{"id":1825,"date":"2011-09-01T21:39:31","date_gmt":"2011-09-01T21:39:31","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=1825"},"modified":"2011-09-01T21:39:31","modified_gmt":"2011-09-01T21:39:31","slug":"as-farc-nao-serao-e-nao-podem-ser-derrotadas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/1825","title":{"rendered":"As Farc n\u00e3o ser\u00e3o e n\u00e3o podem ser derrotadas"},"content":{"rendered":"\n<p><p><em>Em entrevista exclusiva ao jornal\u00a0<strong>A Verdade<\/strong>, James J. Brittain, soci\u00f3logo, ph.D. em sociologia com \u00eanfase em economia pol\u00edtica e professor assistente do Departamento de Sociologia da Acadia University, no Canad\u00e1, fala sobre as Farc-EP (sigla das For\u00e7as Armadas Revolucion\u00e1rias da Col\u00f4mbia &#8211; Ex\u00e9rcito do Povo), contando um pouco de sua hist\u00f3ria e esclarecendo v\u00e1rios mitos difundidos sobre a guerrilha. Brittain passou mais de cinco anos vivendo em meio \u00e0s Farc-EP, participando de v\u00e1rias de suas atividades, conhecendo suas estruturas e entrevistando combatentes e camponeses residentes nas regi\u00f5es sob dom\u00ednio da insurg\u00eancia. Parte dessa pesquisa, juntamente com uma extensa bibliografia, resultaram em seu livro <\/em>Revolutionary social change in Colombia &#8211; the origins and direction of the Farc-EP<em>, lan\u00e7ado em 2010, e que j\u00e1 \u00e9 considerado refer\u00eancia b\u00e1sica no assunto.<\/em><\/p>\n<p><strong>A Verdade &#8211; H\u00e1 quanto tempo voc\u00ea vem pesquisando sobre as Farc-EP? Conte-nos um pouco da sua experi\u00eancia na Col\u00f4mbia junto \u00e0 guerrilha.<\/strong><\/p>\n<p><strong>James Brittain &#8211;<\/strong> Desde o fim da d\u00e9cada de 1990 eu tenho me interessado e tentado compreender as complexidades da guerra civil colombiana, particularmente do ponto de vista dos mais marginalizados. Isso me levou \u00e0 realidade daqueles em luta direta com a classe dominante na Col\u00f4mbia &#8211; isto \u00e9, me levou a um encontro pessoal com as Farc-EP. Quando comparada com muitas outras partes da Am\u00e9rica Latina &#8211; onde algum tipo de mudan\u00e7a social \u00e9 vista ou percebida como aparentemente funcional dentro dos limites do modelo eleitoral liberal democr\u00e1tico &#8211; a Col\u00f4mbia demonstra uma realidade bem diferente, e com isso, a necessidade do conflito direto de classe. Isso me levou a come\u00e7ar a me comunicar com a guerrilha e mais tarde, a conduzir pesquisa de primeira m\u00e3o em \u00e1reas sob seu controle\/opera\u00e7\u00e3o durante grande parte da \u00faltima d\u00e9cada.<\/p>\n<p><strong>Que circunst\u00e2ncias objetivas levaram \u00e0 forma\u00e7\u00e3o das Farc-EP?<\/strong><\/p>\n<p>A resposta \u00e9 bem complexa. mas vou tentar responder. De forma resumida, muitos daqueles oprimidos por uma grave exclus\u00e3o social, pela repress\u00e3o estatal, por um governo ap\u00e1tico e pelo agravamento das condi\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas perceberam que romper rela\u00e7\u00f5es de classe limitadas e desiguais por meios convencionais era, literalmente, imposs\u00edvel. Em resposta \u00e0 expans\u00e3o de interesses capitalistas e a um estado engajado em atividades coercitivas extremas contra uma popula\u00e7\u00e3o rural, e sendo este estado, ao mesmo tempo, inativo na promo\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os de sa\u00fade, seguro social agr\u00e1rio e uma enorme lista de servi\u00e7os sociais como educa\u00e7\u00e3o, as Farc-EP se estabeleceram durante os anos 1960 como um coletivo de autodefesa campon\u00eas que criticava a interfer\u00eancia imperialista na Col\u00f4mbia, enquanto colocava em pr\u00e1tica estrat\u00e9gias de reforma agr\u00e1ria e modelos alternativos de desenvolvimento via alian\u00e7a oper\u00e1rio-camponesa. Isso, no entanto, ocorreu apenas depois de d\u00e9cadas de tentativas de alcan\u00e7ar alguma forma de mudan\u00e7a social atrav\u00e9s de desenvolvimento alternativo e meios pac\u00edficos. Sem nenhuma outra possibilidade, as Farc-EP foram constitu\u00eddas, ent\u00e3o, em maio de 1964.<\/p>\n<p><strong>As Farc-EP s\u00e3o uma organiza\u00e7\u00e3o marxista? A guerrilha perdeu hoje sua motiva\u00e7\u00e3o ou orienta\u00e7\u00e3o ideol\u00f3gica inicial, como \u00e9 divulgado pela imprensa burguesa?<\/strong><\/p>\n<p>Nos \u00faltimos 47 anos as Farc-EP se desenvolveram num movimento sociopol\u00edtico complexo e organizado, com membros de todos os setores da sociedade colombiana; popula\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas, afrocolombianos, trabalhadores rurais sem terra, intelectuais, sindicalistas, professores, setores do proletariado urbano e por a\u00ed vai &#8211; todos esses lutando por desenvolvimento social atrav\u00e9s da realiza\u00e7\u00e3o de uma sociedade socialista &#8211; e \u00e9, com certeza, um movimento baseado na tradi\u00e7\u00e3o marxista. Como foi notado por Bernard-Henri L\u00e9vy ap\u00f3s entrevistar membros da guerrilha, o marxismo-leninismo das Farc-EP &#8220;n\u00e3o me lembra nada que j\u00e1 tenha ouvido ou visto em qualquer outro lugar&#8230; isso \u00e9 um impec\u00e1vel comunismo; juntamente com Cuba, este \u00e9 o \u00faltimo comunismo na Am\u00e9rica Latina e, certamente, o mais forte&#8221;. Uma das raz\u00f5es pelas quais muitos ingenuamente pensam que a guerrilha &#8220;perdeu sua dire\u00e7\u00e3o ideol\u00f3gica&#8221; pode ser baseada na estrat\u00e9gia de longo prazo das Farc-EP de compreens\u00e3o e aplica\u00e7\u00e3o do marxismo no contexto de uma realidade colombiana. Desde sua forma\u00e7\u00e3o as Farc-EP permanecem comprometidas \u00e0 pr\u00e1xis da transforma\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria das rela\u00e7\u00f5es sociais na Col\u00f4mbia. Para que isso ocorra \u00e9 necess\u00e1rio que a revolu\u00e7\u00e3o seja das, com e para as popula\u00e7\u00f5es marginalizadas dentro do pa\u00eds, o que levou as Farc-EP a confiar na consci\u00eancia interna e no suporte das classes trabalhadoras rural e urbana. J\u00e1 foi bem documentado que a guerrilha foi pouqu\u00edssimas vezes apoiada &#8211; se \u00e9 que foi mesmo apoiada &#8211; por aux\u00edlio estrangeiro, e tem, ao contr\u00e1rio, sustentado sua luta pela base. Mesmo em grande solidariedade, a guerrilha se dissociou, tanto material quanto imaterialmente, da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica antes do seu colapso, o que \u00e9 uma forte indica\u00e7\u00e3o de por que a guerrilha n\u00e3o sofreu perdas materiais quando o regime sovi\u00e9tico implodiu. De fato, esta estrat\u00e9gia org\u00e2nica fez que as Farc-EP se fortalecessem sociopoliticamente e aumentassem por todo o pa\u00eds durante um per\u00edodo em que outras guerrilhas latino-americanas, que eram em parte dependentes de apoio sovi\u00e9tico ou cubano, se enfraquecessem ou que passassem de seu radicalismo para uma ret\u00f3rica mais liberal de aspira\u00e7\u00f5es pol\u00edticas.<\/p>\n<p><strong>As Farc-EP t\u00eam alguma liga\u00e7\u00e3o com o plantio de coca ou com o tr\u00e1fico de drogas?<\/strong><\/p>\n<p>Uma tremenda desinforma\u00e7\u00e3o tem sido apresentada neste assunto. Contrariamente \u00e0 cren\u00e7a popular, as Farc-EP foram, por muitos anos, severamente contra o cultivo de planta\u00e7\u00f5es relacionados \u00e0 ind\u00fastria da droga. No entanto, \u00e0 medida que a economia rural e as colheitas diminu\u00edram ao passar dos anos, como resultado de pol\u00edticas neoliberais &#8211; e n\u00e3o havia mais retorno em planta\u00e7\u00f5es tradicionais &#8211; muitos camponeses n\u00e3o tinham muitas op\u00e7\u00f5es a n\u00e3o ser subsidiar suas rendas com o cultivo de marijuana e, posteriormente, coca. Pelo fato de as Farc-EP serem um movimento do, com e para o povo, seria hip\u00f3crita por parte da guerrilha exigir dos camponeses, pela for\u00e7a, que abandonassem uma planta\u00e7\u00e3o que lhes fornecia alguma forma de renda no ambiente pol\u00edtico-econ\u00f4mico em que se encontravam. No entanto, pensar que isso faz das Farc-EP traficantes de drogas ou &#8220;narcoguerrilhas&#8221; \u00e9, no m\u00ednimo, absurdo e revelador de qu\u00e3o pouco aqueles que fazem tais afirma\u00e7\u00f5es conhecem ou compreendem da economia pol\u00edtica rural da Col\u00f4mbia.<\/p>\n<p>O ex-conselheiro militar da presid\u00eancia de \u00c1lvaro Uribe V\u00e9lez, Alfredo Rangel Su\u00e1rez, afirmou que &#8220;\u00e9 um erro tratar as Farc como um cartel de drogas porque isso ignora o fato de que o objetivo principal das Farc n\u00e3o \u00e9 fazer dinheiro com o tr\u00e1fico de drogas, mas tomar o poder&#8221;. Pintar as Farc-EP como uma guerrilha associada ao tr\u00e1fico tem sido uma tentativa estrat\u00e9gica de desmoralizar a pr\u00e1xis das Farc-EP, deslegitimar as inten\u00e7\u00f5es sociopol\u00edticas e econ\u00f4micas da organiza\u00e7\u00e3o e, finalmente, evitar uma solu\u00e7\u00e3o negociada para a guerra civil. J\u00e1 foi amplamente comprovado que n\u00e3o existe nenhuma prova para sustentar a afirma\u00e7\u00e3o de que as Farc-EP estejam diretamente envolvidas com a ind\u00fastria da coca. At\u00e9 mesmo representantes dos governos da Col\u00f4mbia e dos EUA j\u00e1 insistiram nessa posi\u00e7\u00e3o. Por anos, oficiais do ex\u00e9rcito estadunidense, da Drug Enforcement Agency (DEA) e de sua embaixada na Col\u00f4mbia j\u00e1 afirmaram que o estado nunca obteve nenhuma evid\u00eancia de que as Farc-EP estivessem envolvidas no transporte, distribui\u00e7\u00e3o ou com\u00e9rcio de drogas il\u00edcitas na Am\u00e9rica do Norte ou na Europa. Al\u00e9m do mais, o ex-presidente colombiano [1998-2002] e ex-embaixador nos EUA [2005-2006] Andr\u00e9s Pastrana Arango tamb\u00e9m manteve a mesma posi\u00e7\u00e3o de que as Farc-EP n\u00e3o estavam de maneira alguma ligadas ao tr\u00e1fico de drogas. Pastrana revelou que o estado colombiano n\u00e3o conseguiu encontrar &#8220;nenhuma evid\u00eancia de que eles est\u00e3o diretamente envolvidos com o tr\u00e1fico de drogas&#8221;. E indo um pouco al\u00e9m da quest\u00e3o do envolvimento com as drogas, h\u00e1 tamb\u00e9m a (silenciada) quest\u00e3o do trabalho feito pela guerrilha em limitar a ind\u00fastria da coca para que n\u00e3o se espalhasse completamente pelos setores rurais do pa\u00eds. Ap\u00f3s a recusa das Farc-EP em dar apoio ao cultivo de coca durante os anos 1970 e in\u00edcio dos anos 1980, a insurg\u00eancia mudou sua posi\u00e7\u00e3o no final dos anos 1980 e durante os anos 1990. Permanecendo em oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 coca, as Farc-EP come\u00e7aram a trabalhar com a ONU durante os anos 1980 em in\u00fameros projetos relacionados \u00e0 substitui\u00e7\u00e3o de plantio em regi\u00f5es sob controle da insurg\u00eancia. Trabalhando independentemente do governo, a ONU adotou as Farc-EP como parceira em programas relacionados ao desenvolvimento social e \u00e0 substitui\u00e7\u00e3o de planta\u00e7\u00f5es. As Farc-EP nunca promoveram a produ\u00e7\u00e3o de coca. A insurg\u00eancia tem por muito tempo encorajado e auxiliado projetos de substitui\u00e7\u00e3o de plantios em diversos munic\u00edpios. Durante os anos 1990 e 2000 as Farc-EP apoiaram com sucesso uma mudan\u00e7a de planta\u00e7\u00f5es de coca para outros tipos de planta\u00e7\u00f5es l\u00edcitas na gest\u00e3o de Micoahumado no munic\u00edpio de Morales. As Farc-EP foram, de fato, a primeira organiza\u00e7\u00e3o na Col\u00f4mbia a incentivar a substitui\u00e7\u00e3o de plantio &#8211; muito tempo antes do problema da coca ficar fora de controle. Hohe, as Farc-EP permanecem engajadas em projetos aut\u00f4nomos para encorajar os camponeses a cultivar planta\u00e7\u00f5es de subsist\u00eancia.<\/p>\n<p><strong>As Farc-EP est\u00e3o diminuindo e perdendo apoio popular? Elas imp\u00f5em recrutamento for\u00e7ado?<\/strong><\/p>\n<p>Como tem sido admitido recentemente pelo governo Santos, as Farc-EP n\u00e3o s\u00f3 t\u00eam apresentado uma inacredit\u00e1vel habilidade para manter seu poder e presen\u00e7a por todo o pa\u00eds, como isso \u00e9 revelador do apoio que tem a guerrilha. No entanto, \u00e9 essencial que aqueles no poder apresentem uma hegemonia que pinta as Farc-EP como fracas ou sem apoio civil. Mas quando algu\u00e9m examina por toda a hist\u00f3ria as lutas contra o poder dominante, fica claro que qualquer movimento de guerrilha n\u00e3o pode ser conduzido ou manter opera\u00e7\u00f5es contra for\u00e7as do estado sem um significativo apoio social e pol\u00edtico. Enquanto algumas frentes das Farc-EP t\u00eam sofrido alguns golpes nos \u00faltimos anos, a insurg\u00eancia tem sido capaz de n\u00e3o apenas estabilizar campanhas contra alvos escolhidos, mas tamb\u00e9m tem aumentado suas atividades ano ap\u00f3s ano. Por muitos anos, as Farc-EP v\u00eam modestamente ampliando suas campanhas armadas contra as for\u00e7as do estado (949 em 2004, 1.008 em 2005, 1.026 em 2006, 1.057 em 2007). Mas os \u00faltimos anos, no entanto, presenciaram um salto significativo no n\u00famero de ataques militares da insurg\u00eancia, em uma m\u00e9dia de cinco ao dia (1.614). Ainda 2010 testemunhou o maior n\u00famero de ataques da guerrilha contra as for\u00e7a do estado em 15 anos, totalizando mais de 1.947, e mais mortes das for\u00e7as do estado do que no auge do conflito, no in\u00edcio dos anos 2000. Permanece o fato de que as Farc-EP s\u00e3o o mais longo movimento de guerrilha estabelecido nas Am\u00e9ricas e desde o in\u00edcio se desenvolveu num movimento complexo e organizado com 65% de seus membros vindod do campo ou de munic\u00edpios rurais &#8211; dos quais quase 13% s\u00e3o de origem ind\u00edgena &#8211; e os outros 35% de setores urbanos. Isso est\u00e1 muito longe de um movimento que n\u00e3o tem apoio do povo. Quanto \u00e0 quest\u00e3o do &#8220;recrutamento for\u00e7ado&#8221;, a resposta \u00e9 bem simples: fazer as pessoas lutarem por um movimento de autodetermina\u00e7\u00e3o e liberta\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s da for\u00e7a ou de amea\u00e7as resultaria apenas num desperd\u00edcio de recursos e simplesmente geraria um plantel incapaz de dar resposta \u00e0s for\u00e7as do estado, pois estariam ali n\u00e3o para vencer, mas apenas para sobreviver. Ao se examinarem os dados acima, reconhece-se facilmente que, com uma m\u00e9dia de seis ataques di\u00e1rios bem-sucedidos contra as for\u00e7as do estado \u00e9 poss\u00edvel ver al\u00e9m do que diz a propaganda da m\u00eddia dominante.<\/p>\n<p><strong>Qual foi o real objetivo dos EUA com o Plano Col\u00f4mbia? Como ele afetou as Farc-EP?<\/strong><\/p>\n<p>A partir da metade dos anos 1990, as Farc-EP demonstraram um crescimento pol\u00edtico militar que colocou os militares na defensiva. A partir disso, Washington procurou refor\u00e7ar as medidas antiguerrilha da Col\u00f4mbia esperando com isso diminuir a autoridade das Farc. Os EUA n\u00e3o podiam permitir, pol\u00edtica ou economicamente, que um movimento de insurg\u00eancia marxista-leninista chegasse ao poder em n\u00edvel hemisf\u00e9rico ou geopol\u00edtico. Os EUA estavam bem atentos ao crescimento das Farc-EP e sua crescente amea\u00e7a aos interesses pol\u00edtico-econ\u00f4micos tanto dom\u00e9sticos quanto internacionais desde antes de 1997-1998. Evid\u00eancias demonstram que Washington se envolveu com treinamentos \u00e0s for\u00e7as colombianas de contrainsurg\u00eancia e posicionou tropas estadunidenses em regi\u00f5es espec\u00edficas do pa\u00eds desde o in\u00edcio dos anos 1990. Em 1990, por exemplo, o posto da CIA na Col\u00f4mbia era o maior de seu tipo no mundo, e no fim dos anos 1990, os EUA e o estado colombiano j\u00e1 tinham estabelecido a maior campanha de contrainsurg\u00eancia na hist\u00f3ria da Am\u00e9rica Latina, o Plano Col\u00f4mbia. Para abrandar a oposi\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o ao crescente financiamento da contrainsurg\u00eancia na Col\u00f4mbia, o governo Clinton [1993-2001] camuflou o t\u00f3pico da interven\u00e7\u00e3o militar direta dos EUA sob a ret\u00f3rica de combate ao narcotr\u00e1fico do Plano Col\u00f4mbia. In\u00fameros analistas j\u00e1 afirmaram que as Farc-EP n\u00e3o ser\u00e3o e n\u00e3o podem ser derrotadas. Alguns deles, como Marc Chernick, notaram que &#8220;apesar do constante aumento da capacidade militar do estado, ele ainda n\u00e3o \u00e9 capaz de derrotar as guerrilhas hoje ou num futuro pr\u00f3ximo&#8230; sua estrutura organizacional [da guerrilha], sua base de recrutamento e sua habilidade de travar guerra de guerrilhas por todo o territ\u00f3rio nacional permanecem inalteradas.&#8221; Especialistas, desde o ex-embaixador dos EUA em El Salvador, Robert White, at\u00e9 o historiador colombiano Herbert Braun, expressaram que Bogot\u00e1 ou Washington n\u00e3o podem, de nenhuma maneira, derrotar as Farc-EP. Perto de seu final, o Plano Col\u00f4mbia, com mais de 7,7 bilh\u00f5es de d\u00f3lares colocados na estrat\u00e9gia de contrainsurg\u00eancia, n\u00e3o apenas falhou em derrotar as Farc-EP como testemunhou algumas das campanhas mais ferozes da guerrilha na d\u00e9cada.<\/p>\n<p><strong><em>Glauber Ataide e Leonardo P\u00e9ricles, Belo Horizonte<\/em><\/strong><\/p>\n<p>Fonte:\u00a0http:\/\/www.averdade.org.br<\/p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n\n\nCr\u00e9dito: A Verdade\n\n\n\n\n\n\n\n\nA Verdade\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/1825\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[34],"tags":[],"class_list":["post-1825","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c39-colombia"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-tr","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1825","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1825"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1825\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1825"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1825"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1825"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}