{"id":1829,"date":"2011-09-04T12:21:27","date_gmt":"2011-09-04T12:21:27","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=1829"},"modified":"2011-09-04T12:21:27","modified_gmt":"2011-09-04T12:21:27","slug":"comandante-das-farc-responde-a-jornalista-espanhol","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/1829","title":{"rendered":"Comandante das FARC responde a jornalista espanhol"},"content":{"rendered":"\n<p align=\"justify\"><strong>&#8211; As FARC sofreram os seus mais duros golpes durante o governo Uribe, como a Opera\u00e7\u00e3o Jaque, a Opera\u00e7\u00e3o F\u00e9nix, a Opera\u00e7\u00e3o Camale\u00e3o. Em que situa\u00e7\u00e3o se encontra a guerrilha? Quais s\u00e3o os seus efectivos e que territ\u00f3rio controla?<\/strong><\/p>\n<p>AC: Para ser honesto o golpe mais s\u00e9rio e mais substancial que recebemos foi ap\u00f3s a segunda confer\u00eancia da guerrilha realizada em 1966, no departamento de Quind\u00edo, onde perdemos uma grande quantidade de combatentes e 70% das armas. S\u00f3 ap\u00f3s a quinta confer\u00eancia, muitos anos depois, o comandante Marulanda poderia dizer: &#8220;Finalmente recuper\u00e1mos do mal que quase nos liquidou.&#8221;<\/p>\n<p>Operativos como Jaque, desenvolvido a partir da trai\u00e7\u00e3o do chefe da unidade de guerrilha que vendeu os prisioneiros de guerra sob sua cust\u00f3dia, n\u00e3o possuem as conota\u00e7\u00f5es propagandeadas pelo governo. Temos resgatado in\u00fameras vezes os nossos prisioneiros das pris\u00f5es do Estado. S\u00e3o ac\u00e7\u00f5es de guerra que obrigam as partes a tomarem novas medidas de seguran\u00e7a. N\u00e3o modificam a concep\u00e7\u00e3o nem os desenhos operacionais, e muito menos a estrat\u00e9gia operacional de nossas for\u00e7as.<\/p>\n<p>Nos \u00faltimos nove anos, e, como resultado da maior inger\u00eancia militares dos EUA nos assuntos internos da Col\u00f4mbia, a guerra intensificou-se. Temos sofrido golpes. As mortes de Ra\u00fal, de Jorge, de Ivan R\u00edos e de muitos camaradas, doem-nos e geram a dor revolucion\u00e1ria que desencadeia, impar\u00e1vel, maior compromisso com os nossos ideais do socialismo. J\u00e1 a assimilamos. Com o legado e o exemplo de nossos her\u00f3is e m\u00e1rtires, as novas gera\u00e7\u00f5es tomam o seu lugar na trincheira, novas gera\u00e7\u00f5es de revolucion\u00e1rios dispostos, como os mais velhos, a dar tudo, at\u00e9 a vida, pelos objectivos da Nova Col\u00f4mbia.<\/p>\n<p>Mas sabemos que em toda a guerra existem mortes, em ambos os lados, e a Col\u00f4mbia n\u00e3o \u00e9 excep\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m estes nove anos, t\u00eam mostrado a dimens\u00e3o e a qualidade do compromisso das FARC com os nossos ideais de mudan\u00e7a e transforma\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria. Como \u00e9 evidente tamb\u00e9m temos atingido as for\u00e7as militares e paramilitares do Estado, as institucionais e as para-institucionais, todas, incluindo aquelas que atiram a pedra e escondem a m\u00e3o, que cinicamente dizem desconhecer a estrat\u00e9gia dos &#8220;falsos positivos&#8221;, que negam nos media a sua coniv\u00eancia com o narcoparamilitarismo, mas lhe abrem na escurid\u00e3o da noite as portas secretas de seus pal\u00e1cios, mans\u00f5es e fazendas para conspirar contra a conviv\u00eancia, a democracia e contra o povo.<\/p>\n<p>As FARC mant\u00eam a sua influ\u00eancia, s\u00f3lida influ\u00eancia, nas \u00e1reas onde existem, em todos os cantos do territ\u00f3rio nacional, nascida e enraizada na correc\u00e7\u00e3o da nossa abordagem pol\u00edtica, no nosso trabalho e apoio permanente \u00e0s comunidades, no respeito por todas e pela nossa autoridade, decorrente do compromisso sincero de quem n\u00e3o pretende nada em troca do seu esfor\u00e7o, excepto a satisfa\u00e7\u00e3o de trazer a esperan\u00e7a ao povo na sua pr\u00f3pria capacidade de mobiliza\u00e7\u00e3o, organiza\u00e7\u00e3o, luta e seu futuro bem-estar.<\/p>\n<p>N\u00e3o posso comentar sobre quantas unidades comp\u00f5em as FARC-EP, porque somos uma organiza\u00e7\u00e3o irregular. Mas, temos ac\u00e7\u00f5es, trabalhamos e lutamos em todo o pa\u00eds.<\/p>\n<p><strong>&#8211; O que h\u00e1 de verdade sobre o suposto conte\u00fado do computador de Ra\u00fal Reyes? <\/strong><\/p>\n<p>AC: Os elementos que poderiam ter continuado a trabalhar ap\u00f3s o bombardeamento do camarada Raul e sua guarda, foram manipulados pelo governo. Nem a pr\u00f3pria INTERPOL quis comprometer-se com a trucul\u00eancia de Alvaro Uribe e declarou publicamente ap\u00f3s uma an\u00e1lise detalhada, que havia sido quebrada a cadeia de seguran\u00e7a, o que significa, em linguagem simples, que depois da morte de Raul o conte\u00fado do disco r\u00edgido &#8220;sobrevivente&#8221; foi manipulado, se \u00e9 que existia ainda depois de tal inferno de explosivos. Tratava-se de inventar e torcer eventos para chantagear as FARC e muitos amigos da paz na Col\u00f4mbia com esse estilo particular que caracteriza o Sr. Alvaro Uribe e que imp\u00f4s ao seu governo. Esta semana, a Suprema Corte declarou ilegal qualquer prova levantada sobre os computadores de Raul Reyes precisamente porque eles manipularam os materiais supostamente encontrados e desvirtuaram-se os procedimentos judici\u00e1rios.<\/p>\n<p>Curiosamente, n\u00e3o foi divulgado nenhum relat\u00f3rio, que o comandante devia conservar, por exemplo, sobre pagamentos a oficiais superiores da pol\u00edcia, os generais de hoje, que fez o traficante Wilber Varela e que comentou pessoalmente e com detalhes a um dos nossos comandantes no Valle del Cauca coronel Danilo Gonzalez, o qual ainda na actividade, procurou as FARC pretendendo a liberta\u00e7\u00e3o de alguns suspeitos, que t\u00ednhamos retido; nem se mencionaram relat\u00f3rios precisos sobre o uso pleno da DAS pelos paramilitares, com pleno consentimento do ent\u00e3o Presidente, ou de reuni\u00f5es, de u\u00edsque na m\u00e3o, em Bogot\u00e1, de chefes paramilitares com altas personalidades para planejar ataques \u00e0 esquerda, nem outras que tornariam muito extensa esta entrevista e que, certamente, n\u00e3o inclu\u00edram nas c\u00f3pias que foram dando a alguns de seus governos amigos, \u00e0 CIA, ao MI5 e ao MI6 brit\u00e2nicos, \u00e0 Mossad israelense e outras hist\u00f3rias improv\u00e1veis que continuam publicitando atrav\u00e9s das suas organiza\u00e7\u00f5es de bolso.<\/p>\n<p><strong>&#8211; Voc\u00ea acha que o processo de desmobiliza\u00e7\u00e3o paramilitar impulsionado pela lei de Justi\u00e7a e Paz tem sido bem sucedido? Qual \u00e9 a sua opini\u00e3o sobre este processo? <\/strong><\/p>\n<p>AC: Esse processo foi planeado e executado como uma farsa para branquear os verdadeiros l\u00edderes do paramilitarismo logo que Alvaro Uribe, um deles, ganhou as elei\u00e7\u00f5es presidenciais em 2002.<\/p>\n<p>Como cobertura, eles usaram narcotraficantes e pistoleiros como l\u00edderes da contra-insurg\u00eancia, a quem prometeram estatuto pol\u00edtico e respeito por suas incalcul\u00e1veis fortunas. Logo os descartaram numa hist\u00f3ria que se repete, onde a aristocracia e alguns infractores procuram o poder e riqueza utilizando criminosos e bandidos, que s\u00e3o posteriormente condenados, presos ou enviados para assassinar, num repetido espect\u00e1culo de esc\u00e1rnio p\u00fablico.<\/p>\n<p>O pa\u00eds sabe que o paramilitarismo \u00e9 uma estrat\u00e9gia do estado para assassinar sistematicamente advers\u00e1rios, procurando esconder o sangue que mancha as principais institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas, por tr\u00e1s de bandos de sic\u00e1rios e criminosos da apar\u00eancia civil.<\/p>\n<p>A oligarquia colombiana, impotente na luta contra o progresso da ac\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria, entregou-se \u00e0 pr\u00e1tica paramilitar, \u00e0 qual, no final da d\u00e9cada de 70, articulou com o nascente narcotr\u00e1fico, dando origem ao narcoparamilitarismo, elogiado e consentido socialmente pelos poderosos durante largos anos, que agora est\u00e3o lutando para escapar do estigma e lavar as suas pr\u00f3prias porcarias.<\/p>\n<p>Traficantes que acreditaram em suas palavras foram exibidos e promovidos como grandes l\u00edderes contra revolucion\u00e1rios e logo de seguida extraditados para os Estados Unidos, a fim de silenci\u00e1-los. Mais tarde, quando desde l\u00e1 e sob a press\u00e3o das v\u00edtimas chegaram a confessar a sua vilania, a mencionar os seus amigos, parceiros, contactos, padrinhos pol\u00edticos e militares, a oligarquia usou os seus meios de comunica\u00e7\u00e3o para semear a d\u00favida: como acreditar num criminoso e n\u00e3o num aristocrata, num pol\u00edtico tradicional ou num prestigioso general das For\u00e7as Armadas?<\/p>\n<p>A lei de justi\u00e7a e paz, tem sido uma grande farsa, que passou pela venda de t\u00edtulos como &#8220;comandantes paramilitares&#8221; para assassinos narcotraficantes, tamb\u00e9m passou pelas fotos de &#8220;desmobiliza\u00e7\u00f5es&#8221; de desempregados e bandidos contratados para a ocasi\u00e3o, com espingardas e armas compradas para a fotografia, e terminar\u00e1 com a absolvi\u00e7\u00e3o de Alvaro Uribe, na comiss\u00e3o de acusa\u00e7\u00f5es da C\u00e2mara dos representantes do Parlamento colombiano, excepto se os milh\u00f5es de afectados por esta estrat\u00e9gia criminosa imprimirem uma maior din\u00e2mica aos seus esfor\u00e7os e lutas e receberem uma maior solidariedade global. Somente desta forma, na Col\u00f4mbia, como sucedeu na Argentina e outros pa\u00edses tamb\u00e9m se poder\u00e3o condenar os autores e mandantes da noite negra e sangrenta em que mergulhou o pa\u00eds.<\/p>\n<p><strong>&#8211; Por que faz sentido a luta armada das FARC e n\u00e3o a defesa atrav\u00e9s de meios democr\u00e1ticos dos ideais pol\u00edticos e das transforma\u00e7\u00f5es econ\u00f3micas que consideram necess\u00e1rias? <\/strong><\/p>\n<p>AC: Porque na Col\u00f4mbia a oposi\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica e revolucion\u00e1ria \u00e9 assassinada pela oligarquia. O massacre da Uni\u00e3o Patri\u00f3tica \u00e9 a nossa demonstra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Qualquer l\u00edder ou qualquer organiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o olig\u00e1rquica que ameace os poderes olig\u00e1rquicos \u00e9 assassinado ou massacrada, como parte de uma estrat\u00e9gia oficial de Seguran\u00e7a Interna. Os poderosos institu\u00edram-na como caracter\u00edstica da sua cultura pol\u00edtica e agora incorporaram-na na concep\u00e7\u00e3o do Estado.<\/p>\n<p>Longas passagens da hist\u00f3ria nacional que remontam a Setembro de 1828 quando fac\u00e7\u00f5es\u00a0<em>pr\u00f3-gringas <\/em>colombianas de ent\u00e3o atentaram contra o Libertador Simon Bol\u00edvar, at\u00e9 anos recentes, passando pelo assassinato do Grande Marechal de Ayacucho Ant\u00f3nio Jos\u00e9 de Sucre, o l\u00edder liberal Rafael Uribe Uribe, de Jorge Eliecer Gait\u00e1n, de Jaime Pardo Leal, de Luis Carlos Galan, e Bernardo Jaramillo Ossa, de Manuel Cepeda Vargas e centenas de outros l\u00edderes, parecem ratificar uma afirma\u00e7\u00e3o popular: a oligarquia colombiana n\u00e3o entende sen\u00e3o a linguagem dos tiros.<\/p>\n<p>Aqui nas FARC pensamos que, apesar da hist\u00f3rica agress\u00e3o contra o povo que caracteriza o futuro da na\u00e7\u00e3o, \u00e9 realista e urgente trabalhar na constru\u00e7\u00e3o de espa\u00e7os de converg\u00eancia, onde, entre todos os colombianos construamos os acordos que sustentem a vida democr\u00e1tica. O comandante Jacobo Arenas insistiu em que o destino da Col\u00f4mbia n\u00e3o poderia ser a guerra civil, portanto, n\u00f3s temos lutado e lutamos de novo, para encontrar a solu\u00e7\u00e3o com diferentes governos, a sa\u00edda pol\u00edtica para o conflito colombiano. N\u00e3o foi alcan\u00e7ado porque a oligarquia pensa em rendi\u00e7\u00f5es e n\u00f3s em mudan\u00e7as de fundo, democr\u00e1ticas da vida institucional e das regras de conviv\u00eancia, mas nem por isso deixaremos de combater por uma solu\u00e7\u00e3o sem derramamento de sangue como ess\u00eancia da nossa concep\u00e7\u00e3o de apoio revolucion\u00e1ria e sustentada de uma Nova Col\u00f4mbia.<\/p>\n<p><strong>&#8211; Que li\u00e7\u00f5es tiraram da cria\u00e7\u00e3o do partido Uni\u00e3o Patri\u00f3tica? <\/strong><\/p>\n<p>AC: Foi uma experi\u00eancia tanto cheia de riqueza como dolorosa, que devemos analisar e referir constantemente. De entre as suas muitas li\u00e7\u00f5es poderia citar algumas como o dif\u00edcil que \u00e9 avan\u00e7ar num processo de resolu\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, quando a oligarquia colombiana mant\u00e9m sua estrat\u00e9gia de paz dos cemit\u00e9rios e Pax Romana, pois contra este projecto mostrou a sua mesquinhez e foi essencialmente sanguin\u00e1ria e cruel. Preferiu o assassinato de cerca de 5.000 dirigentes democr\u00e1ticos e revolucion\u00e1rios numa razia de recorte hitleriano, do que abrir espa\u00e7os para todas as vertentes da esquerda, o que, se tivesse acontecido, teria gerado uma nova din\u00e2mica no confronto pol\u00edtico e tornado poss\u00edvel a realiza\u00e7\u00e3o integral dos Acordos de La Uribe h\u00e1 25 anos.<\/p>\n<p>Com o exterm\u00ednio da UP n\u00e3o s\u00f3 se perdeu uma gera\u00e7\u00e3o quase completa de l\u00edderes revolucion\u00e1rios, a maioria deles de grande dimens\u00e3o pol\u00edtica e \u00e9tica, cuja aus\u00eancia, hoje, \u00e9 evidente na cena p\u00fablica, tanto da na\u00e7\u00e3o como do continente, como tamb\u00e9m frustrou por muitos anos, a possibilidade de assinar um acordo de conviv\u00eancia.<\/p>\n<p>A experi\u00eancia da UP ensinou-nos que qualquer progresso em direc\u00e7\u00e3o da paz que surja de acordos exige transpar\u00eancia, que cada dificuldade deve ser esclarecida antes de empreender uma nova etapa. Os Acordos de La Uribe, a origem da UP, foram sabotados pelo Comando militares desde o primeiro momento, apesar do que, lut\u00e1mos como Quixotes, para fazer avan\u00e7ar todos estes acordos,.<\/p>\n<p>Mas alcan\u00e7ar a assinatura dos acordos de paz em La Uribe em 1984 e assegurar o seu cumprimento integral at\u00e9 ao fim foi imposs\u00edvel. Os colombianos empreenderam com grande optimismo e maior entusiasmo uma hist\u00f3rica jornada para a conviv\u00eancia, mas perderam essa batalha civilizada contra a &#8220;inimigos agachados da paz &#8220;, que hoje j\u00e1 n\u00e3o se escondem tanto.<\/p>\n<p>Um processo de paz bem sucedido, tem como premissa inevit\u00e1vel o apoio, completo, determinado, claro e activo, da maioria da popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>N\u00e3o tenho a menos d\u00favida de que as novas gera\u00e7\u00f5es de colombianos, num futuro pr\u00f3ximo, ir\u00e3o homenagear e reconhecer os m\u00e1rtires da Uni\u00e3o Patri\u00f3tica que &#8220;de peito descoberto&#8221; lutaram por um pa\u00eds melhor para seus filhos, pela democracia e a conviv\u00eancia, com uma generosidade, um desprendimento e uma valentia exemplares.<\/p>\n<p><strong>&#8211; Destacados l\u00edderes da esquerda colombiana disseram ao\u00a0<em>P\u00fablico<\/em> que acreditam que a exist\u00eancia como guerrilha das FARC \u00e9 respons\u00e1vel pela &#8220;direitiza\u00e7\u00e3o extrema&#8221; da sociedade colombiana, j\u00e1 que &#8220;esquerda&#8221; se associa a guerrilha. Voc\u00ea concorda? <\/strong><\/p>\n<p>AC: Digamos genericamente, que se est\u00e1 \u00e0 esquerda, se for dada prioridade ao social, \u00e0 democracia popular e \u00e0s mudan\u00e7as revolucion\u00e1rias, em oposi\u00e7\u00e3o aqueles que privilegiam o lucro econ\u00f3mico, a hegemonia burguesa e a defesa do status quo. N\u00e3o se trata apenas de estar do lado esquerdo da direita, mas de defender integralmente os interesses de classe, populares. Plenamente.<\/p>\n<p>Fa\u00e7o um par\u00eantesis para lhe dizer que n\u00e3o ouvi nenhum l\u00edder proeminente, de esquerda, dizer o que voc\u00ea menciona na sua pergunta.<\/p>\n<p>Na Col\u00f4mbia h\u00e1 muitos, muito importantes e muito consequentes, que com enorme responsabilidade discordam da luta armada revolucion\u00e1ria, se afastam dela, mas compreendendo as suas circunst\u00e2ncias hist\u00f3ricas, trabalhando para encontrar os caminhos de uma solu\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, respeitando o compromisso dos que lutam na guerrilha e priorizando os seus debates contra a oligarquia e contra o neo-colonialismo imperial, verdadeiros geradores da viol\u00eancia na Col\u00f4mbia.<\/p>\n<p>Por certo h\u00e1 aqueles que fizeram campanha do lado da esquerda e j\u00e1 n\u00e3o defendem suas posi\u00e7\u00f5es originais, mas as do regime, como em muitas partes do mundo. H\u00e1 que respeitar as suas novas posi\u00e7\u00f5es, mas sem os registar como defensores dos interesses do povo ou coloc\u00e1-los \u00e0 esquerda no xadrez pol\u00edtico.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m pode dar-se o caso dos que procuram esconder os seus pr\u00f3prios fracassos, atr\u00e1s dos esfor\u00e7os dos outros.<\/p>\n<p>A nossa luta desde Marquetalia \u00e9 pela democracia, pela possibilidade de desenvolver uma ac\u00e7\u00e3o de massas, aberta, pelas mudan\u00e7as revolucion\u00e1rias e pelo socialismo. E esta op\u00e7\u00e3o, \u00e9 a que tem sido sabotada a tiro pela oligarquia colombiana.<\/p>\n<p>Jorge Eli\u00e9cer Gait\u00e1n foi assassinado, legislaram com o anti-comunismo como suporte durante a ditadura militar, criaram a Frente Nacional bipartid\u00e1ria para excluir e perseguir os revolucion\u00e1rios, e aprovaram uma constitui\u00e7\u00e3o em 1991, com elementos positivos na sua concep\u00e7\u00e3o e texto, mas deixando intacto o conceito de seguran\u00e7a nacional do inimigo interno que se mant\u00e9m desde h\u00e1 pouco mais de 47 anos no nosso pa\u00eds, a mesma dos paramilitares e dos falsos positivos.<\/p>\n<p>A direita na Col\u00f4mbia e no mundo, faz propaganda e espalha os seus pretextos, reais ou fict\u00edcios, para confundir, atacar e desvirtuar as lutas dos povos pelo bem-estar e o progresso social. E usa uma variedade de formas, incluindo muitos que foram militantes da esquerda.<\/p>\n<p>Nos tempos que correm, com o desenvolvimento dos meios de comunica\u00e7\u00e3o, n\u00e3o h\u00e1 confus\u00e3o poss\u00edvel. Aqueles que defendem a ordem existente, n\u00e3o o podem esconder.<\/p>\n<p>O confronto na Col\u00f4mbia prolongou-se muito. Lutar e clamar pela paz \u00e9 uma express\u00e3o de um sentimento profundamente popular e revolucion\u00e1rio.<\/p>\n<p><strong>&#8211; As FARC assinaram um pacto de n\u00e3o agress\u00e3o com a guerrilha do ELN, em Dezembro de 2009. Que obst\u00e1culos t\u00eam havido na sua implementa\u00e7\u00e3o? <\/strong><\/p>\n<p>AC: Tanto o Comando Central do ELN como o Secretariado do Estado-Maior Central das FARC-EP, temos reconhecido com sentido de autocr\u00edtica, o erro que significou n\u00e3o parar dr\u00e1stica, n\u00edtida e oportunamente as fric\u00e7\u00f5es que estavam ocorrendo em v\u00e1rias \u00e1reas do pa\u00eds entre combatentes das duas for\u00e7as.<\/p>\n<p>Agora trabalhamos com grande convic\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria em todas estas \u00e1reas para superar definitivamente as asperezas, os mal-entendidos, as emula\u00e7\u00f5es mal feitas e os confrontos. \u00c9 um processo complexo, dada a conjuntura actual, de intenso clima de confronto pol\u00edtico e militar com o Estado. Mas vamos avan\u00e7ando com solidez.<\/p>\n<p>A auto-cr\u00edtica \u00e9 profunda e n\u00f3s estamos a faz\u00ea-la. Leva tempo, h\u00e1 muito terreno a percorrer, mas avan\u00e7amos com firmeza, com consci\u00eancia, em todos os n\u00edveis das nossas organiza\u00e7\u00f5es, de que somos parte do mesmo contingente de luta popular, revolucion\u00e1ria, bolivariano, anti-imperialista e socialista. E este \u00e9 o fundamento da maneira como nos relacionamos, as converg\u00eancias que devemos trabalhar e lutar para elevar a novos n\u00edveis a necess\u00e1ria estrat\u00e9gia unificada dos revolucion\u00e1rios colombianos.<\/p>\n<p>Tom\u00e1mos o legado de um grande revolucion\u00e1rio, o sacerdote Camilo Torres Restrepo para enfatizar o que nos une. As diferen\u00e7as devem ser arejadas com mecanismos que estamos criando para isso.<\/p>\n<p>Estamos obrigados a ser um exemplo de unidade. E maturidade. Assim tamb\u00e9m contribuiremos para a unidade do povo colombiano, projectando na realidade a prioridade &#8220;do bem comum&#8221; acima de qualquer interesse particular.<\/p>\n<p>Ainda temos um longo caminho, mas j\u00e1 o come\u00e7\u00e1mos. E isso \u00e9 o estrat\u00e9gico.<\/p>\n<p><strong>&#8211; De acordo com uma ordem do Supremo Tribunal dois testemunhos de ex-membros das FARC envolvem o ex\u00e9rcito de Hugo Ch\u00e1vez nos cursos de forma\u00e7\u00e3o que a ETA deu aos guerrilheiros colombianos em territ\u00f3rio venezuelano. Os relatos dos arrependidos fazem parte de um relat\u00f3rio do Comissariado Geral de Informa\u00e7\u00e3o da Pol\u00edcia. Na sec\u00e7\u00e3o dedicada aos &#8220;factos&#8221; descreve-se como em Agosto de 2007, dois supostos membros da ETA ministraram na selva venezuelana dois cursos sobre manipula\u00e7\u00e3o de explosivos \u00e0 guerrilha das FARC. As FARC tiveram no passado rela\u00e7\u00f5es com a ETA? Mant\u00eam relacionamento no presente e, em caso afirmativo, em que consiste? <\/strong><\/p>\n<p>AC: A experi\u00eancia das FARC em explosivos, tanto no seu fabrico, como no seu armazenamento e utiliza\u00e7\u00e3o \u00e9 longa e abundante, o que, desde h\u00e1 muito tempo nos permite sustentar-nos sem recurso a qualquer tipo de ajuda, simplesmente porque n\u00e3o temos necessidade. Temos os nossos pr\u00f3prios instrutores. \u00c9 simples. Isto para rejeitar as afirma\u00e7\u00f5es sobre tais cursinhos com pessoal estrangeiro que s\u00f3 visa prejudicar o governo bolivariano da Venezuela.<\/p>\n<p>Na Col\u00f4mbia, a partir do oferecimento de dinheiro, viagens para a Europa e de consider\u00e1vel redu\u00e7\u00e3o de senten\u00e7as, alguns desertores, prestaram-se a testemunhar contra n\u00f3s e a promover as pol\u00edticas nacionais e internacionais do governo de Alvaro Uribe. Mas como a mentira n\u00e3o dura, as montagens que fabricaram a partir de milhares de falsos testemunhos est\u00e3o-se desmoronando. Todas caem como um castelo de cartas.<\/p>\n<p>Por exemplo: actualmente decorrem investiga\u00e7\u00f5es criminais e administrativas, do Procurador e da Procuradoria Geral da Rep\u00fablica contra funcion\u00e1rios do governo Uribe e altos oficiais militares da \u00e9poca, pelas com\u00e9dias que montaram, farsas, falsas deser\u00e7\u00f5es cheias de infames afirma\u00e7\u00f5es, como parte da sua ofensiva contra as FARC.<\/p>\n<p>O mundo est\u00e1-se inteirando de como em Tolima foram recrutados bandidos e desempregados, com quem &#8220;formaram&#8221; uma coluna de guerrilheiros, vestidos com uniformes militares, alguns com velhas espingardas e outros com armas de madeira. Chamados os jornalistas foram tiradas fotos, peroraram uma diatribe, deram algum dinheiro aos farsantes, vilipendiaram muitos cidad\u00e3os, que foram presos, e depois, felizes, incluindo o ent\u00e3o presidente, certificaram que o final do fim estava pr\u00f3ximo.<\/p>\n<p>Dissemos que esta era uma tend\u00eancia geral do anterior governo colombiano: tentando impor as suas pol\u00edticas fascistas, levantou todo o tipo de barreiras morais, legais, \u00e9ticas para se conceder a licen\u00e7a para difamar, caluniar, mentir e inventar. Valeria a pena a justi\u00e7a espanhola verificar e confrontar exaustivamente a informa\u00e7\u00e3o que foi fornecida no momento.<\/p>\n<p>As nossas rela\u00e7\u00f5es, neste momento, t\u00eam car\u00e1cter clandestino, com muitas organiza\u00e7\u00f5es democr\u00e1ticas e revolucion\u00e1rias do mundo, civis e armadas, s\u00e3o regidas pelas conclus\u00f5es das Confer\u00eancias da Guerrilha que, como eu disse, orientam sobre o n\u00e3o desenvolvimento de ac\u00e7\u00f5es militares em outros pa\u00edses, respeitando a soberania de cada pa\u00eds e as lutas de cada povo.<\/p>\n<p><strong>&#8211; \u00c9 verdade que as FARC pediram apoio \u00e0 ETA para atentar contra v\u00e1rias pessoas, incluindo o presidente Alvaro Uribe, quando ele visitou a Espanha ou a UE? <\/strong><\/p>\n<p>AC: Essa \u00e9 a propaganda que fez o mesmo Uribe, na Col\u00f4mbia e no exterior, para projectar uma imagem de v\u00edtima.<\/p>\n<p><strong>&#8211; As for\u00e7as de seguran\u00e7a espanholas prenderam Remedios Garcia Albert, que consideram ligada \u00e0s FARC. T\u00eam as FARC liga\u00e7\u00f5es com Remedios Garcia Albert? Se sim em que consistem? <\/strong><\/p>\n<p>AC: N\u00e3o conhe\u00e7o v\u00ednculos de Remedios Garcia com as FARC. A \u00fanica refer\u00eancia \u00e9 uma men\u00e7\u00e3o das autoridades colombianas num jornal, durante o per\u00edodo de incontin\u00eancia propagand\u00edstica que atacou o governo em volta do suposto computador do comandante Raul Reyes. Nunca, nem antes nem depois ouvi o nome dela. Eu diria, se para alguma coisa serve, que nos tempos de negocia\u00e7\u00f5es de paz em Cagu\u00e1n, grande quantidade de pessoas de todo o mundo, individualmente ou como representantes de muitas organiza\u00e7\u00f5es diversas ou governos, estiveram presentes e compartilharam pontos de vista com os nossos representantes sobre o processo que decorria. Eu n\u00e3o poderia acrescentar mais nada sobre isso.<\/p>\n<p><strong>&#8211; Qual \u00e9 a rela\u00e7\u00e3o com os governos de Cuba, Venezuela e Equador? <\/strong><\/p>\n<p>AC: Se me permite, preferia abster-me de responder acerca das nossas rela\u00e7\u00f5es com qualquer governo no mundo.<\/p>\n<p><strong>&#8211; Acham que a Espanha pode desempenhar um papel na resolu\u00e7\u00e3o do conflito colombiano? Qual? <\/strong><\/p>\n<p>AC: N\u00f3s sempre encaramos de forma positiva a participa\u00e7\u00e3o da comunidade internacional na resolu\u00e7\u00e3o pol\u00edtica do conflito. Mas dadas as suas caracter\u00edsticas actuais e as permanentes e agressivas declara\u00e7\u00f5es oficiais, \u00e9 necess\u00e1rio dar tempo ao tempo.<\/p>\n<p><strong>&#8211; O que sabe dos falsos positivos? Por que as FARC n\u00e3o fizeram mais revela\u00e7\u00f5es sobre este assunto? <\/strong><\/p>\n<p>AC: A matan\u00e7a sistem\u00e1tica de civis indefesos pelos militares e policiais, e sua posterior apresenta\u00e7\u00e3o como &#8220;guerrilheiros mortos em combate&#8221; \u00e9 uma pr\u00e1tica institucional na Col\u00f4mbia desde 1948.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 nova. \u00c9 parte de uma guerra suja feita pelo governo colombiano contra o &#8220;inimigo interno&#8221;, que tamb\u00e9m concebe e implementa o assassinato selectivo de l\u00edderes pol\u00edticos da oposi\u00e7\u00e3o, dirigentes sindicais comprometidos com os trabalhadores, o desaparecimento de militantes revolucion\u00e1rios, a tortura, o terror e massacres para intimidar e criar o medo, a paralisia, o p\u00e2nico e o deslocamento.<\/p>\n<p>Tudo isto tem sido denunciado e continua a ser. Existem centenas de livros, milhares de den\u00fancias, milhares de evid\u00eancias e de provas que mostram a responsabilidade do estado da Col\u00f4mbia no desenvolvimento desta estrat\u00e9gia, s\u00f3 que at\u00e9 agora, a comunidade internacional aceita a vers\u00e3o oficial que aponta como factos isolados sob a responsabilidade de algumas ma\u00e7\u00e3s podres, esta criminosa pr\u00e1tica institucional.<\/p>\n<p>H\u00e1 centenas de milhares de v\u00edtimas civis da guerra suja que o regime levou a cabo, segundo afirma, &#8220;em defesa das institui\u00e7\u00f5es e do Estado de Direito&#8221;. Em meados dos anos setenta, a estrat\u00e9gia de olig\u00e1rquica de terror fundiu as suas pr\u00e1ticas paramilitares com o tr\u00e1fico de drogas, sob a direc\u00e7\u00e3o e lideran\u00e7a de empres\u00e1rios poderosos, figuras proeminentes na pol\u00edtica tradicional e os altos comandantes militares, com o objectivo de refor\u00e7ar os seus crimes e acumular dinheiro proveniente do tr\u00e1fico de drogas, mas escondendo seus verdadeiros chefes e orientadores.<\/p>\n<p>Hoje, muitas evid\u00eancias come\u00e7aram a surgir, a partir das farsas das pris\u00f5es atribu\u00eddas aos militares e pol\u00edticos respons\u00e1veis por crimes hediondos, passando por usurpa\u00e7\u00f5es maci\u00e7a de terras por propriet\u00e1rios, militares, industriais e os l\u00edderes de partidos tradicionais, acordos pol\u00edticos encharcados de sangue entre chefes e traficantes, o enriquecimento desmesurado e inusitadamente r\u00e1pido de um pequeno sector social ligado aos v\u00e1rios governos destes anos, infiltrado quase sem excep\u00e7\u00e3o por dinheiro mafioso e ao seu servi\u00e7o. at\u00e9 \u00e1s liga\u00e7\u00f5es do governo com esta estrat\u00e9gia, por enquanto visualizada em duas das suas &#8220;eminentes&#8221; cabe\u00e7as, o Sr. Narvaez e Alvaro Uribe Velez.<\/p>\n<p>E ainda que at\u00e9 hoje n\u00e3o haja militares condenados pelos chamados &#8220;falsos positivos&#8221;, a sociedade avan\u00e7a na luta para chegar ao fundo do problema, avaliar cada situa\u00e7\u00e3o com precis\u00e3o, para punir os autores materiais e os autores intelectuais e mandantes, o que inevitavelmente, chegar\u00e1 aos regulamentos militares existentes, inspirados, concebidos e desenhados a partir da perspectiva de Seguran\u00e7a Interna apresentado por Washington desde os tempos da Guerra Fria, que foi um dos assuntos tabu na Assembleia Constituinte de 1991 e causa subjacente dos milhares e milhares de mortos todos estes anos. A Col\u00f4mbia perdeu muito tempo por esse veto imposto pela oligarquia nas discuss\u00f5es daqueles anos.<\/p>\n<p>Tamanho erro n\u00e3o se pode repetir. As solu\u00e7\u00f5es que requer o nosso pa\u00eds s\u00e3o estruturais, se queremos a reconcilia\u00e7\u00e3o na base certa e n\u00e3o cerzindo outro remendo como o de 1991. Por isso, tamb\u00e9m \u00e9 importante que, se construirmos um novo cen\u00e1rio baseado na solu\u00e7\u00e3o sem derramamento de sangue em algum ponto se podem incluir representantes da for\u00e7a publica, onde certamente muitos de seus membros, sem responsabilidade na baixeza da guerra suja, tamb\u00e9m estar\u00e3o clamando pela reconcilia\u00e7\u00e3o e reconstru\u00e7\u00e3o nacional.<\/p>\n<p><strong>&#8211; Depois da morte de Jorge Brice\u00f1o num atentado em 22 de Setembro [2010], o presidente Santos reiterou que agora estava \u00e0 vista o fim das FARC. O que acha disso? <\/strong><\/p>\n<p>AC: Desde 1964 que temos conhecimento de tal declara\u00e7\u00e3o oficial da boca de v\u00e1rios presidentes e ministros de guerra, \u00e0s vezes amea\u00e7adores, outras vezes na forma de promessas e outras como amea\u00e7a, sempre com a inten\u00e7\u00e3o de esconder as ra\u00edzes do conflito que tornou necess\u00e1ria a exist\u00eancia das FARC.<\/p>\n<p>Assim t\u00eam justificado a viol\u00eancia terrorista do Estado.<\/p>\n<p>Assim, ano ap\u00f3s ano, t\u00eam aumentado o or\u00e7amento militar e da pol\u00edcia, para deleite dos generais e senhores da guerra.<\/p>\n<p>Assim, eles t\u00eam escondido durante muito tempo a sua pr\u00f3pria incompet\u00eancia, intransig\u00eancia e corrup\u00e7\u00e3o profunda que corr\u00f3i as institui\u00e7\u00f5es oficiais.<\/p>\n<p>Assim pretendem cobrir a sua vergonhosa e humilhante postura de joelhos perante o Pent\u00e1gono e a Casa Branca.<\/p>\n<p>Apesar de n\u00e3o nos dedicarmos seriamente, entre todos, \u00e0 procura das solu\u00e7\u00f5es para os problemas estruturais do pa\u00eds, a confronta\u00e7\u00e3o ser\u00e1 inevit\u00e1vel. Umas vezes mais intensa, outros menos. \u00c0s vezes, com a iniciativa militar do Estado, outras, com a iniciativa popular, numa tr\u00e1gica ciclotimia que devemos superar, inteligentemente, com grandeza hist\u00f3rica.<\/p>\n<p>Como o confronto continua, haver\u00e1 mais mortes. Em ambos os lados. Mais trag\u00e9dias para o povo. E n\u00e3o haver\u00e1 paz nem conviv\u00eancia na Col\u00f4mbia.<\/p>\n<p>N\u00e3o se trata da morte de um ou outro comandante guerrilheiro. O conflito n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o f\u00e1cil ou simples. As circunst\u00e2ncias hist\u00f3ricas do pa\u00eds s\u00e3o particulares. A exist\u00eancia de guerra de guerrilha revolucion\u00e1ria na Col\u00f4mbia n\u00e3o \u00e9 um resultado do voluntarismo de um punhado de valentes ou de aventureiros, de &#8220;terroristas&#8221;, ou &#8220;narco-terroristas&#8221;. Tais adjectivos podemos deix\u00e1-los para a propaganda oficial. A insurg\u00eancia colombiana reflecte a s\u00famula de uma s\u00e9rie de diferentes factores estruturais que os governos n\u00e3o podem teimosamente e criminosamente, continuar a ignorar.<\/p>\n<p>A oligarquia colombiana formou umas for\u00e7as armadas de mais de 500 mil homens num pa\u00eds de cerca de 45 milh\u00f5es de pessoas com enormes necessidades e car\u00eancias. Inaudito! Quase um quinto do or\u00e7amento nacional do pr\u00f3ximo ano \u00e9 para gastos militares. Investiu-se cerca de 10 mil milh\u00f5es de d\u00f3lares de ajuda dos EUA ao abrigo do Plano Col\u00f4mbia, para uma guerra fracassada. No entanto, o confronto continua.<\/p>\n<p>Quando eles bombardearam o acampamento do comandante Jorge Brice\u00f1o, com quase uma centena de aeronaves que deixaram cair milhares e milhares de toneladas de explosivos durante muitos dias, num inferno dantesco, instalaram na periferia do local tendas com espelhos e presentes, alimentos e roupas novas, sapatos, Reebok e Nike convidando os guerrilheiros por meio de alto-falantes durante semanas, \u00e0 trai\u00e7\u00e3o e deser\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Tudo o que obtiveram foi uma resposta militar da guerrilha her\u00f3ica, cheia de consci\u00eancia moral e revolucion\u00e1ria, que produziu centenas de baixas na for\u00e7a de ocupa\u00e7\u00e3o e o afluxo maci\u00e7o de novos guerrilheiros \u00e0 regi\u00e3o e muitas outras zonas do pa\u00eds.<\/p>\n<p>A aproxima\u00e7\u00e3o \u00e0 paz democr\u00e1tica, a conviv\u00eancia e a justi\u00e7a social n\u00e3o pode ser medida em litros de sangue. Sabe-o o pa\u00eds e, claro, o presidente Santos.<\/p>\n<p><strong>&#8211; No seu \u00faltimo relat\u00f3rio, a ONG colombiana Nuevo Arco Iris, que acompanha o desenvolvimento do conflito militar cruzando informa\u00e7\u00e3o oficial e de analistas, embora reconhecendo a supremacia a\u00e9rea do governo, disse que o combate em terra lhe \u00e9 reconhecidamente adverso. Quais s\u00e3o os resultados reais desse confronto? <\/strong><\/p>\n<p>AC: Gostaria de observar que todos os dias h\u00e1 combates e actos de guerra entre a guerrilha e a for\u00e7a publica institucional na maior parte dos 32 departamentos do pa\u00eds, onde se obt\u00eam vit\u00f3rias e \u00e0s vezes se recebem golpes, num confronto que se prolongou no tempo e em que a iniciativa militar se altera ao longo do tempo em diferentes \u00e1reas, mas n\u00e3o de forma estrat\u00e9gica. Os relat\u00f3rios militares que trazemos a p\u00fablico, quantificam os efeitos da guerra no nosso advers\u00e1rio e nas nossas pr\u00f3prias fileiras com n\u00fameros irrefut\u00e1veis.<\/p>\n<p>Gostaria de destacar que a ofensiva oficial lan\u00e7ada h\u00e1 mais de 11 anos a partir do chamado Plano Col\u00f4mbia, projectado no Pent\u00e1gono, dirigido e financiado por eles e alimentado incansavelmente por armamento da \u00faltima gera\u00e7\u00e3o a partir de Washington, fracassou. \u00c9 a opera\u00e7\u00e3o de contra-revolu\u00e7\u00e3o maior e mais avan\u00e7ada e longa no continente e \u00e9 tamb\u00e9m a maior demonstra\u00e7\u00e3o de que a solu\u00e7\u00e3o do conflito na Col\u00f4mbia n\u00e3o passa pela Pax Romana.<\/p>\n<p><strong>&#8211; Quais as condi\u00e7\u00f5es que exigem hoje para desmobilizar? <\/strong><\/p>\n<p>AC: Desmobiliza\u00e7\u00e3o \u00e9 sinonimo de in\u00e9rcia, \u00e9 entrega covarde, \u00e9 rendi\u00e7\u00e3o e trai\u00e7\u00e3o \u00e0 causa popular e \u00e0s ideias revolucion\u00e1rias que cultivamos e lutamos pela transforma\u00e7\u00e3o social, \u00e9 uma indignidade que tem impl\u00edcita uma mensagem de desesperan\u00e7a para o povo que confia no nosso compromisso e proposta bolivariana.<\/p>\n<p>N\u00e3o temos nenhuma hesita\u00e7\u00e3o, nenhuma d\u00favida sobre o nosso dever de lutar constantemente e sem descanso, com convic\u00e7\u00e3o e optimismo, pela solu\u00e7\u00e3o pol\u00edtica do conflito, sem derramamento de sangue. N\u00f3s os colombianos, com a contribui\u00e7\u00e3o de pa\u00edses amigos, devemos construir um cen\u00e1rio de di\u00e1logo, onde haja ades\u00e3o e trabalho em conjunto num processo para celebrar acordos, cuja materializa\u00e7\u00e3o incida fortemente e de forma irrevers\u00edvel na liquida\u00e7\u00e3o das causas que deram origem ao conflito armado e hoje o alimentam.<\/p>\n<p>Uma vez erguido o cen\u00e1rio, num processo que tamb\u00e9m deve actuar na reconstru\u00e7\u00e3o da confian\u00e7a entre as partes, teremos de falar sobre os prisioneiros de guerra, militares, policias e guerrilheiros detidos pelas partes como um aspecto pol\u00edtico e humanit\u00e1rio priorit\u00e1rio. E em fun\u00e7\u00e3o de objectivos a longo prazo, contamos como ponto de partida com uma ferramenta excepcional que \u00e9 a Agenda Comum para a Mudan\u00e7a para uma Nova Col\u00f4mbia, assinado como acordo entre o Estado colombiano e as FARC-EP, em El Cagu\u00e1n.<\/p>\n<p>Claro que o importante \u00e9 construir o cen\u00e1rio, com vontade e decis\u00e3o pol\u00edtica, pensando no pa\u00eds e seu futuro, abstraindo das mentiras inventadas pela propaganda oficial que afastam a solu\u00e7\u00e3o final, porque fazem pensar no estabelecimento com os seus pr\u00f3prios desejos. E nestes processos \u00e9 essencial manter os p\u00e9s no ch\u00e3o.<\/p>\n<p>As tentativas dolorosamente frustrantes que tivemos desde La Uribe em 1984, para encontrar maneiras civilizadas, s\u00e3o evid\u00eancias das enormes dificuldades envolvidas em encontrar o caminho certo, sem que isso implique ren\u00fancia.<\/p>\n<p>A Col\u00f4mbia est\u00e1 passando por um momento cr\u00edtico porque acabou de terminar o per\u00edodo do governo mais violento e corrupto da hist\u00f3ria nacional, aquele liderado por \u00c1lvaro Uribe. Dezenas de congressistas e l\u00edderes pol\u00edticos que participaram na sua campanha presidencial e na sua gest\u00e3o est\u00e3o na cadeia condenados como mandantes do narcoparamilitarismo, muitos outros enfrentam investiga\u00e7\u00e3o preliminar pelo Minist\u00e9rio P\u00fablico e do Supremo Tribunal, v\u00e1rios dos seus ministros tamb\u00e9m s\u00e3o indiciados e s\u00e3o investigados, enquanto dezenas de quadros m\u00e9dios dessa administra\u00e7\u00e3o j\u00e1 est\u00e3o presos, todos por corrup\u00e7\u00e3o e\/ou paramilitarismo.<\/p>\n<p>O v\u00e9u est\u00e1 prestes a cair. A capa de teflon constru\u00edda pelos amigos de Uribe permitindo o enriquecimento desmesurado desse c\u00edrculo mafioso, como resultado de uma incomensur\u00e1vel corrup\u00e7\u00e3o administrativa, a contemporiza\u00e7\u00e3o complacente de muitos com a estrat\u00e9gia e pr\u00e1tica paramilitares que era conhecida e a sua fascist\u00f3ide rejei\u00e7\u00e3o visceral de uma solu\u00e7\u00e3o pol\u00edtica do conflito, todos esse vergonhoso v\u00e9u, est\u00e1 prestes a cair, o que abrir\u00e1 novas perspectivas para uma verdadeira democracia.<\/p>\n<p>Quando, para al\u00e9m da viol\u00eancia e da corrup\u00e7\u00e3o, a natureza a\u00e7oita o pa\u00eds com a chuva inclemente, est\u00e1 pedindo aos seus dirigentes grandeza e estatura hist\u00f3rica para enfrentar a dif\u00edcil conjuntura e project\u00e1-lo com for\u00e7a para o futuro.<\/p>\n<p>Os \u00f3dios doentios espalhados pelo governo anterior, que polarizaram a Col\u00f4mbia, est\u00e3o acabando o seu prazo. As licen\u00e7as que se arrogou para burlar a lei como rotina est\u00e3o terminando atrav\u00e9s da Procuradoria, dos Ju\u00edzes e dos Tribunais. Ter recuado o DAS aos tempos da tenebrosa POPOL, pol\u00edcia pol\u00edtica do regime nos anos 50, n\u00e3o ser\u00e1 um crime impune.<\/p>\n<p>A insana insist\u00eancia uribista em apontar as FARC como terrorista, n\u00e3o ofusca a verdade nua e crua sobre a exist\u00eancia do conflito armado na Col\u00f4mbia contida no projecto da chamada Lei de v\u00edtimas, se considerarmos que foi sobre a tese mentirosa da inexist\u00eancia de conflito, que Uribe edificou o seu palanque fascista.<\/p>\n<p>Como revolucion\u00e1rios que temos dado tudo pelos nossos ideais e o bem-estar do povo, persistimos na resolu\u00e7\u00e3o pol\u00edtica do conflito.<\/p>\n<p>Montanhas da Col\u00f4mbia, 21 de Maio 2011<\/p>\n<p>16\/Junho\/2011<\/p>\n<p><strong>O original encontra-se em\u00a0<a href=\"http:\/\/frentean.blogspot.com\/\" target=\"_blank\">http:\/\/frentean.blogspot.com<\/a> . Tradu\u00e7\u00e3o de Guilherme Coelho. <\/strong><\/p>\n<p><strong>Esta entrevista encontra-se em\u00a0<a href=\"http:\/\/resistir.info\/\" target=\"_blank\">http:\/\/resistir.info\/<\/a> .<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n\n\nCr\u00e9dito: Resistir.info\n\n\n\n\n\n\n\n\nResistir.info\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/1829\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[34],"tags":[],"class_list":["post-1829","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c39-colombia"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-tv","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1829","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1829"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1829\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1829"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1829"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1829"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}