{"id":18259,"date":"2018-01-09T11:39:25","date_gmt":"2018-01-09T14:39:25","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=18259"},"modified":"2018-01-09T11:39:25","modified_gmt":"2018-01-09T14:39:25","slug":"ricos-e-pobres","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/18259","title":{"rendered":"Ricos e pobres"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"Ricos e pobres\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/vocemaisrico.com\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/Rico-e-Pobre.jpg\" alt=\"Ricos e pobres\" \/><!--more-->Jorge Cadima<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.odiario.info\/ricos-e-pobres\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">ODi\u00e1rio.info<\/a><\/p>\n<p>Alguns ide\u00f3logos do capitalismo constatam como as desigualdades se acentuam de forma radical e como o capitalismo \u00e9 incapaz de dar resposta ao problema, mau \u00abn\u00e3o apenas para a paz social, mas at\u00e9 para a sobreviv\u00eancia das democracias est\u00e1veis\u00bb. A sua op\u00e7\u00e3o de classe n\u00e3o v\u00ea sa\u00edda que n\u00e3o seja catastr\u00f3fica. Acontece que a \u00fanica sa\u00edda que existe \u2013 a sa\u00edda revolucion\u00e1ria \u2013 ser\u00e1 catastr\u00f3fica para o capitalismo, mas n\u00e3o para os povos.<\/p>\n<p>O \u00cdndice de Bilion\u00e1rios da Bloomberg revela que os 500 indiv\u00edduos mais ricos do planeta chegaram ao fim de 2017 com fortunas superiores em 24% ao que detinham no in\u00edcio do ano. Esta percentagem \u00e9 id\u00eantica ao aumento em 2017 do \u00edndice Dow Jones da Bolsa de Nova Iorque, que desde a elei\u00e7\u00e3o de Trump j\u00e1 bateu por 87 vezes o seu pr\u00f3prio recorde (<a href=\"http:\/\/thebalance.com\/\">thebalance.com<\/a>, 28.12.17). O novo m\u00e1ximo hist\u00f3rico de fim de ano foi ajudado pela nova lei fiscal de Trump, que ofereceu como enorme prenda de Natal \u00e0s grandes empresas uma baixa da sua taxa de impostos, de 35% para 21% (<a href=\"http:\/\/thebalance.com\/\">thebalance.com<\/a>, 27.12.17). Mas a mesma fonte informa que \u00abas grandes empresas n\u00e3o pagam na realidade a taxa m\u00e1xima de imposto federal [sendo] a taxa real de cerca de 18%\u00bb e n\u00e3o 35%. Segundo o professor norte-americano James Petras, \u00abentre 67% e 72% das grandes empresas tiveram uma taxa fiscal nula, ap\u00f3s as dedu\u00e7\u00f5es e isen\u00e7\u00f5es\u2026 enquanto os seus oper\u00e1rios e empregados pagavam cerca de 25% a 30% em impostos. [\u2026] A taxa para a minoria das grandes empresas que pagaram algum imposto, foi de 14%\u00bb (<a href=\"http:\/\/globalresearch.ca\/\">globalresearch.ca<\/a>, 5.10.17). Ao mesmo tempo, \u00abas maiores empresas dos EUA estacionaram mais de 2,5 bili\u00f5es de d\u00f3lares em para\u00edsos fiscais [\u2026] e receberam 14,4 bili\u00f5es em ajudas com dinheiro do Estado\u00bb. Comenta Petras: \u00aba classe dominante aperfei\u00e7oou a \u2018tecnologia\u2019 de explorar o Estado\u00bb e n\u00e3o apenas os trabalhadores.<\/p>\n<p>A natureza cada vez mais exploradora e parasit\u00e1ria do capitalismo atual merece reparo de Martin Wolf, economista chefe no Financial Times (20.12.17). Referindo n\u00fameros de desigualdades crescentes, escreve que esta tend\u00eancia \u00e9 m\u00e1 \u00abn\u00e3o apenas para a paz social, mas at\u00e9 para a sobreviv\u00eancia das democracias est\u00e1veis\u00bb dos pa\u00edses mais ricos. Escreve Wolf: \u00abO poder cria riqueza e a riqueza cria poder\u00bb. Perguntando se algo pode inverter o processo de crescente desigualdade diz: \u00absim [\u2026], os quatro cavaleiros da cat\u00e1strofe: a guerra, a revolu\u00e7\u00e3o, as epidemias e a fome\u00bb. De forma nada inocente, confessa que o capitalismo n\u00e3o \u00e9 reform\u00e1vel. E repete: \u00abno s\u00e9culo XX, revolu\u00e7\u00f5es (na Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica e China, por exemplo) e duas guerras mundiais reduziram dramaticamente as desigualdades. Mas quando os regimes revolucion\u00e1rios amoleceram (ou colapsaram) ou as exig\u00eancias da guerra se afastaram nas mem\u00f3rias [\u2026] novas elites imensamente ricas emergiram, alcan\u00e7aram o poder pol\u00edtico e de novo o usaram para os seus fins\u00bb.<\/p>\n<p>A am\u00e1lgama \u00e9 venenosa. N\u00e3o foram as guerras mundiais que \u2018reduziram dramaticamente as desigualdades\u2019, mas o fato de que essas guerras, geradas pelo capitalismo, conduziram \u00e0s grandes revolu\u00e7\u00f5es sociais do s\u00e9culo XX. E as vit\u00f3rias contrarrevolucion\u00e1rias que de novo aumentaram dramaticamente as desigualdades foram efusivamente saudadas e promovidas por Wolf e os seus correligion\u00e1rios, que com elas lucraram. Agora Wolf quer deixar-nos a op\u00e7\u00e3o entre aceitar a pilhagem ou perecer num holocausto: \u00abA implica\u00e7\u00e3o parece ser que, na aus\u00eancia de algum acontecimento catastr\u00f3fico, estamos de regresso \u00e0s desigualdades sempre crescentes. A guerra termo-nuclear seria igualizadora. Mas a cat\u00e1strofe n\u00e3o \u00e9 uma [op\u00e7\u00e3o] pol\u00edtica\u00bb.<\/p>\n<p>Separando o trigo do joio confusionista, o artigo de Wolf revela a verdade. Longe de ser uma \u2018cat\u00e1strofe\u2019, a revolu\u00e7\u00e3o \u00e9 a \u00fanica solu\u00e7\u00e3o para quebrar a espiral de explora\u00e7\u00e3o e pilhagem sem fim dos povos. O capitalismo apenas traz a mis\u00e9ria e a guerra. N\u00e3o \u00e9 reform\u00e1vel.<\/p>\n<p><strong>*Este artigo foi publicado no \u201cAvante!\u201d n\u00ba 2301, 4.01.2018<\/strong><\/p>\n<p>https:\/\/www.odiario.info\/ricos-e-pobres\/<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/18259\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[38],"tags":[226],"class_list":["post-18259","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c43-imperialismo","tag-4b"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-4Kv","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18259","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=18259"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18259\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=18259"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=18259"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=18259"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}