{"id":17083,"date":"2017-11-09T18:03:35","date_gmt":"2017-11-09T21:03:35","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=17083"},"modified":"2017-11-09T18:03:35","modified_gmt":"2017-11-09T21:03:35","slug":"mortes-de-mulheres-no-brasil-tem-raca-e-classe-definidas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/17083","title":{"rendered":"Mortes de mulheres no Brasil t\u00eam ra\u00e7a e classe definidas"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/farm5.staticflickr.com\/4448\/38193501696_82abc7dfc7_o.png?w=747&#038;ssl=1\" alt=\"imagem\" \/><!--more--><strong>&#8220;Viol\u00eancia no Brasil \u00e9 um fen\u00f4meno social articulado a partir do racismo e do patriarcado&#8221;, diz Bruna Pereira<\/strong><\/p>\n<p>Juliana Gon\u00e7alves<\/p>\n<p>Uma mulher foi assassinada a cada duas horas em 2016 no Brasil. \u00c9 o que diz o levantamento feito pelo Anu\u00e1rio Brasileiro de Seguran\u00e7a P\u00fablica divulgado no final de outubro.<\/p>\n<p>Em n\u00fameros absolutos, 4.657 mulheres perderam a vida no pa\u00eds. Apesar disso, apenas 533 casos foram classificados como feminic\u00eddios mesmo ap\u00f3s uma lei de 2015 obrigar registrar mortes de mulheres dentro de suas casas, com viol\u00eancia dom\u00e9stica e por motiva\u00e7\u00e3o de g\u00eanero.<\/p>\n<p>Embora n\u00e3o traga o recorte de ra\u00e7a e classe por falta de base de dados, outras pesquisas e estudos apontam que o assassinato de mulheres negras e pobres \u00e9 o mais recorrente.<\/p>\n<p>Para Bruna Cristina Jaquetto Pereira, pesquisadora visitante da Universidade de Berkeley, na Calif\u00f3rnia, nos Estados Unidos, a aus\u00eancia dos dados ajuda a sociedade a negar as desigualdades fundamentais relacionadas a g\u00eanero, ra\u00e7a e classe.<\/p>\n<p>&#8220;N\u00f3s percebemos que a viol\u00eancia no Brasil n\u00e3o \u00e9 um fen\u00f4meno que atinge a todas da mesma forma, muito pelo contr\u00e1rio, ela se constr\u00f3i como um fen\u00f4meno social articulado em torno de g\u00eanero e ra\u00e7a, ou seja, a partir do racismo e do patriarcado&#8221;, diz.<br \/>\nA pesquisadora alerta que constantemente se fala de feminic\u00eddio apenas como crime motivado por g\u00eanero, mas,\u00a0no caso de mulheres negras, a quest\u00e3o racial deve ser levada em conta, uma vez que elas s\u00e3o as maiores v\u00edtimas dessa viol\u00eancia.<\/p>\n<p>O Mapa da Viol\u00eancia 2015 mostra que o n\u00famero de homic\u00eddios de brancas caiu, j\u00e1 o assassinato de negras aumentou: em 2003, morreram assassinadas 23% mais negras do que brancas. O \u00edndice foi crescendo lentamente ao longo dos anos, para, em 2013, chegar a 67%.<\/p>\n<p>Bruna, em seu livro &#8220;Tramas e dramas de g\u00eanero e de cor&#8221;, fruto de sua pesquisa de mestrado, investigou nos relatos de mulheres negras quais quest\u00f5es raciais presentes na viol\u00eancia que sofreram: &#8220;N\u00e3o estamos percebendo as vincula\u00e7\u00f5es desses homic\u00eddios com o racismo brasileiro, quer dizer, n\u00e3o podemos definir um eixo priorit\u00e1rio entre g\u00eanero e ra\u00e7a. No caso das mulheres negras, n\u00f3s temos que entender que as duas quest\u00f5es est\u00e3o operantes quando tratamos de viol\u00eancia&#8221;.<\/p>\n<p>A coordenadora auxiliar do N\u00facleo de Promo\u00e7\u00e3o e Defesa dos Direitos das Mulheres da Defensoria P\u00fablica do Estado de S\u00e3o Paulo, Paula Sant&#8217;Anna Machado de Souza, trabalhou por tr\u00eas anos na Vara de viol\u00eancia dom\u00e9stica de S\u00e3o Miguel, bairro da zona leste da cidade de S\u00e3o Paulo.\u00a0Durante esse trabalho, ela enxergou pontos que difereciam o acesso \u00e0 Justi\u00e7a de mulheres brancas e n\u00e3o brancas:<\/p>\n<p>&#8220;Essas mulheres negras t\u00eam uma s\u00e9rie de obst\u00e1culos de acesso \u00e0 Justi\u00e7a mais do que mulheres brancas. Toda essa pol\u00edtica que a gente vem discutindo desde a cria\u00e7\u00e3o da Lei Maria da Penha, ela ainda tem uma cor, uma classe social \u00e0 qual \u00e9 destinada&#8221;.<\/p>\n<p>Para a defensora p\u00fablica, outro agravante nessa equa\u00e7\u00e3o \u00e9 a viol\u00eancia policial que, segundo ela, \u00e9 uma realidade na vida das mulheres negras e pobres.<\/p>\n<p>&#8220;As mulheres que est\u00e3o na periferia n\u00e3o confiam na pol\u00edcia, num momento de vulnerabilidade, muitas vezes elas n\u00e3o recorrem\u00a0a esses atores que no dia a dia s\u00e3o violadores&#8221;.<\/p>\n<p>Souza acredita que a viol\u00eancia contra as mulheres deixa evidente todas as falhas das pol\u00edticas p\u00fablicas que n\u00e3o chegam \u00e0 mulher negra e perif\u00e9rica. David Marques, pesquisador do F\u00f3rum Brasileiro de Seguran\u00e7a P\u00fablica, tamb\u00e9m tem essa percep\u00e7\u00e3o: &#8220;Existe um cen\u00e1rio de deteriora\u00e7\u00e3o das pol\u00edticas p\u00fablicas de seguran\u00e7a, as estrat\u00e9gias que historicamente foram adotadas nesse campo n\u00e3o est\u00e3o dando certo, ou seja, nunca teve tantas pessoas presas e mortas pelas pol\u00edcias, no entanto o sentimento de inseguran\u00e7a da popula\u00e7\u00e3o permanece assim como os indicadores criminais crescem&#8221;.<\/p>\n<p>Ilutra\u00e7\u00e3o: Manifestante carrega cartaz na Marcha das Mulheres Negras em julho deste ano, em S\u00e3o Paulo. M\u00eddia Ninja<\/p>\n<p>Edi\u00e7\u00e3o: Vanessa Martina Silva<\/p>\n<p>https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2017\/11\/07\/mortes-de-mulheres-no-brasil-tem-raca-e-classe-definidas-dizem-pesquisadores\/<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/17083\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[180],"tags":[225],"class_list":["post-17083","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-feminista","tag-4a"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-4rx","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17083","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=17083"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17083\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=17083"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=17083"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=17083"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}