno, podemos ter d\u00favidas e interroga\u00e7\u00f5es e h\u00e1 pa\u00edses ent\u00e3o que temos discord\u00e2ncias profundas. Se h\u00e1 coisa em que n\u00e3o hesitamos \u00e9 do papel que efetivamente desempenham no plano internacional, um papel positivo.<br \/>\nDe contrabalan\u00e7o com aquilo que \u00e9 o ocidente.<\/p>\n<p>Sim, n\u00e3o estar\u00e1 ao n\u00edvel da pol\u00edtica internacionalista da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica e do campo socialista, poder\u00e1 n\u00e3o estar, mas joga um papel positivo no quadro de uma arruma\u00e7\u00e3o de for\u00e7as que est\u00e1 a impedir os Estados Unidos e os seus principais aliados de impor a ordem mundial que quiseram impor a partir da guerra do Golfo em 1990, essa nova ordem mundial.<\/p>\n<p><strong>A partir da queda do muro?<\/strong><\/p>\n<p>Sim, por essa altura porque a guerra do Golfo vem na sequ\u00eancia da queda do muro, tal como Maastricht em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 Uni\u00e3o europeia e o salto em frente federalista vem na sequ\u00eancia da queda do muro, \u00e9 aquilo que n\u00f3s chamamos a contra-ofensiva do imperialismo para reganhar as posi\u00e7\u00f5es perdidas ao longo do s\u00e9culo e essa ofensiva continua em marcha portanto n\u00f3s lutamos para a combater.<\/p>\n<p><strong>O PCP entende que h\u00e1 algum estado que estar\u00e1 mais pr\u00f3ximo daquilo que seria o regime socialista?<\/strong><\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 regimes socialistas, Cuba \u00e9 um pa\u00eds socialista. Claro que n\u00f3s temos uma tese: \u00e9 que o socialismo n\u00e3o \u00e9 qualquer coisa que sai de um manual, n\u00e3o \u00e9 um arqu\u00e9tipo, n\u00e3o h\u00e1 um modelo \u00fanico de socialismo. O socialismo \u00e9 uma fase transit\u00f3ria do caminho para o comunismo e que demora pelo visto muito mais tempo do que pens\u00e1vamos. O socialismo \u00e9 constru\u00eddo na base da situa\u00e7\u00e3o concreta de cada pa\u00eds, de acordo com as suas tradi\u00e7\u00f5es, da sua cultura, do peso relativo do partido, com tudo isso. A situa\u00e7\u00e3o de Portugal n\u00e3o \u00e9 a de Cuba, a de Cuba n\u00e3o \u00e9 a do Vietnam, a do Vietnam n\u00e3o \u00e9 a da China e o que n\u00f3s vemos nestes pa\u00edses \u00e9 o esfor\u00e7o para resolver os problemas dos povos respectivos. \u00c9 um esfor\u00e7o num contexto internacional extremamente dif\u00edcil. Olhemos para Cuba e pensemos no bloqueio, pensemos na base de Guant\u00e1namo, pensemos num dos seus aliados da regi\u00e3o que \u00e9 a Venezuela, que o imperialismo decidiu que tem que ser destru\u00eddo para alterar a propor\u00e7\u00e3o de for\u00e7as na Am\u00e9rica Latina e cercar ainda mais Cuba. Pensemos na China que est\u00e1 a ser rodeada pelo imperialismo de bases militares por todos lados e mais um e amea\u00e7ado pelo sistema antim\u00edssil que est\u00e1 sendo instalado na Coreia do Sul.<\/p>\n<p><strong>Mas a Coreia do Norte preocupa.<\/strong><\/p>\n<p>Naturalmente que h\u00e1 aqui assim uma escalada que dificulta a pr\u00f3pria compreens\u00e3o do que de essencial est\u00e1 em jogo na Coreia do Sul, na Coreia e o que de essencial est\u00e1 em jogo na Coreia \u00e9 o imperialismo alimentando um foco de tens\u00e3o para justificar a corrida aos armamentos, para justificar o cerco \u00e0 China, para justificar o que agora se viu no Jap\u00e3o, que apesar de ter uma opini\u00e3o p\u00fablica que defende a constitui\u00e7\u00e3o, que est\u00e1 contra a pol\u00edtica reacion\u00e1ria do atual governo do Abe, acabou por dar uma maioria a este governo com o pretexto de que h\u00e1 uma amea\u00e7a terr\u00edvel de um determinado pa\u00eds. S\u00e3o quest\u00f5es que n\u00f3s temos que ter em conta, n\u00e3o h\u00e1 modelos, h\u00e1 tentativas, h\u00e1 processos.<\/p>\n<p><strong>No posf\u00e1cio do livro Dez dias que abalaram o mundo, do John Reed (ed. Avante), refere-se que o PCP deseja uma sociedade socialista em Portugal que tenha em aten\u00e7\u00e3o as caracter\u00edsticas portuguesas. Como \u00e9 que isso se pode antecipar?<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 a nossa pol\u00edtica desde sempre: n\u00f3s nunca tivemos outra pol\u00edtica que n\u00e3o fosse a de levar em conta aquilo que damos por adquirido na ci\u00eancia marxista-leninista, que damos por adquirido com a experi\u00eancia da Revolu\u00e7\u00e3o de Outubro. Pensamos que esta revolu\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 para lan\u00e7ar no caixote do lixo como dizem certos articulistas publicados, mas nem sequer \u00e9 para colocar no museu da hist\u00f3ria. N\u00f3s pensamos que na Revolu\u00e7\u00e3o de Outubro h\u00e1 li\u00e7\u00f5es e ensinamentos de uma grande atualidade.<\/p>\n<p>N\u00f3s temos exemplos disso, n\u00f3s somos internacionalistas, n\u00e3o somos nacionalistas estreitos, somos patriotas internacionalistas e ao dizer isto estamos a dizer que a revolu\u00e7\u00e3o portuguesa, levando tudo isto em considera\u00e7\u00e3o, tem de levar em primeiro lugar em considera\u00e7\u00e3o a concreta realidade s\u00f3cio econ\u00f4mica e pol\u00edtica portuguesa e a cultura e a vontade pol\u00edtica das massas populares em Portugal. \u00c9 isso que dizemos e \u00e9 isso que, a nosso ver, vai permitir que venha a ser confirmado o nosso programa atual redigido em consequ\u00eancia do avan\u00e7o do processo contrarrevolucion\u00e1rio em Portugal e dos constrangimentos colocados pela Uni\u00e3o Europeia e do imperialismo em geral. O nosso programa de uma democracia avan\u00e7ada nos valores de Abril no futuro de Portugal ser\u00e1 concretizado e deste programa fazem parte direitos, liberdades, garantias fundamentais, exist\u00eancia de partidos pol\u00edticos que n\u00e3o existiam na Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica e que n\u00e3o existem atualmente em Cuba porque s\u00e3o processos hist\u00f3ricos particulares que se desenvolveram desta maneira, sem obedecer a esquemas r\u00edgidos que o capitalismo pretende impor a estes pa\u00edses: o seu sistema liberal burgu\u00eas representativo que depois de representa\u00e7\u00e3o real n\u00e3o tem nada como se v\u00ea com tudo que se est\u00e1 a passar, \u00e9 outra coisa. Cada pa\u00eds tem a suas tradi\u00e7\u00f5es e as suas caracter\u00edsticas e o nosso programa responde do nosso ponto de vista aos interesses do povo portugu\u00eas.<\/p>\n<p><strong>Recusa a ideia de que o comunismo morreu com a queda do Muro?<\/strong><\/p>\n<p>Recuso. Apetece-me sorrir. N\u00f3s temos uma tese muita clara sobre isso: o comunismo n\u00e3o morreu, v\u00ea-se que existe em partidos enfraquecidos sem d\u00favida, existe na ideologia, existe na pr\u00f3pria necessidade de transformar esta sociedade. Uma coisa que n\u00e3o existe de fato \u00e9 o fim da Hist\u00f3ria. O socialismo foi posto no banco do r\u00e9us em 1989, 90, 91, houve uma imensa campanha sobre a morte do comunismo, o decl\u00ednio irrevers\u00edvel do PCP. Toda gente se admira ainda porque \u00e9 que o PCP existe, toda gente se vai continuar a admirar porque mesmo em s\u00edtios onde h\u00e1 partidos fracos ou diminu\u00eddos momentaneamente existem lutas, existem potencialidades de transforma\u00e7\u00e3o real.<\/p>\n<p><strong>Falta ainda sentar o capitalismo no banco dos r\u00e9us?<\/strong><\/p>\n<p>N\u00f3s acreditamos no comunismo cient\u00edfico, temos este defeito &#8211; n\u00e3o morreu. O partido comunista n\u00e3o est\u00e1 condenado \u00e0 derrota e ao decl\u00ednio irrevers\u00edvel, c\u00e1 est\u00e1 agindo, trabalhando, uns considerando que estamos a impor ao governo pol\u00edticas, outros considerando que estamos a seguir na penumbra a pol\u00edtica do governo, mas todos incomodados com este partido.<\/p>\n<p><strong>Mas falta colocar o capitalismo no banco dos r\u00e9us?<\/strong><\/p>\n<p>N\u00e3o, o capitalismo j\u00e1 est\u00e1 no banco dos r\u00e9us, no banco dos r\u00e9us da Hist\u00f3ria, para n\u00f3s est\u00e1 muito claro. N\u00e3o vemos hoje quem defenda a situa\u00e7\u00e3o tal qual existe, n\u00e3o h\u00e1, leia o que ler. A apologia de [Francis] Fukuyama desapareceu.<\/p>\n<p><strong>Como \u00e9 que perante um jovem o chamaria para o comunismo?<\/strong><\/p>\n<p>Vamos ver: eu tenho de ir a uma escola nestes dias na Marinha Grande e estou a pensar o que \u00e9 que vou dizer. Creio que vou dizer muito pouco, sobretudo vou p\u00f4r os jovens a falar, perceber o que \u00e9 que vai naquelas cabe\u00e7as porque, sabe, n\u00f3s temos uma posi\u00e7\u00e3o muito cr\u00edtica em rela\u00e7\u00e3o ao sistema de ensino nestas mat\u00e9rias e ent\u00e3o sobre a Revolu\u00e7\u00e3o de Outubro nem imagino o que seja dito nos manuais. Estou muito interessado.<\/p>\n<p><strong>Se calhar n\u00e3o h\u00e1 tempo para ensinar no ano letivo.<\/strong><\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 tempo. Tenho que pensar mas estou convencido que encontrarei exemplos, argumentos, sem pintar a hist\u00f3ria do comunismo e do socialismo, da Revolu\u00e7\u00e3o de Outubro de cor-de-rosa, n\u00e3o o podemos fazer. Mas estou convencido que dizendo a verdade, mostrando as contradi\u00e7\u00f5es que h\u00e1 no desenvolvimento da hist\u00f3ria do movimento social conseguirei, sen\u00e3o encantar, convencer muita gente. A nossa experi\u00eancia \u00e9 essa, quando vamos a uma escola e falamos da revolu\u00e7\u00e3o de Abril parece que se abre um horizonte novo, como quando temos ido falar da Revolu\u00e7\u00e3o de Outubro. Despertar o esp\u00edrito cr\u00edtico, combater a irracionalidade que se procura inculcar nas massas em geral, defender a verdade hist\u00f3rica, portanto \u00e9 isto que eu pretendo fazer, n\u00e3o pretendo fazer nada mais.<\/p>\n<p><strong>Numa \u00fanica palavra, como \u00e9 que define a Revolu\u00e7\u00e3o de Outubro?<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 imposs\u00edvel explicar com uma palavra s\u00f3. \u00c9 o maior acontecimento da hist\u00f3ria da humanidade, o maior acontecimento libertador da hist\u00f3ria da humanidade. \u00c9 isto: o maior acontecimento libertador da hist\u00f3ria da humanidade &#8211; escreva isso, sem falta.<\/p>\n<p><strong>Est\u00e1 gravado.<\/strong><\/p>\n<p>https:\/\/www.odiario.info\/revolucao-de-outubro-foi-o-maior\/<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/17078\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[74],"tags":[227],"class_list":["post-17078","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c87-revolucao-russa","tag-5a"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-4rs","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17078","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=17078"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17078\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=17078"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=17078"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=17078"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}