{"id":17959,"date":"2017-12-18T13:07:29","date_gmt":"2017-12-18T16:07:29","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=17959"},"modified":"2017-12-18T13:07:29","modified_gmt":"2017-12-18T16:07:29","slug":"ibge-50-milhoes-de-brasileiros-vivem-na-pobreza","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/17959","title":{"rendered":"IBGE: 50 milh\u00f5es de brasileiros vivem na pobreza"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"IBGE: 50 milh\u00f5es de brasileiros vivem na pobreza\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.ihu.unisinos.br\/images\/ihu\/2017\/12\/05_12_ocupacao_sao_bernardo_foto_midia_ninja.jpg\" alt=\"IBGE: 50 milh\u00f5es de brasileiros vivem na pobreza\" \/><!--more--><a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/78-noticias\/574681-ibge-50-milhoes-de-brasileiros-vivem-na-linha-de-pobreza\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">IHU &#8211; UNISINOS<\/a><\/p>\n<p>Cerca de 50 milh\u00f5es de brasileiros, o equivalente a 25,4% da popula\u00e7\u00e3o, vivem na linha de pobreza e t\u00eam renda familiar equivalente a R$ 387,07 \u2013 ou US$ 5,5 por dia, valor adotado pelo Banco Mundial para definir se uma pessoa \u00e9 pobre.<\/p>\n<p>A reportagem \u00e9 de Nielmar de Oliveira, publicada por Ag\u00eancia Brasil, 15-12-2017.<\/p>\n<p>Os dados foram divulgados dia 15\/12, no Rio de Janeiro, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE) e fazem parte da pesquisa S\u00edntese de Indicadores Sociais 2017 \u2013 SIS 2017. Ela indica, ainda, que o maior \u00edndice de pobreza se d\u00e1 na Regi\u00e3o Nordeste do pa\u00eds, onde 43,5% da popula\u00e7\u00e3o se enquadram nessa situa\u00e7\u00e3o e, a menor, no Sul: 12,3%.<\/p>\n<p>A situa\u00e7\u00e3o \u00e9 ainda mais grave se levadas em conta as estat\u00edsticas do IBGE envolvendo crian\u00e7as de 0 a 14 anos de idade. No pa\u00eds, 42% das crian\u00e7as nesta faixa et\u00e1ria se enquadram nestas condi\u00e7\u00f5es e sobrevivem com apenas US$ 5,5 por dia.<\/p>\n<p>A pesquisa de indicadores sociais revela uma realidade: o Brasil \u00e9 um pa\u00eds profundamente desigual e a desigualdade gritante se d\u00e1 em todos os n\u00edveis.<\/p>\n<p>Seja por diferentes regi\u00f5es do pa\u00eds, por g\u00eanero &#8211; as mulheres ganham, em geral, bem menos que os homens mesmo exercendo as mesmas fun\u00e7\u00f5es -, por ra\u00e7a e cor: os trabalhadores pretos ou pardos respondem pelo maior n\u00famero de desempregados, t\u00eam menor escolaridade, ganham menos, moram mal e come\u00e7am a trabalhar bem mais cedo exatamente por ter menor n\u00edvel de escolaridade.<\/p>\n<p>Um pa\u00eds onde a renda per capita dos 20% que ganham mais, cerca de R$ 4,5 mil, chega a ser mais de 18 vezes que o rendimento m\u00e9dio dos que ganham menos e com menores rendimentos por pessoa \u2013 cerca de R$ 243.<\/p>\n<p>No Brasil, em 2016, a renda total apropriada pelos 10% com mais rendimentos (R$ 6,551 mil) era 3,4 vezes maior que o total de renda apropriado pelos 40% (R$ 401) com menos rendimentos, embora a rela\u00e7\u00e3o variasse dependendo do estado.<\/p>\n<p>Entre as pessoas com os 10% menores rendimentos do pa\u00eds, a parcela da popula\u00e7\u00e3o de pretos ou pardos chega a 78,5%, contra 20,8% de brancos. No outro extremo, dos 10% com maiores rendimentos, pretos ou pardos respondiam por apenas 24,8%.<\/p>\n<p>A maior diferen\u00e7a estava no Sudeste, onde os pretos ou pardos representavam 46,4% da popula\u00e7\u00e3o com rendimentos, mas sua participa\u00e7\u00e3o entre os 10% com mais rendimentos era de 16,4%, uma diferen\u00e7a de 30 pontos percentuais.<\/p>\n<p><strong>Desigualdade acentuada<\/strong><\/p>\n<p>No que diz respeito \u00e0 distribui\u00e7\u00e3o de renda no pa\u00eds, a S\u00edntese dos Indicadores Sociais 2017 comprovou, mais uma vez, que o Brasil continua um pa\u00eds de alta desigualdade de renda, inclusive, quando comparado a outras na\u00e7\u00f5es da Am\u00e9rica Latina, regi\u00e3o onde a desigualdade \u00e9 mais acentuada.<\/p>\n<p>Segundo o estudo, em 2017 as taxas de desocupa\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o preta ou parda foram superiores \u00e0s da popula\u00e7\u00e3o branca em todos os n\u00edveis de instru\u00e7\u00e3o. Na categoria ensino fundamental completo ou m\u00e9dio incompleto, por exemplo, a taxa de desocupa\u00e7\u00e3o dos trabalhadores pretos ou pardos era de 18,1%, bem superior que o percentual dos brancos: 12,1%.<\/p>\n<p>\u201cA distribui\u00e7\u00e3o dos rendimentos m\u00e9dios por atividade mostra a heterogeneidade estrutural da economia brasileira. Embora tenha apresentado o segundo maior crescimento em termos reais nos cinco anos dispon\u00edveis (10,9%), os servi\u00e7os dom\u00e9sticos registraram os rendimentos m\u00e9dios mais baixos em toda a s\u00e9rie. J\u00e1 a Administra\u00e7\u00e3o P\u00fablica acusou o maior crescimento (14,1%) e os rendimentos m\u00e9dios mais elevados\u201d, diz o IBGE.<\/p>\n<p><strong>O peso da escolaridade<\/strong><\/p>\n<p>Os dados do estudo indicam que, quanto menos escolaridade, mais cedo o jovem ingressa no mercado de trabalho. A pesquisa revela que 39,6% dos trabalhadores ingressaram no mercado de trabalho com at\u00e9 14 anos.<\/p>\n<p>Para os analistas, \u201ca idade em que o trabalhador come\u00e7ou a trabalhar \u00e9 um fator que est\u00e1 fortemente relacionado \u00e0s caracter\u00edsticas de sua inser\u00e7\u00e3o no mercado de trabalho, pois influencia tanto na sua trajet\u00f3ria educacional \u2013 j\u00e1 que a entrada precoce no mercado pode inibir a sua forma\u00e7\u00e3o escolar \u2013 quanto na obten\u00e7\u00e3o de rendimentos mais elevados\u201d.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo em que revela que 39,6% dos trabalhadores ingressaram no mercado com at\u00e9 14 anos, o levantamento indica tamb\u00e9m que este percentual cresce para o grupo de trabalhadores que tinha somente at\u00e9 o ensino fundamental incompleto, chegando a atingir 62,1% do total, enquanto que, para os que t\u00eam n\u00edvel superior completo, o percentual despenca para 19,6%.<\/p>\n<p>Ainda sobre o trabalho precoce, o IBGE constata que, em 2016, a maior parte dos trabalhadores brasileiros (60,4%) come\u00e7ou a trabalhar com 15 anos ou mais de idade. Entre os trabalhadores com 60 anos ou mais houve elevada concentra\u00e7\u00e3o entre aqueles que come\u00e7aram a trabalhar com at\u00e9 14 anos de idade (59%).<\/p>\n<p>A an\u00e1lise por grupos de idade mostra a exist\u00eancia de uma transi\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 idade que come\u00e7ou a trabalhar, com os trabalhadores mais velhos se inserindo mais cedo no mercado de trabalho, o que pode ser notado porque 17,5% dos trabalhadores com 60 anos ou mais de idade come\u00e7aram a trabalhar com at\u00e9 nove anos de idade, propor\u00e7\u00e3o que foi de 2,9% entre os jovens de 16 a 29 anos.<\/p>\n<p>O IBGE destaca que os trabalhadores de cor preta ou parda tamb\u00e9m se inserem mais cedo no mercado de trabalho, quando comparados com os brancos, \u201ccaracter\u00edstica que ajuda a explicar sua maior participa\u00e7\u00e3o em trabalhos informais\u201d.<\/p>\n<p>J\u00e1 entre as mulheres foi maior a participa\u00e7\u00e3o das que come\u00e7aram a trabalhar com 15 anos ou mais de idade (67,5%) quando comparadas com a dos homens (55%). Para os t\u00e9cnicos do instituto, esta inser\u00e7\u00e3o mais tardia das mulheres no mercado de trabalho pode estar relacionada \u201ctanto ao fato de elas terem maior escolaridade que os homens, quanto \u00e0 maternidade e os encargos com os cuidados e afazeres dom\u00e9sticos\u201d.<\/p>\n<p><strong>Cresce percentual dos que n\u00e3o trabalham nem estudam<\/strong><\/p>\n<p>O percentual de jovens que n\u00e3o trabalham nem estudam aumentou 3,1 pontos percentuais entre 2014 e 2016, passando de 22,7% para 25,8%. Dados da pesquisa S\u00edntese de Indicadores Sociais 2017 indicam que, no per\u00edodo, cresceu o percentual de jovens que s\u00f3 estudavam, mas diminuiu o de jovens que estudavam e estavam ocupados e tamb\u00e9m o de jovens que s\u00f3 estavam ocupados.<\/p>\n<p>O fen\u00f4meno ocorreu em todas as regi\u00f5es do Brasil. No Norte, o percentual de jovens nessa situa\u00e7\u00e3o passou de 25,3% para 28,0%. No Nordeste, de 27,7% para 32,2%. No Sudeste, de 20,8% para 24,0%. No Sul, de 17,0% para 18,7% e no Centro-Oeste, de 19,8% para 22,2%.<\/p>\n<p>Ele atingiu, sobretudo, os jovens com menor n\u00edvel de instru\u00e7\u00e3o, os pretos ou pardos e as mulheres e com maior incid\u00eancia entre jovens cujo n\u00edvel de instru\u00e7\u00e3o mais elevado alcan\u00e7ado era o fundamental incompleto ou equivalente, que respondia por 38,3% do total.<\/p>\n<p><strong>Pobreza \u00e9 maior no Nordeste<\/strong><\/p>\n<p>Quando se avalia os n\u00edveis de pobreza no pa\u00eds por estados e capitais, ganham destaque &#8211; sob o ponto de vista negativo &#8211; as Regi\u00f5es Norte e Nordeste com os maiores valores sendo observados no Maranh\u00e3o (52,4% da popula\u00e7\u00e3o), Amazonas (49,2%) e Alagoas(47,4%).<\/p>\n<p>Em todos os casos, a pobreza tem maior incid\u00eancia nos domic\u00edlios do interior do pa\u00eds do que nas capitais, o que est\u00e1 alinhado com a realidade global, onde 80% da pobreza se concentram em \u00e1reas rurais.<\/p>\n<p>Ainda utilizando os par\u00e2metros estabelecidos pelo Banco Mundial, chega-se \u00e0 constata\u00e7\u00e3o de que, no mundo, 50% dos pobres t\u00eam at\u00e9 18 anos, com a pobreza monet\u00e1ria atingindo mais fortemente crian\u00e7as e jovens &#8211; 17,8 milh\u00f5es de crian\u00e7as e adolescentes de 0 a 14 anos, ou 42 em cada 100 crian\u00e7as.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m h\u00e1 alta incid\u00eancia em homens e mulheres pretas ou pardas, respectivamente, 33,3% e 34,3%, contra cerca de 15% para homens e mulheres brancas. Outro recorte relevante \u00e9 dos arranjos domiciliares, no qual a pobreza &#8211; medida pela linha dos US$ 5,5 por dia &#8211; mostra forte presen\u00e7a entre mulheres sem c\u00f4njuge, com filhos at\u00e9 14 anos (55,6%). O quadro \u00e9 ainda mais expressivo nesse tipo de arranjo formado por mulheres pretas ou pardas (64%), o que indica, segundo o IBGE, o ac\u00famulo de desvantagens para este grupo que merece aten\u00e7\u00e3o das pol\u00edticas p\u00fablicas.<\/p>\n<p>http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/78-noticias\/574681-ibge-50-milhoes-de-brasileiros-vivem-na-linha-de-pobreza<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/17959\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"IBGE: 50 milh\u00f5es de brasileiros vivem na pobreza","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[7,190],"tags":[222],"class_list":["post-17959","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-s8-brasil","category-fora-temer","tag-2b"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-4FF","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17959","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=17959"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17959\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=17959"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=17959"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=17959"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}