{"id":18084,"date":"2017-12-27T17:45:41","date_gmt":"2017-12-27T20:45:41","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=18084"},"modified":"2017-12-27T17:45:41","modified_gmt":"2017-12-27T20:45:41","slug":"fortaleza-o-retrato-da-desigualdade-e-luta-na-periferia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/18084","title":{"rendered":"Fortaleza: o retrato da desigualdade e a luta na periferia"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"Fortaleza: o retrato da desigualdade e a luta na periferia\" src=\"https:\/\/lh3.googleusercontent.com\/jB1xigplHnixw75XzBlCoQ8jHwKOgHzbrWXwq0UCZi_Vc4384LPXNfxlKP4XWVI0lyp4MMLtblgssNaxHWI4neDNjMt2ycJFrhFVXjw2MIUMPaNokZTop7hmRUk2mkD4pgicGYfiyv7oWgn5erJead8XkTaVlhzRM0wtpoGWe6Mxzre6FWvAFTJt3nuKbwV-1IClnuRX6iTbgn0sxT0OAZ75-41_I7Y1APJ_4gFYRJ290V-UiMJ7KbgGPd-a3M-jma8SCZHmcJiFUKzuSIUgdByLbXHxgCWRakIeS58xPjysFzNpDxTes8JAZpiFYRbnN1P0dlSWYZcPVbOoVEUTpVhk1Fnh8yth9Q5zLnp1bgR3FH_CFQZOTZJDhPX8-g5gyCoEIqdHkORGQhra_-7sur_sjHbM5Z9eyt5tozkfcuompV2UMu07JywnHLW0nIRZ8D4J7MFOwLL5R3c3SXIxqGon8SyeUXI2nXcsEr74EboVU_zJJ6g0AhfPwvFggIh79-FG54bpYjacx1A24T_uVKn8pT7_S92xomwUhAxil0p-pkV-xOISOqBaX9BmpNxPdWIFV9FWQsl4O1Rg-xEXSqOCUA47yZyi1AMHRDX3fOf0OsVz5XbeK-bBVwOIvAbTeAwCxCnl_AvUnhRxKEd_2cvpWWk6o6I1Ug=w530-h398-no\" alt=\"Fortaleza: o retrato da desigualdade e a luta na periferia\" \/><!--more-->Por Sousa Carneiro, estudante de Biblioteconomia e militante do PCB e UJC.<\/p>\n<p>No \u00faltimo dia 20 de dezembro um dos grandes jornais do Cear\u00e1, O Povo, noticiou a pesquisa \u201cTipologia Intraurbana\u201d realizada pelo IGBE, onde somos apresentados ao alarmante dado de que mais de 60% da popula\u00e7\u00e3o urbana de Fortaleza vive nas piores condi\u00e7\u00f5es de vida, ou seja, cerca de 2,01 milh\u00f5es de pessoas vivem em uma situa\u00e7\u00e3o de inexist\u00eancia de condi\u00e7\u00f5es dignas de moradia [1], em situa\u00e7\u00e3o de desemprego e sem acesso a direitos b\u00e1sicos como educa\u00e7\u00e3o e sa\u00fade p\u00fablicas de qualidade.<\/p>\n<p>O dado choca pela sua crueza, mas ainda assim n\u00e3o traz nenhuma novidade a quem j\u00e1 conhece de perto a realidade (contradit\u00f3ria) de Fortaleza: uma das cinco maiores capitais do pa\u00eds, onde o setor de servi\u00e7os, especialmente o de turismo, \u00e9 conhecido internacionalmente, n\u00e3o deixa, no entanto, de ser uma das cinco capitais mais desiguais do mundo, sendo tamb\u00e9m a s\u00e9tima mais violenta [2]. Ainda segundo a pesquisa do IBGE, apenas 12,1% da popula\u00e7\u00e3o est\u00e1 em uma situa\u00e7\u00e3o considerada boa e apenas 2,9% da popula\u00e7\u00e3o \u00e9 tida como rica.<\/p>\n<p>Infelizmente, a situa\u00e7\u00e3o n\u00e3o para por a\u00ed. Segundo o Ranking do Saneamento B\u00e1sico 2017 50,96% da popula\u00e7\u00e3o da cidade simplesmente n\u00e3o tem acesso a saneamento b\u00e1sico e pouco mais de 15% da popula\u00e7\u00e3o sequer \u00e9 atendida por servi\u00e7os de abastecimento de \u00e1gua [3]. Mais especificamente em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 moradia, s\u00e3o mais de 800 comunidades em situa\u00e7\u00e3o inadequada.<\/p>\n<p>Com estes \u00edndices, poder\u00edamos ser levados a crer que a quest\u00e3o da moradia est\u00e1 na pauta do atual prefeito de Fortaleza, Roberto Cl\u00e1udio (PDT), eleito em 2012 (derrotando o candidato Elmano de Freitas (PT), apoiado pela ent\u00e3o prefeita e atual deputada federal pelo PT Luizianne Lins) e reeleito em 2016, com o apoio do PCdoB, tendo como seu vice Moroni Torgan (DEM), um dos pol\u00edticos mais reacion\u00e1rios do Estado do Cear\u00e1, at\u00e9 ent\u00e3o integrante da \u201cbancada da Bala\u201d no Congresso Federal e que historicamente prop\u00f5e pol\u00edticas altamente militarizadas para o Cear\u00e1, tendo como \u00faltimo ato no Congresso o voto a favor do impeachment de Dilma Rousseff. Ledo engano.<\/p>\n<p>Apenas nos \u00faltimos oito anos, mais de 20 mil fam\u00edlias sofreram remo\u00e7\u00f5es em Fortaleza. Apenas no ano de 2014, 1.898 fam\u00edlias sofreram processos de remo\u00e7\u00e3o por conta de obras realizadas em prol da Copa do Mundo [4]. Um dos casos de remo\u00e7\u00e3o de maior notoriedade foi a comandada por Roberto Cl\u00e1udio contra a Comunidade do Alto da Paz, em 2014. A Prefeitura chegou a usar a Tropa de Choque da Pol\u00edcia Militar, que expulsou os moradores de suas casas atrav\u00e9s do uso de bombas de g\u00e1s e balas de borracha. Tratores foram utilizados para a derrubada imediata da comunidade, que afirmou n\u00e3o ter sido sequer notificada da remo\u00e7\u00e3o [5], o que \u00e9 pr\u00e1tica comum da Prefeitura, uma vez que apenas no ano de 2017 68% nas remo\u00e7\u00f5es realizadas na cidade ocorreram sem nenhum tipo de ordem judicial e sem nenhuma esp\u00e9cie de notifica\u00e7\u00e3o e em 55% dos casos houve uso de viol\u00eancia. O aparato repressivo sequer d\u00e1 tempo aos moradores de retirarem de suas casas os poucos pertences que possuem. Estas remo\u00e7\u00f5es (lembrando, apenas neste ano) atingiram mais de 1.800 fam\u00edlias apenas na Capital! [6].<\/p>\n<p>Um dos casos de trucul\u00eancia mais recentes e tamb\u00e9m com grande visibilidade foi o ataque da Prefeitura de Fortaleza \u00e0 Ocupa\u00e7\u00e3o Greg\u00f3rio Bezerra, no dia 11 de novembro de 2016 [7], onde se utilizou de 200 guardas municipais, bem como de tratores e caminh\u00f5es para a derrubada dos barracos. Apesar do ataque, a Ocupa\u00e7\u00e3o bravamente resistiu aos ataques da Prefeitura e permanece firme e forte na luta pela moradia. J\u00e1 s\u00e3o mais de 70 fam\u00edlias na constru\u00e7\u00e3o desta leg\u00edtima experi\u00eancia de Poder Popular.<\/p>\n<p>\u00c9 papel urgente dos comunistas e da esquerda socialista em geral fortalecer o trabalho de base e agita\u00e7\u00e3o entre o povo pobre da periferia pela luta por condi\u00e7\u00f5es dignas de vida nos bairros. Fortalecer a luta em torno tamb\u00e9m das quest\u00f5es mais imediatas da vida da classe trabalhadora (como a luta por postos de sa\u00fade, ilumina\u00e7\u00e3o p\u00fablica de qualidade, reforma das escolas, constru\u00e7\u00e3o de moradias populares, etc.) atrav\u00e9s, por exemplo, de brigadas populares ou comit\u00eas de luta nos bairros \u00e9, na pr\u00e1tica, fortalecer a organiza\u00e7\u00e3o da classe, estando lado a lado diariamente, apresentando experi\u00eancias concretas de Poder Popular. Dessa forma, daremos um enorme passo na organiza\u00e7\u00e3o da revolta popular contra todos os ataques do capital e da burguesia \u00e0 vida e aos direitos historicamente conquistados pela classe trabalhadora.<\/p>\n<p>1. https:\/\/www.opovo.com.br\/noticias\/fortaleza\/2017\/12\/dois-milhoes-de-pessoas-estao-nas-piores-condicoes-de-vida.html<\/p>\n<p>2. http:\/\/diariodonordeste.verdesmares.com.br\/cadernos\/cidade\/uma-capital-de-encantos-e-desigualdades-1.995375<\/p>\n<p>3. http:\/\/diariodonordeste.verdesmares.com.br\/cadernos\/cidade\/online\/mais-da-metade-da-populacao-de-fortaleza-nao-tem-coleta-de-esgoto-1.1807917<\/p>\n<p>4. https:\/\/www20.opovo.com.br\/app\/opovo\/cotidiano\/2015\/06\/12\/noticiasjornalcotidiano,3452394\/desapropriacoes-para-a-copa-um-ano-de-mudancas-e-novos-lares.shtml<\/p>\n<p>5. https:\/\/www20.opovo.com.br\/app\/fortaleza\/2014\/02\/20\/noticiafortaleza,3209611\/batalhao-de-choque-expulsa-moradores-da-comunidade-alto-da-paz.shtml<\/p>\n<p>6. http:\/\/www.oestadoce.com.br\/geral\/remocoes-em-fortaleza<\/p>\n<p>7. https:\/\/www.opovo.com.br\/noticias\/fortaleza\/2016\/11\/prefeitura-executa-demolicao-de-casas-em-ocupacao-no-conjunto-ceara.html<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/18084\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[200,31],"tags":[225],"class_list":["post-18084","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-moradia","category-c31-unidade-classista","tag-4a"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-4HG","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18084","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=18084"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18084\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=18084"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=18084"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=18084"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}