{"id":17704,"date":"2017-12-07T18:22:24","date_gmt":"2017-12-07T21:22:24","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=17704"},"modified":"2017-12-07T18:24:14","modified_gmt":"2017-12-07T21:24:14","slug":"ate-88-dos-palestinos-foram-mortos-ou-expulsos-do-que-veio-ser-israel","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/17704","title":{"rendered":"At\u00e9 88% dos palestinos foram mortos ou expulsos do que veio a ser Israel"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"At\u00e9 88% dos palestinos foram mortos ou expulsos do que veio a ser Israel\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/pravda-team.ru\/port\/image\/article\/7\/7\/9\/27779.jpeg\" alt=\"At\u00e9 88% dos palestinos foram mortos ou expulsos do que veio a ser Israel\" \/><!--more-->PRAVDA<\/p>\n<p>At\u00e9 88% dos palestinos foram mortos ou expulsos do que veio a ser Israel. Foto: Divulga\u00e7\u00e3o Fepal<\/p>\n<p>Dia Internacional de Solidariedade ao Povo Palestino<\/p>\n<p>Por Ualid Rabah*, no Oriente M\u00eddia<\/p>\n<p>Institu\u00eddo pela ONU em 1977 como o Dia Internacional de Solidariedade ao Povo Palestino, o 29 de novembro procura chamar a aten\u00e7\u00e3o para a luta desta popula\u00e7\u00e3o em fazer valer seus direitos de habitar seu pr\u00f3prio pa\u00eds, um direito comprometido desde a Partilha da Palestina pela Resolu\u00e7\u00e3o 181 (que levou \u00e0 autoproclama\u00e7\u00e3o do Estado de Israel), pela mesma Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidades em 29 de novembro de 1947, e que causou \u00e0 expuls\u00e3o e morte de centenas de milhares de suas pr\u00f3prias terras (mais de 60% de toda a Palestina ou de at\u00e9 88% quando considerado o territ\u00f3rio &#8211; 78% &#8211; apossado por Israel para se autoproclamar).<\/p>\n<p>A data tamb\u00e9m serve como refer\u00eancia no mundo acad\u00eamico brasileiro para estudos aprofundados da quest\u00e3o palestina. Universidades espalhadas de norte a sul do Brasil est\u00e3o aumentando seu interesse em investigar, debater e difundir temas como a expuls\u00e3o dos palestinos de suas terras no Oriente M\u00e9dio e a continuidade da luta dos refugiados e seus descendentes ao redor do mundo, tudo para ver sua na\u00e7\u00e3o reconhecida.<\/p>\n<p>O antrop\u00f3logo e economista Hissa Mussa Hazin concluiu no ano passado um projeto de mestrado em Antropologia na UFPE (Universidade Federal de Pernambuco), que investigou a primeira imigra\u00e7\u00e3o de fam\u00edlias palestinas para o Brasil, em 1890. O av\u00f4 de Hissa era um dos imigrantes que aportou em terras brasileiras via Pernambuco. Na \u00e9poca, a Palestina era dominada pelo ent\u00e3o Imp\u00e9rio Otomano, ou Turco, como era tamb\u00e9m conhecido, que n\u00e3o reconhecia os palestinos como um povo independente. Essa postura causava problemas de acesso a servi\u00e7os b\u00e1sicos, como educa\u00e7\u00e3o, sa\u00fade e direitos pol\u00edticos aos palestinos que l\u00e1 viviam. Esse acabou sendo o motivo da imigra\u00e7\u00e3o para o Brasil.<\/p>\n<p>&#8220;A ideia era fazer um p\u00e9 de meia no Brasil e depois voltar para ajudar a fam\u00edlia que havia ficado na Palestina, mas isso n\u00e3o aconteceu porque ao final da Primeira Guerra Mundial o dom\u00ednio da regi\u00e3o passou dos turcos, derrotados no conflito, para os ingleses, que come\u00e7aram a incentivar a transfer\u00eancia de europeus de ascend\u00eancia judaica para a palestina&#8221;, conta Hissa. A transfer\u00eancia atingiria seu ponto alto em 1948 com a sa\u00edda da Inglaterra da Palestina e a entrega do territ\u00f3rio para a cria\u00e7\u00e3o do Estado de Israel, for\u00e7ando, pela viol\u00eancia, milhares de fam\u00edlias palestinas a abandonarem suas terras ancestrais.<\/p>\n<p>A imigra\u00e7\u00e3o de fam\u00edlias palestinas para a Am\u00e9rica do Sul tamb\u00e9m foi o ponto de partida do projeto de mestrado em Antropologia de B\u00e1rbara Caramuru Teles, na UFPR (Universidade Federal do Paran\u00e1). A antrop\u00f3loga investigou no Chile como se formou a comunidade palestina naquele pa\u00eds, detentor da maior col\u00f4nia palestina fora do Oriente M\u00e9dio.<\/p>\n<p>&#8220;O que quis compreender foram as formas de pertencimento identit\u00e1rio dos palestinos-chilenos&#8221;, afirma B\u00e1rbara, cujo t\u00edtulo do mestrado est\u00e1 em espanhol para enfatizar como a comunidade est\u00e1 engajada na luta pela conquista de fato e de direito de suas terras. &#8220;La Tierra Palestina Es M\u00e1s Cara Que El Oro&#8221;, o t\u00edtulo da pesquisa, mergulhou na comunidade palestina da regi\u00e3o de Santiago e procurou descobrir como vivem refugiados, palestinos e descendentes de palestinos e suas intera\u00e7\u00f5es na pr\u00f3pria comunidade.<\/p>\n<p><strong>Visibilidade<\/strong><\/p>\n<p>Para B\u00e1rbara, trabalhos de investiga\u00e7\u00e3o no universo acad\u00eamico sobre a quest\u00e3o palestino s\u00e3o urgentes. &#8220;\u00c9 preciso dar visibilidade dentro da universidade para a causa palestina, que \u00e9 um tema novo na \u00e1rea de ci\u00eancias sociais. Com isso, podemos formar mais professores de Hist\u00f3ria conscientes da realidade palestina&#8221;, observa a antrop\u00f3loga. Ela considera que os trabalhos de investiga\u00e7\u00e3o devem ser intensificados para denunciar o colonialismo enfrentado pelos palestinos em suas pr\u00f3prias terras.<br \/>\n&#8220;O projeto sionista de limpeza \u00e9tnica da Palestina foi criado nos mesmos moldes cl\u00e1ssicos, como foi aqui na Am\u00e9rica Latina e na \u00c1frica. O meu trabalho busca entender como foi mantida essa identidade dos palestinos no ex\u00edlio, provocado pelos atos de ocupa\u00e7\u00e3o sionista da regi\u00e3o&#8221;, afirma B\u00e1rbara.<\/p>\n<p><strong>Conflitos<\/strong><\/p>\n<p>O ex\u00edlio de milhares de palestinos e descendentes foi uma das facetas do conflito causado pela expuls\u00e3o de parte do povo para continuar sobrevivendo. \u00c9 o que procura entender Fabio Bacila, historiador paranaense descendente de palestinos e professor da UEPG (Universidade Estadual de Ponta Grossa).<\/p>\n<p>Bacila obteve t\u00edtulo de doutorado na USP (Universidade de S\u00e3o Paulo) ao interpretar as viola\u00e7\u00f5es dos direitos humanos cometidas desde 1967, ano em que ocorreu a chamada &#8220;guerra dos Seis Dias&#8221;, culminando com a anexa\u00e7\u00e3o do que restava da Palestina (Cisjord\u00e2nia e Gaza) por parte dos israelenses e que dificultam at\u00e9 hoje as negocia\u00e7\u00f5es para a cria\u00e7\u00e3o do Estado Palestino. Bacila aponta um cen\u00e1rio de desprote\u00e7\u00e3o total da popula\u00e7\u00e3o palestina na regi\u00e3o, privada do m\u00ednimo de direitos civis, com a sistematiza\u00e7\u00e3o da tortura, atividades de grupos de exterm\u00ednio, agress\u00f5es com armas de fogo contra civis, dentre outras situa\u00e7\u00f5es de viol\u00eancia que exp\u00f5em a vulnerabilidade da popula\u00e7\u00e3o civil palestina no dia a dia.<\/p>\n<p>Palestina segue de massacre em massacre, como em Gaza, destru\u00edda tr\u00eas vezes nos \u00faltimos 8 anos<\/p>\n<p>Com a presen\u00e7a da internet como meio alternativo de divulga\u00e7\u00e3o das quest\u00f5es palestinas, rompendo o isolamento da grande m\u00eddia ao assunto, Bacila afirma que o tema vem despertando interesse dos meios acad\u00eamicos diante das atrocidades cometidas pelo Estado de Israel, alvo de den\u00fancias em sites, blogues e redes sociais. O historiador destaca que essas informa\u00e7\u00f5es come\u00e7aram a gerar como\u00e7\u00e3o e press\u00e3o na comunidade internacional para que os m\u00e9todos de negocia\u00e7\u00e3o e conviv\u00eancia com um povo oprimido, como o palestino v\u00eam enfrentando de maneira intensificada h\u00e1 cerca de 70 anos.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 natural que a gente tenha um saber que, sob a luz cient\u00edfica [surgida com o interesse nas universidades], vai ser um saber altamente cr\u00edtico ao discurso hegem\u00f4nico. Como em outros termos \u00e9 o oprimido que vai produzir a ci\u00eancia, porque ele n\u00e3o precisa ideologizar o discurso, no sentido de criar uma falsa consci\u00eancia, a ci\u00eancia vem num sentido de descoberta de realidade que vai favorecer as causas de liberta\u00e7\u00e3o. Inclusive a ONU vai se prestar a esse papel a partir dos anos 60, de ser uma organiza\u00e7\u00e3o anticolonialista&#8221;, afirma Bacila, dando como exemplo a cria\u00e7\u00e3o do pr\u00f3prio Dia Internacional de Solidariedade ao Povo Palestino, lembrado nesta quarta-feira (29\/11).<\/p>\n<p><strong>Di\u00e1spora<\/strong><\/p>\n<p>A di\u00e1spora palestina no Brasil foi o tema do projeto de doutorado defendido na USP por Luciana Garcia de Oliveira, formada em Direito e mestre no Programa Interdisciplinar de Estudos Judaicos e \u00c1rabes do Departamento de Letras Orientais da USP.<\/p>\n<p>Luciana afirma que seu trabalho constatou que a vinda de palestinos e o nascimento de descendentes diretos do povo no Brasil se confundem com a hist\u00f3ria recente do pa\u00eds. &#8220;Tivemos muitos palestinos que participaram ativamente da campanha pelas Diretas J\u00e1 [Movimento popular na d\u00e9cada de 1980 que defendeu a transi\u00e7\u00e3o do governo militar para o civil por meio de elei\u00e7\u00e3o direta, que foi reprovado no Congresso, dominado pelos militares]&#8221;, destaca a pesquisadora. O trabalho apurou ainda a funda\u00e7\u00e3o da FEPAL (Federa\u00e7\u00e3o \u00c1rabe Palestina do Brasil), entidade criada para mobilizar a col\u00f4nia palestina no Brasil pelo direito \u00e0 sua pr\u00f3pria terra.<br \/>\nDe acordo com Luciana, trabalhos em l\u00edngua portuguesa que abordam a quest\u00e3o palestina s\u00e3o estrat\u00e9gicos para atrair o interesse de estudantes universit\u00e1rios a respeito do assunto. &#8220;Os jovens precisam compreender o tema, que tem repercuss\u00f5es em todo o mundo&#8221;, afirma a especialista.<\/p>\n<p><strong>Motivo de comemora\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>&#8220;Setenta anos depois, exatamente hoje, numa data tr\u00e1gica que representa o in\u00edcio da trag\u00e9dia palestina, quando a ONU resolve partilhar um territ\u00f3rio que n\u00e3o seria partilhado para d\u00e1-lo a estrangeiros, por incr\u00edvel que pare\u00e7a, temos sim o que comemorar&#8221;, afirma o diretor de Rela\u00e7\u00f5es Institucionais da FEPAL, Ualid Rabah. O diretor observa que o aumento do interesse acad\u00eamico pela causa palestina representa uma reviravolta na realidade universit\u00e1ria. &#8220;\u00c9 n\u00edtido que a narrativa sionista, pr\u00f3-Israel, que era predominante nos meios acad\u00eamicos, especialmente nas p\u00f3s-gradua\u00e7\u00f5es, come\u00e7ou nos \u00faltimos anos a ser quebrada. Isso \u00e9 motivo de muito orgulho para os palestinos e para aqueles que defendem a causa palestina.&#8221;<\/p>\n<p>Os estudos aprofundados servem como refer\u00eancia para desmontar discursos antes predominantes e que n\u00e3o correspondem \u00e0 realidade. &#8220;N\u00e3o se trata de narrativa panflet\u00e1ria, de mera manifesta\u00e7\u00e3o desses setores universit\u00e1rios, mas sim na forma de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00f5es muito s\u00f3lidas que desmistificam a totalidade dos acontecimentos na Palestina desde seus tempos mais antigos at\u00e9 os epis\u00f3dios mais recentes, que culminaram em apartheid, segrega\u00e7\u00e3o racial, de supremacismo racial e do uso de legisla\u00e7\u00e3o &#8216;extra-apartheid&#8217;, dissimulando legisla\u00e7\u00f5es para promover o apartheid tal qual aquele da \u00c1frica do Sul. As disserta\u00e7\u00f5es de mestrado, as teses de doutorado e as demais p\u00f3s-gradua\u00e7\u00f5es e trabalhos de conclus\u00e3o de curso est\u00e3o lan\u00e7ando novas luzes no meio acad\u00eamico sobre a quest\u00e3o palestina&#8221;, afirma Ualid.<\/p>\n<p>*Ualid Rabah\u00a0\u00e9 Diretor de Rela\u00e7\u00f5es Institucionais da Federa\u00e7\u00e3o \u00c1rabe Palestina do Brasil\u00a0 (FEPAL)<\/p>\n<p>http:\/\/port.pravda.ru\/busines\/03-12-2017\/44512-palestinos_israel-0\/<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/17704\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[78],"tags":[228],"class_list":["post-17704","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c91-solidariedade-a-palestina","tag-5b"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-4By","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17704","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=17704"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17704\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=17704"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=17704"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=17704"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}