{"id":17599,"date":"2021-07-19T00:00:08","date_gmt":"2021-07-19T03:00:08","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=17599"},"modified":"2021-07-19T02:16:40","modified_gmt":"2021-07-19T05:16:40","slug":"maria-brandao-reis-campea-pela-paz","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/17599","title":{"rendered":"Maria Brand\u00e3o Reis: campe\u00e3 pela paz"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/omomento.org\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/Maria_Brandao-750x375.png\" alt=\"imagem\" \/><!--more-->Por Rafaela Fraga<\/p>\n<p>\u00c0 mem\u00f3ria de Maria Brand\u00e3o \u2013 Baiana de Rio das Contas, Maria Brand\u00e3o dos Reis nasceu junto com o s\u00e9culo XX, no ano de 1900 \u2013 a primeira dos 9 irm\u00e3os que teria. Ainda em sua mocidade, abriu uma pens\u00e3o na Baixa dos Sapateiros, em Salvador. Essa pens\u00e3o lhe poria em contato com muitos dos jovens a quem formou politicamente, j\u00e1 sinal do trabalho fundamental que desempenharia na Bahia ao longo de sua trajet\u00f3ria.<\/p>\n<p>Maria era uma mulher hospitaleira, e tamb\u00e9m muito altiva. Aos 47 anos, adentrou robustamente na luta pol\u00edtica a partir de uma demanda de seu povo: mulheres, crian\u00e7as e fam\u00edlias inteiras da, como era chamada, invas\u00e3o do Corta Bra\u00e7o estavam sendo amea\u00e7adas de despejo. Maria Brand\u00e3o organizou os moradores em vig\u00edlia e, junto ao movimento, puxou uma passeata. Hoje, o Corta Bra\u00e7o \u00e9 o bairro do Pero Vaz, vizinho \u00e0 Liberdade e ao Curuzu.<\/p>\n<p>Influenciada pela Coluna Prestes, organizou-se no Partido Comunista Brasileiro (PCB) e, junto ao Partido, deu continuidade \u00e0 sua milit\u00e2ncia pol\u00edtica voltada, principalmente, \u00e0 luta pela paz e contra a carestia da classe trabalhadora, a qual ela conhecia de perto. Entre 1947 e 1951, teve uma atua\u00e7\u00e3o de muit\u00edssimo destaque \u2013 mas nem tanto prest\u00edgio -, tanto no PCB quanto na Federa\u00e7\u00e3o de Mulheres do Brasil, a FMB.<\/p>\n<p>Foi se hospedando na pens\u00e3o de Maria Brand\u00e3o que a hist\u00f3rica militante comunista Ana Montenegro a conheceu, e por ela foi introduzida \u00e0 vida pol\u00edtica. Em trecho do seu livro Falando de Mulheres, Montenegro traz: \u201cEu a conheci, Maria, usando uma linguagem que n\u00e3o era minha \u2013 a linguagem do povo. Eram express\u00f5es que n\u00e3o tinham me ensinado nas escolas e nem tinha lido nos livros e com as quais voc\u00ea convencia pessoas, quando ia, de porta em porta, pedindo assinaturas pela paz.\u201d A que se referia Ana Montenegro?<\/p>\n<p>Em 1950, o Partido Comunista organizou uma campanha pela proibi\u00e7\u00e3o do uso de armas at\u00f4micas, seguindo diretrizes da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica direcionadas a todos os PCs do mundo. Essa a\u00e7\u00e3o ficou conhecida no Brasil como \u201cCampanha pela Paz\u201d, e sua principal finalidade era o recolhimento de assinaturas da popula\u00e7\u00e3o para fortalecer a m\u00e1xima de que qualquer arsenal at\u00f4mico existente no mundo deveria ser eliminado.<\/p>\n<p>A esta altura, o Partido j\u00e1 tinha sido posto na ilegalidade, e Maria seguiu firme em sua atividade partid\u00e1ria. N\u00e3o apenas participou da Campanha, constru\u00edda tamb\u00e9m pela FMB, como foi recordista: segundo o Jornal Momento Feminino, Maria Brand\u00e3o dos Reis levou 10.700 assinaturas para o III Congresso Brasileiro dos Partid\u00e1rios pela Paz, ocorrido no Rio de Janeiro em 1951 e para o qual foi como delegada da Bahia.<\/p>\n<p>\u201cDezenas de grupos de mulheres subiram aos morros, percorreram os bairros e foram \u00e0s portas das f\u00e1bricas\u201d, dizia uma edi\u00e7\u00e3o do Jornal Momento Feminino no mesmo ano, mostrando Maria nas fotos. Ela ficou conhecida como \u201cmilion\u00e1ria da paz\u201d pela quantidade de assinaturas que recolheu a partir de seu trabalho de base. Este que, ali\u00e1s, influenciou na forma\u00e7\u00e3o de comit\u00eas de base nos bairros, fator important\u00edssimo para a organiza\u00e7\u00e3o da classe, a qualquer tempo.<\/p>\n<p>Como reconhecimento \u00e0 sua atua\u00e7\u00e3o altamente disciplinada e avan\u00e7ada, em 1952 Maria Brand\u00e3o foi indicada ao recebimento de uma medalha de ouro do J\u00fari Nacional dos Pr\u00eamios da Paz, condecora\u00e7\u00e3o de grande notoriedade e import\u00e2ncia, concedida aos mais destacados coletores de assinaturas. Assim, oficialmente, tornou-se Campe\u00e3 da Paz.<\/p>\n<p>Maria tinha esperan\u00e7a, mas n\u00e3o era uma esperan\u00e7a abstrata; ela a constru\u00eda, dia ap\u00f3s dia, na luta de classes. Ela dizia que lutava pelo novo, pelo que estava a nascer. Al\u00e9m do exemplo, da inspira\u00e7\u00e3o e de todo o ensinamento, a Campe\u00e3 da Paz deixa para as novas gera\u00e7\u00f5es a receita para tamanha esperan\u00e7a, mesmo nos piores momentos: convic\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e compromisso com a luta de classes.<\/p>\n<p>Em 1947, Maria Brand\u00e3o dos Reis participou de uma campanha popular de arrecada\u00e7\u00e3o de fundos para o Jornal O Momento. 74 anos depois, falamos desta mulher de luta com admira\u00e7\u00e3o e respeito, buscando disseminar e eternizar o seu legado. Pela mem\u00f3ria de Dona Maria!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/17599\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"Comunica\u00e7\u00e3o e avan\u00e7o conservador: um debate necess\u00e1rio","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[218,46],"tags":[224],"class_list":["post-17599","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-comunicacao","category-c56-memoria","tag-3b"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-4zR","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17599","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=17599"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17599\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=17599"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=17599"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=17599"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}