{"id":1716,"date":"2011-08-02T13:11:18","date_gmt":"2011-08-02T13:11:18","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=1716"},"modified":"2011-08-02T13:11:18","modified_gmt":"2011-08-02T13:11:18","slug":"historia-da-uniao-da-juventude-comunista-ujc","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/1716","title":{"rendered":"HIST\u00d3RIA DA UNI\u00c3O DA JUVENTUDE COMUNISTA (UJC)"},"content":{"rendered":"<br \/>\n<hr size=\"1\" \/>\n<p><em>Nota dos editores:<\/em><\/p>\n<p><em>No dia 01 de agosto de 2011 a UJC completou 84 anos de luta pela organiza\u00e7\u00e3o da juventude para Revolu\u00e7\u00e3o Socialista.<\/em><\/p>\n<hr size=\"1\" \/>\n<p>Os anos p\u00f3s Revolu\u00e7\u00e3o Russa de Outubro foram de grande movimenta\u00e7\u00e3o nocen\u00e1rio do movimento comunista. A funda\u00e7\u00e3o da III Internacional &#8211; ou Komintern -, inspiradas n\u00e3o mais na estrutura de &#8220;federalismo&#8221;, como funcionava a II Internacional, mas sim sob a l\u00f3gica de um Partido Internacional, no qual surge como um formulador de linhas gerais para os partidos comunistas filiados.<\/p>\n<p>No Brasil, em 1922 \u00e9 criado o PCB, al\u00e9m de ter sua inspira\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m na Revolu\u00e7\u00e3o Bolchevique, o PCB era fruto do novo e em progressivo crescimento movimento oper\u00e1rio brasileiro, que n\u00e3o mais se sentia contemplado nas teses do movimento anarquista e carecia de uma organiza\u00e7\u00e3o que unificasse as novas demandas, mobiliza\u00e7\u00f5es e lutas, uma organiza\u00e7\u00e3o que pudesse formular um programa de interven\u00e7\u00e3o pol\u00edtica qualitativamente de maior envergadura, que extrapolasse os limites das &#8220;a\u00e7\u00f5es diretas e de pouco efeitos produtivos para o movimento oper\u00e1rio&#8221;.<\/p>\n<p>O PCB, que desde seu in\u00edcio buscava se enquadrar nas linhas do Komintern, procura desenvolver no Brasil a orienta\u00e7\u00e3o de organizar sua Juventude Comunista, orienta\u00e7\u00e3o esta que j\u00e1 percorria os PCs desde o II congresso do Komintern, em 1920, que havia tamb\u00e9m organizado o I Congresso da Internacional da Juventude Comunista. Em uma reuni\u00e3o do Comit\u00ea Central, no ano de 1924, o PCB j\u00e1 havia encaminhado a organiza\u00e7\u00e3o da Juventude Comunista. No entanto, este encaminhamento encontrou dificuldades em ser aplicado.<\/p>\n<p>Apesar das adversidades, o II Congresso do PCB, realizado em 1925, resolveu que a Juventude Comunista, que at\u00e9 ent\u00e3o havia atra\u00eddo poucos novos membros desde sua aprova\u00e7\u00e3o, deveria receber uma maior aten\u00e7\u00e3o por parte dos membros da dire\u00e7\u00e3o nacional do Partido. Ap\u00f3s substitui\u00e7\u00e3o decorrente de problemas de cunho pessoal, a tarefa de organizar a Juventude foi passada ao jovem estudante Le\u00f4ncio Basbaum, que, em Recife organizara uma forte base da JC. No Rio de Janeiro, em 1926, se organizavam os primeiros DAs e CAs, j\u00e1 sob a influ\u00eancia da JC.<\/p>\n<p>Devido \u00e0 boa a\u00e7\u00e3o de Le\u00f4ncio Basbaum, o Comit\u00ea Central lhe encarrega tamb\u00e9m; a tarefa de organizar a JC em n\u00edvel nacional. J\u00e1 no 1\u00b0 de Maio de 1927, a Juventude Comunista possui uma participa\u00e7\u00e3o de destaque nas mobiliza\u00e7\u00f5es, mostrando n\u00e3o s\u00f3 a viabilidade como a necessidade de uma organiza\u00e7\u00e3o do g\u00eanero. Esta participa\u00e7\u00e3o no 1\u00b0 de Maio incentiva o comit\u00ea Central a apressar o processo de organiza\u00e7\u00e3o da JC e, desta maneira, no dia 1\u00b0 de Agosto de 1927 \u00e9 oficialmente fundada Juventude Comunista. Sua primeira dire\u00e7\u00e3o \u00e9 composta por Le\u00f4ncio Basbaum, Jaime Ferreira, El\u00edsio, Altamiro, Brasilino, Pedro Magalh\u00e3es Arlindo Pinho. Logo ap\u00f3s a funda\u00e7\u00e3o, a JC pede ingresso na Internacional da Juventude Comunista, onde n\u00e3o s\u00f3 \u00e9 aceita como convidada a mandar delegado ao seu V Congresso, em Setembro de 1928.<\/p>\n<p><strong>Forte Influencia Externa<\/strong><\/p>\n<p>O Movimento Comunista Internacional (MCI) passava ent\u00e3o por uma forte disputa de projetos que culminaria, em fins dos anos 20, na vit\u00f3ria do segmento de Stalin e da pol\u00edtica de &#8220;Classe contra Classe&#8221;, uma pol\u00edtica de confronta\u00e7\u00e3o direta. Essa pol\u00edtica, por\u00e9m, ainda n\u00e3o havia atingido o PCB nem a JC. Em 04 de Janeiro de 1929, ap\u00f3s o III Congresso do PCB, \u00e9 realizado o I Congresso da JC, num momento de grande riqueza de formula\u00e7\u00f5es originais por parte do Partido, que na \u00e9poca possu\u00eda \u00e0 sua frente Astrojildo Pereira. O congresso da JC formula ricamente sua interven\u00e7\u00e3o no movimento de juventude, priorizando o meio sindical e cultural, a organiza\u00e7\u00e3o dos Centros de Jovens Prolet\u00e1rios, al\u00e9m de manter o dialogo com o nascente movimento estudantil.<\/p>\n<p>A JC entra na d\u00e9cada de 1930 ainda sem muita express\u00e3o. Tanto o PCB quanto a JC, conseq\u00fcentemente, sofrem a crescente influencia do obrerismo, o que por sua vez engessou as organiza\u00e7\u00f5es levando-as para um estreito isolamento pol\u00edtico.<\/p>\n<p><strong>Frente Ampla (Mudan\u00e7a da Linha Pol\u00edtica)<\/strong><\/p>\n<p>Todavia, com o crescimento do movimento fascista na Europa, o Komintern se v\u00ea obrigado a recuar de sua pol\u00edtica estreita, e, em 1935 \u00e9 levado \u00e0 frente do Komintern, Dimitrov, que efetua uma guinada na linha pol\u00edtica do MCI com a busca pela constru\u00e7\u00e3o das frentes \u00fanicas contra o avan\u00e7o do fascismo. No seu relat\u00f3rio apresentado durante o VII Congresso do Komintern, elucidando o Fascismo, suas caracter\u00edsticas e seu avan\u00e7o, houve um importante espa\u00e7o para abordar o tema das frentes antifascistas na juventude, onde, de maneira gen\u00e9rica, procurou fazer um balan\u00e7o das atividades das Juventudes Comunistas: &#8220;Nossas Juventudes Comunistas continuam sendo, numa s\u00e9rie de pa\u00edses capitalistas, organiza\u00e7\u00f5es sect\u00e1rias, desligadas das massas. Sua debilidade principal reside em que se esfor\u00e7am ainda em copiar as formas e m\u00e9todos de trabalho dos Partidos Comunistas, e esquecem que as juventudes comunistas n\u00e3o s\u00e3o os Partidos Comunistas da Juventude. N\u00e3o percebem que s\u00e3o organiza\u00e7\u00f5es com tarefas especiais. Seus m\u00e9todos e formas de trabalho, de educa\u00e7\u00e3o, de luta, h\u00e3o de adptar-se ao n\u00edvel concreto e as exig\u00eancias da juventude&#8221;.<\/p>\n<p>No Brasil, desde o ano anterior, j\u00e1 se sentia a necessidade da JC se integrar a um movimento mais amplo diante da fascistiza\u00e7\u00e3o do Estado com Getulio Vargas e sair do isolamento em que se encontrava. Foi com este esp\u00edrito que a JC participou ativamente da Conferencia Nacional de Estudantes Antifascistas. Nesta ocasi\u00e3o ocorreu, al\u00e9m das grandes mobiliza\u00e7\u00f5es promovidas pela Juventude Comunista, uma s\u00e9rie de conflitos f\u00edsicos entre os Comunistas e os Integralistas (Movimento de n\u00edtida caracteriza\u00e7\u00e3o fascista). Num dos mais famosos confrontos, a chamada Batalha da S\u00e9 em S\u00e3o Paulo, houve diversos feridos e quatro mortos, sendo um militante da Juventude Comunista. No Rio, houve violentos confrontos, na Cinel\u00e2ndia (centro da cidade).<\/p>\n<p>A necessidade, cada vez maior, de se intensificar a luta contra n\u00e3o s\u00f3 a fascistiza\u00e7\u00e3o do Estado como tamb\u00e9m contra a A\u00e7\u00e3o Integralista Brasileira, obrigava a Juventude Comunista a diversificar suas formas de resist\u00eancia e lutas. Assim, \u00e9 criado o jornal &#8220;Juventude&#8221; em 1935, Jornal que conclamava \u00e0 unidade incondicional dos segmentos antifascistas.<\/p>\n<p>Em um documento do CC do PCB sobre as resolu\u00e7\u00f5es do pleno do CC de Maio de 1935, o Partido apontava a necessidade de se organizar, al\u00e9m dos espa\u00e7os da JC, os &#8220;mais amplos e variados organismos de massas, culturais, recreativos, esportivos etc, nas cidades e no campo&#8221;. A resolu\u00e7\u00e3o apontava para que a JC formasse comit\u00eas juvenis da ANL, a Alian\u00e7a Nacional Libertadora, e indicava tamb\u00e9m como prioridade, no meio estudantil, organizar o Congresso da Juventude Prolet\u00e1ria, Estudantil e Popular, e que o congresso deliberasse por sua ades\u00e3o \u00e0 ANL, fazendo um trabalho paralelo entre os estudantes e entre os Jovens oper\u00e1rios nas f\u00e1bricas, sindicatos etc: &#8220;Formar e ampliar a JC dentro de amplos organismos de massa juvenis&#8221;.<\/p>\n<p>Em com\u00edcios por todo o pa\u00eds, os jovens comunistas participavam e muitos eram presos em atos simb\u00f3licos, onde se enforcavam galinhas verdes, ironizando os integralistas (que assim eram conhecidos, devido \u00e0s suas fardas verdes). Em Mar\u00e7o, foi aclamado no teatro Jo\u00e3o Caetano, no Rio, por proposta de um dirigente da JC, o nome de Lu\u00eds Carlos Prestes para presidente de honra da ANL.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, com a radicalidade crescente da ANL, o Governo de Get\u00falio a coloca na ilegalidade, desencadeando uma s\u00e9rie de pris\u00f5es e atos arbitr\u00e1rios por parte do Estado, como o fechamento de sedes de partidos pol\u00edticos, pris\u00f5es e espancamentos. Com o fracasso d\u00f3 Levante Comunista de novembro de 1935, se instaura no pa\u00eds uma violenta ca\u00e7a aos comunistas, ocasionando o desmantelamento do Partido e das organiza\u00e7\u00f5es a ele ligadas.<\/p>\n<p><strong>Os Jovens Comunistas criam a UNE<\/strong><\/p>\n<p>Os jovens Comunistas passam a intensificar sua atua\u00e7\u00e3o no movimento estudantil, onde jogam papel fundamental para a cria\u00e7\u00e3o da UNE, a Uni\u00e3o Nacional dos Estudantes, em dezembro de 1938. Um dos principais ativistas do movimento \u00e9 o Jovem militante Irun Sant Anna (hoje ainda continua militando no PCB), que contribui de maneira decisiva nas mobiliza\u00e7\u00f5es, agita\u00e7\u00f5es e organiza\u00e7\u00e3o do Movimento estudantil na ent\u00e3o capital da Rep\u00fablica, Rio de Janeiro.<\/p>\n<p>Na d\u00e9cada de 1940, a JC se encontra dispersa e n\u00e3o org\u00e2nica. O que se tem \u00e9 a milit\u00e2ncia jovem do PCB atuando de maneira hegem\u00f4nica no movimento estudantil, onde a UNE come\u00e7a a ganhar espa\u00e7o e, mesmo com forte repress\u00e3o, os comunistas se destacam nas mobiliza\u00e7\u00f5es pela entrada do Brasil na II Grande Guerra. Em 1943 o PCB realiza a Confer\u00eancia da Mantiqueira, aprovando como eixo principal a luta pela restaura\u00e7\u00e3o das liberdades democr\u00e1ticas com anistia para os presos pol\u00edticos. Amplas mobiliza\u00e7\u00f5es, integrando todo o conjunto da sociedade civil, dos Estudantes \u00e0 intelectualidade progressista, e, em abril de 1945, finalmente o Estado recua e o PCB volta \u00e0 legalidade, podendo assim atuar livremente na sociedade. Nas elei\u00e7\u00f5es de dezembro de 1945, o PCB consegue uma expressiva vota\u00e7\u00e3o, em campanha que empolgou toda a sociedade.<\/p>\n<p>O PCB, ent\u00e3o, coloca novamente, como quest\u00e3o de &#8220;ordem do dia&#8221;,a necessidade de reorganizar-se a Juventude Comunista, agora com um novo formato, como UJC, Uni\u00e3o da Juventude Comunista. Por\u00e9m, o Partido Comunista teria uma curta trajet\u00f3ria na legalidade, j\u00e1 que foram ca\u00e7ados o Registro do PCB e todos os mandatos de seus deputados e de seu Senador, iniciando, dentro do governo Dutra, uma forte repress\u00e3o e um grande sentimento Anti-Comunista. O Partido decide fechar a UJC.<\/p>\n<p><strong>Um novo Come\u00e7o<\/strong><\/p>\n<p>Em 11 de Novembro de 1950, o jornal &#8220;Voz Oper\u00e1ria&#8221; publica as resolu\u00e7\u00f5es do Comit\u00ea Central do PCB sobre a reorganiza\u00e7\u00e3o da Uni\u00e3o da Juventude Comunista, dentro da nova linha do PCB, caracterizada por uma forte guinada \u00e0 esquerda. A UJC, ao mesmo tempo em que se ampliava em sua base, com uma proposta de se tornar uma organiza\u00e7\u00e3o de massas, se estreitava em sua linha pol\u00edtica: &#8220;O Partido tem o dever de indicar aos milh\u00f5es de jovens brasileiros o caminho de sua organiza\u00e7\u00e3o e de sua unidade na luta pela paz, pela liberta\u00e7\u00e3o nacional, pela democracia popular e pelo socialismo&#8221;, o documento chega a indicar uma caracteriza\u00e7\u00e3o de como deve ser a UJC, &#8220;A Uni\u00e3o da Juventude Comunista precisa ser uma ampla organiza\u00e7\u00e3o que abarque todos os jovens, mo\u00e7os e mo\u00e7as (&#8230;) que queiram lutar decididamente e aceitem a orienta\u00e7\u00e3o do PCB. A UJC dever\u00e1 ser a organiza\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria da juventude brasileira, o instrumento de sua forma\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, cultural e moral, educando seus membros nos princ\u00edpios da luta de classes e do Marxismo-Leninismo-Stalinismo&#8221;.<\/p>\n<p>O texto da resolu\u00e7\u00e3o aponta a necessidade de a UJC atuar nos mais amplos movimentos da juventude, dando-lhes um corte de classes, e a necessidade de se organizar uma confer\u00eancia de reorganiza\u00e7\u00e3o da UJC em n\u00edvel nacional, onde a comiss\u00e3o nacional provis\u00f3ria da UJC se dissolveria.<\/p>\n<p>A UJC que surge desta reorganiza\u00e7\u00e3o assume posturas nitidamente de confronto aberto contra a ordem burguesa, inclusive participando de lutas armadas no interior do Pa\u00eds, onde se destacou a postura de seu presidente, o Jo\u00e3o sem Medo, como era conhecido o jovem Jo\u00e3o Saldanha.<\/p>\n<p>Na d\u00e9cada de 1950, a UJC teve importante interven\u00e7\u00e3o nas campanhas da n\u00e3o participa\u00e7\u00e3o brasileira na guerra da Cor\u00e9ia e do &#8220;Petr\u00f3leo \u00e9 Nosso&#8221;. Em 1956, integrou a chapa que reconquista a UNE da m\u00e3o da direita, onde estava desde 1950, podendo, novamente, conduzir uma s\u00e9rie de pol\u00edticas mais progressistas na entidade. Destacavam-se tamb\u00e9m os Jovens Comunistas na UBES e a atua\u00e7\u00e3o decisiva e fundamental dos jovens comunistas para a constru\u00e7\u00e3o dos CPCs, Centros Populares de Cultura. No plano internacional, a UJC estava associada com a Uni\u00e3o Internacional dos Estudantes e na Federa\u00e7\u00e3o Mundial da Juventude Democr\u00e1tica, da qual foi tamb\u00e9m fundadora.<\/p>\n<p>Com a crise do movimento comunista internacional, decorrente das resolu\u00e7\u00f5es do XX Congresso do Partido Comunista da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica, onde Kruschev faz duras cr\u00edticas ao per\u00edodo da dire\u00e7\u00e3o de St\u00e1lin na URSS e aplica uma serie de mudan\u00e7as internas naquele pa\u00eds, como a abertura do Partido Comunista Russo para a filia\u00e7\u00e3o de qualquer pessoa sem nenhum crit\u00e9rio. O PCB n\u00e3o fica de fora da crise e \u00e9 atingido em cheio, principalmente em seu n\u00facleo dirigente, onde se trava forte luta interna. Esta luta culminaria com a sa\u00edda do Partido de v\u00e1rios dirigentes que adotariam uma linha de n\u00e3o autocr\u00edtica do per\u00edodo anterior e assumiriam uma postura sect\u00e1ria ao fundarem em 1962 o PC do B. Na UJC, alguns militantes saem e v\u00e3o para o PC do B, atra\u00eddos pelo seu discurso ent\u00e3o radicalizado e estreito. Mesmo com todos os problemas decorrentes da crise interna, a UJC consegue organizar o Semin\u00e1rio Internacional de Pa\u00edses Subdesenvolvidos, em 1963.<\/p>\n<p><strong>In\u00edcio de uma Longa Noite<\/strong><\/p>\n<p>O Golpe civil-militar de 1964 que dep\u00f4s o governo Jango, instala no Brasil uma ditadura com clara postura anti Comunista, que contribui com uma dispers\u00e3o dos militantes. Por\u00e9m ainda assim, no ano seguinte se organiza o congresso da UNE, onde a UJC assume cargos na dire\u00e7\u00e3o da entidade, que ent\u00e3o estava na ilegalidade. O movimento estudantil assume papel de vital import\u00e2ncia no combate \u00e0 ditadura civil-militar, onde em parte desenvolve a pol\u00edtica do PCB de enfrentar a ditadura com amplos movimentos de massas em mobiliza\u00e7\u00f5es reivindicando a volta da legalidade democr\u00e1tica. Com o maior tensionamento com a ditadura, diversos setores da juventude optam pela luta armada como forma de combate. Esta postura entrava em choque com a pol\u00edtica do PCB e, portanto, da UJC, de combater a ditadura atrav\u00e9s das mobiliza\u00e7\u00f5es de massa, o que acarreta novamente a sa\u00edda de diversos militantes. O AI-5 viria para confirmar que a ditadura n\u00e3o estava disposta a ceder diante da radicalidade de segmentos da esquerda: ao contr\u00e1rio, a ditadura utilizava-se destas posturas para justificar o aumento da repress\u00e3o.<\/p>\n<p>Com a derrota dos segmentos armados da resist\u00eancia \u00e0 ditadura, esta volta sua aten\u00e7\u00e3o para o PCB, que era ent\u00e3o respons\u00e1vel pelas maiores fissuras na ditadura, com amplas den\u00fancias e passeatas que eram, de fato, as melhores formas de combat\u00ea-la. Desencadeia-se, assim, uma forte persegui\u00e7\u00e3o aos comunistas, 1\/3 do Comit\u00ea Central do PCB \u00e9 assassinado, assim como diversos militantes do Partido e muitos jovens da UJC, inclusive seu secret\u00e1rio geral, que foi &#8220;desaparecido&#8221; em 1975. Tal situa\u00e7\u00e3o levou a UJC a praticamente deixar de existir, atuando mais em n\u00facleos dispersos e com pouca funcionalidade. Mesmo assim Jovens Comunistas participaram do Encontro Nacional dos Estudantes que definiu pela reorganiza\u00e7\u00e3o da UNE.<\/p>\n<p><strong>Redemocratiza\u00e7\u00e3o e Crise<\/strong><\/p>\n<p>Com a volta dos exilados e com a lei da anistia, o PCB organiza uma comiss\u00e3o incumbida de reorganizar a UJC, porem j\u00e1 se iniciava, ent\u00e3o, a disputa interna que culminaria no &#8220;racha&#8221; de 1992. Diversos membros da comiss\u00e3o de reorganiza\u00e7\u00e3o da UJC foram substitu\u00eddos, v\u00e1rios jovens sa\u00edram do PCB com Prestes e outros se afastaram do PCB diante das novas posturas adotadas pelo Partido, importadas do Euro-Comunismo, que levavam o PCB a uma clara postura de concilia\u00e7\u00e3o de classes.<\/p>\n<p>A UJC que ressurge neste cen\u00e1rio em 1985, junto com a legalidade do PCB, por\u00e9m com o discurso muito dilu\u00eddo e de fraca capacidade de mobiliza\u00e7\u00e3o, o que afastava, paulatinamente, a juventude mais aguerrida das fileiras da UJC. O VII Congresso, em 1984 e o VIII Congresso em 1987, aprofundaram a linha conciliadora do PCB. Agravou-se a luta interna. A seq\u00fc\u00eancia de acontecimentos que ocorreram no Leste Europeu no fat\u00eddico ano de 1989, e posteriormente com o pr\u00f3prio colapso da URSS, serviu para justificar uma suposta legitima\u00e7\u00e3o as posturas liquidacionistas dentro do PCB, que apontavam para a constitui\u00e7\u00e3o uma nova organiza\u00e7\u00e3o, ideologicamente gelatinosa, que viria a ser o PPS. Por\u00e9m \u00e9 fundado o movimento nacional em defesa do PCB, que empolga e conta em suas fileiras com diversos militantes da juventude. \u00c9 chamado, em car\u00e1ter de extraordin\u00e1rio, o X Congresso, que ocorre de maneira confusa e n\u00e3o legitima, onde inclusive n\u00e3o-militantes puderam fazer uso do direito de voto. Retira-se do Congresso um expressivo n\u00famero de militantes e delegados que durante o congresso, que denunciam as posturas liquidacionistas e antimarxistas dos que conduziam o congresso e organizam em outro local uma confer\u00eancia nacional de reorganiza\u00e7\u00e3o do PCB, rompendo n\u00e3o apenas com as posturas liquidacionistas como com a pol\u00edtica de concilia\u00e7\u00e3o operante no PCB nos anos de 1980.<\/p>\n<p>Reorganizando-o, assim, de maneira revolucion\u00e1ria, sobre os pilares do Marxismo-Leninismo.<\/p>\n<p><strong>Reorganiza\u00e7\u00e3o dos Comunistas<\/strong><\/p>\n<p>Em Mar\u00e7o de 1993 se realiza de fato o X Congresso do PCB, que aprova a reativa\u00e7\u00e3o da UJC. As teses para o X congresso do PCB afirmavam &#8220;Ter especial aten\u00e7\u00e3o com a forma\u00e7\u00e3o dos jovens comunistas, com a ativa renova\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria da UJC, como instrumento de atua\u00e7\u00e3o dos comunistas na juventude, (&#8230;) Este \u00e9 o grande investimento do Partido em longo prazo, pois os jovens s\u00e3o os verdadeiros continuadores da hist\u00f3ria, tradi\u00e7\u00f5es e lutas do Partido Comunista Brasileiro&#8221;. As teses procuravam formular uma serie de bandeiras gerais para unificar a atua\u00e7\u00e3o da juventude.<\/p>\n<p>Em 1994, no m\u00eas de Agosto, se d\u00e1 o Congresso de reorganiza\u00e7\u00e3o da UJC no Rio de Janeiro, no Sindicato dos M\u00e9dicos, onde \u00e9 eleita uma diretoria nacional com o intuito de organizar a atua\u00e7\u00e3o da UJC nacionalmente. Na ocasi\u00e3o, \u00e9 eleita como presidente da UJC a estudante e militante da UJC em S\u00e3o Paulo, Sofia P\u00e1dua Manzano. Nos anos seguintes a UJC volta a participar da UNE e procura desenvolver outras frentes de atua\u00e7\u00e3o. O mesmo quadro se manteria no XI Congresso.<\/p>\n<p>Com a realiza\u00e7\u00e3o do XII Congresso do PCB, em 2000 foi aprovada uma resolu\u00e7\u00e3o que permitia a ativa\u00e7\u00e3o ou desativa\u00e7\u00e3o da UJC nos Estados, conforme a prioridade de a\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e de organiza\u00e7\u00e3o do Partido em cada regi\u00e3o. No Movimento Estudantil, os Jovens Comunistas atuavam atrav\u00e9s Movimento &#8220;A Hora \u00e9 Essa, Ousar Lutar &#8211; Ousar Vencer&#8221;. Este priorizou, em \u00e2mbito nacional, a atua\u00e7\u00e3o dentro da UBES e UNE. Mesmo assim, se mant\u00e9m a UJC organizada em alguns estados.<\/p>\n<p>As resolu\u00e7\u00f5es do XIII Congresso do PCB apontam para a reorganiza\u00e7\u00e3o em n\u00edvel nacional da UJC, como frente org\u00e2nica ao PCB, com suas dire\u00e7\u00f5es, a\u00e7\u00f5es em linha gerais referendados pelo Partido, constituindo assim uma renovada UJC, adaptada \u00e0s novas demandas e exig\u00eancias hist\u00f3ricas.<\/p>\n<p>Foi constitu\u00edda uma comiss\u00e3o nacional provis\u00f3ria da UJC, que organizou at\u00e9 a presente data as atua\u00e7\u00f5es da organiza\u00e7\u00e3o em diversas frentes e ocasi\u00f5es, enquanto preparava o Congresso de Reorganiza\u00e7\u00e3o da UJC. A Uni\u00e3o da Juventude Comunista participou de diversos f\u00f3runs da UNE e UBES e do movimento estudantil,principalmente diversos DCEs e CAs, por\u00e9m ainda de maneira dispersa, com uma atua\u00e7\u00e3o n\u00e3o muito unificada.<\/p>\n<p>A UJC desenvolve trabalho cultural em diversos estados, dialogando com todo o conjunto da juventude, e novamente com o jovem trabalhador, trabalho este ainda em estagio embrion\u00e1rio, mas de grande potencial. No \u00e2mbito internacional, reativamos as rela\u00e7\u00f5es internacionais, ap\u00f3s diversas investidas nos FSM, e por \u00faltimo no Festival Mundial da Juventude, em Caracas, Venezuela, com uma expressiva e atuante bancada, o que contribuiu para reativarmos contatos que hoje est\u00e3o sendo trabalhados em grau mais aprofundado, priorizando os contatos com as JCs Latino-Americanas, e a FMJD.<\/p>\n<p><strong>A consolida\u00e7\u00e3o da Reconstru\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Pela primeira vez em sua hist\u00f3ria,a UJC realizou dois congressos nacionais seguidos.Organizado na cidade de Goi\u00e2nia,nas depend\u00eancias da Universidade Federal de Goi\u00e1s,o congresso marcou o aprofundamento pol\u00edtico ideol\u00f3gico da juventude comunista com a consolida\u00e7\u00e3o do processo de reconstru\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria do PCB,a partir das resolu\u00e7\u00f5es do XIV congresso dos comunistas brasileiros.A UJC se mant\u00e9m como uma frente org\u00e2nica de massas do Partido Comunista Brasileiro, como um dos canais de media\u00e7\u00e3o para a juventude da estrat\u00e9gica socialista proposta pelo partido.Durante o congresso da UJC, foram discutidos temas ligados as suas frentes de massa: Jovens trabalhadores, Cultura e Movimento estudantil, al\u00e9m de quest\u00f5es transversais e organizativas. Participaram do congresso nacional, em torno de 120 delegados representando 12 estados que participaram do processo congressual com discuss\u00f5es municipais e estaduais. Como prova de seu bom trabalho no campo internacional, prestigiaram o congresso camaradas da juventude comunista portuguesa e paraguaia, al\u00e9m de in\u00fameras sauda\u00e7\u00f5es de outras Juventudes comunistas e da FMJD.<\/p>\n<p>Neste \u00faltimo per\u00edodo a UJC intensificou sua interven\u00e7\u00e3o no movimento estudantil(principalmente a partir da bandeira pela Universidade popular e reconstru\u00e7\u00e3o do ME pela Base), no movimento cultural atrav\u00e9s de interessantes e diferentes experi\u00eancias e propostas dos n\u00facleos de cultura dos Estado contudo ainda carecendo de melhores resolu\u00e7\u00f5es e pol\u00edtica a n\u00edvel nacional, e na organiza\u00e7\u00e3o dos Jovens trabalhadores.<\/p>\n<p>A UJC, atrav\u00e9s de sua trajet\u00f3ria de mais de 80 anos, mostrou a possibilidade de se organizar de maneira revolucion\u00e1ria a juventude brasileira. Mesmo cometendo erros e desvios em sua hist\u00f3ria, esteve presente em momentos marcantes das lutas da juventude, e em v\u00e1rios momentos, extrapolando as lutas juvenis e assumindo de cora\u00e7\u00e3o as mais relevantes lutas do povo brasileiro, ao qual ligou seu nome e hist\u00f3ria, combatendo, abertamente ou nas trevas, sacrificando vidas jovens em prol da causa mais jovem, a causa do amanh\u00e3, do vir a ser, do COMUNISMO.<\/p>\n<p>A UJC reativa-se na pr\u00e1tica, diariamente, atraindo diversos jovens, que v\u00eaem na UJC, a possibilidade de contribu\u00edrem para uma transforma\u00e7\u00e3o qualitativa da sociedade, potencializando o ser humano na constru\u00e7\u00e3o n\u00e3o apenas da nova sociedade, mas tamb\u00e9m na constru\u00e7\u00e3o do pr\u00f3prio novo homem.<\/p>\n<p>Fonte: http:\/\/ujc.org.br\/index.php\/historia-da-ujc<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n\n\nCr\u00e9dito: UJC\n\n\n\n\n\n\n\n\nUJC\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/1716\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[27],"tags":[],"class_list":["post-1716","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c27-ujc"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-rG","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1716","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1716"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1716\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1716"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1716"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1716"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}