{"id":1742,"date":"2011-08-11T00:48:26","date_gmt":"2011-08-11T00:48:26","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=1742"},"modified":"2011-08-11T00:48:26","modified_gmt":"2011-08-11T00:48:26","slug":"os-indignados-de-israel-e-o-estado-palestino","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/1742","title":{"rendered":"Os indignados de Israel e o Estado palestino"},"content":{"rendered":"\n<p><em>de Bil\u2019in, Palestina<\/em><\/p>\n<p><em>publicado: Jornal Brasil de Fato &#8211; edi\u00e7\u00e3o 440,<\/em><em>4 a<\/em><em>10 de agosto de 2011 &#8211;<\/em><em> www.brasildefato.<\/em><a href=\"http:\/\/com.br\/\" target=\"_blank\"><em>com.br<\/em><\/a><\/p>\n<p>As pe\u00e7as do tabuleiro pol\u00edtico da \u00c1sia ocidental est\u00e3o mudando rapidamente de lugar. A menos de dois meses da 66<sup>\u00aa<\/sup> sess\u00e3o da Assembleia Geral da ONU, que ter\u00e1 pela frente a tarefa de votar o reconhecimento do Estado palestino, h\u00e1 um enorme abalo nesta parte do mundo. A mobiliza\u00e7\u00e3o da sociedade civil palestina e israelense, os esfor\u00e7os diplom\u00e1ticos da Autoridade Nacional Palestina (ANP) e do governo sionista nos pa\u00edses cujos votos dar\u00e3o a decis\u00e3o final na ONU, as manifesta\u00e7\u00f5es de descontentamento que levaram milhares de israelenses a montar acampamentos no espa\u00e7o p\u00fablico, \u00e0 moda dos indignados das pra\u00e7as Tahir (Egito) e do Sol (Madri), s\u00e3o apenas os sintomas vis\u00edveis de um profundo descontentamento que, desenvolvido ao longo do tempo, agora atinge seu limite. Em outras palavras, ningu\u00e9m aguenta mais a situa\u00e7\u00e3o criada pelos governos sionistas em Israel e nos territ\u00f3rios palestinos.<\/p>\n<p>\u00c9 disso que se trata quando parte da sociedade israelense, e judeus do mundo inteiro, desautorizam o governo do primeiro ministro Biniamin Netanyhau a falar e a agir em seu nome. Tamb\u00e9m \u00e9 disso que se trata quando 57% dos judeus dos Estados Unidos declaram-se favor\u00e1veis \u00e0 cria\u00e7\u00e3o do Estado palestino nas fronteiras pr\u00e9-1967, mas com permuta de terras, de acordo com uma pesquisa divulgada em 21 de julho pela organiza\u00e7\u00e3o judaica J Street, sediada nos EUA e defensora da solu\u00e7\u00e3o de dois Estados, um para os palestinos, outro para os israelenses. As pessoas comuns \u2013 e isso o governo de Israel n\u00e3o percebeu, por ter se distanciado delas \u2013 querem justi\u00e7a social. \u00c9 essa a exig\u00eancia que elas fazem nos protestos que varrem Israel de norte a sul h\u00e1 cerca de um m\u00eas e que levaram mais de 150 mil cidad\u00e3os \u00e0s ruas, em marchas pac\u00edficas, em 11 cidades do Estado israelense no s\u00e1bado, 30 de julho.<\/p>\n<p>O movimento, que come\u00e7ou com o protesto de jovens de Tel Aviv e Jerusal\u00e9m contra o pre\u00e7o extorsivo dos alugu\u00e9is e do inalcan\u00e7\u00e1vel financiamento para a compra da casa pr\u00f3pria, logo se espalhou pelo pa\u00eds. O alvo das queixas tamb\u00e9m se alargou. Ao problema da moradia juntaram-se a alta do custo de vida, a dificuldade em criar filhos, as p\u00e9ssimas condi\u00e7\u00f5es da sa\u00fade p\u00fablica e, por fim, a quest\u00e3o que est\u00e1 na base de todas essas reclama\u00e7\u00f5es: justi\u00e7a social.<\/p>\n<p>A verdade \u00e9 que os governos israelenses, com sua ideologia voltada para a \u201cseguran\u00e7a\u201d e o estado permanente de guerra contra um inimigo imagin\u00e1rio, investem muito em tecnologia b\u00e9lica e muito pouco no social. Essa prefer\u00eancia, por\u00e9m, at\u00e9 agora s\u00f3 havia molestado os palestinos, que pouco a pouco foram privados de seus direitos mais b\u00e1sicos, como o acesso \u00e0 terra, \u00e0 \u00e1gua, \u00e0 livre movimenta\u00e7\u00e3o. Cobaias involunt\u00e1rias de novas armas e de novos m\u00e9todos de repress\u00e3o criados pelos sionistas, transformados em vitrine para a exposi\u00e7\u00e3o dos \u201csistemas de seguran\u00e7a\u201d que Israel hoje vende mundo afora \u2013 e que pa\u00edses como o Brasil compram \u2013, os palestinos n\u00e3o tiveram op\u00e7\u00e3o sen\u00e3o a resist\u00eancia, da qual as marchas pac\u00edficas das sextas-feiras s\u00e3o a prova de vida.<\/p>\n<p>Expulsos violentamente de seu pr\u00f3prio territ\u00f3rio desde fins do s\u00e9culo XIX, para que o projeto sionista tivesse in\u00edcio, eles h\u00e1 muito se acostumaram a um estilo de vida quase franciscano. Moram, trabalham, comem, criam seus filhos e vivem de maneira simples, sem a sofistica\u00e7\u00e3o exigida pela classe m\u00e9dia de Tel Aviv ou de Jerusal\u00e9m. A justi\u00e7a social que buscam \u00e9 de outro tipo, baseada em cidadania plena, igualdade de direitos, liberdade para decidir o pr\u00f3prio destino. E isso implica, obviamente, o fim da ocupa\u00e7\u00e3o sionista.<\/p>\n<p>As classes m\u00e9dia e popular de Israel, em processo de pauperiza\u00e7\u00e3o, ainda n\u00e3o t\u00eam ideia de at\u00e9 que ponto a constru\u00e7\u00e3o ilegal do muro e das col\u00f4nias judaicas em terras palestinas s\u00e3o respons\u00e1veis por sua condi\u00e7\u00e3o atual. Quanto dinheiro Israel gastou e gasta nessas constru\u00e7\u00f5es? Na constitui\u00e7\u00e3o do aparato militar \u2013 pessoal, equipamentos e projeteis \u2013 que supostamente proporciona \u201cseguran\u00e7a\u201d aos colonos? Quanto custa, em perda de poder de compra, o expansionismo sionista na \u00c1sia ocidental? E em perda de direitos? De vidas?<\/p>\n<p>Ao que tudo indica, os indignados de Israel ainda n\u00e3o chegaram a esse n\u00edvel de reflex\u00e3o. E talvez n\u00e3o cheguem, mesmo tendo a seu lado as tendas de um grande n\u00famero de palestinos que moram em Israel, e que certamente t\u00eam lhes contado as pr\u00f3prias agruras. Mas quem sabe a situa\u00e7\u00e3o lhes abra a sensibilidade, e a possibilidade, de enxergar al\u00e9m da cortina de fuma\u00e7a da <em>h\u00e1sbara<\/em>, a propaganda sionista, e de conhecer o outro lado da hist\u00f3ria&#8230;<\/p>\n<p><strong>Netanyhau perde f\u00f4lego<\/strong><\/p>\n<p>Depois de ver recusada a primeira proposta feita aos indignados israelenses, Netanyhau decidiu montar uma for\u00e7a-tarefa para tentar resolver a situa\u00e7\u00e3o. Parece pouco prov\u00e1vel que o grupo obtenha algum sucesso. Para que isso fosse poss\u00edvel, o governo teria de abrir m\u00e3o de suas pol\u00edticas neoliberais, que beneficiam apenas a camada j\u00e1 enriquecida da sociedade. Uma das bases do projeto sionista, a economia de livre mercado, dificilmente ceder\u00e1 lugar a qualquer outra capaz de promover a \u201cjusti\u00e7a social\u201d exigida pelos manifestantes.<\/p>\n<p>Mesmo que a proposta da for\u00e7a-tarefa fosse aceita, o jogo parece perdido para Netanyhau. Sua imagem j\u00e1 foi bastante arranhada, o que se reflete em queda de popularidade. Pesquisa publicada pelo jornal liberal israelense <em>Haaretz<\/em> mostrou que a aprova\u00e7\u00e3o ao primeiro ministro, de 53% em maio, caiu para 32% no final de julho, quando os protestos se arrastavam havia duas semanas e tinham um n\u00edvel alto de ades\u00e3o. A pesquisa tamb\u00e9m indicou que 87% dos israelenses apoiam a mobiliza\u00e7\u00e3o popular. No domingo, 23 de julho, os indignados, em passeata ao parlamento, exigiram a ren\u00fancia do primeiro ministro.<\/p>\n<p>Mesmo \u00e0s voltas com esses graves problemas internos, Netanyhau ainda abriu espa\u00e7o em sua agenda para criticar a \u201cintransig\u00eancia\u201d palestina, que \u00e9 como a direita israelense chama a decis\u00e3o da ANP de ir \u00e0 Assembleia Geral da ONU solicitar o reconhecimento do Estado palestino (seu ingresso como membro pleno na organiza\u00e7\u00e3o \u00e9 assunto do Conselho de Seguran\u00e7a; os Estados Unidos j\u00e1 anunciaram que vetar\u00e3o a proposta). Em discurso para o comit\u00ea de assuntos internacionais e seguran\u00e7a do Parlamento, ele revelou que o governo trabalha num projeto de paz \u201cbaseado em alguns dos pontos\u201d citados pelo presidente Barack Obama, mas com fronteiras \u201cdiferentes daquelas de antes de 1967\u201d. E decretou: \u201cN\u00e3o aceitaremos os termos dos palestinos para negocia\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>At\u00e9 a\u00ed, nenhuma novidade. \u00c9 exatamente isso que os sucessivos governos sionistas v\u00eam fazendo ao longo de todos esses anos. As \u201cnegocia\u00e7\u00f5es de paz\u201d s\u00e3o simples estrat\u00e9gias para estender a ocupa\u00e7\u00e3o, algo que os palestinos denunciam faz tempo. Agora, por\u00e9m, o plano n\u00e3o funciona mais. Na tentativa de fazer a ANP desistir da ONU, Israel ofereceu novas conversa\u00e7\u00f5es aos palestinos, que as recusaram. O boato de que Saeb Erekat, membro do comit\u00ea executivo da OLP, fora a Washington retomar as negocia\u00e7\u00f5es de paz, foram negados por ele. E esta semana a Coordenaria dos Comit\u00eas Populares de Luta contra a ocupa\u00e7\u00e3o deixou claro que a popula\u00e7\u00e3o n\u00e3o aceita nenhum tipo de acordo com Israel. \u201c\u00c9 direito do povo palestino ter seu Estado plenamente reconhecido pela ONU, com Jerusal\u00e9m como sua capital\u201d, afirma o documento preparado pelos l\u00edderes populares da Palestina.<\/p>\n<p>A Coordenadoria tamb\u00e9m anunciou o in\u00edcio de uma a\u00e7\u00e3o intensiva visando a \u201cum programa de luta popular\u201d em setembro, tanto nos territ\u00f3rios palestinos como nas na\u00e7\u00f5es em que a sociedade civil apoia a Palestina, para que ela se torne o 194\u00ba. Estado-membro da ONU. Est\u00e3o previstas, por enquanto, concentra\u00e7\u00f5es no Egito, na Tun\u00edsia, em Nova York, em Washington e nos campos de refugiados do L\u00edbano, S\u00edria e Jord\u00e2nia. No Brasil, o Comit\u00ea pelo Estado da Palestina J\u00e1 tamb\u00e9m promete mobiliza\u00e7\u00e3o popular. Reuni\u00f5es di\u00e1rias t\u00eam sido realizadas pela Coordenadoria e por representantes dos 13 partidos palestinos, para organizar a \u201cPrimavera \u00c1rabe-Palestina\u201d.<\/p>\n<p>A rea\u00e7\u00e3o sionista n\u00e3o demorou. Cada vez mais violentos, os colonos judeus, usando m\u00e1scaras para n\u00e3o ser reconhecidos, atacam os moradores das vilas palestinas, queimam ou destroem suas planta\u00e7\u00f5es, perseguem pastores e rebanhos quase diariamente. \u201cEles andam pelas terras palestinas como se fossem donos delas\u201d, testemunha um volunt\u00e1rio brasileiro em Hebron. Em rela\u00e7\u00e3o ao governo israelense, milh\u00f5es de d\u00f3lares j\u00e1 foram investidos na compra de armas e equipamentos para reprimir as manifesta\u00e7\u00f5es pac\u00edficas dos palestinos em setembro. Em resumo, com Estado reconhecido ou n\u00e3o, os palestinos n\u00e3o ter\u00e3o sossego t\u00e3o cedo. <\/p>\n<p><strong>Fonte: <\/strong><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.vivapalestina.com.br\/\" target=\"_blank\"><strong>www.vivapalestina.com.br<\/strong><\/a><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.palestinalivre.org\/\" target=\"_blank\"><strong>www.palestinalivre.org<\/strong><\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n\n\nCr\u00e9dito: PCI\n\n\n\n\n\n\n\n\nBaby Siqueira Abr\u00e3o &#8211;babyabrao@gmail.com\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/1742\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[78],"tags":[],"class_list":["post-1742","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c91-solidariedade-a-palestina"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-s6","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1742","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1742"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1742\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1742"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1742"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1742"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}