{"id":17658,"date":"2017-12-05T21:18:36","date_gmt":"2017-12-06T00:18:36","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=17658"},"modified":"2018-03-06T17:17:05","modified_gmt":"2018-03-06T20:17:05","slug":"%ef%bb%bfa-resistencia-de-aluizio-palmar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/17658","title":{"rendered":"\ufeffA resist\u00eancia de Aluizio Palmar"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/farm5.staticflickr.com\/4524\/26978209989_56dec36a5f_z.jpg?w=747&#038;ssl=1\" alt=\"imagem\" \/><!--more--><strong>Aos 74 anos, jornalista mant\u00e9m o maior acervo digital de documentos da ditadura militar<\/strong><\/p>\n<p>J\u00falia Rohden<\/p>\n<p>Com os olhos atentos e a voz calma, o jornalista Aluizio Palmar conta sua hist\u00f3ria de vida que se confunde com a de outros brasileiros que resistiram \u00e0 ditadura militar. Aos 74 anos, Aluizio segue ativo na busca por justi\u00e7a \u00e0s v\u00edtimas do regime. No intervalo entre uma roda de conversa e o lan\u00e7amento do relat\u00f3rio da Comiss\u00e3o da Verdade do Paran\u00e1 \u2013 Teresa Urban, ele conta sobre os anos de pris\u00e3o, tortura e ex\u00edlio. Hoje, \u00e9 refer\u00eancia no campo dos direitos humanos e foi uma das principais fontes de informa\u00e7\u00e3o do relat\u00f3rio paranaense.<\/p>\n<p>Ex-integrante do Partido Comunista Brasileiro (PCB), do Movimento Revolucion\u00e1rio 8 de Outubro (MR8) e da Vanguarda Popular Revolucion\u00e1ria (VPR), Aluizio hoje brinca que \u00e9 militante pela internet. No seu perfil do Facebook est\u00e1 estampada a frase \u201cN\u00e3o importa o que o passado fez de mim. Importa \u00e9 o que farei com o que o passado fez de mim\u201d.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de ativo nas redes sociais, o jornalista \u00e9 fundador e editor do maior site de arquivos da ditadura. Documentos Revelados tem mais de 80 mil registros escritos e fotogr\u00e1ficos, fruto de d\u00e9cadas de pesquisa que serve como fonte inclusive para as Comiss\u00f5es da Verdade.Fora da vida virtual, ele integra o Centro de Direitos Humanos e Mem\u00f3ria Popular de Foz do Igua\u00e7u e tamb\u00e9m o Comit\u00ea de Acompanhamento da Sociedade Civil na Comiss\u00e3o de Anistia do Minist\u00e9rio da Justi\u00e7a.<\/p>\n<p>\u201cEu estava em busca da minha hist\u00f3ria, da minha mem\u00f3ria\u201d, conta Palmar. Ele passou a resgatar a hist\u00f3ria de outras v\u00edtimas da ditadura e, ao longo dos anos, reuniu um grande acervo. \u201cTinha muitos materiais guardados em pastas e decidi digitalizar tudo para dar publicidade a esse material\u201d, afirma. O jornalista defende a import\u00e2ncia da divulga\u00e7\u00e3o dessas mem\u00f3rias e conta que os anos de ditadura foram anos de sil\u00eancio e do que chama de \u201cdesmemoriza\u00e7\u00e3o constante\u201d, com mudan\u00e7as de identidade e vidas clandestinas em outros pa\u00edses para poder sobreviver.<\/p>\n<p>Os caminhos de Aluizio<br \/>\n\u200b\u200b<br \/>\nCarioca do pequeno munic\u00edpio S\u00e3o Fid\u00e9lis, Aluizio come\u00e7ou a vida como militante ainda no ensino m\u00e9dio. Foi preso em abril de 1969, quando estava no oeste do Paran\u00e1 para articular a resist\u00eancia \u00e0 ditadura no campo. Foram quase dois anos preso, passando por quatro centros de tortura no Paran\u00e1 e no Rio de Janeiro. Aos 26 anos, perdeu o nascimento da primeira filha, foi torturado e ficou confinado em uma cela solit\u00e1ria.<\/p>\n<p>A jornalista Juliana Machado entrevistou Aluizio para escrever o livro C\u00e1lices Quebrados. Ela conta que tentou saber os detalhes da vida de Aluizio na pris\u00e3o. Juliana perguntava, Aluizio mudava de assunto. Ela insistiu at\u00e9 ele responder: \u201cSabe, eu penso assim: ser\u00e1 que eu tenho que passar por tudo de novo contando? N\u00e3o, eu prefiro n\u00e3o falar os detalhes, mas foi o ano de 1969 todo. Esse supl\u00edcio, que se repetiu desde a minha pris\u00e3o, aconteceu na Delegacia de Pol\u00edcia de Cascavel; no Batalh\u00e3o de Fronteiras, de Foz do Igua\u00e7u; no quartel da Pol\u00edcia do Ex\u00e9rcito, em Curitiba; no Centro de Informa\u00e7\u00f5es da Marinha e nos centros de tortura das ilhas das Cobras e das Flores, tamb\u00e9m situadas no Rio de Janeiro. Eram torturas de todo tipo, desde choque el\u00e9trico, afogamento, pau de arara. As torturas eram realizadas em plena luz do dia.\u201d<\/p>\n<p>Em 1971, foi para o ex\u00edlio no Chile, junto com outros 69 presos pol\u00edticos em troca da libera\u00e7\u00e3o do embaixador da Su\u00ed\u00e7a no Brasil, Giovanni Bucher. Dois anos depois, o pa\u00eds tamb\u00e9m sofreu o golpe militar, derrubando o governo do socialista Salvador Allende, e o jornalista se viu novamente sem ch\u00e3o. \u201cEu pensei: e agora? N\u00e3o posso ficar no Chile onde estou legalmente exilado, porque foi instaurada a ditadura, e n\u00e3o posso voltar para o Brasil porque sen\u00e3o me matam. O que fa\u00e7o da minha vida?\u201d.<\/p>\n<p>Aluizio foi para o interior da Argentina, onde ningu\u00e9m o conhecia. L\u00e1 se encontrou com a esposa e a filha,e passou alguns anos \u201csobrevivendo\u201d, como diz. Nesse per\u00edodo teve outros dois filhos e lembra que n\u00e3o se falava de pol\u00edtica dentro de casa por medo. Pouco tempo depois, em 1976, o jornalista precisou se mudar novamente porque os militares tomaram o poder na Argentina. \u201cQueimei tudo. O pouco que tinha da minha hist\u00f3ria, da minha mem\u00f3ria foi queimado\u201d, lembra.<\/p>\n<p>Com a Lei da Anistia, Palmar voltou para Foz do Igua\u00e7u onde mora at\u00e9 hoje. Em 1980, criou o jornal Nosso Tempo que durou quinze anos denunciando as viol\u00eancias da ditadura. Ele tamb\u00e9m escreveu o livro-reportagem \u201cOnde foi que voc\u00eas enterraram nossos mortos?\u201d que revela o massacre de seis militantes atra\u00eddos para uma armadilha montada pelos militares no oeste do Paran\u00e1.<\/p>\n<p>Lan\u00e7amento do relat\u00f3rio da Comiss\u00e3o da Verdade do Paran\u00e1<\/p>\n<p>Aluizio esteve em Curitiba para compor a mesa de convidados durante o lan\u00e7amento do relat\u00f3rio da Comiss\u00e3o da Verdade do Paran\u00e1 \u2013 Teresa Urban, na \u00faltima segunda-feira (27). Familiares de v\u00edtimas, estudantes, militantes e jornalistas lotaram o audit\u00f3rio Poty Lazzaroto do Museu Oscar Niemeyer (MON).<\/p>\n<p>O relat\u00f3rio foi divulgado ap\u00f3s cinco anos de pesquisa para apurar viola\u00e7\u00f5es de direitos humanos cometidas durante a ditadura militar. S\u00e3o onze cap\u00edtulos e dois volumes que re\u00fanem as investiga\u00e7\u00f5es feitas pela Comiss\u00e3o.<\/p>\n<p>Desde 2012, quando foi constitu\u00edda, a Comiss\u00e3o da Verdade do Paran\u00e1 \u2013 Teresa Urban promoveu 59 reuni\u00f5es p\u00fablicas e coletou 106 depoimentos em audi\u00eancias feitas em Foz do Igua\u00e7u, Apucarana, Curitiba, Cascavel, Londrina, Umuarama, Maring\u00e1 e tamb\u00e9m no munic\u00edpio catarinense de Papanduva (SC).<\/p>\n<p>O relat\u00f3rio tamb\u00e9m apresenta recomenda\u00e7\u00f5es visando a preven\u00e7\u00e3o de novos epis\u00f3dios de viola\u00e7\u00e3o. Uma das recomenda\u00e7\u00f5es \u00e9 a cria\u00e7\u00e3o de um comit\u00ea permanente de mem\u00f3ria justi\u00e7a e verdade. No evento de lan\u00e7amento, o secret\u00e1rio estadual da Justi\u00e7a, Trabalho e Direitos Humanos, Artag\u00e3o J\u00fanior, informou que o governador do estado j\u00e1 assinou o decreto para instituir o comit\u00ea permanente.<\/p>\n<p>Edi\u00e7\u00e3o: Ednubia Ghisi (Texto) Franciele Petry Schramm<\/p>\n<p>Ilustra\u00e7\u00e3o: Aluizio esteve em Curitiba para participar do lan\u00e7amento do relat\u00f3rio da Comiss\u00e3o da Verdade do Paran\u00e1 \u2013 Teresa Urban.\u00a0 Pedro Carrano<\/p>\n<p>https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2017\/12\/01\/perfil-or-a-resistencia-de-aluizio-palmar\/<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/17658\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"A resist\u00eancia de Aluizio Palmar","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[53],"tags":[],"class_list":["post-17658","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c64-ditadura"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-4AO","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17658","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=17658"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17658\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=17658"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=17658"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=17658"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}