{"id":17467,"date":"2017-11-28T15:07:15","date_gmt":"2017-11-28T18:07:15","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=17467"},"modified":"2017-11-28T15:07:15","modified_gmt":"2017-11-28T18:07:15","slug":"nao-ha-o-que-temer-no-comunismo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/17467","title":{"rendered":"N\u00e3o h\u00e1 o que temer no comunismo"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/gz.diarioliberdade.org\/media\/k2\/items\/cache\/x15406f8200844ccff1b70544bea9b24c_L.jpg.pagespeed.ic.-VyZB1CJg2.jpg?w=747&#038;ssl=1\" alt=\"imagem\" \/><!--more-->Elaine Tavares<\/p>\n<p>J\u00e1 n\u00e3o \u00e9 de hoje que toma corpo a esquerda paz e amor. Essa ideia insana de que \u00e9 poss\u00edvel humanizar o capitalismo. E, nesse diapas\u00e3o vamos vivendo lutas por pol\u00edticas p\u00fablicas, de apaziguamento da mis\u00e9ria, propostas alternativas isoladas que n\u00e3o enfrentam o capitalismo ou ainda a ing\u00eanua intens\u00e3o de um desenvolvimento sustent\u00e1vel no rumo de uma na\u00e7\u00e3o com bem estar social. Tudo bem se essas batalhas forem encaradas como reformas necess\u00e1rias num caminho para outra forma de organizar a vida. Mas, crer nessas propostas como um fim em si mesmas \u00e9 ilus\u00e3o. H\u00e1 que avan\u00e7ar para a ruptura. O capitalismo \u2013 j\u00e1 nos mostra o alem\u00e3o Karl Marx \u2013 tem determina\u00e7\u00f5es muito claras e nelas n\u00e3o cabem essas propostas. Sua caracter\u00edstica principal \u00e9 a explora\u00e7\u00e3o. Sem ela n\u00e3o h\u00e1 capitalismo. Logo&#8230;<\/p>\n<p>Os \u00faltimos acontecimentos no Brasil, no que diz respeito \u00e0s a\u00e7\u00f5es do judici\u00e1rio, levaram muitas pessoas a perceber que o Estado existente \u00e9 um estado de exce\u00e7\u00e3o. De repente, aquilo que s\u00f3 valia para os empobrecidos, os negros, os \u00edndios, os esquecidos, os trabalhadores assalariados, passou a valer tamb\u00e9m para os inimigos tradicionais. Quebrou-se o c\u00f3digo que funcionava como um acordo t\u00e1cito: os ricos e os que carregam algum poder tinham tratamento diferenciado. E, de repente come\u00e7ou a brotar o bord\u00e3o de que \u201ca lei \u00e9 para todos\u201d, como se isso fosse uma verdade. N\u00e3o \u00e9. O estado de exce\u00e7\u00e3o \u00e9 uma realidade desde a sua forma\u00e7\u00e3o. Ou algu\u00e9m acha que l\u00e1 na Europa, onde essa forma de organiza\u00e7\u00e3o nasceu, o Estado existia ou existe para proteger as gentes. N\u00e3o. Nunca foi assim. Foi sempre para proteger os que est\u00e3o no comando, a burguesia, os ricos. E os que est\u00e3o no comando pertencem a uma determinada classe, que n\u00e3o \u00e9 a dos trabalhadores. Se, como agora no Brasil, h\u00e1 uma disputa intraclasse, \u00e9 sempre conjuntural. Logo as ab\u00f3boras de acomodam e os acordos s\u00e3o refeitos.<\/p>\n<p>Foi Marx quem desvelou essa verdade oculta ao estudar as determina\u00e7\u00f5es dessa forma de produ\u00e7\u00e3o chamada capitalismo. O Estado burgu\u00eas \u00e9 o balc\u00e3o de neg\u00f3cios da classe dominante, \u00e9 o respons\u00e1vel por fazer acontecer o processo de acumula\u00e7\u00e3o de riqueza apenas para alguns, tais como as grandes transnacionais, como a Monsando, a Odebrecht, as petroleiras e outras.\u00a0 Ele existe para atender aos interesses da minoria que se encastela no poder e governa em nome de todos, sem que os interesses de todos sejam levados em conta. S\u00f3 o que vale \u00e9 o interesse da minoria que tem a propriedade privada dos meios de produ\u00e7\u00e3o, os bancos, as terras, as m\u00e1quinas, as ind\u00fastrias, as grandes empresas.<\/p>\n<p>Olhemos o Brasil. A quem representam os legisladores, os que fazem as leis? Representam interesses bem espec\u00edficos: latif\u00fandio, ind\u00fastria, igreja. Apenas aqueles que produzem mercadorias, deixando claro que hoje inclusive a f\u00e9 das gentes \u00e9 uma mercadoria. A maioria fica de fora. Vez em quando ganha um afago, para aliviar a press\u00e3o. Mas, basta que se apresente algum risco aos lucros, e l\u00e1 s\u00e3o tirados os direitos. Como agora, na reforma trabalhista, no congelamento dos gastos p\u00fablicos, na reforma da previd\u00eancia. \u201cTirem dos trabalhadores. Tirem dos mais empobrecidos. Tirem da maioria\u201d. Essa \u00e9 a regra. O Estado de exce\u00e7\u00e3o agindo, como \u00e9 da sua natureza.<\/p>\n<p>Qual a sa\u00edda para isso? Melhorar o capitalismo? Humanizar? Clamar por compaix\u00e3o? N\u00e3o. H\u00e1 que apostar na comunidade, na constitui\u00e7\u00e3o comum dos bens.\u00a0 O capitalismo \u00e9 um metabolismo insaci\u00e1vel, precisa se expandir a todo custo. N\u00e3o pode parar. Por isso vai passando por cima das gentes. N\u00e3o h\u00e1 miseric\u00f3rdia.<\/p>\n<p>Marx apontou uma possibilidade: o comunismo. E o que \u00e9 isso que as pessoas tanto temem? \u00c9 o uso comum das riquezas, das terras, das f\u00e1bricas. Cada um recebendo conforme suas necessidades, sem acumula\u00e7\u00e3o ou explora\u00e7\u00e3o. \u00c9 uma sociedade em que todos participam, a sociedade do comum, numa conviv\u00eancia em que os que produzem a riqueza tamb\u00e9m podem usufruir dela. O comunismo \u00e9 um momento em que at\u00e9 a batalha pela democracia deixa de ser necess\u00e1ria porque ela ser\u00e1 capilar. E nesse modo de organiza\u00e7\u00e3o da vida n\u00e3o haver\u00e1 Estado, porque essa forma \u00e9, naturalmente, uma forma de exce\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 sem raz\u00e3o que Marx aponta a necessidade de um processo de transi\u00e7\u00e3o, no qual ainda haver\u00e1 Estado. \u00c9 o que ele chama de ditadura do proletariado, ou Estado prolet\u00e1rio. Esse momento hist\u00f3rico seria o momento em que o poder troca de m\u00e3os. Sai do controle de uma minoria \u2013 como \u00e9 hoje \u2013 para o controle da maioria, os trabalhadores. Ainda ser\u00e1 Estado, mas toda a l\u00f3gica j\u00e1 come\u00e7ar\u00e1 a mudar. Isso pode ser observado no processo cubano, por exemplo. Ainda h\u00e1 um Estado, mas as decis\u00f5es s\u00e3o todas constru\u00eddas desde baixo, de maneira coletiva, comunitariamente. E a popula\u00e7\u00e3o conhece e acompanha, deliberando, os destinos da na\u00e7\u00e3o. Outro exemplo \u00e9 a Venezuela, que tamb\u00e9m exercita esse processo de democracia participativa. L\u00e1, ainda bem menos profundo que Cuba, porque est\u00e1 no come\u00e7o e n\u00e3o aconteceu uma revolu\u00e7\u00e3o. As coisas est\u00e3o sendo constru\u00eddas no embate cotidiano com a burguesia que tem apoio internacional. Ainda assim, as experi\u00eancias de constru\u00e7\u00e3o de uma comunidade do comum acontecem e pululam nos bairros das grandes cidades e nos cant\u00f5es do pa\u00eds.<\/p>\n<p>No texto \u201cA quest\u00e3o judaica\u201d,\u00a0 de Karl Marx, \u00e9 poss\u00edvel observar o rico debate que ele levanta sobre a quest\u00e3o do Estado.\u00a0 Ele mostra como, no capitalismo, o Estado aparece como algo exterior \u00e0 n\u00f3s, como se fosse alguma coisa distinta da sociedade civil, ou como se fosse ele o ente que organiza a sociedade civil.<\/p>\n<p>Mas, para Marx essa divis\u00e3o entre Estado e Sociedade Civil \u00e9 mistificada, n\u00e3o \u00e9 real. Segundo ele, a sociedade civil e o Estado n\u00e3o s\u00e3o coisas distintas. Pelo contr\u00e1rio. O estado \u00e9 express\u00e3o das contradi\u00e7\u00f5es pol\u00edticas que est\u00e3o postas pela sociedade civil. \u00c9 toda a rede de comunica\u00e7\u00e3o \u2013 que envolve escola, igreja, fam\u00edlia e m\u00eddia\u00a0 &#8211; que cria a ideia de que \u00e9 o estado quem comanda ou que deve comandar.<\/p>\n<p>Mais uma vez voltamos a Cuba. L\u00e1, \u00e9 poss\u00edvel perceber com bastante clareza que o estado n\u00e3o \u00e9 o balc\u00e3o de neg\u00f3cios da burguesia e tampouco \u00e9 um aparelho que define como a sociedade deve atuar. O processo \u00e9 ao contr\u00e1rio. \u00c9 a sociedade civil organizada que define como o estado tem de atuar, fazendo com que as prioridades da maioria sejam as prioridades do Estado. Por isso n\u00e3o h\u00e1 menino de rua, nem moradores de rua, nem guerra de gangues, nem viol\u00eancias desatadas. H\u00e1 sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o e moradia para todos. \u00c9 a popula\u00e7\u00e3o que decide aonde v\u00e3o os recursos. Apesar de ser um pa\u00eds pobre e cercado pelo imperialismo, esses s\u00e3o direitos dos quais os cubanos n\u00e3o abrem m\u00e3o. \u00c9 isso que Marx fala sobre o estado prolet\u00e1rio, nele n\u00e3o h\u00e1 cis\u00e3o, n\u00e3o h\u00e1 dicotomia entre a sociedade civil e estado. \u00c9 o \u201cmandar obedecendo\u201d t\u00e3o conhecido pelos povos origin\u00e1rios.<\/p>\n<p>Esse \u00e9 o caminho que Marx aponta para a supera\u00e7\u00e3o da explora\u00e7\u00e3o das gentes e da propriedade privada. Primeiro, uma transi\u00e7\u00e3o do estado capitalista para o estado prolet\u00e1rio. E, depois, o comunismo, esse momento superior no qual o estado passa a ser desnecess\u00e1rio.<\/p>\n<p>Ah, mas como que as pessoas v\u00e3o fazer sem um estado para organizar tudo? Ora, as pessoas v\u00e3o organizar. Como vai ser? Bom, n\u00e3o h\u00e1 respostas prontas. Essa \u00e9 uma estrada para ser aberta, pavimentada e embelezada. Cada povo haver\u00e1 de encontrar, a partir de suas pr\u00f3prias especificidades, a maneira de organizar a vida. Isso n\u00e3o \u00e9 um sonho. Tem sido real ao longo da hist\u00f3ria em muitas comunidades e em v\u00e1rias \u00e9pocas. Propostas como o sumac kausai (o bem viver), ou o sumac qama\u00f1a (o viver bem), dos povos origin\u00e1rios mostram que \u00e9 poss\u00edvel constituir uma nova forma de organizar a vida, que n\u00e3o esteja fundada na explora\u00e7\u00e3o do trabalho alheio, muito menos na propriedade privada. \u00c9 o retorno do comum, da vida boa para todos e n\u00e3o apenas para alguns.<\/p>\n<p>Como \u00e9 poss\u00edvel que se busque preservar uma sociedade na qual tr\u00eas ou quatro homens sejam donos de mais da metade das riquezas geradas pelos trabalhadores? Como pode ser considerada diab\u00f3lica uma proposta que pretenda tornar comum a riqueza, que acabe com a fome, que torne desnecess\u00e1ria a fuga, a morte e o desespero?<\/p>\n<p>O comunismo s\u00f3 \u00e9 diab\u00f3lico para esses e essas que acumulam a riqueza gerada pelos bilh\u00f5es de trabalhadores. S\u00e3o eles os que t\u00eam medo. E como t\u00eam poder, eles divulgam esse medo como se tivesse de ser o medo de todos. N\u00e3o tem! Os trabalhadores, os despossu\u00eddos, os migrantes, os empobrecidos n\u00e3o tem nada a perder a n\u00e3o ser os seus grilh\u00f5es. \u00c9 tempo de pensar sobre isso, entender a realidade e avan\u00e7ar para um tempo novo.<\/p>\n<p>Insisto. N\u00e3o h\u00e1 o que temer. Pode ser um salto no escuro, pode ser dif\u00edcil, mas, certamente ser\u00e1 melhor do que \u00e9. O capitalismo \u00e9 uma ilus\u00e3o. Ele s\u00f3 produz morte e dor para a maioria. \u00c9 tempo de virar esse jogo. N\u00f3s podemos.<\/p>\n<p>Ilustra\u00e7\u00e3o: Cuba: comunidades se re\u00fanem e deliberam sobre suas prioridades<\/p>\n<p>https:\/\/gz.diarioliberdade.org\/artigos-em-destaque\/item\/206198-nao-ha-o-que-temer-no-comunismo.html<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/17467\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[47],"tags":[227],"class_list":["post-17467","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c57-revolucao-cubana","tag-5a"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-4xJ","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17467","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=17467"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17467\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=17467"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=17467"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=17467"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}