{"id":1818,"date":"2011-08-30T02:23:48","date_gmt":"2011-08-30T02:23:48","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=1818"},"modified":"2011-08-30T02:23:48","modified_gmt":"2011-08-30T02:23:48","slug":"autor-alemao-narra-a-vida-de-fidel-castro-em-quadrinhos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/1818","title":{"rendered":"Autor alem\u00e3o narra a vida de Fidel Castro em quadrinhos"},"content":{"rendered":"\n<p>H\u00e1 d\u00e9cadas o revolucion\u00e1rio cubano \u00e9 um enigma tanto para seus compatriotas quanto para o resto do mundo. Depois de in\u00fameras tentativas liter\u00e1rias, \u00e9 a vez de o cartunista Reinhard Kleist se ocupar desse grande mist\u00e9rio.<\/p>\n<p>Delinear a vida do l\u00edder revolucion\u00e1rio cubano Fidel Castro \u00e9 um desafio at\u00e9 para o bi\u00f3grafo mais bem informado. O \u00edcone mundial que completou 85 anos de idade no s\u00e1bado passado (13\/08) n\u00e3o \u00e9 apenas uma personagem politicamente controvertida, mas tamb\u00e9m um mist\u00e9rio para o mundo exterior.<\/p>\n<p>Assim, a recente tentativa de um cartunista alem\u00e3o de contar a hist\u00f3ria de\u00a0<em>Castro <\/em>em quadrinhos parece \u2013 na melhor das hip\u00f3teses \u2013 altamente ambiciosa, ou \u2013 no pior dos casos \u2013 simplesmente tola. Mas o fato \u00e9 que Reinhard Kleist conseguiu compor uma biografia espantosamente v\u00edvida do assim chamado Grande L\u00edder. J\u00e1 traduzida, ela deixou o p\u00fablico de HQ de idioma ingl\u00eas pedindo mais.<\/p>\n<p>Como aponta um dos mais importantes especialistas no g\u00eanero, Paul Gravett, Castro constitui um marco nas hist\u00f3rias em quadrinhos da Alemanha. Segundo ele, o HQ germ\u00e2nico levou tempo para amadurecer, mas &#8220;seu momento chegou&#8221; com a publica\u00e7\u00e3o desse livro. &#8220;Nos \u00faltimos dez anos, vimos um bom n\u00famero de autores alem\u00e3es marcar presen\u00e7a na cena internacional, e Kleist \u00e9 um pioneiro dessa nova forma&#8221;, analisa Gravett.<\/p>\n<p>A fa\u00e7anha n\u00e3o foi f\u00e1cil, admite Reinhard Kleist. &#8220;Escrever a hist\u00f3ria foi realmente uma grande tarefa. Fiquei frustrado durante semanas, pois n\u00e3o tinha ideia de onde come\u00e7ar e onde terminar.&#8221; O cartunista diz estar especialmente satisfeito por ter encontrado um meio de falar sobre a Revolu\u00e7\u00e3o Cubana. &#8220;N\u00e3o acho que esse livro seja especificamente sobre Fidel Castro. Na verdade, \u00e9 sobre a revolu\u00e7\u00e3o, e a personagem forte que ele representa.&#8221;<\/p>\n<p><em>Castro ao lado de Hugo Ch\u00e1vez e Raul Castro, seu irm\u00e3o e sucessor no comando de Cuba<\/em><\/p>\n<p><strong>Perseguindo ideais<\/strong><\/p>\n<p>Kleist comenta que tra\u00e7ar a vida do l\u00edder deu-lhe a oportunidade de questionar seu pr\u00f3prio sistema de cren\u00e7a. Ele enfatiza que Cuba \u00e9 frequentemente romantizada no pensamento pol\u00edtico alem\u00e3o, e que ele chegou ao pa\u00eds num estado de ingenuidade incur\u00e1vel.<\/p>\n<p>&#8220;Um tema permeia todo o livro: como perseguir os pr\u00f3prios ideais. Temos duas personagens diferentes: Karl, o narrador e Fidel. Cada um segue seus ideais de forma diversa.&#8221; O protagonista \u00e9 um rep\u00f3rter jovem e idealista, que rapidamente desiste de tentar permanecer neutro. Ele foi inspirado numa entrevista com Castro realizada na vida real por um rep\u00f3rter do jornal\u00a0<em>The New York Times<\/em>.<\/p>\n<p>No livro, o veterano revolucion\u00e1rio tamb\u00e9m concede uma entrevista a Karl, com quem conversa o tempo inteiro, deitado em sua rede. E o jornalista n\u00e3o s\u00f3 \u00e9 contagiado pela febre da revolu\u00e7\u00e3o como se apaixona por uma jovem combatente.<\/p>\n<p><strong>Profundidade e divers\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Kleist admite que a hist\u00f3ria de amor foi relativamente f\u00e1cil de narrar, comparada com as complexidades da figura de Castro. No fim, o autor acabou por n\u00e3o simpatizar nem um pouco com sua personagem. &#8220;Ele n\u00e3o \u00e9 uma pessoa de que se goste. N\u00e3o h\u00e1 como se aproximar de Fidel Castro em 300 p\u00e1ginas: \u00e9 quase imposs\u00edvel identificar-se com ele&#8221;, observa.<\/p>\n<p>De acordo com Paul Gravett, diretor do festival de HQ de Londres Comica, a tentativa de se confrontar com uma das personagens mais polarizadoras da hist\u00f3ria n\u00e3o comprometeu o potencial de entretenimento do livro. &#8220;A p\u00e1gina se desenvolve de maneira muito fluida. \u00c9 incr\u00edvel a capacidade de retratar Castro em todos os est\u00e1gios de sua vida. N\u00e3o se trata de uma hist\u00f3ria de mocinho e bandido. Ela \u00e9 complexa, e Kleist sabe estabelecer as loca\u00e7\u00f5es muito bem, voc\u00ea realmente sente como se estivesse dentro da revolu\u00e7\u00e3o.&#8221;<\/p>\n<p>O livro \u00e9 cheio de ironia e humor. O pr\u00f3prio autor aponta uma de suas se\u00e7\u00f5es favoritas, onde esbo\u00e7a centenas de compl\u00f4s reais contra a vida de Castro, incluindo o plano de instalar uma bomba submarina enquanto o l\u00edder cubano sai para mergulhar.<\/p>\n<p><strong>Quest\u00e3o de equil\u00edbrio<\/strong><\/p>\n<p>Mas ser\u00e1 que o esfor\u00e7o de ser engra\u00e7ado numa hist\u00f3ria em quadrinhos n\u00e3o banaliza, de certa forma, a Revolu\u00e7\u00e3o Cubana e todas as vidas humanas que ela custou?<\/p>\n<p>Na opini\u00e3o de Gravett, este n\u00e3o \u00e9 o caso. Para o especialista em HQ, Kleist captura a motiva\u00e7\u00e3o psicol\u00f3gica de Castro, sem tentar estabelecer a biografia definitiva. &#8220;Ele n\u00e3o procura tra\u00e7ar uma grande pincelada hist\u00f3rica, mas sim penetrar no pensamento e na personalidade de um l\u00edder extremamente fascinante.&#8221;<\/p>\n<p>Para Kleist, ocupar-se de Fidel Castro representou uma dura viagem emocional. Indagado se enviaria uma c\u00f3pia ao revolucion\u00e1rio, o autor diz ter ouvido que ele l\u00ea todos os livros publicados a seu respeito. Assim, o cartunista alem\u00e3o espera que o Grande L\u00edder n\u00e3o deixe de ler este tamb\u00e9m.<\/p>\n<p>Autoria: Nina-Maria Potts (av)<\/p>\n<p>Revis\u00e3o: Carlos Albuquerque<\/p>\n<p>Fonte:\u00a0<a href=\"http:\/\/www.dw-world.de\/dw\/article\/0,,15317505,00.html\">http:\/\/www.dw-world.de\/dw\/article\/0,,15317505,00.html<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n\n\nCr\u00e9dito: DW\n\n\n\n\n\n\n\n\n\u00a0\nDW\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/1818\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[47],"tags":[],"class_list":["post-1818","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c57-revolucao-cubana"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-tk","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1818","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1818"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1818\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1818"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1818"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1818"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}