{"id":17812,"date":"2017-12-13T13:41:18","date_gmt":"2017-12-13T16:41:18","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=17812"},"modified":"2017-12-13T13:54:03","modified_gmt":"2017-12-13T16:54:03","slug":"jerusalem-memoria-da-dor","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/17812","title":{"rendered":"Jerusal\u00e9m, mem\u00f3ria da dor"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"Resist\u00eancia palestina \u00e9 di\u00e1ria desde h\u00e1 mais de 70 anos\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/178.62.201.127\/sites\/default\/files\/styles\/scale_large\/public\/palestina1.jpg\" alt=\"Resist\u00eancia palestina \u00e9 di\u00e1ria desde h\u00e1 mais de 70 anos\" \/><!--more-->Elaine Tavares<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.iela.ufsc.br\/noticia\/jerusalem-memoria-da-dor\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">IELA<\/a><\/p>\n<p>Era 14 de maio de 1948 quando a Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas decidiu criar por decreto o estado de Israel, dividindo o territ\u00f3rio ocupado pelos palestinos em dois, com a participa\u00e7\u00e3o decisiva do brasileiro Osvaldo Aranha, ent\u00e3o representante brasileiro na ONU. Foi por conta de uma manobra feita por Aranha que a vota\u00e7\u00e3o aconteceu e deu vit\u00f3ria ao sionismo. Segundo a organiza\u00e7\u00e3o haveria dois estados: um \u00e1rabe e um judeu. A proposta era uma esp\u00e9cie de repara\u00e7\u00e3o pelo horror vivido pelos povo judeu na grande guerra provocada pelos nazistas. Ocorre que a terra n\u00e3o era um espa\u00e7o vazio. Ali viviam as fam\u00edlias palestinas desde h\u00e1 s\u00e9culos, plantando suas oliveiras, criando suas cabras e conversando nas cal\u00e7adas sorvendo o ch\u00e1 de hortel\u00e3 ou maramiah.<\/p>\n<p>A a\u00e7\u00e3o da ONU, obviamente proposta pelos Estados Unidos, obedecia a um interesse menos nobre do que garantir morada a um povo que estava espalhado pelo mundo, e que havia sofrido o holocausto. Eles queriam naquele espa\u00e7o garantir uma porta de entrada segura para o Oriente M\u00e9dio, onde estava o petr\u00f3leo. Criar um estado artificial, aliado, foi uma jogada de mestre. O pa\u00eds do \u201ctio Sam\u201d aparecia ao mundo como o grande respons\u00e1vel pela vit\u00f3ria contra os nazistas e, com essa atitude, posava de humanit\u00e1rio mais uma vez.<\/p>\n<p>S\u00f3 que com a cria\u00e7\u00e3o do estado artificial foi preciso expulsar das terras as pessoas que ali viviam: os palestinos. Assim, em poucos dias foi criado um terreno de horror e guerra, com a fuga em massa de mais de 800 mil pessoas por conta da invas\u00e3o dos judeus. Outros tantos judeus foram trazidos para as propriedades palestinas, visando invadir o m\u00e1ximo poss\u00edvel de terras. Em menos de um ano, o novo estado, comandando pela religi\u00e3o judaica, se estabelecia, vitorioso.<\/p>\n<p>A partir da\u00ed, os sionistas, que desde 1897 reivindicavam um estado para os judeus, n\u00e3o pararam mais de matar e oprimir os palestinos, visando avan\u00e7ar cada vez mais sobre suas terras. O sionismo \u00e9 um movimento que se baseia na lembran\u00e7a de Si\u00e3o, o mundo judeu que existia naquela regi\u00e3o antes do s\u00e9culo I, e que foi destru\u00eddo pelo Imp\u00e9rio Romano.\u00a0 As setes tribos de Israel, conforme conta o Velho Testamento da B\u00edblia crist\u00e3, eram n\u00f4mades e circulavam pela regi\u00e3o, unificando-se em torno das leis de Mois\u00e9s, tendo sido depois escravizados pelos eg\u00edpcios e outros povos vizinhos, sem nunca abandonar a sua f\u00e9.<\/p>\n<p>O fato \u00e9 que depois da di\u00e1spora judaica, iniciada no s\u00e9culo I da era crist\u00e3, muitos outros povos seguiram vivendo na regi\u00e3o nos 1948 anos que se seguiram at\u00e9 a cria\u00e7\u00e3o do estado de Israel. E, desses povos, o palestino foi o que fincou ra\u00edzes. Assim, por mais de mil anos, aquela gente esteve ali, construindo sua cultura e suas moradas. Por isso, a intermin\u00e1vel batalha que persiste at\u00e9 hoje. Observando bem, n\u00e3o tem nada a ver com a religi\u00e3o, como tenta convencer a m\u00eddia. O que est\u00e1 em quest\u00e3o \u00e9 a propriedade da terra.<\/p>\n<p>O conflito<\/p>\n<p>Ap\u00f3s a cria\u00e7\u00e3o do estado de Israel, com a promessa de haver dois estados distintos, a hist\u00f3ria que se seguiu n\u00e3o foi a anunciada ao mundo em 1948. Os sionistas come\u00e7aram a invadir outros pontos do territ\u00f3rio, separando fam\u00edlias, matando milhares de pessoas e se apossando de mais e mais terras. Uma olhada no mapa abaixo deixa bem claro como foi o processo de invas\u00e3o sistem\u00e1tica.<\/p>\n<p>Hoje, os palestinos vivem segregados em pequenas partes do territ\u00f3rio, separados de pais, irm\u00e3os, amigos, cercados por muros gigantes e tratados como criminosos. Para cruzar o territ\u00f3rio de um lado a outro eles precisam de autoriza\u00e7\u00e3o e, diariamente, sofrem humilha\u00e7\u00f5es e viol\u00eancia. Na pr\u00e1tica, os espa\u00e7os palestinos s\u00e3o exatamente campos de concentra\u00e7\u00e3o, submetidos a bombardeios e viol\u00eancias extremas. O povo palestino vive hoje o que viveram os judeus na segunda guerra: um holocausto.<\/p>\n<p>Mas, apesar de toda a viol\u00eancia do estado de Israel,\u00a0 o povo palestino resiste. Uma resist\u00eancia heroica que custa a vida de crian\u00e7as, jovens, adultos e velhos todos os dias. Viver nos territ\u00f3rios palestinos \u00e9 estar de cara com a morte a cada momento, porque a proposta dos sionistas \u00e9 acabar com todos os palestinos, para ficarem com todo o territ\u00f3rio.<\/p>\n<p>Jerusal\u00e9m<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"70 anos de ocupa\u00e7\u00e3o sionista\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/178.62.201.127\/sites\/default\/files\/styles\/scale_large\/public\/mapa_palestina_ocupada1_0.jpg\" alt=\"70 anos de ocupa\u00e7\u00e3o sionista\" \/>Nesse terreno de guerra permanente, a cidade de Jerusal\u00e9m tem um papel importante. Ela \u00e9 ber\u00e7o das tr\u00eas principais religi\u00f5es monote\u00edstas do mundo: o juda\u00edsmo, o cristianismo e o islamismo. E por ser esse espa\u00e7o sui generis no contexto da f\u00e9 de milh\u00f5es de pessoas havia o acordo de que ela seria uma cidade livre, com acesso livre para todos os fi\u00e9is de cada uma dessas religi\u00f5es. Al\u00e9m disso, Jerusal\u00e9m sempre foi considerada a capital pol\u00edtica da Palestina e \u00e9 reivindicada como tal pelo povo palestino. Ainda que Israel tenha tomado militarmente parte da cidade, os palestinos jamais abriram m\u00e3o de sua capital.<\/p>\n<p>\u00c9 por isso que a decis\u00e3o de Donald Trump em reconhecer Jerusal\u00e9m como a capital de Israel est\u00e1 provocando um terremoto pol\u00edtico na regi\u00e3o. Importante salientar que n\u00e3o seria da compet\u00eancia dele, como presidente de um pa\u00eds long\u00ednquo, determinar uma coisa dessas, ainda que haja uma lei, aprovada pelo Congresso dos EUA em 1995, definindo isso \u2013 outro absurdo. Mas, por outro lado, exp\u00f5e de maneira clara a rela\u00e7\u00e3o visceral que existe entre Israel e Estados Unidos. Ou seja, o estado sionista \u00e9 cria dos EUA. Existe para ser o bra\u00e7o armado dos Estados Unidos na regi\u00e3o do Oriente M\u00e9dio e cumpre com compet\u00eancia essa miss\u00e3o.\u00a0 Se, desde 1995 nenhum presidente se arvorou em tornar real a lei \u2013 por conta das negocia\u00e7\u00f5es de paz \u2013 agora Trump se sente muito \u00e0 vontade para levar ainda mais desgra\u00e7a para a regi\u00e3o.<\/p>\n<p>A \u201cdecis\u00e3o\u201d de Trump em tornar Jerusal\u00e9m capital de Israel viola todos os acordos j\u00e1 firmados e \u00e9 t\u00edpica de um estado imperial. Com ela, as rela\u00e7\u00f5es com a Liga \u00c1rabe das Na\u00e7\u00f5es ficam ainda mais tensas e torna a regi\u00e3o ainda mais explosiva. Protegidos pelo imp\u00e9rio estadunidense os dirigentes israelenses agora se sentem mais seguros em tomar de vez a cidade dos palestinos, avan\u00e7ando ainda mais sobre o territ\u00f3rio daquele povo.<\/p>\n<p>Em todo o mundo se levantam as gentes contra mais esse ataque ao povo palestino, espremido dia a dia em sua pr\u00f3pria terra, perdendo espa\u00e7o e vida. Com a declara\u00e7\u00e3o do presidente estadunidense acirraram-se ainda mais os conflitos vividos dentro do territ\u00f3rio, com Israel cada vez mais empoderada no seu pretenso direito de matar.<\/p>\n<p>Agora, Trump diz que vai transferir a embaixada dos EUA para Jerusal\u00e9m, saindo de Tel Aviv, a capital de Israel. E esse \u00e9 mais um ato de guerra contra os palestinos.<\/p>\n<p>Para quem vive t\u00e3o distante do conflito \u00e9 bom que se deixe claro: o massacre, o genoc\u00eddio, imposto ao povo palestino nada tem a ver com religi\u00e3o, ainda que essas diferen\u00e7as sejam insufladas pelos governantes sionistas. Entre os palestinos h\u00e1 crist\u00e3os e mu\u00e7ulmanos, mas n\u00e3o \u00e9 isso que faz com que haja o ataque permanente. O ponto central \u00e9 o territ\u00f3rio. \u00c9 uma batalha pelo controle da terra, das riquezas e da posi\u00e7\u00e3o estrat\u00e9gica no globo.<\/p>\n<p>Trump torna a situa\u00e7\u00e3o ainda pior e, no futuro, cada um desses presidentes estadunidenses, desde Harry Trumann, precisar\u00e1 ser colocado no seu devido lugar, como respons\u00e1veis pelo genoc\u00eddio do povo palestino. Criminosos de guerra.<\/p>\n<p>Ilustra\u00e7\u00e3o principal: Resist\u00eancia palestina \u00e9 di\u00e1ria desde h\u00e1 mais de 70 anos<\/p>\n<p>http:\/\/www.iela.ufsc.br\/noticia\/jerusalem-memoria-da-dor<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/17812\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[78],"tags":[227],"class_list":["post-17812","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c91-solidariedade-a-palestina","tag-5a"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-4Di","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17812","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=17812"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17812\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=17812"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=17812"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=17812"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}