{"id":1813,"date":"2011-08-28T23:24:28","date_gmt":"2011-08-28T23:24:28","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=1813"},"modified":"2011-08-28T23:24:28","modified_gmt":"2011-08-28T23:24:28","slug":"sete-pontos-acerca-da-libia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/1813","title":{"rendered":"Sete pontos acerca da L\u00edbia"},"content":{"rendered":"\n<p>Doravante mesmo os cegos podem ver e compreender o que est\u00e1 a acontecer na L\u00edbia:<\/p>\n<p>1. O que se passa \u00e9 uma guerra promovida e desencadeada pela OTAN. Esta verdade acaba por se revelar at\u00e9 mesmo nos \u00f3rg\u00e3os de &#8220;informa\u00e7\u00e3o&#8221; burgueses. No\u00a0<em>La Stampa <\/em>de 25 de Agosto, Lucia Annunziata escreve: \u00e9 uma guerra &#8220;inteiramente\u00a0<em>externa, <\/em>ou seja, feita pelas for\u00e7as da OTAN&#8221;; foi &#8220;o sistema ocidental que promoveu a guerra contra Kadafi&#8221;. Uma pe\u00e7a do\u00a0<em>International Herald Tribune <\/em>de 24 de Agosto mostra-nos &#8220;rebeldes&#8221; que se regozijam, mas eles est\u00e3o comodamente instalados num avi\u00e3o que traz o emblema da OTAN.<\/p>\n<p>2. Trata-se de uma guerra preparada desde h\u00e1 muito tempo. O\u00a0<em>Sunday Mirror <\/em>de 20 de Mar\u00e7o revelou que &#8220;tr\u00eas semanas&#8221; antes da resolu\u00e7\u00e3o da ONU j\u00e1 estavam em a\u00e7\u00e3o na L\u00edbia &#8220;centenas&#8221; de soldados brit\u00e2nicos, enquadrados num dos corpos militares mais refinados e mais temidos do mundo (SAS). Revela\u00e7\u00f5es ou admiss\u00f5es an\u00e1logas podem ser lidas no\u00a0<em>International Herald Tribune <\/em>de 31 de Mar\u00e7o, a prop\u00f3sito da presen\u00e7a de &#8220;pequenos grupos da CIA&#8221; e de uma &#8220;ampla for\u00e7a ocidental a actuar na sombra&#8221;, sempre &#8220;antes do desencadeamento das hostilidades a 19 de Mar\u00e7o&#8221;.<\/p>\n<p>3. Esta guerra nada tem a ver com a protec\u00e7\u00e3o dos direitos humanos. No artigo j\u00e1 citado, Lucia Annunziata observa com ang\u00fastia: &#8220;A OTAN que alcan\u00e7ou a vit\u00f3ria n\u00e3o \u00e9 a mesma entidade que lan\u00e7ou a guerra&#8221;. Nesse intervalo de tempo, o Ocidente enfraqueceu-se gravemente com a crise econ\u00f3mica; conseguir\u00e1 ele manter o controle de um continente que, cada vez mais frequentemente, percebe o apelo das &#8220;na\u00e7\u00f5es n\u00e3o ocidentais&#8221; e em particular da China? Igualmente, este mesmo di\u00e1rio que apresenta o artigo de Annunziata,\u00a0<em>La Stampa, <\/em>em 26 de Agosto publica uma manchete a toda a largura da p\u00e1gina: &#8220;Nova L\u00edbia, desafio It\u00e1lia-Fran\u00e7a&#8221;. Para aqueles que ainda n\u00e3o tivessem compreendido de que tipo de desafio se trata, o editorial de Paolo Paroni (Duelo finalmente de neg\u00f3cios) esclarece: depois do in\u00edcio da opera\u00e7\u00e3o b\u00e9lica, caracterizada pelo fren\u00e9tico ativismo de Sarkozy, &#8220;compreendeu-se subitamente que a guerra contra o coronel ia transformar-se num conflito de outro tipo: \u00a0 guerra econ\u00f3mica, com um novo advers\u00e1rio: \u00a0 a It\u00e1lia obviamente&#8221;.<\/p>\n<p>4. Desejada por motivos abjectos, a guerra \u00e9 conduzida de modo criminoso. Limito-me apenas a alguns pormenores tomados de um di\u00e1rio acima de qualquer suspeita. O\u00a0<em>International Herald Tribune <\/em>de 26 de Agosto, num artigo de K. Fahim e R. Gladstone, relata: &#8220;Num acampamento no centro de Tripoli foram encontrados os corpos crivados de balas de mais de 30 combatente pr\u00f3 Kadafi. Pelo menos dois deles estavam atados com algemas de pl\u00e1stico e isto permite pensar que sofreram uma execu\u00e7\u00e3o. Dentre estes mortos, cinco foram encontrados num hospital de campo; um estava numa ambul\u00e2ncia, estendido numa maca e amarrado por um cintur\u00e3o e tendo ainda uma transfus\u00e3o intravenosa no bra\u00e7o&#8221;.<\/p>\n<p>5. B\u00e1rbara como todas as guerras coloniais, a guerra actual contra a L\u00edbia demonstra como o imperialismo se torna cada vez mais b\u00e1rbaro. No passado, foram inumer\u00e1veis as tentativas da CIA de assassinar Fidel Castro, mas estas tentativas eram efectuadas em segredo, com um sentimento de que se n\u00e3o \u00e9 por vergonha \u00e9 pelo menos de temer poss\u00edveis reac\u00e7\u00f5es da opini\u00e3o p\u00fablica internacional. Hoje, em contrapartida, assassinar Kadafi ou outros chefes de Estado n\u00e3o apreciados no Ocidente \u00e9 um direito abertamente proclamado. O\u00a0<em>Corriere della Sera <\/em>de 26 de Agosto de 2011 titula triunfalmente: &#8220;Ca\u00e7a a Kadafi e seus filhos, casa por casa&#8221;. Enquanto escrevo, os Tornado brit\u00e2nicos, aproveitando tamb\u00e9m a colabora\u00e7\u00e3o e informa\u00e7\u00f5es fornecidas pela Fran\u00e7a, s\u00e3o utilizados para bombardear Syrte e exterminar toda a fam\u00edlia de Kadafi.<\/p>\n<p>6. N\u00e3o menos b\u00e1rbara que a guerra foi a campanha de desinforma\u00e7\u00e3o. Sem o menor sentimento de pudor, a OTAN martelou sistematicamente a mentira segundo a qual suas opera\u00e7\u00f5es guerreiras n\u00e3o visavam sen\u00e3o a protec\u00e7\u00e3o dos civis! E a imprensa, a &#8220;livre&#8221; imprensa ocidental? Ela, em certo momento, publicou com ostenta\u00e7\u00e3o a &#8220;not\u00edcia&#8221; segundo a qual Kadafi enchia seus soldados de viagra de modo a que eles pudessem mais facilmente cometer viola\u00e7\u00f5es em massa. Como esta &#8220;not\u00edcia&#8221; caiu rapidamente no rid\u00edculo, surge ent\u00e3o uma outra &#8220;nova&#8221; segundo a qual os soldados l\u00edbios atiram sobre as crian\u00e7as. Nenhuma prova \u00e9 fornecida, n\u00e3o se encontra nenhuma refer\u00eancia a datas e lugares determinados, nenhuma remessa a tal ou tal fonte: o importante \u00e9 criminalizar o inimigo a liquidar.<\/p>\n<p>7. Mussolini no seu tempo apresentava a agress\u00e3o fascista contra a Eti\u00f3pia como uma campanha para libertar este pa\u00eds da chaga da escravid\u00e3o; hoje a OTAN apresenta a sua agress\u00e3o contra a L\u00edbia como uma campanha para a difus\u00e3o da democracia. No seu tempo Mussolini n\u00e3o cessava de trovejar contra o imperador et\u00edope Hail\u00e9 S\u00e9lassi\u00e9 chamando-o &#8220;Negus dos negreiros&#8221;; hoje a OTAN exprime seu desprezo por Kadafi chamando-o &#8220;ditador&#8221;. Assim como a natureza belicista do imperialismo n\u00e3o muda, tamb\u00e9m as suas t\u00e9cnicas de manipula\u00e7\u00e3o revelam elementos significativos de continuidade. Para clarificar quem hoje realmente exerce a ditadura a n\u00edvel planet\u00e1rio, ao inv\u00e9s de citar Marx ou L\u00e9nine quero citar Emmanuel Kant. Num texto de 1798 (O conflito das faculdades), ele escreve: &#8220;O que \u00e9 um monarca absoluto? Aquele que, quando comanda: &#8216;a guerra deve fazer-se&#8217;, a guerra seguia-se efectivamente&#8221;. Argumentando deste modo, Kant tomava como alvo em particular a Inglaterra do seu tempo, sem se deixar enganar pela forma &#8220;liberal&#8221; daquele pa\u00eds. \u00c9 uma li\u00e7\u00e3o de que devemos tirar proveito: os &#8220;monarcas absolutos&#8221; da nossa \u00e9poca, os tiranos e ditadores planet\u00e1rios da nossa \u00e9poca t\u00eam assento em Washington, em Bruxelas e nas mais importantes capitais ocidentais.<\/p>\n<p>27\/Agosto\/2011<\/p>\n<p><strong>O original encontra-se em\u00a0<a href=\"http:\/\/domenicolosurdo.blogspot.com\/\" target=\"_blank\">http:\/\/domenicolosurdo.blogspot.com\/<\/a> ; a vers\u00e3o em franc\u00eas em <\/strong><\/p>\n<p><strong><a href=\"http:\/\/www.legrandsoir.info\/sept-points-sur-la-libye.html\" target=\"_blank\">http:\/\/www.legrandsoir.info\/sept-points-sur-la-libye.html<\/a> <\/strong><\/p>\n<p><strong>Este artigo encontra-se em\u00a0<a href=\"http:\/\/resistir.info\/\" target=\"_blank\">http:\/\/resistir.info\/<\/a> .<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n\n\nCr\u00e9dito: PCB\n\n\n\n\n\n\n\n\nDomenico Losurdo\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/1813\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[38],"tags":[],"class_list":["post-1813","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c43-imperialismo"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-tf","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1813","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1813"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1813\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1813"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1813"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1813"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}