{"id":176,"date":"2008-07-21T07:58:22","date_gmt":"2008-07-21T10:58:22","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=176"},"modified":"2017-11-13T12:15:40","modified_gmt":"2017-11-13T15:15:40","slug":"impedir-a-guerra-imperialista-na-america-latina","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/176","title":{"rendered":"Impedir a guerra imperialista na Am\u00e9rica Latina"},"content":{"rendered":"\n<p>Mas a crise econ\u00f4mica por que passam os EUA e as necessidades cada vez maiores de reprodu\u00e7\u00e3o do capital &#8211; em meio a crises c\u00edclicas, disputas de mercados, escassez de fontes energ\u00e9ticas e recursos naturais, eleva\u00e7\u00e3o do pre\u00e7o do petr\u00f3leo e dos alimentos &#8211; empurram o imperialismo para novas aventuras militares. Na &#8220;divis\u00e3o de tarefas&#8221; do capital internacional, cabe ainda aos Estados Unidos o papel de gendarme principal de seus interesses no mundo, na Am\u00e9rica Latina em particular.<\/p>\n<p>Cabe destacar que, ao mencionarmos genericamente a palavra imperialismo, n\u00e3o estamos falando apenas de seu p\u00f3lo hegem\u00f4nico (os Estados Unidos), mas de todo o sistema capitalista mundial. At\u00e9 porque, apesar de a Am\u00e9rica Latina ser considerada h\u00e1 d\u00e9cadas como o &#8220;quintal dos EUA&#8221;, h\u00e1 na regi\u00e3o v\u00e1rios monop\u00f3lios de capitais majoritariamente origin\u00e1rios de outros pa\u00edses, sobretudo da Europa.<\/p>\n<p>Isto \u00e9 necess\u00e1rio ser compreendido pela esquerda, para afastarmos ilus\u00f5es de alian\u00e7as com a burguesia europ\u00e9ia ou mesmo com a burguesia dependente latino-americana, notadamente a brasileira e a mexicana. As economias desses pa\u00edses fazem parte do sistema capitalista internacional. O que existe s\u00e3o contradi\u00e7\u00f5es inter-burguesas e inter-imperialistas que podem circunstancialmente nos favorecer no curto prazo, em algumas quest\u00f5es, como \u00e9 o caso da pol\u00edtica externa brasileira, aparentemente contradit\u00f3ria, que &#8220;morde e assopra&#8221; os EUA. Aceita liderar as tropas da ONU que ocupam o Haiti, a pedido de Washington, ao mesmo tempo em que ajuda a desmontar a possibilidade de a Col\u00f4mbia de Uribe conseguir uma guerra contra seus vizinhos.<\/p>\n<p>Como tentaremos aqui expor, os Estados Unidos precisam de uma guerra na Am\u00e9rica Latina, para recuperar pelas armas seu espa\u00e7o perdido. Pelo contr\u00e1rio, ao Brasil n\u00e3o interessa essa guerra. Com sua eficiente diplomacia, vai ganhando mercados, ao mesmo tempo em que Lula se apresenta como uma alternativa moderada ao &#8220;radicalismo&#8221; de Ch\u00e1vez e Evo Morales. Cada vez que nosso Presidente chega a uma capital latino-americana, leva consigo, al\u00e9m do aero-lula, dois ou tr\u00eas avi\u00f5es cheios de empres\u00e1rios brasileiros, para cobrar o pre\u00e7o da solidariedade: o aproveitamento de oportunidades na busca de mercados.<\/p>\n<p>Em 28 de maio passado, Lula visitou o Haiti pela segunda vez. Da primeira, antes da ocupa\u00e7\u00e3o, chegou com a sele\u00e7\u00e3o brasileira de futebol e, em seguida, mandou nossas tropas. Agora, quatro anos depois, foi buscar os frutos. Desembarcou em Porto Pr\u00edncipe com dezenas de empres\u00e1rios brasileiros, numa delega\u00e7\u00e3o em que se destacavam os executivos das empreiteiras Odebrecht, Andrade Gutierrez e Camargo Correa, as mesmas que transformaram a Venezuela num canteiro de obras, em retribui\u00e7\u00e3o a alguns gestos brasileiros simp\u00e1ticos \u00e0 revolu\u00e7\u00e3o bolivariana. Recentemente, Lula anunciou que o Brasil pretende ser o principal parceiro comercial de Cuba, apostando numa improv\u00e1vel restaura\u00e7\u00e3o capitalista na ilha socialista.<\/p>\n<p>Neste fim de semana, Lula, acompanhado de dezenas de empres\u00e1rios brasileiros, radicalizar\u00e1 em sua ecl\u00e9tica agenda, destinada a pairar acima das diverg\u00eancias regionais. Encontra-se hoje na Bol\u00edvia, com Evo Morales e Hugo Ch\u00e1vez, e amanh\u00e3 na Col\u00f4mbia, com \u00c1lvaro Uribe e Allan Garcia, tamb\u00e9m aliado estadunidense.<\/p>\n<p>Mas quando o governo brasileiro ajuda a inviabilizar a ALCA ou lidera a cria\u00e7\u00e3o da UNASUL (Uni\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Sul-Americanas) e do Conselho Sul-Americano de Defesa Regional devemos saud\u00e1-lo, pois isto objetivamente contraria os interesses dos EUA. Mas n\u00e3o esque\u00e7amos o outro lado da quest\u00e3o: o Brasil \u00e9 um contraponto capitalista ao movimento de integra\u00e7\u00e3o antiimperialista da regi\u00e3o, representado pela ALBA e por outras iniciativas de integra\u00e7\u00e3o solid\u00e1ria e complementar, lideradas por Hugo Ch\u00e1vez. O capitalismo brasileiro \u00e9 uma forma\u00e7\u00e3o social e econ\u00f4mica dependente e associada ao imperialismo, com suas contradi\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Apesar da grande diferen\u00e7a de discursos e pr\u00e1ticas pol\u00edticas, Uribe e Lula s\u00e3o concretamente duas alternativas do capital para a Am\u00e9rica Latina. No entanto, \u00e9 \u00f3bvio que n\u00e3o os podemos colocar no mesmo saco. Uribe \u00e9 indiscutivelmente o inimigo principal, do curt\u00edssimo prazo. Se n\u00e3o o derrotarmos, uma onda de retrocesso e repress\u00e3o pode abater-se sobre nosso continente. Mas a esquerda n\u00e3o pode conciliar e deixar de marcar diferen\u00e7as com Lula, que governa fundamentalmente para o capital, tanto na pol\u00edtica externa como na interna. Sua tarefa principal \u00e9 &#8220;destravar&#8221; o capitalismo, custe o que custar, inclusive o meio ambiente, os direitos trabalhistas, a soberania nacional.<\/p>\n<p>Depois de sofrer derrotas na Am\u00e9rica do Sul, como no caso do fracassado golpe contra Ch\u00e1vez, em 2002, e de ter que concentrar esfor\u00e7os inesperados para enfrentar a surpreendente for\u00e7a da resist\u00eancia iraquiana, o imperialismo retoma com intensidade a press\u00e3o sobre a regi\u00e3o, num momento em que vem crescendo o processo de mudan\u00e7as. E \u00e9 a\u00ed que mora o perigo! Hoje, os olhos, os ouvidos e os canh\u00f5es norte-americanos voltam-se para a Am\u00e9rica do Sul, sobretudo para a regi\u00e3o andina. Trata-se de tentar, no plano t\u00e1tico, frear o processo de mudan\u00e7as e, no estrat\u00e9gico, consolidar e expandir o controle sobre as riquezas naturais do continente, que s\u00e3o imensas. Al\u00e9m do petr\u00f3leo e do g\u00e1s, a Am\u00e9rica do Sul tem as maiores reservas de \u00e1gua pot\u00e1vel do planeta. Ao norte, a Amaz\u00f4nia; ao sul, um conjunto de grandes rios que se juntam no Aq\u00fc\u00edfero Guarani.<\/p>\n<p>O imperialismo, por v\u00e1rias raz\u00f5es, j\u00e1 identificou seus inimigos principais na Am\u00e9rica do Sul: a revolu\u00e7\u00e3o bolivariana da Venezuela e a revolu\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica e cultural da Bol\u00edvia.<\/p>\n<p>O governo venezuelano \u00e9 inimigo importante, pelo exemplo que inspira processos semelhantes em outros pa\u00edses, aos quais presta efetiva solidariedade pol\u00edtica e material; pela defesa de Cuba Socialista e pela parceria com ela; pela contribui\u00e7\u00e3o para inviabilizar a ALCA, com a implanta\u00e7\u00e3o da ALBA; por ter avan\u00e7ado mais em mudan\u00e7as institucionais e estruturais; por ter resistido a v\u00e1rios golpes (o golpe de Estado, o lockout petroleiro); por ter a economia e as reservas minerais mais importantes da regi\u00e3o andina.<\/p>\n<p>Dentre os fatos recentes mais significativos da revolu\u00e7\u00e3o na Venezuela est\u00e3o as nacionaliza\u00e7\u00f5es e estatiza\u00e7\u00f5es de empresas estrat\u00e9gicas de energia el\u00e9trica, comunica\u00e7\u00f5es, alimentos, petroleiras, cimenteiras, sider\u00fargicas. O exemplo mais emblem\u00e1tico foi a reestatiza\u00e7\u00e3o da SIDOR (Sider\u00fargica de Orinoco), que havia sido privatizada a pre\u00e7o de banana no governo anterior. \u00c9 como se o Brasil reestatizasse a Vale do Rio Doce!<\/p>\n<p>O diferencial neste caso foi o protagonismo da classe oper\u00e1ria. Uma greve havia come\u00e7ado pelo fim da terceiriza\u00e7\u00e3o de m\u00e3o-de-obra e pela renova\u00e7\u00e3o do contrato coletivo de trabalho e acabou, pela for\u00e7a do movimento, acrescentando a palavra de ordem vitoriosa da reestatiza\u00e7\u00e3o da multinacional. Esta vit\u00f3ria deveu-se \u00e0 luta dos trabalhadores e \u00e0 dire\u00e7\u00e3o conseq\u00fcente de for\u00e7as de esquerda, principalmente o PCV (Partido Comunista de Venezuela), na mudan\u00e7a do objetivo principal do movimento e no enfrentamento da trai\u00e7\u00e3o do ent\u00e3o Ministro do Trabalho, que havia inclusive jogado for\u00e7as policiais para reprimir o movimento. Foi decisivo tamb\u00e9m o papel de Ch\u00e1vez, que demitiu o Ministro do Trabalho, acabou com a terceiriza\u00e7\u00e3o e decretou, simbolicamente no primeiro de maio, a reestatiza\u00e7\u00e3o da empresa.<\/p>\n<p>Na Bol\u00edvia, estamos assistindo a firmeza com que o governo Evo Morales enfrenta, com o respaldo do movimento de massas, o separatismo tentado pela direita, que conta com a ajuda pol\u00edtica e material da embaixada norte-americana. Ao inv\u00e9s de curvar-se \u00e0 press\u00e3o da oligarquia local, o governo da Bol\u00edvia avan\u00e7a na nacionaliza\u00e7\u00e3o de empresas estrat\u00e9gicas. O pr\u00f3prio Presidente &#8211; que declarou recentemente ser o capitalismo o maior inimigo da humanidade \u2013 desafia a oposi\u00e7\u00e3o de direita para disputar um tira-teima pol\u00edtico decisivo, no pr\u00f3ximo 10 de agosto, ao convocar um referendo revogat\u00f3rio dos mandatos dele pr\u00f3prio e dos nove governadores, dos quais cinco lhe fazem oposi\u00e7\u00e3o, todos da regi\u00e3o conhecida como &#8220;Meia Lua&#8221;. Vencida esta etapa importante, j\u00e1 se anuncia um novo plebiscito, desta vez para legitimar o trabalho da Assembl\u00e9ia Nacional Constituinte, que vem sendo boicotada pela direita.<\/p>\n<p>O VERDADEIRO EIXO DO MAL:<\/p>\n<p>H\u00e1 hoje claros sinais de que o imperialismo norte-americano prepara o terreno para provocar guerras regionais na Am\u00e9rica Latina, jogando no momento com duas possibilidades: uma guerra civil na Bol\u00edvia e, o que parece mais potencialmente explosivo, o agravamento da tens\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es entre a Col\u00f4mbia, de um lado, e a Venezuela e o Equador, de outro.<\/p>\n<p>Como em Caracas, em La Paz o embaixador americano \u00e9 o chefe golpista. A direita est\u00e1 organizando mil\u00edcias paramilitares, os denominados &#8220;Comit\u00eas C\u00edvicos&#8221; e &#8220;Uni\u00f5es Juvenis&#8221;. Esses grupos j\u00e1 procuram impedir inclusive a circula\u00e7\u00e3o de Evo Morales em cidades da chamada &#8220;Meia Lua&#8221;, como fizeram recentemente em Sucre, onde torturaram seguidores ind\u00edgenas do Presidente em pra\u00e7a p\u00fablica. V\u00e3o tentar impedir \u00e0 for\u00e7a a realiza\u00e7\u00e3o do referendo revogat\u00f3rio.<\/p>\n<p>Na regi\u00e3o da Grande Col\u00f4mbia, a escalada belicista teve seu marco na suspens\u00e3o, em dezembro do ano passado, dos esfor\u00e7os de Hugo Ch\u00e1vez, da Senadora colombiana Piedad C\u00f3rdoba e das FARC no sentido de retomar a troca humanit\u00e1ria de prisioneiros e ref\u00e9ns na Col\u00f4mbia, processo que poderia criar um clima de distens\u00e3o, num conflito que tem mais de 60 anos (antes mesmo do assassinato do l\u00edder popular Jorge Eli\u00e9cer Gait\u00e1n, em 1948, ao qual seguiu-se o &#8220;Bogota\u00e7o&#8221;, com a morte de mais de 300 mil pessoas), num pa\u00eds em que a viol\u00eancia pol\u00edtica \u00e9 a marca do Estado burgu\u00eas.<\/p>\n<p>A troca humanit\u00e1ria est\u00e1 suspensa desde 2002, justamente em fun\u00e7\u00e3o do clima que o imperialismo criou no mundo a partir da derrubada das Torres G\u00eameas. As negocia\u00e7\u00f5es de paz entre o governo colombiano e as FARC, at\u00e9 ent\u00e3o, j\u00e1 duravam tr\u00eas anos, numa zona desmilitarizada, caminhando para uma solu\u00e7\u00e3o pol\u00edtica negociada. Com o in\u00edcio da &#8220;cruzada contra o terrorismo&#8221;, os EUA incluem as FARC no &#8220;eixo do mal&#8221;, a lista de organiza\u00e7\u00f5es e Estados &#8220;terroristas&#8221;, fato de que se aproveita a direita colombiana para por fim \u00e0s negocia\u00e7\u00f5es e \u00e0 troca humanit\u00e1ria. A partir da\u00ed, chegam mais milhares de &#8220;assessores militares&#8221; e milh\u00f5es de d\u00f3lares norte-americanos, no contexto do famigerado &#8220;Plano Col\u00f4mbia&#8221;.<\/p>\n<p>Em novembro de 2007, a ordem para acabar com a intermedia\u00e7\u00e3o do presidente venezuelano e a possibilidade de uma negocia\u00e7\u00e3o entre a guerrilha e o governo partiu do chefe de \u00c1lvaro Uribe, o megaterrorista George Bush, que resolveu fazer com que a Col\u00f4mbia desempenhe, na Am\u00e9rica Latina, um papel semelhante ao que Israel representa no Oriente M\u00e9dio: uma cabe\u00e7a de ponte do imperialismo. Uribe \u00e9 agente norte-americano desde quando foi identificado pelo FBI, como um dos operadores pol\u00edticos do narcotr\u00e1fico na Col\u00f4mbia, associado ao lend\u00e1rio Pablo Escobar, na \u00e9poca chefe do cartel de drogas de Medellin.<\/p>\n<p>O segundo lance da escalada agressiva foi muito ousado. Em mar\u00e7o deste ano, para dar um golpe mais profundo nas negocia\u00e7\u00f5es que avan\u00e7avam para a possibilidade concreta de liberta\u00e7\u00e3o da franco-colombiana Ingrid Betancourt, a sinistra dupla Bush-Uribe assassina o pr\u00f3prio negociador, o Comandante Raul Reyes, num ataque terrorista ao territ\u00f3rio do Equador, cujo Presidente n\u00e3o se acovarda e resolve defender a soberania de seu pa\u00eds. A infame a\u00e7\u00e3o militar, durante o sono das v\u00edtimas, por pouco n\u00e3o provocou o in\u00edcio de uma guerra na regi\u00e3o, n\u00e3o fora a firme posi\u00e7\u00e3o un\u00e2nime dos demais pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina em condenar a agress\u00e3o ao Equador.<\/p>\n<p>O terceiro passo belicista do imperialismo foi a \u00f3pera bufa do computador pessoal de Raul Reyes. Com o apoio do terrorismo midi\u00e1tico, criam-se as mentiras que poder\u00e3o justificar nova guerra, como aconteceu no Afeganist\u00e3o e no Iraque.<\/p>\n<p>Qualquer pessoa um pouco mais atenta deve desconfiar de como pode ficar intacto um fr\u00e1gil computador port\u00e1til submetido a um ataque a\u00e9reo com m\u00edsseis que destru\u00edram todo o acampamento, matando mais de vinte pessoas. Tudo em volta foi estilha\u00e7ado, menos o computador. Os mais informados devem desconfiar como um quadro experimentado como Raul Reyes, uma das pessoas mais visadas do mundo, seria t\u00e3o irrespons\u00e1vel de registrar informa\u00e7\u00f5es rigorosamente reservadas, se fossem verdadeiras, como supostas contribui\u00e7\u00f5es financeiras para a campanha de Rafael Correa ou recebimentos de valores de Hugo Ch\u00e1vez.<\/p>\n<p>A partir da farsa da &#8220;autenticidade&#8221; do computador, o imperialismo pode inventar as hist\u00f3rias que quiser, ou melhor, de que precisar. Os computadores continuar\u00e3o a falar muito, mesmo ap\u00f3s um manifesto (ignorado pela m\u00eddia), assinado por renomados intelectuais e cientistas norte-americanos, que questionam a autenticidade do relat\u00f3rio da Interpol, acusando-o de leviano e inconsistente. Esta \u00e9 uma fonte inesgot\u00e1vel de provoca\u00e7\u00f5es, para tentar incriminar alguns e intimidar a outros, sejam de que nacionalidade forem.<\/p>\n<p>A mais recente provoca\u00e7\u00e3o foi o esperto golpe midi\u00e1tico de Uribe, tentando capitalizar como &#8220;resgate&#8221; o que viria a ser uma liberta\u00e7\u00e3o unilateral de Ingrid e de outros retidos por parte das FARC. O governo colombiano roubou a cena, tentando disseminar a imagem de sua efici\u00eancia militar, em contraste com a &#8220;infiltra\u00e7\u00e3o&#8221; e &#8220;enfraquecimento&#8221; das FARC. Inescrupulosamente, n\u00e3o hesitou sequer em se utilizar, num estelionato pol\u00edtico contra a humanidade, o s\u00edmbolo at\u00e9 ent\u00e3o imaculado da Cruz Vermelha Internacional.<\/p>\n<p>O que preocupa \u00e9 a pressa com que os fatos est\u00e3o se precipitando. \u00c9 claro que essa pressa tem a ver com as perspectivas sombrias para o imperialismo, ao olhar a Am\u00e9rica Latina. Tudo conspira contra seus interesses: # A posse de Lugo, no Paraguai, em 15 de agosto, que pode contribuir para engrossar o caudal de mudan\u00e7as progressistas e refor\u00e7ar a integra\u00e7\u00e3o soberana e solid\u00e1ria da Am\u00e9rica Latina e, quem sabe, representar o fim da base americana de espionagem para o Cone Sul, instalada num aeroporto paralelo ao de Assun\u00e7\u00e3o. # A contagem regressiva para a sa\u00edda da base militar estadunidense de Manta, no Equador, em novembro deste ano, pois Rafael Correa j\u00e1 comunicou oficialmente que n\u00e3o renovar\u00e1 a concess\u00e3o, dada por governo anterior. # A poss\u00edvel vit\u00f3ria de Evo Morales no referendo revogat\u00f3rio de 10 de agosto, que pode consolidar a importante revolu\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica e cultural por que passa o pa\u00eds, abrindo possibilidades mais avan\u00e7adas. # A previs\u00edvel vit\u00f3ria da esquerda nas pr\u00f3ximas elei\u00e7\u00f5es do M\u00e9xico e do Peru (fechando o c\u00edrculo de isolamento de Uribe), se a direita n\u00e3o conseguir novamente fraudes nesses pa\u00edses. # Para completar, a esperada vit\u00f3ria da esquerda nas elei\u00e7\u00f5es de novembro, na Venezuela, tendo em vista que todas as pesquisas recentes mostram a recupera\u00e7\u00e3o do prest\u00edgio de Ch\u00e1vez, voltando ao patamar hist\u00f3rico de dois ter\u00e7os de aprova\u00e7\u00e3o e inten\u00e7\u00e3o de voto.<\/p>\n<p>Mas o cen\u00e1rio mais dram\u00e1tico se dar\u00e1 se os c\u00e1lculos de Baby Bush tiverem a ver com a tentativa de reverter a poss\u00edvel derrota dos republicanos nas elei\u00e7\u00f5es norte-americanas deste ano. Por incr\u00edvel que possa parecer, ao olhar de pessoas civilizadas, pode estar nos c\u00e1lculos dos republicanos reverter a tend\u00eancia eleitoral desfavor\u00e1vel com algum tipo de agress\u00e3o militar \u00e0 Venezuela. Um gesto como este poderia contar inclusive com o apoio dos democratas, pois, em termos de pol\u00edtica externa, os dois partidos s\u00e3o como irm\u00e3os siameses. Barak Obama declarou recentemente: &#8220;apoiaremos o direito da Col\u00f4mbia de atacar terroristas que buscam abrigo cruzando fronteiras&#8221;.<\/p>\n<p>Por que duvidarmos da insanidade do imperialismo norte-americano? Se Ch\u00e1vez est\u00e1 t\u00e3o satanizado na opini\u00e3o p\u00fablica brasileira (com a manipula\u00e7\u00e3o da Rede Globo e dos demais meios burgueses) imaginem na norte-americana? Sentado em cima de uma das maiores reservas de petr\u00f3leo do mundo, no velho quintal onde sempre brincou o Tio Sam, Ch\u00e1vez, al\u00e9m de ser apresentado ao p\u00fablico como um ditador encrenqueiro, &#8220;aliado do narcoterrorismo&#8221;, ainda por cima bota em risco a gasolina que enche os gulosos tanques dos poderosos carros dos norte-americanos.<\/p>\n<p>N\u00e3o podemos subestimar essas hip\u00f3teses que, ali\u00e1s, n\u00e3o s\u00e3o as \u00fanicas. Os EUA precisam de uma guerra na Am\u00e9rica Latina. Por isso, &#8220;continentalizam&#8221; e diversificam suas provoca\u00e7\u00f5es. Para eles, onde o fogo come\u00e7ar, est\u00e1 bom! N\u00e3o \u00e9 \u00e0 toa que a Quarta Frota da Marinha de Guerra dos EUA voltou a operar no nosso continente, ap\u00f3s mais de 60 anos de inatividade. N\u00e3o s\u00e3o casuais as recentes incurs\u00f5es de tropas colombianas na Venezuela, nem a viola\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o a\u00e9reo deste pa\u00eds por avi\u00f5es de guerra norte-americanos. Recentemente, foram presos no Equador paramilitares colombianos que planejavam o assassinato do Presidente Rafael Correa.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 coincid\u00eancia o an\u00fancio de Uribe de que a base de Manta (hoje no Equador) ir\u00e1 transferir-se para territ\u00f3rio colombiano, exatamente na fronteira com a Venezuela. Ali\u00e1s, j\u00e1 iniciou-se ali a constru\u00e7\u00e3o de pistas de pouso e instala\u00e7\u00f5es que acolher\u00e3o um esquadr\u00e3o de helic\u00f3pteros e avi\u00f5es espi\u00f5es dos EUA, para refor\u00e7ar o cerco a Ch\u00e1vez, que j\u00e1 inclui uma base aeronaval em Cura\u00e7ao, ao lado da costa venezuelana, a 30 minutos de v\u00f4o de Caracas!<\/p>\n<p>No Peru, instalou-se uma base ianque em Ayacucho (onde h\u00e1 remanescentes da guerrilha do Sendero Luminoso), a pretexto de prestar &#8220;ajuda humanit\u00e1ria&#8221;. H\u00e1 ind\u00edcios, entretanto, de se tratar de um campo de treinamento de paramilitares, dirigido pelo servi\u00e7o secreto israelense Mossad, destinado \u00e0 forma\u00e7\u00e3o de comandos especiais de mercen\u00e1rios venezuelanos e colombianos, para um poss\u00edvel assalto a Miraflores, o pal\u00e1cio presidencial hoje ocupado por Ch\u00e1vez.<\/p>\n<p>O imperialismo tem tr\u00eas planos, que podem se combinar, para tentar derrubar o governo venezuelano, pela ordem: I \u2013 vit\u00f3ria eleitoral nas elei\u00e7\u00f5es de 23 de novembro, seguida de agita\u00e7\u00e3o e campanha pelo referendo revogat\u00f3rio do mandato presidencial; II \u2013 magnic\u00eddio, ou seja, o assassinato do Presidente; III \u2013 a\u00e7\u00e3o de comandos que remova fisicamente Ch\u00e1vez, atrav\u00e9s de seq\u00fcestro, repetindo o golpe de 2002. Para qualquer dessas hip\u00f3teses, as t\u00e1ticas s\u00e3o as mesmas: # campanha midi\u00e1tica satanizando Ch\u00e1vez e vinculando-o ao narcotr\u00e1fico e ao terrorismo; # boicote de fora do governo (desabastecimento, guerra midi\u00e1tica, agentes provocadores, viol\u00eancia urbana, especula\u00e7\u00e3o) e de dentro do governo, atrav\u00e9s da quinta coluna contra-revolucion\u00e1ria ali ainda encastelada (corrup\u00e7\u00e3o, trai\u00e7\u00e3o, inefici\u00eancia, impunidade).<\/p>\n<p>V\u00e1rios planos em que atua o governo estadunidense no continente s\u00e3o financiados pela USAID, que atende pelo singelo nome de Ag\u00eancia dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional. Desde a famigerada Alian\u00e7a para o Progresso, os EUA n\u00e3o jogam tantos d\u00f3lares na Am\u00e9rica Latina. Agora, em 14 de maio, a USAID reuniu em Washington v\u00e1rias ONGs mercen\u00e1rias para distribuir-lhes 45 milh\u00f5es de d\u00f3lares, destinados a tentar a ruptura do processo revolucion\u00e1rio cubano. Em toda a Am\u00e9rica Latina, jorram d\u00f3lares para ONGs e organiza\u00e7\u00f5es pol\u00edticas e sociais, inclusive no Brasil, principalmente na Amaz\u00f4nia.<\/p>\n<p>Al\u00e9m do financiamento da direita continental, uma das importantes linhas de a\u00e7\u00e3o da USAID \u00e9 destinada a financiar organiza\u00e7\u00f5es pol\u00edticas e sociais com discurso de esquerda, seja para se oporem aos governos antiimperialistas &#8211; de forma a confundir as massas e tentar espremer esses governos entre duas oposi\u00e7\u00f5es, uma de direita e outra supostamente de &#8220;esquerda&#8221;, para simular seu isolamento pol\u00edtico &#8211; seja, em alguns casos, para criar alternativas n\u00e3o revolucion\u00e1rias \u00e0 emerg\u00eancia dos partidos comunistas.<\/p>\n<p>Mas o financiamento mais importante da USAID hoje \u00e9 para o separatismo, a tentativa de &#8220;balcaniza\u00e7\u00e3o&#8221; da Am\u00e9rica do Sul. Apesar de praticamente todos os pa\u00edses terem problemas hist\u00f3ricos de separatismo &#8211; em fun\u00e7\u00e3o das guerras coloniais e imperialistas, do exterm\u00ednio de povos e na\u00e7\u00f5es, da anexa\u00e7\u00e3o de territ\u00f3rios, dos bairrismos, dos preconceitos \u2013 a a\u00e7\u00e3o do imp\u00e9rio em nosso continente se restringe aos tr\u00eas pa\u00edses em que mais avan\u00e7a a luta de classe: Bol\u00edvia (separatismo a partir de Santa Cruz e da &#8220;Meia Lua&#8221;), Equador (a partir de Quaiaquil) e Venezuela (a partir de Z\u00falia).<\/p>\n<p>As embaixadas norte-americanas nesses pa\u00edses dirigem politicamente as oligarquias locais, organizam e financiam suas campanhas, dando \u00eanfase ao separatismo. Especialistas foram destacados para as miss\u00f5es &#8220;diplom\u00e1ticas&#8221; nesses pa\u00edses. O embaixador americano na Bol\u00edvia foi o operador principal da divis\u00e3o nos B\u00e1lc\u00e3s e criador do Estado fantoche do Kosovo. Em Z\u00falia, o governador \u00e9 a maior express\u00e3o da direita venezuelana, ex-candidato a Presidente derrotado por Ch\u00e1vez, e j\u00e1 lan\u00e7ou uma campanha separatista, sob o sugestivo lema &#8220;Rumo Pr\u00f3prio \u2013 Z\u00falia para N\u00f3s&#8221;. O legislativo estadual, dominado pela direita, j\u00e1 come\u00e7ou a redigir o &#8220;estatuto autonomista&#8221;, seguindo o modelo da direita boliviana. O mais grave: milhares de paramilitares est\u00e3o sendo treinados ou importados da Col\u00f4mbia, para garantir pelas armas o separatismo, al\u00e9m de possivelmente tentar atacar as FARC, a partir do pr\u00f3prio territ\u00f3rio venezuelano, j\u00e1 que parte de Z\u00falia faz fronteira com parte do territ\u00f3rio insurgente.<\/p>\n<p>DERROTAR URIBE, PARA PODER SEGUIR EM FRENTE:<\/p>\n<p>Diante deste quadro, a luta para denunciar e derrotar o governo t\u00edtere de Uribe est\u00e1 colocada na ordem do dia dos internacionalistas, humanistas, democratas e pacifistas de todo o mundo. As manifesta\u00e7\u00f5es simult\u00e2neas ocorrridas no dia 6 de mar\u00e7o deste ano em v\u00e1rios pa\u00edses t\u00eam que se repetir e ampliar. A nossa a\u00e7\u00e3o tem que exercer uma enorme press\u00e3o internacional que obrigue Uribe a retomar a troca humanit\u00e1ria, pr\u00e9-requisito para abrir qualquer possibilidade de di\u00e1logo pol\u00edtico. A liberta\u00e7\u00e3o unilateral de ref\u00e9ns, que vem sendo praticada pelas FARC, cria condi\u00e7\u00f5es para exigirmos a liberta\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m das centenas de revolucion\u00e1rios colombianos presos.<\/p>\n<p>A esquerda precisa entender que n\u00e3o h\u00e1 solu\u00e7\u00e3o pol\u00edtica na Col\u00f4mbia sem o protagonismo das FARC, que \u00e9 enraizada entre os trabalhadores, sobretudo o campesinato. Caso contr\u00e1rio, n\u00e3o estaria sobrevivendo h\u00e1 d\u00e9cadas nesta forma de luta, ocupando solidamente mais de um ter\u00e7o do territ\u00f3rio nacional, onde funciona como um Estado, com leis e tributos pr\u00f3prios. N\u00e3o se trata de fazer daquela forma de luta um modelo para exporta\u00e7\u00e3o, pois corresponde \u00e0 realidade daquele pa\u00eds espec\u00edfico. Mas de respeit\u00e1-la.<\/p>\n<p>As FARC foram criadas como organiza\u00e7\u00e3o de autodefesa, frente ao terrorismo estatal que marca a hist\u00f3ria da ditadura de classe da burguesia colombiana. Antes do &#8220;Bogota\u00e7o&#8221;, j\u00e1 existiam bandos militares a servi\u00e7o das oliqarquias. As FARC n\u00e3o podem sequer pensar em se desmilitarizar, pois j\u00e1 passaram dramaticamente por uma experi\u00eancia como essa. E isso ocorreu sob um governo socialdemocrata e n\u00e3o fascista, como hoje \u00e9 o caso de Uribe. Nos anos 80, a guerrilha se desmilitarizou parcialmente por conta de acordos e, juntamente com o Partido Comunista Colombiano e outras for\u00e7as antiimperialistas, criou a Uni\u00e3o Patri\u00f3tica, para participar do jogo institucional. O resultado \u00e9 que dois candidatos a Presidente da Rep\u00fablica, dezenas de parlamentares e prefeitos e cerca de 5 mil militantes da UP foram covardemente assassinados por paramilitares e pela repress\u00e3o estatal.<\/p>\n<p>Sob o governo Uribe, esta viol\u00eancia estatal, conhecida no pa\u00eds como parapol\u00edtica, s\u00f3 tem aumentado. Desde 2002, j\u00e1 foram assassinados 15 mil militantes pol\u00edticos e sociais; mais de 500 presos pol\u00edticos s\u00e3o maltratados nos c\u00e1rceres; centenas de milhares de camponeses v\u00eam sendo expulsos de suas terras, que s\u00e3o expropriadas pelos paramilitares. A pol\u00edtica de expuls\u00e3o e exterm\u00ednio de camponeses se d\u00e1 nas regi\u00f5es lim\u00edtrofes ao territ\u00f3rio dominado pela guerrilha, para afast\u00e1-la do povo. Ali as terras s\u00e3o pulverizadas intensamente com produtos herbicidas t\u00f3xicos, para retirar da guerrilha tamb\u00e9m suas fontes de alimenta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Mais de quinhentos mil colombianos vivem no ex\u00edlio, principalmente na Venezuela e Equador. Relat\u00f3rio da ONU, divulgado agora em 18 de junho, revela que a Col\u00f4mbia figura em primeiro lugar em mat\u00e9ria de refugiados internos, com mais de 3 milh\u00f5es de pessoas nessa condi\u00e7\u00e3o. Recentemente, assassinaram seis membros da comiss\u00e3o organizadora de uma manifesta\u00e7\u00e3o pela troca humanit\u00e1ria, pela negocia\u00e7\u00e3o e pela paz, que levou 200 mil pessoas \u00e0s ruas de Bogot\u00e1, para protestar contra o governo. A Col\u00f4mbia, depois de Israel, \u00e9 o principal pa\u00eds receptor de ajuda militar norte-americana. Suas For\u00e7as Armadas t\u00eam 380 mil efetivos, muito bem treinados, ao passo que a Venezuela tem 70 mil e o Equador 50 mil, sem experi\u00eancia.<\/p>\n<p>E este \u00e9 o melhor momento para acossar Uribe, cujo governo vive o inferno astral da parapol\u00edtica. Um ter\u00e7o dos parlamentares est\u00e1 sendo processado pela justi\u00e7a, por corrup\u00e7\u00e3o e liga\u00e7\u00f5es com o narcotr\u00e1fico. Cerca de sessenta deles j\u00e1 est\u00e3o presos, inclusive um primo de Uribe. Toma corpo um movimento pela antecipa\u00e7\u00e3o das elei\u00e7\u00f5es gerais, pela ren\u00fancia imediata de Uribe e pela convoca\u00e7\u00e3o de uma Assembl\u00e9ia Nacional Constituinte. Uribe joga todas suas fichas para abafar o esc\u00e2ndalo, chegando ao ponto de, passando por cima do judici\u00e1rio, &#8220;extraditar&#8221; por decreto, sem autoriza\u00e7\u00e3o judicial, no meio da madrugada, quatorze chefes paramilitares para os Estados Unidos, como queima de arquivo, pois os seus depoimentos, que j\u00e1 estavam marcados na justi\u00e7a colombiana, poderiam revelar a podrid\u00e3o dos por\u00f5es da narcoparapol\u00edtica colombiana.<\/p>\n<p>Devemos todos nos somar \u00e0 campanha mundial contra o governo fascista e o estado terrorista da Col\u00f4mbia, levantando bem alto as principais propostas apresentadas por todas as for\u00e7as progressistas colombianas, como condi\u00e7\u00f5es m\u00ednimas para o in\u00edcio de um processo de negocia\u00e7\u00f5es pol\u00edticas, sob supervis\u00e3o de pa\u00edses da Am\u00e9rica do Sul: # reconhecimento das FARC como for\u00e7a pol\u00edtica beligerante; # retomada do processo de troca humanit\u00e1ria; # liberta\u00e7\u00e3o dos presos pol\u00edticos.<\/p>\n<p>Aqui no Brasil, precisamos criar um amplo e representativo movimento de solidariedade \u00e0 luta do povo colombiano, que denuncie o terrorismo de Estado naquele pa\u00eds, seja um contraponto \u00e0 manipula\u00e7\u00e3o midi\u00e1tica e ajude na press\u00e3o internacional para a retomada das negocia\u00e7\u00f5es pol\u00edticas, inclusive exigindo do governo brasileiro que jogue um papel importante para viabiliz\u00e1-las.<\/p>\n<p>N\u00e3o tenhamos ilus\u00f5es. O imperialismo sabe melhor do que muitos de n\u00f3s: n\u00e3o h\u00e1 solu\u00e7\u00e3o na Col\u00f4mbia e, quem sabe, na Am\u00e9rica Latina, que n\u00e3o passe pelo reconhecimento do car\u00e1ter beligerante e pol\u00edtico das FARC. A solu\u00e7\u00e3o n\u00e3o poder\u00e1 ser estritamente militar, pois o conflito colombiano \u00e9 antes de tudo pol\u00edtico, econ\u00f4mico e social. Por isso, a negocia\u00e7\u00e3o n\u00e3o pode resumir-se \u00e0 desmilitariza\u00e7\u00e3o, mas levar em conta as raz\u00f5es que originaram o conflito (e que ainda lhe conferem atualidade), radicadas nas injusti\u00e7as sociais, no terrorismo estatal contra os oprimidos, na falta de liberdade de organiza\u00e7\u00e3o e de uma verdadeira democracia.<\/p>\n<p>N\u00e3o se pode exigir de um ex\u00e9rcito popular que abandone nas montanhas, al\u00e9m de suas armas, todas as bandeiras pol\u00edticas que desfraldam h\u00e1 d\u00e9cadas. N\u00e3o \u00e9 justo exigir-lhes que aceitem a paz dos cemit\u00e9rios.<\/p>\n<p>Assim sendo, apesar de respeitarmos as opini\u00f5es de alguns setores e lideran\u00e7as expressivas da esquerda latino-americana que, por ilus\u00e3o ou raz\u00f5es de Estado, pressionam as FARC a se desmilitarizarem unilateralmente, condenamos resolutamente essas press\u00f5es. N\u00e3o apenas por esp\u00edrito humanit\u00e1rio, em raz\u00e3o do inexor\u00e1vel assassinato em massa desses militantes revolucion\u00e1rios, se baixarem as armas e descerem as montanhas. Essa rendi\u00e7\u00e3o (e n\u00e3o existe outra palavra para definir esta proposta) n\u00e3o satisfar\u00e1 o imperialismo, que cobrar\u00e1 mais concess\u00f5es. S\u00f3 o &#8220;acalmaremos&#8221; se abrirmos m\u00e3o de lutar contra o capital.<\/p>\n<p>Al\u00e9m do mais, se n\u00e3o quisermos conciliar nem retroceder na luta por mudan\u00e7as revolucion\u00e1rias e na defesa do patrim\u00f4nio natural do continente, a insurg\u00eancia popular pode vir a ser uma necessidade em v\u00e1rios pa\u00edses da regi\u00e3o e n\u00e3o apenas na Col\u00f4mbia. Basta lembrar que tanto no Iraque como no Afeganist\u00e3o a resist\u00eancia \u00e0 agress\u00e3o militar imperialista \u00e9 exercida exclusivamente por for\u00e7as insurgentes populares e n\u00e3o pelas antigas for\u00e7as armadas convencionais nacionais, sempre inferiorizadas em confronto com a m\u00e1quina de guerra do imp\u00e9rio do capital. N\u00e3o custa lembrar o exemplo her\u00f3ico dos vietcongs, que, atrav\u00e9s da guerrilha e da guerra popular, derrotaram o maior contingente militar de que se tem not\u00edcia em toda a hist\u00f3ria da humanidade.<\/p>\n<p>As FARC s\u00e3o um fator de resist\u00eancia \u00e0 ocupa\u00e7\u00e3o imperialista da Col\u00f4mbia e, porque n\u00e3o dizer, da Amaz\u00f4nia. O exterm\u00ednio das FARC seria hoje uma grande vit\u00f3ria do imperialismo: n\u00e3o \u00e9 \u00e0 toa que se transformou em sua prioridade.<\/p>\n<p>E mais: para dar solidariedade aos povos venezuelano, boliviano, equatoriano; para lutar para que possam avan\u00e7ar as mudan\u00e7as e a luta de classe na Am\u00e9rica Latina, mesmo em processos mais mediados e contradit\u00f3rios como Argentina, Brasil, Chile, Uruguai e, possivelmente, Paraguai; para evitar que haja guerra e retrocesso em nosso continente; para tudo isso, h\u00e1 um pr\u00e9-requisito: derrotar o verdadeiro eixo do mal, os bra\u00e7os terroristas do imperialismo norte-americano em nosso continente: o governo fascista e o estado terrorista da Col\u00f4mbia!<\/p>\n<p>Finalmente, fica uma proposta para todas as for\u00e7as antiimperialistas brasileiras e latino-americanas. Agora neste m\u00eas de julho, 60 anos depois de desativada, a famigerada Quarta Frota norte-americana voltou amea\u00e7adoramente a costear nossos mares, manchando-os com sua tenebrosa hist\u00f3ria. Desta vez com mais poder destrutivo, com mais tecnologia, inclusive nuclear. \u00c9 a maior provoca\u00e7\u00e3o de que a Am\u00e9rica Latina foi v\u00edtima. \u00c9 o verdadeiro terrorismo.<\/p>\n<p>\u00c9 preciso articular todas as organiza\u00e7\u00f5es e for\u00e7as pol\u00edticas e sociais antiimperialistas da Am\u00e9rica Latina na cria\u00e7\u00e3o de um forte e unit\u00e1rio movimento pela expuls\u00e3o desses piratas terroristas dos nossos mares, de onde, apontando-nos seus instrumentos de espionagem e suas armas de destrui\u00e7\u00e3o em massa, cobi\u00e7am nossas riquezas naturais e esperam a melhor hora para matar nossos sonhos de liberdade e justi\u00e7a.<\/p>\n<p>Est\u00e1 na hora de escolhermos uma data, ainda este ano, para promovermos simultaneamente manifesta\u00e7\u00f5es nas portas de todas as miss\u00f5es diplom\u00e1ticas e de todos os s\u00edmbolos dos EUA em toda a Am\u00e9rica Latina, gritando, como um s\u00f3 povo:<\/p>\n<p>FORA A QUARTA FROTA TERRORISTA!<\/p>\n<p>(*) Ivan Pinheiro \u00e9 Secret\u00e1rio Geral do PCB<\/p>\n<p>Rio de Janeiro, 18 de julho de 2008<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Ivan Pinheiro*\nA partir do inveross\u00edmil &#8220;ataque terrorista&#8221; \u00e0s torres g\u00eameas nova-iorquinas, atribu\u00eddo a fundamentalistas isl\u00e2micos, o imperialismo norte-americano demonizou Sadam Hussein e os Talib\u00e3s, para poder invadir o Iraque e o Afeganist\u00e3o, dois pa\u00edses estrat\u00e9gicos na disputa por petr\u00f3leo, g\u00e1s e \u00e1gua, algumas das principais riquezas naturais que decidir\u00e3o a hegemonia mundial. Contra Sadam, inventaram a mentira das armas de destrui\u00e7\u00e3o em massa, cuja exist\u00eancia j\u00e1 foi desmentida at\u00e9 por organismos da ONU. Contra os Talib\u00e3s, a farsa de que eram narcotraficantes. Depois de anos de destrui\u00e7\u00e3o e exterm\u00ednio, n\u00e3o h\u00e1 perspectiva de os ianques sa\u00edrem militarmente vitoriosos desses pa\u00edses, pois seus povos, como o vietnamita, resolveram enfrentar os verdadeiros terroristas.\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/176\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[8,38],"tags":[],"class_list":["post-176","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-america-latina","category-c43-imperialismo"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-2Q","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/176","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=176"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/176\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=176"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=176"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=176"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}