{"id":18227,"date":"2018-01-06T21:11:25","date_gmt":"2018-01-07T00:11:25","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=18227"},"modified":"2018-01-06T21:45:44","modified_gmt":"2018-01-07T00:45:44","slug":"e-possivel-uma-policia-pacificadora-com-tantas-desigualdades-sociais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/18227","title":{"rendered":"\u00c9 poss\u00edvel uma &#8216;pol\u00edcia pacificadora&#8217; com tantas desigualdades sociais?"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"\u00c9 poss\u00edvel uma 'pol\u00edcia pacificadora' com tantas desigualdades sociais?\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.cartacapital.com.br\/politica\/novo-termo-para-auto-de-resistencia-nao-combate-violencia\/mortes-policia\/%40%40images\/ca6ae1fa-e0c9-4adf-ba09-a6ccb516d2f1.jpeg?w=747&#038;ssl=1\" alt=\"\u00c9 poss\u00edvel uma 'pol\u00edcia pacificadora' com tantas desigualdades sociais?\" \/><!--more-->por Jos\u00e9 Renato Andr\u00e9 Rodrigues*<\/p>\n<p>O aumento da viol\u00eancia na Cidade do Rio de Janeiro e no Grande Rio foi um problema anunciado, diante do velho quadro de desigualdades sociais em que vivem as camadas de baixa renda abandonadas pelo poder p\u00fablico. \u00c9 preciso afirmar que n\u00e3o se trata de aus\u00eancia do Estado; o que existe \u00e9 coniv\u00eancia do Estado para manter e perpetuar as desigualdades sociais nos bairros prolet\u00e1rios.<\/p>\n<p>Os meios de comunica\u00e7\u00e3o de massas a servi\u00e7o das classes dominantes manipulam de forma grosseira e mentirosa os aspectos da viol\u00eancia em nossas grandes cidades. As reportagens sensacionalistas s\u00e3o apresentadas sem ir fundo nas causas sociais dos problemas que geram e promovem a viol\u00eancia. Na verdade, a raiz de toda essa viol\u00eancia est\u00e1 no pr\u00f3prio car\u00e1ter da sociedade capitalista que forma cidades divididas entre as camadas beneficiadas e exclu\u00eddas do poder econ\u00f4mico. Os espa\u00e7os p\u00fablicos s\u00e3o apropriados pelas camadas mais privilegiadas que, tendo o poder econ\u00f4mico, exercem o poder pol\u00edtico, deixando as regi\u00f5es com as piores condi\u00e7\u00f5es de moradia e lazer para as classes menos favorecidas. Os filhos das classes trabalhadoras, al\u00e9m de desprovidos de condi\u00e7\u00f5es dignas de sobreviv\u00eancia, s\u00e3o as maiores v\u00edtimas da viol\u00eancia gerada por esta sociedade.<\/p>\n<p>O capitalismo vive \u00e0 custa da explora\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica sobre as classes trabalhadoras, tendo no lucro a raz\u00e3o de sua exist\u00eancia. \u00c9 ele que promove a corrup\u00e7\u00e3o dos aparelhos policiais com a clara inten\u00e7\u00e3o de manter as classes dominadas em seu devido lugar, para que estas n\u00e3o reajam contra as injusti\u00e7as geradas pelo sistema. Com isto, o status quo \u00e9 mantido: enquanto segue a guerra entre os pobres, vitimando os filhos das classes trabalhadoras, os filhos da burguesia se preparam para perpetuar este modelo de sociedade que em nada beneficia os trabalhadores. Atrav\u00e9s de uma l\u00f3gica perversa manipulada, constru\u00edda pelo pr\u00f3prio sistema vigente, que vende armas, promove e sustenta a desigualdade e a corrup\u00e7\u00e3o, todo o processo de viol\u00eancia entre os mais pobres \u00e9 naturalizado, o que impede qualquer rea\u00e7\u00e3o das v\u00edtimas, por estas se encontrarem dominadas pela vis\u00e3o de mundo do grande capital, atrav\u00e9s da ideologia burguesa. Como sabemos, em qualquer sociedade a ideologia dominante reflete a vis\u00e3o de mundo das classes dominantes. Os moradores desses bairros e seus filhos n\u00e3o podem e nem devem ser culpados por esta guerra entre os pobres, pois o \u00fanico culpado dessa guerra e de todas as desgra\u00e7as no mundo contempor\u00e2neo \u00e9 o capitalismo.<\/p>\n<p>Interessa ao capitalismo manter toda essa estrutura e esse mecanismo de domina\u00e7\u00e3o, desde que n\u00e3o incomode o sono da burguesia, com interrup\u00e7\u00f5es no com\u00e9rcio, vias p\u00fablicas e turismo. Enquanto os mais pobres se matam, o capitalismo segue funcionando normalmente. As guerras cotidianas fazem parte da vida destes bairros prolet\u00e1rios. Al\u00e9m de v\u00edtimas da viol\u00eancia cotidiana, os moradores destes bairros s\u00e3o v\u00edtimas tamb\u00e9m da falta de servi\u00e7os p\u00fablicos e seus filhos nascem e vivem sem perspectiva de vida para o futuro.<\/p>\n<p>A ideologia burguesa se faz presente quando \u00e9 oferecido aos jovens dos bairros prolet\u00e1rios um mundo de sonhos e consumo, como se isso fosse poss\u00edvel. Estes jovens, ao se verem sem perspectivas, veem no crime a possibilidade de ascender, nem que seja dentro da pr\u00f3pria favela. As m\u00fasicas que hoje chamamos vulgarmente de <i>funk<\/i> refletem este sonho de ascens\u00e3o dentro da favela e incentivam o machismo, a viol\u00eancia, a pedofilia, o exibicionismo, a ostenta\u00e7\u00e3o. Algumas letras atuais falam das guerras entre os pobres, diferentemente de outros movimentos culturais de periferia que surgiram das classes prolet\u00e1rias, em outros momentos das contradi\u00e7\u00f5es da sociedade capitalista, quando as letras das m\u00fasicas questionavam o estado burgu\u00eas e as injusti\u00e7as sociais.<\/p>\n<p>Para o sistema vigente interessa toda essa guerra, atrav\u00e9s da destrui\u00e7\u00e3o dos jovens dos bairros prolet\u00e1rios, que s\u00e3o presas f\u00e1ceis. Sem consci\u00eancia do que h\u00e1 por tr\u00e1s de todos esses mecanismos de domina\u00e7\u00e3o, esses jovens v\u00e3o sendo eliminados, seja por grupos rivais ou pela pol\u00edcia, e h\u00e1 sempre outros para tomarem os seus lugares, em uma l\u00f3gica perversa da guerra promovida pelas classes dominantes que reproduz entre os pobres a l\u00f3gica do mais forte, o que inviabiliza qualquer forma de organiza\u00e7\u00e3o ou rea\u00e7\u00e3o dos moradores destes lugares contra o sistema.<\/p>\n<p>A chamada <i>pacifica\u00e7\u00e3o<\/i> s\u00f3 poder\u00e1 vir com melhorias das condi\u00e7\u00f5es de vida das pessoas que moram nestas regi\u00f5es. Este problema n\u00e3o ser\u00e1 resolvido com a repress\u00e3o policial nem por ONGs que vivem de semear ilus\u00e3o, com o discurso hip\u00f3crita de mitigar a viol\u00eancia promovendo performances perfumadas na orla da Zona Sul da cidade. A solu\u00e7\u00e3o inclui constru\u00e7\u00e3o de moradias dignas para os trabalhadores e oferta de empregos e de servi\u00e7os p\u00fablicos como sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o, lazer e cultura, para que n\u00e3o venhamos mais assistir \u00e0 destrui\u00e7\u00e3o de nossos jovens em nossas cidades.<\/p>\n<p>N\u00e3o adianta alguns setores de esquerda que nada t\u00eam de revolucion\u00e1rios e que se apresentam como candidatos a gerentes do capital, apenas para agradar as classes dominantes, falarem em pol\u00edtica de seguran\u00e7a p\u00fablica cidad\u00e3. Isto nunca ser\u00e1 poss\u00edvel no capitalismo porque est\u00e1 na ess\u00eancia desse sistema a desigualdade social. \u00c9 necess\u00e1rio levar em conta o car\u00e1ter de classe na quest\u00e3o do problema da viol\u00eancia. Encobrir o car\u00e1ter de classe dos problemas de nossa sociedade \u00e9 o mesmo que iludir a milit\u00e2ncia e os trabalhadores com falsas promessas, usando fraseologia pequeno-burguesa com tinturas de socialismo muito rebaixado.<\/p>\n<p>Mesmo que uma parte da esquerda dominada pelas camadas m\u00e9dias, que n\u00e3o conhece nada da vida e do sofrimento dos moradores dos bairros prolet\u00e1rios, priorize o discurso da legaliza\u00e7\u00e3o de uma ou outra droga, isso em quase nada vai alterar as condi\u00e7\u00f5es de vida das massas trabalhadoras. Isso \u00e9 o famoso \u201cchover no molhado\u201d. Isso \u00e9 n\u00e3o saber das dificuldades das m\u00e3es que perdem seus filhos para a viol\u00eancia, \u00e9 desconhecer ou fingir desconhecer que os filhos dos trabalhadores t\u00eam dificuldades em frequentar uma cl\u00ednica para se desintoxicar. Alguns setores de esquerda est\u00e3o interessados apenas em resolver uma demanda das camadas m\u00e9dias que moram no asfalto e vivem inseguras com a viol\u00eancia urbana.<\/p>\n<p>Para resolver estes graves problemas, s\u00f3 uma mudan\u00e7a radical, revolucion\u00e1ria, que inverta o car\u00e1ter do Estado, retirando seu papel de mero apoiador dos interesses capitalistas, para coloc\u00e1-lo a servi\u00e7o dos interesses das massas populares.<\/p>\n<p>Acreditamos que os graves problemas que atingem a nossa sociedade n\u00e3o ter\u00e3o solu\u00e7\u00e3o se o capitalismo n\u00e3o for superado por uma nova sociedade, onde os trabalhadores possam, atrav\u00e9s das suas organiza\u00e7\u00f5es, dirigir e governar o Estado em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 sociedade socialista em nosso pa\u00eds.<\/p>\n<p>\u00c9 professor de Filosofia da Rede P\u00fablica Estadual do Estado do Rio de Janeiro<\/p>\n<p><b>Secret\u00e1rio pol\u00edtico do PCB na cidade de Nova Igua\u00e7u &#8211; RJ<\/b><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/18227\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[244],"tags":[233],"class_list":["post-18227","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-violencia","tag-6a"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-4JZ","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18227","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=18227"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18227\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=18227"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=18227"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=18227"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}