{"id":1732,"date":"2011-08-08T12:23:00","date_gmt":"2011-08-08T12:23:00","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=1732"},"modified":"2011-08-08T12:23:00","modified_gmt":"2011-08-08T12:23:00","slug":"peru-contradicoes-e-potencialidades-de-uma-nova-sitiacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/1732","title":{"rendered":"Peru: Contradi\u00e7\u00f5es e potencialidades de uma nova sitia\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Com a recente elei\u00e7\u00e3o de Ollanta Humala para a presid\u00eancia do Peru abriu-se nesse pa\u00eds uma perspectiva de mudan\u00e7a. A candidatura directamente apoiada pelos EUA foi derrotada.<\/em><\/p>\n<p><em>A nova situa\u00e7\u00e3o \u00e9, naturalmente, muito contradit\u00f3ria. O <a href=\"http:\/\/diario.info\/\" target=\"_blank\">diario.info<\/a> publica hoje tr\u00eas artigos que podem ajudar a compreender a complexidade da situa\u00e7\u00e3o existente.<\/em><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<hr \/>\n<p><strong>Humala na corda bamba*<\/strong><\/p>\n<p>Guillermo Almeyra<\/p>\n<p><em>As repercuss\u00f5es da vit\u00f3ria de Humala ser\u00e3o maiores no plano internacional do que no nacional. Se a sua presid\u00eancia refor\u00e7a a linha de independ\u00eancia anti imperialista seguida por v\u00e1rios governos na Am\u00e9rica Latina, no plano nacional, em contrapartida, \u00e9 muito prov\u00e1vel que os ind\u00edgenas e os pobres v\u00e3o exigir respostas para as suas reclama\u00e7\u00f5es que o novo governo n\u00e3o atender\u00e1, uma vez que n\u00e3o pode nem quer afrontar os interesses das grandes empresas mineiras e a direita apoiada pelo imperialismo.<\/em><\/p>\n<p>Ollanta Humala nunca foi um homem de esquerda. \u00c9 muito mais um militar nacionalista e indigenista moderado e com confusas ideias etnocaceristas. Se conseguiu o apoio do direitista Mario Vargas Llosa e do ex-presidente ind\u00edgena Alejandro Toledo, isso n\u00e3o ficou tanto a dever-se ao abandono de boa parte do seu programa inicial \u2013 mais radical porque colocava a ideia de uma assembleia constituinte e a possibilidade de algumas estatiza\u00e7\u00f5es e de modifica\u00e7\u00f5es no sistema de impostos \u2013 mas \u00e0 maleabilidade do candidato, que mostrou ser sens\u00edvel \u00e0s press\u00f5es do centro-direita.<\/p>\n<p>A import\u00e2ncia do seu triunfo eleitoral n\u00e3o reside tanto na sua aud\u00e1cia ou nas suas posi\u00e7\u00f5es mas em ter evitado que o Per\u00fa voltasse a cair nas m\u00e3o da direita repressora, corrupta e ditatorial que tinha apoiado Alan Garcia e Alberto Fujimori e que, em bloco, votou desta vez em Keiko Fujimori, que se rodeou dos piores elementos que tinham apoiado a ditadura do seu pai.<\/p>\n<p>A elei\u00e7\u00e3o colocou meio Per\u00fa contra a outra metade. Por Humala votaram os ind\u00edgenas da serra e do sul, e os intelectuais atemorizados pelo perigo de uma nova ditadura fujimorista; por Keiko Fujimori votaram os pobres mais recuados das cidades, a maioria das camadas urbanas m\u00e9dias, conservadoras e racistas, e as direitas unidas, apoiadas e estimuladas pela embiaxada dos EUA. Os votos de Humala reivindicam terra, direitos, respeito e dignidade e op\u00f5em-se \u00e0 destrui\u00e7\u00e3o dos seus territ\u00f3rios pela grande minera\u00e7\u00e3o estrangeira, que \u00e9 o esteio do grande capital no Peru. Os votos de Fujimori que realmente contam, os da direita empresarial e rentista, querem evitar que os sectores populares se organizem e mobilizem, e conquistem espa\u00e7os de poder. \u00c9 por isso que a reac\u00e7\u00e3o da Bolsa de Lima, imediatamente ap\u00f3s ser conhecida a vit\u00f3ria de Humala, foi uma queda catastr\u00f3fica de t\u00edtulos que obrigou ao seu encerramento, ou seja, foi um semi-golpe financeiro.<\/p>\n<p>As repercuss\u00f5es da vit\u00f3ria de Humala ser\u00e3o maiores no plano internacional do que no nacional, na medida em que a sua presid\u00eancia refor\u00e7a Rafael Correa, no Equador, e Evo Morales, na Bol\u00edvia, e tamb\u00e9m porque Humala procurar\u00e1 um estreito entendimento, nas \u00e1reas pol\u00edtica e con\u00f3mica, com o Brasil, refor\u00e7ando desse modo a influ\u00eancia brasileira \u2013 conservadora \u2013 face aos EUA e a constru\u00e7\u00e3o de cord\u00e3o sino-brasileiro que ligue a costa atl\u00e2ntica com a do Pac\u00edfico. Para al\u00e9m disto, rompeu-se o elo central da cadeia que unia Col\u00f4mbia, Peru e Chile no apoio a Washington e que assegurava ao imperialismo o controlo da costa do Pac\u00edfico na Am\u00e9rica do Sul.<\/p>\n<p>No plano nacional, em contrapartida, \u00e9 muito prov\u00e1vel que os ind\u00edgenas e os pobres que votaram massivamente Humala lhe v\u00e3o exigir respostas para as suas reclama\u00e7\u00f5es econ\u00f3micas, sociais, ambientais e democr\u00e1ticas, e entrem em conflito com um governo que nem pode nem quer defrontar-se com a grande minera\u00e7\u00e3o estrangeira e com a direita apoiada pelo imperialismo. Humala, como bom militar e como ref\u00e9m dos seus aliados, seguramente que procurar\u00e1 tergiversar, e acabar\u00e1 por reprimir. Perante a impossibilidade de vit\u00f3ria das guerrilhas e da revolu\u00e7\u00e3o em geral, o general nacionalista Velasco Alvarado realizou uma \u201crevolu\u00e7\u00e3o passiva\u201d (aplicando a concep\u00e7\u00e3o de Gramsci), decapitou o latif\u00fandio e eliminou a servid\u00e3o no sentido de modernizar em termos capitalistas o Peru rural.<\/p>\n<p>Humala, todavia, n\u00e3o disp\u00f5e sequer de condi\u00e7\u00f5es para tentar repetir o velasquismo, porque nem a burguesia est\u00e1 assustada perante uma rebeli\u00e3o ind\u00edgena, nem existe no Peru uma esquerda relevante, nem conta com a maioria dos altos comandos nas for\u00e7as armadas. O seu \u201cprogressismo\u201d tem, portanto, grandes limites, a n\u00e3o ser que os aymaras de Punos e os quechuas do resto das serras peruanas, influenciados pelo exemplo boliviano, rompam os limites que o novo presidente pretender\u00e1 impor. Sobretudo porque, para pressionar o Chile e obter uma sa\u00edda para o mar, ir\u00e1 crescer na Bol\u00edvia a ideia de refor\u00e7ar os la\u00e7os com o Peru para fazer reviver parcialmente, agora em novas condi\u00e7\u00f5es para afrontar o imperialismo estado-unidense e a oligarquia chilena, a ef\u00e9mera Confedera\u00e7\u00e3o peruano-boliviana que foi derrotada pela alian\u00e7a entre o imperialismo brit\u00e2nico e a oligarquia chilena. O general C\u00e1ceres, \u201cel Taita\u201d, o \u201cher\u00f3i dos Andes\u201d, como \u00e9 sabido acabou a reprimir os mesmo ind\u00edgenas em que se tinha apoiado para derrotar os chilenos com a sua guerra de guerrilhas.<\/p>\n<p>O cacerista Humala optou j\u00e1, antes mesmo de chegar ao pal\u00e1cio de Pizarro, por se limitar a seguir a pol\u00edtica que fracassou com o governo do ind\u00edgena Toledo, ex-funcion\u00e1rio das institui\u00e7\u00f5es imperialistas internacionais, juntando-lhe apenas a promessa de conseguir que as empresas mineiras paguem um imposto sobre os superlucros, coisa que elas se recusar\u00e3o a cumprir. As op\u00e7\u00f5es s\u00e3o, por conseguinte, a prepara\u00e7\u00e3o de um golpe anti Humala ou a asfixia \u201cpac\u00edfica\u201d do novo governo atrav\u00e9s de uma s\u00e9rie de press\u00f5es econ\u00f3micas ou, no campo oposto a cria\u00e7\u00e3o, a partir do apoio alcan\u00e7ado por Ollanta Humala, de uma esquerda peruana que aprofunde e radicalize o processo agora apenas poss\u00edvel. Mas isso requereria um intervalo relativamente alargado e confuso, j\u00e1 que n\u00e3o existe o n\u00facleo de uma tal esquerda anti-capitalista nem nenhuma das for\u00e7as existentes com relativa import\u00e2ncia coloca as bases program\u00e1ticas para uma tal luta. O mais previs\u00edvel, portanto, ser\u00e1 uma aguda instabilidade social e pol\u00edtica no Peru, com um governo nacionalista dan\u00e7ando na corda bamba.<\/p>\n<p><em>*La Jornada, 12\/6\/2011<\/em><\/p>\n<p><em><\/p>\n<p><\/em><\/p>\n<hr \/>\n<p><strong> Ollanta Humala: renova\u00e7\u00e3o da podrid\u00e3o pol\u00edtica no Peru<\/strong><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Lu\u00eds Arce Borja<\/p>\n<p><em>A tomada de posse de Ollanta Humala e do novo parlamento peruano trazem consigo ind\u00edcios preocupantes: a liberta\u00e7\u00e3o do criminoso Fujimori, uma larga percentagem de congressistas corruptos. S\u00e3o ind\u00edcios negativos num processo carregado de contradi\u00e7\u00f5es.<\/em><\/p>\n<p>Se as elei\u00e7\u00f5es presidenciais de 5 de Junho no Per\u00fa j\u00e1 serviram para alguma coisa, ser\u00e1 para trazer \u00e0 superf\u00edcie de novo a podrid\u00e3o e a mis\u00e9ria moral neste pa\u00eds. Tiveram in\u00edcio os pactos secretos entre as m\u00e1fias que entram e as m\u00e1fias que saem do pal\u00e1cio presidencial. Ollanta Humala e Alan Garc\u00eda puseram-se de acordo para libertar Fujimori. No parlamento concretizou-se uma alian\u00e7a entre humalistas, apristas, toledistas e fujimoristas para proteger parlamentares delinquentes e para \u201cindemnizar\u201d os chamados \u201cpais da p\u00e1tria\u201d que se v\u00e3o embora a 28 de Julho levando consigo a milion\u00e1ria quantia de 220 mil soles, o que em moeda estrangeira representa mais de 79 mil d\u00f3lares.<\/p>\n<p>Ollanta Humala j\u00e1 come\u00e7ou a fazer declara\u00e7\u00f5es que evidenciam sua face de troca-tintas que j\u00e1 se tinha manifestado no decurso da sua sinuosa campanha eleitoral. Em 6 de Junho, um dia depois de ter ganho as elei\u00e7\u00f5es presidenciais declarou \u00e0 emiss\u00e3o espanhola da cadeia CNN que libertaria Alberto Fujimori: \u201cSim, dar-lhe-ia o indulto por raz\u00f5es humanit\u00e1rias. N\u00e3o h\u00e1 raz\u00e3o para que algu\u00e9m morra na pris\u00e3o\u201d, disse. Reiterou a sua inten\u00e7\u00e3o de libertar o criminoso e corrupto ex-presidente peruano em diversos meios de comunica\u00e7\u00e3o social no Peru e no estrangeiro.<\/p>\n<p>Alguns dias depois do an\u00fancio da inten\u00e7\u00e3o de libertar Fujimori, realizou-se uma reuni\u00e3o entre o presidente cessante Alan Garcia P\u00e9rez e Ollanta Humala. Esta \u201ccimeira\u201d serviu para acordar se o mafioso Fujimori seria libertado antes ou depois de 28 de Julho. O dilema a resolver entre o presidente aprista e o \u201ccapit\u00e3o Carlos\u201d, mais conhecido como Humala, era saber quem teria a honra de libertar o padrinho. Paralelamente a esta reuni\u00e3o presidencial o cardeal Juan Lu\u00eds Cipriani pronunciou-se no sentido de que Alan Garcia e Humala \u201ctomassem uma decis\u00e3o conjunta de indultar Fujimori e assumissem solidariamente essa responsabilidade\u201d (1). O cura Cipriani \u00e9 um ultra direitista da Opus Dei, est\u00e1 estreitamente ligado \u00e0s for\u00e7as armadas e durante o fujimorismo justificou a matan\u00e7a de milhares de cidad\u00e3os.<\/p>\n<p>Tanto Humala como Garcia e o cura Cipriano omitem que o r\u00e9u Fujimori n\u00e3o pode ser abrangido por um indulto. Foi condenado a 25 anos de pris\u00e3o efectiva por crimes aos quais n\u00e3o \u00e9 aplic\u00e1vel qualquer tipo de perd\u00e3o ou indulto governamental. Como assinala Guillermo Olivera D\u00edaz (22\/06\/2011), a senten\u00e7a que condena Fujimori a 25 anos de pris\u00e3o \u201cconsidera expressamente que os delitos que a ela conduziram s\u00e3o delitos de lesa-humanidade para os quais a lei e a jurisprud\u00eancia internacionais, que vinculam o Peru, tamb\u00e9m a amnistia, o indulto, ou o direito de miseric\u00f3rdia. Se a citada Lei 26478 estabelece a proibi\u00e7\u00e3o do indulto, n\u00e3o h\u00e1 INPE, Minist\u00e9rio da Justi\u00e7a ou presid\u00eancia da Rep\u00fablica que, com um simples Decreto Supremo e pareceres legais possam contrariar uma lei sem que incorram em responsabilidade penal\u201d.<\/p>\n<p>Juntamente com o an\u00fancio da liberta\u00e7\u00e3o de Fujimori concretizou-se uma pouco santa alian\u00e7a entre os parlamentares de Ollanta Humala e os de Keiko Fujimori. O objectivo desta alian\u00e7a foi, n\u00e3o o de resolver os actuais conflitos sangrentos que envolvem v\u00e1rias prov\u00edncias do Peru (Puno, Jun\u00edn, Huancayo, Huancavelica), mas de permitir que parlamentares com processos penais em curso possam ocupar os seus assentos apesar das acusa\u00e7\u00f5es de que s\u00e3o objecto. \u201cOs advers\u00e1rios eleitorais da segunda volta presidencial &#8211; entenda-se fujimoristas e nacionalistas \u2013 aliaram-se para permitir que os seus congressistas eleitos para o novo Parlamento, objecto de processos judiciais por v\u00e1rios delitos, possam assumir o mandato popular no pr\u00f3ximo 27 de Julho\u201d, disse o di\u00e1rio El Comercio de 17 de Junho de 2011.<\/p>\n<p>O perd\u00e3o e a liberdade que se prepara para ser oferecido ao maior criminoso da hist\u00f3ria peruana n\u00e3o tem nada a ver com raz\u00f5es humanit\u00e1rias nem com a idade, nem com problemas de sa\u00fade do detido. \u00c9 um acordo entre o vencedor das \u00faltimas elei\u00e7\u00f5es presidenciais, os militares e os grupos do poder. Fujimori \u00e9 um homem dos militares e do imperialismo. O seu governo foi controlado e dirigido pela CIA americana e pelas for\u00e7as armadas. \u00c9 a essa situa\u00e7\u00e3o que corresponde a sua liberta\u00e7\u00e3o pr\u00f3xima, n\u00e3o qualquer miseric\u00f3rdia para com presos de idade avan\u00e7ada.<\/p>\n<p>A afirma\u00e7\u00e3o de Humala de que \u201cN\u00e3o h\u00e1 raz\u00e3o para que algu\u00e9m morra na pris\u00e3o\u201d constitui uma hipocrisia gigantesca. Basta mencionar o caso de V\u00edctor Zavala Cata\u00f1o. Este famoso professor universit\u00e1rio, escritor e dramaturgo com 79 anos de idade \u00e9 acusado de pertencer \u00e0 guerrilha de Sendero Luminoso. H\u00e1 20 anos que est\u00e1 preso em condi\u00e7\u00f5es que n\u00e3o t\u00eam qualquer compara\u00e7\u00e3o com a pris\u00e3o dourada de Fujimori. H\u00e1 alguns anos que Zavala Cata\u00f1o sofre de um grave doen\u00e7a de desenvolvimento canceroso que lhe provoca hemorragias permanentes. Para al\u00e9m disso, tem problemas oculares e est\u00e1 em vias de cegar totalmente. E, tal com Zavala Cata\u00f1o, existe pelo menos mais uma centena de presos de idade avan\u00e7ada, doentes e sem assist\u00eancia m\u00e9dica que morrem lentamente nas desumanas pris\u00f5es do Peru.<\/p>\n<p>A respeito da liberta\u00e7\u00e3o de Fujimori, h\u00e1 que recordar ainda que a campanha eleitoral de Humala ganhou din\u00e2mica quando lan\u00e7ou palavras de ordem contra a filha de Fujimori (sua concorrente eleitoral) acusando-a de pretender libertar o seu pai caso chegasse \u00e0 presid\u00eancia. No decurso da campanha eleitoral Humala comprometeu-se perante os seus eleitores a lutar contra a corrup\u00e7\u00e3o e os corruptos, e a manter preso Fujimori. A sua mudan\u00e7a de rumo n\u00e3o constitui nenhuma surpresa, porque segue a l\u00f3gica pol\u00edtica do que acontece depois de cada processo eleitoral no Peru. Em artigo anterior, adverti que votar em Ollanta Humala era tornar-se \u201cc\u00famplice de um militar c\u00ednico e mentiroso\u201d e que as elei\u00e7\u00f5es significavam uma manobra montada pelo governo cessante (Alan Garcia P\u00e9rez) e pelas for\u00e7as armadas, que estavam por detr\u00e1s das candidaturas eleitorais de Humala e Keiko Fujimori (1).<\/p>\n<p><strong>A corrup\u00e7\u00e3o no antro parlamentar<\/strong><\/p>\n<p>Se a corrup\u00e7\u00e3o come\u00e7ou de vento em popa no projecto Humala-Garcia de libertar Fujimori, n\u00e3o o fez menos no sistema parlamentar peruano. Para aqueles que ignoram como funciona esse antro de corrup\u00e7\u00e3o deve sublinhar-se que o parlamento \u00e9 constitu\u00eddo por 130 congressistas cuja tarefa \u00e9 aplaudir e encobrir os actos de corrup\u00e7\u00e3o e crimes cometidos na administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica e nas for\u00e7as armadas. Historicamente, o parlamento peruano nunca cumpriu uma fun\u00e7\u00e3o legislativa nem de controlo da administra\u00e7\u00e3o do Estado.<\/p>\n<p>Os seus componentes fazem-se designar \u201cpais da p\u00e1tria\u201d mas muitos deles s\u00e3o vadios, desportistas med\u00edocres, ex militares corruptos, bailarinas de striptease da mais baixa categoria, narcotraficantes, personagens acusados de crimes, roubos e outros delitos. Entre os ex parlamentares \u201chist\u00f3ricos\u201d do Peru encontra-se Agust\u00edn Mantilla, aprista e antigo chefe do grupo paramilitar criminoso \u201dRodrigo Franco\u201d. L\u00e1 est\u00e1 tamb\u00e9m R\u00f3mulo Le\u00f3n Alegr\u00eda (APRA), p qual, combinado com altos funcion\u00e1rios do governo cessante, embolsava milh\u00f5es de d\u00f3lares das coimas entregues pelas multinacionais.<\/p>\n<p>Agora, em 2011, nada mudou neste parlamento. Entre os novos inquilinos do parlamento h\u00e1 v\u00e1rios personagens criminalmente acusados por narcotr\u00e1fico, roubo, falsifica\u00e7\u00e3o de documentos, corrup\u00e7\u00e3o, etc. A extensa lista \u00e9 encabe\u00e7ada por Lu\u00eds Nava Guibert, actual secret\u00e1rio do expediente presidencial de Alan Garcia e eleito no Parlamento Andino. Este aprista \u00e9 acusado de liga\u00e7\u00f5es ao conhecido narcotraficante S\u00e1nchez Paredes, que opera no norte do Peru. Outro \u00e9 Wilder Ruiz (Gana Per\u00fa), parlamentar rec\u00e9m-eleito na lista de Hollanta Humala, em rela\u00e7\u00e3o qual pendem 30 acusa\u00e7\u00f5es por presum\u00edvel homic\u00eddio, roubo, lavagem de dinheiro do narcotr\u00e1fico, danos em propriedade, vandalismo e outros delitos. Walter Acha (Gana Per\u00fa), um cocalero eleito tamb\u00e9m nas listas de Humala, tem em curso um processo por liga\u00e7\u00f5es a v\u00e1rios grupos de narcotraficantes. A corrup\u00e7\u00e3o entre o novo grupo de parlamentares \u00e9 de tal forma escandalosa que Jaime Antezana, perito em assuntos do narcotr\u00e1fico, sublinhou que \u201cno pr\u00f3ximo congresso poder\u00e1 existir uma narcobancada formada por eleitos de Gana Peru e Fuerza 2011\u201d. S\u00f3 lhe faltou acrescentar: \u201ce do APRA\u201d.<\/p>\n<p>Em 23 de Junho estalou no parlamento um esc\u00e2ndalo de grandes propor\u00e7\u00f5es no qual est\u00e3o envolvidos todos os agrupamentos pol\u00edticos incluindo o APRA, o fujimorismo e os nacionalistas de Ollanta Humala. Os congressistas reeleitos (apristas, humalistas, toledistas e outros) pedem, a t\u00edtulo de compensa\u00e7\u00e3o por 5 anos de vadiagem, a quantia de 141 mil soles, o que em moeda estrangeira significa mais de 50 mil d\u00f3lares. Incluem neste montante despesas de \u201cinstala\u00e7\u00e3o e desinstala\u00e7\u00e3o\u201d, cinco sal\u00e1rios adicionais, gratifica\u00e7\u00f5es, despesas de representa\u00e7\u00e3o e outras mordomias. Para os parlamentares que a 28 de Julho terminam o seu \u201cmandato\u201d exigem o pagamento de 125 mil soles (47 mil d\u00f3lares) para al\u00e9m de uma \u201ccompensa\u00e7\u00e3o extraordin\u00e1ria\u201d (um sal\u00e1rio por cada ano) o que soma 22\u00ba mil soles, ou seja, um pouco mais do que 79 mil d\u00f3lares.<\/p>\n<p><strong>Nota:<\/strong>(1). Declara\u00e7\u00f5es de Lu\u00eds Cipriani, di\u00e1rio El Universal.com, 20 de Junho 2011.<\/p>\n<p><em>Publicado em La Haine 27\/6\/2011<\/em><\/p>\n<p><em><\/p>\n<p><\/em><\/p>\n<hr \/>\n<p><strong>A vit\u00f3ria de Ollanta Humala e as dificuldades de mudan\u00e7as sociais no quadro da democracia burguesa<\/strong><\/p>\n<p>Ivan Pinheiro*<\/p>\n<p><em>Com todas as dificuldades e limita\u00e7\u00f5es, a luta tem que ser travada, com independ\u00eancia pol\u00edtica, para tentar levar o novo governo para um processo de mudan\u00e7as sociais, at\u00e9 onde isso for poss\u00edvel. Nessas circunst\u00e2ncias, os revolucion\u00e1rios devem conjugar unidade e luta, n\u00e3o cometendo o erro de se submeter acriticamente ao novo governo, como fazem os reformistas. Tampouco devem se colocar na oposi\u00e7\u00e3o cega e fazer o discurso que hoje interessa \u00e0 direita e ao imperialismo, tal qual agem os que se proclamam ultra-esquerdistas, subestimando a capacidade das massas de influir no processo pol\u00edtico.<\/em><\/p>\n<p>Os camaradas do Partido Comunista Peruano e a esquerda peruana em geral tiveram que tomar uma decis\u00e3o muito f\u00e1cil nas elei\u00e7\u00f5es deste m\u00eas. Tirando aqueles que defendem o voto nulo como princ\u00edpio, cuja posi\u00e7\u00e3o temos que respeitar, n\u00e3o havia d\u00favidas entre Ollanta Humala e Keiko Fujimori. As diferen\u00e7as, no caso, s\u00e3o muito maiores se comparadas com a op\u00e7\u00e3o entre Dilma e Serra. Depois de oito anos de governo petista, as diferen\u00e7as entre os dois p\u00f3los principais da \u201camericaniza\u00e7\u00e3o\u201d das elei\u00e7\u00f5es brasileiras (PT e PSDB) s\u00e3o cada vez menores, como na Europa, onde se revezam no poder, com receitu\u00e1rio parecido, os social-democratas e os conservadores. A diferen\u00e7a \u00e9 na gest\u00e3o do capitalismo.<\/p>\n<p>Na Europa, com o agravamento da crise capitalista, a \u201camericaniza\u00e7\u00e3o\u201d eleitoral tem provocado quase invariavelmente a chamada \u201caltern\u00e2ncia de poder\u201d. Como nenhum governo consegue sequer mitigar os efeitos e os custos da crise, que s\u00e3o pagos pela maioria do povo, a oposi\u00e7\u00e3o em geral ganha as novas elei\u00e7\u00f5es, porque estas s\u00e3o levadas para o campo da compet\u00eancia para gerir a crise. Se o governo \u00e9 conservador, os social-democratas ganham a elei\u00e7\u00e3o seguinte; a rec\u00edproca \u00e9 verdadeira. Vejam casos de recentes elei\u00e7\u00f5es, com vit\u00f3rias de oposi\u00e7\u00f5es: em Portugal e na Espanha, vit\u00f3ria da \u201cdireita\u201d; na It\u00e1lia e na Fran\u00e7a, vit\u00f3ria da \u201cesquerda\u201d.<\/p>\n<p>Mas voltando \u00e0s elei\u00e7\u00f5es peruanas, ali as diferen\u00e7as eram gritantes, n\u00e3o porque Ollanta seja de \u201cesquerda\u201d, mas porque Keiko n\u00e3o \u00e9 apenas a filha de Alberto Fujimori, mas seria a volta do que os peruanos chamam de<strong>fujimorismo,<\/strong> ou seja, uma forma de governo baseada na mais descarada corrup\u00e7\u00e3o, na repress\u00e3o e no terrorismo de Estado. Ali\u00e1s, Allan Garcia (o pol\u00edtico mais parecido com Fernando Henrique Cardoso na Am\u00e9rica Latina) havia vencido Fujimori pela \u201cesquerda\u201d h\u00e1 oito anos.<\/p>\n<p>\u00c9 natural a euforia que tomou conta da esquerda peruana e de grande parte da latino-americana com a vit\u00f3ria de Ollanta. Afinal, al\u00e9m de evitar-se a volta do<strong> fujimorismo, <\/strong>encerra-se o ciclo neoliberal de Garcia, que governou para a burguesia e o imperialismo. O governo Ollanta tende a ser mais progressista e nacionalista do que o de Allan Garcia. Mas deve estar chegando a hora de botar os p\u00e9s no ch\u00e3o, pois podemos n\u00e3o estar \u00e0s v\u00e9speras de um governo que possamos chamar de \u201cesquerda\u201d.<\/p>\n<p>A primeira quest\u00e3o a ser levada em conta \u00e9 que, na verdade, foi Keiko que perdeu, muito mais do que Ollanta venceu. Se o segundo turno n\u00e3o fosse com a filha de Fujimori, possivelmente qualquer um dos outros tr\u00eas candidatos conservadores que n\u00e3o passaram do primeiro turno poderiam vencer o segundo.<\/p>\n<p>Em segundo lugar, h\u00e1 que se ponderar o pre\u00e7o que foi pago para a vit\u00f3ria no segundo turno, no que se refere \u00e0 dilui\u00e7\u00e3o do discurso, na forma e no conte\u00fado, e principalmente ao programa. Os marqueteiros e assessores que servem ao PT transformaram o candidato no<strong> \u201cOllantinha paz e amor\u201d <\/strong>, que trocou a camisa vermelha pela azul celeste, afastou-se de Ch\u00e1vez e mudou o programa a alguns dias do segundo turno, divulgando uma r\u00e9plica peruana da famosa \u201c<strong> Carta aos Brasileiros<\/strong> \u201d, na realidade aos banqueiros, em que Lula assumiu o compromisso (que cumpriu fielmente) de n\u00e3o alterar os fundamentos da pol\u00edtica econ\u00f3mica do governo FHC.<\/p>\n<p>Se Ollanta cumprir os compromissos j\u00e1 assumidos no governo Allan Garcia, as mudan\u00e7as ser\u00e3o muito dif\u00edceis. O presidente que se retira firmou um TLC (Tratado de Livre Com\u00e9rcio) com os EUA e comprometera o pa\u00eds com uma integra\u00e7\u00e3o econ\u00f3mica anti-ALBA, envolvendo, al\u00e9m do Peru, o Chile, o M\u00e9xico e a Col\u00f4mbia. Outro compromisso que Ollanta assumiu foi o de manter a chamada \u201cautonomia\u201d do Banco Central, ou seja, permitir que os banqueiros continuem ditando a pol\u00edtica monet\u00e1ria, como no Brasil. Outra dificuldade vai ser manter o crescimento da economia peruana, de cerca de 8% ao ano, o maior da Am\u00e9rica Latina. Este crescimento \u00e9 baseado num modelo de exporta\u00e7\u00e3o de minerais que \u00e9 excludente e predat\u00f3rio, al\u00e9m de contrariar os interesses dos que basicamente elegeram Ollanta: os camponeses pobres, sobretudo ind\u00edgenas, como ele.<\/p>\n<p>O suporte que, sem desfa\u00e7atez, o petismo deu \u00e0 candidatura Ollanta ser\u00e1 obviamente cobrado pelo capitalismo brasileiro, que fincar\u00e1 mais uma bandeira na sua ambi\u00e7\u00e3o de tornar o Brasil uma grande pot\u00eancia mundial, no contexto do imperialismo. As multinacionais de origem brasileira, alavancadas pelo BNDES no governo Lula, como jamais na hist\u00f3ria desse pa\u00eds, j\u00e1 t\u00eam hoje mais de quatro bilh\u00f5es de d\u00f3lares investidos no Peru, disputando o comando de ramos como petr\u00f3leo e g\u00e1s, electricidade e constru\u00e7\u00e3o civil.<\/p>\n<p>Algumas diferen\u00e7as entre o novo e o velho governo j\u00e1 se fazem sentir. Na disputa pelos mercados sul-americanos e por alian\u00e7as estrat\u00e9gicas, o capitalismo brasileiro vai ter mais peso na economia e na pol\u00edtica externa peruana. Pelo que o novo Presidente declarou h\u00e1 dias no Brasil, simbolicamente sua primeira viagem internacional, vai implantar em seu pa\u00eds algumas pol\u00edticas compensat\u00f3rias, como o Bolsa Fam\u00edlia.<\/p>\n<p>Mas h\u00e1 outros factores que v\u00e3o jogar papel mais decisivo nos rumos do governo Ollanta, j\u00e1 antes da posse e da nomea\u00e7\u00e3o dos ministros, per\u00edodo em que as disputas pol\u00edticas se acirram.<\/p>\n<p>O que vimos principalmente no Chile, no Paraguai, na Argentina e no Brasil \u00e9 que se as massas n\u00e3o d\u00e3o um salto de qualidade em sua organiza\u00e7\u00e3o e mobiliza\u00e7\u00e3o, podemos eleger Presidentes que se pare\u00e7am de esquerda, mas que n\u00e3o mexer\u00e3o em um mil\u00edmetro nos interesses do capital.<\/p>\n<p>Um dos problemas \u00e9 a falta de uma maioria progressista de deputados no parlamento unicameral. Para mudar, Ollanta precisa governar com o respaldo de massas para pressionar o parlamento. Do contr\u00e1rio, ser\u00e1 obrigado a cair na armadilha da governabilidade institucional, que o levar\u00e1 \u00e0 dilui\u00e7\u00e3o ou abandono do projecto de mudan\u00e7as sociais, ao balc\u00e3o de neg\u00f3cios e a concess\u00f5es de todo tipo.<\/p>\n<p>Outro complicador, talvez de maior peso pol\u00edtico, \u00e9 o risco de os recentes movimentos regressivos do governo Ch\u00e1vez se tornarem uma inflex\u00e3o pol\u00edtica e n\u00e3o apenas uma t\u00e1ctica, alterando negativamente a correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as na Am\u00e9rica Latina, em favor do imperialismo.<\/p>\n<p>A esquerda s\u00f3 ter\u00e1 alguma possibilidade de \u00eaxito na disputa pol\u00edtica do governo Ollanta se contar com expressiva mobiliza\u00e7\u00e3o popular. E a esquerda peruana tem diferenciais em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 maioria dos pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina que podem ter peso decisivo na luta de classes que certamente se acirrar\u00e1 no Peru; movimentos de ind\u00edgenas e camponeses fortes, coesos e combativos, uma frente de esquerda org\u00e2nica reunindo partidos e movimentos populares (a Coordenadora Pol\u00edtica e Social) e, principalmente, a CGTP (Confedera\u00e7\u00e3o Geral dos Trabalhadores Peruanos), uma legend\u00e1ria central sindical classista, de massas, filiada \u00e0 Federa\u00e7\u00e3o Sindical Mundial, que hegemoniza cerca de oitenta por cento dos sindicatos.<\/p>\n<p>Mas, com todas as dificuldades e limita\u00e7\u00f5es, a luta tem que ser travada, com independ\u00eancia pol\u00edtica, para tentar levar o novo governo para um processo de mudan\u00e7as sociais, at\u00e9 onde isso for poss\u00edvel. Nessas circunst\u00e2ncias, os revolucion\u00e1rios devem conjugar unidade e luta, n\u00e3o cometendo o erro de se submeter acriticamente ao novo governo, como fazem os reformistas. Tampouco devem se colocar na oposi\u00e7\u00e3o cega e fazer o discurso que hoje interessa \u00e0 direita e ao imperialismo, tal qual agem os que se proclamam ultra-esquerdistas, subestimando a capacidade das massas de influir no processo pol\u00edtico.<\/p>\n<p>Junho de 2010<\/p>\n<p><em>*Ivan Pinheiro \u00e9 Secret\u00e1rio-geral do PCB<\/em><\/p>\n<p>Fonte: <a href=\"http:\/\/www.odiario.info\/?p=2158\" target=\"_blank\">http:\/\/www.odiario.info\/?p=2158<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n\n\nCr\u00e9dito: ODiario.info\n\n\n\n\n\n\n\n\nOs Editores de O diario.info\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/1732\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[39],"tags":[],"class_list":["post-1732","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c76-equador"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-rW","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1732","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1732"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1732\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1732"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1732"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1732"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}