{"id":1728,"date":"2011-08-05T18:53:47","date_gmt":"2011-08-05T18:53:47","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=1728"},"modified":"2011-08-05T18:53:47","modified_gmt":"2011-08-05T18:53:47","slug":"eua-uma-mentira-de-16-bilhoes-de-dolares","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/1728","title":{"rendered":"EUA: Uma mentira de 16 bilh\u00f5es de d\u00f3lares"},"content":{"rendered":"\n<p>A aten\u00e7\u00e3o da opini\u00e3o p\u00fablica internacional esta centrada no acordo desvantajoso firmado entre Barack Obama e o Congresso diante do qual o presidente compromete-se a aplicar um duro programa de ajuste fiscal, centrado no corte de gastos sociais (sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o, alimenta\u00e7\u00e3o) e infra-estrutura por 2.5 bilh\u00f5es (2.500.000 milh\u00f5es de d\u00f3lares), por\u00e9m, preservando, como exige o Tea Party, o n\u00edvel atual do gasto militar e sua eventual expans\u00e3o. Em troca disso, a Casa Branca recebeu a autoriza\u00e7\u00e3o para elevar a d\u00edvida dos Estados Unidos a 16,4 bilh\u00f5es de d\u00f3lares (ou seja, 16.400.000 milh\u00f5es de d\u00f3lares), cifra superior em dois bilh\u00f5es ao PIB desse pa\u00eds. Com isso espera-se \u2013 confiando na \u201cmagia dos mercados\u201d- superar a crise da d\u00edvida p\u00fablica e reativar a debilitada economia norte-americana. Esta receita j\u00e1 foi implementada a ferro e fogo na Am\u00e9rica Latina e n\u00e3o funcionou; e tampouco o fez na convulsionada Europa destes dias. Com este acordo, a \u00fanica coisa segura ser\u00e1 o agravamento da crise e, de quebra, a acentua\u00e7\u00e3o da belicosidade norte-americana no cen\u00e1rio mundial.<\/p>\n<p>\u201c<strong>Socialismo\u201d para os ricos, mercado para os pobres<\/strong><\/p>\n<p>O debate sobre o poss\u00edvel default dos EUA eclipsou por completo um esc\u00e2ndalo financeiro de in\u00e9ditas propor\u00e7\u00f5es: No dia 21 de julho passado, conheceu-se o resultado da auditoria integral realizada pela Oficina Governamental de Rendi\u00e7\u00f5es de Contas (Government Accountability Office, GAO, sua sigla em ingl\u00eas) na Reserva Federal (Fed), o banco central dos Estados Unidos, a primeira que praticou a dita institui\u00e7\u00e3o desde que foi criada em 1913. (1) Os resultados s\u00e3o pasmosos: num prazo de pouco mais de dois anos e meio, entre 1\u00ba de Dezembro de 2007 e 21 de julho de 2010, o Fed outorgou empr\u00e9stimos secretos a grandes corpora\u00e7\u00f5es e empresas do setor financeiro de 16 bilh\u00f5es de d\u00f3lares, uma cifra maior que o PIB dos Estados Unidos que no ano 2010 foi de 14.5 bilh\u00f5es de d\u00f3lares e mais elevada que a soma dos or\u00e7amentos do governo federal durante os \u00faltimos quatro anos. N\u00e3o s\u00f3 isso: a auditoria revelou tamb\u00e9m que 659 milh\u00f5es de d\u00f3lares foram abonados a algumas das institui\u00e7\u00f5es financeiras beneficiadas arbitrariamente por este programa para que administrassem o multimilion\u00e1rio regaste de bancos e corpora\u00e7\u00f5es disposto como mecanismo de \u201csa\u00edda\u201d da nova crise geral do capitalismo. Desse gigantesco montante, uns 3 bilh\u00f5es foram destinados a socorrer grandes empresas e entidades financeiras em Europa e \u00c1sia. O resto foi orientado ao resgate de corpora\u00e7\u00f5es estadunidenses, encabe\u00e7adas pelo Citibank, o Morgan Stanley, Merril Lynch e o Bank of America, entre as mais importantes. Tudo isso enquanto a crise aprofundava a n\u00edveis desconhecidos a desigualdade econ\u00f4mica dentro da popula\u00e7\u00e3o americana, ao mesmo tempo em que afundava crescentes setores sociais na pobreza e na vulnerabilidade social. \u00c9 \u00f3bvio que esta informa\u00e7\u00e3o mereceu um espa\u00e7o completamente marginal na imprensa financeira, tanto a internacional como a norte-americana ou nos grandes meios de comunica\u00e7\u00e3o dos Estados Unidos. S\u00e3o not\u00edcias que, como lembra Noam Chomsky, n\u00e3o t\u00eam porque ser conhecidas pelo grande p\u00fablico.<\/p>\n<p>As assombrosas revela\u00e7\u00f5es deste informe deveriam gerar uma discuss\u00e3o, sobre v\u00e1rios temas de grande import\u00e2ncia. Um, por causa da extremada desigualdade de distribui\u00e7\u00e3o dos esfor\u00e7os requeridos para enfrentar a crise. At\u00e9 agora aqueles tinham sido aportados pelos trabalhadores, enquanto que grandes fortunas pessoais ou corporativas assim como os fenomenais ingressos dos mais ricos, se tinham beneficiado com as baixas de impostos e resgates multimilion\u00e1rios dispostos por George W. Bush e ratificados por Barack Obama no recente acordo. Dois, sobre os inexistentes \u2013ou sumamente d\u00e9beis e ineficazes- mecanismos de auditoria e controle democr\u00e1tico sobre as pol\u00edticas e decis\u00f5es de uma institui\u00e7\u00e3o crucial para a economia norte-americana e o bem-estar de sua povoa\u00e7\u00e3o como a Fed. Tr\u00eas, sobre a duvidosa compatibilidade existente entre uma ordem que se auto-proclama democr\u00e1tica e o estatuto jur\u00eddico e institucional do FED como entidade aut\u00f4noma que n\u00e3o tem a obriga\u00e7\u00e3o de render contas ante nenhuma inst\u00e2ncia de controle democr\u00e1tico. Em rela\u00e7\u00e3o a este \u00faltimo o Fed manifestou sua predisposi\u00e7\u00e3o a \u201cconsiderar muito seriamente\u201d as recomenda\u00e7\u00f5es da GAO, mas por n\u00e3o ser uma institui\u00e7\u00e3o governamental n\u00e3o pode ser for\u00e7ada a aceit\u00e1-las. Pese seu car\u00e1ter privado, o Presidente (Chairman) do FED e os sete membros de sua diretoria s\u00e3o designados pelo Presidente dos Estados Unidos e sujeitos a sua posterior confirma\u00e7\u00e3o pelo Senado.<\/p>\n<p>Mas contrariamente ao que pensa a grande maioria da popula\u00e7\u00e3o norte-americana o Fed n\u00e3o \u00e9 uma ag\u00eancia do governo federal, sen\u00e3o uma corpora\u00e7\u00e3o privada. Em termos pol\u00edticos \u00e9 o partido do capital financeiro. Sua autonomia \u00e9 t\u00e3o grande que n\u00e3o sairia um mil\u00edmetro da legalidade si suas autoridades decidissem n\u00e3o escutar as recomenda\u00e7\u00f5es da GAO ou rebelar-se abertamente contra elas. N\u00e3o existe, para o Fed, a presta\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica de contas ante a comunidade e, por ser uma entidade de direito privado, n\u00e3o tem porque acatar sequer o disposto na Lei de Liberdade de Informa\u00e7\u00e3o, cuja jurisdi\u00e7\u00e3o se estende t\u00e3o somente a institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas. Situa\u00e7\u00e3o aberrante: uma cifra equivalente ao total da d\u00edvida p\u00fablica americana que p\u00f4s os EUA \u00e0 beira do default foi desembolsada e resgates fraudulentos, secretos e muito beneficentes para os que tomaram os empr\u00e9stimos e lesivos ao contribuinte, com cujo dinheiro um banco central \u201cindependente\u201d como o Fed financiou toda esta opera\u00e7\u00e3o. Cabe perguntar-se: independente de quem?<\/p>\n<p><strong>Conspira\u00e7\u00e3o de sil\u00eancio?<\/strong><\/p>\n<p>O esc\u00e2ndalo revelado pela auditoria n\u00e3o teve quase nenhuma repercuss\u00e3o os EUA. O \u201cChairman\u201d do FED, Ben Bernanke, se fez de desentendido e expressou que nos momentos em que se temia um default deste pa\u00eds, o importante era resguardar a credibilidade do FED e do sistema monet\u00e1rio americano. Pese que o GAO \u00e9 um \u00f3rg\u00e3o de apoio aos trabalhos do Congresso as rea\u00e7\u00f5es dos representantes e senadores ante a divulga\u00e7\u00e3o do informe foi a do mais absoluto e imoral sil\u00eancio. At\u00e9 onde pudemos indagar uma das pouqu\u00edssimas vozes foi a do senador Bernie Sanders, do estado de Vermont. Sanders \u00e9 uma ave rara n\u00e3o somente no Congresso sen\u00e3o na pol\u00edtica americana: \u00e9 um pol\u00edtico que se declara como socialista e que foi eleito como candidato independente em alian\u00e7a com o partido democrata, \u00fanica maneira de superar o asfixiante bipartidarismo imperante nos EUA. Eleito como Senador em 2007 com 65% dos votos, um aluvi\u00e3o eleitoral bem pouco freq\u00fcente na pol\u00edtica desse pa\u00eds, foi apoiado por diversos movimentos sociais e pequenas organiza\u00e7\u00f5es pol\u00edticas de Vermont. Sanders reagiu duramente quando se conheceu o informe (2). Transcrevemos abaixo alguns par\u00e1grafos mais importantes destacados da declara\u00e7\u00e3o emitida por seu escrit\u00f3rio de imprensa, que praticamente n\u00e3o foi divulgada por nenhum meio de comunica\u00e7\u00e3o dos EUA, e que diz o seguinte:<\/p>\n<p>21 de Julho, 2011.<\/p>\n<p>&#8220;A primeira auditoria integral da Reserva Federal descobriu novos assombrosos detalhes sobre como os EUA administraram a ninharia de 16bilh\u00f5es de d\u00f3lares (16.000.000 de milh\u00f5es) em empr\u00e9stimos secretos para resgatar bancos e empresas americanas e estrangeiras durante a pior crise econ\u00f4mica desde a Grande Depress\u00e3o de 29. Uma emenda proposta pelo senador Bernie Sanders a lei de reforma de Wall Street- aprovada faz exatamente um ano atr\u00e1s esta semana- tinha pedido ao Gabinete Governamental Presta\u00e7\u00e3o de Contas (Governmet Accountability Office) para levar a cabo este exame: \u201cComo resultado desta auditoria agora sabemos que a Reserva federal administrou mais de 16 bilh\u00f5es de d\u00f3lares em assist\u00eancia financeira total a algumas grandes corpora\u00e7\u00f5es e institui\u00e7\u00f5es financeiras nos EUA e no resto do mundo\u201d, disse Sanders \u201cEste \u00e9 um clar\u00edssimo caso de socialismo para os ricos e descarado individualismo tipo \u201csalve-se que puder\u201d para os demais\u201d.<\/p>\n<p>Esclarecimento: a GAO \u00e9 uma ag\u00eancia independente e n\u00e3o partid\u00e1ria que trabalha para o Congresso dos EUA. A miss\u00e3o da GAO \u00e9 investigar forma com a qual o Governo Federal disp\u00f5e dos d\u00f3lares dos contribuintes. O chefe da GAO \u00e9 o Controlador Geral dos EUA \u00e9 designado por um per\u00edodo de 15 anos pelo Presidente a partir de uma lista de candidatos elaborada pelo Congresso. O chefe atual da GAO \u00e9 Gene L. Dodaro, que foi nomeado pelo presidente Barak Obamna em Setembro de 2010 e confirmado em seu cargo em Dezembro desse mesmo ano ao ser confirmado em seu posto pelo Senado.        (Nota de A. Boron)<\/p>\n<p>Entre outras coisas a auditoria estabeleceu que a Reserva Federal \u201ccarece de um sistema suficientemente exaustivo para tratar casos de conflitos de interesses, apesar de que existem s\u00e9rios riscos de abusos neste sentido.De fato, segundo a auditoria a Reserva Federal emitiu dispensas de conflitos de interesses a favor de empregados e contratistas privados a fim de que pudessem manter seus investimentos nas mesmas corpora\u00e7\u00f5es e institui\u00e7\u00f5es financeiras que recebiam empr\u00e9stimos de emerg\u00eancia.\u201d<\/p>\n<p>\u201cPor exemplo, o CEO de JP Morgan Chase cumpria fun\u00e7\u00f5es na Dire\u00e7\u00e3o da Reserva federal de Nova Iorque enquanto seu banco recebia mais de 390 milh\u00f5es de d\u00f3lares em ajuda financeira por parte da Reserva Federal. Al\u00e9m disso, JP Morgan Chase atuava como um dos bancos de compensa\u00e7\u00e3o de programas de empr\u00e9stimos de emerg\u00eancia do FED.\u201d<\/p>\n<p>\u201cOutra descoberta perturbadora da GAO \u00e9 a que se refere ao dia 19 de setembro de 2008, em que o senhor William Dudley, presidente da Reserva Federal de Nova Iorque, recebeu uma dispensa para permitir-lhe conservar seus investimentos em AIG ( American International Group, um l\u00edder mundial no campo de seguros) e GE (General Electric) enquanto estas companhias recebiam fundos de resgate. Uma raz\u00e3o pela qual o Fed n\u00e3o obrigou a Dudley a vender suas a\u00e7\u00f5es, segundo a auditoria, foi porque tal a\u00e7\u00e3o poderia ter criado apar\u00eancia de um conflito de interesses).<\/p>\n<p>\u201cA investiga\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m revelou que a Fed terceirizava contratistas privados como JP Morgan Chase, Morgan Stanley e Wells Fargo para maioria de seus programas de empr\u00e9stimos. Estas mesmas tamb\u00e9m recebiam bilh\u00f5es de d\u00f3lares do FED por empr\u00e9stimos concedidos a taxas de juros pr\u00f3ximas a zero.\u201d<\/p>\n<p>Os principais beneficiados destes empr\u00e9stimos, concedidos entre 1\u00ba de Dezembro de 2007 e 21 de julho de 2010 s\u00e3o os seguintes:<\/p>\n<p>Citigroup: $2.5 bilh\u00f5es ($2,500,000,000,000)<\/p>\n<p>Morgan Stanley: $2.04 bilh\u00f5es ($2,040,000,000,000)<\/p>\n<p>Merrill Lynch: $1.949 bilh\u00f5es ($1,949,000,000,000)<\/p>\n<p>Bank of America: $1.344 bilh\u00f5es ($1,344,000,000,000)<\/p>\n<p>Barclays PLC (United Kingdom): $868 mil milh\u00f5es ($868,000,000,000)<\/p>\n<p>Bear Sterns: $853 mil milh\u00f5es ($853,000,000,000)<\/p>\n<p>Goldman Sachs: $814 mil milh\u00f5es ($814,000,000,000)<\/p>\n<p>Royal Bank of Scotland (UK): $541 mil milh\u00f5es ($541,000,000,000)<\/p>\n<p>JP Morgan Chase: $391 mil milh\u00f5es ($391,000,000,000)<\/p>\n<p>Deutsche Bank (Germany): $354 mil milh\u00f5es ($354,000,000,000)<\/p>\n<p>UBS (Switzerland): $287 mil milh\u00f5es ($287,000,000,000)<\/p>\n<p>Credit Suisse (Switzerland): $262 mil milh\u00f5es ($262,000,000,000)<\/p>\n<p>Lehman Brothers: $183 mil milh\u00f5es ($183,000,000,000)<\/p>\n<p>Bank of Scotland (United Kingdom): $181 mil milh\u00f5es ($181,000,000,000)<\/p>\n<p>BNP Paribas (France): $175 mil milh\u00f5es ($175,000,000,000)<\/p>\n<p>Wells Fargo &amp; Co.: $159 mil milh\u00f5es ($159,000,000,000)<\/p>\n<p>Dexia SA (Belgium): $159 mil milh\u00f5es ($159,000,000,000)<\/p>\n<p>Wachovia Corporation: $142 mil milh\u00f5es ($142,000,000,000)<\/p>\n<p>Dresdner Bank AG (Germany): $135 mil milh\u00f5es ($135,000,000,000)<\/p>\n<p>Societe Generale SA (France): $124 mil milh\u00f5es ($124,000,000,000)<\/p>\n<p>Todos los dem\u00e1s: $2,6 bilh\u00f5es ($ 2,639,000,000,000)<\/p>\n<p>Total: $16.115 bilh\u00f5es ($ 16.115.000.000.000)<\/p>\n<p>Notas:<\/p>\n<p>(1) A vers\u00e3o completa do informe da GAO pode ser consultada no: <a href=\"http:\/\/www.gao.gov\/new.items\/d11696.pdf\" target=\"_blank\">http:\/\/www.gao.gov\/new.items\/d11696.pdf<\/a><\/p>\n<p>(2) Ver suas declara\u00e7\u00f5es no: <a href=\"http:\/\/sanders.senate.gov\/newsroom\/news\/?id=9e2a4ea8-6e73-4be2-a753-62060dcbb3c3\" target=\"_blank\">http:\/\/sanders.senate.gov\/newsroom\/news\/?id=9e2a4ea8-6e73-4be2-a753-62060dcbb3c3<\/a><\/p>\n<p>Ma\u00eds informa\u00e7\u00f5es: <a href=\"http:\/\/alainet.org\/\" target=\"_blank\">http:\/\/alainet.org<\/a><\/p>\n<p>RSS: <a href=\"http:\/\/alainet.org\/rss.phtml\" target=\"_blank\">http:\/\/alainet.org\/rss.phtml<\/a> Twitter: <a href=\"http:\/\/twitter.com\/ALAIinfo\" target=\"_blank\">http:\/\/twitter.com\/ALAIinfo<\/a><\/p>\n<p>Agencia Latinoamericana de Informaci\u00f3n<\/p>\n<p>email: <a href=\"mailto:info%40alainet.org\" target=\"_blank\">info@alainet.org<\/a><\/p>\n<p>Inscri\u00e7\u00f5es: <a href=\"http:\/\/listas.alainet.org\/listas\/subscribe\/alai-amlatina\" target=\"_blank\">http:\/\/listas.alainet.org\/listas\/subscribe\/alai-amlatina<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n\n\nCr\u00e9dito: 3.bp.blogspot\n\n\n\n\n\n\n\n\nAtilio A. Boron\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/1728\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[38],"tags":[],"class_list":["post-1728","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c43-imperialismo"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-rS","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1728","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1728"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1728\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1728"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1728"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1728"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}