{"id":17192,"date":"2017-11-14T13:12:13","date_gmt":"2017-11-14T16:12:13","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=17192"},"modified":"2017-11-14T13:12:13","modified_gmt":"2017-11-14T16:12:13","slug":"o-comunismo-e-a-familia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/17192","title":{"rendered":"O comunismo e a fam\u00edlia"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i1.wp.com\/outraspalavras.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/170327_Alexandra-Kolontai2.jpg?resize=560%2C368\" alt=\"imagem\" \/><!--more-->Por Alejandra Kollontai<\/p>\n<p><strong>A mulher j\u00e1 n\u00e3o depende do homem<\/strong><\/p>\n<p>Ser\u00e1 mantida a fam\u00edlia em um Estado comunista? Persistir\u00e1 a forma atual? S\u00e3o estas quest\u00f5es que atormentam, no presente, a mulher da classe trabalhadora e preocupa igualmente seus companheiros, os homens.<\/p>\n<p>N\u00e3o deve nos surpreender que nestes \u00faltimos tempos este problema perturbe as mentes das mulheres trabalhadoras. A vida muda continuamente ante nossos olhos; antigos h\u00e1bitos e costumes desaparecem pouco a pouco. Toda a exist\u00eancia da fam\u00edlia prolet\u00e1ria se modifica e organiza de forma t\u00e3o nova, t\u00e3o fora da corrente, t\u00e3o diferente, como nunca pudemos imaginar.<\/p>\n<p>E uma das coisas que maior perplexidade produz na mulher neste momento \u00e9 a maneira como se facilitou o div\u00f3rcio na R\u00fassia.<\/p>\n<p>De fato, em virtude do decreto do Comiss\u00e1rio do Povo de 18 de dezembro de 1917, o div\u00f3rcio deixou de ser um luxo acess\u00edvel somente aos ricos; de agora em diante a mulher trabalhadora n\u00e3o ter\u00e1 que esperar meses, e at\u00e9 anos, para que seja proferida sua peti\u00e7\u00e3o de separa\u00e7\u00e3o matrimonial que lhe d\u00ea direito a emancipar-se de um marido b\u00eabado ou violento, acostumado a agredi-la. A partir de agora, o div\u00f3rcio poder\u00e1 ser obtido amigavelmente dentro do per\u00edodo de uma ou duas semanas no m\u00e1ximo.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, \u00e9 precisamente esta facilidade para obter o div\u00f3rcio, fonte de tantas esperan\u00e7as para as mulheres que s\u00e3o infelizes em seu matrim\u00f4nio, o que assusta a outras mulheres, particularmente \u00e0quelas que consideram o marido como o \u201cprovedor\u201d da fam\u00edlia, como o \u00fanico sustento da vida, a essas mulheres que n\u00e3o compreendem que <em>devem acostumar-se a buscar e a encontrar esse sustento em outro lugar, n\u00e3o na pessoa do homem, mas na pessoa da sociedade, no Estado<\/em>.<\/p>\n<p><strong>Da fam\u00edlia gen\u00e9sica a nossos dias<\/strong><\/p>\n<p>N\u00e3o existe nenhuma raz\u00e3o para pretender enganar a n\u00f3s mesmos: a fam\u00edlia normal dos tempos passados na qual o homem era tudo e a mulher nada \u2013 posto que n\u00e3o tinha vontade pr\u00f3pria, nem dinheiro pr\u00f3prio, nem tempo do qual dispor livremente \u2013, este tipo de fam\u00edlia sofre modifica\u00e7\u00f5es dia ap\u00f3s dia, e, atualmente \u00e9 quase uma coisa do passado, do qual n\u00e3o deve nos assustar.<\/p>\n<p>Seja por erro ou ignor\u00e2ncia, estamos dispostos a acreditar que tudo que nos rodeia deve permanecer imut\u00e1vel, enquanto todo o demais muda. <em>Sempre foi assim e sempre ser\u00e1<\/em>. Esta afirma\u00e7\u00e3o \u00e9 um erro profundo.<\/p>\n<p>Para nos darmos conta de sua falsidade, basta lermos como viviam as pessoas do passado, e imediatamente vemos como tudo est\u00e1 sujeito a mudan\u00e7a e como n\u00e3o existem costumes, nem organiza\u00e7\u00f5es pol\u00edticas, nem moral que permane\u00e7am fixas e inviol\u00e1veis.<\/p>\n<p>Assim, pois, a fam\u00edlia mudou frequentemente de forma nas diversas \u00e9pocas da vida da humanidade.<\/p>\n<p>Houve \u00e9pocas em que a fam\u00edlia foi completamente diferente como a que estamos acostumados. Houve um tempo em que a \u00fanica forma de fam\u00edlia considerada normal era a chamada fam\u00edlia <em>gen\u00e9sica<\/em>, ou seja, aquela na qual a cabe\u00e7a da fam\u00edlia era a<em> anci\u00e3 m\u00e3e<\/em>, em torno da qual se agrupavam, na vida e no trabalho comum, os filhos, netos e bisnetos.<\/p>\n<p>A fam\u00edlia <em>patriarcal<\/em>\u00a0foi em outros tempos considerada tamb\u00e9m como a \u00fanica forma poss\u00edvel de fam\u00edlia, presidida por um <em>pai-dono<\/em>, cuja vontade era lei para todos os demais membros da fam\u00edlia. Ainda em nosso tempo podem ser encontradas nas aldeias russas fam\u00edlias campesinas deste tipo. Na realidade, podemos afirmar que nessas localidades a moral e as leis que regem a vida familiar s\u00e3o completamente distintas das que regulamentam a vida da fam\u00edlia do oper\u00e1rio da cidade. No campo existem, todavia, grande n\u00famero de costumes que j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel encontrar na fam\u00edlia da cidade prolet\u00e1ria.<\/p>\n<p>O tipo de fam\u00edlia, seus costumes, etc., variam segundo as ra\u00e7as. Existem povos, como por exemplo os turcos, \u00e1rabes e persas, entre os quais a lei autoriza o marido a ter v\u00e1rias mulheres. Existiram e, todavia, existem tribos que toleram o costume contr\u00e1rio, ou seja, que a mulher tenha v\u00e1rios maridos.<\/p>\n<p>A moralidade ao uso do homem de nosso tempo o autoriza a exigir das jovens a virgindade at\u00e9 seu matrim\u00f4nio leg\u00edtimo. Por\u00e9m, no entanto, existem tribos nas quais ocorre o inverso: a mulher tem orgulho de ter tido muitos amantes, e adornam seus bra\u00e7os e pernas com braceletes que indicam o n\u00famero de parceiros&#8230;<\/p>\n<p>Diversos costumes, que a n\u00f3s surpreendem, h\u00e1bitos que podemos inclusive qualificar de imorais, s\u00e3o praticados por outros povos, com a san\u00e7\u00e3o <em>divina<\/em>, enquanto, por sua parte, qualificam de \u201cpecaminosos\u201d muitos de nossos costumes e leis.<\/p>\n<p>Portanto, n\u00e3o existe nenhuma raz\u00e3o para que nos aterrorizemos ante o fato de que a fam\u00edlia sofre mudan\u00e7as, porque gradualmente s\u00e3o descartados vest\u00edgios do passado vividos at\u00e9 agora, nem porque se implantam novas rela\u00e7\u00f5es entre o homem e a mulher. N\u00e3o temos mais que nos perguntar: o que morreu em nosso velho sistema familiar e quais rela\u00e7\u00f5es existem entre o homem trabalhador e a mulher trabalhadora, entre o campon\u00eas e a camponesa? Quais de seus respectivos direitos e deveres harmonizam melhor com as condi\u00e7\u00f5es de vida da nova R\u00fassia?<\/p>\n<p>Tudo o que for compat\u00edvel com o novo estado de coisas se manter\u00e1; o resto, todo esse antiquado resqu\u00edcio que herdamos da maldita \u00e9poca de servid\u00e3o e domina\u00e7\u00e3o, que era a caracter\u00edstica dos propriet\u00e1rios de terras e capitalistas, tudo isso ter\u00e1 que ser varrido juntamente com a pr\u00f3pria classe exploradora, com esses inimigos do proletariado e dos pobres.<\/p>\n<p><strong>O capitalismo destruiu a velha vida familiar<\/strong><\/p>\n<p>A fam\u00edlia, em sua forma atual, n\u00e3o \u00e9 mais que uma de tantas heran\u00e7as do passado. Solidamente unida, compacta em si mesma em seus come\u00e7os, e indissol\u00favel \u2013 tal era o car\u00e1ter do matrim\u00f4nio santificado pelo cura \u2013, a fam\u00edlia era igualmente necess\u00e1ria para cada um de seus membros. Porque quem se ocupou de criar, vestir e educar os filhos sen\u00e3o a fam\u00edlia? Quem se ocupou de gui\u00e1-los na vida? Triste sorte a dos \u00f3rf\u00e3os naqueles tempos; era o pior destino que algu\u00e9m poderia ter.<\/p>\n<p>No tipo de fam\u00edlia a que estamos acostumados, \u00e9 o marido que ganha o sustento, que mantem a mulher e os filhos. A mulher, por sua parte, se ocupa dos afazeres dom\u00e9sticos e de criar os filhos como entender.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, h\u00e1 um s\u00e9culo, esta forma corrente de fam\u00edlia experimentou uma destrui\u00e7\u00e3o progressiva em todos os pa\u00edses do mundo, nos quais domina o capitalismo, naqueles pa\u00edses em que o n\u00famero de f\u00e1bricas cresce rapidamente, juntamente com outras empresas capitalistas que empregam trabalhadores.<\/p>\n<p>Os costumes e a moral familiar se formam simultaneamente como consequ\u00eancia das condi\u00e7\u00f5es gerais da vida que rodeia a fam\u00edlia. O que mais contribuiu para que se modificassem os costumes familiares de uma maneira radical foi, indiscutivelmente, a enorme expans\u00e3o que adquiriu por todas as partes o trabalho assalariado da mulher. Anteriormente, era o homem o \u00fanico sustento poss\u00edvel da fam\u00edlia. Por\u00e9m, a partir dos \u00faltimos cinquenta ou sessenta anos, experimentamos na R\u00fassia (com anterioridade em outros pa\u00edses) que o regime capitalista obriga as mulheres a buscarem trabalho remunerado fora da fam\u00edlia, foram de sua casa.<\/p>\n<p><strong>Trinta milh\u00f5es de mulheres suportam uma dupla jornada<\/strong><\/p>\n<p>Como o sal\u00e1rio do homem, <em>sustento da fam\u00edlia<\/em>, se mostrava insuficiente para cobrir as necessidades da mesma, a mulher se viu obrigada a buscar trabalho remunerado; a m\u00e3e teve que bater tamb\u00e9m \u00e0 porta da f\u00e1brica. Ano por ano, dia ap\u00f3s dia, foi crescendo o n\u00famero de mulheres pertencentes \u00e0 classe trabalhadora que abandonavam suas casas para ir nutrir as fileiras das f\u00e1bricas, para trabalhar como oper\u00e1rias, vendedoras, secret\u00e1rias, lavadeiras ou dom\u00e9sticas.<\/p>\n<p>Segundo as estat\u00edsticas de antes da Grande Guerra, nos pa\u00edses da Europa e Am\u00e9rica ascendiam a sessenta milh\u00f5es as mulheres que ganhavam a vida com seu trabalho. Durante a guerra esse n\u00famero aumentou consideravelmente.<\/p>\n<p>A imensa maioria destas mulheres estavam casadas; f\u00e1cil \u00e9 imaginarmos a vida familiar que poderiam disfrutar. Que vida familiar pode existir onde a esposa e m\u00e3e fica fora de casa durante oito horas di\u00e1rias, dez melhor dizendo (contando a viagem de ida e volta)! A casa fica necessariamente descuidada; os filhos crescem sem nenhum cuidado materno, abandonados a pr\u00f3pria sorte em meio aos perigos da rua, na qual passam a maior parte do tempo.<\/p>\n<p>A mulher casada, a m\u00e3e que \u00e9 oper\u00e1ria, d\u00e1 o sangue para cumprir com tr\u00eas tarefas que pesam ao mesmo tempo sobre ela: dispor das horas necess\u00e1rias para o trabalho, o mesmo que faz seu marido, em alguma ind\u00fastria ou estabelecimento comercial; dedicar-se depois, o melhor poss\u00edvel, aos afazeres dom\u00e9sticos, e, por \u00faltimo, cuidar de seus filhos.<\/p>\n<p>O capitalismo carregou sobre os ombros da mulher trabalhadora um peso que a esmaga; a converteu em oper\u00e1ria, sem alivia-la de seus cuidados de dona de casa e m\u00e3e.<\/p>\n<p>Portanto, acontece que a mulher se esgota como consequ\u00eancia desta tripla e insuport\u00e1vel jornada, que com frequ\u00eancia expressa com gritos de dor e faz brotar l\u00e1grimas em seus olhos.<\/p>\n<p>Os cuidados e as preocupa\u00e7\u00f5es tem sido em todo tempo destino da mulher, por\u00e9m nunca foi sua vida mais infeliz, mais desesperada que nestes tempos sob o regime capitalista, precisamente quando a ind\u00fastria atravessa um per\u00edodo de m\u00e1xima expans\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Os trabalhadores aprendem a existir sem vida familiar<\/strong><\/p>\n<p>Quanto mais se estende o trabalho assalariado da mulher, mais avan\u00e7a a decomposi\u00e7\u00e3o da fam\u00edlia. Que vida familiar pode existir onde o homem e a mulher trabalham na f\u00e1brica, em se\u00e7\u00f5es diferentes, se a mulher n\u00e3o disp\u00f5e sequer do tempo necess\u00e1rio para preparar uma comida relativamente boa para seus filhos! Que vida familiar pode ser a de uma fam\u00edlia na qual o pai e a m\u00e3e passam foram de casa a maior parte das vinte e quatro horas do dia, entregues a um duro trabalho, que lhes impede de dedicar uns quantos minutos a seus filhos!<\/p>\n<p>Em \u00e9pocas anteriores, era completamente diferente. A m\u00e3e, a dona de casa, permanecia no lar, se ocupava das tarefas dom\u00e9sticas e de seus filhos, aos quais n\u00e3o deixava de observar, sempre vigilante.<\/p>\n<p>Hoje em dia, desde as primeiras horas da manh\u00e3 at\u00e9 que soe a sirene da f\u00e1brica, a mulher trabalhadora corre apressada para chegar a seu trabalho; pela noite, de novo, ao soar a sirene, volta rapidamente \u00e0 casa para preparar a sopa e realizar os afazeres dom\u00e9sticos indispens\u00e1veis. Na manh\u00e3 seguinte, depois de breves horas de sono, come\u00e7a outra vez para a mulher sua pesada carga. N\u00e3o pode, pois, nos surpreender, portanto, o fato de que, devido a estas condi\u00e7\u00f5es de vida, se desfa\u00e7am os la\u00e7os familiares e a fam\u00edlia se dissolva cada dia mais. Pouco a pouco, vai desaparecendo tudo aquilo que convertia a fam\u00edlia em um todo s\u00f3lido, tudo aquilo que constitu\u00eda seus seguros cimentos, <em>a fam\u00edlia \u00e9 cada vez menos necess\u00e1ria a seus pr\u00f3prios membros e ao Estado<\/em>. As velhas formas familiares se convertem em um obst\u00e1culo.<\/p>\n<p>Em que consistia a for\u00e7a da fam\u00edlia nos tempos passados? Em primeiro lugar, no fato de que era o marido, o pai, quem mantinha a fam\u00edlia; em segundo lugar, o lar era algo igualmente necess\u00e1rio a todos os membros da fam\u00edlia, e em terceiro e \u00faltimo lugar, porque os filhos eram educados pelos pais.<\/p>\n<p>O que resta atualmente de tudo isto? O marido, como vimos, deixou de ser o \u00fanico sustento da fam\u00edlia. O papel da mulher, que vai trabalhar, se converteu, neste sentido, ao de seu pr\u00f3prio marido. Aprendeu n\u00e3o s\u00f3 a ganhar a vida, como tamb\u00e9m, com grande frequ\u00eancia, a ganhar a de seus filhos e seu marido. Resta, no entanto, a fun\u00e7\u00e3o da fam\u00edlia de criar e manter os filhos enquanto s\u00e3o pequenos. Agora, vejamos, na realidade, o que subsiste desta obriga\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>O trabalho caseiro j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 uma necessidade<\/strong><\/p>\n<p>Houve um tempo em que a mulher da classe pobre, tanto na cidade como no campo, passava sua vida inteira no seio da fam\u00edlia. A mulher n\u00e3o sabia nada do que ocorria para al\u00e9m do umbral de sua casa e \u00e9 quase certo que, tampouco, desejasse sab\u00ea-lo. Em compensa\u00e7\u00e3o, tinha dentro de sua casa as mais variadas ocupa\u00e7\u00f5es, todas \u00fateis e necess\u00e1rias, n\u00e3o s\u00f3 para a vida da fam\u00edlia em si, mas tamb\u00e9m para a de todo o Estado.<\/p>\n<p>A mulher fazia, \u00e9 claro, tudo o que hoje faz qualquer mulher oper\u00e1ria ou campesina. Cozinhava, lavava, limpava a casa e passava a roupa da fam\u00edlia. Por\u00e9m, n\u00e3o fazia s\u00f3 isto. Tinha sobre si, al\u00e9m disso, uma s\u00e9rie de obriga\u00e7\u00f5es que j\u00e1 n\u00e3o t\u00eam as mulheres de nosso tempo: enla\u00e7ava a l\u00e3 e o linho; tecia os tecidos e os adornos, as meias e meias-cal\u00e7as; fazia rendas e se dedicava, na medida das possibilidades familiares, \u00e0s tarefas de conserva\u00e7\u00e3o de carnes e demais alimentos; destilava as bebidas da fam\u00edlia e, inclusive, moldava as velas para a casa.<\/p>\n<p>Qu\u00e3o diversas eram as tarefas da mulher nos tempos passados! Assim, passaram a vida nossas m\u00e3es e av\u00f3s. Ainda em nossos dias, para al\u00e9m das remotas aldeias, em pleno campo, em contato com as linhas do trem ou distantes dos grandes rios, \u00e9 poss\u00edvel encontrar pequenos n\u00facleos onde se conserva, sem modifica\u00e7\u00e3o alguma, este modo de vida dos bons tempos do passado, no qual a dona de casa realizava uma s\u00e9rie de trabalhos dos quais n\u00e3o tem no\u00e7\u00e3o a mulher trabalhadora das grandes cidades ou das regi\u00f5es de grande popula\u00e7\u00e3o industrial, h\u00e1 muito tempo.<\/p>\n<p><strong>O trabalho industrial da mulher no lar<\/strong><\/p>\n<p>Nos tempos de nossas av\u00f3s eram absolutamente necess\u00e1rios e \u00fateis todos os trabahos dom\u00e9sticos da mulher, dos quais dependia o bem-estar da fam\u00edlia. Quanto mais se dedicava a mulher de casa a estas tarefas, tanto melhor era a vida no lar, mais ordem e abund\u00e2ncia refletiam na casa. At\u00e9 o pr\u00f3prio Estado podia beneficiar-se um tanto das atividades da mulher como dona de casa. Porque, na realidade, a mulher de outros tempos n\u00e3o se limitava a preparar pur\u00eas para ela ou sua fam\u00edlia, mas suas m\u00e3os produziam muitos produtos de riqueza, tais como tecidos, fio, manteiga, etc., coisas que podiam ser levadas ao mercado e ser consideradas como mercadorias, como coisas de valor.<\/p>\n<p>\u00c9 certo que nos tempos de nossas av\u00f3s e bisav\u00f3s o trabalho n\u00e3o era avaliado em dinheiro. Por\u00e9m, n\u00e3o havia nenhum homem, seja ele campesino ou oper\u00e1rio, que n\u00e3o buscasse como companheira uma mulher com \u201cm\u00e3os de ouro\u201d, frase proverbial entre o povo.<\/p>\n<p>Porque s\u00f3 os recursos do homem, <em>sem o trabalho dom\u00e9stico da mulher<\/em>, n\u00e3o bastavam para manter o lar.<\/p>\n<p>No que se refere aos bens do Estado, aos interesses da na\u00e7\u00e3o, coincidiam com os do marido; quanto mais trabalhadora era a mulher no seio de sua fam\u00edlia, tantos mais produtos de todas classes produzia: tecidos, couros, l\u00e3s, cujo excedente podia ser vendido no mercado das proximidades; consequentemente, a \u201cmulher de casa\u201d contribu\u00eda para aumentar em seu conjunto a prosperidade econ\u00f4mica do pa\u00eds.<\/p>\n<p><strong>A mulher casada e a f\u00e1brica<\/strong><\/p>\n<p>O capitalismo modificou totalmente esta antiga maneira de vida. Tudo o que antes se produzia no seio da fam\u00edlia, se fabrica agora em grandes quantidades nas oficinas e nas f\u00e1bricas. A m\u00e1quina substituiu os \u00e1geis dedos da dona de casa. Que mulher de casa trabalharia hoje em dia no moldar velas, filar ou tecer tecidos? Todos estes produtos podem ser adquiridos na loja mais pr\u00f3xima. Antes, todas as meninas tinham que aprender a tecer suas meias; \u00e9 poss\u00edvel encontra em nossos tempos uma jovem oper\u00e1ria que faz suas pr\u00f3prias meias? Em primeiro lugar, carece de tempo necess\u00e1rio para isso. O tempo \u00e9 dinheiro e n\u00e3o existe ningu\u00e9m que queira perd\u00ea-lo de uma maneira improdutiva, ou seja, sem obter nenhum proveito. Atualmente, toda mulher de casa, que \u00e9 por sua vez uma oper\u00e1ria, prefere comprar as meias feitas que perder tempo fazendo-as.<\/p>\n<p>Poucas mulheres trabalhadoras, e s\u00f3 em casos isolados, podemos encontrar hoje em dia que preparem as conservas para a fam\u00edlia, quando a realidade \u00e9 que na mercearia ao lado de sua casa pode compr\u00e1-las perfeitamente preparadas. Ainda no caso de que o produto vendido na loja seja de uma qualidade inferior, ou que n\u00e3o seja t\u00e3o bom como o que pode fazer uma dona de casa econ\u00f4mica em seu lar, a mulher trabalhadora n\u00e3o tem nem tempo nem energia para dedicar-se a todas as laboriosas opera\u00e7\u00f5es que requer um trabalho deste tipo.<\/p>\n<p>A realidade, pois, \u00e9 que a fam\u00edlia contempor\u00e2nea se emancipa cada vez mais de todos aqueles trabalhos dom\u00e9sticos sem cuja preocupa\u00e7\u00e3o n\u00e3o puderam conceber a vida familiar de nossas av\u00f3s.<\/p>\n<p>O que se produzia anteriormente no seio da fam\u00edlia, se produz atualmente com o trabalho comum de homens e mulheres trabalhadoras nas f\u00e1bricas e oficinas.<\/p>\n<p><strong>Os afazeres individuais est\u00e3o fadados a desaparecer<\/strong><\/p>\n<p>A fam\u00edlia atualmente consome sem produzir. As tarefas essenciais da dona de casa ficaram reduzidas a quatro: limpeza (ch\u00e3o, m\u00f3veis, calefa\u00e7\u00e3o, etc.); cozinha (prepara\u00e7\u00e3o de comida e jantar); lavagem e cuidado da roupa branca, e vestimentas da fam\u00edlia (remendo e passar a roupa).<\/p>\n<p>Estes s\u00e3o trabalhos esgotadores. Consomem todas as energias e todo o tempo da mulher trabalhadora, que tamb\u00e9m tem que trabalhar em uma f\u00e1brica.<\/p>\n<p>\u00c9 claro que os afazeres de nossas av\u00f3s compreendiam muitas mais opera\u00e7\u00f5es, por\u00e9m, no entanto, estavam dotados de uma qualidade da qual carecem os trabalhos dom\u00e9sticos da mulher oper\u00e1ria de nossos dias; estes perderam sua qualidade de trabalhos \u00fateis ao Estado do ponto de vista da economia nacional, porque s\u00e3o trabalhos com os quais n\u00e3o se criam novos valores. Com eles n\u00e3o se contribui com a prosperidade do pa\u00eds.<\/p>\n<p>\u00c9 em v\u00e3o que a mulher trabalhadora passe o dia, de manh\u00e3 at\u00e9 de noite, limpando sua casa, lavando e passando a roupa, consumindo suas energias para conservar suas roupas gastas em ordem, matando-se para preparar com seus modestos recursos a melhor comida poss\u00edvel, porque quando terminar o dia n\u00e3o restar\u00e1, apesar de seus esfor\u00e7os, um resultado material de todo seu trabalho di\u00e1rio; com suas m\u00e3os infatig\u00e1veis, n\u00e3o ter\u00e1 criado em todo o dia nada que possa ser considerado como uma mercadoria no mercado comercial. Mil anos vivesse, tudo permaneceria igual para a mulher trabalhadora. Todas as manh\u00e3s teria que tirar o p\u00f3 da c\u00f4moda; o marido viria com querendo jantar \u00e0 noite e seus filhinhos voltariam sempre para a casa com os sapatos cheios de barro&#8230; O trabalho da dona de casa reporta cada dia menos utilidade. \u00c9 cada vez mais improdutivo.<\/p>\n<p><strong>A aurora do trabalho caseiro coletivo<\/strong><\/p>\n<p>Os trabalhos dom\u00e9sticos na forma individual come\u00e7aram a desaparecer e de dia em dia v\u00e3o sendo substitu\u00eddos pelo trabalho caseiro coletivo, e chegar\u00e1 um dia, mais cedo ou mais tarde, em que a mulher trabalhadora n\u00e3o ter\u00e1 que ocupar-se de seu pr\u00f3prio lar.<\/p>\n<p>Na Sociedade Comunista do amanh\u00e3, estes trabalhos ser\u00e3o realizados por uma categoria especial de mulheres trabalhadoras dedicadas unicamente a estas ocupa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>As mulheres dos ricos, h\u00e1 muito tempo vivem livres destas desagrad\u00e1veis e estafantes tarefas. Por que tem a mulher trabalhadora que continuar com esta pesada carga?<\/p>\n<p>Na R\u00fassia Sovi\u00e9tica, a vida da mulher trabalhadora deve estar rodeada das mesmas comodidades, da mesma limpeza, da mesma higiene, da mesma beleza, que at\u00e9 agora constitu\u00eda o ambiente das mulheres pertencentes \u00e0s classes abastadas. Em uma Sociedade Comunista, a mulher trabalhadora n\u00e3o ter\u00e1 que passar suas escassas horas de descanso na cozinha, porque na Sociedade Comunista existir\u00e3o <em>restaurantes p\u00fablicos e cozinhas centrais<\/em> nas quais todo mundo poder\u00e1 comer.<\/p>\n<p>Estes estabelecimentos t\u00eam aumentado em todos os pa\u00edses, inclusive dentro do regime capitalista. Na realidade, se pode dizer que h\u00e1 meio s\u00e9culo aumentam dia ap\u00f3s dia em todas as cidades da Europa; crescem como os cogumelos depois da chuva de outono. Por\u00e9m, enquanto em um sistema capitalista s\u00f3 pessoas com bolsos bem cheios podem se permitir o gosto de comer nos restaurantes, em uma cidade comunista estar\u00e3o ao alcance de todo o mundo.<\/p>\n<p>O mesmo se pode dizer da lavagem da roupa e demais trabalhos caseiros. A mulher trabalhadora n\u00e3o ter\u00e1 que afogar-se em um oceano de porcaria nem estropiar a vista remendando e cosendo a roupa pelas noites. S\u00f3 precisar\u00e1 leva-la a cada semana \u00e0s <em>lavanderias centrais<\/em> para ir busca-la depois de lavada e passada. Deste modo, a mulher trabalhadora ter\u00e1 uma preocupa\u00e7\u00e3o a menos.<\/p>\n<p>A organiza\u00e7\u00e3o de oficinas especiais para coser e remendar a roupa oferecer\u00e3o \u00e0 mulher trabalhadora a oportunidade de dedicar-se \u00e0s noites a leituras instrutivas, a distra\u00e7\u00f5es saud\u00e1veis, em vez de passa-las como at\u00e9 agora, em tarefas esgotadoras.<\/p>\n<p>Portanto, vemos que as quatro \u00faltimas tarefas dom\u00e9sticas que pesam sobre a mulher de nossos tempos desaparecer\u00e3o com o triunfo do regime comunista.<\/p>\n<p>N\u00e3o ter\u00e1 de que queixar-se a mulher trabalhadora, porque a Sociedade Comunista terminar\u00e1 com o jugo dom\u00e9stico da mulher para tornar sua vida mais alegre, mais rica, mais livre e mais completa.<\/p>\n<p><strong>A cria\u00e7\u00e3o dos filhos no regime capitalista<\/strong><\/p>\n<p>O que restar\u00e1 da fam\u00edlia quando desaparecerem todos estes afazeres do trabalho dom\u00e9stico individual? Todavia, teremos que lutar com o problema dos <em>filhos<\/em>. Por\u00e9m, no que se refere a esta quest\u00e3o, o Estado dos Trabalhadores acudir\u00e1 em aux\u00edlio da fam\u00edlia, substituindo-a; gradualmente, a Sociedade assumir\u00e1 todas aquelas obriga\u00e7\u00f5es que antes reca\u00edam sobre os pais.<\/p>\n<p>Sob o regime capitalista, <em>a instru\u00e7\u00e3o do filho deixou de ser uma obriga\u00e7\u00e3o dos pais<\/em>. A crian\u00e7a aprende na escola. Quando a crian\u00e7a entra na idade escolar, os pais respiram mais livremente. Quando chega este momento, o desenvolvimento intelectual do filho deixa de ser um assunto de sua incumb\u00eancia.<\/p>\n<p>No entanto, com isso n\u00e3o terminam todas as obriga\u00e7\u00f5es da fam\u00edlia com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 crian\u00e7a. Continua existindo a obriga\u00e7\u00e3o de alimentar a crian\u00e7a, de cal\u00e7a-la, vesti-la convert\u00ea-la em trabalhador direito e honesto para que, com o tempo, possa bastar a si pr\u00f3prio e ajudar seus pais quando estes chegarem \u00e0 velhice.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, o mais corrente era, no entanto, que a fam\u00edlia oper\u00e1ria n\u00e3o pudesse quase nunca cumprir inteiramente com estas obriga\u00e7\u00f5es a respeito de seus filhos. O reduzido sal\u00e1rio de qual depende a fam\u00edlia oper\u00e1ria n\u00e3o permite nem sequer dar a seus filhos o suficiente para comer. O excessivo trabalho que pesa sobre os pais os impede de se dedicar \u00e0 educa\u00e7\u00e3o da jovem gera\u00e7\u00e3o toda a aten\u00e7\u00e3o a que obriga este dever. Se dava por certo que a fam\u00edlia se ocupava da cria\u00e7\u00e3o dos filhos. Por\u00e9m, o fazia na realidade? Mais justo seria dizer que \u00e9 na rua onde se criam os filhos dos prolet\u00e1rios. As crian\u00e7as da classe trabalhadora desconhecem as satisfa\u00e7\u00f5es da vida familiar, prazeres dos quais participamos n\u00f3s com nossos pais.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, al\u00e9m disso, \u00e9 preciso considerar que o reduzido sal\u00e1rio, a inseguran\u00e7a no trabalho e at\u00e9 a fome convertem frequentemente a crian\u00e7a de dez anos da classe trabalhadora em um oper\u00e1rio independente. A partir deste momento, t\u00e3o logo a crian\u00e7a (independente se \u00e9 menino ou menina) come\u00e7ar a ganhar um sal\u00e1rio, se considera a si mesmo dono de seu nariz, at\u00e9 o ponto que as palavras e os conselhos de seus pais deixam de causar a menor impress\u00e3o, ou seja, se enfraquece a autoridade dos pais e termina a obedi\u00eancia.<\/p>\n<p>A medida em que v\u00e3o desaparecendo um a um os trabalhos dom\u00e9sticos da fam\u00edlia, todas as obriga\u00e7\u00f5es de sustento e cria\u00e7\u00e3o dos filhos s\u00e3o desempenhadas pela sociedade em lugar dos pais. Sob o sistema capitalista, os filhos da fam\u00edlia prolet\u00e1ria eram, com demasiada frequ\u00eancia, uma carga pesada e insustent\u00e1vel.<\/p>\n<p><strong>A crian\u00e7a e o Estado comunista<\/strong><\/p>\n<p>Neste aspecto, tamb\u00e9m acudir\u00e1 a Sociedade Comunista em aux\u00edlio dos pais. Na R\u00fassia Sovi\u00e9tica se empreenderam, gra\u00e7as aos Comissariados de Educa\u00e7\u00e3o P\u00fablica e Bem-estar Social, grandes avan\u00e7os. Se pode dizer que neste aspecto foram feitas muitas coisas para facilitar a tarefa da fam\u00edlia de criar e manter os filhos.<\/p>\n<p>J\u00e1 existem casas para as crian\u00e7as lactantes, creches infantis, jardins de inf\u00e2ncia, col\u00f4nias e lares para crian\u00e7as, enfermarias e sanat\u00f3rios para os enfermos ou fr\u00e1geis, restaurantes, refeit\u00f3rios gratuitos para aqueles em idade escolar, livros de estudo gratuitos, roupas de inverno e cal\u00e7ados para as crian\u00e7as das institui\u00e7\u00f5es de ensino. Tudo isto n\u00e3o demonstra suficientemente que a crian\u00e7a j\u00e1 sai do marco estreito da fam\u00edlia, passando o fardo de sua cria\u00e7\u00e3o e educa\u00e7\u00e3o dos pais para a coletividade?<\/p>\n<p>Os cuidados dos pais com rela\u00e7\u00e3o aos filhos podem ser classificados em tr\u00eas grupos: 1\u00b0, cuidados que as crian\u00e7as requerem imprescindivelmente nos primeiros tempos de sua vida; 2\u00b0, os cuidados que sup\u00f5e a cria\u00e7\u00e3o da crian\u00e7a; e 3\u00b0, os cuidados que necessita a educa\u00e7\u00e3o da crian\u00e7a.<\/p>\n<p>No que se refere \u00e0 instru\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as, nas escolas prim\u00e1rias, institutos e universidades, j\u00e1 se converteu em uma obriga\u00e7\u00e3o do Estado, inclusive na sociedade capitalista.<\/p>\n<p>Por outro lado, as ocupa\u00e7\u00f5es da classe trabalhadora, as condi\u00e7\u00f5es de vida, obrigavam, inclusive na sociedade capitalista, a cria\u00e7\u00e3o de lugares recreativos, creches, asilos, etc. Quanto mais consci\u00eancia tiver a classe trabalhadora de seus direitos, quanto melhor estiverem organizados em qualquer Estado espec\u00edfico, mais interesse ter\u00e1 a sociedade no problema de aliviar a fam\u00edlia do cuidado dos filhos.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, a sociedade burguesa tem meios de se distanciar bastante no que diz respeito a considerar os interesses da classe trabalhadora, e contribuindo muito mais \u00e0 desintegra\u00e7\u00e3o da fam\u00edlia.<\/p>\n<p>Os capitalistas sabem perfeitamente que o velho tipo de fam\u00edlia, na qual a esposa \u00e9 uma escrava e o homem \u00e9 respons\u00e1vel pelo sustento e bem-estar da fam\u00edlia, que uma fam\u00edlia deste tipo \u00e9 a melhor arma para afogar os esfor\u00e7os do proletariado para sua liberdade, para enfraquecer o esp\u00edrito revolucion\u00e1rio do homem e da mulher prolet\u00e1rios. A preocupa\u00e7\u00e3o pelo que pode acontecer com sua fam\u00edlia, priva o oper\u00e1rio de toda sua firmeza, o obriga a transigir com o capital. O que far\u00e3o os pais prolet\u00e1rios quando seus filhos tiverem fome?<\/p>\n<p>Contrariamente ao que ocorre na sociedade capitalista, que n\u00e3o foi capaz de transformar a educa\u00e7\u00e3o da juventude em uma verdadeira fun\u00e7\u00e3o social, em uma obra do Estado, a Sociedade Comunista considerar\u00e1 como base real de suas leis e costumes como a primeira pedra do novo edif\u00edcio, a educa\u00e7\u00e3o social da gera\u00e7\u00e3o nascente.<\/p>\n<p>N\u00e3o ser\u00e1 a fam\u00edlia do passado, mesquinha e estreita, com brigas entre os pais, com seus interesses exclusivistas para seus filhos, a que moldar\u00e1 o homem da sociedade do amanh\u00e3.<\/p>\n<p>O homem novo, de nossa nova sociedade, ser\u00e1 moldado pelas organiza\u00e7\u00f5es socialistas, jardins infantis, resid\u00eancias, creches, etc., e muitas outras institui\u00e7\u00f5es deste tipo, nas quais a crian\u00e7a passar\u00e1 a maior parte do dia e nas quais educadores inteligentes as converter\u00e3o em um comunista consciente da magnitude desta inviol\u00e1vel divisa: solidariedade, camaradagem, ajuda m\u00fatua e devo\u00e7\u00e3o \u00e0 vida coletiva.<\/p>\n<p><strong>A subsist\u00eancia da m\u00e3e assegurada<\/strong><\/p>\n<p>Vejamos agora, uma vez que n\u00e3o se precisa atender \u00e0 cria\u00e7\u00e3o e educa\u00e7\u00e3o dos filhos, o que restar\u00e1 das obriga\u00e7\u00f5es da fam\u00edlia com rela\u00e7\u00e3o a seus filhos, particularmente depois que tenha sido aliviada a maior parte dos cuidados materiais que levam consigo o nascimento de um filho, ou seja, a exce\u00e7\u00e3o dos cuidados que requer a crian\u00e7a rec\u00e9m-nascida quando precisa da aten\u00e7\u00e3o de sua m\u00e3e, enquanto aprende a andar, agarrando-se \u00e0 saia da m\u00e3e. Nisto tamb\u00e9m o Estado Comunista acode para ajudar a m\u00e3e trabalhadora. J\u00e1 n\u00e3o existir\u00e1 a m\u00e3e angustiada com um filhinho nos bra\u00e7os. O Estado dos Trabalhadores se encarregar\u00e1 da obriga\u00e7\u00e3o de assegurar a subsist\u00eancia de todas as m\u00e3es, sejam ou n\u00e3o legitimamente casadas, desde que amamentando seu filho; instalar\u00e1 casas de maternidade, organizar\u00e1 em todas as cidades e em todos os povoados creches e institui\u00e7\u00f5es semelhantes para que a mulher possa ser \u00fatil trabalhando para o Estado enquanto, ao mesmo tempo, cumpre suas fun\u00e7\u00f5es de m\u00e3e.<\/p>\n<p><strong>O matrim\u00f4nio deixar\u00e1 de ser uma cadeia<\/strong><\/p>\n<p>As m\u00e3es oper\u00e1rias n\u00e3o t\u00eam por que alarmar-se. A Sociedade Comunista n\u00e3o pretende separar os filhos dos pais, nem arrancar o rec\u00e9m-nascido do peito de sua m\u00e3e. N\u00e3o abriga a menor inten\u00e7\u00e3o de recorrer \u00e0 viol\u00eancia para destruir a fam\u00edlia como tal. Nada disso. Estas n\u00e3o s\u00e3o as aspira\u00e7\u00f5es da Sociedade Comunista.<\/p>\n<p>O que presenciamos hoje? Pois que se rompam os la\u00e7os da gasta fam\u00edlia. Esta, gradualmente, vai se libertando de todos os trabalhos dom\u00e9sticos que anteriormente eram outros tantos pilares que sustentavam a fam\u00edlia como um todo social. Os cuidados da limpeza, etc., da casa? Tamb\u00e9m parece que demonstraram sua inutilidade. Os filhos? Os pais prolet\u00e1rios j\u00e1 n\u00e3o podem atender a seus cuidados; n\u00e3o podem assegurar nem sua subsist\u00eancia nem sua educa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Esta \u00e9 a situa\u00e7\u00e3o real cujas consequ\u00eancias sofrem por igual os pais e os filhos.<\/p>\n<p>Portanto, a Sociedade Comunista aproximar\u00e1 do homem e da mulher prolet\u00e1rios para dizer: \u201cS\u00e3o jovens, amem\u201d. Todo mundo tem direito \u00e0 felicidade. Por isso, deve viver a vida. N\u00e3o tenham medo do matrim\u00f4nio, mesmo quando o matrim\u00f4nio n\u00e3o for mais que uma cadeia para o homem e a mulher da classe trabalhadora na sociedade capitalista. E, sobretudo, n\u00e3o temam, sendo jovens e saud\u00e1veis, dar ao pa\u00eds novos oper\u00e1rios, novas crian\u00e7as cidad\u00e3s. A sociedade dos trabalhadores necessita de novas for\u00e7as de trabalho; sa\u00fada a chegada de cada rec\u00e9m-chegado ao mundo. Tampouco temam pelo futuro de seu filho; seu filho n\u00e3o conhecer\u00e1 a fome, nem o frio. N\u00e3o ser\u00e1 infeliz, nem ficar\u00e1 abandonado a sua sorte como acontecia na sociedade capitalista. T\u00e3o logo o novo ser chegue ao mundo, o Estado da classe Trabalhadora, a Sociedade Comunista, assegurar\u00e1 ao filho e \u00e0 m\u00e3e uma ra\u00e7\u00e3o para sua subsist\u00eancia e cuidados sol\u00edcitos. A P\u00e1tria comunista alimentar\u00e1, criar\u00e1 e educar\u00e1 a crian\u00e7a. Por\u00e9m, est\u00e1 p\u00e1tria n\u00e3o tentar\u00e1, de modo algum, arrancar o filho dos pa\u00eds que queiram participar da educa\u00e7\u00e3o de seus pequenos. A Sociedade Comunista assumir\u00e1 todas as obriga\u00e7\u00f5es da educa\u00e7\u00e3o da crian\u00e7a, por\u00e9m nunca despojar\u00e1 das alegrias paternais, das satisfa\u00e7\u00f5es maternais \u00e0queles que sejam capazes de apreciar e compreender estas alegrias. \u00c9 poss\u00edvel, pois, chamar isto de destrui\u00e7\u00e3o da fam\u00edlia pela viol\u00eancia ou separa\u00e7\u00e3o \u00e0 for\u00e7a de m\u00e3e e filho?<\/p>\n<p><strong>A fam\u00edlia como uni\u00e3o de afetos e camaradagem<\/strong><\/p>\n<p>Existe algo que n\u00e3o se pode negar e \u00e9 o fato de chegou a hora do velho tipo de fam\u00edlia. N\u00e3o tem culpa disso o comunismo: \u00e9 o resultado da mudan\u00e7a experimentada pelas condi\u00e7\u00f5es de vida. <em>A fam\u00edlia deixou de ser uma necessidade para o Estado como ocorria no passado<\/em>.<\/p>\n<p>Pelo contr\u00e1rio, resulta algo pior que in\u00fatil, posto que sem necessidade impede que as mulheres da classe trabalhadora possam realizar um trabalho muito mais produtivo e muito mais importante. Tampouco j\u00e1 \u00e9 necess\u00e1ria a fam\u00edlia aos membros dela, posto que a tarefa de criar os filhos, que antes lhe pertencia por completo, passa cada vez mais \u00e0s m\u00e3os da coletividade.<\/p>\n<p>Sobre as ru\u00ednas da velha vida familiar, veremos logo ressurgir uma nova forma de fam\u00edlia que supor\u00e1 rela\u00e7\u00f5es completamente diferentes entre o homem e a mulher, baseadas em <em>uma uni\u00e3o de afetos e camaradagem, em uma uni\u00e3o de duas pessoas iguais na Sociedade Comunista, as dos livres, a dos independentes, a dos trabalhadores<\/em>. N\u00e3o mais \u201cservid\u00e3o\u201d dom\u00e9stica para a mulher! N\u00e3o mais desigualdade no pr\u00f3prio seio da fam\u00edlia! N\u00e3o mais temor por parte da mulher de ficar sem sustento e ajuda caso o marido a abandonasse!<\/p>\n<p>A mulher, na Sociedade Comunista, n\u00e3o depender\u00e1 de seu marido. Seus robustos bra\u00e7os \u00e9 que proporcionar\u00e3o seu sustento. Se acabar\u00e1 com a incerteza sobre a sorte que possam ter os filhos. O Estado comunista asumir\u00e1 todas estas responsabilidades. O matrim\u00f4nio ficar\u00e1 purificado de todos seus elementos materiais, de todos os c\u00e1lculos de dinheiro que constituem a repugnante mancha da vida familiar de nosso tempo. O matrim\u00f4nio se transformar\u00e1 a partir de agora na uni\u00e3o sublime de duas almas que se amam, que se professem f\u00e9 m\u00fatua; uma uni\u00e3o deste tipo promete a todo oper\u00e1rio, a toda oper\u00e1ria, a mais completa felicidade, o m\u00e1ximo da satisfa\u00e7\u00e3o que pode caber a criaturas conscientes de si mesmas e da vida que lhes rodeia.<\/p>\n<p>Esta uni\u00e3o <em>livre<\/em>, forte no sentimento de camaradagem em que est\u00e1 inspirada, em vez da <em>escravid\u00e3o conjugal do passado, \u00e9 o que a sociedade comunista do amanh\u00e3 oferecer\u00e1 a homens e mulheres<\/em>.<\/p>\n<p>Uma vez que se tenham transformado as condi\u00e7\u00f5es de trabalho, uma vez que se tenha aumentado a seguran\u00e7a material da mulher trabalhadora; uma vez que tenha desaparecido o matrim\u00f4nio tal e como o consagrava a Igreja \u2013 isto \u00e9, o chamado matrim\u00f4nio indissol\u00favel, que n\u00e3o era no fundo mais que uma mera fraude \u2013, uma vez que este matrim\u00f4nio seja substitu\u00eddo pela uni\u00e3o livre e honesta de homens e mulheres que se amam e s\u00e3o camaradas, ter\u00e1 come\u00e7ado a desaparecer outro vergonhoso flagelo, outra calamidade horrorosa que arru\u00edna a humanidade e cujo peso recai por inteiro sobre o ombro da mulher trabalhadora: a prostitui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>A prostitui\u00e7\u00e3o acabar\u00e1 para sempre<\/strong><\/p>\n<p>Devemos esta vergonha ao sistema econ\u00f4mico hoje em vigor, \u00e0 exist\u00eancia da propriedade privada. Uma vez que tenha desaparecido a propriedade privada, desaparecer\u00e1 automaticamente o com\u00e9rcio da mulher.<\/p>\n<p>Portanto, a mulher da classe trabalhadora deve deixar de se preocupar porque est\u00e1 para desaparecer a fam\u00edlia tal e conforme est\u00e1 constitu\u00edda na atualidade. Seria muito melhor que sa\u00fadem com alegria a aurora de uma nova sociedade, que libertar\u00e1 a mulher da servid\u00e3o dom\u00e9stica, que aliviar\u00e1 a carga da maternidade para a mulher, uma sociedade na qual, finalmente, veremos desaparecer a mais terr\u00edvel das maldi\u00e7\u00f5es que pesam sobre a mulher: a prostitui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A mulher, a qual convidamos que lute pela grande causa da liberta\u00e7\u00e3o dos trabalhadores, tem que saber que no novo Estado n\u00e3o existir\u00e1 motivo algum para separa\u00e7\u00f5es mesquinhas, como ocorre agora.<\/p>\n<p>\u201cEstes s\u00e3o meus filhos. Eles s\u00e3o os \u00fanicos a quem devo toda minha aten\u00e7\u00e3o maternal, todo meu afeto; esses s\u00e3o seus filhos; s\u00e3o os filhos do vizinho. N\u00e3o tenho nada a ver com eles. Tenho bastante com os meus pr\u00f3prios\u201d.<\/p>\n<p>A partir de agora, a m\u00e3e oper\u00e1ria que tenha plena consci\u00eancia de sua fun\u00e7\u00e3o social, se elevar\u00e1 a tal extremo que chegar\u00e1 a n\u00e3o estabelecer diferen\u00e7as entre \u201cos seus e os meus\u201d; ter\u00e1 que lembrar sempre que a partir de agora n\u00e3o existir\u00e1 nada al\u00e9m de \u201cnossos\u201d filhos, os do Estado Comunista, possess\u00e3o comum de todos os trabalhadores.<\/p>\n<p><strong>A igualdade social do homem e da mulher<\/strong><\/p>\n<p>O Estado dos Trabalhadores tem necessidade de uma nova forma de rela\u00e7\u00e3o entre os sexos. O carinho estrito e exclusivista da m\u00e3e por seus filhos tem que ampliar-se at\u00e9 dar conta a todas as crian\u00e7as da grande fam\u00edlia prolet\u00e1ria.<\/p>\n<p>Em vez do matrim\u00f4nio indissol\u00favel, baseado na servid\u00e3o da mulher, veremos nascer a uni\u00e3o livre fortificada pelo amor e respeito m\u00fatuo de dois membros do Estado Oper\u00e1rio, iguais em seus direitos e em suas obriga\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Em vez da fam\u00edlia de tipo individual e ego\u00edsta, se levantar\u00e1 uma grande fam\u00edlia universal de trabalhadores, na qual todos os trabalhadores, homens e mulheres, ser\u00e3o antes de tudo oper\u00e1rios e camaradas. Estas ser\u00e3o as rela\u00e7\u00f5es entre homens e mulheres na Sociedade Comunista de amanh\u00e3. Estas novas rela\u00e7\u00f5es assegurar\u00e3o \u00e0 humanidade todos os gozos do chamado amor livre, enobrecido por uma verdadeira igualdade social entre companheiros, alegrias que s\u00e3o desconhecidas na sociedade comercial do regime capitalista.<\/p>\n<p>Abram caminho \u00e0 exist\u00eancia de uma inf\u00e2ncia robusta e s\u00e3; abram caminho para uma juventude vigorosa, que ame a vida com todas as suas alegrias, uma juventude livre em seus sentimentos e em seus afetos!<\/p>\n<p>Esta \u00e9 a palavra de ordem da Sociedade Comunista. Em nome da igualdade, da liberdade e do amor, conclamamos todas as mulheres trabalhadoras, todos os homens trabalhadores, mulheres campesinas e campesinos, para que resolutamente e cheios de f\u00e9, se entreguem ao trabalho de reconstru\u00e7\u00e3o da sociedade humana, para faz\u00ea-la mais perfeita, mais justa e mais capaz de assegurar ao indiv\u00edduo a felicidade a que tem direito.<\/p>\n<p>A bandeira vermelha da revolu\u00e7\u00e3o social, que ondear\u00e1 depois da R\u00fassia em outros pa\u00edses do mundo, proclama que n\u00e3o est\u00e1 distante o momento no qual possamos gozar do c\u00e9u na terra, ao qual a humanidade aspira h\u00e1 s\u00e9culos.<\/p>\n<p>Escrito: antes de 1918.<br \/>\nHist\u00f3rico da publica\u00e7\u00e3o: foi publicado pela primeira vez em 918. Vers\u00e3o em castelhano publicada pela primeira vez pelo Editorial Marxista, Barcelona, em 1937.<br \/>\nTradu\u00e7\u00e3o para o castelhano: Editorial Marxista, Barcelona, 1937.<br \/>\nFonte da presente vers\u00e3o: tomada da edi\u00e7\u00e3o do Editorial Marxista, Barcelona, 1937.<br \/>\nEsta edi\u00e7\u00e3o: Marxists Internet Archive, 2002. Digitalizado por Aritz.<\/p>\n<p>Fonte: <a href=\"http:\/\/www.resumenlatinoamericano.org\/2017\/11\/07\/revolucion-de-octubre-100-anos-el-comunismo-y-la-familia\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">http:\/\/www.<wbr \/>resumenlatinoamericano.org\/<wbr \/>2017\/11\/07\/revolucion-de-<wbr \/>octubre-100-anos-el-comunismo-<wbr \/>y-la-familia\/<\/a><\/p>\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o: Partido Comunista Brasileiro (PCB)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/17192\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[50,180,9],"tags":[234],"class_list":["post-17192","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c61-cultura-revolucionaria","category-feminista","category-s10-internacional","tag-6b"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-4ti","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17192","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=17192"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17192\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=17192"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=17192"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=17192"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}