{"id":18383,"date":"2018-01-16T19:00:53","date_gmt":"2018-01-16T22:00:53","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=18383"},"modified":"2018-01-16T19:55:20","modified_gmt":"2018-01-16T22:55:20","slug":"exploracao-infantil-e-comercializacao-do-corpo-da-crianca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/18383","title":{"rendered":"Explora\u00e7\u00e3o infantil e comercializa\u00e7\u00e3o do corpo da crian\u00e7a"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"Explora\u00e7\u00e3o infantil e comercializa\u00e7\u00e3o do corpo da crian\u00e7a\" src=\"https:\/\/upload.wikimedia.org\/wikipedia\/commons\/6\/63\/Child_labour_cartoon_Hine_no_2871.jpg\" alt=\"Explora\u00e7\u00e3o infantil e comercializa\u00e7\u00e3o do corpo da crian\u00e7a\" \/><!--more-->Por Larissa Gouveia* e Rikartiany Cardoso**<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/anamontenegro.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Coletivo Feminista Classista Ana Montenegro<\/a><\/p>\n<p>&#8220;S\u00f3 havia tr\u00eas coisas sagradas na vida: a inf\u00e2ncia, o amor e a doen\u00e7a. Tudo se podia atrai\u00e7oar no mundo, menos uma crian\u00e7a, o ser que nos ama e um enfermo. Em todos esses casos a pessoa est\u00e1 indefesa.&#8221; Miguel Torga<\/p>\n<p>No in\u00edcio da semana foi ao ar um videoclipe no Youtube, caracterizado como uma par\u00f3dia de &#8221;Vai Malandra&#8221;. &#8221;Vai Baranga&#8221;, na ocasi\u00e3o, \u00e9 encenada por uma crian\u00e7a que hoje tem 10 anos de idade, mas que carrega nas costas alguns anos de holofote no bizarro mundo midi\u00e1tico. O aparecimento da menina chamada Gabriella, mas que foi incorporada pelos pais ao mundo da explora\u00e7\u00e3o infantil como Melody, se iniciou em meados de 2015 quando a menina tinha 8 anos incompletos. Cantando em v\u00eddeos postados nas redes sociais, conseguiu milhares de alcance tornando-se palco para grupos que riam de suas performances. Nesse mesmo ano, uma s\u00e9rie de questionamentos sobre a sexualiza\u00e7\u00e3o infantil vieram a tona e seu pai, que deveria ser respons\u00e1vel pela integridade f\u00edsica e emocional da menina, principalmente na fase da vida onde a inoc\u00eancia n\u00e3o deveria ser corrompida, foi processado por explora\u00e7\u00e3o infantil. Precisamos falar sobre Melody. E mais do que isso, al\u00e9m de colocar a quest\u00e3o da hipersexualiza\u00e7\u00e3o desta crian\u00e7a, \u00e9 necess\u00e1rio discutir e combater a explora\u00e7\u00e3o infantil e a comercializa\u00e7\u00e3o do corpo da crian\u00e7a que no final das contas, n\u00e3o tem inf\u00e2ncia.<\/p>\n<p>Considerando os padr\u00f5es ocidentais que conduzem o belo no art\u00edstico, a menina n\u00e3o canta bem. Ficou conhecida na m\u00eddia por alcan\u00e7ar agudos desafinados que repercutem nas redes como motivo para chacota. O que pouco se discute \u00e9 que os agudos desafinados deveriam ser um alerta para a sociedade se atentar ao que realmente acontece dentro e fora dos bastidores e que externa a pouca idade dela.<\/p>\n<p>Ser crian\u00e7a e ter inf\u00e2ncia, infelizmente, s\u00e3o coisas e conceitos diferentes. Phillipe Ari\u00e8s (1960) em A Hist\u00f3ria Social da Inf\u00e2ncia e da Fam\u00edlia, discorre sobre como os tipos de inf\u00e2ncia mudam de acordo com o sistema implantado na sociedade dividida em classes. Quanto mais pr\u00f3ximo da barb\u00e1rie, mais perverso se torna o tipo de inf\u00e2ncia que a crian\u00e7a tem ou simplesmente n\u00e3o t\u00eam. S\u00e3o tratados como adultos em miniatura, sendo assim, pode ser visto, tratado e agir como tal.<br \/>\nA forma como a menina foi exposta desde os primeiros anos da inf\u00e2ncia a ensinou a como se socializar. E pelo que \u00e9 expressado nos v\u00eddeos e declara\u00e7\u00f5es em redes sociais, a crian\u00e7a foi ensinada a ter uma rela\u00e7\u00e3o desinibida e de comercializa\u00e7\u00e3o do corpo, que para ela possivelmente \u00e9 extremamente natural. Provavelmente tendo forte influ\u00eancia quando a menina se tornar uma mulher.<\/p>\n<p>As crian\u00e7as do meio art\u00edstico s\u00e3o obrigadas, pelo meio em que est\u00e3o inseridas, a secundarizar o que para n\u00f3s deveria ser uma boa inf\u00e2ncia. Como o direito de brincar, de estudar, n\u00e3o ter preocupa\u00e7\u00f5es e grandes responsabilidades al\u00e9m das que deve ter consigo mesma minimamente. Isso ocorre porque a rela\u00e7\u00e3o trabalho e meio art\u00edstico \u00e9 posta como prioridade. Sempre respingando na imagem vendida para a m\u00eddia burguesa.<\/p>\n<p>O Minist\u00e9rio P\u00fablico de S\u00e3o Paulo abriu recentemente um inqu\u00e9rito sob o fundamento de \u201cviola\u00e7\u00e3o ao direito ao respeito e \u00e0 dignidade de crian\u00e7as\/adolescentes \u201c, colocando que os impactos s\u00e3o nocivos no desenvolvimento do p\u00fablico infantil e de adolescentes, tanto de quem se exibe quanto daqueles que o acessam. Assim, n\u00e3o s\u00f3 se limitando ao referido caso, mas aos demais que est\u00e3o em ascens\u00e3o, assim como nas problem\u00e1ticas decorrentes.<\/p>\n<p>O contexto n\u00e3o esconde apenas a exposi\u00e7\u00e3o e a hipersexualiza\u00e7\u00e3o de crian\u00e7as e adolescentes, mas tamb\u00e9m a explora\u00e7\u00e3o da m\u00e3o de obra infantil. O trabalho infantil art\u00edstico, como \u00e9 o caso da Melody, pode ser aceito abaixo dessa faixa et\u00e1ria, excepcionalmente, desde que com a devida autoriza\u00e7\u00e3o judicial e adotadas cautelas correspondentes \u00e0 prote\u00e7\u00e3o integral da crian\u00e7a, com especial aten\u00e7\u00e3o para a preserva\u00e7\u00e3o de sua integridade f\u00edsica, ps\u00edquica e moral como preconiza o Estatuto da Crian\u00e7a e do Adolescente. Trabalho infantil \u00e9 toda forma de trabalho exercido por crian\u00e7as e adolescentes abaixo da idade m\u00ednima legal permitida para o trabalho, conforme a legisla\u00e7\u00e3o de cada pa\u00eds.<\/p>\n<p>No Brasil, de acordo com a Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU) e Conven\u00e7\u00e3o n\u00ba 182 da Organiza\u00e7\u00e3o Internacional de Trabalho (OIT), a palavra &#8220;crian\u00e7a&#8221; \u00e9 aplicada a todos com idade inferior a 18 anos. Ao come\u00e7arem a trabalhar precocemente, e nem sempre com as condi\u00e7\u00f5es exigidas por lei, nasce uma dificuldade em conciliar os estudos, brincadeiras, deveres. A vida de uma crian\u00e7a normal com a vida laboral, al\u00e9m de fomentar precocemente (que por si s\u00f3 sua l\u00f3gica j\u00e1 \u00e9 perversa) uma din\u00e2mica mercadol\u00f3gica exorbitante e que \u00e9 incorporada ao desenvolvimento da crian\u00e7a.<\/p>\n<p>O desenvolvimento do sistema capitalista \u00e9 devastador e voraz, destr\u00f3i por completo qualquer indiv\u00edduo independente da sua idade e em qualquer fase de sua vida. Tudo para operacionalizar onde tudo deve ser moeda de troca. A quest\u00e3o, como se infere, \u00e9 estrutural: a hipersexualiza\u00e7\u00e3o infantil, o abuso do corpo da mulher (em qualquer fase de sua vida) e a explora\u00e7\u00e3o infantil s\u00e3o as v\u00e1rias faces desse sistema, que deve ser destru\u00eddo!<\/p>\n<p>*Pedagoga, militante do Coletivo Feminista Classista Ana Montenegro e do Partido Comunista Brasileiro (PCB).<br \/>\n**Estudante de direito da Universidade Federal de Alagoas (UFAL), militante do Coletivo Feminista Classista Ana Montenegro, da Uni\u00e3o da Juventude Comunista e do N\u00facleo Jur\u00eddico Jayme Miranda.<\/p>\n<p>Ilustra\u00e7\u00e3o: <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Trabalho_infantil#\/media\/File:Child_labour_cartoon_Hine_no_2871.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Cartum de aproximadamente 1912 representando o trabalho infantil<\/a><\/p>\n<p>http:\/\/anamontenegro.org\/<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/18383\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[22],"tags":[219],"class_list":["post-18383","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c3-coletivo-ana-montenegro","tag-manchete"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-4Mv","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18383","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=18383"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18383\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=18383"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=18383"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=18383"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}