{"id":18387,"date":"2018-01-16T12:28:05","date_gmt":"2018-01-16T15:28:05","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=18387"},"modified":"2018-01-16T12:58:53","modified_gmt":"2018-01-16T15:58:53","slug":"jean-salem-um-filosofo-na-luta-para-transformar-o-mundo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/18387","title":{"rendered":"Homenagem a Jean Salem, combativo fil\u00f3sofo marxista"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"Homenagem a Jean Salem, combativo fil\u00f3sofo marxista\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/upsd52.e-monsite.com\/medias\/images\/js.jpg\" alt=\"Homenagem a Jean Salem, combativo fil\u00f3sofo marxista\" \/><!--more-->Faleceu Jean Salem um combativo militante comunista, filho do l\u00edder argelino Henri Aleg, e uma legenda marxista na Fran\u00e7a&#8230;<\/p>\n<p>Especialista em materialismo grego e latino, era professor de Filosofia na Universidade de Paris I, Sorbonne.<\/p>\n<p>Dentro de sua vasta obra, destaca-se o livro &#8220;Lenin e a Revolu\u00e7\u00e3o&#8221;, um magn\u00edfico ensaio sobre a atualidade e a necessidade do leninismo.<\/p>\n<p>Jean Salem era filho do jornalista e revolucion\u00e1rio Henri Alleg, protagonista do comunismo argelino que combateu pela independ\u00eancia do seu pa\u00eds contra o colonialismo franc\u00eas e denunciou as torturas e a repress\u00e3o do regime imperialista.<\/p>\n<p>Para quem quiser saber mais da sua obra e sua vida, consultar:<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/jeansalem.fr\/fr_FR\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">http:\/\/jeansalem.fr\/fr_FR\/<\/a><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.liberation.fr\/planete\/2018\/01\/14\/mort-de-jean-salem-specialiste-du-materialisme-antique-et-homme-de-combat_1622398\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">http:\/\/www.liberation.fr\/planete\/2018\/01\/14\/mort-de-jean-salem-specialiste-du-materialisme-antique-et-homme-de-combat_1622398<\/a><\/p>\n<p>Reproduzimos abaixo entrevista de Salem concedida ao camarada Milton Pinheiro, membro do Comit\u00ea Central do PCB, originalmente publicada no jornal Brasil de Fato e divulgada em fevereiro de 2013 pelo s\u00edtio comunista portugu\u00eas <a href=\"https:\/\/www.odiario.info\/jean-salem-um-filosofo-na-luta-para-transformar-o-mundo\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">odiario.info<\/a>.<\/p>\n<hr \/>\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"Jean Salem: um fil\u00f3sofo na luta para transformar o mundo\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.odiario.info\/b2-img\/ParisJeanSalem001.JPG?w=747&#038;ssl=1\" alt=\"Jean Salem: um fil\u00f3sofo na luta para transformar o mundo\" \/><strong>Jean Salem: um fil\u00f3sofo na luta para transformar o mundo<\/strong><\/p>\n<p>Entrevista de Jean Salem* a Milton Pinheiro**<\/p>\n<p>11\/02\/2013<\/p>\n<p>Nesta importante entrevista do fil\u00f3sofo marxista Jean Salem ao Brasil de fato , este amigo e colaborador de odiario.info exp\u00f5e com not\u00e1vel lucidez opini\u00f5es sobre quest\u00f5es centrais do seu pa\u00eds, da Europa, do nosso tempo, daquilo que, nas suas palavras, representa a cruel falta de organiza\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria na Europa justamente agora que o sistema (capitalista) sofre abalos na sua base.<\/p>\n<p><strong>Milton Pinheiro)<\/strong> <em>Voc\u00ea \u00e9 um fil\u00f3sofo que estuda os materialistas na filosofia grega e romana, marxista, tem uma profunda liga\u00e7\u00e3o com as lutas dos trabalhadores em seu pa\u00eds e no mundo, a exemplo de seu apoio \u00e0s lutas dos trabalhadores sem terra no Brasil (MST), foi sempre vinculado \u00e0s ideias comunistas. Quem \u00e9 o intelectual org\u00e2nico Jean Salem, sua hist\u00f3ria e suas lutas?<\/em><\/p>\n<p><strong>Jean Salem) <\/strong> Tenho, de fato, dedicado uma d\u00fazia de anos e mais de uma d\u00fazia de livros a estudar de maneira intensa o materialismo antigo: aquele de Dem\u00f3crito (pai do atomismo) e aquele de Epicuro e de Lucr\u00e9cio (esses dois fil\u00f3sofos explicam, tamb\u00e9m, que o universo \u00e9 composto de \u00e1tomos e v\u00e1cuo, e asseguram, al\u00e9m disso, que o prazer constitui o bem supremo). No meio dos anos 80, enquanto tudo parecia colapsar ao lado dos partidos comunistas do oeste europeu, e depois ao lado do socialismo real , eu decidi enfrentar os trabalhos acad\u00eamicos sobre esse assunto. Mais que compor uma mil\u00e9sima tese sobre Marx, eu tentei (como o pr\u00f3prio Marx em sua tese de doutorado) conhecer mais de perto esses autores que ousaram enfrentar os preconceitos religiosos e que, desde essa \u00e9poca bastante antiga, estavam j\u00e1 decididos a levantar um canto do v\u00e9u, ou seja, a propor uma vis\u00e3o racional de tudo o que nos cerca. Uma vis\u00e3o que, em grandes tra\u00e7os, permanece compat\u00edvel com aquela da ci\u00eancia moderna. Portanto, no que se refere a Epicuro, ele viveu, como n\u00f3s, em uma \u00e9poca de colapso civilizacional, em uma \u00e9poca de crise, no fim do s\u00e9culo IV antes de Cristo a crise, na \u00e9poca, era a que decorreu da katastroica consecutiva \u00e0 morte de Alexandre o Conquistador. Ademais, eu tenho igualmente dedicado leituras a Maupassant, \u00e0 Renascen\u00e7a Italiana, \u00e0 felicidade (!) , e tenho organizado diversos manuais de filosofia e de l\u00f3gica matem\u00e1tica (de l\u00f3gica muito elementar, devo dizer). Al\u00e9m disso, tenho tentado ser um estudante permanente. No ano passado obtive um Master de economia enquanto estudante em minha pr\u00f3pria universidade. Para um marxista, isso pode sempre ser \u00fatil!<\/p>\n<p>SALEM (J.), <em>A Felicidade ou a Arte de Ser Feliz Quando os Tempos V\u00e3o Dif\u00edceis, Beja (Portugal),<\/em><em> Cooperativa Cultural Alentejana, Allia, 2013.<\/em><\/p>\n<p>Agora, sim. Sempre estou ligado \u00e0s ideias comunistas. Por fidelidade, em primeiro lugar: meus pais, ap\u00f3s experimentarem a clandestinidade democr\u00e1tica , \u00e0 tortura democr\u00e1tica , se refugiaram em pa\u00edses do socialismo real (Tchecoslov\u00e1quia, depois na URSS), enquanto a guerra da Arg\u00e9lia acabava de produzir seus \u00faltimos massacres.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o fiquei ligado, tamb\u00e9m, pela raz\u00e3o: a demonstra\u00e7\u00e3o que constitui O Capital de Karl Marx me parecia haver conservado toda sua for\u00e7a e toda sua atualidade. O velho mundo, o mundo do dinheiro-rei, o mundo do capitalismo nunca deixa de confirmar que ele \u00e9 minado por contradi\u00e7\u00f5es que n\u00e3o poder\u00e3o ser resolvidas sen\u00e3o por sua destrui\u00e7\u00e3o. Ou at\u00e9, por guerras incessantes e devastadoras.<\/p>\n<p>Agora, voc\u00ea me pergunta sobre minhas lutas. Eu vos diria que elas s\u00e3o dromomanes (N. do T.: viciadas em viagens): eu me encontro na Cor\u00e9ia, em Portugal, na Am\u00e9rica Latina, em congressos ou reuni\u00f5es animadas pelos progressistas. Tomando o cuidado, sempre, de n\u00e3o cair no que eu chamaria de jet-altermundismo : muitos se perdem nele, outros ai se corrompem. Mas minhas lutas se fazem, tamb\u00e9m, e talvez, sobretudo, pela escrita: publiquei um livro sobre L\u00eanin (L\u00eanin e a revolu\u00e7\u00e3o, que a editora Express\u00e3o Popular publicou no Brasil); outro sobre a caricatura que a grande imprensa francesa fazia dos pa\u00edses socialistas, depois de tanto tempo que esses pa\u00edses tiveram a aud\u00e1cia de existir; um mais recente, sobre a farsa que tendem a ser as elei\u00e7\u00f5es na Europa e em outros pa\u00edses, (Elei\u00e7\u00f5es, uma armadilha. Que resta da democracia? Paris, Flammarion, 2012). Sobre a atualidade mais imediata, me acontece de enviar artigos para diversos jornais franceses ou estrangeiros. Quanto \u00e0s lutas concretas em que me envolvo, elas visam essencialmente a reconstru\u00e7\u00e3o de um movimento autenticamente revolucion\u00e1rio na Fran\u00e7a e no estrangeiro.<\/p>\n<p><em><strong>MP) <\/strong><\/em><em> Como voc\u00ea avalia a presen\u00e7a das ideias revolucion\u00e1rias no ambiente acad\u00eamico e intelectual da Fran\u00e7a?<\/em><\/p>\n<p><strong>JS) <\/strong> Durante o \u00faltimo quarto de s\u00e9culo, a Universidade francesa brilhou particularmente pelo que Eric Hobsbawm chamou de marxismo agressivo . \u00c9 extremamente dif\u00edcil, quando se \u00e9 conhecido como marxista, ou como comunista, de n\u00e3o sofrer algumas goza\u00e7\u00f5es inesquec\u00edveis. A fortiori, de conseguir uma posi\u00e7\u00e3o de professor titular. Desde 1975, de fato, o mundo intelectual franc\u00eas sofreu uma intensa lavagem de c\u00e9rebro que o transformou em uma massa de manobra muito perme\u00e1vel ao anticomunismo de esquerda : teve-se, sobretudo a cria\u00e7\u00e3o de um pequeno mundo quase irremediavelmente convencido de que a pol\u00edtica do Partido Socialista \u00e9 um mal menor.<\/p>\n<p>V\u00ea-se aparecerem, sempre, com o agravamento da crise, um bom n\u00famero de teses de doutorado trazendo assuntos claramente conflituosos. Um n\u00famero crescente de jovens que sabem que n\u00e3o t\u00eam nada a perder (visto que o n\u00famero de vagas em concursos se torna cada vez mais rid\u00edculo), se d\u00e3o ao menos ao prazer de trabalhar de cara exposta sobre os temas que os apaixonam: Marx, o passado colonial, a degenera\u00e7\u00e3o da social-democracia na Europa ao longo de todo o s\u00e9culo XX, etc..<\/p>\n<p><strong>MP) <\/strong><em> A crise do capitalismo trouxe para o contexto das lutas de classes novas contradi\u00e7\u00f5es. Como podemos examinar o papel da burguesia, dos trabalhadores e dos partidos do campo da esquerda comunista neste processo, na Fran\u00e7a e na Europa?<\/em><\/p>\n<p><strong>JS) <\/strong> N\u00e3o \u00e9 segredo para ningu\u00e9m: o sentimento de decl\u00ednio invadiu a maior parte da Europa. Em nosso pa\u00eds, lembramo-nos sempre, hoje, com uma nostalgia n\u00e3o desprovida de amn\u00e9sia, os 30 gloriosos (que n\u00e3o foram gloriosos para todo mundo!), ou seja, os 30 anos de expans\u00e3o econ\u00f4mica, de pleno emprego e de crescimento industrial que se seguiram ao fim da segunda guerra mundial. At\u00e9 o fim dos anos 70, mesmo aos olhos de muitos comunistas, a ideia de que nos pa\u00edses da OCDE a classe oper\u00e1ria poderia um dia se empobrecer pareceria constituir uma bobagem. O capitalismo ocidental parecia puxar indefinidamente para cima toda a escala das rendas.<\/p>\n<p>Com a crise iniciada em 1973 essas utopias come\u00e7aram a perder todo cr\u00e9dito. Dezenas de milhares de pessoas come\u00e7aram a dormir nas ruas. O desemprego envolveu 26 milh\u00f5es de pessoas na Europa: na Gr\u00e9cia, na Irlanda, em Portugal, a hist\u00f3ria se repete e verdadeiros fluxos migrat\u00f3rios come\u00e7am a se formar, de fato, em dire\u00e7\u00e3o ao Canad\u00e1 ou Austr\u00e1lia. Falta de recursos, os servi\u00e7os p\u00fablicos se deterioram: os transportes urbanos, mas tamb\u00e9m os setores da sa\u00fade, da educa\u00e7\u00e3o, etc.. Os sal\u00e1rios s\u00e3o arrochados de tal forma que um de cada seis franceses vive atualmente do que se chama um selo de pobreza . As camadas m\u00e9dias s\u00e3o confrontadas com dificuldades que h\u00e1 20 anos pareceriam imposs\u00edveis. Em s\u00edntese, a afirma\u00e7\u00e3o do jovem Engels segundo a qual a sociedade capitalista tende a dividir o mundo em milion\u00e1rios e pobres <em>(\u0085bis die Welt in Million\u00e4re und Paupers geteilt ist) <\/em>n\u00e3o mais surpreende ningu\u00e9m.<\/p>\n<p>Ou, do ponto de vista ideol\u00f3gico, \u00e9 necess\u00e1rio constatar que, assim como em outras \u00e9pocas de crise, a mobiliza\u00e7\u00e3o dos trabalhadores (ou dos n\u00e3o trabalhadores!) em luta pela sobreviv\u00eancia econ\u00f4mica e social encontra dificuldades redobradas. O fim da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica e a maneira como isso foi apresentado pela propaganda oficial confortaram muitos daqueles que tinham 15 ou 20 anos em 1968 em suas revoltas e protestos mais ou menos totais ao sistema em vigor. O oportunismo varreu os partidos comunistas do oeste da Europa, os quais pareceram considerar como dados intang\u00edveis o estado de democracia muito relativa e a prosperidade ainda mais relativa que prevaleciam ainda na Europa nos anos 80, depois mesmo que essa prosperidade come\u00e7ou a marcar passo e que essa democracia estava a ponto de ser sistematicamente estra\u00e7alhada (votos manipulados, guerra permanente contra as liberdades p\u00fablicas e direitos sindicais, crescimento exponencial das medidas de controle social e o p\u00e2ntano burocr\u00e1tico neoliberal, etc.).<\/p>\n<p>ENGELS (F.),<em> Esquisse d une critique de l \u00e9conomie politique<\/em> [1844], Paris, Allia, 1998, p. 63.<\/p>\n<p>E assim a Europa, no meio dos anos 80, teve at\u00e9 17 governos conduzidos por partidos social-democratas, com os resultados que conhecemos: financeiriza\u00e7\u00e3o extrema da economia, afastamento sempre mais pronunciado do Estado, salvo no que toca \u00e0 guarda noturna (ex\u00e9rcito, pol\u00edcia); perfeita confus\u00e3o entre direita e esquerda , que se alternam desde esta \u00e9poca para impor aos povos um plano de austeridade depois do outro (lembremo-nos do que disse um dia Gianni Agnelli, o dono da Fiat: quando as coisas se complicam a esse ponto, o trabalho \u00e9 feito melhor pela esquerda que pela direita ). \u00c9 assim que na Fran\u00e7a, no espa\u00e7o de 30 anos, a parte da riqueza produzida que ultrapassou a remunera\u00e7\u00e3o do trabalho, ou seja, os sal\u00e1rios, sobre a remunera\u00e7\u00e3o do capital, correspondem a 10% do PIB.<\/p>\n<p><strong>MP) <\/strong> <em>A Fran\u00e7a no governo Sarkozy estava completamente enquadrada na a\u00e7\u00e3o imperialista pelo mundo, em especial no norte da \u00c1frica. Na pol\u00edtica interna agiu para retirar direitos dos trabalhadores e defender os interesses da burguesia. O projeto Sarkozy foi derrotado eleitoralmente, mas como ficou a Fran\u00e7a a partir da era Fran\u00e7ois Hollande?<\/em><\/p>\n<p><strong>JS) <\/strong> \u00c9 evidente que Sarkozy encarnou um estilo de chefe de Estado de cultura med\u00edocre, vulgar at\u00e9, rompendo com a tradi\u00e7\u00e3o de uma Fran\u00e7a onde, durante longo tempo, se quis crer que os not\u00e1veis deveriam aparecer como mais que simples representantes do meio de neg\u00f3cios.<\/p>\n<p>Sarkozy, que se vangloria ainda de que alguns o denominaram Sarkozy, o americano (entenda-se, dos EUA), tudo fez, \u00e9 incontest\u00e1vel, para alinhar a pol\u00edtica francesa com a da Casa Branca, para erradicar at\u00e9 da lembran\u00e7a a heran\u00e7a de De Gaulle, da pol\u00edtica de independ\u00eancia nacional, para fazer esquecer uma pol\u00edtica que levou a que, entre n\u00f3s, a social-democracia fosse, por muito tempo muito mais<em> atlantista\u2026<\/em> Que nem a maioria da direita o tenha sido. Sarkozy, antes mesmo de assumir a presid\u00eancia da rep\u00fablica, em maio de 2007, (ainda que j\u00e1 ocupasse o cargo de Ministro do Interior) frequentava assiduamente a embaixada americana em Paris. E ele n\u00e3o hesitava em criticar a posi\u00e7\u00e3o oficial da Fran\u00e7a da Fran\u00e7a que em fevereiro de 2002 colocou seu veto, no Conselho de Seguran\u00e7a das Na\u00e7\u00f5es Unidas, quando a diplomacia dos EUA tentou uma aprova\u00e7\u00e3o da comunidade internacional a seus projetos de invas\u00e3o do Iraque. Nas notas que dirigia regularmente a Washington, Craig Stapleton, o embaixador dos EUA ainda em Paris, confirmou muito naturalmente, segundo o WikiLeaks, que Sarkozy era visceralmente pr\u00f3-americano .<\/p>\n<p>E, com isso, o apoio dado pelo governo Sarkozy a todas as guerras empreendidas pelo Imp\u00e9rio, o papel de suplemento que ele fez a Fran\u00e7a adotar no Norte da \u00c1frica (especialmente em mar\u00e7o de 2011, no momento da interven\u00e7\u00e3o na L\u00edbia), e o retorno da Fran\u00e7a ao seio do comando integrado da OTAN (que De Gaulle havia abandonado h\u00e1 43 anos), tudo isso prova suficientemente que, sob o quinqu\u00eanio Sarkozy (2007 2012), a direita francesa foi convidada a virar definitivamente a p\u00e1gina do gaulismo.<\/p>\n<p>Quanto \u00e0 pol\u00edtica interior, Sarkozy tentou limitar o direito de greve, reformou as aposentadorias, em um sentido que se pode facilmente adivinhar, fez tudo para que uma verdadeira regress\u00e3o securit\u00e1ria se impusesse na Fran\u00e7a, inflou os sentimentos xen\u00f3fobos e exacerbou a psicose da delinqu\u00eancia assim como os temores mais primitivos. Ele n\u00e3o parou de promover uma redu\u00e7\u00e3o das despesas p\u00fablicas, que passaram por reformas tendendo, de fato, a suprimir um grande n\u00famero de tribunais, a desmantelar a sa\u00fade p\u00fablica, a desorganizar a Universidade, oprimindo-a cada dia mais.<\/p>\n<p>Agora, o governo Fran\u00e7ois Hollande que mudou de tudo isso? Muito pouco. A atmosfera imposta por Sarkozy e os seus onipresen\u00e7a midi\u00e1tica do presidente, tens\u00e3o permanente na vida pol\u00edtica, declara\u00e7\u00f5es insultantes dirigidas aos estrangeiros, \u00e0 juventude desempregada, aos ju\u00edzes, aos universit\u00e1rios, aos funcion\u00e1rios em geral, aos assalariados em geral, tudo isso parou de um s\u00f3 golpe. Melhor assim! Mas a \u00fanica medida, a \u00fanica, que parecia fazer pender um pouco \u00e0 esquerda o candidato Fran\u00e7ois Hollande, aquela que previa pelo menos 100 milh\u00f5es de euros de receita, os ganhos suplementares de uma pessoa, seriam taxados em 75%, bem, essa medida foi declarada inconstitucional por uma inst\u00e2ncia que na Fran\u00e7a \u00e9 um dos basti\u00f5es do conservadorismo: o Conselho constitucional. Esse mesmo Conselho que, h\u00e1 30 anos, tinha imposto que fossem dadas compensa\u00e7\u00f5es astron\u00f4micas (50 milh\u00f5es de francos, ou 7,5 milh\u00f5es de euros) aos pat\u00f5es das empresas que Mitterrand havia, muito provisoriamente, nacionalizado! O governo Hollande acaba de anunciar que vai reduzir de 20 milh\u00f5es de euros a taxa\u00e7\u00e3o fiscal sobre as empresas .<\/p>\n<p>V\u00ea-se, por todo lado, senadores socialistas justificando as expedi\u00e7\u00f5es noturnas de cidad\u00e3os honestos contra um acampamento de ciganos, em Marselha, ainda que o ministro do Interior socialista, Manuel Valls, se deixe apresentar pela m\u00eddia como um Sarkozy remodelado, apenas repintado por cores da esquerda . Quanto \u00e0 atitude francesa face \u00e0 situa\u00e7\u00e3o na S\u00edria, ela foi mais extrema e unilateral que aquela da administra\u00e7\u00e3o Obama! Eis que a pequena guerra levada pelo senhor Hollande ao Mali vem completar o quadro de comportamento que essa esquerda de direita, essa esquerda que parece cada vez mais \u00e0 direita. Em s\u00edntese, pode-se concordar que os homens mudaram um pouco, mas nada, ou quase nada, foi fundamentalmente modificado.<\/p>\n<p><strong>MP) <\/strong> <em>Na sua compreens\u00e3o quais s\u00e3o as lutas que tem pautado os trabalhadores franceses e europeus?<\/em><\/p>\n<p><strong>JS) <\/strong> Como voc\u00eas certamente j\u00e1 sabem, as lutas s\u00e3o, infelizmente, no momento, sobretudo defensivas. Por todo lado, o apetite patronal, ou melhor, a l\u00f3gica pr\u00f3pria do sistema capitalista, faz com que os trabalhadores sejam considerados como vari\u00e1veis de ajuste , ou seja, como uma m\u00e3o de obra dispens\u00e1vel assim que os lucros come\u00e7am a parecer com uma tend\u00eancia de baixa: assim, na Fran\u00e7a, no setor automobil\u00edstico, se prev\u00ea por esses dias (janeiro 2013) mais de 11.000 supress\u00f5es de empregos na PSA Peugeot Citro\u00ebn, e mais de 8.000 na Renault; a f\u00e1brica da Goodyear em Amiens dever\u00e1 fechar suas portas (1.250 empregos amea\u00e7ados); na Virgin, que comercializa produtos culturais , ser\u00e3o outros 1.000 assalariados licenciados; Arcelor Mittal, o gigante do a\u00e7o, decidiu fechar duas aciarias, em Florage e em Lorraine, e ap\u00f3s muitos meses, seus trabalhadores est\u00e3o em desemprego parcial.<\/p>\n<p>E agora a ind\u00fastria francesa continua a ser deslocada: a produ\u00e7\u00e3o de televisores foi para a Hungria, onde os trabalhadores ganham um pouco mais de 400 euros por m\u00eas (enquanto na Fran\u00e7a o sal\u00e1rio m\u00e9dio dos trabalhadores que tiveram a sorte de n\u00e3o fazer parte dos tr\u00eas milh\u00f5es de desempregados, seja pr\u00f3ximo de 1500 euros); o essencial da ind\u00fastria t\u00eaxtil e da vestimenta deslocou-se para o Maghreb e a \u00c1sia; mesma tend\u00eancia, na Europa inteira, no que concerne aos componentes el\u00e9tricos e eletr\u00f4nicos, que est\u00e1 em queda livre desde os 90 e que doravante est\u00e1, sobretudo na \u00c1sia; uma s\u00e9rie de servi\u00e7os, enfim, tomaram a dire\u00e7\u00e3o dos pa\u00edses onde o escravismo assalariado \u00e9 praticado bem mais barato (servi\u00e7os de contabilidade, por exemplo, ou de telefonia, implantados na \u00c1frica do Norte, no Senegal, ou outros pa\u00edses franc\u00f3fonos). N\u00e3o se chegou ainda, na Fran\u00e7a, \u00e0 arrasadora taxa grega de 48% de desempregados entre os de menos de 24 anos, nem se chegou ainda a redu\u00e7\u00f5es de sal\u00e1rios de 22% em m\u00e9dia, nem aos licenciamentos maci\u00e7os de funcion\u00e1rios. Mas vemos com inquietude as not\u00edcias vindas de l\u00e1, assim como da Espanha e de Portugal. Pressente-se que esse vento maligno amea\u00e7a o resto da zona do euro e que a afeta desde j\u00e1 de forma geral, em certo grau, \u00e9 verdade que um pouco menos pelo momento. E cada um sabe que seus filhos encontrar\u00e3o dificuldades que n\u00e3o foram conhecidas pela gera\u00e7\u00e3o precedente.<\/p>\n<p>E quanto \u00e0s lutas? Elas existem, \u00e9 claro, ainda que elas se beneficiem de um impressionante sil\u00eancio midi\u00e1tico. Elas se d\u00e3o com as costas na parede , como dizemos em franc\u00eas: os trabalhadores de PSA, em Aulnay, na periferia de Paris, se puseram em greve para protestar contra o plano de licenciamento que os amea\u00e7a? &#8211; a dire\u00e7\u00e3o da f\u00e1brica recorre ao lock out, ou seja, ela fecha provisoriamente as portas! Mas as lutas seguem, bem e belas, eu o repito! Apenas no \u00faltimo maio: os funcion\u00e1rios portugueses, que est\u00e3o entre os mais duramente atingidos pelas medidas de austeridade europ\u00e9ias, param massivamente. No mesmo dia, 6 de maio, a It\u00e1lia conheceu uma greve geral acompanhada de manifesta\u00e7\u00f5es impressionantes. Em 11 de maio foram os gregos que desceram por sua vez \u00e0 rua para uma nova jornada de luta contra os planos devastadores que a Uni\u00e3o Europ\u00e9ia e o FMI pretendem impor. E no dia 15, a mobiliza\u00e7\u00e3o dos jovens na Espanha, os indignados conseguiram fugazmente que falassem dela, tanto da forma de a\u00e7\u00e3o de surpresa, tanto que ela surpreendeu os sindicatos, os quais estavam sem d\u00favida muito ocupados em negociar uma redu\u00e7\u00e3o da idade de aposentadoria a fim de assegurar a paz social visando tranquilizar os mercados . A quest\u00e3o n\u00e3o \u00e9 tanto a da aus\u00eancia de lutas, mas a da falta de coordena\u00e7\u00e3o, de perspectiva: n\u00f3s estamos morrendo, literalmente, da falta de organiza\u00e7\u00e3o, da aus\u00eancia de um Partido digno de seu nome! E cada dia perdido nesse terreno \u00e9 uma jornada que faz crescer notavelmente o risco de que a exaspera\u00e7\u00e3o popular seja desviada para o benef\u00edcio da extrema direita.<\/p>\n<p><strong>MP) <\/strong> <em>Como voc\u00ea avalia a presen\u00e7a pol\u00edtica do PCF na conjuntura francesa, algo indica o ressurgimento deste partido?<\/em><\/p>\n<p><strong>JS) <\/strong> Eu come\u00e7aria por vos lembrar que a Frente de Esquerda , na qual se insere o pouco que subsiste do Partido Comunista Franc\u00eas, obteve, nas elei\u00e7\u00f5es de junho de 2012, 10 assentos entre os 577 assentos de deputados a ocupar na Assembl\u00e9ia nacional. O Partido Socialista disp\u00f5e de 278 deputados! Isto diz a que marginaliza\u00e7\u00e3o estamos reduzidos no plano institucional. Uma historinha que diz muito sobre o clima de decomposi\u00e7\u00e3o que nos \u00e9 imposto: Robert Hue, o cantor da muta\u00e7\u00e3o (em melhor franc\u00eas, da liquida\u00e7\u00e3o) do PCF, Robert Hue, que foi presidente desse partido h\u00e1 apenas dez anos, e que foi membro do grupo comunista no Senado at\u00e9 setembro de 2012, corre hoje, vergonhosamente, atr\u00e1s de um cargo de ministro no governo Hollande e vai apoiar, sem o m\u00ednimo escr\u00fapulo, a interven\u00e7\u00e3o imperialista no Mali. Isso n\u00e3o deixa de ter rela\u00e7\u00e3o, certamente, com os 30 anos de fugas sucessivas e de oportunismo do PCF, 30 anos que permitiram ao Partido Socialista de encarnar maci\u00e7amente aquilo que, n\u00e3o se sabe mais por que, continua-se a chamar de esquerda . Na Fran\u00e7a, o Partido Socialista, apesar de seu passado colonialista, apesar de sua liga\u00e7\u00e3o com as pol\u00edticas neoliberais durante o per\u00edodo Mitterrand, apesar de sua inclina\u00e7\u00e3o sempre mais anti-socialista, continua a se beneficiar do desgosto maci\u00e7o de grande parte da popula\u00e7\u00e3o (que se abst\u00e9m sempre de votar) e, em certas fra\u00e7\u00f5es das camadas m\u00e9dias, de uma vaga simpatia mesclada \u00e0 desilus\u00e3o. Assim \u00e9 que esse partido, apesar de todas suas torpezas e trai\u00e7\u00f5es repetidas, ainda constitui aos olhos de muitos franceses, o \u00fanico substituto contra uma direita que recorre sempre mais aos compromissos com a extrema direita.<\/p>\n<p>Nesse contexto, v\u00ea-se que o marxismo interessa a uma juventude estudantil, que m\u00faltiplos movimentos, por\u00e9m espor\u00e1dicos assinalam que a recusa do sistema \u00e9 bastante difundida; v\u00ea-se que grupos tentam reconstruir qualquer coisa que teria um esqueleto de perspectiva. Mas \u00e9 necess\u00e1rio constatar que atualmente \u00e9 a extrema direita fascistizante que se desenvolve mais rapidamente que todas as outras tend\u00eancias na Europa, e que, por todo lado, assim que pretendemos consultar o povo, ela capitaliza cerca de 20% dos votos. E somos obrigados a constatar, igualmente, que 40 a 60% dos eleitores, apenas, se deslocam ainda aos centros de vota\u00e7\u00e3o a fim de exercer um direito de vota\u00e7\u00e3o que eles sabem estar cada vez mais desprezado.<\/p>\n<p><strong>MP) <\/strong> <em>Tenho examinado as lutas dos comunistas franceses, em especial pelo contato que tenho com os dirigentes comunistas, Leon Landini e Georges Gastaud, e atrav\u00e9s de intelectuais amigos. Como voc\u00ea analisa o papel do PRCF na luta por um partido revolucion\u00e1rio na Fran\u00e7a? <\/em><\/p>\n<p><strong>JS) <\/strong>Eu nutro, evidentemente, muita simpatia e amizade pelo P\u00f3lo de Renascimento Comunista Franc\u00eas (PRCF). Ele tem, como se diz, imenso m\u00e9rito em existir. O problema desses camaradas, desses excelentes camaradas, que n\u00e3o podem contar, no m\u00e1ximo, sen\u00e3o com algumas centenas de militantes ativos, \u00e9 que eles tiveram, talvez, raz\u00e3o muito cedo. Quero dizer com isso que n\u00e3o estou convencido de que deviam, t\u00e3o r\u00e1pido como fizeram, na virada dos anos 2000, abandonar o navio em naufr\u00e1gio que era o Partido. Eu compreendo perfeitamente que esses camaradas julgaram a situa\u00e7\u00e3o insustent\u00e1vel; mas eu creio, contudo, que eles operaram prematuramente isso que parece muito como uma cis\u00e3o. O n\u00famero nem sempre tem raz\u00e3o, \u00e9 verdade; \u00e9 necess\u00e1rio, entretanto, reconhecer que muito poucos comunistas deixaram o partido para aderir a essa a\u00e7\u00e3o que, na \u00e9poca, eu julguei um pouco temer\u00e1ria.<\/p>\n<p>E depois, a precipita\u00e7\u00e3o pode favorecer um comportamento de seita: assim, a campanha que conduz o PRCF contra o que ele chama, corretamente, de tudo ingl\u00eas , essa campanha que tende a essencialmente salvar a l\u00edngua francesa (e outras l\u00ednguas al\u00e9m do globish English), se justifica por muitos argumentos j\u00e1 evidentes. Mas eu a vejo por vezes estreita, al\u00e9m de mesclada com acentos passadistas ou chovinistas.<\/p>\n<p><strong>MP) <\/strong> <em>A crise do capital tem avan\u00e7ado sobre os direitos dos trabalhadores dentro da zona do euro, o caso mais exemplar \u00e9 o da Gr\u00e9cia. Como voc\u00ea avalia a situa\u00e7\u00e3o daquele pa\u00eds, e como voc\u00ea examina o papel dos partidos pol\u00edticos nesse processo, em especial o KKE (Partido Comunista Grego) e o Syriza.<\/em><\/p>\n<p><strong>JS) <\/strong> H\u00e1 modismos em todo mundo, clich\u00eas, ideias preconcebidas (que, enfim, acabam por se desfazer). E particularmente em pa\u00edses em via de acultura\u00e7\u00e3o ou de regress\u00e3o cultural, como \u00e9 o caso, atualmente, para os pa\u00edses da Europa. Devemos combater, por exemplo, mesmo no seio dos movimentos progressistas, a moda de matraquear que, para melhor denunciar e derrubar o velho mundo, n\u00f3s dever\u00edamos endossar e adotar sem nuances todas as bobagens e cal\u00fanias que se puderam proferir contra o socialismo real e, especialmente, contra a extinta Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica. Ora, existe outra moda, que nossas principais m\u00eddias contribu\u00edram para fazer penetrar com desconcertante facilidade nas cabe\u00e7as, e que, justamente no seio dos movimentos que se declaram em oposi\u00e7\u00e3o ao sistema: esse que consiste em sustentar, ao menos por alguns meses, que Syrisa \u00e9 hoje, na Gr\u00e9cia, o caminho, o futuro, a solu\u00e7\u00e3o de esquerda, assim como o Partido Comunista Grego, constituiria, de seu lado, o p\u00f3lo de intransig\u00eancia, do stalinismo, do isolacionismo, do sectarismo, etc..<\/p>\n<p>O que \u00e9 muito certo, na minha percep\u00e7\u00e3o, \u00e9 que a direita europ\u00e9ia se deleitou em constatar que por ocasi\u00e3o das elei\u00e7\u00f5es de maio de 2012, uma transfer\u00eancia consider\u00e1vel de votos se operou em benef\u00edcio do Syrisa (16,62 % dos votos v\u00e1lidos), em detrimento do Partido Comunista (8,42%). Isso significaria que assistimos o come\u00e7o do fim do KKE? Diferentemente dos comentaristas, muito numerosos e muito interessados, eu n\u00e3o me arriscaria a formular a esse respeito progn\u00f3stico t\u00e3o perempt\u00f3rio e julgamentos t\u00e3o definitivos.<\/p>\n<p>O Syrisa \u00e9, como se sabe, uma heran\u00e7a n\u00e3o t\u00e3o long\u00ednqua dos eurocomunistas gregos, aqueles que em 1990 defenderam o voto a favor do tratado de Maastricht, desse tratado que visava a integra\u00e7\u00e3o pol\u00edtica da Europa e que permitiu oficializar o abandono da soberania nacional que, em muitos dom\u00ednios, os Estados membros sacrificam agora no altar da Uni\u00e3o. \u00c9 verdade que uma autocr\u00edtica se deu depois, mas isso n\u00e3o muda grande coisa no car\u00e1ter heter\u00f3clito dessa coaliz\u00e3o que compreende, al\u00e9m dos comunistas rompidos com o KKE, alguns ecologistas, velhos mao\u00edstas, alguns descrentes , alguns trotskistas, etc. Em s\u00edntese, h\u00e1 uma ala da esquerda e uma ala da direita nesse movimento, e o sistema n\u00e3o se comportaria muito mal se o imenso grito de raiva do povo grego for dirigido (isso seria cl\u00e1ssico ) ao proveito de uma organiza\u00e7\u00e3o agrupando, de alguma forma, portadores de reivindica\u00e7\u00f5es radicais e de correntes claramente social-democratas, sempre prontas a compor, sen\u00e3o a trair.<\/p>\n<p>Que reserva o futuro a este infeliz pa\u00eds que foi o ber\u00e7o da civiliza\u00e7\u00e3o europ\u00e9ia? Eu n\u00e3o sei estritamente nada, \u00e9 claro, mas eu posso, de toda forma, emitir esta triste constata\u00e7\u00e3o: o agravamento da terr\u00edvel crise que atinge as camadas populares (com um desemprego de quase 22% dos ativos), o servilismo da classe pol\u00edtica local diante de uma s\u00e9rie de diktats que a UE imp\u00f5e \u00e0 Gr\u00e9cia, assim como a dispers\u00e3o das for\u00e7as da (verdadeira) esquerda, contribui, ali mais que em outros lugares, para que se desenvolva um clima favor\u00e1vel \u00e0 prolifera\u00e7\u00e3o e impunidade de bandos neonazistas, ao crescimento do racismo, \u00e0s agress\u00f5es contra os emigrados, etc. Esperemos que os desapontados do Syriza n\u00e3o procurem jamais ref\u00fagio desse lado, do lado da barb\u00e1rie que vem. Em s\u00edntese, o que se deve temer, (com o risco de ser repetitivo) \u00e9 que a Europa do recuo social n\u00e3o se torne t\u00e3o rapidamente a Europa da regress\u00e3o hist\u00f3rica, uma Europa na qual o clima delet\u00e9rio poderia se aproximar, em certo prazo, \u00e0quela dos anos 30 do \u00faltimo s\u00e9culo.<\/p>\n<p><strong>MP) <\/strong> <em>Como professor da Universidade de Paris I, Sorbonne, voc\u00ea tem sido respons\u00e1vel por um ciclo de cursos sobre o marxismo. Nesse processo de renascimento do marxismo na academia francesa, quais s\u00e3o as presen\u00e7as mais importantes do ponto de vista dos te\u00f3ricos desse campo de pensamento?<\/em><\/p>\n<p><strong>JS) <\/strong>N\u00f3s lan\u00e7amos em 2005, com alguns colegas, um semin\u00e1rio hebdomad\u00e1rio intitulado Marx no s\u00e9culo XXI , na Sorbonne. Para afirmar ali a presen\u00e7a do marxismo, que diziam morto h\u00e1 tempo. Esse semin\u00e1rio re\u00fane \u00e0s vezes 200 pessoas, nunca menos de 100. Veja! Neste endere\u00e7o: <a href=\"http:\/\/chspm.univ-paris1.fr\/spip.php?article271\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">http:\/\/chspm.univ-paris1.fr\/spip.php?article271<\/a><\/p>\n<p>Voc\u00ea ver\u00e1 que n\u00f3s filmamos quase 150 comunica\u00e7\u00f5es, pronunciadas por outros tantos convidados. Dezenas de milhares de pessoas seguem cada semana na Internet nossas confer\u00eancias e outras jornadas de estudo.<\/p>\n<p>Guardadas as propor\u00e7\u00f5es, a ideia que preside a apresenta\u00e7\u00e3o desse semin\u00e1rio era um pouco an\u00e1loga \u00e0quela que, em outros tempos, conduziu L\u00eanin ao fundar seu jornal Iskra, um jornal destinado a reunir, a agrupar mil energias at\u00e9 ent\u00e3o dispersas na R\u00fassia dos czares. Para n\u00f3s se trata de convidar a uma transforma\u00e7\u00e3o todos e todas que, at\u00e9 aqui, trabalharam, ou pensavam trabalhar, no seu canto , isoladamente, nas condi\u00e7\u00f5es atuais de pesquisa na Fran\u00e7a e no estrangeiro: pois, aqui, particularmente, as pesquisas marxistas foram durante longo tempo marginalizadas, sen\u00e3o censuradas.<\/p>\n<p>Est\u00e1 claro que a vinda de Domenico Losurdo, Enrique Dussel, David Harvey, ou a de Georges Labica, Andr\u00e9 Tosel, Daniel Bensaid, Michel L\u00f6wy, Slavoj Zizek, etc., constitu\u00edram grandes momentos do semin\u00e1rio! E \u00e9 claro, tamb\u00e9m, que do ponto de vista pol\u00edtico, pessoas como eu se sintam muito pr\u00f3ximas de um Losurdo ou de um Labica (este \u00faltimo tendo, infelizmente, falecido). Em rela\u00e7\u00e3o a outros entre nossos amigos e convidados, apesar da estima que tenho por eles, tenho diversos desacordos com eles, notadamente quanto \u00e0 sua maneira de abordar a quest\u00e3o do muito necess\u00e1rio balancete da experi\u00eancia do socialismo real .<\/p>\n<p>Dito de outra forma, somos reduzidos nesse momento a compor com aquilo que Immanuel Wallerstein chamou de mil marxismos : \u00e9 o efeito de uma situa\u00e7\u00e3o t\u00e3o apaixonante como inquietante, uma situa\u00e7\u00e3o que \u00e9 a nossa e que se caracteriza, como j\u00e1 disse, por uma falta cruel de organiza\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria na Europa justo agora que o sistema balan\u00e7a em sua base.<\/p>\n<p><strong>MP) <\/strong> <em>Voc\u00ea \u00e9 um intelectual acad\u00eamico vinculado ao pensamento marxista e comunista, com uma importante hist\u00f3ria de vida: \u00e9 filho do legend\u00e1rio comunista Henri Alleg. O que voc\u00ea poderia nos dizer, atualmente, sobre a vida deste revolucion\u00e1rio internacionalista?<\/em><\/p>\n<p><strong>JS) <\/strong> Meu pai nos deu, efetivamente, uma imagem de um homem que triunfou sobre seus torturadores, n\u00e3o falando apesar das torturas; redigindo um livro, A quest\u00e3o, que as denunciou e fez saber, a todo mundo, qual era o m\u00e9todo ao qual se costumava recorrer, na Arg\u00e9lia, durante a guerra colonial; e depois, tendo para si, se ouso dizer, o julgamento da Hist\u00f3ria, pois a sequ\u00eancia e as lutas dos povos amplamente demonstraram que o sistema colonialista, inelutavelmente, deveria colapsar. Para come\u00e7ar pelo per\u00edodo mais recente, vos diria que a vida de meu pai \u00e9, atualmente, muito limitada, pois no ano passado foi v\u00edtima, aos 91 anos, de um AVC. Mas, para resumir, devo dizer que Henri Alleg \u00e9 filho de uma inglesa e de um polon\u00eas, os dois judeus, que se encontraram em Londres e vieram para Paris. Pequenos comerciantes. Meu pai, aos 18 anos, acreditando que se destinava ao of\u00edcio de marinheiro, embarca para a Arg\u00e9lia. Seria uma volta pelo Mediterr\u00e2neo, mas ele se apaixona pela Arg\u00e9lia, onde se fixa. Depois de ser militante e depois membro do Partido Comunista Argelino, ele se torna, em 1950 diretor do jornal Arg\u00e9lia Republicana, jornal que viria a militar em favor da independ\u00eancia. E \u00e9 como tal, como jornalista comunista, que ele sofreu as persegui\u00e7\u00f5es e torturas de que falei, comparecendo ao tribunal da rep\u00fablica , anos de pris\u00e3o, e depois (ap\u00f3s sua fuga) em ex\u00edlio nos pa\u00edses socialistas. Em 1965, tr\u00eas anos depois da conquista da independ\u00eancia, e dos problemas subsequentes, minha m\u00e3e e ele foram coagidos a sair de Argel e vieram se instalar em Paris. Meu pai seguiu seu combate internacionalista trabalhando como redator, e depois como secret\u00e1rio geral, do jornal L Humanit\u00e9. De suas grandes reportagens na China, nos EUA, na Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica, em Cuba, ele extraiu numerosos livros. O \u00faltimo \u00e9 seu livro de mem\u00f3rias, Mem\u00f3ria argelina, publicado em 2005, pela editora Stock.<\/p>\n<p><strong>MP) <\/strong><em> Como intelectual e militante comunista voc\u00ea deve viajar por v\u00e1rias partes do mundo. O que poderia nos dizer sobre as lutas dos trabalhadores, h\u00e1 algo de novo no front?<\/em><\/p>\n<p><strong>JS) <\/strong>Sim, tenho tido a felicidade de ser convidado de cerca de cinquenta universidades situadas em quatro dos cinco continentes. O quinto, ou mais exatamente a Austr\u00e1lia, provavelmente me ver\u00e1 logo. E tenho participado, certamente, de numerosas reuni\u00f5es, algumas vezes acad\u00eamicas, por\u00e9m mais frequentemente diretamente pol\u00edticas. Isso abre, \u00e9 claro, horizontes \u00e0 reflex\u00e3o. Na China pude constatar que o problema da polui\u00e7\u00e3o nas cidades n\u00e3o se reduz, nem um pouco, a um tema de propaganda inventada pelas oficinas ocidentais. Vi tamb\u00e9m o extraordin\u00e1rio progresso daquele pa\u00eds, esse pa\u00eds que o Imp\u00e9rio cerca de maneira j\u00e1 amea\u00e7adora (veja-se as bases dos EUA espalhadas ao redor) e que n\u00e3o deixar\u00e1 de agredir, na minha percep\u00e7\u00e3o, dentro de um prazo que poder\u00e1 n\u00e3o ser muito longo. Na R\u00fassia se pode ver hoje os efeitos do capitalismo selvagem imposto desde o golpe de 1991: lojas abertas 24 horas por dia, sete dias por semana, reino do business e da corrup\u00e7\u00e3o generalizada, desigualdades ainda mais gritantes que na Fran\u00e7a, etc..<\/p>\n<p>Mas, mais que jogar como <em>estrategista global<\/em>, eu vos diria que fiquei impressionado, recentemente, pela seriedade e organiza\u00e7\u00e3o dos camaradas coreanos, que organizaram em setembro \u00faltimo, em Seul, um importante f\u00f3rum internacional. Eles est\u00e3o lidando com um modelo quase acabado de democracia completamente formal: uma lei dita de seguran\u00e7a nacional (que durante muito tempo era chamada simplesmente de lei anticomunista ) permite, de fato, que o governo jogue na cadeia qualquer um que diga uma palavra que seja a favor da reunifica\u00e7\u00e3o com o norte, qualquer um que denuncie o sistema de forma um pouco mais radical. Pude ver, nesse pa\u00eds long\u00ednquo (que a China e o Jap\u00e3o nos fazem quase esquecer), homens e mulheres dos quais a determina\u00e7\u00e3o, a coragem e a qualidade humana me lembraram as belas figuras de comunistas que, na minha juventude, me foi dado admirar.<\/p>\n<p><strong>MP) <\/strong><em> Como analista de profunda convic\u00e7\u00e3o internacionalista, qual a sua an\u00e1lise sobre o Brasil e qual a mensagem que voc\u00ea deixaria para aqueles que lutam pela emancipa\u00e7\u00e3o humana em nosso Pa\u00eds?<\/em><\/p>\n<p><strong>JS) <\/strong> Dei aulas, durante algumas semanas, na USP, a grande Universidade de S\u00e3o Paulo, e dei algumas confer\u00eancias na Universidade S\u00e3o Judas Tadeu, foi em 2007. Devorei sua literatura (Machado de Assis me agrada tanto quanto Sterne e certos romancistas franceses que, como Cr\u00e9billon, por exemplo, eu aprecio particularmente). E depois, mas n\u00e3o foi sen\u00e3o turismo, tive o prazer de descobrir Caraguatatuba, Paraty, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Ouro Preto, Salvador, etc.. Que poderia eu dizer que n\u00e3o parecesse emanar de li\u00e7\u00f5es ou, ao menos, de um intelectual que emite julgamentos sem conhecer grande coisa sobre o que fala? O que eu poderia dizer, talvez, como aquela da China de outros tempos, a imagem midi\u00e1tica do Brasil mudou radicalmente nos \u00faltimos 20 anos. Do Brasil dos trabalhadores superexplorados, do Brasil que, durante muito tempo, nosso imagin\u00e1rio ocidental prontamente reduzia ao Nordeste, e a sua mis\u00e9ria apavorante, do Brasil que era descrito, por exemplo, em Cacau de Jorge Amado, passamos a um Brasil que nossas m\u00eddias apresentam como um pa\u00eds em pleno progresso, como um gigante em forma\u00e7\u00e3o, como um concorrente muito s\u00e9rio para as economias cambaleantes da velha Europa, etc.. E essa evolu\u00e7\u00e3o foi acompanhada de uma unanimidade alardeando sem qualquer nuance a pol\u00edtica do governo Lula. Quando o Tesouro estadunidense, os grandes bancos de neg\u00f3cios e as ag\u00eancias de classifica\u00e7\u00e3o vos dirigem louva\u00e7\u00f5es, \u00e9 em suma normal que os m\u00eddia do sistema vos tratem com uma defer\u00eancia entusiasta. \u00c9 muito justo se os neg\u00f3cios de corrup\u00e7\u00e3o foram evocados, mas de passagem, por nossas m\u00eddias oficiais.<\/p>\n<p>Em compensa\u00e7\u00e3o, se fala muito pouco, na Europa do Oeste, das desigualdades abissais que subsistem no Brasil. Nem uma palavra sequer, deste lado do Atl\u00e2ntico, salvo, eventualmente, no <em>Le Monde Diplomatique, <\/em>sobre essas din\u00e2micas esquizofr\u00eanicas que bloqueando fundos para uma agricultura familiar continuaram a privilegiar um modelo de desenvolvimento agr\u00e1rio fundado sobre as monoculturas de exporta\u00e7\u00e3o e o agrobusiness. Isso, como na Europa, mas eu penso que, com mais raz\u00f5es que na Europa, voc\u00eas j\u00e1 poderiam esperar que a falsa esquerda apareceria como tal aos olhos dos trabalhadores de vosso pa\u00eds, e que os movimentos como o vosso se amplificar\u00e3o sempre mais e logo obter\u00e3o novos sucessos.<\/p>\n<p><strong>MP) <\/strong><em>Gostaria de agradecer a sua generosidade em nos conceder esta entrevista que ser\u00e1 editada para o jornal Brasil de Fato, que representa importantes movimentos populares no Brasil, a exemplo do Movimento dos trabalhadores sem terra (MST). Mas que ser\u00e1 encaminhada, tamb\u00e9m, para publica\u00e7\u00e3o na \u00edntegra no site do hist\u00f3rico Partido Comunista Brasileiro (PCB), que no passado completou 90 anos de luta.<\/em><\/p>\n<p><strong>JS<\/strong>) Obrigado\u2026<\/p>\n<p><em><strong>*Jean Salem<\/strong> \u00e9 um fil\u00f3sofo franc\u00eas, militante das lutas anticapitalistas e comunistas, estudioso da filosofia materialista greco-romana, professor da Universidade de Paris I (Sorbonne), onde coordena o semin\u00e1rio \u201cMarx no S\u00e9culo XXI\u201d, \u00e9 diretor do Centro Para a Hist\u00f3ria do Pensamento Moderno, autor de v\u00e1rios livros e conferencista em diversas universidades na Fran\u00e7a e no mundo.<\/em><\/p>\n<p><em><strong>**Milton Pinheiro<\/strong> \u00e9 um Cientista Pol\u00edtico brasileiro, professor da Universidade do Estado da Bahia (UNEB), editor da revista Novos Temas, autor e organizadorde v\u00e1rios livros, entre eles, A Reflex\u00e3o Marxista Sobre os Impasses do Mundo Atual (Outras Express\u00f5es, S\u00e3o Paulo, 2012) e membro do CC do Partido Comunista Brasileiro (PCB).<\/em><\/p>\n<p><strong>Tradu\u00e7\u00e3o: <\/strong> Ernesto Pichler e Milton Pinheiro.<\/p>\n<p>https:\/\/www.odiario.info\/jean-salem-um-filosofo-na-luta-para-transformar-o-mundo\/<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/18387\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[37,109,46],"tags":[222],"class_list":["post-18387","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c42-comunistas","category-c122-franca","category-c56-memoria","tag-2b"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-4Mz","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18387","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=18387"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18387\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=18387"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=18387"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=18387"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}