{"id":18025,"date":"2017-12-23T17:02:29","date_gmt":"2017-12-23T20:02:29","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=18025"},"modified":"2017-12-23T17:02:29","modified_gmt":"2017-12-23T20:02:29","slug":"argentina-provocacao-policial-e-misoginia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/18025","title":{"rendered":"Argentina: provoca\u00e7\u00e3o policial e misoginia"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"Argentina: provoca\u00e7\u00e3o policial e misoginia\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.resumenlatinoamericano.org\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/contame-putita-620x400.jpeg\" alt=\"Argentina: provoca\u00e7\u00e3o policial e misoginia\" \/><!--more--><a href=\"http:\/\/www.resumenlatinoamericano.org\/2017\/12\/22\/argentina-cronicas-de-la-represion-provocacion-y-misoginia-policial\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Resumen Latino-americano<\/a><\/p>\n<p>N\u00e3o s\u00f3 as mudan\u00e7as no sistema de aposentadoria tornaram evidente que as vidas das mulheres s\u00e3o desvalorizadas, mas tamb\u00e9m os modos de repress\u00e3o exibiram a crueldade da misoginia.<\/p>\n<p>Por Sebasti\u00e1n Lacunza<\/p>\n<p>Com as m\u00e3os presas ao ch\u00e3o, cercada por dez policiais, uma mulher gritou com todas as for\u00e7as: &#8220;Agora diga na minha cara o que voc\u00ea me disse. Voc\u00ea, filho da puta, me diga aqui. &#8221; Localizado a poucos metros de dist\u00e2ncia, um policial manteve o sorriso e desviou o olhar.<\/p>\n<p>Eram 16:40 na segunda-feira. Enquanto os deputados retomaram a sess\u00e3o para reduzir o aumento das pens\u00f5es, a anatomia do momento na intersec\u00e7\u00e3o da Avenida de Mayo com S\u00e1enz Pe\u00f1a proporcionou uma imagem renascentista. Em uma esquina, cerca de seis mulheres do Projeto Comunit\u00e1rio denunciaram, entre gritos, que tinham sido espancadas e levados presos todos os homens e duas companheiras do grupo. Atravessando o centro da avenida, policiais moviam-se em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 pra\u00e7a e, a meio quarteir\u00e3o de dist\u00e2ncia, um grupo da Frente Dar\u00edo Santill\u00e1n se refugiava no corredor de um pr\u00e9dio. A trezentos metros do rio, perto de 9 de julho, as deten\u00e7\u00f5es foram incessantes.<br \/>\nA Plaza de los Dos Congresos testemunhou o que aconteceu: entulhos perto das cercas foram lan\u00e7ados durante duas horas por cerca de 300 pessoas, e dezenas de banners, cartazes e pares de sapatos abandonados eram a demonstra\u00e7\u00e3o do tumulto gerado pela repress\u00e3o, que ent\u00e3o havia alcan\u00e7ado n\u00edveis pouco habituais de descontrole.<\/p>\n<p>Os gritos da mulher continuaram a fazer alarde: &#8220;Venha, cag\u00e3o, covarde!&#8221;. No meio do tumulto, um menino tentou se aproximar da mulher detida. Ao empurrar com escudos e batendo com as longos armas contra o ch\u00e3o, a pol\u00edcia criou um cerco.<\/p>\n<p>Dois auxiliares de um posto de sa\u00fade foram ajudar. Com eles, veio o jovem que estava lutando para se aproximar, enquanto manifestantes isolados exigiam a liberta\u00e7\u00e3o da mulher. Cerca de dez minutos depois, Paula Urbandt, 41, recuperaria sua liberdade e calma. Ela saiu caminhando em dire\u00e7\u00e3o a avenida 9 de julho com o jovem que veio em seu socorro. Era seu filho, Matthew Ressi, 18.<\/p>\n<p>M\u00e3e e filho participaram da manifesta\u00e7\u00e3o contra o ajuste das pens\u00f5es, com a ideia de se separar uma vez na pra\u00e7a. Paula, uma psic\u00f3loga social que trabalha com o padre Pepe Di Paola nas moradias de Jos\u00e9 Le\u00f3n Su\u00e1rez e nas pris\u00f5es de Buenos Aires, planejava encontrar um irm\u00e3o e colegas de trabalho; Mateo se juntaria a amigos do centro de estudantes da escola p\u00fablica Federico Garc\u00eda Lorca em La Paternal.<\/p>\n<p>Quando a manifesta\u00e7\u00e3o terminou, \u00e0s 16:00, Mateo e Paula se refugiaram na esta\u00e7\u00e3o do metr\u00f4 S\u00e1enz Pe\u00f1a A. Eles embeberam bicarbonato na \u00e1rea nasal, como muitos, para neutralizar o impacto do spray de pimenta, que foi jogado pela pol\u00edcia dos telhados dos edif\u00edcios.<\/p>\n<p>L\u00e1 eles esperaram um pouco e, ao sair do metr\u00f4, foram abordados pelas for\u00e7as de seguran\u00e7a, que no dia seguinte seriam elogiadas por Mauricio Macri e Horacio Rodr\u00edguez Larreta.<\/p>\n<p>&#8220;N\u00f3s partimos e encontramos duas linhas policiais. Quatro deles come\u00e7aram a repreender Mateus: &#8220;o que voc\u00ea tem nos seus olhos?&#8221; &#8220;Oh, eles te jogaram g\u00e1s. Que fizeste?&#8217;. Eu olho para Mateo e eu digo: &#8216;n\u00e3o reaja&#8217;. Eles come\u00e7aram a bater nele no pesco\u00e7o. Fui abordada pelo policial que mais me provocou e ele come\u00e7a a me dizer &#8220;cadela&#8221;, o que voc\u00ea est\u00e1 fazendo aqui? Me diga puta, voc\u00ea n\u00e3o quer empurrar-me?, Empurre-me,&#8217;. Ele me beijou, piscou e se aproximou &#8220;, disse Paula, com uma serenidade incr\u00edvel, momentos depois de ter sido libertada.<\/p>\n<p>Ela tem ideias claras e uma voz suave, que aparentemente pode gerar um movimento s\u00edsmico em circunst\u00e2ncias extremas. Paula continuou com sua hist\u00f3ria: &#8220;Outro policial disse: &#8216;espera at\u00e9 eu te tocar&#8217; &#8220;. Mas eu vi que eles queriam parar meu filho e eu comecei a bater no escudo. Mateo \u00e9 dependente de insulina e passou pela minha mente o risco de ele ser preso; fiquei desesperada, pois n\u00e3o conseguiria medir a glicemia e ele podia desmaiar &#8220;. A estrat\u00e9gia da pol\u00edcia funcionou. Ela empurrou o escudo do policial, que decidiu det\u00ea-la.<\/p>\n<p>A interven\u00e7\u00e3o das duas pessoas do posto de sa\u00fade e Mateus foi decisiva para conter Paula e alcan\u00e7ar sua liberta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Ao sair, o \u00faltimo policial na linha era o agressor. &#8220;Ele me diz novamente: filha de uma prostituta &#8220;. Eu disse a ele que eu iria encontr\u00e1-lo.<\/p>\n<p>Um pouco depois, na mesma segunda-feira, Mateo denunciou o que aconteceu no Twitter. Ele imediatamente recebeu a solidariedade de amigos e estranhos, mas tamb\u00e9m ataques de fan\u00e1ticos da rede social que atuam como aut\u00f4matos para defender o governo e acusar Mateo de inventar o fato. Ele estava respondendo a um por um, sem cair em provoca\u00e7\u00f5es. &#8220;Porque eu sou um estudante, n\u00e3o posso lutar pelos direitos dos trabalhadores?&#8221; Em outro de seus tweets, o filho de Paula escreveu: &#8220;Nunca, mas nunca vivenciei o mesmo que hoje, eu juro&#8221;.<\/p>\n<p>Desde que a pol\u00edcia agiu, m\u00e3e e filho est\u00e3o tentando obter uma grava\u00e7\u00e3o do que aconteceu. Eles querem levar o caso para a Justi\u00e7a. Paula prometeu ao policial que ela voltaria a encontr\u00e1-lo.<\/p>\n<p>Foto: Kaloian<\/p>\n<blockquote class=\"wp-embedded-content\" data-secret=\"R44wTkzJAC\"><p><a href=\"http:\/\/www.resumenlatinoamericano.org\/2017\/12\/22\/argentina-cronicas-de-la-represion-provocacion-y-misoginia-policial\/\">Argentina. Cr\u00f3nicas de la represi\u00f3n: provocaci\u00f3n y misoginia policial<\/a><\/p><\/blockquote>\n<p><iframe loading=\"lazy\" class=\"wp-embedded-content\" sandbox=\"allow-scripts\" security=\"restricted\" style=\"position: absolute; clip: rect(1px, 1px, 1px, 1px);\" src=\"http:\/\/www.resumenlatinoamericano.org\/2017\/12\/22\/argentina-cronicas-de-la-represion-provocacion-y-misoginia-policial\/embed\/#?secret=R44wTkzJAC\" data-secret=\"R44wTkzJAC\" width=\"600\" height=\"338\" title=\"&#8220;Argentina. 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