{"id":17139,"date":"2017-11-12T00:20:42","date_gmt":"2017-11-12T03:20:42","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=17139"},"modified":"2017-11-12T00:20:42","modified_gmt":"2017-11-12T03:20:42","slug":"as-mulheres-de-outubro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/17139","title":{"rendered":"As mulheres de Outubro"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.resumenlatinoamericano.org\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/comunistas-revolucion-rusa-octubre1-620x400.png\" alt=\"imagem\" \/><!--more--><\/p>\n<p>As mulheres desempenharam um grande papel em ambas revolu\u00e7\u00f5es de 1917, e em muito maior medida do que tiveram em 1905. O levante de Fevereiro foi, de fato, desencadeado por uma greve de mulheres da ind\u00fastria t\u00eaxtil em seu duplo papel como oper\u00e1rias e, em muitos casos, vi\u00favas dos soldados da frente. Enviaram apelos aos trabalhadores metal\u00fargicos para que se unissem a elas e, no final do dia, mais de 50.000 oper\u00e1rios estavam se manifestando nas ruas da capital. A eles se uniram donas de casa marchando para a Duma, exigindo p\u00e3o. Era o Dia Internacional da Mulher Trabalhadora (8 de mar\u00e7o do calend\u00e1rio gregoriano), que a ativista bolchevique Konkordia Samoilova deu a conhecer aos russos em 1913, e que tinha sido celebrado, observado e marcado desse ano em diante. Habitualmente era um acontecimento p\u00fablico, por\u00e9m muito pequeno em umas poucas cidades. Celebra-lo com uma greve de massas liderada por trabalhadoras n\u00e3o tinha precedentes. Existia envolvida uma ironia especial: os capitalistas da R\u00fassia tinham assumido que j\u00e1 que as mulheres eram o grupo mais oprimido, d\u00f3cil e socialmente atrasado (no sentido de que diferente das terroristas das d\u00e9cadas pr\u00e9vias, uma grande maioria era analfabeta) da sociedade russa, isso lhes converteria, segundo a l\u00f3gica capitalista, nos membros mais obedientes e nada problem\u00e1ticos da for\u00e7a de trabalho. Foi um erro de c\u00e1lculo. Enquanto a Primeira Guerra Mundial continuava, continuava a necessidade de mais emprego. A porcentagem de mulheres nas f\u00e1bricas se duplicou e triplicou. A ind\u00fastria armamentista de Putilov tamb\u00e9m estava produzindo os oper\u00e1rios mais militantes e organizadores bolcheviques, mulheres e homens.<\/p>\n<p>Em Moscou, tamb\u00e9m, as oper\u00e1rias estavam se radicalizando. Uma delas, Anna Litveiko, de dezoito anos em 1917, descobriria mais tarde a quest\u00e3o da mulher no processo em breves mem\u00f3rias. Ela e duas amigas, aproximadamente de sua idade, estavam trabalhando na f\u00e1brica Elektrolampa, no cintur\u00e3o industrial de Moscou. Ela recordava seu pai regressando para casa em 1915 da \u00faltima barricada que restava na cidade, todo golpeado, com sua roupa rasgada e seus bolsos cheios de cartuchos. Desta vez era diferente. Muitos soldados e cossacos estavam de seu lado. Em outubro, precisava escolher. De que lado estavam? Mencheviques ou bolcheviques? Anna admirava as duas organizadoras bolcheviques que trabalhavam com ela. Em sua f\u00e1brica, os mencheviques enviavam intelectuais para dirigir-se a elas de fora, por\u00e9m ent\u00e3o me disseram que habitualmente era o contr\u00e1rio: os mencheviques eram os oper\u00e1rios e os bolcheviques os intelectuais. Como poderia averigu\u00e1-lo? Um dia esperou um dos bolcheviques e perguntou: Qual a diferen\u00e7a entre os bolcheviques e os mencheviques? Ele respondeu:<\/p>\n<p><i>Voc\u00ea v\u00ea, o czar foi derrubado, por\u00e9m os burzhuis [burgueses] ficaram e se apropriam de todo o poder. Os bolcheviques s\u00e3o os que querem lutar contra os burzhuis at\u00e9 o final. Os mencheviques n\u00e3o s\u00e3o nem uma coisa nem a outra.<\/i><\/p>\n<p>Anna decidiu que se era at\u00e9 o final, ent\u00e3o vou iria unir-se aos bolcheviques. Suas duas amigas rapidamente seguiram seu exemplo.<\/p>\n<p>Nenhum dos participantes ou dirigentes dos partidos pol\u00edticos clandestinos localizados na capital tinha nem ideia de que era o primeiro dia de uma revolu\u00e7\u00e3o, exceto as funcion\u00e1rias as quais escutou Sujanov pouco depois de chegar para trabalhar naquela manh\u00e3. As mulheres sa\u00edram no dia seguinte e, desta vez, tamb\u00e9m os homens. E os partidos da esquerda foram agora despertados por completo, escrevendo, imprimindo e distribuindo panfletos muitos dos quais eram de um tom similar, exceto aqueles dos bolcheviques, que tamb\u00e9m reivindicavam paz e um final imediato para a guerra imperialista. Para aquele fim de semana, a suave brisa havia se convertido em uma tormenta. Sujanov, agora foi para as ruas tomando notas e saboreando a situa\u00e7\u00e3o, escutou dois espectadores pouco simp\u00e1ticos. O que querem?, disse um homem de aspecto sombrio. De volta, veio a resposta de seu semelhante: Querem paz, paz com os alem\u00e3es e igualdade para os <i>yids <\/i>[1]. Atingiriam o alvo, pensaria o futuro historiador, expressando seu deleite ante esta brilhante formula\u00e7\u00e3o do programa da grande revolu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>S\u00f3 existiam duas mulheres membros do Comit\u00ea Central bolchevique em 1917: Alexandra Kollontai e Elena Stasova. Varvara Yakovleva se uniu um ano mais tarde e foi ministra de Educa\u00e7\u00e3o em 1922, convertendo-se posteriormente em ministra da Fazenda. Os mencheviques n\u00e3o estavam muito melhor. O contraste num\u00e9rico com a organiza\u00e7\u00e3o terrorista Vontade do Povo n\u00e3o podia ter sido mais chamativo, por\u00e9m mesmo seu sucessor, o Partido Social-Revolucion\u00e1rio (SR), mostrava quanto tinha mudado no novo s\u00e9culo. A propor\u00e7\u00e3o de mulheres em seus \u00f3rg\u00e3os diretivos tamb\u00e9m tinha registrado um decl\u00ednio muito agudo, ainda que marginalmente menor em seu bra\u00e7o secreto, a Organiza\u00e7\u00e3o de Combate.<\/p>\n<p>As raz\u00f5es para esta situa\u00e7\u00e3o eram variadas. As oper\u00e1rias estavam sendo recrutadas em grande n\u00famero nos complexos industriais. Uma compara\u00e7\u00e3o pol\u00edtica \u00e9 igualmente reveladora. Aqueles homens e mulheres dos velhos grupos que queriam manter suas lealdades em diferentes \u00e9pocas poderiam ter ingresso nos SR. A maioria deles agora aparecia em p\u00fablico sem a m\u00e1scara do terrorismo.<\/p>\n<p>Alexandra Kollontai n\u00e3o foi a \u00fanica mulher que desempenhou um papel importante na primeira Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica, mas foi, sem d\u00favida, uma das mais dotadas, possu\u00eda uma mente e um esp\u00edrito ferozmente independentes. \u00c9 em sua obra na qual podemos ver a s\u00edntese do feminismo revolucion\u00e1rio (socialista, n\u00e3o radical). Entendeu melhor que a maioria as necessidades sociais, pol\u00edticas e sexuais da liberta\u00e7\u00e3o das mulheres. \u00c0s vezes suas aprecia\u00e7\u00f5es sobre as mulheres com diferentes origens de classe podem ser duras, levando a que essas vis\u00f5es n\u00e3o fossem compartilhadas por muitos de seus camaradas, homens e mulheres. Foi deliberadamente mal interpretada e retratada como uma defensora da libertinagem permanente; no campo, os pequenos propriet\u00e1rios utilizaram seu nome para alertar os camponeses pobres que se fossem adiante com o plano de coletiviza\u00e7\u00e3o agr\u00edcola, teriam que compartilhar as mulheres mais jovens de suas fam\u00edlias com todos os demais homens, enquanto as mulheres maiores seriam reduzidas a sab\u00e3o.<\/p>\n<p>Kollontai era muito consciente da natureza absurda da maioria da propaganda e se irritou especialmente quando a acusaram de priorizar o sexo sobre o amor. Em seu breve ensaio autobiogr\u00e1fico <i>Autobiografia de uma mulher sexualmente emancipada<\/i>, explica que o amor sempre sup\u00f4s uma ampla parte de sua vida, por\u00e9m que era uma experi\u00eancia passageira. Mais importante era a necessidade de entender que o amor n\u00e3o era o principal objetivo de nossa vida e sabermos como situar o trabalho como seu centro. Poderia ter acrescentado&#8230; como fazem os homens. Ela queria que o amor fosse harmoniosamente combinado com o trabalho, por\u00e9m mais uma vez, as coisas resultaram diferentes, com os homens sempre tentando impor seu ego sobre n\u00f3s para nos adaptarmos plenamente a sus prop\u00f3sitos. A escolha era aceitar esta posi\u00e7\u00e3o para o resto da vida ou, ao contr\u00e1rio, terminar com ela. Explicava que desde que o amor tinha se convertido em grilh\u00e3o, a \u00fanica sa\u00edda era atrav\u00e9s de uma inevit\u00e1vel rebeli\u00e3o interior&#8230; nos sent\u00edamos escravizadas e tent\u00e1vamos relaxar o v\u00ednculo amoroso. Em momento algum Kollontai disse que n\u00e3o existiriam contradi\u00e7\u00f5es no caminho para a liberdade, mas ao contr\u00e1rio: Est\u00e1vamos de novo sozinhas, infelizes, solit\u00e1rias, por\u00e9m livres \u2013 livres para perseguir nosso amado e querido trabalho ideal. Foi uma das primeiras declara\u00e7\u00f5es fundamentais dos valores feministas modernos, e um dos quais o s\u00e9culo XXI retirou, apesar dos aleluias intermin\u00e1veis honrando o matrim\u00f4nio gay.<\/p>\n<p>Lenin escreveu em 1918 que, desde a experi\u00eancia de todos os movimentos de liberta\u00e7\u00e3o, \u00e9 poss\u00edvel afirmar que \u00eaxito de uma revolu\u00e7\u00e3o pode ser medido pela extens\u00e3o do envolvimento das mulheres nele. Praticamente todos os revolucion\u00e1rios russos, independentemente de sua fac\u00e7\u00e3o ou partido, tinham estado sempre de acordo com isto. Como discutia no cap\u00edtulo 12, de 1860 em diante as mulheres russas desempenharam um papel exemplar, muito mais avan\u00e7adas que suas irm\u00e3s do resto da Europa e em todos os demais continentes.<\/p>\n<p>Os debates sobre o papel da fam\u00edlia nuclear nas cidades e no campo, e sobre a fun\u00e7\u00e3o do matrim\u00f4nio, estavam mais avan\u00e7ados e eram mais aut\u00eanticos na R\u00fassia que em qualquer outra parte durante o final do s\u00e9culo XIX e come\u00e7o do s\u00e9culo XX. As revolu\u00e7\u00f5es de 1917 aceleraram muito mais este processo, j\u00e1 que estes temas agora n\u00e3o eram abstra\u00e7\u00f5es. Era necess\u00e1rio tomar medidas concretas. Marx, Engels e Bebel insistiram em que o capitalismo estava negando os usos e necessidades tradicionais da fam\u00edlia. Nas sociedades campesinas, a fam\u00edlia atuava como uma unidade coletiva de produ\u00e7\u00e3o. Todo o mundo trabalhava, ainda que as mulheres muito mais duramente. Clara Zetkin, dirigente do SPD alem\u00e3o, utilizando o trabalho dos tr\u00eas maiores como ponnto de partida, analisou as diferen\u00e7as entre uma fam\u00edlia campesina e uma prolet\u00e1ria. Esta \u00faltima, argumentava, era uma unidade de consumo, na\u00f5 de produ\u00e7\u00e3o. Isto foi levado mais al\u00e9m pelos te\u00f3ricos sovi\u00e9ticos depois da revolu\u00e7\u00e3o. Para Nikolai Bukharin, o desenvolvimento do capitalismo tinha semeado todas as sementes necess\u00e1rias para a desintegra\u00e7\u00e3o da fam\u00edlia: a unidade de produ\u00e7\u00e3o transferida para a f\u00e1brica, o trabalho assalariado tanto para as mulheres como para os homens e, \u00e9 claro, a natureza peripat\u00e9tica da vida e do trabalho na cidade. Kollontai estava de acordo que a fam\u00edlia estava \u00e0 beira da extin\u00e7\u00e3o. O que era crucial para o Governo bolchevique era fazer a transi\u00e7\u00e3o para as novas formas o menos dolorosamente como fosse poss\u00edvel, com o Estado fornecendo creches de alta qualidade, escolas, instala\u00e7\u00f5es alimentares comuns e ajudando com o trabalho dom\u00e9stico. Lenin apoiava fortemente este ponto de vista. Suas censuras \u00e0 fam\u00edlia eram caracteristicamente \u00e1speras. Denunciava a decad\u00eancia, putrefa\u00e7\u00e3o e obscenidade do matrim\u00f4nio burgu\u00eas com sua dif\u00edcil dissolu\u00e7\u00e3o, a necessidade de permiss\u00e3o do marido e servid\u00e3o para a esposa, e suas desagrad\u00e1veis e falsas moralidades e rela\u00e7\u00f5es sexuais.<\/p>\n<p>O inimigo era sempre o marido, que evitava o trabalho dom\u00e9stico e o cuidado conjunto dos filhos. O mesquinho trabalho dom\u00e9stico, se enfurecia Lenin em 1919, esmaga, estrangula, atrofia e degrada, prende a mulher \u00e0 cozinha e ao ber\u00e7o, e desperdi\u00e7a seu trabalho em uma barbaramente improdutiva, mesquinha, enervante, degradante e esmagadora tarefa penosa. Suas solu\u00e7\u00f5es eram as mesmas que aquelas de outros l\u00edderes revolucion\u00e1rios da \u00e9poca: cozinhas, lavanderias, oficinas de repara\u00e7\u00f5es e creches coletivas, etc. Por\u00e9m, para Lenin, a aboli\u00e7\u00e3o da escravid\u00e3o dom\u00e9stica <i>n\u00e3o<\/i> significava o desaparecimento das fam\u00edlias ou lares individuais.<\/p>\n<p>Estas vis\u00f5es se refletiram na arquitetura dos construtivistas. Os edif\u00edcios de apartamentos de Moisei Ginzburg, tanto grandes como pequenos, expressaram a nova \u00e9poca. As lavanderias e refeit\u00f3rios comuns foram considerados um grande sucesso. O parque de jogos para as crian\u00e7as era vis\u00edvel da cozinha de cada apartamento, e o tamanho do espa\u00e7o podia ser modificado, movendo enormes paredes de madeira sobre rodas. A vis\u00e3o de Ginzburg estava, como explica em sua obra mestre <i>\u00c9poca e estilo<\/i>, amplamente inspirada por seus cinco anos na Crim\u00e9ia, onde teve tempo, apesar da guerra civil, para visitar antigas mesquitas e outros edif\u00edcios com os quais aprendeu muito mais do que tinha aprendido nunca na academia cl\u00e1ssica de Mil\u00e3o. Descrevia a arquitetura espont\u00e2nea, impulsiva, do povo t\u00e1rtaro como correndo ao longo de um curso natural, segundo suas curvas e irregularidades, acrescentando um motivo a outro com uma espontaneidade pitoresca que oculta uma ordem criativa distinta. O edificio do Pravda, em Leningrado, constru\u00eddo em 1924, sobre o qual trabalhou felizmente com outros dois arquitetos, estabeleceu sua reputa\u00e7\u00e3o como um dos melhores expoentes da nova cultura. Seu trabalho foi logo eclipsado pelos poupadores de tempo da \u00e9poca de Stalin, por\u00e9m felizmente Ginzburg foi deixado s\u00f3. Morreu comodamente na cama em 1946.<\/p>\n<p>Os bolcheviques estavam extremamente orgulhosos de seus primeiros decretos, a maioria dos quais foram redigidos por Lenin. Para celebrar o primeiro anivers\u00e1rio da Revolu\u00e7\u00e3o de Outubro, em 1918, o Comit\u00ea Executivo Central dos Soviets aprovou unanimemente o novo C\u00f3digo sobre o Matrim\u00f4nio, a Fam\u00edlia e a Tutela. Foi redigido pelo jurista radical Alexander Goijbarg, de trinta e quatro anos na \u00e9poca, que explicava que seu prop\u00f3sito era impulsionar a extin\u00e7\u00e3o da fam\u00edlia tradicional. O poder prolet\u00e1rio, escreveu, no momento em que esperan\u00e7as como a sua eram bastante comuns, constr\u00f3i seus c\u00f3digos e todas suas leis dialeticamente, para que cada dia de sua exist\u00eancia mine as necessidades que existam. O objetivo era uma lei para tornar a lei sup\u00e9rflua. Goijbarg, um antigo menchevique, baseava suas ideias na filosofia pol\u00edtica que subjaz em <i>O Estado e a revolu\u00e7\u00e3o<\/i> de Lenin. Um bom n\u00famero de historiadores apontou que durante o primeiro ano da revolu\u00e7\u00e3o, parecia como se a Comuna de Paris estivesse se repetindo.<\/p>\n<p>A nova lei sobre a fam\u00edlia n\u00e3o tinha precedentes na Hist\u00f3ria. As leis czaristas sobre a fam\u00edlia estavam marcadas pelas necessidades da Igreja Ortodoxa e outras religi\u00f5es quando era necess\u00e1rio. Uma compara\u00e7\u00e3o com as prescri\u00e7\u00f5es contempor\u00e2neas wahhabis e da Ar\u00e1bia Saudita \u00e9 instrutiva:<\/p>\n<p><i>As f\u00e1bricas tinham desaparecido fazia muito tempo, por\u00e9m um bloco de apartamentos de tamanho m\u00e9dio para fam\u00edlias de classe oper\u00e1ria ainda estava no lugar. Todas as cozinhas tinham janelas das quais os parques de jogos para crian\u00e7as eram permanentemente vis\u00edveis. Os muros de madeira sobre rodas variavam a disposi\u00e7\u00e3o segundo as necessidades. N\u00e3o pude evitar comparar este Jerusal\u00e9m, com seus espa\u00e7os verdes, com a maioria dos brutais blocos de habita\u00e7\u00e3o da Gr\u00e3-Bretanha do p\u00f3s-guerra. A falta de imagina\u00e7\u00e3o na Gr\u00e3-Bretanha era impactante. \u00c9pocas y estilos.<\/i><\/p>\n<p>A brutalidade patriarcal era for\u00e7ada pela Igreja com o mesmo vigor. As mulheres necessitavam a permiss\u00e3o dos homens para praticamente tudo, incluindo um passaporte. A obedi\u00eancia total era for\u00e7ada e as mulheres n\u00e3o tinham direitos, exceto com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 propriedade. As leis sobre a fam\u00edlia da Europa ocidental, origin\u00e1rias do feudalismo propriamente dito, tinham institu\u00eddo a propriedade conjunta, o que de forma efetiva significava a propriedade e domina\u00e7\u00e3o masculinas. A Igreja russa permitia direitos de propriedade separados enquanto estivessem concernentes os dotes heran\u00e7as, doa\u00e7\u00f5es e terras. Este \u00e9 o caso tamb\u00e9m na Ar\u00e1bia Saudita. \u00c0s mulheres s\u00e3o negados direitos pol\u00edticos e igualdade, por\u00e9m podem ter propriedades; as mulheres de neg\u00f3cios funcionam perfeitamente bem.<\/p>\n<p>Uns meses depois de outubro de 1917, um decreto abolia todas as leis czaristas sobre a fam\u00edlia e a criminaliza\u00e7\u00e3o da sodomia. As mulheres j\u00e1 n\u00e3o eram legalmente inferiores, tinham direitos iguais aos dos homens; o matrim\u00f4nio religioso era nulo e s\u00f3 os matrim\u00f4nios civis estavam reconhecidos pela lei; o div\u00f3rcio estava garantido quando o solicitasse qualquer um dos dois, e n\u00e3o se considerava necess\u00e1rio motiva-lo. Assim como a manuten\u00e7\u00e3o: as mesmas garantias para ambos membros da rela\u00e7\u00e3o. As leis de propriedade, que se estendiam s\u00e9culos atr\u00e1s, foram abolidas, terminando com os privil\u00e9gios masculinos e suprimindo o estigma da ilegitimidade. A todos os filhos era outorgado direitos iguais, independentemente do matrim\u00f4nio de seus pais. Isto constituiu uma restrutura\u00e7\u00e3o radical das leis europeias, ao desvincular as obriga\u00e7\u00f5es familiares dos contratos ou certificados matrimoniais. Curiosamente, as ado\u00e7\u00f5es privadas foram destitu\u00eddas sobre a base de que o novo Estado seria um pai melhor que as fam\u00edlias individuais. Dada a preponder\u00e2ncia do campesinato, se temia que facilitasse o uso do trabalho infantil no campo. Os educadores mais ut\u00f3picos argumentaram que abolir a ado\u00e7\u00e3o privada era um passo transicional para que o Estado se encarregasse do cuidado infantil para todos.<\/p>\n<p>Os cr\u00edticos do novo c\u00f3digo denunciaram as medidas como uma capitula\u00e7\u00e3o para as normas burguesas. Goijbarg escreveu: Nos gritam: Registro do matrim\u00f4nio, matrim\u00f4nio formal&#8230; Que tipo de socialismo \u00e9 este? E N. A. Roslavets, uma delegada ucraniana ao Comit\u00ea Executivo Central dos Soviets de 1918, onde foi discutido o novo c\u00f3digo, estava l\u00edvida ante o fato de que o Estado tivesse algo a fazer sobre o matrim\u00f4nio em si. Era uma decis\u00e3o individual e devia ser deixada tal qual. Denunciou o c\u00f3digo como uma sobreviv\u00eancia burguesa: a interfer\u00eancia do Estado na quest\u00e3o do matrim\u00f4nio, inclusive na forma de registro que o C\u00f3digo sugere, \u00e9 completamente incompreens\u00edvel n\u00e3o s\u00f3 em um sistema socialista, mas na transi\u00e7\u00e3o, e conclu\u00eda irritadamente, n\u00e3o posso entender por que este C\u00f3digo estabelece a monogamia obrigat\u00f3ria. Em resposta, Goijbarg alegou que ela e outros deviam entender que a principal raz\u00e3o para ter um c\u00f3digo dessacralizado era para prover \u00e0s pessoas que desejassem registrar um matrim\u00f4nio, uma alternativa \u00e0 Igreja. Se o Estado n\u00e3o o fizesse, muita gente, especialmente no campo, teria casamentos eclesi\u00e1sticos clandestinos. Ganhou o argumento, mas ap\u00f3s um consider\u00e1vel debate.<\/p>\n<p>No entanto, em 1919, o Governo revolucion\u00e1rio lan\u00e7ava o <i>Zhenotdel<\/i> (o Departamento para o Trabalho entre as Mulheres Oper\u00e1rias e Campesinas), cujo prop\u00f3sito era a emancipa\u00e7\u00e3o das mulheres. Sua dire\u00e7\u00e3o consistia em mulheres que tinham estado ativas neste campo durante os cruciais anos pr\u00e9-revolucion\u00e1rios \u2013 Inessa Armand, Alexandra Kollontai, Sof\u00eda Smidovich, Konkordia Samoilovna e Klavdiya Nikolaeva \u2013 e entendiam as necessidades especiais das mulheres. Esta liberta\u00e7\u00e3o das mulheres n\u00e3o era um objetivo para a maioria das mulheres. As socialdemocratas, tanto Vera Zasulich como Rosa Luxemburg, o viam como um desvio em um momento no qual a humanidade em seu conjunto enfrentava gigantescas tarefas. As mulheres do <i>Zhenotdel<\/i> n\u00e3o viam a si mesmas como ut\u00f3picas. Simplesmente pensavam que a emancipa\u00e7\u00e3o das mulheres devia ser uma das tarefas enfrentadas na revolu\u00e7\u00e3o. Nenhuma delas pensava que poderia conseguir rapidamente ou inclusive durante suas vidas, por\u00e9m teriam que come\u00e7ar <i>agora<\/i> ou a quest\u00e3o simplesmente desapareceria num segundo plano. E era necess\u00e1rio empreender a\u00e7\u00f5es imediatas em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 transfer\u00eancia das tarefas dom\u00e9sticas e o cuidado infantil \u00e0s institui\u00e7\u00f5es estatais. Por\u00e9m, isto para elas n\u00e3o significava gigantescos falanst\u00e9rios, como imaginaram Fourier, Chernichevski ou Bukharin. As mulheres queriam administra\u00e7\u00f5es que em cada cidade fornecessem institui\u00e7\u00f5es locais, como creches, refeit\u00f3rios e lavanderias gratuitas. Dirigindo-se a uma confer\u00eancia de mulheres em setembro daquele ano, Lenin argumentou que as reivindica\u00e7\u00f5es e o trabalho do <i>Zhenotdel<\/i> n\u00e3o poderiam mostrar nenhum resultado r\u00e1pido&#8230; e n\u00e3o produziriam nenhum efeito brilhante. Trotsky argumentava o mesmo em alguns artigos jornal\u00edsticos, citando muitos exemplos da vida da classe oper\u00e1ria que sugeriam que a precau\u00e7\u00e3o era necess\u00e1ria, ainda que tamb\u00e9m defendendo a ideia de que a propaganda abstrata n\u00e3o era suficiente para transformar as rela\u00e7\u00f5es de g\u00eanero. Devia existir algumas a\u00e7\u00f5es, alguns experimentos para mostrar as sa\u00eddas a todas as interessadas.<\/p>\n<p>Na realidade, foram, por desgra\u00e7a, os velhos bolcheviques (homens e mulheres) que se mostraram ut\u00f3picos. A aboli\u00e7\u00e3o da propriedade privada n\u00e3o era suficiente. A vit\u00f3ria do conservadorismo na Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica ap\u00f3s 1930 levou a um Termidor sexual e a reitera\u00e7\u00e3o dos tradicionais papeis femininos, inclusive sem mudar as leis, exceto para criminalizar a homossexualidade, em 1934. Em contraste polar, as ideias eficazmente desenvolvidas pelo <i>Zhenotdel <\/i>foram aplicadas ap\u00f3s o final da guerra civil pelos arquitetos que projetaram novos blocos de habita\u00e7\u00f5es para trabalhadores, como explic\u00e1vamos acima.<\/p>\n<p>A n\u00edvel nacional, as mulheres membros do <i>Zhenotdel<\/i> foram extremamente ativas em assegurar que as mulheres n\u00e3o fossem ignoradas quando escolhidas para os comit\u00eas militares revolucion\u00e1rios, os aparatos locais do partidos, os sindicatos e o departamento pol\u00edtico do Ex\u00e9rcito Vermelho. De novo, a implica\u00e7\u00e3o da mulher russa nas guerras partisans e no terrorismo clandestino servia como exemplo. As mulheres camponesas de 1812 tinham despachado habitualmente os soldados franceses do Ex\u00e9rcito de Napole\u00e3o, usando gadanhas ou forcas, ou simplesmente queimando-os vivos.<\/p>\n<p>Durante a guerra civil, muitas mulheres serviram como comiss\u00e1rias pol\u00edticas e enfermeiras nos hospitais de campanha. A vida partisan era dura, por\u00e9m as mulheres gostavam da igualdade da qual disfrutavam com rela\u00e7\u00e3o aos homens, uma tradi\u00e7\u00e3o que seria destacada mais uma vez durante a Segunda Guerra Mundial. Richard Stites descreve como as enfermeiras capturadas eram habitualmente tratadas com especial brutalidade pelos brancos. Pr\u00f3ximo de Petrogrado, em 1919, tr\u00eas enfermeiras foram enforcadas com o avental de seu hospital de campanha com as ins\u00edgnias do <i>Komsomol<\/i> [Juventudes Comunistas] inscritas em suas l\u00ednguas. E milhares de mulheres serviram no Ex\u00e9rcito Vermelho e lutaram em cada frente e com qualquer arma, servindo como atiradoras, comandantes de comboios blindados, na artilharia. Tamb\u00e9m atuaram como espi\u00e3s. Lenin estava extremamente impressionado pelos informes de Odessa e Baku sobre como as mais educadas mulheres do Ex\u00e9rcito Vermelho enfrentaram eficazmente os soldados franceses e brit\u00e2nicos que combatiam junto aos brancos e argumentaram \u2013 no pr\u00f3prio idioma dos soldados \u2013 contra o intervencionismo estrangeiro. Ordenou a cria\u00e7\u00e3o de uma escola especial de espionagem e desorganiza\u00e7\u00e3o. Esta foi situada em uma grande casa de Moscou, sob o comando do lend\u00e1rio revolucion\u00e1rio georgiano Kamo, cujas fa\u00e7anhas na clandestinidade anticzarista eram incr\u00edveis. Aqueles que passaram pela escola (muitos dos quais foram mulheres, inclusive a talentosa Larissa Reisner) formaram o Primeiro Destacamento Partisan de Opera\u00e7\u00f5es Especiais.<\/p>\n<p>Foi em outras frentes emancipacionistas nas quais as feministas bolcheviques encontraram serias resist\u00eancias. Houve grandes problemas quando estabeleceram modestas sedes no C\u00e1ucaso e \u00c1sia Central ou, para essa mat\u00e9ria, na Ucr\u00e2nia. As mulheres locais estavam assustadas e t\u00edmidas. Os homens amea\u00e7aram as feministas com a viol\u00eancia, inclusive se simplesmente ensinassem a suas esposas a ler em uma das cabines de leitura do <i>Zhenotdel<\/i>.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s uma viagem ao C\u00e1ucaso, em 1920, Clara Zetkin informou \u00e0 sede central do <i>Zhenotdel<\/i> o que as mulheres haviam dito depois de demorar semanas para convenc\u00ea-las a falar:<\/p>\n<p><i>\u00c9ramos escravas silenciadas. T\u00ednhamos que nos esconder em nossas casas e nos rebaixarmos ante nossos maridos, que eram nossos donos.<\/i><\/p>\n<p><i>Nossos pais nos vendiam com cerca de dez anos de idade, inclusive mais jovens. Nosso marido nos pegaria com uma vara e nos a\u00e7oitaria quando lhe parecesse necess\u00e1rio. Se queria que n\u00f3s congel\u00e1ssemos, n\u00f3s congel\u00e1vamos. Nossas filhas, uma alegria para n\u00f3s e uma ajuda na casa, eram vendidas, da mesma forma que n\u00f3s t\u00ednhamos sido.<\/i><\/p>\n<p>O trabalho feito pelas mulheres do segundo grupo do <i>Zhenotdel<\/i> ao longo do pa\u00eds inquestionavelmente deu frutos. Estabeleceu as bases para impor um estrito sistema de igualdade de g\u00eanero, inclusive em regi\u00f5es mais socialmente atrasadas da jovem Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica. Estas mulheres corajosas e seguras de si, enfrentaram frontalmente os homens sem armas e nem guardas. No cora\u00e7\u00e3o de uma cidade mu\u00e7ulmana, mostraram um filme que retratava uma hero\u00edna mu\u00e7ulmana que se recusou a casar com um velho que a havia comprado. Em Baku, as mulheres que participavam do clube do <i>Zhenotdel<\/i> foram atacadas por homens com cachorros (n\u00e3o havia muita diferen\u00e7a entre ambos) e desfiguraram seus rostos com \u00e1gua fervendo. Uma mulher mu\u00e7ulmana de vinte anos, orgulhosa de ter se libertado, foi banhar-se de mai\u00f4. Foi cortada em peda\u00e7os por seu pai e seus irm\u00e3os porque tinha insultado sua dignidade. Ocorreram 300 assassinatos similares (delitos contrarrevolucion\u00e1rios, j\u00e1 que o Estado era afetado) ao longo de tr\u00eas meses s\u00f3 em 1929. Por\u00e9m, apesar do terror patriarcal, as mulheres ganharam no final. Centenas de mu\u00e7ulmanas e outras mulheres dessas regi\u00f5es come\u00e7aram a trabalhar, sendo volunt\u00e1rias como tradutoras e funcion\u00e1rias nas sedes do <i>Zhenotdel<\/i>. E existem informes extremamente comoventes sobre como em cada Primeiro de Maio e Dia Internacional da Mulher Trabalhadora, milhares de mulheres se despojariam volunt\u00e1ria e insolentemente de seus v\u00e9us. Tampouco, olharam para tr\u00e1s. A auto-emancipa\u00e7\u00e3o foi o modelo sugerido pelo<i> Zhenotdel<\/i>, n\u00e3o uma imposi\u00e7\u00e3o estatal. E funcionou.<\/p>\n<p>Um bom n\u00famero de dirigentes bolcheviques se op\u00f4s ao <i>Zhenotdel<\/i>. Rikov, fortemente vinculado aos predominantemente masculinos sindicatos, exigiu que o <i>Zhenotdel<\/i> fosse dissolvido porque causava divis\u00e3o. Zinoviev se op\u00f4s, inclusive, convocando o Congresso de Mulheres de 1919. Outros queriam us\u00e1-lo como forma de apartar as bolcheviques e deixar o aut\u00eantico partido aos homens, o que foi o caso de todos os modos. Elena Stasova, a secret\u00e1ria do partido em outubro de 1917, foi liberada de seu posto quando a capital se transferiu para Moscou. Estava chateada (ainda que seu sucessor, Jacob Sverdlov, fosse o organizador mais capacitado dispon\u00edvel) e recha\u00e7ou a ideia de ser encaminhada ao <i>Zhenotdel<\/i>, convertendo-se em uma das secret\u00e1rias pol\u00edticas do escrit\u00f3rio de Lenin. O pr\u00f3prio Lenin defendeu vigorosamente o <i>Zhenotdel<\/i> contra todas as formas de reducionismo. Na que foi provavelmente sua \u00faltima entrevista sobre o assunto (sua interlocutora era Clara Zetkin), respondeu irritadamente quando ela informou que muitos bons camaradas eram hostis a qualquer no\u00e7\u00e3o de que o partido criasse \u00f3rg\u00e3os especiais para o trabalho sistem\u00e1tico entre as mulheres. Argumentavam que todo o mundo necessitava emancipar-se, n\u00e3o s\u00f3 as mulheres, e que Lenin havia se rendido ao oportunismo nesta quest\u00e3o. <span lang=\"es\">Zetkin escreveu:<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><i>Isto nem \u00e9 novo nem serve de modo algum como prova, disse Lenin. <\/i><i><span lang=\"es\">N\u00e3o se deixe desorientar. <\/span><\/i><i>Por que em nenhuma parte, nem sequer na R\u00fassia sovi\u00e9tica, militam no partido tantas mulheres como homens? Por que o n\u00famero de mulheres organizadas nos sindicatos \u00e9 t\u00e3o pequeno? Os fatos nos obrigam a refletir\u2026 \u00c9 por isso que \u00e9 correto n\u00f3s apresentarmos reivindica\u00e7\u00f5es favor\u00e1veis \u00e0s mulheres&#8230; Nossas reivindica\u00e7\u00f5es s\u00e3o conclus\u00f5es pr\u00e1ticas que extra\u00edmos das ardentes necessidades, da vergonhosa humilha\u00e7\u00e3o das mulheres na sociedade burguesa, indefesas e sem direitos&#8230; Reconhecemos estas necessidades e somos sens\u00edveis \u00e0 humilha\u00e7\u00e3o das mulheres, aos privil\u00e9gios do homem. Por isso, odiamos, sim, odiamos e aboliremos tudo o que tortura e oprime a mulher trabalhadora, dona de casa e campesina, a esposa do pequeno comerciante, sim, e em muitos casos as mulheres das classes possuidoras.<\/i><\/p>\n<p><i>Tariq Ali<\/i><\/p>\n<p>8 de mar\u00e7o de 2017<\/p>\n<p>Fonte: http:\/\/www.<wbr \/>resumenlatinoamericano.org\/<wbr \/>2017\/11\/07\/las-mujeres-de-<wbr \/>octubre\/<\/p>\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o: Partido Comunista Brasileiro (PCB)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/17139\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[180,74],"tags":[233],"class_list":["post-17139","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-feminista","category-c87-revolucao-russa","tag-6a"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-4sr","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17139","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=17139"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17139\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=17139"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=17139"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=17139"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}