{"id":17337,"date":"2017-11-21T11:53:56","date_gmt":"2017-11-21T14:53:56","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=17337"},"modified":"2017-11-21T11:53:56","modified_gmt":"2017-11-21T14:53:56","slug":"a-revolucao-mexicana","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/17337","title":{"rendered":"A Revolu\u00e7\u00e3o Mexicana"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/upload.wikimedia.org\/wikipedia\/commons\/4\/45\/Revolucion_mexicana_1910.jpg\" alt=\"imagem\" \/><!--more--><strong>Reforma agr\u00e1ria e luta pelo direito de retornar a um passado usurpado<\/strong><\/p>\n<p>A revolu\u00e7\u00e3o iniciada em 1910 foi o palco de uma s\u00e9rie de reivindica\u00e7\u00f5es que buscavam, acima de tudo, garantir direitos usurpados da popula\u00e7\u00e3o. Tal afirma\u00e7\u00e3o torna-se clara na fala de um de seus principais e mais destacados l\u00edderes: Emiliano Zapata.<\/p>\n<p>Zapata reivindicava o direito de posse dos ind\u00edgenas e camponeses das terras que lhes foram expropriadas. O que estava em pauta era a necessidade de regenerar a condi\u00e7\u00e3o humana atrav\u00e9s do retorno ao seu passado. Nas palavras de Octavio Paz: \u201cA Revolu\u00e7\u00e3o Mexicana \u00e9 um movimento de reconquistar o nosso passado, assimil\u00e1-lo e torn\u00e1-lo vivo no presente.\u201d<\/p>\n<p>Desde a independ\u00eancia, em 1821, a quest\u00e3o da terra estava presente nos conflitos sociais no M\u00e9xico. Na segunda metade do s\u00e9culo XIX a maior parte dos ind\u00edgenas j\u00e1 haviam sido expropriados de suas terras, al\u00e9m disso, estes n\u00e3o foram incorporados como cidad\u00e3os. Em 1876 com a derrubada do governo liberal de Sebasti\u00e3o Tejada, pelo levante militar de Porf\u00edrio D\u00edaz, a grande propriedade agr\u00e1ria foi refor\u00e7ada e os camponeses despojados de suas terras. A pequena propriedade foi praticamente eliminada.<\/p>\n<p>A partir de 1900, contudo, cr\u00edticas ao governo de D\u00edaz tornam-se cada vez mais latentes, bem como, reivindica\u00e7\u00f5es acerca das terras comunais expropriadas \u2013 os ejidos.<br \/>\nD\u00edaz convoca elei\u00e7\u00f5es presidenciais em 1910 e prende o latifundi\u00e1rio liberal Francisco Madero, l\u00edder do movimento que se opunha \u00e0 sua reelei\u00e7\u00e3o. Como candidato \u00fanico D\u00edaz \u00e9 considerado eleito.<\/p>\n<p>Madero foge da pris\u00e3o e vai para os EUA. Do ex\u00edlio, lan\u00e7a uma conclama\u00e7\u00e3o \u00e0 rebeli\u00e3o com armas para derrubar D\u00edaz, prometendo, em um novo governo, uma reforma eleitoral e terras para os camponeses. L\u00e1 redige o Programa de S\u00e3o Luis de Potos\u00ed que anunciava a possibilidade de uma reforma agr\u00e1ria.<\/p>\n<p>Recebe apoio popular e de l\u00edderes revolucion\u00e1rios do Sul, Emiliano Zapata, e do Norte, Pancho Villa e Pascual Orozco.<\/p>\n<p>O crescimento da movimenta\u00e7\u00e3o camponesa leva D\u00edaz a renunciar e fugir, em maio de 1911.<\/p>\n<p>Madero \u00e9 eleito presidente e, no poder, mant\u00e9m o aparelho de Estado, em particular o Ex\u00e9rcito, o que provoca revolta entre seus apoiadores. Al\u00e9m disso, resolve dissolver o exercito revolucion\u00e1rio.<\/p>\n<p>Zapata recusa-se a desarmar seus homens e exige a reforma agr\u00e1ria, prometida no Programa de S\u00e3o Luis de Potos\u00ed e negada pelo novo presidente. Nas palavras do pr\u00f3prio Zapata:<\/p>\n<blockquote><p><em>\u201cA fatal ruptura do Programa de S\u00e3o Luis de Potos\u00ed motivou e justificou nossa rebeldia contra aquele que invalidou todos os compromissos e defraudou todas as esperan\u00e7as (&#8230;) combatemos Francisco Madero, combateremos outros cuja administra\u00e7\u00e3o n\u00e3o tenha por base os princ\u00edpios pelos quais temos lutado.\u201d<\/em><\/p><\/blockquote>\n<p>A rea\u00e7\u00e3o do l\u00edder campon\u00eas \u00e9, portanto, a de proclamar-se em rebeli\u00e3o contra Madero. Em novembro de 1911 anuncia o Programa de Ayala no qual propunha a derrubada do governo de Madero e um processo de reforma agr\u00e1ria sob o controle das comunidades camponesas. O plano defendia, ainda, a reorganiza\u00e7\u00e3o do ejido e a expropria\u00e7\u00e3o de um ter\u00e7o dos latifundi\u00e1rios mediante indeniza\u00e7\u00e3o e nacionaliza\u00e7\u00e3o dos bens dos inimigos da revolu\u00e7\u00e3o. Para Zapata, neste plano est\u00e3o contidas<\/p>\n<blockquote><p><em>\u201c(&#8230;) as mais justas aspira\u00e7\u00f5es do povo, plantadas as mais imperiosas necessidades sociais, e propostas as mais importantes reformas econ\u00f4micas e pol\u00edticas, sem cuja implanta\u00e7\u00e3o o pa\u00eds passaria inevitavelmente ao abismo, deprimiria-se no caos da ignor\u00e2ncia, da mis\u00e9ria e da escravid\u00e3o.\u201d<\/em><\/p><\/blockquote>\n<p>Zapata convocara o povo \u00e0s armas e o avan\u00e7o popular era cont\u00ednuo, pois apesar das mudan\u00e7as no governo, as estruturas s\u00f3cio-econ\u00f4micas permaneciam sem altera\u00e7\u00f5es.<br \/>\nVilla e Zapata lideraram um movimento com vistas a obter autonomia pol\u00edtica local como forma de garantir o direito \u00e0 terra.<\/p>\n<p>Em fevereiro de 1913, enquanto a luta prossegue no Norte e no Sul, o general Victoriano Huerta assassina Madero. A morte do presidente leva a uma passageira frente da oposi\u00e7\u00e3o, com participa\u00e7\u00e3o de Zapata e Villa e chefiada pelo liberal Venustiano Carranza.<\/p>\n<p>O governo de Huerta acabou por tornar-se, para a maior parte dos revolucion\u00e1rios, uma restaura\u00e7\u00e3o do porfirismo. O Governador nortista Carranza, n\u00e3o reconheceu o novo governo e deu in\u00edcio \u00e0 mobiliza\u00e7\u00e3o contra Huerta. O mesmo fez Villa no Norte e Zapata no Sul. Forma-se, ent\u00e3o, um ex\u00e9rcito constitucional, sob a \u00e9gide do chamado Pacto de Torre\u00f3n.<\/p>\n<p>Simultaneamente, o M\u00e9xico sofre a ocupa\u00e7\u00e3o do porto de Vera Cruz por for\u00e7as dos EUA. Sem condi\u00e7\u00f5es de resistir, Huerta renuncia em junho de 1914.<\/p>\n<p>Carranza assume a presid\u00eancia e o confronto anteriormente vivenciado por Zapata e Madero, com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 reforma agr\u00e1ria, volta \u00e0 vida, uma vez que Carranza hesita em aceitar as propostas camponesas.<\/p>\n<p>Em fevereiro de 1917 \u00e9 promulgada a Constitui\u00e7\u00e3o reformada, com algumas transforma\u00e7\u00f5es propostas pelo Programa de Ayala, como a nacionaliza\u00e7\u00e3o do solo e do subsolo e devolu\u00e7\u00e3o das terras comunais aos ind\u00edgenas \u2013 os ejidos. A Igreja Cat\u00f3lica \u00e9 separada do Estado e tem seus poderes diminu\u00eddos. Os trabalhadores passam a ter direitos reconhecidos, como jornada de trabalho de oito horas, proibi\u00e7\u00e3o do trabalho infantil e indeniza\u00e7\u00e3o por tempo de servi\u00e7o aos empregados dispensados. As medidas previstas na Constitui\u00e7\u00e3o, no entanto, s\u00e3o amplamente ignoradas pelo governo.<\/p>\n<p>Em 1919 Zapata \u00e9 assassinado a mando de Carranza e o pa\u00eds continua em guerra civil.<\/p>\n<p>Carranza \u00e9 deposto e assassinado em 1920 e o novo presidente passa a ser o general \u00c1lvaro Obreg\u00f3n, que consolida a revolu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Villa abandona a luta em 1920 e \u00e9 assassinado tr\u00eas anos depois. Ao mesmo tempo, v\u00e1rios revolucion\u00e1rios no governo procuram enriquecer, traindo a confian\u00e7a que as amplas massas populares depositam em sua atua\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Os partid\u00e1rios da nova Constitui\u00e7\u00e3o, contudo, compreendem perfeitamente que n\u00e3o poderiam desconhecer a quest\u00e3o agr\u00e1ria que estava no fundo da luta revolucion\u00e1ria. Assim, os latif\u00fandios foram limitados e a terra come\u00e7ou a ser entregue \u00e0s comunidades camponesas.<\/p>\n<p>Ao analisarmos este primeiro momento da Revolu\u00e7\u00e3o Mexicana, algo nos salta aos olhos a todo o momento: a constante presen\u00e7a da reivindica\u00e7\u00e3o por uma reforma agr\u00e1ria e, como resposta, uma s\u00e9rie de atitudes que se distanciavam da sua realiza\u00e7\u00e3o. Madero a prop\u00f4s no Programa de S\u00e3o Luis de Potos\u00ed, mas n\u00e3o cumpriu. Zapata lutou o tempo todo por sua implanta\u00e7\u00e3o, e isto \u00e9 evidente em seus discursos e no Programa de Ayala, que tamb\u00e9m n\u00e3o alcan\u00e7ou o resultado esperado. A constitui\u00e7\u00e3o de 1917 trata desta quest\u00e3o, mas, na pr\u00e1tica, passou muito tempo at\u00e9 que resultasse em benef\u00edcios reais para a popula\u00e7\u00e3o camponesa.<\/p>\n<p>Algo, por\u00e9m, n\u00e3o pode deixar de ser considerado: grandes foram os esfor\u00e7os para que os camponeses pudessem recuperar as suas terras, bem como relevantes foram os acontecimentos e transforma\u00e7\u00f5es nascidas do seio desta luta.<\/p>\n<p>Observa-se, nesta revolu\u00e7\u00e3o, o reconhecimento do mexicano n\u00e3o apenas como indiv\u00edduo, mas tamb\u00e9m, e primordialmente, enquanto povo. Buscava-se um ideal de pertencimento comum, buscava-se o retorno a seus direitos. Estava presente a luta por um ideal de igualdade.<\/p>\n<p><strong>Cronologia<\/strong><\/p>\n<p>1910 \u2013 In\u00edcio da Revolu\u00e7\u00e3o.<br \/>\n1911 \u2013 Elei\u00e7\u00e3o de Madero e Plano de Ayala.<br \/>\n1913 \u2013 Assassinato de Madero e posse de Victoriano Huerta na presid\u00eancia.<br \/>\n1914 \u2013 Ren\u00fancia de Huerta e posse de Carranza.<br \/>\n1917 \u2013 Promulga\u00e7\u00e3o da nova Constitui\u00e7\u00e3o.<br \/>\n1919 \u2013 Assassinato de Zapata.<br \/>\n1920 \u2013 Deposi\u00e7\u00e3o de Carranza e posse de \u00c1lvaro Obreg\u00f3n.<\/p>\n<p><strong>Bibliografia<\/strong><\/p>\n<p>BRUIT, H\u00e9ctor H. Revolu\u00e7\u00f5es na Am\u00e9rica Latina. S\u00e3o Paulo: Atual, 1988.<br \/>\nCAMIN, H\u00e9ctor Aguilar e MEYER, Lorenzo. \u00c0 sombra da revolu\u00e7\u00e3o mexicana: hist\u00f3ria<br \/>\nmexicana contempor\u00e2nea, 1910-1989. S\u00e3o Paulo: Edusp, sem data.<br \/>\nCRIPA, Ival de Assis. Interpreta\u00e7\u00e3o e imagens da revolu\u00e7\u00e3o mexicana. Apostila do curso<br \/>\nde extens\u00e3o. Sem local. Sem editora. 2001.<br \/>\nPAZ, Octavio. O labirinto da solid\u00e3o e post scriptum. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1985.<br \/>\nVILLA, Marco Ant\u00f4nio. A revolu\u00e7\u00e3o mexicana: 1910-1940. S\u00e3o Paulo: \u00c1tica, 1993.<br \/>\nWOMMACK, John. A revolu\u00e7\u00e3o mexicana: 1910-1920. In BETHELL, Leslie, org.<br \/>\nHist\u00f3ria da Am\u00e9rica Latina: de 1870 a 1930. Vol. V. S\u00e3o Paulo: Edusp, sem data.<\/p>\n<p><strong>Autor\/a\/es:<\/strong><br \/>\nEmanuelle Santos<br \/>\nJuliana Ferreira<br \/>\nValmira Juvenal<\/p>\n<p><strong>Temas:<\/strong><br \/>\nS\u00e9culo XX<br \/>\nRevolu\u00e7\u00e3o Mexicana<\/p>\n<p>http:\/\/www.historia.uff.br\/<wbr \/>nec\/revolucao-mexicana-<wbr \/>reforma-agraria-e-luta-pelo-<wbr \/>direito-de-retornar-um-<wbr \/>passado-usurpado<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/17337\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[90,118],"tags":[233],"class_list":["post-17337","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c103-mexico","category-c131-reforma-agraria","tag-6a"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-4vD","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17337","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=17337"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17337\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=17337"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=17337"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=17337"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}