{"id":17988,"date":"2017-12-21T09:29:45","date_gmt":"2017-12-21T12:29:45","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=17988"},"modified":"2017-12-21T09:29:45","modified_gmt":"2017-12-21T12:29:45","slug":"dor-miseria-impunidade-haitianas-abusadas-por-soldados-da-onu-contam-suas-historias","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/17988","title":{"rendered":"Dor, mis\u00e9ria, impunidade: Haitianas abusadas por soldados da ONU contam suas hist\u00f3rias"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"Haitianas abusadas por soldados da ONU contam suas hist\u00f3rias\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/cdnbr2.img.sputniknews.com\/images\/942\/86\/9428681.jpg?w=747&#038;ssl=1\" alt=\"Haitianas abusadas por soldados da ONU contam suas hist\u00f3rias\" \/><!--more--><a href=\"https:\/\/br.sputniknews.com\/authors\/igor_patrick\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Igor Patrick<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/br.sputniknews.com\/americas\/201710039454002-relato-estupro-haitianas-soldados-onu-brasil-minustah-videos-fotos\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Sputnik Brasil<\/a><\/p>\n<p><strong>Ela tem cabelos tran\u00e7ados e roupas simples. Na multid\u00e3o em Porto Pr\u00edncipe, Martine Gestim\u00e9 passa despercebida, mas ela traz um relato chocante. Pela primeira vez, uma mulher com rosto, nome e sobrenome resolve denunciar um soldado brasileiro no Haiti. \u00c0 Sputnik Brasil, Martine diz ter sido estuprada por um militar do Brasil em junho de 2007.<\/strong><\/p>\n<p>A haitiana estudava em uma escola pr\u00f3xima da base em Cit\u00e9 Soleil, uma das favelas mais pobres e perigosas de todo o mundo ocidental. Conta que passava o dia inteiro com fome e que em determinada ocasi\u00e3o, um tradutor a servi\u00e7o da Minustah chamado Franco se aproximou traduzindo o que dizia um militar brasileiro. Ele fez elogios, a congratulou pelos estudos dizendo &#8220;que \u00e9 a \u00fanica forma de mudar de vida&#8221;.<\/p>\n<blockquote><p>&#8220;Ele tinha a pele &#8216;branca, branca, branca&#8217;, cabelos negros e olhos claros. Fazia elogios, dizia que eu era bonita&#8221;, conta a haitiana. Ela passa a v\u00ea-lo sempre que sai da aula. No mesmo m\u00eas, o militar a convida para dentro da base dizendo que a daria um pacote de biscoitos. Sem comer o dia inteiro, Martine conta que deixou o material escolar em casa e foi buscar o alimento prometido.<\/p><\/blockquote>\n<p>Segundo Martine, o militar pediu que ela esperasse em um c\u00f4modo pr\u00f3ximo \u00e0 entrada da base. Voltou sem o alimento, trancou a porta e a estuprou. Envergonhada, ela guardou segredo do acontecido at\u00e9 se descobrir gr\u00e1vida um m\u00eas e meio depois. Uma amiga a sugeriu um aborto e as duas economizam em segredo por 22 dias, o dinheiro que a fam\u00edlia lhe dava para comer durante as aulas. S\u00f3 conseguiram juntar 1.000 gourdes (R$47), menos da metade do custo do medicamento abortivo vendido ilegalmente nas ruas de Porto Pr\u00edncipe.<\/p>\n<blockquote><p>&#8220;Minha m\u00e3e percebeu que estava passando muito mal e concluiu que eu estava gr\u00e1vida. Ela mandou eu procurar o pai da crian\u00e7a, mas eu n\u00e3o conseguia e n\u00e3o contaria que tinha sido estuprada. Ela sempre disse que eu n\u00e3o deveria ir estudar porque era perigoso, iria me culpar&#8221;, conta a haitiana.<\/p><\/blockquote>\n<p>Martine diz que nunca reportou o aborto \u00e0s autoridades por medo e por vergonha. Ela tentou encontrar o tradutor, Franco, para saber o nome do militar, mas nunca mais o viu. &#8220;Mais de uma vez eu fui dormir chorando, pedindo a Deus que matasse o beb\u00ea ou me matasse porque eu n\u00e3o tinha condi\u00e7\u00f5es de cri\u00e1-lo&#8221;, confessa com l\u00e1grimas nos olhos. Ashford Gestim\u00e9 nasceu nas primeiras horas em 8 de abril de 2008. Constantemente humilhada pela m\u00e3e, Martine mandou o garoto para viver com o irm\u00e3o dela na cidade de Delm\u00e1s. Ele acha at\u00e9 hoje que o tio \u00e9 seu pai.<\/p>\n<p>Dez anos depois, Martine hoje vive de favor em um c\u00f4modo de 3 m\u00b2 com a tia, Jacqueline Louidor, uma amiga e uma crian\u00e7a. Dividem uma \u00fanica cama de casal. N\u00e3o h\u00e1 banheiros nem janelas e porcos chafurdam em uma montanha de lixo na frente do barraco. &#8220;Se eu conseguisse encontrar este homem, pediria que ajudasse meu filho a estudar. Eu n\u00e3o o perdoaria, mas quero que Ashford consiga ter uma vida melhor que a minha&#8221;, conta a haitiana, que diz ser capaz de reconhecer o estuprador se visse uma foto dele.<\/p>\n<div style=\"width: 640px;\" class=\"wp-video\"><video class=\"wp-video-shortcode\" id=\"video-17988-1\" width=\"640\" height=\"360\" preload=\"metadata\" controls=\"controls\"><source type=\"video\/mp4\" src=\"https:\/\/video.img.ria.ru\/Volume40\/Flv\/2017\/10\/02\/2017_10_01_MartinePRT_2ktsdmve.pm3.mp4?_=1\" \/><a href=\"https:\/\/video.img.ria.ru\/Volume40\/Flv\/2017\/10\/02\/2017_10_01_MartinePRT_2ktsdmve.pm3.mp4\">https:\/\/video.img.ria.ru\/Volume40\/Flv\/2017\/10\/02\/2017_10_01_MartinePRT_2ktsdmve.pm3.mp4<\/a><\/video><\/div>\n<p><em>Martine Gestim\u00e9 conta a sua hist\u00f3ria<\/em><\/p>\n<p>A Sputnik Brasil tentou localizar os arquivos dos soldados que estavam no Haiti em junho de 2007. Descobrimos que a perman\u00eancia dos militares nas v\u00e1rias bases da ONU na cidade \u00e9 rotativa e, naquela \u00e9poca, semanal. N\u00e3o h\u00e1 registros das escalas de hor\u00e1rio no per\u00edodo mencionado. O mais longe que conseguimos ir foi localizar de onde partiram as tropas que estavam no Haiti naquele ano: da 6\u00aa Brigada de Infantaria Blindada de Santa Maria, Rio Grande do Sul. Pelos quase 10 anos e um terremoto neste per\u00edodo desde o estupro, tamb\u00e9m n\u00e3o foram localizados registros sobre o paradeiro do tradutor Franco.<\/p>\n<blockquote><p>Em nota, o Minist\u00e9rio da Defesa informou que \u201cconforme se pode comprovar nos registros da Unidade de Conduta e Disciplina da ONU, n\u00e3o houve nenhuma den\u00fancia formal de pr\u00e1tica de crimes dessa natureza contra militares brasileiros\u201d. Destacou ainda que \u201co fato relevante, e que deve ser motivo de orgulho e refer\u00eancia \u00e9 que, ap\u00f3s mais de treze anos no Haiti, n\u00e3o foi reportada nenhuma ocorr\u00eancia que envolvesse militares brasileiros\u201d e que, se fundamentada, uma alega\u00e7\u00e3o de estupro seria levada at\u00e9 investigadores para subsidiar (ou n\u00e3o) uma den\u00fancia do Minist\u00e9rio P\u00fablico Militar.<\/p><\/blockquote>\n<p>As Na\u00e7\u00f5es Unidas n\u00e3o responderam \u00e0s perguntas da Sputnik sobre se outros casos de abuso sexual cometidos por brasileiros chegaram a ser alvo de um processo formal de investiga\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<div style=\"width: 640px;\" class=\"wp-video\"><video class=\"wp-video-shortcode\" id=\"video-17988-2\" width=\"640\" height=\"360\" preload=\"metadata\" controls=\"controls\"><source type=\"video\/mp4\" src=\"https:\/\/video.img.ria.ru\/Volume40\/Flv\/2017\/10\/02\/2017_10_01_FabianaPRT_sathuxip.uco.mp4?_=2\" \/><a href=\"https:\/\/video.img.ria.ru\/Volume40\/Flv\/2017\/10\/02\/2017_10_01_FabianaPRT_sathuxip.uco.mp4\">https:\/\/video.img.ria.ru\/Volume40\/Flv\/2017\/10\/02\/2017_10_01_FabianaPRT_sathuxip.uco.mp4<\/a><\/video><\/div>\n<p><em>Fabiana Desilus conta \u00e0 Sputnik Brasil a sua hist\u00f3ria<\/em><\/p>\n<p><strong>Em 10 anos, uma \u00fanica haitiana recebeu indeniza\u00e7\u00e3o por abuso sexual<\/strong><\/p>\n<p>A ONU sempre declarou ter pol\u00edtica de \u201ctoler\u00e2ncia zero\u201d quanto a casos de abuso sexual perpetrados por seus pacificadores. Na pr\u00e1tica, por\u00e9m, mais e mais v\u00edtimas reportavam crimes do tipo todos os anos com pouca ou nenhuma condena\u00e7\u00e3o por parte dos perpetradores de tamanho mal.<\/p>\n<p>A Organiza\u00e7\u00e3o <a href=\"https:\/\/conduct.unmissions.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">mant\u00e9m um website<\/a> com o lema \u201cProfissionalismo, efici\u00eancia, integridade e dignidade\u201d em que enumera estat\u00edsticas de estupros e explora\u00e7\u00e3o sexual (prostitui\u00e7\u00e3o), cometidos pela equipe das Na\u00e7\u00f5es Unidas, mas a filtragem por miss\u00e3o s\u00f3 est\u00e1 dispon\u00edvel a partir de 2015. Den\u00fancias s\u00f3 est\u00e3o computadas desde 2007 (os anteriores, o site informa, est\u00e3o arquivados em documentos f\u00edsicos).<\/p>\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"imagem100a\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/cdnbr2.img.sputniknews.com\/images\/945\/37\/9453789.png?w=747&#038;ssl=1\" \/><br \/>\n<em>Gr\u00e1fico mostra a\u00e7\u00f5es tomadas quanto a alega\u00e7\u00f5es de estupro cometidas por militares no Haiti (2007-2017)<\/em><\/p>\n<p>Somados os casos cujas estat\u00edsticas est\u00e3o dispon\u00edveis on-line, as Na\u00e7\u00f5es Unidas computam na Minustah 114 den\u00fancias de abuso e explora\u00e7\u00e3o sexual em espa\u00e7o de quase 10 anos. Uma estimativa do Instituto para Justi\u00e7a e Democracia no Haiti prev\u00ea que s\u00e3o quase 500 apenas de abuso e informa que a maioria dos casos n\u00e3o \u00e9 relatada por medo ou por descren\u00e7a na capacidade de puni\u00e7\u00e3o aos militares. De todas as alega\u00e7\u00f5es, apenas 34 foram confirmadas. Das 34, s\u00f3 11 pessoas foram presas e uma \u00fanica v\u00edtima recebeu repara\u00e7\u00e3o financeira.<\/p>\n<p>Jacquendia Cang\u00e9 viveu na pele a indiferen\u00e7a. Estuprada por um policial nigeriano da UNPOL (Pol\u00edcia das Na\u00e7\u00f5es Unidas), ela engravidou e denunciou o caso ao Departamento de Opera\u00e7\u00f5es de Manuten\u00e7\u00e3o da Paz (DPKO). Ao contr\u00e1rio da maioria das v\u00edtimas, Jacquendia sabe nome completo e tem at\u00e9 o telefone nigeriano do estuprador. Quando compareceu ao escrit\u00f3rio do DPKO em Porto Pr\u00edncipe, informou o nome do homem. Saiu de l\u00e1 com uma foto do estuprador e a promessa de que a den\u00fancia seria levada a cabo. Nunca mais foi contatada.<\/p>\n<p>Questionada pela Sputnik, a assessoria de imprensa do DPKO em Nova York respondeu dizendo que o caso de Jacquendia \u201cconsistiu em uma alega\u00e7\u00e3o de explora\u00e7\u00e3o sexual que foi fundamentada. Informamos ao Estado-Membro [a Nig\u00e9ria] das alega\u00e7\u00f5es em setembro de 2014 e o caso permanece pendente, tanto em conex\u00e3o com a alega\u00e7\u00e3o de explora\u00e7\u00e3o sexual quanto com a reivindica\u00e7\u00e3o de paternidade e apoio \u00e0 crian\u00e7a. Continuamos a acompanhar o caso com o Estado-Membro\u201d.<\/p>\n<p>\u201cEu n\u00e3o quero mais ouvir falar deste homem, eu n\u00e3o pedi minha filha para Deus, mas ele a enviou e cuidarei dela. N\u00e3o preciso de ajuda dele\u201d, diz revoltada. Ela se prepara para vir morar em S\u00e3o Paulo com um irm\u00e3o, residente no Brasil desde 2013.<\/p>\n<p>Diante de <a href=\"http:\/\/br.sputniknews.com\/mundo\/20150915\/2132392.html\">alega\u00e7\u00f5es de estupro a crian\u00e7as<\/a> na Miss\u00e3o de Estabiliza\u00e7\u00e3o Integrada Multidimensional das Na\u00e7\u00f5es Unidas na Rep\u00fablica Centro-Africana (Minusca) denunciadas pela ONG Human Rights Watch, o Conselho de Seguran\u00e7a da ONU finalmente resolveu adotar uma posi\u00e7\u00e3o dura contra esta pr\u00e1tica em mar\u00e7o de 2016. Por 14 votos favor\u00e1veis e 1 absten\u00e7\u00e3o (do Egito), o \u00f3rg\u00e3o implementou a Resolu\u00e7\u00e3o 2.272\/2016 que veta a pa\u00edses que se recusam a investigar militares acusados de estupro de participarem de novas miss\u00f5es de paz. Se uma alega\u00e7\u00e3o for reportada e ignorada, o pa\u00eds-membro tamb\u00e9m pode se ver for\u00e7ado a trocar todo o contingente na miss\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Estupro \u00e9 emerg\u00eancia de sa\u00fade p\u00fablica no Haiti<\/strong><\/p>\n<p>A quest\u00e3o dos estupros cometidos pelo pessoal servindo as Na\u00e7\u00f5es Unidas tamb\u00e9m precisa ser analisada em perspectiva quando se trata do Haiti. Neste aspecto, a organiza\u00e7\u00e3o M\u00e9dicos sem Fronteiras divulgou em julho deste ano, <a href=\"http:\/\/www.doctorswithoutborders.org\/article\/against-their-will-sexual-and-gender-based-violence-against-young-people-haiti\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">o relat\u00f3rio &#8220;Viol\u00eancia sexual e baseada em g\u00eanero contra jovens no Haiti&#8221;<\/a> em que denuncia a parca estrutura estatal estabelecida para receber e tratar as v\u00edtimas.<\/p>\n<p>Segundo a MSF, faltam profissionais treinados, pol\u00edticas p\u00fablicas de apoio \u00e0 v\u00edtima e hospitais espec\u00edficos. A educa\u00e7\u00e3o sexual tamb\u00e9m \u00e9 t\u00f3pico pouco trabalhado na sociedade haitiana, mesmo entre a minoria estudada. A falta de informa\u00e7\u00e3o sobre o tema exp\u00f5e as pessoas n\u00e3o s\u00f3 ao risco do estupro em si (como ferimentos, gravidez precoce e doen\u00e7as sexualmente transmiss\u00edveis), mas tamb\u00e9m ao relativismo do crime, fazendo que menores sejam tanto v\u00edtimas quanto, em muitos casos, perpetradores.<\/p>\n<p>Buscando sanar o v\u00e1cuo governamental, a MSF decidiu, em maio de 2015, abrir uma instala\u00e7\u00e3o 24 horas\/7 dias na semana, que recebe as v\u00edtimas e oferece cuidado m\u00e9dico e apoio psicol\u00f3gico. At\u00e9 maio de 2017, a cl\u00ednica Pran Men\u2019m (\u201cMe d\u00ea a m\u00e3o\u201d em crioulo haitiano) j\u00e1 tinha atendido mais de 1.300 v\u00edtimas de estupro, 53% destas eram menores de idade.<\/p>\n<p>Por quest\u00f5es \u00e9ticas, a organiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o comenta casos espec\u00edficos ligados ao pessoal das Na\u00e7\u00f5es Unidas, mas a Sputnik Brasil falou com exclusividade com o diretor da iniciativa, Prosper Ndumuraro que analisou o panorama nacional. Segundo ele, a falta de informa\u00e7\u00e3o e a culpabiliza\u00e7\u00e3o da v\u00edtima ainda s\u00e3o entraves na atua\u00e7\u00e3o de equipes m\u00e9dicas.<\/p>\n<blockquote><p>\u201cO que precisa ficar claro e que ressaltamos com a comunidade \u00e9 que qualquer atividade sexual cometida contra seu corpo \u00e9 estupro. N\u00e3o importa o seu g\u00eanero nem as circunst\u00e2ncias. E estupro demanda cuidado m\u00e9dico, psicol\u00f3gico e legal\u201d, completa o m\u00e9dico. Ele ressaltou a necessidade de suporte do Estado haitiano na quest\u00e3o tamb\u00e9m da responsabiliza\u00e7\u00e3o dos agressores.<\/p><\/blockquote>\n<p>Com base em estat\u00edsticas de atendimentos, a MSF estima, no entanto, que at\u00e9 o final do ano ter\u00e1 recebido outras 144 v\u00edtimas.<\/p>\n<p>https:\/\/br.sputniknews.com\/americas\/201710039454002-relato-estupro-haitianas-soldados-onu-brasil-minustah-videos-fotos\/<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/17988\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[55],"tags":[223],"class_list":["post-17988","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c66-haiti","tag-3a"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-4G8","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17988","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=17988"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17988\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=17988"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=17988"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=17988"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}