{"id":17141,"date":"2017-11-12T00:33:42","date_gmt":"2017-11-12T03:33:42","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=17141"},"modified":"2017-11-13T06:52:01","modified_gmt":"2017-11-13T09:52:01","slug":"a-resistencia-indigena-contra-os-novos-bandeirantes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/17141","title":{"rendered":"A resist\u00eancia ind\u00edgena contra os novos Bandeirantes"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i1.wp.com\/cdn-images-1.medium.com\/max\/1000\/1*4Im7tz8tadsCXel--KjMKQ.jpeg?w=1078&amp;ssl=1\" alt=\"imagem\" \/><!--more-->por Matheus Macedo<\/p>\n<p>H\u00e1 mais de quinhentos anos os povos nativos do Brasil lutam pela sua sobreviv\u00eancia, pela preserva\u00e7\u00e3o de sua cultura, suas terras e a natureza. Durante toda a hist\u00f3ria deste pa\u00eds, os ind\u00edgenas sofreram persegui\u00e7\u00f5es, escravid\u00e3o, genoc\u00eddio e os que restaram foram expulsos de suas terras pelo avan\u00e7o do homem branco.<\/p>\n<p>Quando essas terras foram conquistadas pelos portugueses, havia aqui uma popula\u00e7\u00e3o ind\u00edgena superior a <strong>5 milh\u00f5es de habitantes<\/strong>, reduzidos ao longo dos anos para <strong>menos de 900 mil<\/strong>. Os portugueses que se consideravam donos destas terras, obrigaram grande parcela desses ind\u00edgenas a realizar trabalhos for\u00e7ados. Sua escravid\u00e3o foi auxiliada pela a\u00e7\u00e3o dos Bandeirantes, ca\u00e7adores de nativos e respons\u00e1veis pela morte de diversos deles. Al\u00e9m disso, muitas doen\u00e7as trazidas pelos europeus e africanos, potencializaram o desaparecimento de um grande n\u00famero de ind\u00edgenas.<\/p>\n<p>Segundo dados da FUNAI e do Censo do IBGE (2010), a atual popula\u00e7\u00e3o ind\u00edgena brasileira, \u00e9 de 817.963, confinados em \u00e1reas correspondentes a 13,8% do territ\u00f3rio original que estes nativos possu\u00edam. Desde 1500 at\u00e9 a d\u00e9cada de 70 a popula\u00e7\u00e3o de nativos decresceu, chegando a extin\u00e7\u00e3o de diversas etnias. O cen\u00e1rio teve mudan\u00e7as a partir dos anos 90 quando o IBGE incluiu os ind\u00edgenas no censo demogr\u00e1fico nacional. O crescimento de pessoas que se consideravam ind\u00edgena foi de 150%.<\/p>\n<p><span class=\"embed-youtube\" style=\"text-align:center; display: block;\"><iframe loading=\"lazy\" class=\"youtube-player\" width=\"747\" height=\"421\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/GFtVilAqkvI?version=3&#038;rel=1&#038;showsearch=0&#038;showinfo=1&#038;iv_load_policy=1&#038;fs=1&#038;hl=pt-BR&#038;autohide=2&#038;wmode=transparent\" allowfullscreen=\"true\" style=\"border:0;\" sandbox=\"allow-scripts allow-same-origin allow-popups allow-presentation allow-popups-to-escape-sandbox\"><\/iframe><\/span><\/p>\n<p>Depoimento de Cl\u00e1udio Barros de 93 anos, cacique da aldeia Tekoha Por\u00e3, em Gua\u00edra\u200a\u2014\u200aPR, e de sua esposa, Vit\u00f3ria. Enfrentou e resistiu a sucessivas tentativas da sociedade e do Estado brasileiro de expuls\u00e1-los de sua terras.<\/p>\n<p>Atualmente a FUNAI estima que existam no Brasil 274 l\u00ednguas faladas, o Censo mostrou que cerca de 20% da popula\u00e7\u00e3o nativa n\u00e3o fala o portugu\u00eas. A entidade aponta que esses indiv\u00edduos t\u00eam enfrentando uma transforma\u00e7\u00e3o social muito grande, tendo que buscar maneiras de garantir a sobreviv\u00eancia f\u00edsica e cultural. Entre os principais problemas est\u00e3o invas\u00f5es territoriais, degrada\u00e7\u00e3o do meio ambiente, explora\u00e7\u00e3o sexual, aliciamento e uso de drogas e explora\u00e7\u00e3o de trabalho. O que n\u00e3o falta s\u00e3o questionamentos sobre a falta de atua\u00e7\u00e3o do Estado em rela\u00e7\u00e3o a esses problemas.<\/p>\n<p>O antrop\u00f3logo e coordenador da Pastoral Indigenista da Arquidiocese de S\u00e3o Paulo e do Programa Pindorama da PUC-SP, Benedito Prezia, acredita que a lentid\u00e3o no processo de demarca\u00e7\u00e3o dessas terras \u00e9 devido ao grande interesse nas terras ind\u00edgenas, geralmente situadas em \u00e1reas onde h\u00e1 min\u00e9rio ou rios, destinados a hidrel\u00e9tricas. Em outros casos, s\u00e3o terras f\u00e9rteis, objeto de explora\u00e7\u00e3o do agroneg\u00f3cio. \u201cS\u00e3o tamb\u00e9m \u00e1reas que o governo, em \u00e9pocas passadas, resolveu destin\u00e1-las para projetos de coloniza\u00e7\u00e3o, como a terra dos Gurani-Kaiow\u00e1 no Mato Grosso do Sul. Em 1973, com o Estatuto do \u00cdndio, o governo militar deu um prazo de 5 anos para demarcar todas as terras e n\u00e3o cumpriu. Em 1988, quando foi promulgada a nova constitui\u00e7\u00e3o, foi dado um novo prazo de 5 anos e tamb\u00e9m n\u00e3o foi cumprido. Assim, h\u00e1 tamb\u00e9m uma coniv\u00eancia do executivo com os grupos econ\u00f4micos para n\u00e3o avan\u00e7ar as demarca\u00e7\u00f5es\u201d, afirma.<\/p>\n<p>Para o coordenador do CIMI Sul (Conselho Indigenista Mission\u00e1rio), Roberto Liebgott, apesar das conquistas constitucionais, os direitos ind\u00edgenas est\u00e3o sob amea\u00e7a, na atual conjuntura brasileira, em decorr\u00eancia da influ\u00eancia dos poderosos grupos econ\u00f4micos-agroneg\u00f3cio que pressionam o governo, o Congresso Nacional e o Poder Judici\u00e1rio no sentido de impedir que as regras postas pela Constitui\u00e7\u00e3o sejam cumpridas.<\/p>\n<p><span class=\"embed-youtube\" style=\"text-align:center; display: block;\"><iframe loading=\"lazy\" class=\"youtube-player\" width=\"747\" height=\"421\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/AHOqjvauCCs?version=3&#038;rel=1&#038;showsearch=0&#038;showinfo=1&#038;iv_load_policy=1&#038;fs=1&#038;hl=pt-BR&#038;autohide=2&#038;wmode=transparent\" allowfullscreen=\"true\" style=\"border:0;\" sandbox=\"allow-scripts allow-same-origin allow-popups allow-presentation allow-popups-to-escape-sandbox\"><\/iframe><\/span><\/p>\n<p>Document\u00e1rio realizado para o Acampamento Terra Livre, com depoimentos de lideran\u00e7as e imagens da luta dos ind\u00edgenas por todo o Brasil.<\/p>\n<p>A constitui\u00e7\u00e3o Brasileira de 1988 assegura aos povos nativos a posse permanente das terras, cabendo-lhes o uso exclusivo das riquezas em seu interior. No ano 2000 foi proposta, por um executivo da bancada ruralista, a PEC 215, sugerindo que as demarca\u00e7\u00f5es de terras ind\u00edgenas sejam feitas, n\u00e3o mais pela FUNAI e sancionadas pelo ministro da Justi\u00e7a, mas sim pelo Congresso Nacional. A proposta parte do interesse da chamada bancada ruralista, grupo de deputados e senadores que defendem os interesses do agroneg\u00f3cio, principal inimigo dos ind\u00edgenas.<\/p>\n<p>Prezia julga que a aprova\u00e7\u00e3o da PEC seria um desastre, pois n\u00e3o haveria mais demarca\u00e7\u00e3o de terra ind\u00edgena. Apesar de n\u00e3o conseguir aprovar a PEC, o governo esvaziou a FUNAI, cortou recursos, e colocou como presidente da entidade um militar que segue a cartilha dos ruralistas, aumentando os conflitos. Para o antrop\u00f3logo, precisa haver mais autonomia da FUNAI por parte do poder executivo e uma vontade pol\u00edtica do governo em apoiar os povos ind\u00edgenas.<\/p>\n<p>A essa proposta soma-se uma s\u00e9rie de projetos para alterar os artigos 231 e 232 da Constitui\u00e7\u00e3o Federal. De acordo com Liebgott, uma dessas artimanhas s\u00e3o as decis\u00f5es judiciais que tomam por base o que tem sido chamado de \u201cMarco Temporal\u201d. \u201cIsso pressup\u00f5e de que as terras ind\u00edgenas e quilombolas a serem demarcadas seriam somente aquelas efetivamente ocupadas no ano de 1988, quando se promulgou a Constitui\u00e7\u00e3o Federal. S\u00e3o intensas as press\u00f5es de setores agr\u00e1rios e ruralistas sobre o Congresso Nacional, pois as terras ind\u00edgenas e quilombolas representam novas fronteiras de expans\u00e3o do agroneg\u00f3cio\u201d, declara ele.<\/p>\n<p>Dados do Conselho Indigenista Mission\u00e1rio revelam que atualmente existem 1296 terras, sendo destas 640 regularizadas, as demais se encontram paralisadas ou os processos de demarca\u00e7\u00e3o n\u00e3o foram iniciados pelo \u00f3rg\u00e3o indigenista.<\/p>\n<p>O coordenador do CIMI regi\u00e3o Sul, assegura que no fundo dessa disputa h\u00e1 tr\u00eas argumentos que tentam convencer a popula\u00e7\u00e3o para se contrapor as demarca\u00e7\u00f5es. Liebgott alega que esses mesmos argumentos servem ao convencimento de pol\u00edticos de autoridades do executivo e do judici\u00e1rio. A primeira das tr\u00eas alega\u00e7\u00f5es \u00e9 que h\u00e1 interesse de grupos estrangeiros nas terras ind\u00edgenas e isso explicaria o empenho de ONGs e entidades na defesa das demarca\u00e7\u00f5es. Outro discurso utilizado \u00e9 de que h\u00e1 muita terra para os \u201c\u00edndios\u201d, presumindo que eles n\u00e3o produzem nas terras onde vivem. A terceira justificativa \u00e9 a de que n\u00e3o se pode cometer a injusti\u00e7a de demarcar as terras para os \u00edndios e deixar os agricultores e produtores, que alimentam a popula\u00e7\u00e3o, sem terras para produzir.<\/p>\n<p>Um levantamento realizado pelo De Olho nos Ruralistas, com base em informa\u00e7\u00f5es do Instituto Socioambiental (ISA), aponta que pelo menos 25 projetos de lei que configuram amea\u00e7as aos direitos dos povos ind\u00edgenas tramitam no Congresso, 90% destes projetos foram apresentados pela bancada ruralista. O estudo feito ainda apontou que a maioria desses parlamentares responde algum processo judicial.<\/p>\n<p><span class=\"embed-youtube\" style=\"text-align:center; display: block;\"><iframe loading=\"lazy\" class=\"youtube-player\" width=\"747\" height=\"421\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/0NzrTPZwLdw?version=3&#038;rel=1&#038;showsearch=0&#038;showinfo=1&#038;iv_load_policy=1&#038;fs=1&#038;hl=pt-BR&#038;autohide=2&#038;wmode=transparent\" allowfullscreen=\"true\" style=\"border:0;\" sandbox=\"allow-scripts allow-same-origin allow-popups allow-presentation allow-popups-to-escape-sandbox\"><\/iframe><\/span><\/p>\n<p><strong>Guaranis Mbya<\/strong><\/p>\n<p>Em meio aos diversos conflitos por direitos ind\u00edgenas nos \u00faltimos anos, o caso mais recente que chamou aten\u00e7\u00e3o foi a anula\u00e7\u00e3o por parte do Minist\u00e9rio da Justi\u00e7a da portaria n\u00ba 581, de 2015, que garantia mais de 500 hectares de terras guaranis no Parque do Jaragu\u00e1. Segundo o Minist\u00e9rio a anula\u00e7\u00e3o se deu por erro administrativo no procedimento inicial.<\/p>\n<p>O texto emitido argumenta que a \u00e1rea \u201cfoi demarcada sem a participa\u00e7\u00e3o do Estado de S\u00e3o Paulo na defini\u00e7\u00e3o conjunta das formas de uso da \u00e1rea\u201d. De acordo com o governo a terra ind\u00edgena do Jaragu\u00e1 tem extens\u00e3o aproximada de tr\u00eas hectares.<\/p>\n<p>Liebgott afirma que essa revis\u00e3o ocorreu em fun\u00e7\u00e3o de dois fatores essenciais. \u201cO governo tem a inten\u00e7\u00e3o de conceder partes da \u00e1rea para s especula\u00e7\u00e3o imobili\u00e1ria e com o intuito de atender aos interesses econ\u00f4micos que visam \u00e0 explora\u00e7\u00e3o dos parques e \u00e1reas ambientais, dentro da l\u00f3gica neoliberal de privatiza\u00e7\u00e3o. A revis\u00e3o da demarca\u00e7\u00e3o daquela terra ocorreu para atender, portanto, pedido do governo de S\u00e3o Paulo, que pretende entregar aquela regi\u00e3o toda para a iniciativa privada\u201d.<\/p>\n<p>Por outro lado, existe outro empecilho que dificulta a conclus\u00e3o do processo de demarca\u00e7\u00e3o dessas terras. Desde 2005 a fam\u00edlia de Tito Costa, ex-deputado federal e prefeito de S\u00e3o Bernardo do Campo, alega ser dono de uma parte de onde ocorreu a amplia\u00e7\u00e3o da \u00e1rea do Jaragu\u00e1 onde est\u00e1 a aldeia Itakup\u00e9.<\/p>\n<p>Atualmente a reserva abriga cerca de 700 nativos de cinco aldeias. A reportagem feita pelo G1 em mar\u00e7o deste ano, constatou que moram mais de 140 fam\u00edlias no local com muitas crian\u00e7as. Faltam recursos naturais para esses ind\u00edgenas, a reportagem apontou que esses \u00edndios vivem em condi\u00e7\u00f5es prec\u00e1rias, morando em casas feita de chapas de madeira e ch\u00e3o de barro. Algumas fam\u00edlias fazem e vendem artesanato, muitas recebem o Bolsa Fam\u00edlia.<\/p>\n<p><span class=\"embed-youtube\" style=\"text-align:center; display: block;\"><iframe loading=\"lazy\" class=\"youtube-player\" width=\"747\" height=\"421\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/uXtF6L7XaDY?version=3&#038;rel=1&#038;showsearch=0&#038;showinfo=1&#038;iv_load_policy=1&#038;fs=1&#038;hl=pt-BR&#038;autohide=2&#038;wmode=transparent\" allowfullscreen=\"true\" style=\"border:0;\" sandbox=\"allow-scripts allow-same-origin allow-popups allow-presentation allow-popups-to-escape-sandbox\"><\/iframe><\/span><\/p>\n<p><em>Depoimento de ind\u00edgenas explicando o motivo da ocupa\u00e7\u00e3o do pr\u00e9dio da Presid\u00eancia da Rep\u00fablica.<\/em><\/p>\n<p>A revoga\u00e7\u00e3o da demarca\u00e7\u00e3o causou uma s\u00e9rie de protestos por parte da aldeia e de movimentos que apoiam os ind\u00edgenas. No final de agosto um grupo de \u00edndios e diversos outros movimentos, ocuparam o v\u00e3o livre do MASP, em seguida sa\u00edram em caminhada pela Av. Paulista at\u00e9 a sede da Presid\u00eancia da Rep\u00fablica. Os ind\u00edgenas chegaram a ocupar o hall de entrada do pr\u00e9dio.<\/p>\n<p>No mesmo dia, ind\u00edgenas acamparam em frente ao Minist\u00e9rio da Justi\u00e7a em protesto contra a decis\u00e3o do governo de reduzir a \u00e1rea da reserva. No dia 13 de Setembro os ind\u00edgenas ocuparam o pico do Jaragu\u00e1 como forma de protesto, chegando a desligar antenas de rede, deixando mais de 600 mil pessoas sem televis\u00e3o.<\/p>\n<p>A luta pela revoga\u00e7\u00e3o da portaria n\u00ba 683, do Minist\u00e9rio da Justi\u00e7a, ganhou adeptos nas redes sociais, que subiram a tag \u201cJaragu\u00e1 \u00e9 Guarani\u201d no Twitter com milhares de mensagens, al\u00e9m de eventos e publica\u00e7\u00f5es no Facebook. Questionado sobre o papel da Pastoral Indigenista da Arquidiocese de S\u00e3o Paulo, o coordenador Benedito Prezia alegou que desde 1999 a pastoral tem contato direto com a aldeia do Jaragu\u00e1, procurando orientar e apoiar essa comunidade no sentido de reivindica\u00e7\u00e3o de um espa\u00e7o maior. Prezia ainda afirmou que ap\u00f3s a amplia\u00e7\u00e3o da \u00e1rea em 2015, o grupo tem enviado algum recurso material para as fam\u00edlias que est\u00e3o na nova aldeia Itakup\u00e9.<\/p>\n<p>Na ocasi\u00e3o, a pastoral participou dos atos na Av. Paulista, al\u00e9m de emitir uma nota de rep\u00fadio por meio da Comiss\u00e3o Caridade, Justi\u00e7a e Paz da Arquidiocese de S\u00e3o Paulo, encampada por outras entidades e movimentos.<\/p>\n<p>Em nota a Comiss\u00e3o declarou que a \u201cportaria \u00e9 mais um ato violento contra os povos origin\u00e1rios do Brasil, e ironicamente sobre um povo que vive \u00e0s margens da rodovia dos Bandeirantes, refer\u00eancia e perversa homenagem a seus antigos algozes. E mais uma vez tornam-se v\u00edtimas de uma pol\u00edtica discriminat\u00f3ria, emanada de um governo que deveria, sim, pagar uma d\u00edvida hist\u00f3rica, em repara\u00e7\u00e3o \u00e0 pr\u00e1tica genocida dos bandeirantes paulistas\u201d.<\/p>\n<p>O texto prossegue reafirmando o rep\u00fadio ao decreto do governo e declarando o total apoio das pastorais sociais da Igreja Cat\u00f3lica e organismos crist\u00e3os comprometidos com a causa ind\u00edgena.<\/p>\n<p>Na noite do dia 15 de setembro os \u00edndios Guarani encerraram a ocupa\u00e7\u00e3o no Pico do Jaragu\u00e1 ap\u00f3s um acordo com o Governo do Estado. As lideran\u00e7as ind\u00edgenas se reuniram com representantes das Secret\u00e1rias do Meio Ambiente, Seguran\u00e7a P\u00fablica e da Justi\u00e7a e da Defesa da Cidadania. O acordo feito define que o parque n\u00e3o ser\u00e1 privatizado, reivindica\u00e7\u00e3o dos ind\u00edgenas, al\u00e9m de n\u00e3o criminalizar as lideran\u00e7as que participaram dos atos. A reuni\u00e3o tamb\u00e9m estabeleceu uma comiss\u00e3o intersecretarial para tratar das reivindica\u00e7\u00f5es das aldeias ind\u00edgenas. Apesar do acordo as tribos ainda lutam para que a portaria n\u00ba 581 seja revogada.<\/p>\n<p><strong>Reivindica\u00e7\u00f5es Ind\u00edgenas<\/strong><\/p>\n<p>As quest\u00f5es que envolvem os ind\u00edgenas n\u00e3o se resumem \u00e0s demarca\u00e7\u00f5es de terra. Diversos outros assuntos foram apresentados e discutidos, mas pouco se fala das propostas apresentadas pelos povos ind\u00edgenas e comunidades quilombolas.<\/p>\n<p>As exig\u00eancias s\u00e3o direcionadas \u00e0 Presid\u00eancia da Rep\u00fablica, ao Congresso Nacional e ao Poder Judici\u00e1rio.<\/p>\n<p>Abaixo algumas das exig\u00eancias:<\/p>\n<p><strong>Presid\u00eancia da Rep\u00fablica<\/strong><\/p>\n<p>Retomada de todos os procedimentos de demarca\u00e7\u00e3o de terras paralisados pela presid\u00eancia da rep\u00fablica no ano de 2013.<\/p>\n<p>Garantia de or\u00e7amento para retomada dos grupos de trabalho da Funda\u00e7\u00e3o Nacional do \u00cdndio (FUNAI), para demarca\u00e7\u00e3o dos territ\u00f3rios ind\u00edgenas.<\/p>\n<p>Garantia de or\u00e7amento para titula\u00e7\u00e3o dos territ\u00f3rios quilombolas.<\/p>\n<p>Suspens\u00e3o do Parecer 1 da AGU que imp\u00f5e condicionantes ao uso dos territ\u00f3rios.<\/p>\n<p><strong>Congresso Nacional<\/strong><\/p>\n<p>Arquivamento imediato da PEC 215\/2000 que visa impedir a demarca\u00e7\u00e3o das terras ind\u00edgenas, pois repassa a responsabilidade ao Congresso Nacional, espa\u00e7o onde n\u00e3o tem representa\u00e7\u00e3o dos povos, a decis\u00e3o sobre reconhecer territ\u00f3rios ind\u00edgenas e quilombolas.<\/p>\n<p><strong>Poder Judici\u00e1rio<\/strong><\/p>\n<p>Que haja, por parte de ju\u00edzes e magistrados, justa e adequadas decis\u00f5es no que tange as a\u00e7\u00f5es possess\u00f3rias e de reintegra\u00e7\u00e3o de posse movidas contra fam\u00edlias pobres e que lutam por moradia nos espa\u00e7os urbanos.<\/p>\n<p>Que no \u00e2mbito da Justi\u00e7a Federal, nos Tribunais Regionais, no STJ e STF, sejam revogadas as interpreta\u00e7\u00f5es restritivas de direitos dos povos ind\u00edgenas e quilombolas, especialmente no tocante ao marco temporal da Constitui\u00e7\u00e3o Federal de 1988, tese jur\u00eddica desproporcional, pois afronta direitos origin\u00e1rios e tradicionais de ind\u00edgenas e quilombolas.<\/p>\n<p>Texto originalmente publicado em https:\/\/medium.com\/@mathstark25\/a-resist%C3%AAncia-ind%C3%ADgena-contra-os-novos-bandeirantes-7040214ea961<\/p>\n<p>https:\/\/jornalistaslivres.org\/2017\/11\/resistencia-indigena-contra-os-novos-bandeirantes\/<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/17141\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[190,163],"tags":[223],"class_list":["post-17141","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-fora-temer","category-movimento-indigena","tag-3a"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-4st","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17141","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=17141"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17141\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=17141"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=17141"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=17141"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}