{"id":17241,"date":"2017-11-16T13:07:54","date_gmt":"2017-11-16T16:07:54","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=17241"},"modified":"2017-11-16T13:07:54","modified_gmt":"2017-11-16T16:07:54","slug":"a-luta-contra-o-feminicidio-e-a-luta-contra-o-capital","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/17241","title":{"rendered":"A luta contra o feminic\u00eddio \u00e9 a luta contra o Capital!"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.campinas.br\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/jovem_foi__09112017101941-735x400.jpg\" alt=\"imagem\" \/><!--more-->Nota Pol\u00edtica do PCB \u2013 Campinas: Ana Paula Alencar, Presente!<\/p>\n<p>Ana Paula Alencar, Presente! A luta contra o feminic\u00eddio \u00e9 a luta contra o Capital!<\/p>\n<p>No dia 09\/11\/2017, mais um caso de feminic\u00eddio veio \u00e0 tona, desta vez na cidade de Mogi-Gua\u00e7u, na regi\u00e3o de Campinas. Ana Paula Alencar, de 21 anos, foi assassinada a facadas pelo seu ex-companheiro.<\/p>\n<p>Os jornais burgueses, como de costume, abordaram o ocorrido como mais um caso de disfun\u00e7\u00e3o conjugal e, portanto, a ser resolvido, sen\u00e3o entre quatro paredes, nos limites da cr\u00f4nica policial. No entanto, \u00e9 preciso dizer em alto e bom som: n\u00e3o s\u00f3 a subordina\u00e7\u00e3o material, f\u00edsica e moral da mulher pelo homem remonta tempos long\u00ednquos, mas tamb\u00e9m a propriedade de sua vida!<\/p>\n<p>A propriedade do homem sobre a vida da mulher n\u00e3o remonta apenas aos tempos em que o feminic\u00eddio era legitimado por lei, em casos de defesa da \u201chonra\u201d (dos homens propriet\u00e1rios, \u00e9 \u00f3bvio). A propriedade da mulher pelo homem remonta, antes, ao nascimento da fam\u00edlia monog\u00e2mica como resultado da divis\u00e3o social do trabalho na produ\u00e7\u00e3o de mercadorias, isto \u00e9, na g\u00eanese do capital, da propriedade privada e do Estado, como Friedrich Engels demonstrou com detalhes em <em>A origem da Fam\u00edlia, da Propriedade Privada e do Estado<\/em>.<\/p>\n<p>Nos diz Engels: \u201cO est\u00e1gio da produ\u00e7\u00e3o de mercadorias com que come\u00e7a a civiliza\u00e7\u00e3o caracteriza-se, do ponto de vista econ\u00f4mico, pela introdu\u00e7\u00e3o: 1) da moeda met\u00e1lica (e, com ela, o capital em dinheiro), dos juros e da usura; 2) dos comerciantes como classe intermedi\u00e1ria entre os produtores; 3) da propriedade privada da terra e da hipoteca; 4) do trabalho como forma predominante na produ\u00e7\u00e3o. A forma de fam\u00edlia que corresponde \u00e0 civiliza\u00e7\u00e3o e vence definitivamente com ela \u00e9 a monogamia, a supremacia do homem sobre a mulher, e a fam\u00edlia individual como unidade econ\u00f4mica da sociedade. (\u2026). Tamb\u00e9m s\u00e3o caracter\u00edsticas da civiliza\u00e7\u00e3o: (\u2026) a introdu\u00e7\u00e3o dos testamentos, por meio dos quais o propriet\u00e1rio pode dispor de seus bens mesmo depois de morto\u201d[1].<\/p>\n<p>Com o advento das bases iniciais do capitalismo, a mulher passa ao aprisionamento da propriedade privada e da fam\u00edlia. O direito materno sobre a prole \u00e9 extinto, dando lugar ao direito paterno, tendo como base fundadora, a partir da divis\u00e3o sexual do trabalho, a propriedade masculina sobre as terras e o capital. Bem entendido, o controle reprodutivo da mulher diante da quest\u00e3o da hereditariedade da propriedade privada \u00e9, portanto, essencial \u00e0 manuten\u00e7\u00e3o do poder e da ordem do capital. A monogamia, obviamente, \u00e9 imposta somente \u00e0 mulher, estando o homem, propriet\u00e1rio, livre para se relacionar com outras mulheres: a prostitui\u00e7\u00e3o aparece simultaneamente, n\u00e3o por acaso, como institui\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica estruturalmente ligada \u00e0 fam\u00edlia monog\u00e2mica e, portanto, como alicerce que a reproduz socialmente.<\/p>\n<p>\u00c9 \u00f3bvio que a moral da sociedade burguesa e sua classe dominante, em conflito F\u00e1ustico com sua sede de \u201cmais-valia\u201d, n\u00e3o impediu que as mulheres (dos trabalhadores) fossem lan\u00e7adas ao mercado de trabalho. Muito menos impediu que estas mesmas mulheres tivessem que passar, agora, a executar jornadas triplas para garantir n\u00e3o s\u00f3 a produ\u00e7\u00e3o de \u201cmais-valia\u201d absoluta, mas tamb\u00e9m \u201cmais-valia\u201d relativa, j\u00e1 que o trabalho dom\u00e9stico ajuda na reprodu\u00e7\u00e3o material da vida dos trabalhadores, diminuindo, assim, o valor da for\u00e7a de trabalho dispon\u00edvel no mercado para o desfrute da classe capitalista como um todo.<\/p>\n<p>A hist\u00f3ria nos mostra que a opress\u00e3o sobre as mulheres e o feminic\u00eddio n\u00e3o existe desde sempre. Ela come\u00e7a com o nascimento e o desenvolvimento da propriedade privada, do capital e do Estado. A emancipa\u00e7\u00e3o da mulher est\u00e1, portanto, intrinsecamente ligada \u00e0 luta contra a sociedade capitalista. A luta pela emancipa\u00e7\u00e3o da mulher \u00e9 a luta pela emancipa\u00e7\u00e3o do g\u00eanero humano.<\/p>\n<p>\u00c9 por isso que o PCB-Campinas vem a p\u00fablico demonstrar todo apoio, na individualidade do caso de Ana Paula Alencar, \u00e0 luta organizada de todas as mulheres e homens da classe trabalhadora contra o feminic\u00eddio e o capital.<\/p>\n<p>Ana Paula Alencar, Presente!<\/p>\n<p>A luta pela emancipa\u00e7\u00e3o da mulher \u00e9 a luta pela emancipa\u00e7\u00e3o de toda humanidade!<\/p>\n<p>A luta contra o feminic\u00eddio \u00e9 a luta contra o Capital!<\/p>\n<p>Lutar, criar, poder popular!<\/p>\n<p>PCB \u2013 Campinas<\/p>\n<p>1. ENGELS, Friedrich. A origem da fam\u00edlia, da propriedade privada e do Estado. p. 198 e 199. Editora Civiliza\u00e7\u00e3o Brasileira. Rio de Janeiro. 1987.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/17241\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[180,26],"tags":[226],"class_list":["post-17241","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-feminista","category-c25-notas-politicas-do-pcb","tag-4b"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-4u5","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17241","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=17241"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17241\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=17241"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=17241"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=17241"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}