{"id":17253,"date":"2017-11-17T17:07:41","date_gmt":"2017-11-17T20:07:41","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=17253"},"modified":"2017-11-18T17:13:05","modified_gmt":"2017-11-18T20:13:05","slug":"relatorio-confirma-colaboracao-ativa-da-volkswagen-com-ditadura-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/17253","title":{"rendered":"Relat\u00f3rio confirma colabora\u00e7\u00e3o ativa da Volkswagen com ditadura no Brasil"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.cartacapital.com.br\/sociedade\/relatorio-confirma-colaboracao-ativa-da-volks-com-ditadura-no-brasil\/volkswagen.jpg\/%40%40images\/6a586b8e-ba40-4244-a2ef-b04d120e218d.jpeg?w=747&#038;ssl=1\" alt=\"imagem\" \/><!--more-->Um relat\u00f3rio da investiga\u00e7\u00e3o realizada pelo Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal (MPF) confirma que a montadora alem\u00e3 Volkswagen colaborou de maneira sistem\u00e1tica e ativa com o regime militar no Brasil, noticiaram o jornal alem\u00e3o\u00a0<em>S\u00fcddeutsche Zeitung<\/em>\u00a0e a emissora NDR nesta quarta-feira (15\/11), ap\u00f3s terem acesso ao documento de 406 p\u00e1ginas.<\/p>\n<p>O relat\u00f3rio aponta que a filial brasileira da Volkswagen espionou os pr\u00f3prios funcion\u00e1rios, com interesse de descobrir opini\u00f5es pol\u00edticas, e documentou a espionagem por escrito. Essa documenta\u00e7\u00e3o era enviada ao Departamento de Ordem Pol\u00edtica e Social (Dops).<\/p>\n<p>&#8220;A Volks teve um papel ativo. A montadora n\u00e3o foi obrigada a isso. Eles fizeram parte porque queriam&#8221;, conclui Guaracy Mingardi, perito que assina o relat\u00f3rio do MPF.<\/p>\n<p>O documento \u00e9 pe\u00e7a fundamental no inqu\u00e9rito contra a Volkswagen, aberto em setembro de 2015, ap\u00f3s um pedido de v\u00e1rios sindicatos e da Comiss\u00e3o Nacional da Verdade (CNV).<\/p>\n<p>O relat\u00f3rio do MPF conclui ainda que o departamento de seguran\u00e7a da montadora permitiu a pris\u00e3o de funcion\u00e1rios dentro de suas f\u00e1bricas, mesmo sem mandados. Ap\u00f3s a deten\u00e7\u00e3o, funcion\u00e1rios que eram considerados opositores ao regime foram torturados durante meses.<\/p>\n<p>O documento acusa ainda a Volks de ter observado os funcion\u00e1rios antes das pris\u00f5es. &#8220;\u00c9 improv\u00e1vel que a Volkswagen n\u00e3o tenha participado ativamente dessas investiga\u00e7\u00f5es&#8221;, destaca o texto e acrescenta que o departamento de seguran\u00e7a da montadora teve um papel central na atividade repressora. V\u00e1rios ex-soldados foram contratados pela empresa para trabalhar como seguran\u00e7as.<\/p>\n<p>O relat\u00f3rio aponta ainda que a Volkswagen teve um papel de lideran\u00e7a em encontros de empresas nacionais e internacionais que tinham uma lista negra de funcion\u00e1rios. Segundo o documento do MPF, logo ap\u00f3s o golpe de 1964, a filial brasileira da Volks compartilhava da ideologia do regime e, a partir do fim da d\u00e9cada de 1970, tinha interesses comerciais, ao desejar utilizar o &#8220;maquin\u00e1rio repressivo do Estado&#8221; para impedir greves.<\/p>\n<p>O documento n\u00e3o aborda qu\u00e3o profundo seria o conhecimento da sede da montadora, em Wolfsburg, na Alemanha, sobre as atividades da filial brasileira. Por\u00e9m, uma an\u00e1lise extensa de documenta\u00e7\u00f5es, realizada por um historiador contratado pela Volks, sugeriu que a sede tomou conhecimento destes atos \u2013 o mais tardar em 1979.<\/p>\n<p><strong>Volks em sil\u00eancio<\/strong><\/p>\n<p>Desde a divulga\u00e7\u00e3o de um relat\u00f3rio da CNV sobre a Volkswagen h\u00e1 quase tr\u00eas anos, a empresa n\u00e3o comentou as acusa\u00e7\u00f5es e, em 2016, nomeou para uma investiga\u00e7\u00e3o sobre seu passado o historiador Christopher Kopper, que concluiu seu trabalho, confirmando a exist\u00eancia de &#8220;uma colabora\u00e7\u00e3o regular&#8221; entre o departamento de seguran\u00e7a da filial brasileira e o \u00f3rg\u00e3o policial do regime militar.<\/p>\n<p>Ao\u00a0<em>S\u00fcddeustche Zeitung,<\/em>\u00a0a montadora disse que marcou para meados de dezembro uma reuni\u00e3o com antigos funcion\u00e1rios afetados no Brasil.<\/p>\n<p>O pedido de inqu\u00e9rito contra a Volkswagen foi feito ap\u00f3s a conclus\u00e3o da investiga\u00e7\u00e3o realizada pela CNV, em dezembro de 2014. A montadora \u00e9 acusada de viola\u00e7\u00e3o dos direitos humanos dentro de suas f\u00e1bricas em S\u00e3o Bernardo do Campo entre 1964 e 1985.<\/p>\n<p>A comiss\u00e3o constatou que alguns galp\u00f5es que a empresa tinha numa f\u00e1brica de S\u00e3o Bernardo do Campo foram cedidos aos militares, que os usaram como centros de deten\u00e7\u00e3o e tortura. Al\u00e9m disso, a CNV sustentou que encontrou provas que a multinacional alem\u00e3 doou ao regime militar cerca de 200 ve\u00edculos, depois usados pelos servi\u00e7os de repress\u00e3o.<\/p>\n<p>Ilustra\u00e7\u00e3o: F\u00e1brica da Volkswagen em S\u00e3o Paulo, em 1953. Volkswagen do Brasil<\/p>\n<p>http:\/\/operamundi.uol.com.br\/conteudo\/geral\/48387\/<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/17253\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"Relat\u00f3rio confirma colabora\u00e7\u00e3o ativa da Volkswagen com ditadura no Brasil","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[53],"tags":[226],"class_list":["post-17253","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c64-ditadura","tag-4b"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-4uh","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17253","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=17253"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17253\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=17253"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=17253"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=17253"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}