{"id":1849,"date":"2011-09-10T21:14:49","date_gmt":"2011-09-10T21:14:49","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=1849"},"modified":"2011-09-10T21:14:49","modified_gmt":"2011-09-10T21:14:49","slug":"em-debate-a-universidade-popular","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/1849","title":{"rendered":"Em debate, a Universidade Popular"},"content":{"rendered":"\n<p>Estudantes, professores e militantes se reuniram no I Semin\u00e1rio Nacional Sobre Universidade Popular para discutir os rumos das institui\u00e7\u00f5es de ensino superior<\/p>\n<p><em>09\/09\/2011<\/em><\/p>\n<p><em>Andr\u00e9 Guerra, <\/em><\/p>\n<p><em>De Porto Alegre (RS)<\/em><\/p>\n<p>O futuro da Universidade brasileira e da educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica foram temas de debate no I Semin\u00e1rio Nacional Sobre Universidade Popular. O evento ocorreu em Porto Alegre (RS) entre os dias 2 e 4 de setembro na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), reunindo pessoas de todo o pa\u00eds para fundar ao que aponta ser um importante passo rumo \u00e0 democratiza\u00e7\u00e3o da educa\u00e7\u00e3o brasileira.<\/p>\n<p>O principal objetivo da proposta, segundo Fausto Breda, representante do Movimento por uma Universidade Popular (MUP), \u00a0foi \u201ccontribuir para que as entidades que comp\u00f5em as institui\u00e7\u00f5es de ensino sejam ainda mais efetivas em suas lutas\u201d.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s uma aula p\u00fablica inicial que exp\u00f4s os objetivos e metas do semin\u00e1rio, centenas de jovens lotaram o sal\u00e3o nobre da Faculdade de Direito da UFRGS. A mesa de abertura contou com os convidados Jos\u00e9 Paulo Netto, Doutor em Servi\u00e7o Social e professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), e Paulo Rizzo, professor de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de Santa Catarina (UFSC) e ex-presidente do Sindicato Nacional dos Docentes das Institui\u00e7\u00f5es de Ensino Superior (ANDRES-SN).<\/p>\n<p>Os questionamentos que permearam o primeiro dia do semin\u00e1rio referiram-se, principalmente, \u00e0s desestrutura\u00e7\u00f5es ocorridas no ensino superior desde os anos 90, com a implementa\u00e7\u00e3o acelerada do projeto neoliberal. Foi ressaltado que, com a inten\u00e7\u00e3o de transformar o ensino em mercadoria, a educa\u00e7\u00e3o deixou de ser tratada como direito e passou a ser vista como um servi\u00e7o, voltada, majoritariamente, para o lucro. Al\u00e9m disso, refletiu-se sobre as circunst\u00e2ncias em que a educa\u00e7\u00e3o est\u00e1 inserida atualmente, sendo pressionada em um espa\u00e7o que barra o desenvolvimento pleno de todas as potencialidades da sociedade. Nesse sentido, da mesma forma que, por um lado, a Universidade teria o papel de incentivar o pensamento cr\u00edtico e reflexivo, por outro ela tamb\u00e9m passa a servir como aparelho ideol\u00f3gico do Estado, sendo usada como instrumento de manuten\u00e7\u00e3o da ordem vigente.<\/p>\n<p>\u201cVoc\u00ea tem o conhecimento constru\u00eddo para a opress\u00e3o, para justificar a explora\u00e7\u00e3o, e o conhecimento que liberta, pois n\u00e3o h\u00e1 forma de liberta\u00e7\u00e3o sem conhecimento\u201d, contrap\u00f4s o professor Paulo Rizzo.<\/p>\n<p>A t\u00f4nica da abertura do semin\u00e1rio foi a urgente necessidade de uma rearticula\u00e7\u00e3o da luta pela democratiza\u00e7\u00e3o e qualifica\u00e7\u00e3o das institui\u00e7\u00f5es de ensino p\u00fablico. Foi avaliado que, apesar de haver uma tend\u00eancia de resist\u00eancia \u00e0 desqualifica\u00e7\u00e3o do ensino, por si s\u00f3 essa medida n\u00e3o basta. As lutas contra o sucateamento, privatiza\u00e7\u00e3o e precariza\u00e7\u00e3o do ensino superior necessitariam estar articuladas em uma ofensiva que tenha programa e estrat\u00e9gia, interligando as lutas imediatas a um projeto global de melhoria da educa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Segundo os especialistas, as lutas imediatas referem-se \u00e0s reivindica\u00e7\u00f5es que est\u00e3o ganhando cada vez mais for\u00e7a nas Universidades de todo o pa\u00eds. Al\u00e9m dos protestos dos alunos que pedem uma educa\u00e7\u00e3o de qualidade, h\u00e1 uma demanda pela amplia\u00e7\u00e3o da assist\u00eancia estudantil, aumento do valor das bolsas, investimento em restaurantes universit\u00e1rios e aumento do sal\u00e1rio dos t\u00e9cnicos administrativos.<\/p>\n<p>\u201cSe for poss\u00edvel vincular as lutas estritamente universit\u00e1rio-acad\u00eamicas \u00e0s lutas da massa do povo brasileiro, n\u00f3s n\u00e3o estaremos malhando em ferro frio, n\u00e3o estaremos dando murro em ponta de faca\u201d, afirmou Jos\u00e9 Paulo Netto.<\/p>\n<p>Netto ainda foi ovacionado quando salientou as dificuldades e cautelas a serem tomadas na constru\u00e7\u00e3o de um projeto de Universidade Popular.<\/p>\n<p>\u201cEu queria pontuar que \u00e9 necess\u00e1rio unificar, naquilo que for poss\u00edvel, a pauta de demandas de docentes e pesquisadores; de servidores t\u00e9cnicos administrativos e estudantes. Isso n\u00e3o se faz docemente, n\u00f3s sabemos que h\u00e1 tens\u00f5es e conflitos, mas h\u00e1 um denominador comum de defesa de um projeto de Universidade. \u00c9 preciso encontrar aliados fora da Universidade. Esses aliados existem em profus\u00e3o na sociedade brasileira, mas o problema \u00e9 direcionar essa luta\u201d, disse.<\/p>\n<p>Na vis\u00e3o de Jos\u00e9 Paulo Netto, o movimento em prol da Universidade Popular n\u00e3o pode ser partid\u00e1rio, no entanto os partidos t\u00eam que se comprometer com a causa, pois esta seria uma causa de todos. Ele ainda pontuou que essa reivindica\u00e7\u00e3o, embora se refira a uma institui\u00e7\u00e3o espec\u00edfica como a Universidade, n\u00e3o pode estar isolada das necessidades da popula\u00e7\u00e3o e da demanda por uma educa\u00e7\u00e3o de qualidade em todos os n\u00edveis.<\/p>\n<p>\u201cA sociedade brasileira n\u00e3o est\u00e1 parada. Tem tens\u00e3o explodindo em tudo quanto \u00e9 canto. Essa sociedade \u00e9 uma panela de press\u00e3o que est\u00e1 submetida a um fogo alt\u00edssimo. O que n\u00f3s n\u00e3o temos s\u00e3o organiza\u00e7\u00f5es\u201d, alertou o professor.<\/p>\n<p>Jos\u00e9 Paulo Netto tamb\u00e9m identificou a esquerda como a respons\u00e1vel por conduzir o processo de transforma\u00e7\u00e3o da Universidade.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 casual que esse movimento seja um movimento esquerdista? N\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 casual. Se a esquerda que est\u00e1 na frente, nas suas diferenciadas express\u00f5es, que v\u00e3o de movimentos a partidos pol\u00edticos, \u00e9 porque a esquerda, hoje, tem a obriga\u00e7\u00e3o e o dever de levantar a bandeira da democratiza\u00e7\u00e3o do conhecimento. Isto \u00e9 vital para esquerda\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Paulo Netto concluiu com palavras de otimismo em rela\u00e7\u00e3o ao futuro do ensino superior, considerando que o Semin\u00e1rio Nacional Sobre Universidade Popular pode ser uma grande oportunidade para transforma\u00e7\u00e3o da Universidade em um espa\u00e7o plural, democr\u00e1tico e cr\u00edtico.<\/p>\n<p>\u201cA nossa Universidade se divide em tr\u00eas grandes segmentos: h\u00e1 os revolucion\u00e1rios, aqueles que est\u00e3o empenhados em mudar a nossa sociedade, mudar o mundo e, portanto, mudar a Universidade. Esses caras s\u00e3o no m\u00e1ximo 10 por cento. Tem os reacion\u00e1rios, que s\u00e3o os restauradores. Esses s\u00e3o no m\u00e1ximo 10 por cento. Os outros 80 por cento s\u00e3o pessoas extremamente bem-intencionadas, s\u00e9rias e que est\u00e3o esperando algu\u00e9m que d\u00ea uma dire\u00e7\u00e3o \u00e0s suas ang\u00fastias, \u00e0s suas insatisfa\u00e7\u00f5es. Se esse movimento for capaz de dar essa dire\u00e7\u00e3o, n\u00f3s podemos mudar a Universidade\u201d, completou.<\/p>\n<p>Fonte:\u00a0http:\/\/www.brasildefato.com.br\/content\/em-debate-universidade-popular<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n\n\nCr\u00e9dito: Brasil de Fato\n\n\n\n\n\n\n\n\nAndr\u00e9 Guerra\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/1849\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[27],"tags":[],"class_list":["post-1849","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c27-ujc"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-tP","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1849","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1849"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1849\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1849"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1849"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1849"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}