{"id":18453,"date":"2018-01-21T11:06:02","date_gmt":"2018-01-21T14:06:02","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=18453"},"modified":"2018-01-22T20:04:16","modified_gmt":"2018-01-22T23:04:16","slug":"cuba-e-o-retorno-migratorio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/18453","title":{"rendered":"Cuba e o retorno migrat\u00f3rio"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"Cuba e o retorno migrat\u00f3rio\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.patrialatina.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/a-cuba_regreso_migratorio.jpg\" alt=\"Cuba e o retorno migrat\u00f3rio\" \/><!--more-->Por Salim Lamrani*<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.patrialatina.com.br\/cuba-e-o-retorno-migratorio\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">P\u00e1tria Latina<\/a><\/p>\n<p>Conhecida como uma terra de emigra\u00e7\u00e3o, Cuba experimentou um novo fen\u00f4meno nos \u00faltimos anos: a migra\u00e7\u00e3o de retorno.<\/p>\n<p>Desde o triunfo da Revolu\u00e7\u00e3o cubana em 1959, os Estados Unidos fizeram do problema da migra\u00e7\u00e3o um instrumento de desestabiliza\u00e7\u00e3o da ilha, em nome da guerra travada contra o primeiro pa\u00eds socialista do continente americano.\u00a0Assim, nos primeiros dias que se seguiram \u00e0 vit\u00f3ria de Fidel Castro, Washington abriu as portas aos defensores da ditadura Fulgencio Batista e \u00e0 oligarquia do antigo regime.\u00a0De 1960 a 1969, mais de 200 mil cubanos partiram para os Estados Unidos.\u00a0Como compara\u00e7\u00e3o, o total da d\u00e9cada anterior, de 1950 a 1959, foi de 73 mil sa\u00eddas para os Estados Unidos. [1]<\/p>\n<p>Tr\u00eas raz\u00f5es explicam a emigra\u00e7\u00e3o maci\u00e7a.\u00a0Primeiro, historicamente, Cuba sempre foi um pa\u00eds com forte emiss\u00e3o migrat\u00f3ria para o vizinho do norte.\u00a0Em 1959, Cuba ocupou o segundo lugar no continente americano logo atr\u00e1s do M\u00e9xico.\u00a0Cuba teve uma emigra\u00e7\u00e3o mais forte do que a de todos os pa\u00edses do Caribe juntos e a de todas as na\u00e7\u00f5es da Am\u00e9rica Central combinadas.\u00a0Do mesmo modo, nenhum pa\u00eds da Am\u00e9rica do Sul, nem o Brasil, nem a Col\u00f4mbia, nem a Argentina tinham uma emiss\u00e3o migrat\u00f3ria superior \u00e0 de Cuba.\u00a0Ainda mais, a soma migrat\u00f3ria destes tr\u00eas mastodontes demogr\u00e1ficos era inferior \u00e0 de Cuba. [2]<\/p>\n<p>O segundo fator que favoreceu a emigra\u00e7\u00e3o cubana para os Estados Unidos desde 1960 foi a aplica\u00e7\u00e3o de severas san\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas contra a ilha desde julho de 1960, que foram totais em fevereiro de 1962. Eles impuseram condi\u00e7\u00f5es dr\u00e1sticas de vida na ilha. Cubanos viveram dificuldades de todos os tipos, estimulando o caminho para os Estados Unidos.\u00a0Ainda em vigor at\u00e9 hoje, elas afetam todas as categorias da popula\u00e7\u00e3o cubana, especialmente os segmentos mais vulner\u00e1veis, bem como todos os setores da sociedade.\u00a0Rejeitadas pela comunidade internacional por sua natureza anacr\u00f4nica, cruel e ilegal, as san\u00e7\u00f5es s\u00e3o o principal obst\u00e1culo para o desenvolvimento do pa\u00eds.<\/p>\n<p>O terceiro par\u00e2metro que deve ser levado em considera\u00e7\u00e3o \u00e9 a Lei de Ajuste Cubano, em vigor desde 1966. Esta legisla\u00e7\u00e3o especial, \u00fanica no mundo, estipula que todo cubano que emigra legal ou ilegalmente para os Estados Unidos, de forma pac\u00edfica ou violenta, em 1\u00b0 de janeiro de 1959 ou mais tarde, \u00e9 recebido com os bra\u00e7os abertos, recebe v\u00e1rios aux\u00edlios sociais e obt\u00e9m automaticamente ap\u00f3s um ano e um dia o status de residente permanente.\u00a0Obviamente, \u00e9 uma ferramenta formid\u00e1vel para incitar a emigra\u00e7\u00e3o legal e ilegal. [4]<\/p>\n<p>Em dezembro de 2014, o presidente Barack Obama decidiu estabelecer um di\u00e1logo com Cuba para tentar resolver por meios pac\u00edficos a disputa que Washington imp\u00f4s a Havana h\u00e1 mais de meio s\u00e9culo.\u00a0Foram tomadas v\u00e1rias medidas construtivas, como, entre outras, a abertura de embaixadas nas respectivas capitais, o levantamento de algumas restri\u00e7\u00f5es ao com\u00e9rcio, embora muito limitado, a retomada das conex\u00f5es a\u00e9reas e mar\u00edtimas diretas entre os dois pa\u00edses e a assinatura de um acordo migrat\u00f3rio entre Cuba e os Estados Unidos em janeiro de 2017 que encerra a pol\u00edtica de \u201cp\u00e9s secos \/ p\u00e9s molhados\u201d \u2013 segundo a qual os cubanos que conseguem atravessar o Estreito da Fl\u00f3rida e pisar no solo dos EUA s\u00e3o aceitos automaticamente \u2013 assim como o Programa M\u00e9dico Cubano.<\/p>\n<p>Essas medidas, somadas \u00e0 estabilidade pol\u00edtica da ilha, \u00e0 melhoria da situa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica e \u00e0 reforma imigrat\u00f3ria cubana do Decreto-Lei 302 de 2013 que eliminou obst\u00e1culos burocr\u00e1ticos relacionados \u00e0 viagem, incitaram muitos cubanos localizados no exterior. para retornar definitivamente a seu pa\u00eds natal e reduzir consideravelmente as partidas finais.\u00a0Assim, em 2016, cerca de 14 mil cubanos estabelecidos no exterior decidiram retornar definitivamente ao seu pa\u00eds de origem, ou seja, um valor superior ao total dos anos 2013 a 2015, o que representa um aumento de 300% em quatro anos. [ 6]<\/p>\n<p>Por outro lado, para os anos 2013-2016, o saldo migrat\u00f3rio total, entre as entradas de cubanos e estrangeiros que decidiram estabelecer-se em Cuba e as sa\u00eddas, \u00e9 de menos 36.000, ou seja, um total de 9.000 sa\u00eddas por ano. Ainda que continue negativo, este saldo se dividiu por quatro em rela\u00e7\u00e3o a 2012, quando a cifra era de 35.000 sa\u00eddas por ano. De 2013 a 2016, mais de 670.000 cubanos realizaram ao menos uma viagem para o exterior. Para 78% deles tratava-se de sua primeira viagem. Somente 9% decidiu ficar no exterior.[7]<\/p>\n<p>Essas estat\u00edsticas ilustram a realidade do problema migrat\u00f3rio cubano.\u00a0Com efeito, a imensa maioria da emigra\u00e7\u00e3o cubana \u00e9 econ\u00f4mica e n\u00e3o pol\u00edtica. O cubano que emigra aspira manter la\u00e7os normais e pac\u00edficos com sua p\u00e1tria.\u00a0Da mesma forma, os n\u00fameros ilustram que, apesar das dificuldades e vicissitudes di\u00e1rias inerentes a um pa\u00eds subdesenvolvido e v\u00edtima de san\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas, os cubanos, em sua maior parte, permanecem ligados ao seu pa\u00eds e ao seu modelo de sociedade que oferece \u00e0 popula\u00e7\u00e3o e, acima de tudo para os mais vulner\u00e1veis, as condi\u00e7\u00f5es de uma vida digna, gra\u00e7as ao acesso universal \u00e0s necessidades b\u00e1sicas, \u00e0 educa\u00e7\u00e3o, \u00e0 sa\u00fade e \u00e0 cultura, bem como \u00e0 seguran\u00e7a e ao bem-estar.\u00a0(Pensando Am\u00e9ricas)<\/p>\n<p>*Colaborador da Thinking Americas. Doutor em Estudos Ib\u00e9ricos e Latino-Americanos da Paris Sorbonne University-Paris IV, Salim Lamrani \u00e9 professor da Universidade de La Reuni\u00f3n e jornalista especialista em rela\u00e7\u00f5es entre Cuba e os Estados Unidos. Seu \u00faltimo livro \u00e9 intitulado Cuba, palavra \u00e0 defesa !, Hondarribia, Editorial Hiru, 2016.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.tiendaeditorialhiru.com\/informe\/336-cuba-palabra-a-la-defensa.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">http: \/\/www.tiendaeditorialhiru.com\/<wbr \/>informe\/336-cuba-palabra-a-la-<wbr \/>defensa \u2026<\/a><\/p>\n<p>Contato: <a href=\"mailto:lamranisalim@yahoo.fr\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">lamranisalim@yahoo.fr<\/a><wbr \/> ; <a href=\"mailto:Salim.Lamrani@univ-reunion.fr\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Salim.Lamrani@univ-reunion.<wbr \/>fr<\/a><\/p>\n<p>P\u00e1gina do Facebook: <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/SalimLamraniOfficiel\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.facebook<wbr \/>.com\/SalimLamraniOfficiel<\/a><\/p>\n<p>1. Departamento de Seguran\u00e7a Interna, \u201cAnu\u00e1rio 2008 de Estat\u00edsticas da Imigra\u00e7\u00e3o\u201d, Office of Immigration Statistics, agosto de 2009. <a href=\"https:\/\/www.dhs.gov\/xlibrary\/assets\/statistics\/yearbook\/2008\/ois_yb_2008.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https: \/\/www.dhs.gov\/xlibrary\/assets\/<wbr \/>statistics\/yearbook\/2008\/ois_y<wbr \/>b_2008 \u2026<\/a> ( site consultado em 31 de julho de 2017)<\/p>\n<blockquote class=\"wp-embedded-content\" data-secret=\"2PSanF96IX\"><p><a href=\"http:\/\/www.patrialatina.com.br\/cuba-e-o-retorno-migratorio\/\">Cuba e o retorno migrat\u00f3rio<\/a><\/p><\/blockquote>\n<p><iframe loading=\"lazy\" class=\"wp-embedded-content\" sandbox=\"allow-scripts\" security=\"restricted\" style=\"position: absolute; clip: rect(1px, 1px, 1px, 1px);\" src=\"http:\/\/www.patrialatina.com.br\/cuba-e-o-retorno-migratorio\/embed\/#?secret=2PSanF96IX\" data-secret=\"2PSanF96IX\" width=\"600\" height=\"338\" title=\"&#8220;Cuba e o retorno migrat\u00f3rio&#8221; &#8212; Patria Latina\" frameborder=\"0\" marginwidth=\"0\" marginheight=\"0\" scrolling=\"no\"><\/iframe><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/18453\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[48],"tags":[226],"class_list":["post-18453","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c58-cuba","tag-4b"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-4ND","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18453","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=18453"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18453\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=18453"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=18453"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=18453"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}