{"id":17440,"date":"2017-11-27T19:59:10","date_gmt":"2017-11-27T22:59:10","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=17440"},"modified":"2017-11-27T19:59:10","modified_gmt":"2017-11-27T22:59:10","slug":"um-novo-sistema-monetario-internacional","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/17440","title":{"rendered":"Um novo sistema monet\u00e1rio internacional"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"Um novo sistema monet\u00e1rio internacional\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.odiario.info\/b2-img\/WimDierckxsens_WalterFormento.jpg?w=747&#038;ssl=1\" alt=\"Um novo sistema monet\u00e1rio internacional\" \/><!--more-->\u00abO d\u00f3lar est\u00e1 em recuo perante o claro avan\u00e7o do \u201cpetro-yuan-ouro\u201d. Na realidade n\u00e3o se trata de uma nova petro-moeda mas de um outro esquema de moeda mundial dominante: o petro-g\u00e1s-ouro-moeda. Estes factos e o seu impacto comp\u00f5em o panorama do fim do d\u00f3lar e da sua movimenta\u00e7\u00e3o, agora ainda como moeda dominante de refer\u00eancia internacional, juntamente com o conjunto de institui\u00e7\u00f5es associadas \u00e0 velha arquitectura, primeiro do ouro-d\u00f3lar (1944-1971) e depois do petrod\u00f3lar (1971-2017). Ser\u00e1 por isso o acto fundacional do mundo multipolar do s\u00e9culo XXI\u00bb<\/p>\n<p><strong>Introdu\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Os pa\u00edses que formam os BRICS, com a China e a R\u00fassia \u00e0 cabe\u00e7a, lan\u00e7am outra iniciativa que se soma \u00e0 j\u00e1 tomada em Maio de 2017, mas agora colocam a disputa no terreno mais importante, no esquema da moeda de c\u00e2mbio e reserva mundial. A moeda que colocam \u00e9 o petr\u00f3leo-yuan-ouro. Um esquema de moeda mundial n\u00e3o s\u00f3 apoiado na commodity (mat\u00e9ria-prima) mais importante, o petr\u00f3leo, mas tamb\u00e9m por constitu\u00edrem a economia mais din\u00e2mica do mundo com capacidade real para lutar com o petrod\u00f3lar e um esquema econ\u00f3mico-estrat\u00e9gico universal, multipolar, com capacidade de confrontar o globalismo financeiro.<\/p>\n<p>Claro que a sua vantagem n\u00e3o radica apenas no facto de ser o esquema das economias mais din\u00e2micas, mas tamb\u00e9m de, al\u00e9m disso, serem grandes produtores e compradores de ouro que j\u00e1 criaram umas gigantescas reservas para apoiar o yuan nesta movimenta\u00e7\u00e3o que, por si s\u00f3, n\u00e3o poderia avan\u00e7ar e impor-se. O ouro, o reconhecimento pelo FMI do yuan como moeda internacional em Outubro de 2016, o terem desenvolvido todo um sistema de institui\u00e7\u00f5es financeiras na City de Londres, o que lhe permite colocarem n\u00e3o s\u00f3 o yuan como moeda, com o petr\u00f3leo e o ouro como apoio, mas tamb\u00e9m usar o d\u00f3lar como instrumento no caminho para a viabiliza\u00e7\u00e3o e desenvolvimento do mecanismo, o que facilita a utiliza\u00e7\u00e3o das reservas de d\u00f3lares em t\u00edtulos do Tesouro dos EUA (mais de um bili\u00e3o de d\u00f3lares) para impor o mecanismo e debilitar as manobras da FED contra o novo esquema de moeda internacional.<\/p>\n<p>A tudo isto, acresce que o yuan multipolar dos BRICS j\u00e1 est\u00e1 criado e apoiado por um cabaz de moedas e numa nova arquitectura financeira (com o seu fundo de fomento e desenvolvimento, o seu banco de financiamento e o seu sistema de compensa\u00e7\u00f5es alternativo ao SWIFT), onde apenas falta que se lhes juntem os EUA e o Jap\u00e3o. A tudo isto acresce tamb\u00e9m a nova arquitectura produtiva-comercial da nova rota-da-seda (OBOR) e a sua iniciativa de 500 mil milh\u00f5es lan\u00e7ada em 14 de maio de 2017.<\/p>\n<p>Por tudo isto, \u00e9 muito importante o que acontece em \u00c1frica, na Am\u00e9rica Latina (Brasil, Argentina, Venezuela, Col\u00f4mbia, M\u00e9xico, etc.) e tamb\u00e9m na Europa, com a consolida\u00e7\u00e3o da UE como pot\u00eancia continental que olha para Este e os BRICS, no meio do desenvolvimento da crise do Brexit, com um globalismo financeiro comprovado na City de Londres e, agora, apoiado na City de Paris e no governo pr\u00f3-globaliza\u00e7\u00e3o de Macron; na cria\u00e7\u00e3o de massivas migra\u00e7\u00f5es orientadas a partir da NATO e das suas for\u00e7as irregulares (ISIS\/EI) etc.; na capacidade da massiva produ\u00e7\u00e3o\/destrui\u00e7\u00e3o, na subjectividade pol\u00edtica e ideol\u00f3gica das plataformas globais de comunica\u00e7\u00e3o em rede, actuando com indiv\u00edduos atrav\u00e9s do manejamento dos Big Data que, com o seu cont\u00ednuo bombardeamento ao eurocepticismo local, fragmenta o continental e apenas alimenta o nada-global como sa\u00edda, o que pode ser captado pela rede de Citys financeiras, que operam atrav\u00e9s dos bancos centrais e dos seus governos de elites tecnocr\u00e1tico-financeiras n\u00e3o eleitas pelos povos.<\/p>\n<p>\u00c9 aqui que se observa a import\u00e2ncia da consolida\u00e7\u00e3o do n\u00facleo continental de poder na EU, constitu\u00eddo pela Alemanha\/Fran\u00e7a\/It\u00e1lia, e sustentado na produ\u00e7\u00e3o industrial\/cient\u00edfica e tecnol\u00f3gica com justi\u00e7a social. Por isso, as elei\u00e7\u00f5es em toda a UE, na Alemanha e Fran\u00e7a t\u00eam tido uma conota\u00e7\u00e3o e import\u00e2ncia superlativa.<\/p>\n<p>E as leituras das propostas eleitorais em termos de esquerda social-democrata (agora aprisionada na sua c\u00fapula pelas oligarquias globais) e da extrema-direita fascista (que atrai a burguesia e os pequenos empres\u00e1rios de escala local-nacional) promovida pelas plataformas de comunica\u00e7\u00e3o, pelos atentados terroristas da NATO\/ISIS e outros instrumentos recuperados da Segunda Guerra mundial e financiados pelo dinheiro global do crime organizado e administrado pelos bancos, s\u00e3o mais prejudiciais que nunca, e apenas empolam o globalismo neoliberal e socio-liberal.<\/p>\n<p>O centro-direita, que j\u00e1 \u00e9 uma oligarquia continental que se expressa na rela\u00e7\u00e3o de confronto das institui\u00e7\u00f5es da Uni\u00e3o Europeia, e j\u00e1 n\u00e3o como um nacionalismo em transi\u00e7\u00e3o para a consolida\u00e7\u00e3o, atravessa uma crise e ainda n\u00e3o construiu legitimidades sociais.<\/p>\n<p><strong>Do petrod\u00f3lar ao petro-yuan<\/strong><\/p>\n<p>Na \u00faltima confer\u00eancia dos BRICS, a China e a R\u00fassia revelaram que v\u00e3o usar entre si um novo esquema de moeda: o petr\u00f3leo\/yuan\/ouro. A China, como primeiro importador mundial de petr\u00f3leo, est\u00e1 a avan\u00e7ar na prepara\u00e7\u00e3o e assinatura de contratos de futuros, para comprar petr\u00f3leo em yuans chineses convert\u00edveis em ouro. Para tornar o contrato em yuans mais atractivo, a China prev\u00ea fazer com que o yuan seja totalmente convert\u00edvel em ouro antes do fim de 2017. A fixa\u00e7\u00e3o dos pre\u00e7os do petr\u00f3leo em yuans \u2013 juntamente com o plano da Bolsa de Valores de Hong-Kong para vender contratos de ouro f\u00edsico cotado em yuans \u2013 criar\u00e1 um sistema atrav\u00e9s do qual o pa\u00eds poder\u00e1 eludir o sistema banc\u00e1rio estado-unidense e n\u00e3o s\u00f3 o sistema Swift como, inclusive, o pr\u00f3prio sistema de Bretton Woods. Os pa\u00edses que v\u00e3o ver-se mais imediatamente beneficiados por esta revolu\u00e7\u00e3o s\u00e3o, naturalmente, aqueles aos quais foram impostas san\u00e7\u00f5es ocidentais como a R\u00fassia, o Ir\u00e3o e a Venezuela.<\/p>\n<p>Em 20 de Setembro, Vladimir Putin deu instru\u00e7\u00f5es para que em finais de 2017 o d\u00f3lar deixe de ser a moeda de pagamento em todos os portos do pa\u00eds. Na mesma data o presidente da Venezuela, Nicolas Maduro anunciou que o seu pa\u00eds deixaria de lado o d\u00f3lar como moeda de pagamento na compra de petr\u00f3leo, como contrapartida das san\u00e7\u00f5es impostas pelos EUA ao seu pa\u00eds. Com as maiores reservas provadas do mundo, a Venezuela decide avan\u00e7ar na utiliza\u00e7\u00e3o do yuan como moeda de pagamento do crude. A empresa venezuelana de petr\u00f3leo PDVSA j\u00e1 come\u00e7ou a cotar o seu pre\u00e7o e a manter as suas contas em euros, pondo o d\u00f3lar de lado.<\/p>\n<p>O Ir\u00e3o e a Venezuela sofreram particularmente com a sua exclus\u00e3o do sistema de pagamentos internacional em d\u00f3lares, o que os impediu de investir de modo significativo em infra-estruturas. Como contrapartida, a China favoreceu estes produtores de petr\u00f3leo, aceitando que vendam a sua mercadoria em yuans, fora do esquema petr\u00f3leo-d\u00f3lar. As pol\u00edticas de san\u00e7\u00f5es e boicotes dos EUA n\u00e3o conseguiram outro resultado que n\u00e3o fosse orientar e empurrar estes pa\u00edses para a op\u00e7\u00e3o do multipolarismo. O Ir\u00e3o, a R\u00fassia e outros produtores de petr\u00f3leo mais pequenos, como Angola e a Nig\u00e9ria, j\u00e1 vendem petr\u00f3leo e g\u00e1s \u00e0 China em yuans. Nos \u00faltimos dois anos, o Qatar transaccionou mais de 86 mil milh\u00f5es de d\u00f3lares em yuans. O Qatar, sunita e pr\u00f3-ocidental, inclina-se para o Ir\u00e3o e a China e at\u00e9 um dos Emiratos (Sharjah) j\u00e1 tem previsto emitir t\u00edtulos em yuans.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m grande parte de \u00c1frica se comprometeu com a introdu\u00e7\u00e3o do yuan como segunda moeda de reserva de refer\u00eancia. Em concreto, o Gana, a Nig\u00e9ria, as Ilhas Maur\u00edcias, o Zimbabwe, a \u00c1frica do Sul e Angola j\u00e1 introduziram o yuan entre as suas moedas de reserva. A \u00fanica coisa que impede o Jap\u00e3o e a Rep\u00fablica da Coreia de aceitar o yuan como moeda de c\u00e2mbio \u00e9 a crise montada \u00e0 volta da Rep\u00fablica Democr\u00e1tica da Coreia.<\/p>\n<p>Tudo isto prenuncia o momento da \u00abqueda\u00bb ou morte do petrod\u00f3lar.<\/p>\n<p>Hoje, em termos de produ\u00e7\u00e3o de g\u00e1s e petr\u00f3leo juntos, os EUA s\u00e3o um grande concorrente do seu hist\u00f3rico (1970-2015) aliado estrat\u00e9gico, a Ar\u00e1bia Saudita, e por isso reduziu a sua importa\u00e7\u00e3o de 14 milh\u00f5es de barris por ano em 2007 para 8 milh\u00f5es em 2017. Tamb\u00e9m a R\u00fassia diminuiu as importa\u00e7\u00f5es do petr\u00f3leo saudita. Perder nesta conjuntura o cliente chin\u00eas significaria para a Ar\u00e1bia Saudita ficar com um gigantesco excedente de produ\u00e7\u00e3o, o que provocaria um trambolh\u00e3o das suas receitas. O rei Salman da Ar\u00e1bia Saudita p\u00f4s de lado o pr\u00edncipe bin Naif da linha de sucess\u00e3o a favor do pr\u00edncipe bin Salman, conhecido pelo seu di\u00e1logo f\u00e1cil com a R\u00fassia e a China.<\/p>\n<p>Para a Ar\u00e1bia Saudita, aceitar o pagamento de petr\u00f3leo em yuans significa arriscar-se a perder a \u00abprotec\u00e7\u00e3o\u00bb militar dos Estados Unidos. Da\u00ed, podemos ver quanto pesar\u00e1 este argumento no momento de tomar a decis\u00e3o de optar pelo yuan. \u00c9 j\u00e1 claro que a opini\u00e3o p\u00fablica internacional n\u00e3o estar\u00e1 do lado da Ar\u00e1bia Saudita se esta se comprometer com os EUA num conflito directo com o Ir\u00e3o. Por isso, n\u00e3o \u00e9 estranhar que se esteja muito perto de um fundo de investimentos chino-saudita ou da decis\u00e3o de compra de 5% da empresa petrol\u00edfera Saudi Aramco. As evid\u00eancias amontoam-se e fala-se da anunciada morte do petrod\u00f3lar.<\/p>\n<p><strong>Do petro-yuan ao petro-yuan-ouro<\/strong><\/p>\n<p>A China anunciou que lan\u00e7ar\u00e1 no final de 2017 o esquema do c\u00e2mbio petr\u00f3leo-yuan-ouro, facto que mudar\u00e1 o sistema monet\u00e1rio internacional. Todos os exportadores de petr\u00f3leo para a China ter\u00e3o primeiro de aceitar a moeda chinesa, o yuan apoiado no ouro, a troco de petr\u00f3leo. Como incentivo, os chineses oferecem trocar os yuans recebidos por ouro, contra a entrega de petr\u00f3leo. Os exportadores de petr\u00f3leo, no entanto, poder\u00e3o retirar estes t\u00edtulos de ouro da China, isto \u00e9, o petro-yuan estar\u00e1 convert\u00edvel nos chamados \u00abBullion Banks\u00bb em Londres. Estes ter\u00e3o de entregar ouro aos exportadores de petr\u00f3leo a troco dos t\u00edtulos em yuans recebidos.<\/p>\n<p>Os \u201cBullion Banks\u201d s\u00e3o entidades financeiras que controlam o pre\u00e7o do ouro atrav\u00e9s da venda de contratos a prazo (ouro em papel). Os ditos contratos comprometem a entregar a determinado pre\u00e7o. Os especuladores costumam comprar os ditos contratos e aspiram um lucro em d\u00f3lares nas suas apostas, esperando que o seu pre\u00e7o suba, mas tamb\u00e9m n\u00e3o t\u00eam nenhuma inten\u00e7\u00e3o de entregar fisicamente ouro. \u00c9 de supor que os \u201cBullion Banks\u201d tamb\u00e9m n\u00e3o tencionem aceitar certificados em yuans a troco da entrega de ouro f\u00edsico aos exportadores de petr\u00f3leo.<\/p>\n<p>Pelo que \u00e9 prov\u00e1vel que os \u201cBullion Banks\u201d cambiem primeiro os certificados em yuans por d\u00f3lares. Como a China \u00e9 o principal possuidor de t\u00edtulos do Tesouro dos EUA, o Banco da China ser\u00e1 seguramente o fornecedor destes d\u00f3lares. Com o objectivo de reduzir as suas enormes reservas internacionais em d\u00f3lares, este banco aceitar\u00e1 os yuans a troco de d\u00f3lares. Os \u201cBullion Banks\u201d oferecer\u00e3o aos exportadores de petr\u00f3leo contratos futuros em d\u00f3lares (ouro em papel) em vez de fisicamente ouro, numa opera\u00e7\u00e3o que matar\u00e1 dois p\u00e1ssaros com um s\u00f3 tiro. Os exportadores de petr\u00f3leo para a China obter\u00e3o os seus contratos em futuros de ouro em Londres e a China conseguir\u00e1 desfazer-se das suas enormes reservas em d\u00f3lares, cujo valor futuro se est\u00e1 para ver. A crescente quantidade de futuros de ouro a que os \u201cBullion Banks\u201d se comprometem gerar\u00e1 uma press\u00e3o sobre o pre\u00e7o do ouro que, obviamente, ter\u00e1 que ter uma alta com essa procura. No passado, para os detentores de \u201couro em papel\u201d foi muito dif\u00edcil conseguir um entrega efectiva de ouro f\u00edsico. No entanto, quando o esquema chin\u00eas come\u00e7ar a funcionar o cen\u00e1rio poder\u00e1 realmente mudar, j\u00e1 que surgir\u00e1 uma situa\u00e7\u00e3o que os gestores dos ditos bancos nunca viram antes, acostumados como est\u00e3o a manipular o pre\u00e7o do ouro para baixo.<\/p>\n<p>\u00c9 um dado de facto que a quantidade de petr\u00f3leo importada pela China \u00e9 enorme. A China n\u00e3o s\u00f3 \u00e9 o primeiro produtor mundial de bens e servi\u00e7os com o maior PIB Paridade (17 bili\u00f5es), como tamb\u00e9m \u00e9 o principal importador de petr\u00f3leo, com oito milh\u00f5es de barris\/dia. S\u00f3 a Ar\u00e1bia Saudita exporta um milh\u00e3o de barris de petr\u00f3leo por dia para a China e actualmente ainda o faz em d\u00f3lares. No dia em que a Ar\u00e1bia Saudita receba yuans convert\u00edveis em ouro para a entrega de petr\u00f3leo, estamos a falar (a um pre\u00e7o de 50 USD por barril) de 50 milh\u00f5es de d\u00f3lares por dia ou 1.183 toneladas de ouro que este pa\u00eds, diariamente, reclamar\u00e1 retirar do mercado de ouro em Londres. Isto representa uma procura de 431,8 toneladas de ouro por ano.<\/p>\n<p>Mas a Ar\u00e1bia Saudita n\u00e3o \u00e9 o \u00fanico pa\u00eds em jogo, j\u00e1 vimos que h\u00e1 outros grandes exportadores de petr\u00f3leo e g\u00e1s, como a R\u00fassia, o Ir\u00e3o e recentemente tamb\u00e9m a Venezuela. Estes pa\u00edses deixar\u00e3o de utilizar o d\u00f3lar como moeda de c\u00e2mbio para passar a vender petr\u00f3leo em yuans. Com esta oferta conjunta fora do esquema petr\u00f3leo-d\u00f3lar, combinada com a oferta de g\u00e1s e petr\u00f3leo de todos os outros pa\u00edses exportadores para a China a troco de cada vez mais yuans, estamos a falar de, a partir de 2018, haver uma procura de ouro de mais de mil toneladas por ano.<\/p>\n<p>Quando os yuans na posse dos exportadores petr\u00f3leo chegarem aos \u201cBullion Banks\u201d, estes primeiro troc\u00e1-los-\u00e3o por d\u00f3lares, moeda em que funciona o mercado do ouro em Londres. Com uma procura de ouro em forte crescimento, o pre\u00e7o do ouro f\u00edsico ter\u00e1 inevitavelmente uma subida, e isto ser\u00e1 em d\u00f3lares. Este aumento significa que se entregar\u00e1 menos ouro f\u00edsico pelo mesmo barril de petr\u00f3leo.<\/p>\n<p>Quando os exportadores perceberem a tend\u00eancia para a baixa na rela\u00e7\u00e3o ouro-petr\u00f3leo rapidamente aumentar\u00e3o a sua oferta de petr\u00f3leo a fim de obterem um melhor pre\u00e7o agora do que se o entregarem mais tarde. Como \u00e9 costume, todos os exportadores far\u00e3o o mesmo, o resultado ser\u00e1 que em pouco tempo se observar\u00e1 que o pre\u00e7o do ouro f\u00edsico disparar\u00e1 em termos de d\u00f3lares. Dito de outra maneira, o d\u00f3lar sofrer\u00e1 uma desvaloriza\u00e7\u00e3o em termos de ouro, mas n\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o ao yuan.<\/p>\n<p>A China tem actualmente enormes reservas de ouro f\u00edsico para apoio da sua moeda, cujo valor disparar\u00e1 quando o d\u00f3lar desvalorizar. Em contrapartida, \u00e9 evidente que os EUA depois de 45 anos \u2013 1971-2017 \u2013 do d\u00f3lar como moeda mundial (o chamado petrod\u00f3lar) j\u00e1 n\u00e3o disp\u00f5em das reservas de ouro que tiveram no passado, assunto que abord\u00e1mos em trabalhos anteriores.<\/p>\n<p>Por outras palavras, o d\u00f3lar est\u00e1 em recuo perante o claro avan\u00e7o do \u201cpetro-yuan-ouro\u201d. Na realidade n\u00e3o se trata de uma nova petro-moeda mas de um outro esquema de moeda mundial dominante: o petro-g\u00e1s-ouro-moeda. Estes factos e o seu impacto comp\u00f5em o panorama do fim do d\u00f3lar e da sua movimenta\u00e7\u00e3o, agora ainda como moeda dominante de refer\u00eancia internacional, juntamente com o conjunto de institui\u00e7\u00f5es associadas \u00e0 velha arquitectura, primeiro do ouro-d\u00f3lar (1944-1971) e depois do petrod\u00f3lar (1971-2017). Ser\u00e1 por isso o acto fundacional do mundo multipolar do s\u00e9culo XXI, a unidade de medida da magnitude do poder mundial, tal como o foram os acordos de Bretton Woods, quando os EUA impuseram o padr\u00e3o ou esquema de moeda mundial de c\u00e2mbio d\u00f3lar-ouro, o que implica, agora, institucionalizar o esquema que substitui o d\u00f3lar e os poderes financeiros que acumulam valor\/poder a partir dele.<\/p>\n<p><strong>As respostas do d\u00f3lar perante a subida do yuan<\/strong><\/p>\n<p>Devido ao pr\u00f3prio peso da economia real, todos os exportadores de petr\u00f3leo para a China aceitaram o yuan como moeda apoiada no ouro. Os exportadores de petr\u00f3leo poder\u00e3o retirar este certificado da China para os chamados \u201cBullion Banks\u201d em Londres. Como estes bancos n\u00e3o aceitam yuans como pagamento de ouro f\u00edsico trocar\u00e3o os yuans por d\u00f3lares para entregarem contratos de futuros de entrega de ouro (papel ouro).<\/p>\n<p>O mais seguro fornecedor destes d\u00f3lares \u00e9 o Banco da China, j\u00e1 que \u00e9 ele quem possui mais t\u00edtulos de Tesouro. A China usar\u00e1 os d\u00f3lares que recebe por vender os t\u00edtulos do Tesouro dos Estados Unidos na compra dos yuans apoiados no ouro. O pre\u00e7o do ouro f\u00edsico disparar\u00e1 em termos de d\u00f3lares. O retorno dos t\u00edtulos do Tesouro aos EUA ser\u00e1 cada vez mais massivo \u00e0 medida que se generalize a venda de petr\u00f3leo a troco de yuans e o d\u00f3lar sofrer\u00e1 uma nova desvaloriza\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o ao ouro.<\/p>\n<p>Para contrariar esta amea\u00e7a, a FED (Reserva Federal dos EUA) anunciou em 20 de Setembro de 2017, o come\u00e7o do programa de venda dos seus t\u00edtulos do Tesouro \u00abadquiridos\u00bb durante o per\u00edodo 2008 a 2014. Desta forma, A FED projecta retirar liquidez em d\u00f3lares do sistema financeiro que ela pr\u00f3pria engendrou com o programa de emiss\u00e3o sem garantia em ouro para apoiar a sua grande Banca em crise, os demasiados grandes para ca\u00edrem (Flexibiliza\u00e7\u00e3o Quantitativa). Al\u00e9m disso, a FED decidiu deixar a sua a taxa de juro sem altera\u00e7\u00f5es, n\u00e3o a aumentando como tinha sido a sua planifica\u00e7\u00e3o original.<\/p>\n<p>Depois da crise financeira de 2008, a Reserva Federal (tal como todos os outros bancos centrais do mundo), comprou durante seis anos t\u00edtulos de Tesouraria dos EUA, a fim de os redimensionar para activos mais lucrativos (ac\u00e7\u00f5es, t\u00edtulos, etc.), ainda que mais especulativos e mais arriscados, reduzindo para isso as taxas de juro, isto \u00e9, baixando os custos de financiamento do cr\u00e9dito para as empresas. Nos EUA este dinheiro f\u00e1cil chegou ao record de uns 3,5 bili\u00f5es de d\u00f3lares, o que representa cerca de 25% de toda a economia norte-americana. Esta massa de dinheiro sem garantia, ou seja, criado do nada, investiu-se cada vez menos na economia real e dirigiu-se para a bolsa de valores, o mercado de t\u00edtulos ou de bens de raiz, movimentando os \u00edndices bolsistas e o mercado da d\u00edvida. Com isto, a Bolsa de Valores de Nova Iorque disparou e, hoje em dia, os \u00edndices bolsistas e o mercado de obriga\u00e7\u00f5es encontram-se no seu m\u00e1ximo hist\u00f3rico. Ao mesmo tempo, o mercado de bens de raiz (hipotecas imobili\u00e1rias) est\u00e1 de novo em clara ascens\u00e3o, como se nada tivessem aprendido nada com a grande crise hipotec\u00e1ria de 2007-2008, que levou ao rebentar da grande crise financeira global com a queda do Lheman Brothers, que paralisou a economia real durante anos nos chamados pa\u00edses centrais, o que quer dizer que est\u00e3o uma vez mais a brincar com o fogo. Mas em 2017 existe uma situa\u00e7\u00e3o de poder real distinta, h\u00e1 mais debilidade porque emergiram novos esquemas de poderes multipolares e universais de car\u00e1cter diferente dos do unipolarismo financeiro transnacional que impunha comportamentos e marcara os tempos at\u00e9 2013.<\/p>\n<p>Para o final de 2018 projecta-se que o volume das redu\u00e7\u00f5es de d\u00f3lares ter\u00e1 chegado aos 500 mil milh\u00f5es de d\u00f3lares. O presidente do banco da Reserva Federal de Nova Iorque sugeriu que a balan\u00e7a negativa da FED ser\u00e1 reduzida num montante entre um e dois mil milh\u00f5es de d\u00f3lares, de 2017 ao final de 2020. As bolsas dos EUA que durante muito tempo conheceram um auge sem precedentes gra\u00e7as ao dinheiro \u00abf\u00e1cil\u00bb investido em ac\u00e7\u00f5es sofrer\u00e3o uma forte contrac\u00e7\u00e3o monet\u00e1ria e uma consequente queda. Para evitar o desmoronar dos mercados a FED espera que o processo de retirada de d\u00f3lares n\u00e3o seja r\u00e1pido, mas num prazo longo, que teve in\u00edcio em Outubro de 2017. Por isso, para o final de 2018 projecta-se que o volume das redu\u00e7\u00f5es ter\u00e1 atingido 500 mil milh\u00f5es de d\u00f3lares.<\/p>\n<p>Quando n\u00e3o s\u00f3 o petr\u00f3leo e o g\u00e1s entrarem nesta nova situa\u00e7\u00e3o mundial, mas tamb\u00e9m as mat\u00e9rias-primas em geral, \u00e9 de esperar que a China se desfa\u00e7a, de forma cada vez mais acelerada, dos t\u00edtulos do Tesouro a troco de d\u00f3lares, trocando por sua vez estes d\u00f3lares por yuans. Com isso aumentar\u00e1 a liquidez em d\u00f3lares nos EUA sem baixar as taxas de juro, o que leva a que o cr\u00e9dito seja mais dif\u00edcil. No entanto, a substitui\u00e7\u00e3o do d\u00f3lar pelo yuan provocar\u00e1 uma consider\u00e1vel diminui\u00e7\u00e3o da procura do d\u00f3lar. Assim torna-se necess\u00e1ria uma retirada l\u00edquida e acelerada de d\u00f3lares do mercado de dinheiro para evitar uma forte desvaloriza\u00e7\u00e3o do d\u00f3lar. Ent\u00e3o, \u00e9 preciso que a FED retire d\u00f3lares do mercado de dinheiro a um determinado ritmo o que, a n\u00e3o acontecer, poder\u00e1 ter como consequ\u00eancia uma forte contrac\u00e7\u00e3o do dinheiro que afectaria em primeiro lugar o mercado bolsista. As campainhas de alarme j\u00e1 tocam em Wall Street anunciando uma poss\u00edvel crise do tipo da de 2008, mas a bolha que rebentar\u00e1 \u00e9 v\u00e1rias vezes maior (1 a 20 vezes, prev\u00eaem) e os jogadores unipolares financeiros s\u00e3o hoje v\u00e1rias vezes mais fr\u00e1geis que em 2008. Esta \u00faltima tend\u00eancia encarecer\u00e1 o d\u00f3lar ao aumentar o tipo de c\u00e2mbio da moeda estado-unidense, afectando os pa\u00edses emergentes com o servi\u00e7o das suas d\u00edvidas ainda em d\u00f3lares. No entanto, tudo conjugado, estimamos que a tend\u00eancia de desvaloriza\u00e7\u00e3o prevalecer\u00e1 sobre uma eventual aprecia\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A retirada ponderada de liquidez do mercado com a consequente normaliza\u00e7\u00e3o do balan\u00e7o da FED, juntamente com a alta das taxas de juro significaria, sem d\u00favida, uma pol\u00edtica monet\u00e1ria restritiva contr\u00e1ria \u00e0s pol\u00edticas de expans\u00e3o econ\u00f3mica que Trump necessita e prop\u00f5e. Esta \u00e9 a pol\u00edtica das for\u00e7as globalistas e uma eventual queda das bolsas de valores ser\u00e1 pelos grandes media inevitavelmente atribu\u00edda \u00e0 \u00abinoper\u00e2ncia\u00bb de Trump, ainda que este nada tenha a ver com isso. Se bem que na sua reuni\u00e3o de Setembro de 2017 a FED tivesse deixado a taxa de refer\u00eancia sem altera\u00e7\u00e3o, indicou que espera mais uma alta este ano e tr\u00eas para o ano que vem, sendo que para 2019 a taxa poderia alcan\u00e7ar uns 2,7%. Donald Trump pressionou e pressionar\u00e1 fortemente para que n\u00e3o haja mais subidas das taxas de juro, porque isso afectar\u00e1 negativamente seu plano de expans\u00e3o econ\u00f3mica, baseado fundamentalmente no aumento do investimento p\u00fablico (a cr\u00e9dito) e na baixa dos impostos.<\/p>\n<p>O choque entre Donald Trump e a pr\u00f3-globaliza\u00e7\u00e3o Reserva Federal \u00e9 uma realidade desde o primeiro momento em que o \u00abinquilino\u00bb da Casa Branca entrou em campanha, em Junho de 2016. Trump tem a opini\u00e3o que a FED deveria seguir as orienta\u00e7\u00f5es do governo, mas embora ela se considere independente, a verdade \u00e9 representa os interesses da globaliza\u00e7\u00e3o unipolar. Na realidade, desde que Trump assumiu a presid\u00eancia dos EUA em 2017, a FED de Janet Yellen desenvolveu uma pol\u00edtica que come\u00e7ou com a alta das taxas de juro, o que encareceu o pre\u00e7o do dinheiro a cr\u00e9dito. Uma pol\u00edtica que se contrap\u00f5e aos planos do governo de Trump. No entanto, a pol\u00edtica chinesa de venda de t\u00edtulos do Tesouro complica a vida da FED para executar o projecto de favorecimento dos interesses da globaliza\u00e7\u00e3o. Esta situa\u00e7\u00e3o pode for\u00e7ar as for\u00e7as da globaliza\u00e7\u00e3o a uma situa\u00e7\u00e3o em que tenham de retroceder.<\/p>\n<p>Os principais riscos da alta das taxas de juro para a economia estado-unidense, tal como para a economia real, continuam a ser as incobr\u00e1veis d\u00edvidas em d\u00f3lares das empresas e dos Estados, o que tamb\u00e9m inclui os EUA. Num ano apenas, estas d\u00edvidas tiveram um crescimento que atingiu 5% do PIB mundial (cujo motor \u00e9 a China e o mundo das economias emergentes), que cada vez mais se expressa em dinheiro fict\u00edcio (bolha da especula\u00e7\u00e3o financeira). Tudo isto anteriormente expresso revela que a transi\u00e7\u00e3o para o novo sistema monet\u00e1rio internacional n\u00e3o acontecer\u00e1, como sucedeu historicamente, sem fortes abalos econ\u00f3micos e estrat\u00e9gicos.<\/p>\n<p>A tens\u00e3o entre a FED e Trump vai continuar at\u00e9 terminar o mandato de Janet Yellen na direc\u00e7\u00e3o da Reserva Federal que se prolonga at\u00e9 Fevereiro de 2018. Trump poder\u00e1 negar-se a prolongar o mandato da presidente da FED e, al\u00e9m disso, nomear para os outros cargos que vagam \u201cgente sua\u201d, para que no necess\u00e1rio sigam a mesma pol\u00edtica monet\u00e1ria e, primeiro que tudo, no que respeita \u00e0s taxas de juro. A partir de Abril de 2018 Trump poder\u00e1 contar com uma clara maioria na direc\u00e7\u00e3o da FED para controlar a pol\u00edtica monet\u00e1ria do pa\u00eds. Se conseguir impor uma nova direc\u00e7\u00e3o e com outra orienta\u00e7\u00e3o, isso significaria uma dura derrota para os interesses das for\u00e7as da globaliza\u00e7\u00e3o nos EUA. O tempo que decorrer\u00e1 at\u00e9 Abril est\u00e1 j\u00e1 em contagem regressiva e podemos esperar tempos de turbul\u00eancia desde agora at\u00e9 ao come\u00e7o da primavera, em 20 de Mar\u00e7o de 2018.<\/p>\n<p>Trump encontra-se nas melhores condi\u00e7\u00f5es para travar uma dura batalha pelo controlo da FED, uma batalha em que o globalismo unipolar financeiro apostar\u00e1 \u00abtudo\u00bb, como sempre que se colocou disputarem-lhe as pe\u00e7as-chave do seu poder. As condi\u00e7\u00f5es s\u00e3o favor\u00e1veis n\u00e3o s\u00f3 porque j\u00e1 demonstrou que pode ganhar (veja-se as elei\u00e7\u00f5es) como ao fazer cair os tratados de globaliza\u00e7\u00e3o do com\u00e9rcio (TTP e TTiP), e tamb\u00e9m ao abandonar o tratado sobre as altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas, como tamb\u00e9m as for\u00e7as do globalismo unipolar tamb\u00e9m sofreram derrotas na City de Londres com o Brexit, em ambos os casos apoiados pelo Universalismo multipolar dos BRICS e o Universalismo multipolar de Roma que, al\u00e9m disso, encurralaram o globalismo unipolar da NATO, na S\u00edria, no Ir\u00e3o, na Turquia, no Iraque, etc.. \u00c9 um bom momento para Trump travar uma batalha pol\u00edtica dentro dos EUA e da FED, pois as for\u00e7as da globaliza\u00e7\u00e3o est\u00e3o com um posicionamento defensivo. \u00c9 uma situa\u00e7\u00e3o bem diferente da que teve J.F. Kennedy entre Janeiro de 1961 e Novembro de 1963.<\/p>\n<p><strong>A UE e o Brexit depois das elei\u00e7\u00f5es na Alemanha<\/strong><\/p>\n<p>Depois das elei\u00e7\u00f5es na Alemanha em Setembro de 2017, caracterizadas pelo media como as mais aborrecidas do ano, Angela Merkel ganhou, mas est\u00e1 metida numa dif\u00edcil negocia\u00e7\u00e3o para formar um governo maiorit\u00e1rio de coliga\u00e7\u00e3o com partidos mais pequenos, sem excluir a hip\u00f3tese de optar por um governo minorit\u00e1rio. A hip\u00f3tese de uma coliga\u00e7\u00e3o entre a CDU e os partidos Verdes e Democr\u00e1tico Livre (FPD) parece uma op\u00e7\u00e3o prov\u00e1vel, mas n\u00e3o h\u00e1 certezas.<\/p>\n<p>Para as grandes plataformas de comunica\u00e7\u00e3o parece n\u00e3o haver d\u00favidas, pois que deram muita publicidade ao Alternativa para a Alemanha (AfD), al\u00e9m de o terem proclamado como vencedor moral das \u00faltimas elei\u00e7\u00f5es. O AfD \u00e9 um partido pol\u00edtico de ideologia nacionalista e euroc\u00e9ptica, cujo principal programa \u00e9 a rejei\u00e7\u00e3o do euro e dos resgates financeiros dos pa\u00edses perif\u00e9ricos (que consolidam cada vez mais o forte n\u00facleo continental germano-franc\u00eas dentro da UE). Al\u00e9m disso, defendem o regresso do marco alem\u00e3o, indo ao encontro dos interesses da plataforma-eleitoral-na-sombra das for\u00e7as medi\u00e1ticas da globaliza\u00e7\u00e3o e instrumentos eleitorais nacionalistas. \u00c9 evidente que com a consolida\u00e7\u00e3o da UE h\u00e1 dois interesses que s\u00e3o afectados, os que pela sua escala s\u00f3 s\u00e3o importantes na Alemanha e os que pelo seu car\u00e1cter unipolar globalizante se chocam com a UE e o Euro, interessados na sua fragmenta\u00e7\u00e3o para a absorver por partes, a partir das citys financeiras de cada pa\u00eds.<\/p>\n<p>Devido \u00e0s declara\u00e7\u00f5es com tintas fascistas e xen\u00f3fobas dos seus membros, o AfD \u00e9 catalogado como partido populista de extrema-direita. Depois de terem ganho pela primeira vez lugares no Bundestag e terem subido a terceira for\u00e7a eleitoral do pa\u00eds, o seu l\u00edder, Frauke Petry, anunciou a sua sa\u00edda do partido devido \u00e1 radicaliza\u00e7\u00e3o daquela for\u00e7a. A AfD, no entanto, j\u00e1 cumpriu a sua miss\u00e3o para os media adeptos da globaliza\u00e7\u00e3o: Merkel ficou debilitada e foi for\u00e7ada a procurar uma complexa coliga\u00e7\u00e3o para governar.<\/p>\n<p>Os resultados das elei\u00e7\u00f5es confirmam que a social-democracia alem\u00e3 n\u00e3o \u00e9 alheia \u00e0 crise que atravessam os partidos social-democratas (SPD) na Europa, j\u00e1 que obteve o seu pior resultado eleitoral. Esta \u00e9 uma prova de que n\u00e3o foi cred\u00edvel a sua postura de se apresentar como o partido da justi\u00e7a social. Na realidade, tal como noutros pa\u00edses, as suas pol\u00edticas econ\u00f3micas em geral e laborais em particular t\u00eam cada vez mais a ver com o aprofundamento do neoliberalismo global que com a justi\u00e7a social, e serviram de ponta-de-lan\u00e7a \u00e0s for\u00e7as da globaliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O tema da imigra\u00e7\u00e3o descontrolada foi o eixo da campanha pol\u00edtica nos media adversos \u00e0 chanceler Angela Merkel. Pela forma como abordaram o tema conseguiram dar alento, fomentar e instalar um clima nacionalista, xen\u00f3fobo e racista, isto \u00e9, um eurocepticismo local-globaliza\u00e7\u00e3o. As plataformas de comunica\u00e7\u00e3o global, os chamados grandes meios, s\u00e3o um importante instrumento do capital financeiro globalizante e esperavam que os refugiados s\u00edrios, empurrados a refugiarem-se na UE pelas for\u00e7as da NATO (atrav\u00e9s do ISIS) se convertessem no tend\u00e3o de Aquiles do projecto de campanha de Merkel em particular, e da UE em geral. Esta campanha, indubitavelmente, ganhou votos para o resultado eleitoral do AfD, ao mesmo tempo que complicou a vida de Angela Merkel para formar uma coliga\u00e7\u00e3o forte. Depois da dupla derrota do capital financeiro globalizante com o Brexit brit\u00e2nico e do triunfo do presidente Trump sobre Hillary Clinton, a Uni\u00e3o Europeia sob a forte lideran\u00e7a de Angela Merkel como chanceler da Alemanha tem a possibilidade de dar passos em direc\u00e7\u00e3o ao projecto multipolar, o que j\u00e1 vem sucedendo, mas agora pode acelerar a sua velocidade.<\/p>\n<p>Depois das elei\u00e7\u00f5es, o presidente alem\u00e3o Steinmeier afirmou que as possibilidades de recep\u00e7\u00e3o de imigrantes do pa\u00eds eram limitadas e ressaltou a necessidade de programar uma \u00abimigra\u00e7\u00e3o ordenada\u00bb, de acordo com as necessidades sociais e laborais, e diferenciar quem precisa de protec\u00e7\u00e3o por uma persegui\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e quem foge da pobreza. Esta \u00e9 a \u00fanica maneira de superar a polariza\u00e7\u00e3o do debate sobre os refugiados, afirmou ao referir-se \u00e0 grave polariza\u00e7\u00e3o que se verificou no pa\u00eds por causa da chegada de v\u00e1rias centenas de refugiados.<\/p>\n<p>Depois do resultado do referendo brit\u00e2nico a UE dividiu-se. Os Estados membros chegaram \u00e0 conclus\u00e3o que o momento era pouco prop\u00edcio para mais avan\u00e7os, que era o tempo recuar. H\u00e1 quem veja uma oportunidade depois das elei\u00e7\u00f5es em Fran\u00e7a, na Holanda e na Alemanha e da melhoria econ\u00f3mica. O grupo de Visegrado (Pol\u00f3nia, Hungria, Rep\u00fablica Checa e Eslov\u00e1quia) op\u00f5em-se, sobretudo, \u00e0s pol\u00edticas de refugiados e aos projectos conjuntos. O n\u00facleo duro est\u00e1 farto da colabora\u00e7\u00e3o da uni\u00e3o a 28 pa\u00edses ser invi\u00e1vel, defendendo a ideia das duas velocidades para a Europa. Neste n\u00facleo duro h\u00e1 pelo menos 10 ou mesmo 20 pa\u00edses que podem p\u00f4r em marcha iniciativas ambiciosas, seja \u00e0 volta da moeda \u00fanica, de uma fiscalidade europeia ou de quotas de refugiados.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, h\u00e1 um outro debate que divide e p\u00f5e em confronto os l\u00edderes europeus. O do ritmo, da velocidade e do horizonte. A luta entre os pragm\u00e1ticos e os vision\u00e1rios, entre os que t\u00eam um sonho e os querem mais prud\u00eancia. Todos querem reformas, mas n\u00e3o desejam todos as mesmas e chocam-se entre si. O presidente franc\u00eas, Emmanuel Macron aposta numa limpeza completa da zona euro. A chanceler alem\u00e3, agora com menos margem de manobra depois dos resultados eleitorais, n\u00e3o. O discurso de Macron situa-se entre o imposs\u00edvel e a demagogia.<\/p>\n<p>O presidente da Fran\u00e7a escolheu apelar \u00e0 refunda\u00e7\u00e3o da UE, o que na nossa opini\u00e3o quer dizer continuar no caminho da unipolariza\u00e7\u00e3o global. \u00c9 isto que pensamos resultar das suas tentativas de atrair os grandes bancos que est\u00e3o de partida de Londres com o Brexit, com promessas de melhores infra-estruturas para a City e uma dura reforma laboral no seu pa\u00eds. Macron, o globalizador, n\u00e3o s\u00f3 procura fazer da cidade de Paris a sede da relocaliza\u00e7\u00e3o da grande banca global, derrotando Frankfurt como a City financeira da UE. Este objectivo implica n\u00e3o apenas destronar e subordinar Frankfurt mas tamb\u00e9m assumir o controlo do BCE (Banco Central Europeu) e, assim, subordinar o Conselho Europeu a um direct\u00f3rio do BCE, formado pelos grandes bancos da globaliza\u00e7\u00e3o, de acordo com a concep\u00e7\u00e3o do grupo Rothschild. Mas tamb\u00e9m \u00e9 claro que s\u00e3o estas realidades que fazem com que a UE caminhe para o multipolarismo universal, em di\u00e1logo com os BRICS e o Bispo de Roma.<\/p>\n<p>A caminho dos 16 anos no poder, para Angela Merkel a principal batalha \u00e9 tentar uma coliga\u00e7\u00e3o com os liberais, que s\u00e3o euroc\u00e9pticos, e os federalistas verdes. Nesta situa\u00e7\u00e3o, Macron faz tudo para ser l\u00edder da UE e assumir a representa\u00e7\u00e3o e a batuta da di\u00e1spora globalizante londrina. No entanto, a inc\u00f3gnita que paira sobre o Brexit apenas levanta d\u00favidas \u00e0s pretens\u00f5es e aos planos de Macron.<\/p>\n<p>O que a Primeiro-ministro Theresa May afirmou no seu esperado discurso em Floren\u00e7a sobre o Brexit, em 22 de Setembro, deixou lugar para todas as perguntas. Parece-nos que, por agora, as possibilidades de uma nova consulta sobre o Brexit s\u00e3o reduzidas. Mas \u00e9 claro que o que se discute, negoceia e causa tens\u00e3o \u00e9 o tipo de Brexit, e as tr\u00eas grandes op\u00e7\u00f5es est\u00e3o em cima da mesa &#8211; \u00abduro, m\u00e9dio ou brando\u00bb.<\/p>\n<p>E em rela\u00e7\u00e3o a isto, pelo volume de neg\u00f3cios e a magnitude dos interesses em jogo, tanto o n\u00facleo industrial germano-franc\u00eas do continente como o n\u00facleo industrial no Reino Unido (RU) t\u00eam um opositor priorit\u00e1rio comum (a oligarquia financeira globalizada ainda sediada em Londres), neg\u00f3cios partilhados de elevado volume, que afectar\u00e3o negativamente um e outro se n\u00e3o chegarem a um acordo sobre o Brexit que contemple os interesses de ambas as partes. Al\u00e9m disso, tamb\u00e9m partilham interesses com o multipolarismo da China-BRICS e com Roma. Parece, pois, que a \u00abvia Su\u00ed\u00e7a\u00bb \u00e9 a que melhor serve os interesses vai provocar uma medi\u00e7\u00e3o de for\u00e7as entre o RU e a UE, que continuar\u00e3o em confronto at\u00e9 \u00e0 sua resolu\u00e7\u00e3o. Isto pode durar anos, enquanto o RU reverte a sua balan\u00e7a comercial gra\u00e7as \u00e0 desvaloriza\u00e7\u00e3o da Libra. Por outro lado, a \u00abvia dura\u00bb n\u00e3o tem qualquer margem de manobra. Toca directamente 50% do PBI brit\u00e2nico e, principalmente, compromete a economia alem\u00e3. Por isso \u00e9 importante ter em conta que, tanto a \u00abfr\u00e1gil\u00bb vit\u00f3ria eleitoral de May e a sua conhecida dificuldade em formar governo, como a \u00abvit\u00f3ria\u00bb de Merkel e a sua dificuldade de formar uma coliga\u00e7\u00e3o forte para governar a Alemanha e ser pe\u00e7a fundamental do governo da UE, s\u00f3 por si, podem dar-nos uma ideia da complexidade das lutas de poder e das pol\u00edticas da\u00ed resultantes.<\/p>\n<p>Nem o Reino Unido nem a UE nem a China nem Roma t\u00eam interesse em abrir uma nova consulta sobre o Brexit; s\u00f3 a oligarquia financeira globalizada da City de Londres lhes interessa uma nova consulta, porque est\u00e1 debilitada e a fazer as malas para se relocalizar na City de Paris, pelo que faz todo o tipo de \u00abmovimenta\u00e7\u00f5es golpistas\u00bb para subordinar a UE, o governo da UE, o BCE e a City de Frankfurt ao poder globalizador da City de Paris e ao governo de Macron.<\/p>\n<p><strong>A Uni\u00e3o Europeia sim ou n\u00e3o perante o multipolarismo<\/strong><\/p>\n<p>Com a mudan\u00e7a no novo sistema monet\u00e1rio internacional \u00e0 vista, o \u00fanico caminho para a UE ter futuro, na nossa opini\u00e3o, \u00e9 ir avan\u00e7ando a partir de 2018 com a sua integra\u00e7\u00e3o no mundo multipolar, com o acoplamento do euro ao sistema monet\u00e1rio multipolar. Isto \u00e9 facilitado precisamente pela pol\u00edtica do presidente Trump \u00abAm\u00e9rica First\u00bb, que n\u00e3o aposta no Tratado Transatl\u00e2ntico (TTP) nem no financiamento com fundos americanos da presen\u00e7a da NATO globalizada na Europa.<\/p>\n<p>Foi a partir desta situa\u00e7\u00e3o criada pela presid\u00eancia de Trump que a Funda\u00e7\u00e3o Konrad Adenauer (ag\u00eancia do Partido CDU) reclamou nada menos que a elabora\u00e7\u00e3o de um novo conceito estrat\u00e9gico para esta alian\u00e7a militar ocidental. Na sua opini\u00e3o, os Estados Unidos n\u00e3o est\u00e3o actualmente a assumir o seu tradicional papel de \u00abdono\u00bb da NATO ou pelo menos n\u00e3o o fazem de forma confi\u00e1vel. Patrick Keller, coordenador da Funda\u00e7\u00e3o Adenauer para a pol\u00edtica externa e de seguran\u00e7a, recomenda que a Alemanha utilize a legitimidade pol\u00edtica conquistada com a assun\u00e7\u00e3o de responsabilidades adicionais, para modelar o futuro da NATO sobretudo em opera\u00e7\u00f5es da Uni\u00e3o Europeia e com car\u00e1cter global. Conhecendo como a NATO pr\u00f3-globaliza\u00e7\u00e3o actuou com o ISIS\/EI, sobretudo no plano da migra\u00e7\u00e3o for\u00e7ada desde o M\u00e9dio Oriente sobre a integridade da UE, com as plataformas globais de comunica\u00e7\u00e3o a alimentarem o eurocepticismo em geral e os nacionalismos locais em particular. Finalmente, o projecto exige uma lideran\u00e7a decidida por parte da Alemanha, afirma.<\/p>\n<p>Ao libertar-se da tutela dos EUA-NATO abre-se um espa\u00e7o de possibilidades para trabalhar a ancoragem pol\u00edtica das institui\u00e7\u00f5es comuns, que permita \u00e0 UE a adop\u00e7\u00e3o de fortes medidas como, por exemplo, a cria\u00e7\u00e3o de uma Defesa Comum [N.do T: J\u00e1 est\u00e1 criada a Estrutura de Defesa e Coopera\u00e7\u00e3o (PESCO, na sua sigla inglesa)] bem como a integra\u00e7\u00e3o do novo sistema monet\u00e1rio, no qual as diferentes moedas podem estar vinculadas ao ouro e n\u00e3o j\u00e1 ao d\u00f3lar. Apesar de tudo isto, a UE ainda se fecha demasiado dentro das suas fronteiras e est\u00e1 focada na reforma p\u00f3s-Brexit.<\/p>\n<p>A UE tem tudo o que precisa para ter um lugar sentado na mesa do mundo multipolar proposto pela China. Como sugeriram j\u00e1 todos os factos com os quais se construiu o presente apoiando a UE face \u00e0s movimenta\u00e7\u00f5es globalizantes desestabilizadoras, bem como o esfor\u00e7o feito para impor as ideias dos BRICS, o mundo que a China deseja inaugurar n\u00e3o \u00e9 chin\u00eas, mas multipolar. O sistema monet\u00e1rio internacional estabilizado que os chineses apresentam com a chegada do petro-yuan-ouro \u00e9 um sistema multimonet\u00e1rio, onde as diferentes moedas estar\u00e3o ligadas ao ouro e n\u00e3o mais ao d\u00f3lar.<\/p>\n<p>A UE, com o euro \u2013 uma moeda que nasce em 1999 para reafirmar a identidade da UE e, por isso, em concorr\u00eancia com o d\u00f3lar \u2013 deveria ter jogado um papel mais activo no processo chin\u00eas, que vai abrir novas perspectivas a um euro independente, j\u00e1 que hoje foi reduzida a uma simples moeda de reserva e funciona como um dos pilares do sistema do d\u00f3lar, tal como o yen ou a Libra esterlina. Tamb\u00e9m \u00e9 certo que j\u00e1 se vislumbram algumas altera\u00e7\u00f5es a favor de uma maior aproxima\u00e7\u00e3o ao novo sistema monet\u00e1rio internacional multipolar. A \u00faltima cimeira UE-China deu lugar \u00e0 assinatura de um memorando de entendimento entre o Fundo Europeu de Investimentos e o Fundo Chin\u00eas da Rota da Seda. Em 2016, a Europa superou os EUA como destino das aquisi\u00e7\u00f5es chinesas por mar. Do comboio da Rota da Seda faz parte a empresa alem\u00e3. No Deutsche Bank soma-se o apoio do banco chin\u00eas HNA como accionista de refer\u00eancia, para que aquele banco possa sair da situa\u00e7\u00e3o de crise por falta de apoio. Mas o mais importante de tudo foi em 13 de Junho de 2017 o BCE ter introduzido pela primeira vez o renminbi (yuan) na sua reserva de moedas de c\u00e2mbio. As portas est\u00e3o abertas para a decis\u00e3o pol\u00edtica.<\/p>\n<p><strong>Fim das san\u00e7\u00f5es \u00e0 R\u00fassia, passo decisivo para o multipolarismo<\/strong><\/p>\n<p>Um requisito indispens\u00e1vel para uma maior integra\u00e7\u00e3o europeia no mundo multipolar \u00e9 acabar com as san\u00e7\u00f5es \u00e0 R\u00fassia, impostas pelas for\u00e7as da globaliza\u00e7\u00e3o (NATO principalmente) que tiveram como objectivo evitar que a Europa continuasse o seu caminho para Este. H\u00e1 pouca informa\u00e7\u00e3o dispon\u00edvel na generalidade dos media ocidentais sobre o processo de desintegra\u00e7\u00e3o do Ocidente, particularmente nos media europeus. A crise euro-russa que rebentou em 2014, a chamada a \u00abcrise sist\u00e9mica do Ocidente\u00bb, \u00e9 para n\u00f3s uma crise do unipolarismo financeiro, como modo e car\u00e1cter do poder, que se inicia com a crise de 2008.<\/p>\n<p>Com a chegada de Trump \u00e0 presid\u00eancia dos EUA torna-se poss\u00edvel e palp\u00e1vel o processo de diferencia\u00e7\u00e3o entre a Europa e os EUA, pela pr\u00f3pria crise que se aprofunda e desenvolve entre o unipolarismo global (establishment democrata) e o unipolarismo continental (establishment republicano) nos EUA, o que deixa mais espa\u00e7o pol\u00edtico \u00e0 UE para apostar no multipolarismo (e tamb\u00e9m \u00e0 Coroa Brit\u00e2nica), o que levou a um maior aprofundamento da crise tanto do unilateralismo global como do unilateralismo continental, isto \u00e9, a um processo de desintegra\u00e7\u00e3o do Ocidente.<\/p>\n<p>Para n\u00e3o ficar fechada numa jogada dos establishment no parlamento dos EUA, a Uni\u00e3o Europeia \u00e9 obrigada a procurar uma boa desculpa e caminhar para deixar de adoptar mais san\u00e7\u00f5es. A iniciativa de Vladimir Putin de enviar capacetes azuis para Donb\u00e1s [Ucr\u00e2nia] pode converter-se no primeiro passo para levantar as san\u00e7\u00f5es \u00e0 R\u00fassia, informou o ministro das Rela\u00e7\u00f5es Exteriores alem\u00e3o, Gabriel Sigmar, \u00e0 imprensa alem\u00e3. O ministro considera que a Europa devia aproveitar a desculpa de deixar de impor san\u00e7\u00f5es \u00e0 R\u00fassia. Vadim Kolesnichenko, presidente do Conselho Internacional da Organiza\u00e7\u00e3o de Compatriotas Russos, est\u00e1 convencido que a iniciativa de enviar uma miss\u00e3o de paz para Donb\u00e1s \u00e9 a ocasi\u00e3o que a UE procurava, \u00e9 a forma de se demarcar das san\u00e7\u00f5es dos EUA \u00e0 R\u00fassia, pois essas san\u00e7\u00f5es prejudicaram mais a economia da UE em geral, e da Alemanha em particular, do que a R\u00fassia.<\/p>\n<p>Em 5 de Setembro, Vladimir Putin fez chegar ao presidente do Conselho de Seguran\u00e7a da ONU um projecto que poder\u00e1 ser a desculpa procurada. O projecto contempla o estabelecimento de uma miss\u00e3o de paz para zelar pela seguran\u00e7a dos observadores da OSCE no sudeste da Ucr\u00e2nia. A R\u00fassia defende o desenvolvimento das For\u00e7as da Paz da ONU unicamente ao longo da linha que separa as autoproclamadas rep\u00fablicas populares de Donetsk e de Lugansk, apenas com o acordo pr\u00e9vio dos seus representantes pol\u00edticos. Agora que Angela Merkel foi eleita como chanceler do pa\u00eds mais influente da UE, o que lhe permite romper o cerco que lhe tinham montado a NATO e os establishments norte-americanos, a Alemanha j\u00e1 pode avan\u00e7ar e tornar efectiva nos pr\u00f3ximos tempos a integra\u00e7\u00e3o da Uni\u00e3o Europeia no mundo multipolar.<\/p>\n<p>Com isso, a correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as a n\u00edvel mundial a favor de um mundo multipolar seria tal que acabaria definitivamente qualquer projecto unipolar financeiro, seja ele global ou continental. Mais, a integra\u00e7\u00e3o da UE no mundo multipolar, inclusive, pode abrir caminho a Trump para optar tamb\u00e9m pela integra\u00e7\u00e3o dos EUA na multipolaridade.<\/p>\n<p><em>Bibliograf\u00eda<br \/>\n&#8211; Alberto Mu\u00f1oz, Theresa May se niega a contestar qu\u00e9 votar\u00eda en caso de un nuevo refer\u00e9ndum sobre el Brexit, www.elmundo.es, 11 de octubre de 2017<br \/>\n&#8211; Celia Maza, May retrasa la salida definitiva de Londres de la UE a 2021, http:\/\/www.larazon.es, 23 de septiembre de 2017<br \/>\n&#8211; Salvador Mart\u00ednez, Merkel gana pero la ultraderecha revienta la gran coalici\u00f3n en Alemania, www.elespanol.com, 24 de setiembre de 2017<br \/>\n&#8211; Infobae, Angela Merkel se enfrenta a una dif\u00edcil negociaci\u00f3n para seguir en el gobierno tras las elecciones en Alemania, www.infobae.com, 25 de setiembre de 2017.<\/em><\/p>\n<p>&#8211; Carmen Valero, Derrota hist\u00f3rica de Angela Merkel en Berl\u00edn, www.elmundo.es, 18 de setiembre de 2017<br \/>\n&#8211; Montse Mondelo, Las elecciones federales alemanas del domingo 24 de septiembre, han permitido al partido AfD, etiquetado de ultraderecha, entrar en el Parlamento, http:\/\/www.hispantv.com, lunes, 25 de septiembre de 2017<br \/>\n&#8211; Pablo Suanzes, Angela Merkel y Emmanuel Macron, divididos ante la reforma de la Uni\u00f3n Europea, www.elmundo.es, 29 de setiembre de 2017.<\/p>\n<p>&#8211; Javier Rodriguez, Est\u00edmulos monetarios: \u201cSi apagan la m\u00e1quina al mismo tiempo va a haber un gran quilombo\u201d, www.cronista.com, 27 de setiembre de 2017.<\/p>\n<p>&#8211; Javier Benitez, Trump vs la Fed: Lluvia de fuego sobre la econom\u00eda de EUA, www.mundo.sputniknews.com, 24 de marzo de 2017.<br \/>\n&#8211; Esteban Rojas, D\u00f3lar da se\u00f1ales de revertir ciclo bajista, www.elfinanciero.com.mx, 27 de setiembre de 2017.<br \/>\n&#8211; Lauren Gensler, The Fed Is Ready To Begin Chipping Away At $4.5 trillion Baance Sheet, www.forbes.com, 20 de setiembre de 2017<br \/>\n&#8211; Hugo Salinas, The Gold SKYROCKET Starts In London, www.plata.com.mx, 22 de setiembre de 2017<br \/>\n&#8211; Zero Hedge, Putin ORDERS END TO US DOLLAR TRADE At Russian Seaports, www.silverdoctors.com, 20 de setiembre de 2017<br \/>\n&#8211; Zero Hedge, Another Dollar DEATH BLOW: Venezuela STOPPED Selling Oil For Dollars, www.silverdoctors.com, 14 de setiembre de 2017<br \/>\n&#8211; Simon Black, Cue the Consequences: Simon Black Says THE MUSIC STOPS TODAY, www.silverdoctors.com, 20 de setiembre de 2017<br \/>\n&#8211; John Mason, Federal Reserve Watch: Are We Entering A New Era?<br \/>\nhttps:\/\/seekingalpha.com, 18 de setimebre de 2017<br \/>\n&#8211; Global Europe Anticipation Bulletin (GEAB), informe de setiembre de 2017 www.geab.eu.es 18 de setiembre de 2017<br \/>\n&#8211; Sputnik Mundo, Recaban firmas para anular las sanciones contra Rusia en el sitio web del Bundestag, www.mundo.sputniknews.com, 15 de setiembre de 2017<br \/>\n&#8211; Sputnik Mundo, Europa, ante la humillaci\u00f3n, busca una excusa para dejar de imponer sanciones a Rusia, www.mundo.sputniknews.com , 6 de setiembre de 2017<br \/>\n&#8211; Thierry Meyssan, Seg\u00fan el presidente franc\u00e9s Macron la \u00e9poca de la soberan\u00eda popular ha quedado atr\u00e1s, Red Voltaire, 5 de setiembre de 2017<br \/>\n&#8211; German Foreign Policy, Para Berlin valdr\u00eda la pena asumir el liderazgo de la OTAN, www.voltairenet.org , 9 de setiembre de 2017<br \/>\n&#8211; Geopol\u00edtica de la Crisis Econ\u00f3mica Mundial, Wim Dierckxsens y Walter Formento, Fabro, 2016.<\/p>\n<p>1. La Bolsa de Hong Kong (en ingl\u00e9s: Hong Kong Stock Exchange: es la bolsa de valores de Hong Kong. Tiene una capitalizaci\u00f3n de 10.000.000 millones de d\u00f3lares de Hong Kong (1.300.000 millones de d\u00f3lares USD). Es la quinta de las ocho bolsas m\u00e1s importantes del mundo.<\/p>\n<p>https:\/\/www.universidaddebolsa.com\/blog\/bolsas-de-valores-mas-grandes-del-mundo<br \/>\n2. O que \u00e9 um bullion bank? Os bullion Banks s\u00e3o aqueles bancos de investimento que atuam investidores por grosso de ouro. Todos os bullion Banks s\u00e3o membros da London Bullion Market Association. Quando um banco central empresta ou vende ouro a localiza\u00e7ao f\u00edsica dos lingotes n\u00e3o tem que mudar. Os bullion banks, bancos de compensa\u00e7\u00e3o, procedem \u00e0s transac\u00e7\u00f5es financeiras e a transfer\u00eancia de propriedade \u00e9 feita nos registos do deposit\u00e1rio.<\/p>\n<p>No seu \u00faltimo artigo, o conhecido analista e investidor Jim Sinclair explica: \u00abH\u00e1 que observaque os bancos centrais da actualidade j\u00e1 est\u00e3o a cooperar ou a proteger as suas reservas de ouro. Avizinha-se uma altera\u00e7\u00e3o do sistema monet\u00e1rio e haver\u00e1 necessidade ter activos positivos no balan\u00e7o do banco central, particularmente nos EUA.\u00bb &lt;https:\/\/www.oroyfinanzas.com\/2012\/10\/precio-oro-cotizacion-margenes-bullion-banks\/&gt;<\/p>\n<p>3. Paul Craig Roberts, \u00abN\u00e3o h\u00e1 mais ouro na Reserva Federal\u00bb RT, 29 junho 2014; Koos Jansen, Renminbi Internationalization And China\u2019s Gold Strategy, bullionstar.com, 6 de diciembre de 2015. A crise financeira global, unipolarismo e multipolarismo, \u00e9 Nacional e Popular, por Wim Dierckxsens y Walter Formento | Publicado: 30 de janeiro de 2016.<\/p>\n<blockquote class=\"wp-embedded-content\" data-secret=\"HjjUvkdKXa\"><p><a href=\"http:\/\/www.observatoriodelacrisis.org\/2016\/01\/la-crisis-financiera-global-unipolarismo-y-multipolarismo-es-nacional-y-popular\/\">La crisis financiera global,  Unipolarismo y Multipolarismo,  es Nacional y Popular<\/a><\/p><\/blockquote>\n<p><iframe loading=\"lazy\" class=\"wp-embedded-content\" sandbox=\"allow-scripts\" security=\"restricted\" style=\"position: absolute; clip: rect(1px, 1px, 1px, 1px);\" src=\"http:\/\/www.observatoriodelacrisis.org\/2016\/01\/la-crisis-financiera-global-unipolarismo-y-multipolarismo-es-nacional-y-popular\/embed\/#?secret=HjjUvkdKXa\" data-secret=\"HjjUvkdKXa\" width=\"600\" height=\"338\" title=\"Entrada de WordPress incrustada\" frameborder=\"0\" marginwidth=\"0\" marginheight=\"0\" scrolling=\"no\"><\/iframe><br \/>\n4. Que corresponde ao facto concreto de a PBI &#8211; Paridade da economia mundial em 2015 &#8211; ser formada a partir de e ter como \u00e1reas principais as economias emergentes, com centro na \u00c1sia Pac\u00edfico e na China especificamente.<\/p>\n<p>5. A China ultrapassou o Jap\u00e3o como principal detentor de t\u00edtulos do Tesouro estado-unidense, situa\u00e7\u00e3o que atribui ao seu com\u00e9rcio com o pa\u00eds. 16 de Agosto de 2017. http:\/\/expansion.mx\/economia\/2017\/08\/16\/china-rebasa-a-japon-como-principal-tenedor-de-bonos-del-tesoro-estadounidense .<\/p>\n<p>Os 10 pa\u00edses com mais T\u00edtulos do Tesouro dos EUA,<br \/>\nhttp:\/\/www.cartafinanciera.com\/tendencia-actual\/los-10-paises-con-mas-bonos-del-tesoro-de-los-eeuu<br \/>\n6. Recordamos que esta foi a linha seguida por Marine Le Pen em Fran\u00e7a.<\/p>\n<p>Nacionalismo vs Globalismo y el fascismo del siglo XXI, Wim Dierckxsens, Walter Formento, 05\/05\/2017.https:\/\/www.alainet.org\/es\/articulo\/185267<br \/>\n7. O Brexit e o Reino Unido, Continentalismo vs Globalismo. Walter Formento, Wim Dierckxsens, Leonel del Negro. Em publica\u00e7\u00e3o CIEPE, 25\/10\/2017.<\/p>\n<p>8. El Brexit y la City de Londres: Unipolarismo vs Multipolarismo. Walter Formento, Wim Dierckxsens, Juli\u00e1n Bilmes. ALAINET, 25\/08\/2017.<\/p>\n<p>https:\/\/www.alainet.org\/es\/articulo\/187632<\/p>\n<p>*Wim Dierckxsens, economista Walter Formento, soci\u00f3logo<\/p>\n<p>Este texto foi publicado em: http:\/\/mariwim.info\/?p=73<\/p>\n<p><em>Tradu\u00e7\u00e3o de Jos\u00e9 Paulo Gasc\u00e3o<\/em><\/p>\n<p>https:\/\/www.odiario.info\/um-novo-sistema-monetario-internacional\/<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/17440\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2},"jetpack_post_was_ever_published":false},"categories":[9],"tags":[226],"class_list":["post-17440","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-s10-internacional","tag-4b"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-4xi","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17440","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=17440"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17440\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=17440"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=17440"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=17440"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}